Título Original: The Fork, The Witch and The Worm (2018)
Autor: Christopher Paolini
Tradução: Sofia Ribeiro
ISBN: 9892344111
Editora: Asa (2019)
Sinopse:
Bem-vindo novamente ao mundo de Alagaësia. Já passou um ano desde que Eragon partiu em busca do lugar perfeito para treinar uma nova geração de Cavaleiros do Dragão. Agora, debate-se com as inúmeras tarefas que tem pela frente: construir a Fortaleza do Dragão, entender-se com os fornecedores, cuidar dos ovos de dragão e lidar com os aguerridos Urgals e os arrogantes elfos. Isto até ao momento em que uma visão dos Eldunarí, visitantes inesperados, e uma lenda Urgal trazem uma necessária distração e um novo desafio…
Neste volume encontrarás três histórias originais que decorrem em Alagaësia, a par com o desenrolar da aventura de Eragon. E ainda um excerto das Memórias da inesquecível bruxa e adivinha Ângela, a herbalista, escrito por Ângela Paolini, irmã do autor e a mulher que serviu de inspiração à personagem!
Opinião:
Já passaram bons anos desde que Christopher Paolini apresentou o livro final de "O Ciclo da Herança". Na altura, o autor era bem jovem, e isso refletia-se na sua escrita. Lembro de achei os livros pouco originais, ingénuos e previsíveis. Recentemente, o autor decidiu voltar a este mundo, o que resultou na publicação de O Garfo, a Bruxa e o Dragão. Peguei neste livro, com vontade de perceber como Paolini tinha evoluído e que surpresas relacionadas com Alagaesia ainda poderia trazer. Confesso, desde já, que não fiquei impressionada.
O Garfo, a Bruxa e o Dragão é a reunião de três contos que se passam no mundo de Eragon e Saphira. Estas duas personagens surgem ao longo da obra, mas estão muito longe de serem os elementos fulcrais dos contos. Surgem apenas como uma visita repentina, só para o leitor não se esquecer que ainda estão lá e que ainda podem viver novas aventuras. Contudo, estas ainda não chegaram. Nesta fase, parecem apenas ser os ouvintes de outras três histórias, cada uma com uma lição que os poderá ajudar nesta fase de preparação e mudança.
Em "O Garfo", voltamos a encontrar Murtagh. Percebemos o que esta personagem mais sombria anda a fazer, ao mesmo tempo somos levados a pensar que uma fuga não afasta os problemas e que é preciso ter coragem para reparar erros cometidos. Segue-se "A Bruxa", que tem Angela e Elva como figuras centrais. Aqui, percebemos como as duas se tornaram unidas e percebemos como é possível viver com dor. "O Dragão" pareceu-me ser a história mais forte, uma vez que surge quase como uma lenda. É fácil comparar esta narrativa com a destruição provocada por Smaug em O Hobbit, mas Christopher Paolini preferiu explorar a convivência diária com o que nos pode destruir e como isso nos afeta e nos molda.
Apesar de apreciar que cada conto encerre uma lição importante para Eragon nesta fase que está a atravessar, gostaria que as narrativas tivessem maior ligação. A forma como estão expostas faz parecer que se tratam de textos que o autor escreveu de forma independente e que depois decidiu juntar para fazer mais um livro. Além disso, senti que esta obra não apresenta grande evolução em termos de escrita, intriga e construção de personagens. Tudo parece algo ingénuo, característica que fica ainda mais em evidência em certos diálogos pouco naturais e algo constrangedores.
Recordo que, quando Eragon foi publicado, Paolini foi acusado de não se conseguir afastar de outras grandes obras da literatura fantástica, sendo fácil perceber onde se inspirou. Curiosamente, voltei a sentir o mesmo nestes três contos. Admito que seja cada vez mais difícil criar algo completamente original, mas ao ler estes contos consegui fazer, facilmente, associações com outros livros que já li. Gostaria de ter ficado surpreendida, mas tal nunca aconteceu.
Tinha esperança que O Garfo, a Bruxa e o Dragão surgisse como uma evolução positiva quando comparado com os livros de "O Ciclo da Herança", mas tal não aconteceu. Trata-se de um livro que é lido num instante e que não acrescenta quase nada de novo a este universo. Parece-me surgir como um experimento e não como uma obra mais relevante e que marque o leitor. Depois disto, não sei se vou ter grande curiosidade relativamente a trabalhos do autor que ainda possam surgir.
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terça-feira, 26 de fevereiro de 2019
quinta-feira, 16 de agosto de 2018
Opinião: O Núcleo (Ciclo a Noite dos Demónios #5)
Título Original: The Core (2017)
Autor: Peter V. Brett
Tradução: Renato Carreira
ISBN: 9789892342214
Editora: Asa (2018)
Sinopse:
Demónios sedentos de sangue rondam a noite.
A raça humana está reduzida a uma resistência dispersa e dependente de magias antiquadas.
De entre os resistentes, surgem dois heróis. Tão próximos como irmãos, e, no entanto, divididos por uma amarga traição.
Arlen Bales, o Homem Pintado, está coberto de tatuagens de poderosos símbolos mágicos que lhe permitem combater - e vencer - os demónios.
Ahmann Jardir, possuidor de armas mágicas, autoproclamou-se o Libertador, uma figura que as profecias dizem ser capaz de unir a humanidade e conduzi-la ao triunfo na Sharak Ka - a derradeira guerra contra os demónios. Mas, nos seus esforços para derrotar os demónios, Arlen e Jardir desencadearam uma força que poderá pôr fim a tudo: um Enxame. A guerra está à porta, e a única esperança da humanidade reside em Arlen e Jardir. Com a ajuda de Renna, mulher de Arlen, tentam subjugar um príncipe dos demónios, obrigando-o a indicar-lhes o caminho até ao Núcleo, onde a Mãe dos Demónios está a formar um exército invencível.
Enquanto os leais Leesha, Inevera, Ragen, e Elissa guiam o turbulento povo das Cidades Livres na batalha contra o Enxame, Arlen, Renna e Jardir lançam-se numa perseguição desesperada nas profundezas mais escuras do mal - de onde nenhum deles espera regressar com vida…
Com O Núcleo, chega ao fim o épico Ciclo da Noite dos Demónios, uma das mais aclamadas sagas de fantasia dos nossos tempos…
Opinião:
Foi com um misto de sentimentos que iniciei a leitura de O Núcleo. Por um lado, este era um livro muito desejado. Desde a publicação de O Trono dos Crânios, em 2016, que esperava pelo derradeiro volume da saga de Peter V. Brett "Ciclo a Noite dos Demónios", por isso foi bom finalmente ter esta história nas mãos. Contudo, sabia que esta também seria uma despedida de personagens que me têm conquistado desde 2009, quando O Homem Pintado surgiu nas livrarias.
Este volume começa no ponto em que o anterior terminou, havendo assim uma sensação de continuidade sem que nada tivesse sido perdido. Em capítulos intercalados com os pontos de vista de diversas personagens mais relevantes desta aventura, vamos avançando para o culminar da obra de Peter V. Brett. O facto de haver muitas personagens a oferecerem ao leitor as suas perspetivas pode dar a ideia de que a narrativa avança lentamente, mas tal é necessário para que exista uma visão mais completa dos acontecimentos. É isto que justifica as mais de 800 páginas deste livro, apesar de, confesso, achar que foi dada demasiada importância a certos momentos que poderiam ter sido resumidos.
Entre estes pontos de vista, admito que alguns ficaram entre os meus preferidos enquanto outros, apesar da sua importância, me pareceram menos interessantes. Destaque claro para os momentos com Arlen, Jardin ou Renna. Estas três personagens estão no centro da ação principal desta obra, dando-nos a conhecer uma realidade até então ocultado: o núcleo e o caminho para chegar até lá. Gostei muito de como conseguiram conciliar as suas divergências por um objetivo comum e da forma como transmitiram o ambiente vivido nos locais hostis em que se encontravam. Neste âmbito ainda, fiquei muito bem impressionada pela quase inversão de ideologias entre Arlen e Jardir e pelas reflexões que este caminho provocou em cada um deles.
Leesha Papel sempre foi uma das personagens que mais gostei de acompanhar, mas nesta fase o ponto mais forte dela foi mesmo o novo papel de líder e de mãe. Inevera, por outro lado, despediu-se ao fazer-nos recordar toda a sua força, provando, mais uma vez, que uma mulher pode fazer toda a diferença mesmo nas sociedades mais patriarcais. Briar volta a sobressair e a ser uma figura que é bom reencontrar, a sua ingenuidade, pureza de coração e singularidade colocam-no provocam momentos de reflexão muito curiosos, ao mesmo tempo que o levam para situações que nos prendem o interesse.
Inicialmente, os capítulos dedicados a Elisa and Ragen não foram os que mais se destacaram, mas a situação em que este casal acabou por se encontrar foi muito relevante. Foi através deles que o autor nos levou a refletir sobre as prioridades dos governantes em tempos de crise e sobre o verdadeiro valor que é dado à vida humana. Por outro lado, a situação de crise de Abban mostrou-nos os limites que somos capazes de ultrapassar para sobreviver, mesmo que seja em detrimento da segurança de outros. É impossível não admirar a contrução desta personagem, mesmo que nem sempre consigamos concordar com todas as suas ações ou valores.
Apreciei muito o final que Peter V. Brett nos reservou com esta sua obra. Admito que foi algo que me tivesse passado pela cabeça, uma vez que o sacrifício por um bem maior foi algo cujo tom foi aumentado ao longo dos livros. Percebo que possa ser algo controverso entre os fãs da saga, mas faz sentido. Não posso deixar de falar ainda sobre uma sentida homenagem que acontece nas últimas páginas e que me arrancou um sorriso por ser um exemplo de redenção e respeito.
Contudo, fiquei com a sensação que ficou muito por explicar no que toca ao rescaldo. Teria preferido que o autor tivesse dedicado mais páginas para nos dar a conhecer as consequências do desfecho desta batalha para o mundo que construiu, cortando noutros momentos que acabaram por se revelar mais extensos ao longo da obra. Desta forma, talvez a narrativa tivesse um avanço mais rápido e o leitor ficaria com mais informações no final.
O Núcleo apresentou-me uma conclusão que, no geral, deixou-me satisfeita. Reconheço que este pode muito bem ser o livro mais complexo da saga, uma vez que nos apresenta muitas perspetivas diferentes. Isto também faz que a narrativa seja algo lenta, havendo uma sensação de que o tempo não avança por estarmos sempre a saltar entre pontos de vista que estão a acontecer em simultâneo. Além disso, há muita informação para ser assimilada. Porém, tal não causará grande incómodo aos leitores que apreciaram o trabalho anterior de Peter V. Brett, que, acredito, também vão compreender as escolhas do autor para este desfecho. Para mim, fez todo o sentido.
Autor: Peter V. Brett
Tradução: Renato Carreira
ISBN: 9789892342214
Editora: Asa (2018)
Sinopse:
Demónios sedentos de sangue rondam a noite.
A raça humana está reduzida a uma resistência dispersa e dependente de magias antiquadas.
De entre os resistentes, surgem dois heróis. Tão próximos como irmãos, e, no entanto, divididos por uma amarga traição.
Arlen Bales, o Homem Pintado, está coberto de tatuagens de poderosos símbolos mágicos que lhe permitem combater - e vencer - os demónios.
Ahmann Jardir, possuidor de armas mágicas, autoproclamou-se o Libertador, uma figura que as profecias dizem ser capaz de unir a humanidade e conduzi-la ao triunfo na Sharak Ka - a derradeira guerra contra os demónios. Mas, nos seus esforços para derrotar os demónios, Arlen e Jardir desencadearam uma força que poderá pôr fim a tudo: um Enxame. A guerra está à porta, e a única esperança da humanidade reside em Arlen e Jardir. Com a ajuda de Renna, mulher de Arlen, tentam subjugar um príncipe dos demónios, obrigando-o a indicar-lhes o caminho até ao Núcleo, onde a Mãe dos Demónios está a formar um exército invencível.
Enquanto os leais Leesha, Inevera, Ragen, e Elissa guiam o turbulento povo das Cidades Livres na batalha contra o Enxame, Arlen, Renna e Jardir lançam-se numa perseguição desesperada nas profundezas mais escuras do mal - de onde nenhum deles espera regressar com vida…
Com O Núcleo, chega ao fim o épico Ciclo da Noite dos Demónios, uma das mais aclamadas sagas de fantasia dos nossos tempos…
Opinião:
Foi com um misto de sentimentos que iniciei a leitura de O Núcleo. Por um lado, este era um livro muito desejado. Desde a publicação de O Trono dos Crânios, em 2016, que esperava pelo derradeiro volume da saga de Peter V. Brett "Ciclo a Noite dos Demónios", por isso foi bom finalmente ter esta história nas mãos. Contudo, sabia que esta também seria uma despedida de personagens que me têm conquistado desde 2009, quando O Homem Pintado surgiu nas livrarias.
Este volume começa no ponto em que o anterior terminou, havendo assim uma sensação de continuidade sem que nada tivesse sido perdido. Em capítulos intercalados com os pontos de vista de diversas personagens mais relevantes desta aventura, vamos avançando para o culminar da obra de Peter V. Brett. O facto de haver muitas personagens a oferecerem ao leitor as suas perspetivas pode dar a ideia de que a narrativa avança lentamente, mas tal é necessário para que exista uma visão mais completa dos acontecimentos. É isto que justifica as mais de 800 páginas deste livro, apesar de, confesso, achar que foi dada demasiada importância a certos momentos que poderiam ter sido resumidos.
Entre estes pontos de vista, admito que alguns ficaram entre os meus preferidos enquanto outros, apesar da sua importância, me pareceram menos interessantes. Destaque claro para os momentos com Arlen, Jardin ou Renna. Estas três personagens estão no centro da ação principal desta obra, dando-nos a conhecer uma realidade até então ocultado: o núcleo e o caminho para chegar até lá. Gostei muito de como conseguiram conciliar as suas divergências por um objetivo comum e da forma como transmitiram o ambiente vivido nos locais hostis em que se encontravam. Neste âmbito ainda, fiquei muito bem impressionada pela quase inversão de ideologias entre Arlen e Jardir e pelas reflexões que este caminho provocou em cada um deles.
Leesha Papel sempre foi uma das personagens que mais gostei de acompanhar, mas nesta fase o ponto mais forte dela foi mesmo o novo papel de líder e de mãe. Inevera, por outro lado, despediu-se ao fazer-nos recordar toda a sua força, provando, mais uma vez, que uma mulher pode fazer toda a diferença mesmo nas sociedades mais patriarcais. Briar volta a sobressair e a ser uma figura que é bom reencontrar, a sua ingenuidade, pureza de coração e singularidade colocam-no provocam momentos de reflexão muito curiosos, ao mesmo tempo que o levam para situações que nos prendem o interesse.
Inicialmente, os capítulos dedicados a Elisa and Ragen não foram os que mais se destacaram, mas a situação em que este casal acabou por se encontrar foi muito relevante. Foi através deles que o autor nos levou a refletir sobre as prioridades dos governantes em tempos de crise e sobre o verdadeiro valor que é dado à vida humana. Por outro lado, a situação de crise de Abban mostrou-nos os limites que somos capazes de ultrapassar para sobreviver, mesmo que seja em detrimento da segurança de outros. É impossível não admirar a contrução desta personagem, mesmo que nem sempre consigamos concordar com todas as suas ações ou valores.
Apreciei muito o final que Peter V. Brett nos reservou com esta sua obra. Admito que foi algo que me tivesse passado pela cabeça, uma vez que o sacrifício por um bem maior foi algo cujo tom foi aumentado ao longo dos livros. Percebo que possa ser algo controverso entre os fãs da saga, mas faz sentido. Não posso deixar de falar ainda sobre uma sentida homenagem que acontece nas últimas páginas e que me arrancou um sorriso por ser um exemplo de redenção e respeito.
Contudo, fiquei com a sensação que ficou muito por explicar no que toca ao rescaldo. Teria preferido que o autor tivesse dedicado mais páginas para nos dar a conhecer as consequências do desfecho desta batalha para o mundo que construiu, cortando noutros momentos que acabaram por se revelar mais extensos ao longo da obra. Desta forma, talvez a narrativa tivesse um avanço mais rápido e o leitor ficaria com mais informações no final.
O Núcleo apresentou-me uma conclusão que, no geral, deixou-me satisfeita. Reconheço que este pode muito bem ser o livro mais complexo da saga, uma vez que nos apresenta muitas perspetivas diferentes. Isto também faz que a narrativa seja algo lenta, havendo uma sensação de que o tempo não avança por estarmos sempre a saltar entre pontos de vista que estão a acontecer em simultâneo. Além disso, há muita informação para ser assimilada. Porém, tal não causará grande incómodo aos leitores que apreciaram o trabalho anterior de Peter V. Brett, que, acredito, também vão compreender as escolhas do autor para este desfecho. Para mim, fez todo o sentido.
quinta-feira, 6 de outubro de 2016
Opinião: Prodigy (Legend #2)
Título Original: Legend (2013)
Autor: Marie Lu
Tradução: Filipa Aguiar
ISBN: 9789892336251
Editora: Asa (2016)
Sinopse:
Depois de fugir aos militares da República em Los Angeles, June e Day chegam a Las Vegas no momento em que algo inesperado acontece: o Elector Primo morre, e o seu filho, Anden, assume o comando da nação. Com a República da América à beira do colapso, os dois unem-se ao grupo de rebeldes conhecidos como Patriotas. Dispostos a ajudar Day a encontrar Eden, o seu irmão mais novo, e a levá-los em segurança até às Colónias, os Patriotas têm apenas uma condição: June e Day devem assassinar o novo Elector Primo. É-lhes dada a oportunidade de mudar a nação, de finalmente dar voz ao povo, que viveu demasiado tempo amordaçado. No entanto, quando June descobre que o atual Elector Primo não é o ditador que o pai fora, vê-se atormentada pelas suas escolhas. E se Anden significar um novo começo para todos? E se uma revolução for mais do que simplesmente perda e vingança, fúria e sangue? E se os Patriotas estiverem errados? Nos antigos Estados Unidos, a República apoderou-se do poder. Dois inimigos tornaram-se aliados improváveis e têm o poder de reunificar o país ou começar uma revolução.
Opinião:
Se já tinha gostado de Legend, fiquei ainda mais bem impressionada com Prodigy. No segundo livro desta trilogia, Marie Lu retoma o ponto em que o primeiro terminou e desenvolve este mundo autoritário e distópico. Finalmente ficamos a conhecer o funcionamento do Patriotas, uma fação rebelde, assim como nos surgem possibilidades de mudança. Ao mesmo tempo, vemos os dois protagonistas a passarem por novas aventuras e a evoluírem.
Confesso que o início da leitura não foi fácil. Lembrava-me no primeiro livro, mas havia alguns detalhes que não estavam frescos na memória. Como tal, senti falta de um breve resumo dos acontecimentos passados, já que Marie Lu preferiu não perder tempo com isso e passar logo para a ação. Porém, conforme a leitura vai acontecendo, também comecei a recordar tudo o que era necessário.
June e Day continuam a relatar esta história na primeira pessoa e em capítulos intercalados. Achei curioso que, apesar de ambos se terem unido, não deixam de ser influenciados pelas experiências que tiveram e pelo seu meio de origem. Como tal, são muitas as discussões e desentendimentos que surgem entre ambos. A autora consegue transmitir muito bem estes lados díspares e chegou a fazer-me questionar quem eu realmente apoiava. É que por um lado entendia os argumentos de June, mas por outro percebia o motivo que levava Day a recusar-se a ver as situações da mesma forma. Este choque faz sentido e tinha mesmo de acontecer.
Estas duas personagens cativam, cada uma da sua forma, mas sempre que as suas idades eram mencionadas eu não conseguia deixar de torcer o nariz. Custa-me acreditar que June e Day são adolescentes. Penso que aqui a autora não fez uma boa escolha, pois todas as suas ações e linhas de pensamento fazem-me imaginar jovens-adultos, pessoas com pelo menos mais 10 anos. Também a inclusão de dois triângulos amorosos acabou por ser uma ideia pouco original e que criava momentos pouco necessários.
Tal como aconteceu no primeiro livro, a narrativa é rápida e cheia de ação. Como tal, a leitura é feita num instante. Gostei que a autora tivesse apresentado outros lados desta sociedade e que ainda revelasse algumas surpresas. Fiquei bem impressionada com as revelações finais e ainda mais com o desvendar do outro lado do muro que separa esta ditadura do resto do planeta. Com isto, Marie Lu faz refletir sobre as diferentes formas de controlo populacional, que tanto podem ser feitas através de extremos no que toca ao militarismo ou ao capitalismo.
Com Prodigy, Marie Lu volta a apresentar uma história que prende a atenção ao mesmo tempo que faz pensar sobre o que pode acontecer no futuro no que toca à organização social. Existem falhas registadas já no primeiro volume que persistem neste, mas isso não impede este livro de proporcionar bons momentos. Diverti-me muito com esta leitura e estou muito curiosa em saber o que vai acontecer em Champion, o volume final da trilogia. Afinal, acredito que a autora guarda muitas surpresas.
Outras opiniões a livros de Marie Lu:
Legend (Legend #1)
Autor: Marie Lu
Tradução: Filipa Aguiar
ISBN: 9789892336251
Editora: Asa (2016)
Sinopse:
Depois de fugir aos militares da República em Los Angeles, June e Day chegam a Las Vegas no momento em que algo inesperado acontece: o Elector Primo morre, e o seu filho, Anden, assume o comando da nação. Com a República da América à beira do colapso, os dois unem-se ao grupo de rebeldes conhecidos como Patriotas. Dispostos a ajudar Day a encontrar Eden, o seu irmão mais novo, e a levá-los em segurança até às Colónias, os Patriotas têm apenas uma condição: June e Day devem assassinar o novo Elector Primo. É-lhes dada a oportunidade de mudar a nação, de finalmente dar voz ao povo, que viveu demasiado tempo amordaçado. No entanto, quando June descobre que o atual Elector Primo não é o ditador que o pai fora, vê-se atormentada pelas suas escolhas. E se Anden significar um novo começo para todos? E se uma revolução for mais do que simplesmente perda e vingança, fúria e sangue? E se os Patriotas estiverem errados? Nos antigos Estados Unidos, a República apoderou-se do poder. Dois inimigos tornaram-se aliados improváveis e têm o poder de reunificar o país ou começar uma revolução.
Opinião:
Se já tinha gostado de Legend, fiquei ainda mais bem impressionada com Prodigy. No segundo livro desta trilogia, Marie Lu retoma o ponto em que o primeiro terminou e desenvolve este mundo autoritário e distópico. Finalmente ficamos a conhecer o funcionamento do Patriotas, uma fação rebelde, assim como nos surgem possibilidades de mudança. Ao mesmo tempo, vemos os dois protagonistas a passarem por novas aventuras e a evoluírem.
Confesso que o início da leitura não foi fácil. Lembrava-me no primeiro livro, mas havia alguns detalhes que não estavam frescos na memória. Como tal, senti falta de um breve resumo dos acontecimentos passados, já que Marie Lu preferiu não perder tempo com isso e passar logo para a ação. Porém, conforme a leitura vai acontecendo, também comecei a recordar tudo o que era necessário.
June e Day continuam a relatar esta história na primeira pessoa e em capítulos intercalados. Achei curioso que, apesar de ambos se terem unido, não deixam de ser influenciados pelas experiências que tiveram e pelo seu meio de origem. Como tal, são muitas as discussões e desentendimentos que surgem entre ambos. A autora consegue transmitir muito bem estes lados díspares e chegou a fazer-me questionar quem eu realmente apoiava. É que por um lado entendia os argumentos de June, mas por outro percebia o motivo que levava Day a recusar-se a ver as situações da mesma forma. Este choque faz sentido e tinha mesmo de acontecer.
Estas duas personagens cativam, cada uma da sua forma, mas sempre que as suas idades eram mencionadas eu não conseguia deixar de torcer o nariz. Custa-me acreditar que June e Day são adolescentes. Penso que aqui a autora não fez uma boa escolha, pois todas as suas ações e linhas de pensamento fazem-me imaginar jovens-adultos, pessoas com pelo menos mais 10 anos. Também a inclusão de dois triângulos amorosos acabou por ser uma ideia pouco original e que criava momentos pouco necessários.
Tal como aconteceu no primeiro livro, a narrativa é rápida e cheia de ação. Como tal, a leitura é feita num instante. Gostei que a autora tivesse apresentado outros lados desta sociedade e que ainda revelasse algumas surpresas. Fiquei bem impressionada com as revelações finais e ainda mais com o desvendar do outro lado do muro que separa esta ditadura do resto do planeta. Com isto, Marie Lu faz refletir sobre as diferentes formas de controlo populacional, que tanto podem ser feitas através de extremos no que toca ao militarismo ou ao capitalismo.
Com Prodigy, Marie Lu volta a apresentar uma história que prende a atenção ao mesmo tempo que faz pensar sobre o que pode acontecer no futuro no que toca à organização social. Existem falhas registadas já no primeiro volume que persistem neste, mas isso não impede este livro de proporcionar bons momentos. Diverti-me muito com esta leitura e estou muito curiosa em saber o que vai acontecer em Champion, o volume final da trilogia. Afinal, acredito que a autora guarda muitas surpresas.
Outras opiniões a livros de Marie Lu:
Legend (Legend #1)
terça-feira, 30 de agosto de 2016
Opinião: A Viajante (Seeker #2)
Título Original: Traveler (1990)
Autor: Arwen Elys Dayton
Tradução: Luís Filipe Silva
ISBN: 9789892336053
Editora: Asa - 1001 Mundos (2016)
Sinopse:
Quin Kincaid é uma Seeker. Esta honra é a sua herança, uma função nobre transmitida de geração em geração. Mas o que ela descobriu na noite em que prestou juramento mudou o seu mundo para sempre. Aquilo que se comprometei a fazer é uma monstruosa mentira: distante dos ideais cavalheirescos, o seu cargo de Seeker condena-a à barbárie. O seu pai revela-se um assassino, o seu tio um mentiroso, a sua mãe uma vítima colateral. E o rapaz que ela amou em tempos vive agora para se vingar da família Quin, em primeiro lugar. Mas Quin não está sozinha. Shinobu, o seu companheiro mais antigo, talvez seja a única pessoa em quem pode confiar. A única pessoa que também procura desesperadamente respostas. Mas quanto mais investigam o passado, mas o presente se torna sombrio. Há a questão das outras famílias Seeker desaparecidas, de alianças conturbadas e, pior ainda, um plano funesto iniciado várias gerações atrás que tem o poder de os destruir a todos.
Opinião:
Os eventos de A Viajante seguem a ação que encerrou Seeker - O Clã dos Guardiões, primeiro livro desta saga de Arwen Elys Dayton. Gostei que, apesar de já ter lido o volume inicial há cerca de um ano, senti-me logo familiarizada com as personagens e com a aventura que estão a viver. Penso que tal se deve ao facto de esta história conseguir distinguir-se de todas as outras graças aos seus elementos únicos.
Tal como a autora já nos habituou, existem momentos de grande ação, com descrições pouco confusas de cenas e luta e perseguição. Isto faz com que o ritmo de leitura seja rápida. Porém, aquilo que mais me agradou este livro foi o desvendar do passado sob o ponto de vista de uma figura que foi muito mencionada no primeiro livro. Isto fez-me pensar que a ideia que se tem de uma pessoa muitas vezes não corresponde a quem ela realmente é, além de que é possível constatar que a personalidade é algo que está sempre em evolução, apesar de alguns traços permanecerem. Esta personagem de que vos falo tornou-se numa das mais interessantes para mim.
Quin continua a ser a protagonista da trama, mas desta vez perde um pouco da sua força. Penso que isso acontece devido à presença forte de uma série de personagens secundárias, que ao serem mais ambíguas acaba por despertar a nossa curiosidade. Gosto muito de Shinobu, apesar de, a certo ponto, não concordar de todo com as suas opções. Depois dos acontecimentos do livro anterior, John não era uma figura de que gostasse, mas agora, aos poucos, voltou a ter a minha atenção. Gostava que Maud tivesse maior destaque neste livro, pois foi uma das personagens que mais me cativou no início.
Em A Viajante, Arwen Elys Dayton provou que este universo no qual existem guardiões não ficou plenamente apresentado no primeiro livro da saga. Fiquei muito intrigada com o aparecimento de um novo grupo, que representa uma direção e uma possibilidade inesperada. Desta forma, o perigo tornou-se mais real. Além disso, o destaque de uma figura deste grupo provocou um misto de repulsa e piedade que me fez refletir sobre o como, muitas vezes, somos vítimas das circunstâncias.
O triângulo amoroso continua presente, e acaba por ser o ponto mais fraco devido à sua previsibilidade. Felizmente, os eventos deste livro fizeram com que estas relações cruzadas não tivessem tanto destaca como acontece no anterior. Contudo, uma reviravolta no fim deixa adivinhar que tal, provavelmente, não se vai manter na continuação desta trama. Uma pena, pois Quin parece estar demasiado presa a este triângulo e, como tal, não consegue brilhar tal como uma protagonista merece.
Divirti-me muito enquanto lia A Viajante. As personagens secundárias são muito fortes e, em forma de analogia, a autora consegue abordar temas atuais e que afeta facilmente a população mais jovem dos dias de hoje. Uma boa continuação e um livro que dá vontade de continuar a ler esta saga.
Outras opiniões a livros de Arwen Elys Dayton:
Seeker - O Clã dos Guardiões (#1)
Autor: Arwen Elys Dayton
Tradução: Luís Filipe Silva
ISBN: 9789892336053
Editora: Asa - 1001 Mundos (2016)
Sinopse:
Quin Kincaid é uma Seeker. Esta honra é a sua herança, uma função nobre transmitida de geração em geração. Mas o que ela descobriu na noite em que prestou juramento mudou o seu mundo para sempre. Aquilo que se comprometei a fazer é uma monstruosa mentira: distante dos ideais cavalheirescos, o seu cargo de Seeker condena-a à barbárie. O seu pai revela-se um assassino, o seu tio um mentiroso, a sua mãe uma vítima colateral. E o rapaz que ela amou em tempos vive agora para se vingar da família Quin, em primeiro lugar. Mas Quin não está sozinha. Shinobu, o seu companheiro mais antigo, talvez seja a única pessoa em quem pode confiar. A única pessoa que também procura desesperadamente respostas. Mas quanto mais investigam o passado, mas o presente se torna sombrio. Há a questão das outras famílias Seeker desaparecidas, de alianças conturbadas e, pior ainda, um plano funesto iniciado várias gerações atrás que tem o poder de os destruir a todos.
Opinião:
Os eventos de A Viajante seguem a ação que encerrou Seeker - O Clã dos Guardiões, primeiro livro desta saga de Arwen Elys Dayton. Gostei que, apesar de já ter lido o volume inicial há cerca de um ano, senti-me logo familiarizada com as personagens e com a aventura que estão a viver. Penso que tal se deve ao facto de esta história conseguir distinguir-se de todas as outras graças aos seus elementos únicos.
Tal como a autora já nos habituou, existem momentos de grande ação, com descrições pouco confusas de cenas e luta e perseguição. Isto faz com que o ritmo de leitura seja rápida. Porém, aquilo que mais me agradou este livro foi o desvendar do passado sob o ponto de vista de uma figura que foi muito mencionada no primeiro livro. Isto fez-me pensar que a ideia que se tem de uma pessoa muitas vezes não corresponde a quem ela realmente é, além de que é possível constatar que a personalidade é algo que está sempre em evolução, apesar de alguns traços permanecerem. Esta personagem de que vos falo tornou-se numa das mais interessantes para mim.
Quin continua a ser a protagonista da trama, mas desta vez perde um pouco da sua força. Penso que isso acontece devido à presença forte de uma série de personagens secundárias, que ao serem mais ambíguas acaba por despertar a nossa curiosidade. Gosto muito de Shinobu, apesar de, a certo ponto, não concordar de todo com as suas opções. Depois dos acontecimentos do livro anterior, John não era uma figura de que gostasse, mas agora, aos poucos, voltou a ter a minha atenção. Gostava que Maud tivesse maior destaque neste livro, pois foi uma das personagens que mais me cativou no início.
Em A Viajante, Arwen Elys Dayton provou que este universo no qual existem guardiões não ficou plenamente apresentado no primeiro livro da saga. Fiquei muito intrigada com o aparecimento de um novo grupo, que representa uma direção e uma possibilidade inesperada. Desta forma, o perigo tornou-se mais real. Além disso, o destaque de uma figura deste grupo provocou um misto de repulsa e piedade que me fez refletir sobre o como, muitas vezes, somos vítimas das circunstâncias.
O triângulo amoroso continua presente, e acaba por ser o ponto mais fraco devido à sua previsibilidade. Felizmente, os eventos deste livro fizeram com que estas relações cruzadas não tivessem tanto destaca como acontece no anterior. Contudo, uma reviravolta no fim deixa adivinhar que tal, provavelmente, não se vai manter na continuação desta trama. Uma pena, pois Quin parece estar demasiado presa a este triângulo e, como tal, não consegue brilhar tal como uma protagonista merece.
Divirti-me muito enquanto lia A Viajante. As personagens secundárias são muito fortes e, em forma de analogia, a autora consegue abordar temas atuais e que afeta facilmente a população mais jovem dos dias de hoje. Uma boa continuação e um livro que dá vontade de continuar a ler esta saga.
Outras opiniões a livros de Arwen Elys Dayton:
Seeker - O Clã dos Guardiões (#1)
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016
Opinião: O Trono dos Crânios (Ciclo a Noite dos Demónios #4)
Título Original: The Skull Throne (2015)
Autor: Peter V. Brett
Tradução: Renato Carreira
ISBN: 9789892334516
Editora: Asa (2016)
Sinopse:
O Trono dos Crânios de Krasia está vazio.
Construído com crânios de generais caídos e de príncipes demónios, é um lugar de honra e de magia antiga e poderosa, que mantém afastados os demónios nuclitas. Do alto do trono, Ahmann Jardir estava destinado a conquistar o mundo conhecido, reunindo os seus povos isolados num exército unificado capaz de pôr fim à guerra com os demónios de uma vez por todas. Mas Arlen Bales, o Homem Pintado, foi contra este destino, desafiando Jardir para um duelo que ele não podia recusar. Em vez de arriscar a derrota, Arlen lançou ambos de um precipício, deixando o mundo sem um salvador, e dando origem a uma luta pela sucessão que ameaça destruir as Cidades Livres de Thesa. No Sul, Inevera, a primeira mulher de Jardir, tem de arranjar forma de impedir que os filhos se matem e mergulhem o povo numa guerra civil, enquanto se esforçam por atingir glória suficiente que lhes permita reclamar o trono. No Norte, Leesha Papel e Rojer tentam forjar uma aliança entre os ducados de Angiers e Miln contra os Krasianos antes que seja demasiado tarde.
Apanhado no fogo cruzado encontra-se o ducado de Lakton - rico e desprotegido, pronto a ser conquistado.
Enquanto isso, os nuclitas têm-se tornado mais fortes, e sem Arlen e Jardir talvez não haja ninguém suficientemente poderoso para detê-los.
Apenas Renna Bales pode saber mais sobre o destino dos homens desaparecidos, mas também ela desapareceu...
Opinião:
Mais uma vez, Peter V. Brett fez esperar. E mais uma vez conseguiu manter-me agarradas às (muitas) páginas de um livro. O Trono dos Crânios, o quarto volume do Ciclo a Noite dos Demónios, faz-nos reencontrar personagens que já consideramos amigas, expande ainda mais este universo que foi apresentado em O Homem Pintado, dá novas perspectivas sobre muitas figuras que foram surgindo à medida que a saga foi avançando, e ainda surpreende em muitos, muitos momentos. Porém, ainda não é desta que ficamos a conhecer o desfecho da história.
A narrativa tem início no momento em que A Guerra Diurna termina. Se bem se recordam, as últimas páginas do terceiro volume desta saga apresentaram uma grande reviravolta, algo que, durante estes cerca de dois anos e meio de espera, muitas dúvidas levantaram. Felizmente, a resposta a estas questões surge agora nas primeiras páginas. Confesso que a resolução do autor não era bem aquela que estava à espera. Ainda faltam alguns passos para ficarmos, finalmente, a conhecer o núcleo e a assistir a uma batalha (espero eu) nesse local de onde surgem tantos pesadelos.
Tal como acontece nos livros anteriores, a trama volta a ser contada através da visão de diferentes personagens e sempre na terceira pessoa. Desta forma, ficamos com uma visão mais ampla do que está a acontecer em diversos pontos deste universo. É possível perceber como cada lado pensa e quais os planos que tem. É interessante verificar que existem vários pontos de disputa, sendo o mais evidente a que existe entre humanos e nuclitas. Mas além disso, existem os conflitos entre povos de inspiração ocidental e os de inspiração oriental e ainda assistimos a estratégias de poder dentro de cada um destes grupos. Estas relações são muito complexas e justificam o tamanho do livro (mais de 700 páginas). E como se tal não bastasse, estas intrigas fazem com que dificilmente surjam momentos mais parados.
Os capítulos que mais me cativaram acabaram por ser os que estão relacionados com Leesha e Roger. Penso que tal aconteceu, além do conteúdo, pelo facto de se tratarem de personagens pelas quais nutro um grande carinho deste o início da saga. A empatia é imediata e isso levou-me a ficar sempre do lado deles. Queria que fossem felizes, mesmo que para tal tivesse de aceitar as mudanças de rumo que encontraram e os fizeram desviar daquilo que inicialmente esperava para ambos. Como tal, senti com maior intensidade o sofrimento pelo qual passaram. Peter V. Brett mostra que as guerras e as intrigas prejudicam até as figuras que julgávamos mais protegidas.
Porém, existem outras figuras que, apesar de não concordar com os seus ideais e de não desejar que sejam considerados vencedoras, que me atraem e que provam que o autor consegue criar personagens complexas. É o caso de Inevera, que me continua a surpreender, apesar de achar que merecia ter surgido mais vezes nesta obra. Também fiquei muito bem impressionada com a dicotomia criada entre os irmãos Jayan e Asome, sendo que um representa o guerreiro líder e o outro o estratega dissimulado. Apesar das diferenças, ambos causaram-me repulsa, apesar de um deles ainda ter conseguido manipular, ainda, a minha opinião sobre ele.
A visão de Ashia também me deixou entusiasmada, pois voltou a abordar a questão do papel das mulheres da Krasia e da sua luta por um papel mais útil na sociedade. Porém, também é verdade que existem outras personagens cuja perspectiva parece afastar-se da narrativa principal, o que faz pensar na sua relevância para a história e se não teria sido melhor o autor ter-se debruçado mais sobre questões mais centrais e que ficaram aquém das expetativas.
Curiosamente, Arlen e Jardir, os suspostos grandes heróis desta trama, os homens que pareciam disputar o título de "Libertador", não me entusiasmaram tanto quanto outras figuras. Pareceu-me que, neste livro, o autor deu-lhes um papel de reflexão e preparação, deixando adivinhar que grandes feitos estão a ser preparados para o derradeiro volume. Porém, não deixa de ser curioso perceber que estas das figuras, que nós, leitores, entendemos como humanas dotadas de uma percepção diferente e de uma coragem sem igual, são vistas pelas outras quase como divinas. Isso faz pensar sobre as origens das lendas e até dos mitos.
O Trono dos Crânios é uma leitura cujo início pode custar pois existem muitos nomes, figuras, locais e conceitos a recordar. Mas assim que a memória é avivada, torna-se difícil parar de ler. É impressionante pensar em como a história de um rapazinho se tornou nesta intriga tão densa e complexa. É verdade que ainda ficam muitas respostas por dar, e é ainda mais verdade que custa ficar conhecer o destino cruel que o autor reservou para algumas destas personagens, mas este não deixa de ser um livro intenso e que faz as delícias dos fãs que o autor já conquistou. Agora, é espera pelo quinto e último volume da saga e desejar que não demore tanto tempo a chegar às nossas mãos quanto este levou.
Outras opiniões a livros de Peter V. Brett:
A Guerra Diurna (Ciclo a Noite dos Demónios #3)
O Grande Bazar e Outras Histórias
Autor: Peter V. Brett
Tradução: Renato Carreira
ISBN: 9789892334516
Editora: Asa (2016)
Sinopse:
O Trono dos Crânios de Krasia está vazio.
Construído com crânios de generais caídos e de príncipes demónios, é um lugar de honra e de magia antiga e poderosa, que mantém afastados os demónios nuclitas. Do alto do trono, Ahmann Jardir estava destinado a conquistar o mundo conhecido, reunindo os seus povos isolados num exército unificado capaz de pôr fim à guerra com os demónios de uma vez por todas. Mas Arlen Bales, o Homem Pintado, foi contra este destino, desafiando Jardir para um duelo que ele não podia recusar. Em vez de arriscar a derrota, Arlen lançou ambos de um precipício, deixando o mundo sem um salvador, e dando origem a uma luta pela sucessão que ameaça destruir as Cidades Livres de Thesa. No Sul, Inevera, a primeira mulher de Jardir, tem de arranjar forma de impedir que os filhos se matem e mergulhem o povo numa guerra civil, enquanto se esforçam por atingir glória suficiente que lhes permita reclamar o trono. No Norte, Leesha Papel e Rojer tentam forjar uma aliança entre os ducados de Angiers e Miln contra os Krasianos antes que seja demasiado tarde.
Apanhado no fogo cruzado encontra-se o ducado de Lakton - rico e desprotegido, pronto a ser conquistado.
Enquanto isso, os nuclitas têm-se tornado mais fortes, e sem Arlen e Jardir talvez não haja ninguém suficientemente poderoso para detê-los.
Apenas Renna Bales pode saber mais sobre o destino dos homens desaparecidos, mas também ela desapareceu...
Opinião:
Mais uma vez, Peter V. Brett fez esperar. E mais uma vez conseguiu manter-me agarradas às (muitas) páginas de um livro. O Trono dos Crânios, o quarto volume do Ciclo a Noite dos Demónios, faz-nos reencontrar personagens que já consideramos amigas, expande ainda mais este universo que foi apresentado em O Homem Pintado, dá novas perspectivas sobre muitas figuras que foram surgindo à medida que a saga foi avançando, e ainda surpreende em muitos, muitos momentos. Porém, ainda não é desta que ficamos a conhecer o desfecho da história.
A narrativa tem início no momento em que A Guerra Diurna termina. Se bem se recordam, as últimas páginas do terceiro volume desta saga apresentaram uma grande reviravolta, algo que, durante estes cerca de dois anos e meio de espera, muitas dúvidas levantaram. Felizmente, a resposta a estas questões surge agora nas primeiras páginas. Confesso que a resolução do autor não era bem aquela que estava à espera. Ainda faltam alguns passos para ficarmos, finalmente, a conhecer o núcleo e a assistir a uma batalha (espero eu) nesse local de onde surgem tantos pesadelos.
Tal como acontece nos livros anteriores, a trama volta a ser contada através da visão de diferentes personagens e sempre na terceira pessoa. Desta forma, ficamos com uma visão mais ampla do que está a acontecer em diversos pontos deste universo. É possível perceber como cada lado pensa e quais os planos que tem. É interessante verificar que existem vários pontos de disputa, sendo o mais evidente a que existe entre humanos e nuclitas. Mas além disso, existem os conflitos entre povos de inspiração ocidental e os de inspiração oriental e ainda assistimos a estratégias de poder dentro de cada um destes grupos. Estas relações são muito complexas e justificam o tamanho do livro (mais de 700 páginas). E como se tal não bastasse, estas intrigas fazem com que dificilmente surjam momentos mais parados.
Os capítulos que mais me cativaram acabaram por ser os que estão relacionados com Leesha e Roger. Penso que tal aconteceu, além do conteúdo, pelo facto de se tratarem de personagens pelas quais nutro um grande carinho deste o início da saga. A empatia é imediata e isso levou-me a ficar sempre do lado deles. Queria que fossem felizes, mesmo que para tal tivesse de aceitar as mudanças de rumo que encontraram e os fizeram desviar daquilo que inicialmente esperava para ambos. Como tal, senti com maior intensidade o sofrimento pelo qual passaram. Peter V. Brett mostra que as guerras e as intrigas prejudicam até as figuras que julgávamos mais protegidas.
Porém, existem outras figuras que, apesar de não concordar com os seus ideais e de não desejar que sejam considerados vencedoras, que me atraem e que provam que o autor consegue criar personagens complexas. É o caso de Inevera, que me continua a surpreender, apesar de achar que merecia ter surgido mais vezes nesta obra. Também fiquei muito bem impressionada com a dicotomia criada entre os irmãos Jayan e Asome, sendo que um representa o guerreiro líder e o outro o estratega dissimulado. Apesar das diferenças, ambos causaram-me repulsa, apesar de um deles ainda ter conseguido manipular, ainda, a minha opinião sobre ele.
A visão de Ashia também me deixou entusiasmada, pois voltou a abordar a questão do papel das mulheres da Krasia e da sua luta por um papel mais útil na sociedade. Porém, também é verdade que existem outras personagens cuja perspectiva parece afastar-se da narrativa principal, o que faz pensar na sua relevância para a história e se não teria sido melhor o autor ter-se debruçado mais sobre questões mais centrais e que ficaram aquém das expetativas.
Curiosamente, Arlen e Jardir, os suspostos grandes heróis desta trama, os homens que pareciam disputar o título de "Libertador", não me entusiasmaram tanto quanto outras figuras. Pareceu-me que, neste livro, o autor deu-lhes um papel de reflexão e preparação, deixando adivinhar que grandes feitos estão a ser preparados para o derradeiro volume. Porém, não deixa de ser curioso perceber que estas das figuras, que nós, leitores, entendemos como humanas dotadas de uma percepção diferente e de uma coragem sem igual, são vistas pelas outras quase como divinas. Isso faz pensar sobre as origens das lendas e até dos mitos.
O Trono dos Crânios é uma leitura cujo início pode custar pois existem muitos nomes, figuras, locais e conceitos a recordar. Mas assim que a memória é avivada, torna-se difícil parar de ler. É impressionante pensar em como a história de um rapazinho se tornou nesta intriga tão densa e complexa. É verdade que ainda ficam muitas respostas por dar, e é ainda mais verdade que custa ficar conhecer o destino cruel que o autor reservou para algumas destas personagens, mas este não deixa de ser um livro intenso e que faz as delícias dos fãs que o autor já conquistou. Agora, é espera pelo quinto e último volume da saga e desejar que não demore tanto tempo a chegar às nossas mãos quanto este levou.
Outras opiniões a livros de Peter V. Brett:
A Guerra Diurna (Ciclo a Noite dos Demónios #3)
O Grande Bazar e Outras Histórias
sábado, 5 de dezembro de 2015
Opinião: Vida e Morte (Twilight #5)
Título Original: Life and Death: Twilight Reimagined (2015)
Autor: Stephenie Meyer
Tradução: Carla Melo
ISBN: 9789892333960
Editora: Asa (2015)
Sinopse:
Quando Beaufort Swan se muda para a sombria cidade de Forks e conhece a misteriosa e sedutora Edythe Cullen, a sua vida dá uma volta emocionante e aterrorizadora. Com a sua pele de porcelana, olhos dourados, voz hipnotizante e dons sobrenaturais, Edythe é ao mesmo tempo irresistível e enigmática. O que Beau não percebe é que, quanto mais se aproxima dela, mais se coloca a si mesmo, e àqueles que o rodeiam, em risco. E pode ser demasiado tarde para voltar atrás...
Para comemorar o décimo aniversário de "Crepúsculo", Stephenie Meyer escreveu "Vida e Morte", uma reimaginação ousada e fascinante da icónica história de amor, que irá surpreender e fascinar os leitores. Esta dupla edição especial inclui um prefácio da autora, bem como o romance original.
Opinião:
Como forma de comemorar o 10º aniversário do lançamento de Crepúsculo, o primeiro volume da série "Luz Escuridão", Stephenie Meyer decidiu marcar a ocasião com o lançamento de Vida e Morte. Nesta nova história, a autora tenta "colocar à prova", tal como ela própria afirma no prólogo, a teoria de que a sua história original não abordava a obsessão feminina. Como tal, decidiu trocar os géneros da maior parte das suas personagens e reescreveu o primeiro volume da sua saga tendo em conta esta alteração.
Li Crepúsculo pouco tempo depois de ter saído do mercado nacional, entusiasmada com a ideia de ir ler um livro sobre vampiros. Posso dizer que, na altura, não fiquei impressionada com o livro, mas a alteração de Vida e Morte intrigou-me. Não conseguia imaginar Bella de uma forma masculina ou Edward como mulher, por isso fiquei muito curiosa com esta alteração. Desejava ver até que ponto a mudança de géneros iria alterar os acontecimentos e as relações entre personagens. Porém, não achei que Stephenie Meyer tivesse feito um bom trabalho.
A história de Vida e Morte é praticamente igual à de Crepúsculo. Este volume possui as duas edições, o que me levou, em diversos momentos, a ler as mesmas passagens num e noutro, só para perceber quais foram as mudanças. Tirando a alteração dos nomes e géneros das personagens, há pouco que tenha sido mudado. Percebo que Stephenie Meyer tenha tentado mostrar desta forma que Bella não era uma rapariga indefesa e submissa já que um rapaz poderia passar pelo mesmo que ela, mas existem momentos que não ligam bem ao novo género das personagens.
Gostaria que Beau fosse mais maculino, mas não consegui de o ver como uma nova versão de Bella. Em certos momentos, as atitudes dele nem sequer parecem as de um rapaz. O facto de não gostar dos avanços de raparigas bonitas da sua nova escola, a dedicação à casa do pai e à culinária, os seus pensamentos e a forma como se deixa levar tão facilmente por uma rapariga dominante fazem-me pensar que a autora não se esforçou muito por fazer dele um rapaz credível.
Já a alteração de Edward para Edyth parece-me melhor. É verdade que não podemos acompanhar os pensamentos desta figura, mas não me foi difícil aceitar a existência de uma rapariga temperamental, indecisa, misteriosa e muito senhora de si. Isto já é mais fácil de encontrar na nossa sociedade. Já quanto às outras figuras, pouca relevância tem o seu sexo. E percebo o motivo pelo qual Meyer decidiu manter o género dos pais e Bella/Beau.
O desenrolar da trama tem poucas surpresas, já que é praticamente igual à versão original, tirando o final. Acho que poderiam ter existido mais alterações, pois a mudança de género das personagens pedia isso. Beau poderia ter gostos diferentes, e por isso as suas atividades seriam outras, a forma de relacionamento com as outras figuras também podia ligar-se mais ao universo masculino, e a forma como via a sua relação com Edyth também poderia ter variações. Estas pequenas mudanças teriam tornado a obra mais singular. Contudo, tudo isto foi igual ao livro original.
O final não me deixou surpresa, já que tem uma reviravolta que eu tinha esperado ver em Crepúsculo. Penso que esta foi a forma de Meyer responder aos fãs que questionam tal possibilidade e, assim, de dar por concluída esta reimaginação. Penso que a autora não se aplicou realmente a esta versão comemorativa. Sim, quis tentar algo diferente do habitual, mas parece que se limitou a fazer uma cópia do que já existia e alterar apenas os nomes. A própria Meyer afirma no prólogo que optou por esta versão por ter pouco tempo para fazer algo mais. E é possível verificar isso mesmo.
Vida e Morte não é uma nova versão que mereça grandes elogios. Sim, a autora tentou ser original, mas se se tivesse esforçado um pouco mais teria conseguido algo melhor. Além disso, penso que teria sido melhor se esta versão tivesse sido lançada em separado, em vez de vir acompanhada de Crepúsculo, pois os fãs já têm o livro original e, mesmo que tenham curiosidade quanto a esta nova versão, penso que preferiam adquiri-la em separado.
Autor: Stephenie Meyer
Tradução: Carla Melo
ISBN: 9789892333960
Editora: Asa (2015)
Sinopse:
Quando Beaufort Swan se muda para a sombria cidade de Forks e conhece a misteriosa e sedutora Edythe Cullen, a sua vida dá uma volta emocionante e aterrorizadora. Com a sua pele de porcelana, olhos dourados, voz hipnotizante e dons sobrenaturais, Edythe é ao mesmo tempo irresistível e enigmática. O que Beau não percebe é que, quanto mais se aproxima dela, mais se coloca a si mesmo, e àqueles que o rodeiam, em risco. E pode ser demasiado tarde para voltar atrás...
Para comemorar o décimo aniversário de "Crepúsculo", Stephenie Meyer escreveu "Vida e Morte", uma reimaginação ousada e fascinante da icónica história de amor, que irá surpreender e fascinar os leitores. Esta dupla edição especial inclui um prefácio da autora, bem como o romance original.
Opinião:
Como forma de comemorar o 10º aniversário do lançamento de Crepúsculo, o primeiro volume da série "Luz Escuridão", Stephenie Meyer decidiu marcar a ocasião com o lançamento de Vida e Morte. Nesta nova história, a autora tenta "colocar à prova", tal como ela própria afirma no prólogo, a teoria de que a sua história original não abordava a obsessão feminina. Como tal, decidiu trocar os géneros da maior parte das suas personagens e reescreveu o primeiro volume da sua saga tendo em conta esta alteração.
Li Crepúsculo pouco tempo depois de ter saído do mercado nacional, entusiasmada com a ideia de ir ler um livro sobre vampiros. Posso dizer que, na altura, não fiquei impressionada com o livro, mas a alteração de Vida e Morte intrigou-me. Não conseguia imaginar Bella de uma forma masculina ou Edward como mulher, por isso fiquei muito curiosa com esta alteração. Desejava ver até que ponto a mudança de géneros iria alterar os acontecimentos e as relações entre personagens. Porém, não achei que Stephenie Meyer tivesse feito um bom trabalho.
A história de Vida e Morte é praticamente igual à de Crepúsculo. Este volume possui as duas edições, o que me levou, em diversos momentos, a ler as mesmas passagens num e noutro, só para perceber quais foram as mudanças. Tirando a alteração dos nomes e géneros das personagens, há pouco que tenha sido mudado. Percebo que Stephenie Meyer tenha tentado mostrar desta forma que Bella não era uma rapariga indefesa e submissa já que um rapaz poderia passar pelo mesmo que ela, mas existem momentos que não ligam bem ao novo género das personagens.
Gostaria que Beau fosse mais maculino, mas não consegui de o ver como uma nova versão de Bella. Em certos momentos, as atitudes dele nem sequer parecem as de um rapaz. O facto de não gostar dos avanços de raparigas bonitas da sua nova escola, a dedicação à casa do pai e à culinária, os seus pensamentos e a forma como se deixa levar tão facilmente por uma rapariga dominante fazem-me pensar que a autora não se esforçou muito por fazer dele um rapaz credível.
Já a alteração de Edward para Edyth parece-me melhor. É verdade que não podemos acompanhar os pensamentos desta figura, mas não me foi difícil aceitar a existência de uma rapariga temperamental, indecisa, misteriosa e muito senhora de si. Isto já é mais fácil de encontrar na nossa sociedade. Já quanto às outras figuras, pouca relevância tem o seu sexo. E percebo o motivo pelo qual Meyer decidiu manter o género dos pais e Bella/Beau.
O desenrolar da trama tem poucas surpresas, já que é praticamente igual à versão original, tirando o final. Acho que poderiam ter existido mais alterações, pois a mudança de género das personagens pedia isso. Beau poderia ter gostos diferentes, e por isso as suas atividades seriam outras, a forma de relacionamento com as outras figuras também podia ligar-se mais ao universo masculino, e a forma como via a sua relação com Edyth também poderia ter variações. Estas pequenas mudanças teriam tornado a obra mais singular. Contudo, tudo isto foi igual ao livro original.
O final não me deixou surpresa, já que tem uma reviravolta que eu tinha esperado ver em Crepúsculo. Penso que esta foi a forma de Meyer responder aos fãs que questionam tal possibilidade e, assim, de dar por concluída esta reimaginação. Penso que a autora não se aplicou realmente a esta versão comemorativa. Sim, quis tentar algo diferente do habitual, mas parece que se limitou a fazer uma cópia do que já existia e alterar apenas os nomes. A própria Meyer afirma no prólogo que optou por esta versão por ter pouco tempo para fazer algo mais. E é possível verificar isso mesmo.
Vida e Morte não é uma nova versão que mereça grandes elogios. Sim, a autora tentou ser original, mas se se tivesse esforçado um pouco mais teria conseguido algo melhor. Além disso, penso que teria sido melhor se esta versão tivesse sido lançada em separado, em vez de vir acompanhada de Crepúsculo, pois os fãs já têm o livro original e, mesmo que tenham curiosidade quanto a esta nova versão, penso que preferiam adquiri-la em separado.
domingo, 20 de setembro de 2015
Opinião: Seeker - O Clã dos Guardiões
Autor: Arwen Elys Dayton
Título Original: Seeker (2008)
Tradução: Maria Ponce de Leão
ISBN: 9789892333427
Editora: Asa - Coleção 1001 Mundos (2015)
Sinopse:
Na noite em que prestar juramento, a jovem Quin Kincaid irá tornar-se aquilo para que treinou toda a vida. Irá tornar-se um Seeker. Este é o seu legado, e é uma honra. Como Seeker, Quin irá lutar ao lado dos seus dois companheiros mais chegados, Shinobu e John, para proteger os fracos e os injustiçados. Juntos, eles representarão a luz num mundo sombrio. E ficará com o rapaz que ama - que também é o seu melhor amigo. Mas na noite em que Quin presta juramento, tudo muda... ser Seeker não é o que ela pensava. A sua família não é o que ela pensava. Nem o rapaz que ela ama é quem ela pensava. E agora é demasiado tarde para fugir.
Opinião:
Seeker - O Clã dos Guardiões é um livro do género fantástico que aborda conceitos novos e que despertam interesse. A ideia de um clãs que vive à margem da sociedade e tem o poder para alterar eventos e, desta forma, proteger a humanidade provoca curiosidade. Quase que parece tratarem-se de ninjas ocidentais!
Numa fase inicial, Arwen Elys Dayton, a autora, transporta-nos para a Escócia, onde ficamos a conhecer uma organização secreta e, curiosamente, familiar. É que as responsabilidades e deveres de um Seeker são ancestrais e passam de geração para geração, o que fortalece a ideia de que esta é uma função que o mundo dificilmente conhecerá. E, além disso, os filhos de Seekers começam a treinar desde tenra idade. E é história de três jovens que nós, através deste livro, acompanhamos de perto.
Quin, John e Shinobu são a nova geração dos seus clãs e, supostamente, serão eles os próximos Seekers. Nas primeiras páginas, reparamos que os treinos deles são muito exigentes, mas também fica evidente que os três são tratados de forma diferente. Além disso, não é difícil perceber que eles formam um triângulo amoroso.
Quin acaba por ser a figura central, talvez por ser a única rapariga. Ao início, é idealista, otimista, esperançosa e está preparada para abraçar as novas funções, mas certos eventos provocam-lhe um grande choque, e ela irá necessitar de passar por um complicado processo de mudança. Enquanto leitora, desejei que fosse bem sucedida, mas o facto de em diferentes partes da trama ela parecer uma pessoa diferente fizeram com que a empatia não ficasse bem estabelecida. Contudo, admiro algumas das suas escolhas e do facto de ela mover-se pelos seus valores e não pelas emoções.
Nas primeiras págins do livro, John foi a figura com que mais simpatizei. Reconheço que tal se deve ao facto de ele ser alguém que sofre com injustiças e de ter um passado incomum. Contudo, ele acabou também por se revelar na personagem que menos compreendi. Aceito as suas motivações, mas não a forma como ele tenta atingir os seus objetivos. Isto faz com que, a certo ponto, me tenha sentido muito irritada com ele. Já Shinobu é uma figura com uma evolução que tem altos e baixos (muto baixos), e que, apesar de tudo, parece manter alguns valores que que realmente se arrepende quando prejudica os outros. Gostei dele, mas julgo que tem muito mais para evoluir.
Existem outras figuras interessantes, entre as quais destaco os Dread. Eles formam um grupo à parte dos Seeker mas que trabalha em conjunto com eles. É através deles que se desvenda alguns mistérios além de que o conceito de atravessar o tempo e espaço ganhar uma dimensão superior no que toca a estas personagens. Ao início não se percebe muito bem o papel destas figuras, mas a falta de informação acontece um pouco por todo o livro.
A autora optou por criar uma trama de ação rápida, e isso fez com que não perdesse tempo com grandes explicações. Isso cria alguma confusão, pois até mesmo o conceito de Seeker é-nos apenas apresentado numa nota de tradução. E tal não acontece apenas com os conceitos, pois certos momentos da narrativa parecem ter dado um grande salto, pois a autora não explicou bem o que realmente tinha acontecido. E isso fica ainda mais difícil de entender quando se estão a dar saltos temporais e estes mal são mencionados.
Penso que, com esta trama, a autora procurou explorar a ideia do que pode acontecer ao poder quando é colocado em mãos com diferentes objetivos. Facilmente se percebe a ideia de que o ser humano é responsável pelas suas ações, que os fins nem sempre justificam os meios e que é muito fácil ser-se corrompido pelo poder. Isto aliado a uma trama com elementos sobrenaturais onde não faltam viagens pelo espaço através de artefactos especiais torna o livro bastante curioso. Contudo, gostaria que a autora tivesse optado por fazer mais explicações e descrições, de forma a não tornar certos momentos confusos.
Os acontecimentos finais são relevantes e fazem ter vontade de continuar a acompanhar a saga e as aventuras destas personagens. Estou muito curiosa para saber que mais nos reserva Arwen Elys Dayton com esta saga, cujo segundo volume original tem data de publicação prevista para janeiro de 2016.
Título Original: Seeker (2008)
Tradução: Maria Ponce de Leão
ISBN: 9789892333427
Editora: Asa - Coleção 1001 Mundos (2015)
Sinopse:
Na noite em que prestar juramento, a jovem Quin Kincaid irá tornar-se aquilo para que treinou toda a vida. Irá tornar-se um Seeker. Este é o seu legado, e é uma honra. Como Seeker, Quin irá lutar ao lado dos seus dois companheiros mais chegados, Shinobu e John, para proteger os fracos e os injustiçados. Juntos, eles representarão a luz num mundo sombrio. E ficará com o rapaz que ama - que também é o seu melhor amigo. Mas na noite em que Quin presta juramento, tudo muda... ser Seeker não é o que ela pensava. A sua família não é o que ela pensava. Nem o rapaz que ela ama é quem ela pensava. E agora é demasiado tarde para fugir.
Opinião:
Seeker - O Clã dos Guardiões é um livro do género fantástico que aborda conceitos novos e que despertam interesse. A ideia de um clãs que vive à margem da sociedade e tem o poder para alterar eventos e, desta forma, proteger a humanidade provoca curiosidade. Quase que parece tratarem-se de ninjas ocidentais!
Numa fase inicial, Arwen Elys Dayton, a autora, transporta-nos para a Escócia, onde ficamos a conhecer uma organização secreta e, curiosamente, familiar. É que as responsabilidades e deveres de um Seeker são ancestrais e passam de geração para geração, o que fortalece a ideia de que esta é uma função que o mundo dificilmente conhecerá. E, além disso, os filhos de Seekers começam a treinar desde tenra idade. E é história de três jovens que nós, através deste livro, acompanhamos de perto.
Quin, John e Shinobu são a nova geração dos seus clãs e, supostamente, serão eles os próximos Seekers. Nas primeiras páginas, reparamos que os treinos deles são muito exigentes, mas também fica evidente que os três são tratados de forma diferente. Além disso, não é difícil perceber que eles formam um triângulo amoroso.
Quin acaba por ser a figura central, talvez por ser a única rapariga. Ao início, é idealista, otimista, esperançosa e está preparada para abraçar as novas funções, mas certos eventos provocam-lhe um grande choque, e ela irá necessitar de passar por um complicado processo de mudança. Enquanto leitora, desejei que fosse bem sucedida, mas o facto de em diferentes partes da trama ela parecer uma pessoa diferente fizeram com que a empatia não ficasse bem estabelecida. Contudo, admiro algumas das suas escolhas e do facto de ela mover-se pelos seus valores e não pelas emoções.
Nas primeiras págins do livro, John foi a figura com que mais simpatizei. Reconheço que tal se deve ao facto de ele ser alguém que sofre com injustiças e de ter um passado incomum. Contudo, ele acabou também por se revelar na personagem que menos compreendi. Aceito as suas motivações, mas não a forma como ele tenta atingir os seus objetivos. Isto faz com que, a certo ponto, me tenha sentido muito irritada com ele. Já Shinobu é uma figura com uma evolução que tem altos e baixos (muto baixos), e que, apesar de tudo, parece manter alguns valores que que realmente se arrepende quando prejudica os outros. Gostei dele, mas julgo que tem muito mais para evoluir.
Existem outras figuras interessantes, entre as quais destaco os Dread. Eles formam um grupo à parte dos Seeker mas que trabalha em conjunto com eles. É através deles que se desvenda alguns mistérios além de que o conceito de atravessar o tempo e espaço ganhar uma dimensão superior no que toca a estas personagens. Ao início não se percebe muito bem o papel destas figuras, mas a falta de informação acontece um pouco por todo o livro.
A autora optou por criar uma trama de ação rápida, e isso fez com que não perdesse tempo com grandes explicações. Isso cria alguma confusão, pois até mesmo o conceito de Seeker é-nos apenas apresentado numa nota de tradução. E tal não acontece apenas com os conceitos, pois certos momentos da narrativa parecem ter dado um grande salto, pois a autora não explicou bem o que realmente tinha acontecido. E isso fica ainda mais difícil de entender quando se estão a dar saltos temporais e estes mal são mencionados.
Penso que, com esta trama, a autora procurou explorar a ideia do que pode acontecer ao poder quando é colocado em mãos com diferentes objetivos. Facilmente se percebe a ideia de que o ser humano é responsável pelas suas ações, que os fins nem sempre justificam os meios e que é muito fácil ser-se corrompido pelo poder. Isto aliado a uma trama com elementos sobrenaturais onde não faltam viagens pelo espaço através de artefactos especiais torna o livro bastante curioso. Contudo, gostaria que a autora tivesse optado por fazer mais explicações e descrições, de forma a não tornar certos momentos confusos.
Os acontecimentos finais são relevantes e fazem ter vontade de continuar a acompanhar a saga e as aventuras destas personagens. Estou muito curiosa para saber que mais nos reserva Arwen Elys Dayton com esta saga, cujo segundo volume original tem data de publicação prevista para janeiro de 2016.
segunda-feira, 15 de junho de 2015
Opinião: O Grande Bazar e Outras Histórias
Título Original: The Great Bazar and Other Stories (2010, 2012, 2014)
Autor: Peter V. Brett
Tradutor: Renato Correia
ISBN: 9789892331362
Editora: Asa/1001 Mundos (2015)
Sinopse:
Este livro reúne várias novelas do «Ciclo dos Demónios» que podem ser lidas como histórias independentes, mesmo por quem não conhece a obra de Peter V. Brett. Cada uma é a sua própria entrada para um mundo terrível em que os demónios deambulam pela noite, à caça de seres humanos. No entanto, para aqueles já familiarizados com o mundo do «Ciclo dos Demónios», estas novelas serão um mimo especial, pois acrescentam profundidade e textura ao universo da série. As duas primeiras, "O Ouro de Brayan" e "O Grande Bazar", têm lugar a meio dos acontecimentos de "O Homem Pintado", contando histórias sobre as aventuras de Mensageiro de Arlen Bales, antes de ele se tornar o Homem Pintado. "O Ouro de Brayan" fala da primeira viagem a solo de Arlen como Mensageiro, uma viagem perigosa em que ele leva explosivos para uma remota cidade mineira de montanha. "O Grande Bazar" foi escrito para preencher a lacuna entre "O Homem Pintado" e "A Lança do Deserto", dando uma nova perspetiva sobre a forma como Arlen encontrou a mítica Lança de Kaji. A terceira novela, "O Legado de Mensageiro", abrange uma década, apresentando algumas personagens conhecidas e introduzindo uma nova que irá desempenhar um papel central no livro 4 do «Ciclo dos Demónios»: "O Trono dos Crânios".
Opinião:
Sou fã do "Ciclo a Noite dos Demónios" e anseio a publicação em Portugal do quarto volume desta saga de Peter V. Brett. Mas tendo em conta que ainda falta para esse livro chegar, fico muito feliz por conseguir voltar a acompanhar Arlen e outras personagens deste mundo através de O Grande Bazar e outras Histórias. Este é um volume que reúne três novelas, duas cenas eliminadas, um dicionário de krasiano e um Compêndio de Guardas.
"O Ouro de Brayan" é a primeira novela. Nela acompanhamos Arlen quando este se iniciava na sua carreira de Mensageiro. Os valores morais do herói são postos à prova e comprovamos, ao mesmo tempo que este conhece novos locais e enfrenta outros perigos. É uma narrativa que reforça o valor de Arlen e que justifica a sua evolução e a razão de tantos homens poderosos o respeitarem.
A segunda novela é "O Grande Bazar" e relata acontecimentos que se passaram entre O Homem Pintado e A Lança do Deserto. É uma narrativa apelativa, pois volta a explorar os costumes da Krasia e é muito centrado numa figura que sempre me intrigou: Abban, o khaffit inteligente e trapaceiro. Ao mesmo tempo que apresenta uma curta mas perigosa aventura, incide ainda na ambição de Arlen de conhecer mais e de encontrar novas formas de enfrentar os nuclitas. Liga bem com os livros.
Fiquei completamente presa à terceira novela, "O Legado do Mensageiro". É uma trama bastante completa e dividida por capítulos. Nela, ficamos a conhecer uma personagem muito intrigante e que promete desempenhar um papel muito importante no próximo volume da saga. Trata-se de Briar, um rapaz sobre quem não quero escrever muito para não vos estragar a surpresa de o conhecer. Mas posso desde já revelar que quero muito voltar a encontrá-lo e ver o que ele ainda pode fazer. Nesta novela encontramos ainda figuras já conhecidas, com destaque para Ragen e Elissa, que formam um casal sólido e adorável.
Relativamente às cenas eliminadas, foi bom ficar a conhecer as palavras que deram origem a esta saga e percebe-se a razão para esta não surgir nos livros. Já a segunda disse-me muito mais, pois relata um acontecimento da vida de Leesha, uma das minhas personagens preferidas. Nestas páginas, o autor enaltece os valores morais desta curandeira. Já o dicionário krasiano e o Compêndio de Guardas não me chamaram tanto a atenção, mas podem ser um bom guia de apoio durante a leitura do próximo volume.
O Grande Bazar e Outras Histórias permite regressar, nem que seja de forma breve, a um mundo que me cativou. Foi bom conhecer outras vertentes desta saga e conhecer o que mais se passa na cabeça do autor relativamente à sua obra. Houve páginas que me chamaram mais à atenção do que outras, como é natural, mas no final do livro senti que fiquei a conhecer melhor certas figuras e as suas motivações. Penso que é um livro que os fãs de Pter V. Brett não vão querer perder.
Autor: Peter V. Brett
Tradutor: Renato Correia
ISBN: 9789892331362
Editora: Asa/1001 Mundos (2015)
Sinopse:
Este livro reúne várias novelas do «Ciclo dos Demónios» que podem ser lidas como histórias independentes, mesmo por quem não conhece a obra de Peter V. Brett. Cada uma é a sua própria entrada para um mundo terrível em que os demónios deambulam pela noite, à caça de seres humanos. No entanto, para aqueles já familiarizados com o mundo do «Ciclo dos Demónios», estas novelas serão um mimo especial, pois acrescentam profundidade e textura ao universo da série. As duas primeiras, "O Ouro de Brayan" e "O Grande Bazar", têm lugar a meio dos acontecimentos de "O Homem Pintado", contando histórias sobre as aventuras de Mensageiro de Arlen Bales, antes de ele se tornar o Homem Pintado. "O Ouro de Brayan" fala da primeira viagem a solo de Arlen como Mensageiro, uma viagem perigosa em que ele leva explosivos para uma remota cidade mineira de montanha. "O Grande Bazar" foi escrito para preencher a lacuna entre "O Homem Pintado" e "A Lança do Deserto", dando uma nova perspetiva sobre a forma como Arlen encontrou a mítica Lança de Kaji. A terceira novela, "O Legado de Mensageiro", abrange uma década, apresentando algumas personagens conhecidas e introduzindo uma nova que irá desempenhar um papel central no livro 4 do «Ciclo dos Demónios»: "O Trono dos Crânios".
Opinião:
Sou fã do "Ciclo a Noite dos Demónios" e anseio a publicação em Portugal do quarto volume desta saga de Peter V. Brett. Mas tendo em conta que ainda falta para esse livro chegar, fico muito feliz por conseguir voltar a acompanhar Arlen e outras personagens deste mundo através de O Grande Bazar e outras Histórias. Este é um volume que reúne três novelas, duas cenas eliminadas, um dicionário de krasiano e um Compêndio de Guardas.
"O Ouro de Brayan" é a primeira novela. Nela acompanhamos Arlen quando este se iniciava na sua carreira de Mensageiro. Os valores morais do herói são postos à prova e comprovamos, ao mesmo tempo que este conhece novos locais e enfrenta outros perigos. É uma narrativa que reforça o valor de Arlen e que justifica a sua evolução e a razão de tantos homens poderosos o respeitarem.
A segunda novela é "O Grande Bazar" e relata acontecimentos que se passaram entre O Homem Pintado e A Lança do Deserto. É uma narrativa apelativa, pois volta a explorar os costumes da Krasia e é muito centrado numa figura que sempre me intrigou: Abban, o khaffit inteligente e trapaceiro. Ao mesmo tempo que apresenta uma curta mas perigosa aventura, incide ainda na ambição de Arlen de conhecer mais e de encontrar novas formas de enfrentar os nuclitas. Liga bem com os livros.
Fiquei completamente presa à terceira novela, "O Legado do Mensageiro". É uma trama bastante completa e dividida por capítulos. Nela, ficamos a conhecer uma personagem muito intrigante e que promete desempenhar um papel muito importante no próximo volume da saga. Trata-se de Briar, um rapaz sobre quem não quero escrever muito para não vos estragar a surpresa de o conhecer. Mas posso desde já revelar que quero muito voltar a encontrá-lo e ver o que ele ainda pode fazer. Nesta novela encontramos ainda figuras já conhecidas, com destaque para Ragen e Elissa, que formam um casal sólido e adorável.
Relativamente às cenas eliminadas, foi bom ficar a conhecer as palavras que deram origem a esta saga e percebe-se a razão para esta não surgir nos livros. Já a segunda disse-me muito mais, pois relata um acontecimento da vida de Leesha, uma das minhas personagens preferidas. Nestas páginas, o autor enaltece os valores morais desta curandeira. Já o dicionário krasiano e o Compêndio de Guardas não me chamaram tanto a atenção, mas podem ser um bom guia de apoio durante a leitura do próximo volume.
O Grande Bazar e Outras Histórias permite regressar, nem que seja de forma breve, a um mundo que me cativou. Foi bom conhecer outras vertentes desta saga e conhecer o que mais se passa na cabeça do autor relativamente à sua obra. Houve páginas que me chamaram mais à atenção do que outras, como é natural, mas no final do livro senti que fiquei a conhecer melhor certas figuras e as suas motivações. Penso que é um livro que os fãs de Pter V. Brett não vão querer perder.
quarta-feira, 22 de abril de 2015
Opinião: A Música do Silêncio (A Crónica do Regicida #2.5)
Título original: The Slow Regard of Silent Things (2014)
Autor: Patrick Rothfuss
Tradução: Renato Carreira
ISBN: 9789892330716
Editora: Asa (2015)
Sinopse:
Sob a Universidade há um lugar escuro. Poucas pessoas sabem da sua existência: uma rede descontínua de túneis antigos, corredores serpenteantes e salas abandonadas. Ali, no meio desse local esquecido, situado no coração dos Subterrâneos, vive uma jovem.
O seu nome é Auri, e é uma jovem cheia de segredos.
A Música do Silêncio é um vislumbre breve e agridoce da sua vida, uma pequena aventura só dela. Ao mesmo tempo alegre e inquietante, esta história oferece-nos a oportunidade de ver o mundo pelos olhos de Auri. E dá-nos a oportunidade de conhecer algumas coisas que só ela sabe...
Neste livro, Patrick Rothfuss leva-nos ao mundo de uma das personagens mais enigmáticas da série "A Crónica do Regicida".
Repleto de segredos e mistérios, A Música do Silêncio é uma narrativa sobre uma jovem ferida a tentar viver num mundo destruído
Opinião:
Ansiosa pela continuação de O Nome do Vento e O Medo do Homem Sábio, fiquei feliz ao saber que a Asa, através da coleção 1001 Mundos, ia publicar A Música do Silêncio. Percebi desde cedo que não se tratava na desejada continuação da história de Kvothe, mas sim de um livro que pretendia explorar uma das personagens mais misteriosas deste universo criado por Patrick Rothfuss: Auri.
Assim que o livro me chegou às mãos, adorei perceber que se tratava de uma edição em capa dura. As dimensões podem ser mais pequenas do que é habitual, mas sente-se à partida que se está perante um livro que foi preparado de forma cuidada. Ao folhear rapidamente as páginas, adorei perceber que existiam ilustrações. Os desenhos são de autoria de Nate Taylor e ajudam a enriquecer a obra.
A narrativa não é comum e o próprio autor admite isso. Confesso que uma das primeiras coisas que li foi a nota final do autor e nela sentem-se as dúvidas, hesitações e receios de Patrick Rothfuss quanto a esta obra que acreditava que nunca iria ser publicada. Afinal, esta é uma história muito diferente do que é habitual e que apesar de se passar no universo de "A Crónica do Regicida" se afasta desta em estilo e objetivo.
Auri é a única figura presente nestas páginas (se não contarmos com Foxen, claro). E se ela já era estranha e misteriosa em outros títulos, a verdade é que mantém essas características nestas páginas. No início, pode sentir-se uma certa estranheza. Afinal, não está a ser contada uma história que tenha um desenrolar comum, mas está sim a ser relatado o dia a dia de Auri. Ela vive na Subcoisa, os subterrâneos que existe por baixo da Universidade.
Ao longo da leitura, fiquei com a sensação de que me foi permitido entrar na rotina de Auri. Apesar de viver sozinha, ela cria obrigações e mantém-se activa. Ao início pode custar associar os nomes que ela dá aos espaços à concepção desses locais, mas com o passar das páginas percebe-se que Auri tem uma grande necessidade de organizar e esquematizar a sua vida. E foi aqui que ela me levou a pensar sobre os objectivos que tenho para cada dia.
Pode parecer estranho estar a ler sobre as obrigações que esta jovem impõe a si própria. Por vezes, surgiram mesmo momentos que acabaram por ser mais aborrecidos. Mas também é verdade que se fica com a sensação da segurança que o controlo dá. Afinal, Auri é a senhora da Subcoisa, tudo está como ela acredita que deveria estar e é isso que a deixa tranquila ao final do dia.
O que mais me impressionou em Auri é que ela é uma solitária mas que não sente a solidão. É verdade que se percebe que ela espera a visita de alguém (e até conseguimos facilmente adivinhar quem é esse alguém), mas percebe-se que ela sente-se em paz naqueles espaços que são só dela. Sente-se o silêncio que a rodeia, mas este não a sufoca ou atormenta, muito pelo contrário. Para Auri, o silêncio da Subcoisa é sinal que tudo está no seu lugar e que ela pode estar tranquila. Quando percebi isso, senti uma enorme empatia por Auri. Ela é uma jovem que aparenta fragilidade mas que transmite uma noção de autoestima muito diferente do habitual. Afinal, só alguém que gosta muito de si própria conseguiria viver apenas na sua própria companhia.
A Música do Silêncio é um livro introspectivo. Através das acções de Auri somos levados a refletir sobre características nossas que dificilmente revelamos aos outros. Este não é um livro para quem procura uma história de acção e aventura, mas é sim uma ótima leitura para quem quer conhecer melhor os segredos do mundo de A Crónica do Regicida ou simplesmente quem goste de livros que transmitam uma mensagem que chega ao coração e explorem personagens diferentes do habitual
Autor: Patrick Rothfuss
Tradução: Renato Carreira
ISBN: 9789892330716
Editora: Asa (2015)
Sinopse:
Sob a Universidade há um lugar escuro. Poucas pessoas sabem da sua existência: uma rede descontínua de túneis antigos, corredores serpenteantes e salas abandonadas. Ali, no meio desse local esquecido, situado no coração dos Subterrâneos, vive uma jovem.
O seu nome é Auri, e é uma jovem cheia de segredos.
A Música do Silêncio é um vislumbre breve e agridoce da sua vida, uma pequena aventura só dela. Ao mesmo tempo alegre e inquietante, esta história oferece-nos a oportunidade de ver o mundo pelos olhos de Auri. E dá-nos a oportunidade de conhecer algumas coisas que só ela sabe...
Neste livro, Patrick Rothfuss leva-nos ao mundo de uma das personagens mais enigmáticas da série "A Crónica do Regicida".
Repleto de segredos e mistérios, A Música do Silêncio é uma narrativa sobre uma jovem ferida a tentar viver num mundo destruído
Opinião:
Ansiosa pela continuação de O Nome do Vento e O Medo do Homem Sábio, fiquei feliz ao saber que a Asa, através da coleção 1001 Mundos, ia publicar A Música do Silêncio. Percebi desde cedo que não se tratava na desejada continuação da história de Kvothe, mas sim de um livro que pretendia explorar uma das personagens mais misteriosas deste universo criado por Patrick Rothfuss: Auri.
Assim que o livro me chegou às mãos, adorei perceber que se tratava de uma edição em capa dura. As dimensões podem ser mais pequenas do que é habitual, mas sente-se à partida que se está perante um livro que foi preparado de forma cuidada. Ao folhear rapidamente as páginas, adorei perceber que existiam ilustrações. Os desenhos são de autoria de Nate Taylor e ajudam a enriquecer a obra.
A narrativa não é comum e o próprio autor admite isso. Confesso que uma das primeiras coisas que li foi a nota final do autor e nela sentem-se as dúvidas, hesitações e receios de Patrick Rothfuss quanto a esta obra que acreditava que nunca iria ser publicada. Afinal, esta é uma história muito diferente do que é habitual e que apesar de se passar no universo de "A Crónica do Regicida" se afasta desta em estilo e objetivo.
Auri é a única figura presente nestas páginas (se não contarmos com Foxen, claro). E se ela já era estranha e misteriosa em outros títulos, a verdade é que mantém essas características nestas páginas. No início, pode sentir-se uma certa estranheza. Afinal, não está a ser contada uma história que tenha um desenrolar comum, mas está sim a ser relatado o dia a dia de Auri. Ela vive na Subcoisa, os subterrâneos que existe por baixo da Universidade.
Ao longo da leitura, fiquei com a sensação de que me foi permitido entrar na rotina de Auri. Apesar de viver sozinha, ela cria obrigações e mantém-se activa. Ao início pode custar associar os nomes que ela dá aos espaços à concepção desses locais, mas com o passar das páginas percebe-se que Auri tem uma grande necessidade de organizar e esquematizar a sua vida. E foi aqui que ela me levou a pensar sobre os objectivos que tenho para cada dia.
Pode parecer estranho estar a ler sobre as obrigações que esta jovem impõe a si própria. Por vezes, surgiram mesmo momentos que acabaram por ser mais aborrecidos. Mas também é verdade que se fica com a sensação da segurança que o controlo dá. Afinal, Auri é a senhora da Subcoisa, tudo está como ela acredita que deveria estar e é isso que a deixa tranquila ao final do dia.
O que mais me impressionou em Auri é que ela é uma solitária mas que não sente a solidão. É verdade que se percebe que ela espera a visita de alguém (e até conseguimos facilmente adivinhar quem é esse alguém), mas percebe-se que ela sente-se em paz naqueles espaços que são só dela. Sente-se o silêncio que a rodeia, mas este não a sufoca ou atormenta, muito pelo contrário. Para Auri, o silêncio da Subcoisa é sinal que tudo está no seu lugar e que ela pode estar tranquila. Quando percebi isso, senti uma enorme empatia por Auri. Ela é uma jovem que aparenta fragilidade mas que transmite uma noção de autoestima muito diferente do habitual. Afinal, só alguém que gosta muito de si própria conseguiria viver apenas na sua própria companhia.
A Música do Silêncio é um livro introspectivo. Através das acções de Auri somos levados a refletir sobre características nossas que dificilmente revelamos aos outros. Este não é um livro para quem procura uma história de acção e aventura, mas é sim uma ótima leitura para quem quer conhecer melhor os segredos do mundo de A Crónica do Regicida ou simplesmente quem goste de livros que transmitam uma mensagem que chega ao coração e explorem personagens diferentes do habitual
segunda-feira, 9 de março de 2015
Opinião: Tormenta (Série Tempest #1)
Título original: Tempest (2011)
Autor: Julie Cross
Tradução: Alda Mondas
ISBN: 9789892330426
Editora: Asa - Coleção 1001 Mundos (2015)
Sinopse:
Em 2009, o jovem Jackson Meyer é um rapaz normal de 19 anos: estuda, tem uma namorada… e consegue viajar no tempo. Mas não é como no cinema - durante os seus «saltos» para o passado, nada muda no presente – tudo não passa de uma diversão inofensiva.
Isto é, até Jackson e a sua namorada, Holly, serem atacados por desconhecidos e Holly morrer com um tiro. Em pânico, Jackson recua acidentalmente no tempo dois anos, mas aquele não é como os seus saltos temporais anteriores. Jackson descobre que ficou preso no passado e não consegue voltar ao futuro.
Desesperado por voltar e salvar Holly, mas incapaz de regressar ao ano certo, Jackson resolve continuar a sua vida em 2007, tentar descobrir o que puder sobre as suas capacidades e conhece Holly… de novo. Em breve descobre que nada na sua vida é o que parece ser, incluindo o seu próprio pai.
Não muito tempo depois, as pessoas que dispararam sobre Holly, membros de um grupo apelidado pela CIA de «Inimigos do Tempo», vêm a sua procura para recrutá-lo… ou matá-lo.
Com tudo aquilo a acontecer e ainda a tentar encontrar pistas sobre as origens da sua família para descobrir mais sobre as suas capacidades, Jackson tem de decidir até onde está disposto a ir para salvar Holly… e possivelmente o mundo.
Opinião:
Adoro a ideia de viajar no tempo, por isso, quando li a sinopse de Tormenta, fiquei imediatamente interessada em pegar neste livro. Julie Cross explora esta ideia que já foi utilizada tantas vezes e dá-lhe novos atributos que servem de base para a história de um jovem apaixonado.
Confesso que não foi fácil entrar nesta leitura. As primeiras páginas são dedicadas a um conjunto de situações que acontecem muito depressa e não é compreender tudo o que está a acontecer. Para além disso, as personagens são logo mencionadas como nós já as conhecessemos. Percebo a intenção de cativar pelo ritmo rápido, mas gostaria que tivesse existido uma breve apresentação primeiro.
Ao início não me senti muito cativada por Jackson. Isso aconteceu por eu não entender a sua personalidade. Contudo, com o avançar da trama, comecei a sentir-me cada vez mais ligada a ele. Isto aconteceu devido aos obstáculos que se atravessavam no caminho deste protagonista, pela forma como ele tinha de lidar com os problemas, pelo seu foco naqueles que mais ama e pela determinação em perceber quem ele é, de onde veio e o que pode fazer para o bem maior. Posto isto, se ao início não entendi, nas últimas páginas senti voltade de continuar a acompanhar a sua história.
Holly é o grande amor de Jackson e é por ela que ele luta. Afinal, um momento trágico fá-lo sentir-se culpado e, a partir daí, faz de tudo para corrigir o erro. Holly aparenta ser uma rapariga comum, mas gostei que a autora, a certo momento, mostrasse que ela pode ser mais profunda do que aparenta. Adam é o típico companheiro fiel, amigo e inseparável, cujas teorias são curiosas mas que acaba por ser pouco explorado. Gostei bastante do desenvolvimento do pai de Jackson, que parece ter assumido tantos papéis diferentes ao longo das páginas deste livro.
Tal como já referi, o início é demasiado rápido. Contudo, a partir de um certo momento, o encadeamento de acontecimentos torna-se mais fluído e, a partir daí, a leitura ganha um ritmo rápido. Existem muitas revelações e momentos emocionantes que me fizeram não conseguir colocar o livro de lado.
Pode-se dividir o livro em duas partes: a parte em que tudo parece um romance entre dois adolescentes onde um, por acaso, viaja no tempo e a parte onde um viajante do tempo se divide entre agências secretas cuja acção pode mudar o futuro da humanidade por completo. Confesso que gostei mais da segunda, mas a primeira, apesar de ser mais dominante do que eu desejava, também faz sentido para justificar algumas atitudes e decisões.
Tormenta tem uma premissa muito interessante, mas que não é totalmente explorada neste livro. É uma leitura agradável mas que apenas mostra todo o potencial que poderia vir a alcançar nas últimas páginas. Fica a ideia de que os próximos livros da trilogia têm os ingredientes certos para serem bem cativantes. Fico à espera de os ver publicados em Portugal.
Autor: Julie Cross
Tradução: Alda Mondas
ISBN: 9789892330426
Editora: Asa - Coleção 1001 Mundos (2015)
Sinopse:
Em 2009, o jovem Jackson Meyer é um rapaz normal de 19 anos: estuda, tem uma namorada… e consegue viajar no tempo. Mas não é como no cinema - durante os seus «saltos» para o passado, nada muda no presente – tudo não passa de uma diversão inofensiva.
Isto é, até Jackson e a sua namorada, Holly, serem atacados por desconhecidos e Holly morrer com um tiro. Em pânico, Jackson recua acidentalmente no tempo dois anos, mas aquele não é como os seus saltos temporais anteriores. Jackson descobre que ficou preso no passado e não consegue voltar ao futuro.
Desesperado por voltar e salvar Holly, mas incapaz de regressar ao ano certo, Jackson resolve continuar a sua vida em 2007, tentar descobrir o que puder sobre as suas capacidades e conhece Holly… de novo. Em breve descobre que nada na sua vida é o que parece ser, incluindo o seu próprio pai.
Não muito tempo depois, as pessoas que dispararam sobre Holly, membros de um grupo apelidado pela CIA de «Inimigos do Tempo», vêm a sua procura para recrutá-lo… ou matá-lo.
Com tudo aquilo a acontecer e ainda a tentar encontrar pistas sobre as origens da sua família para descobrir mais sobre as suas capacidades, Jackson tem de decidir até onde está disposto a ir para salvar Holly… e possivelmente o mundo.
Opinião:
Adoro a ideia de viajar no tempo, por isso, quando li a sinopse de Tormenta, fiquei imediatamente interessada em pegar neste livro. Julie Cross explora esta ideia que já foi utilizada tantas vezes e dá-lhe novos atributos que servem de base para a história de um jovem apaixonado.
Confesso que não foi fácil entrar nesta leitura. As primeiras páginas são dedicadas a um conjunto de situações que acontecem muito depressa e não é compreender tudo o que está a acontecer. Para além disso, as personagens são logo mencionadas como nós já as conhecessemos. Percebo a intenção de cativar pelo ritmo rápido, mas gostaria que tivesse existido uma breve apresentação primeiro.
Ao início não me senti muito cativada por Jackson. Isso aconteceu por eu não entender a sua personalidade. Contudo, com o avançar da trama, comecei a sentir-me cada vez mais ligada a ele. Isto aconteceu devido aos obstáculos que se atravessavam no caminho deste protagonista, pela forma como ele tinha de lidar com os problemas, pelo seu foco naqueles que mais ama e pela determinação em perceber quem ele é, de onde veio e o que pode fazer para o bem maior. Posto isto, se ao início não entendi, nas últimas páginas senti voltade de continuar a acompanhar a sua história.
Holly é o grande amor de Jackson e é por ela que ele luta. Afinal, um momento trágico fá-lo sentir-se culpado e, a partir daí, faz de tudo para corrigir o erro. Holly aparenta ser uma rapariga comum, mas gostei que a autora, a certo momento, mostrasse que ela pode ser mais profunda do que aparenta. Adam é o típico companheiro fiel, amigo e inseparável, cujas teorias são curiosas mas que acaba por ser pouco explorado. Gostei bastante do desenvolvimento do pai de Jackson, que parece ter assumido tantos papéis diferentes ao longo das páginas deste livro.
Tal como já referi, o início é demasiado rápido. Contudo, a partir de um certo momento, o encadeamento de acontecimentos torna-se mais fluído e, a partir daí, a leitura ganha um ritmo rápido. Existem muitas revelações e momentos emocionantes que me fizeram não conseguir colocar o livro de lado.
Pode-se dividir o livro em duas partes: a parte em que tudo parece um romance entre dois adolescentes onde um, por acaso, viaja no tempo e a parte onde um viajante do tempo se divide entre agências secretas cuja acção pode mudar o futuro da humanidade por completo. Confesso que gostei mais da segunda, mas a primeira, apesar de ser mais dominante do que eu desejava, também faz sentido para justificar algumas atitudes e decisões.
Tormenta tem uma premissa muito interessante, mas que não é totalmente explorada neste livro. É uma leitura agradável mas que apenas mostra todo o potencial que poderia vir a alcançar nas últimas páginas. Fica a ideia de que os próximos livros da trilogia têm os ingredientes certos para serem bem cativantes. Fico à espera de os ver publicados em Portugal.
quinta-feira, 7 de agosto de 2014
Opinião. Anjos Rebeldes (Gemma Doyle #2)
Título original: Rebel Angels (2005)
Autor: Libba Bray
Tradução: Susana Serrão
ISBN: 9789892327624
Editora: Asa (2014)
Sinopse:
Ah, o Natal! Gemma Doyle está desejosa das férias fora da Academia Spence, de passar o tempo com as amigas na cidade, de ir a bailes elegantes e, numa nota sombria, de cuidar do pai doente. Quando se prepara para entrar no Ano Novo de 1896, um jovem bonito, Lorde Denby, parece estar interessado em conquistar Gemma. No entanto, no meio das distrações de Londres, as visões de Gemma intensificam-se - visões de três raparigas vestidas de branco, a quem algo terrível aconteceu, algo que só os reinos podem explicar...
A atração é forte, e em pouco tempo, Gemma, Felicity e Ann estão a transformar flores em borboletas no mundo encantado dos reinos a que só Gemma pode levá-las. Para grande alegria delas, a sua querida Pippa também está lá, ansiosa por completar o círculo de amizade.
Mas nem tudo está bem nos reinos - ou fora dele. O misterioso Kartik reapareceu, dizendo a Gemma que ela deve encontrar o Templo e vincular a magia, ou algo terrível irá acontecer-lhe. Gemma está disposta a fazer-lhe a vontade, apesar dos perigos que isso acarreta, pois isso significa que irá encontrar-se com a maior amiga da sua mãe - e agora sua inimiga, Circe. Até Circe ser destruída, Gemma não pode viver o seu destino. Mas encontrar Circe revela-se uma tarefa muito perigosa.
Opinião:
Fiquei muito feliz por saber que a colecção 1001 Mundos não tinha desistido da trilogia "Gemma Doyle", de Libba Bray. Depois de Uma Grandiosa e Terrível Beleza, que foi publicado em Portugal em 2011, heis que finalmente surge o segundo volume desta história, Anjos Rebeldes. Queria muito saber como esta história iria desenvolver, afinal, apesar de ter encontrado alguns pontos mais fracos no primeiro livro, também percebi que havia muito por onde explorar. Felizmente estava certa e este volume mostrou-se muito superior e mais envolvente.
Se no primeiro volume podia ter ficado a ideia de que se estava perante uma história simples, que explorava as relações entre raparigadas e que misturava a sociedade do Reino Unido do século XIX com magia e fantasia, agora percebe-se que esta trilogia é muito mais do que isso. Anjos Rebeldes apresenta tarefas duras, faz duvidar de personagens que até então foram tomadas como certas, explora as convenções de uma sociedade cheia de regras, mostra que as pessoas são resultados das suas experiências, leva a perceber que todos têm os seus segredos e ainda revela as consequências de nos apegarmos a algo que deveria ser largado.
Estou impressionada com a evolução de Gemma. Esta é uma protagonista em evolução que deixou de ser uma menina mimada para ser uma jovem com uma personalidade interessante e que já aceita as suas diferenças. Gostei do facto de a relação de Gemma com a sua família ter sido mais explorada. O amor que ela tem pelo pai e a dor que sente por o ver em situações mais degradantes é fácil de identificar e de louvar. A relação com o irmão está bem conseguida na medida em que equilibra o companheirismo com os conflitos que habitualmente se encontram nestas ligações.
O grupo de amigas de Gemma apresentou uma evolução natural mas que, em certos momentos, me fez ficar reticente. Felicity continua a ser uma jovem ambiciosa e ousada, mas muitas vezes fiquei com a sensação de que a sua relação com Gemma existia mais por interesse, o que não me permitiu confiar plenamente nela. Gostei da explicação para as suas atitudes e confesso que nem sempre sei o que pensar sobre ela. Ann pode parecer uma rapariga aborrecida, pessimista e resignada, mas fiquei com a ideia de que também é invejosa, egoísta e demasiado lamurienta. Apresentar estas características negativas não tem a intenção de criticar as personagens mas sim de admitir que fiquei surpreendida por ambas parecerem tão humanas e reais. Fico grata por não serem perfeitas e por me fazerem ter tantas dúvidas quanto a elas e por tornarem o livro mais complexo. Estou curiosa para saber o que vai ser de Felicity e Ann no livro final.
Já sabem que não sou grande fã de triângulos amorosos, mas isso acontece por ver que a maior parte cai em lugares comuns, tem pouca consistência e são previsíveis. Em Anjos Rebeldes surge um triângulo amoroso que, felizmente, não foi o ponto central da narrativa, e revelou-se bastante interessante. Já se sabia que Gemma tinha sentimentos pouco definidos por Kartik, mas agora também surge Simon. E felizmente nada disto parece forçado. Afinal, Gemma é uma jovem e os seus interesses surgem com naturalidade. É fácil perceber Kartik a cativa pela afinidade e cumplicidade, enquanto Simon parece corresponder a todos os desejos de uma jovem da época e é símbolo de estabilidade. A forma como a história desenvolve leva a escolher lados, e, no final, fica a sensação de que se tomaram as melhores opções.
O encadeamento dos acontecimentos está bem conseguido na medida em que flui com naturalidade. Tudo é explicado ou inserido num contexto plausível, o que faz com que surja a sensação de que algo foi forçado. Apreciei o facto de a maior parte da acção ser passada em Londres, o que em oposição ao espaço do colégio de Spence fornece mais possibilidades. O mundo mágico é mais explorado. Gostei de conhecer novos seres, de ver mitologia e lendas envolvidas mas fiquei com a sensação de que existe muito mais por onde ir.
Fiquei rendida a Anjos Rebeldes. Sempre que conseguia pegava neste livro para descobrir o que ia acontecer a Gemma e que mais mistérios iam ser desvendados. Quando cheguei à última página, senti que um ciclo desta trama tinha terminado, mas que, ao mesmo tempo, estava a ser preparado um desafio muito maior que irá ser apresentado no derradeiro livro desta trilogia. Por isso, fica a sensação de que o objectivo deste livro foi cumprido e fica também a vontade de que a conclusão da trilogia não demore muito a chegar.
Outras opiniões de livros de Libba Bray:
Uma Grandiosa e Terrível Beleza (Gemma Doyle #1)
Os Adivinhos (Os Adivinhos #1)
Autor: Libba Bray
Tradução: Susana Serrão
ISBN: 9789892327624
Editora: Asa (2014)
Sinopse:
Ah, o Natal! Gemma Doyle está desejosa das férias fora da Academia Spence, de passar o tempo com as amigas na cidade, de ir a bailes elegantes e, numa nota sombria, de cuidar do pai doente. Quando se prepara para entrar no Ano Novo de 1896, um jovem bonito, Lorde Denby, parece estar interessado em conquistar Gemma. No entanto, no meio das distrações de Londres, as visões de Gemma intensificam-se - visões de três raparigas vestidas de branco, a quem algo terrível aconteceu, algo que só os reinos podem explicar...
A atração é forte, e em pouco tempo, Gemma, Felicity e Ann estão a transformar flores em borboletas no mundo encantado dos reinos a que só Gemma pode levá-las. Para grande alegria delas, a sua querida Pippa também está lá, ansiosa por completar o círculo de amizade.
Mas nem tudo está bem nos reinos - ou fora dele. O misterioso Kartik reapareceu, dizendo a Gemma que ela deve encontrar o Templo e vincular a magia, ou algo terrível irá acontecer-lhe. Gemma está disposta a fazer-lhe a vontade, apesar dos perigos que isso acarreta, pois isso significa que irá encontrar-se com a maior amiga da sua mãe - e agora sua inimiga, Circe. Até Circe ser destruída, Gemma não pode viver o seu destino. Mas encontrar Circe revela-se uma tarefa muito perigosa.
Opinião:
Fiquei muito feliz por saber que a colecção 1001 Mundos não tinha desistido da trilogia "Gemma Doyle", de Libba Bray. Depois de Uma Grandiosa e Terrível Beleza, que foi publicado em Portugal em 2011, heis que finalmente surge o segundo volume desta história, Anjos Rebeldes. Queria muito saber como esta história iria desenvolver, afinal, apesar de ter encontrado alguns pontos mais fracos no primeiro livro, também percebi que havia muito por onde explorar. Felizmente estava certa e este volume mostrou-se muito superior e mais envolvente.
Se no primeiro volume podia ter ficado a ideia de que se estava perante uma história simples, que explorava as relações entre raparigadas e que misturava a sociedade do Reino Unido do século XIX com magia e fantasia, agora percebe-se que esta trilogia é muito mais do que isso. Anjos Rebeldes apresenta tarefas duras, faz duvidar de personagens que até então foram tomadas como certas, explora as convenções de uma sociedade cheia de regras, mostra que as pessoas são resultados das suas experiências, leva a perceber que todos têm os seus segredos e ainda revela as consequências de nos apegarmos a algo que deveria ser largado.
Estou impressionada com a evolução de Gemma. Esta é uma protagonista em evolução que deixou de ser uma menina mimada para ser uma jovem com uma personalidade interessante e que já aceita as suas diferenças. Gostei do facto de a relação de Gemma com a sua família ter sido mais explorada. O amor que ela tem pelo pai e a dor que sente por o ver em situações mais degradantes é fácil de identificar e de louvar. A relação com o irmão está bem conseguida na medida em que equilibra o companheirismo com os conflitos que habitualmente se encontram nestas ligações.
O grupo de amigas de Gemma apresentou uma evolução natural mas que, em certos momentos, me fez ficar reticente. Felicity continua a ser uma jovem ambiciosa e ousada, mas muitas vezes fiquei com a sensação de que a sua relação com Gemma existia mais por interesse, o que não me permitiu confiar plenamente nela. Gostei da explicação para as suas atitudes e confesso que nem sempre sei o que pensar sobre ela. Ann pode parecer uma rapariga aborrecida, pessimista e resignada, mas fiquei com a ideia de que também é invejosa, egoísta e demasiado lamurienta. Apresentar estas características negativas não tem a intenção de criticar as personagens mas sim de admitir que fiquei surpreendida por ambas parecerem tão humanas e reais. Fico grata por não serem perfeitas e por me fazerem ter tantas dúvidas quanto a elas e por tornarem o livro mais complexo. Estou curiosa para saber o que vai ser de Felicity e Ann no livro final.
Já sabem que não sou grande fã de triângulos amorosos, mas isso acontece por ver que a maior parte cai em lugares comuns, tem pouca consistência e são previsíveis. Em Anjos Rebeldes surge um triângulo amoroso que, felizmente, não foi o ponto central da narrativa, e revelou-se bastante interessante. Já se sabia que Gemma tinha sentimentos pouco definidos por Kartik, mas agora também surge Simon. E felizmente nada disto parece forçado. Afinal, Gemma é uma jovem e os seus interesses surgem com naturalidade. É fácil perceber Kartik a cativa pela afinidade e cumplicidade, enquanto Simon parece corresponder a todos os desejos de uma jovem da época e é símbolo de estabilidade. A forma como a história desenvolve leva a escolher lados, e, no final, fica a sensação de que se tomaram as melhores opções.
O encadeamento dos acontecimentos está bem conseguido na medida em que flui com naturalidade. Tudo é explicado ou inserido num contexto plausível, o que faz com que surja a sensação de que algo foi forçado. Apreciei o facto de a maior parte da acção ser passada em Londres, o que em oposição ao espaço do colégio de Spence fornece mais possibilidades. O mundo mágico é mais explorado. Gostei de conhecer novos seres, de ver mitologia e lendas envolvidas mas fiquei com a sensação de que existe muito mais por onde ir.
Fiquei rendida a Anjos Rebeldes. Sempre que conseguia pegava neste livro para descobrir o que ia acontecer a Gemma e que mais mistérios iam ser desvendados. Quando cheguei à última página, senti que um ciclo desta trama tinha terminado, mas que, ao mesmo tempo, estava a ser preparado um desafio muito maior que irá ser apresentado no derradeiro livro desta trilogia. Por isso, fica a sensação de que o objectivo deste livro foi cumprido e fica também a vontade de que a conclusão da trilogia não demore muito a chegar.
Outras opiniões de livros de Libba Bray:
Uma Grandiosa e Terrível Beleza (Gemma Doyle #1)
Os Adivinhos (Os Adivinhos #1)
terça-feira, 5 de agosto de 2014
Opinião: Divina (Chamamento da Deusa #4)
Título Original: Goddess of the Rose (2006)
Autor: P. C. Cast
Tradução: Eugénia Antunes
ISBN: 9789892327921
Editora: Asa (2014)
Sinopse:
Não é um talento para a jardinagem que faz as rosas da família Empousai desabrocharem há séculos, mas sim as gotas de sangue que as mulheres derramam em segredo pelos seus jardins. Mikki, porém, prefere esquecer essa peculiaridade e levar uma vida normal. Até ao dia em que, sem querer, realiza um ritual e acaba num reino estranhamente familiar: o Reino das Rosas. De acordo com Hécate, a deusa desse reino, Mikki tem nas veias o sangue de uma suma sacerdotisa, e o Reino das Rosas já esperava por ela. Num acesso de raiva que Hécate teve muito antes, ela amaldiçoou o seu guardião com um sono do qual ele poderá despertar apenas por intermédio de uma das suas sacerdotisas. E a deusa conta com Mikki para colocar as coisas em ordem. A princípio, o guardião-fera deixa Mikki apavorada; porém, em breve a fascina mais do que qualquer outro homem já conseguiu. A única forma de ele e do reino serem salvos, contudo, é se Mikki sacrificar o seu sangue e a sua vida.
Opinião:
O conto "A Bela e o Monstro", cuja primeira versão é atribuída a Gabrielle-Suzanne Barbot de Villeneuve, é uma das minhas histórias de encantar preferidas. Por isso mesmo, quando soube que o livro Divina, de P. C. Cast, era inspirado nesta história, senti uma enorme vontade de pegar neste livro. Apesar de ser o quarto volume da série "Chamamento da Deusa", este é um volume que pode ser lido sozinho uma vez que não é necessário recorrer aos anteriores para perceber a trama e também porque não terá continuação.
Mikki, ou Mikado, é uma mulher do mundo moderno que não consegue ser feliz ao amor. Ao início, fica a sensação de que se trata de uma protagonista com pouca autoestima, sensível, desconfiada e fiel às suas convicções. Estas características tornam Mikki humana e alguém com quem é fácil criar empatia. Contudo, após uma grande mudança, Mikki descobre que é uma sacerdotisa de Hécate e é levada para uma realidade diferente. Aí, Mikki deixa de parecer a mesma personagem, o que pode causar alguma estranheza. Ela passa a ter sentido de humor e vai torna-se mais confiante e carismática. Gostaria de ter visto esta alteração a acontecer de forma gradual, apesar de entender que havia pouco espaço para tal.
Após a nossa "Bela" ter sido apresentada, heis que surge o esperado monstro. Esse papel é atribuído ao Guardião, um personagem que me conquistou e que é um dos pontos fortes desta leitura. O Guardião é um ser atormentado por razões válidas e muito misterioso. Gostei muito da sua personalidade fechada, humilde e fiel à função que lhe é entregue. A união entre características humanas e animais é subtil mas convincente e a forma como ele, aos poucos e poucos, se vai revelando agarra a leitura. Apesar de ter apreciado o passado que lhe foi concedido, gostaria de ter assistido a mais revelações.
A relação ente Mikki e o Guardião é a esperada. Contudo, achei muito carinhosa a forma como os dois se foram aproximando e descobrindo. Não se trata de uma grande história de amor, é verdade, mas é um relacionamento doce e sincero, daqueles que nos faz desejar que tudo lhes corra bem e nos deixa com um sorriso na cara. É curioso ver que o aproximar destas duas personagens nos permite desvendar o Reino das Rosas, um espaço que me encantou e que encerra ideias muito interessantes, nomeadamente no que toca aos sonhos.
O desenrolar da ação não possui grandes surpresas e chega mesmo a apresentar algumas falhas. A sequência de acontecimentos é a esperada, o que faz com que o final se torne pouco memorável. Alguns dos momentos são demasiado convenientes e mesmo quando surge perigo percebe-se que tal só acontece por necessidade de o apresentar, uma vez que a autora não conseguiu transmitir a ideia de medo pelo futuro das personagens, apesar de existência de uma profecia dramática.
A autora mistura mitologia grega com crenças provenientes da cultura celta e ainda com contos tradicionais. Esta junção é interessante apesar de ficar a ideia de que poderia ter sido melhor explorado. A introdução de alguns elementos pode parecer algo forçada e apenas o lado conveniente à trama é exposto. O resultado é uma história agradável, romântica, pouco exigente e que é lida com rapidez. É uma versão de "A Bela e o Monstro" muito diferente das que até agora conheci e teve muitos aspectos que me agradaram.
Divina é um livro que dá a conhecer um romance bonito e apresenta um reino encantador repleto de magia. Uma história que revisita os contos de fadas, faz recordar seres mitológicos, possui momentos sensuais, mostra a força feminina, apela ao poder dos elementos e faz acreditar que o amor é capaz de tudo. Uma trama simples e pouco exigente que proporciona momentos de leitura agradáveis.
Autor: P. C. Cast
Tradução: Eugénia Antunes
ISBN: 9789892327921
Editora: Asa (2014)
Sinopse:
Não é um talento para a jardinagem que faz as rosas da família Empousai desabrocharem há séculos, mas sim as gotas de sangue que as mulheres derramam em segredo pelos seus jardins. Mikki, porém, prefere esquecer essa peculiaridade e levar uma vida normal. Até ao dia em que, sem querer, realiza um ritual e acaba num reino estranhamente familiar: o Reino das Rosas. De acordo com Hécate, a deusa desse reino, Mikki tem nas veias o sangue de uma suma sacerdotisa, e o Reino das Rosas já esperava por ela. Num acesso de raiva que Hécate teve muito antes, ela amaldiçoou o seu guardião com um sono do qual ele poderá despertar apenas por intermédio de uma das suas sacerdotisas. E a deusa conta com Mikki para colocar as coisas em ordem. A princípio, o guardião-fera deixa Mikki apavorada; porém, em breve a fascina mais do que qualquer outro homem já conseguiu. A única forma de ele e do reino serem salvos, contudo, é se Mikki sacrificar o seu sangue e a sua vida.
Opinião:
O conto "A Bela e o Monstro", cuja primeira versão é atribuída a Gabrielle-Suzanne Barbot de Villeneuve, é uma das minhas histórias de encantar preferidas. Por isso mesmo, quando soube que o livro Divina, de P. C. Cast, era inspirado nesta história, senti uma enorme vontade de pegar neste livro. Apesar de ser o quarto volume da série "Chamamento da Deusa", este é um volume que pode ser lido sozinho uma vez que não é necessário recorrer aos anteriores para perceber a trama e também porque não terá continuação.
Mikki, ou Mikado, é uma mulher do mundo moderno que não consegue ser feliz ao amor. Ao início, fica a sensação de que se trata de uma protagonista com pouca autoestima, sensível, desconfiada e fiel às suas convicções. Estas características tornam Mikki humana e alguém com quem é fácil criar empatia. Contudo, após uma grande mudança, Mikki descobre que é uma sacerdotisa de Hécate e é levada para uma realidade diferente. Aí, Mikki deixa de parecer a mesma personagem, o que pode causar alguma estranheza. Ela passa a ter sentido de humor e vai torna-se mais confiante e carismática. Gostaria de ter visto esta alteração a acontecer de forma gradual, apesar de entender que havia pouco espaço para tal.
Após a nossa "Bela" ter sido apresentada, heis que surge o esperado monstro. Esse papel é atribuído ao Guardião, um personagem que me conquistou e que é um dos pontos fortes desta leitura. O Guardião é um ser atormentado por razões válidas e muito misterioso. Gostei muito da sua personalidade fechada, humilde e fiel à função que lhe é entregue. A união entre características humanas e animais é subtil mas convincente e a forma como ele, aos poucos e poucos, se vai revelando agarra a leitura. Apesar de ter apreciado o passado que lhe foi concedido, gostaria de ter assistido a mais revelações.
A relação ente Mikki e o Guardião é a esperada. Contudo, achei muito carinhosa a forma como os dois se foram aproximando e descobrindo. Não se trata de uma grande história de amor, é verdade, mas é um relacionamento doce e sincero, daqueles que nos faz desejar que tudo lhes corra bem e nos deixa com um sorriso na cara. É curioso ver que o aproximar destas duas personagens nos permite desvendar o Reino das Rosas, um espaço que me encantou e que encerra ideias muito interessantes, nomeadamente no que toca aos sonhos.
O desenrolar da ação não possui grandes surpresas e chega mesmo a apresentar algumas falhas. A sequência de acontecimentos é a esperada, o que faz com que o final se torne pouco memorável. Alguns dos momentos são demasiado convenientes e mesmo quando surge perigo percebe-se que tal só acontece por necessidade de o apresentar, uma vez que a autora não conseguiu transmitir a ideia de medo pelo futuro das personagens, apesar de existência de uma profecia dramática.
A autora mistura mitologia grega com crenças provenientes da cultura celta e ainda com contos tradicionais. Esta junção é interessante apesar de ficar a ideia de que poderia ter sido melhor explorado. A introdução de alguns elementos pode parecer algo forçada e apenas o lado conveniente à trama é exposto. O resultado é uma história agradável, romântica, pouco exigente e que é lida com rapidez. É uma versão de "A Bela e o Monstro" muito diferente das que até agora conheci e teve muitos aspectos que me agradaram.
Divina é um livro que dá a conhecer um romance bonito e apresenta um reino encantador repleto de magia. Uma história que revisita os contos de fadas, faz recordar seres mitológicos, possui momentos sensuais, mostra a força feminina, apela ao poder dos elementos e faz acreditar que o amor é capaz de tudo. Uma trama simples e pouco exigente que proporciona momentos de leitura agradáveis.
domingo, 13 de julho de 2014
Opinião: O Bruxo (Os Segredos de O Imortal Nicholas Flamel #5)
Autor: Michael Scott
Título Original: The Warlock (2011)
Tradução: Leonor Bizarro Marques
ISBN: 9789892327860
Editora: Asa (2014)
A linguagem usada é direta e a narração faz-nos entrar com facilidade nas cenas de ação e ainda entender bem os sentimentos das personagens. Contudo, os diálogos apresentam falhas a nível de pontuação, o que faz com que possa existir uma certa confusão ao entender o que é narração e o que é diálogo, já que estes dois elementos podem surgir misturados.
Título Original: The Warlock (2011)
Tradução: Leonor Bizarro Marques
ISBN: 9789892327860
Editora: Asa (2014)
Sinopse:
Na quinta parte desta bem sucedida série, os gémeos da profecia foram separados, e o fim está a começar.
Alcatraz
Apesar de o seu aliado Dr. John Dee ter sido declarado utlaga, Maquiavel e Billy the Kid vão seguir os planos dos Anciães: tencionam soltar os monstros de Alcatraz na cidade de São Francisco, desencadeando o final da corrida dos humani.
Danu Talis
O Reino das Sombras em que Scatty e Joana d’Arc entraram é muito mais perigoso do que jamais podiam ter imaginado. E não desembarcaram ali por acaso: as guerreiras foram chamadas por uma razão. Tal como Saint-Germain, Palamedes e Shakespeare. O grupo foi convocado porque tem de viajar no tempo até Danu Talis no passado e destruí-lo. Pois a ilha de Danu Talis, conhecida nos mitos humani como a cidade perdida da Atlântida, deve cair para o mundo moderno poder existir.
São Francisco
O fim está a chegar. Josh Newman escolheu um lado, e não vai ficar com a irmã, Sophie, nem com o Alquimista, Nicholas Flamel. Vai lutar ao lado de Dee e da misteriosa Virginia Dare. A não ser que Sophie encontre o seu gémeo antes de a batalha começar, tudo está perdido - para sempre.
Opinião:
Finalmente! Três anos após a publicação de O Necromante, o quarto volume de Os Segredos de O Imortal Nicholas Flamel, heis que chega O Bruxo, o quinto e penúltimo livro desta saga inspirada em mitologia e lendas de todo o mundo. Fiquei muito feliz por ver que a coleção 1001 Mundos não tinha desistido de Michael Scott. Assim que este me livro me chegou às mãos tive que o começar a ler.
Os acontecimentos narrados neste livro acontecem em apenas um dia. Mas isso não quer dizer que exista pouca ação ou revelações. Pelo contrário! Existe muito a acontecer ao longo destas páginas, o enredo segue diferentes direções e o mais curioso, é que tal é feito tanto no presente como no passado. Os capítulos pequenos e o facto de todas as personagens estarem a viver situações intensas fazem com que leitura avance rapidamente e com poucas paragens.
Todas as personagens parecem estar em movimento, deixando a ideia de que se encaminham para um grande confronto. Surge então uma sensação de que o autor está a iniciar a conclusão desta saga, o que é bastante agradável. Contudo, gostaria de ter visto algumas figuras mais convictas daquilo que estão a fazer, nomeadamente Nicholas e Perenelle Flamel. Este casal tão relevante no início parece estar cada vez mais apagado e as sua motivações não são sólidas, mas sim baseadas em instintos.
Os gémeos Josh e Sophie parecem cada vez mais relevantes para o futuro do planeta. Se é verdade que sempre existiu uma profecia que enaltecia a importância dos irmãos, agora, com a história a chegar ao seu clímax, esse papel torna-se mais evidente. É interessante também constatar o quanto eles os dois mudaram ao longo de uma semana, muito devido às provações que enfrentaram mas especialmente por causa de influências de outras personagens. Tornaram-se pessoas diferentes, opostos, e isso promete ainda dar que falar.
Neste volume, fiquei muito agradada com os vilões. John Dee e Virginia Dare representam a ideia do inimigo que pratica o mal por desejar o poder absoluto. Como tal, não olham a meios para atingirem os fins, estando por isso dispostos a causar destruição e morte para verem os seus objetivos alcançados. Já Nicolau Maquiavel e Billy the Kid são os vilões com objetivos egoístas mas que possuem sentimentos de compaixão e preocupam-se com a humanidade. O confronto entre estas duas partes dá origem a momentos bem conseguidos.
A linguagem usada é direta e a narração faz-nos entrar com facilidade nas cenas de ação e ainda entender bem os sentimentos das personagens. Contudo, os diálogos apresentam falhas a nível de pontuação, o que faz com que possa existir uma certa confusão ao entender o que é narração e o que é diálogo, já que estes dois elementos podem surgir misturados.
O Bruxo cumpre o que lhe era esperado. É um livro que diverte, tal como os anteriores fizeram, mas que também dá indicações sobre como tudo pode terminar. O choque entre elementos de diferentes culturas e a forma como estes se ligam com coerência continua a ser o aspecto que mais me atrai. A conclusão deixou-me em suspenso e faz-me desejar que a publicação do derradeiro volume não demore. Acredito que este livro corresponde às expectativas dos fãs da saga.
Outras opiniões a livros de Michael Scott:
terça-feira, 22 de abril de 2014
Opinião: O Olho da Lua (A Saga de Bourbon Kid #2)
Autor: Anónimo
Título Original: The Eye of the Moon (2009)
Tradução: Leonor Bizarro Marques
ISBN: 9789895579044
Editora: Asa (2014)
Sinopse:
Depois de dezoito anos de chacinas (e quantidades industriais de bourbon) é altura de Bourbon Kid parar com a matança. Porém, Peto, o monge de Hubal, regressa a Santa Mondega com o misterioso Olho da Lua, à procura do assassino encapuçado, e não está sozinho.
À medida que a Noite das Bruxas se aproxima, os heróis improváveis Dante e Kacey são mais uma vez sugados para o violento vórtice do mal, juntamente com bandos de vampiros (e um ou outro lobisomem). Acrescentem-lhe Sanchez (o barman indiscreto), os Serviços Secretos, Jessica (o anjo de morte) e um novo Senhor das Trevas e haverá novo banho de sangue não tarda.
Quando o golpe para liquidar o Kid falha, os que o querem ver morto descobrem que a situação sofreu uma reviravolta. O Kid tem a sua própria lista de alvos a abater e desta vez não vai poupar ninguém…
Esta sangrenta mas brilhante sequela de O Livro Sem Nome dá seguimento à saga com uma arrepiante história de massacres, carregada de humor negro, caos e gente doida.
Opinião:
O Olho da Lua retoma a acção pouco tempo após os acontecimentos relatados em O Livro Sem Nome. Os leitores que ficaram rendidos ao primeiro livro vão adorar o segundo, afinal, o tom misterioso, a violência, o ponto de vista de diversas personagens e a imprevisibilidade continuam presentes. Para além disso, o humor torna-se mais perceptível neste livro, o que poderá ser explicado pela aceitação da forma como o autor escolheu contar esta história, que ao início poderá ser um choque.
Contudo, trata-se de um humor negro. Este acontece em momentos que poderão ser tidos como sérios, tais como um confronto ou um diálogo decisivo. Pormenores, tais como frases ditas no momento certo, atitudes de personagens ou situações caricatas quebram o ambiente pesado e fazem o leitor esboçar um sorriso ou até mesmo soltar uma gargalhada. E esta foi a característica que mais me agradou em O Olho da Lua.
O objecto que dá o título ao livro já tinha sido mencionado em O Livro Sem Nome, por isso é fácil adivinhar o que motiva as personagens neste volume. O poder é o grande desejo da grande maioria das figuras, mas é interessante observar alguns desejos de "normalidade". E se no livro anterior a maior parte das personagens parecia ter um papel mais decorativo, agora tornam-se elementos que alteram os acontecimentos através das suas acções.
Foi bom ver o Bourbon Kid mais vezes. Se por um lado isso permitiu ficar a conhecer melhor esta figura enigmática, por outro, quebrou-se um pouco do seu encanto. Finalmente percebe-se a razão de ele ser quem é e a apresentação do seu passado é um dos momentos altos da leitura. O leitor vai fazer diversas ligações e perceber factos para além daqueles que são devidamente expostos.
É também interessante constatar que neste volume existe uma evolução da componente fantástica. Para além dos vampiros que já tinham sido apresentados em O Livro Sem Nome, surgem ainda lobisomens e múmias. Estes novos seres acrescentam valor ao livro, já que dão uma nova visão sobre esta sociedade que promete esconder muitos outros segredos e ainda aumentam a sensação de perigo.
O ritmo da narrativa é rápido e por vezes pode surgir a sensação de que não se está a conseguir acompanhar todas as situações. Também fica a sensação de que algumas ideias que já tinham surgido em O Livro Sem Nome foram repetidas. O final, contudo, é bastante intrigante e faz desejar pela leitura do terceiro volume desta série.
As descrições mantêm as características do primeiro livro. Muito gráficas, tornam simples a tarefa do leitor imaginar, principalmente no que toca às cenas de maior acção e violência. Muitas vezes, existe a sensação de que se está a assistir a um filme na nossa cabeça e percebe-se que este tipo de trama não só funciona bem no formato livro como ainda poderia ser bem explorada no cinema.
É preciso ter sentido de humor para ler O Olho da Lua e não ser demasiado sensível a descrições de violência, sangue e tripas. Esta é uma série diferente e que tem como principal função entreter, por isso é dessa forma que deve ser vista. Se gostaram de O Livro Sem Nome, então vão gostar deste.
Outros livros da Saga de Bourbon Kid:
O Livro Sem Nome (A Saga de Bourbon Kid #1)
Título Original: The Eye of the Moon (2009)
Tradução: Leonor Bizarro Marques
ISBN: 9789895579044
Editora: Asa (2014)
Sinopse:
Depois de dezoito anos de chacinas (e quantidades industriais de bourbon) é altura de Bourbon Kid parar com a matança. Porém, Peto, o monge de Hubal, regressa a Santa Mondega com o misterioso Olho da Lua, à procura do assassino encapuçado, e não está sozinho.
À medida que a Noite das Bruxas se aproxima, os heróis improváveis Dante e Kacey são mais uma vez sugados para o violento vórtice do mal, juntamente com bandos de vampiros (e um ou outro lobisomem). Acrescentem-lhe Sanchez (o barman indiscreto), os Serviços Secretos, Jessica (o anjo de morte) e um novo Senhor das Trevas e haverá novo banho de sangue não tarda.
Quando o golpe para liquidar o Kid falha, os que o querem ver morto descobrem que a situação sofreu uma reviravolta. O Kid tem a sua própria lista de alvos a abater e desta vez não vai poupar ninguém…
Esta sangrenta mas brilhante sequela de O Livro Sem Nome dá seguimento à saga com uma arrepiante história de massacres, carregada de humor negro, caos e gente doida.
Opinião:
O Olho da Lua retoma a acção pouco tempo após os acontecimentos relatados em O Livro Sem Nome. Os leitores que ficaram rendidos ao primeiro livro vão adorar o segundo, afinal, o tom misterioso, a violência, o ponto de vista de diversas personagens e a imprevisibilidade continuam presentes. Para além disso, o humor torna-se mais perceptível neste livro, o que poderá ser explicado pela aceitação da forma como o autor escolheu contar esta história, que ao início poderá ser um choque.
Contudo, trata-se de um humor negro. Este acontece em momentos que poderão ser tidos como sérios, tais como um confronto ou um diálogo decisivo. Pormenores, tais como frases ditas no momento certo, atitudes de personagens ou situações caricatas quebram o ambiente pesado e fazem o leitor esboçar um sorriso ou até mesmo soltar uma gargalhada. E esta foi a característica que mais me agradou em O Olho da Lua.
O objecto que dá o título ao livro já tinha sido mencionado em O Livro Sem Nome, por isso é fácil adivinhar o que motiva as personagens neste volume. O poder é o grande desejo da grande maioria das figuras, mas é interessante observar alguns desejos de "normalidade". E se no livro anterior a maior parte das personagens parecia ter um papel mais decorativo, agora tornam-se elementos que alteram os acontecimentos através das suas acções.
Foi bom ver o Bourbon Kid mais vezes. Se por um lado isso permitiu ficar a conhecer melhor esta figura enigmática, por outro, quebrou-se um pouco do seu encanto. Finalmente percebe-se a razão de ele ser quem é e a apresentação do seu passado é um dos momentos altos da leitura. O leitor vai fazer diversas ligações e perceber factos para além daqueles que são devidamente expostos.
É também interessante constatar que neste volume existe uma evolução da componente fantástica. Para além dos vampiros que já tinham sido apresentados em O Livro Sem Nome, surgem ainda lobisomens e múmias. Estes novos seres acrescentam valor ao livro, já que dão uma nova visão sobre esta sociedade que promete esconder muitos outros segredos e ainda aumentam a sensação de perigo.
O ritmo da narrativa é rápido e por vezes pode surgir a sensação de que não se está a conseguir acompanhar todas as situações. Também fica a sensação de que algumas ideias que já tinham surgido em O Livro Sem Nome foram repetidas. O final, contudo, é bastante intrigante e faz desejar pela leitura do terceiro volume desta série.
As descrições mantêm as características do primeiro livro. Muito gráficas, tornam simples a tarefa do leitor imaginar, principalmente no que toca às cenas de maior acção e violência. Muitas vezes, existe a sensação de que se está a assistir a um filme na nossa cabeça e percebe-se que este tipo de trama não só funciona bem no formato livro como ainda poderia ser bem explorada no cinema.
É preciso ter sentido de humor para ler O Olho da Lua e não ser demasiado sensível a descrições de violência, sangue e tripas. Esta é uma série diferente e que tem como principal função entreter, por isso é dessa forma que deve ser vista. Se gostaram de O Livro Sem Nome, então vão gostar deste.
Outros livros da Saga de Bourbon Kid:
O Livro Sem Nome (A Saga de Bourbon Kid #1)
sexta-feira, 7 de março de 2014
Opinião: Legend (Legend #1)
Autor: Marie Lu
Tradução: Raquel Dutra Lopes
ISBN: 9789892325415
Editora: Asa (2014)
Sinopse:
Outrora conhecida como a costa ocidental dos Estados Unidos, a República é agora uma nação em guerra permanente com as vizinhas, as Colónias.
Nascida numa família de elite num dos distritos mais abastados da República, June, aos quinze anos, é um prodígio militar. Obediente, entusiasmada e dedicada ao seu país, está a ser aperfeiçoada para fazer parte dos círculos mais elevados da República.
Nascido num dos bairros de lata do Setor Lake da República, Day, também com quinze anos, é o criminoso mais procurado da República. Mas talvez os seus motivos não sejam tão maliciosos quanto parecem. Pertencendo a mundos muito diferentes, não há motivo algum para que os caminhos de June e Day se cruzem - até ao dia em que o irmão de June, Metias, é assassinado, e Day se torna o principal suspeito. Agora, apanhado no derradeiro jogo do gato e do rato, Day corre pela sobrevivência da sua família, enquanto June tenta desesperadamente vingar a morte do irmão.
Contudo, numa reviravolta chocante, os dois descobrem a verdade daquilo que verdadeiramente os levou a encontrarem-se, e a que ponto a nação de ambos está disposta a chegar para manter os seus segredos.
Repleto de ação imparável, suspense e romance, o fascinante primeiro romance de Marie Lu irá certamente comover e arrebatar os leitores.
Opinião:
Narrado na perspectiva de duas personagens e passado numa sociedade autoritária de um futuro mais próximo do que pode parecer à primeira vista, Legend é um livro emocionante, com personagens cativantes e que se lê num instante.
Logo no início, fica a noção que se está perante uma realidade de extremos, sendo cada um deles representado por uma das figuras centrais. June começa por ser o exemplo da alta sociedade, do lado privilegiado, que tem acesso a conforto, a todos os bens necessários e à melhor educação. Esta facção está directamente ligada àqueles que seguem o regime imposto sem o questionar. Já Day é o oposto. Rapaz nascido entre os mais desfavorecidos, é ele que revela ao leitor as dificuldades da generalidade da população, a repressão existente e ainda as falhas do regime.
É interessante constatar que June e Day têm personalidades semelhantes apesar das origens distintas. Ambos são críticos, corajosos, inteligentes e com uma grande capacidade para ver o que existe mais além. O encontro entre estas figuras acontece em forma de choque, muito devido às convicções díspares como também a um forte acontecimento. É curioso assistir ao desenvolvimento da relação destes inimigos que acabam por reconhecer um no outro mais do que esperavam inicialmente.
A acção é intensa e apresenta um ritmo rápido, muito graças ao estilo de escrita apresentado. Marie Lu, para além de apresentar uma distopia que capta o leitor, aproveitou ainda para provocar algumas reflexões. A autora aborda o tema da exploração excessiva dos recursos naturais e mostra de que a forma os meios necessários para sobrevivência se distribuem em situações de escassez. O leitor constara que em situações de maior provação se assiste ao aumento do fosso social entre classe rica e pobre, sendo raros os casos de ascensão. Achei regime político criado muito interessante. Inicialmente, somos levados a pensar que aquela forma de ditadura é a única via de combater a escassez e as muitas epidemias, mas com o decorrer da leitura verificamos que existem mais possibilidades. Também foi com interesse que verifiquei o papel dos poucos meios de comunicação na manipulação das mentalidades.
Apesar de ter apreciado a premissa geral do livro, a verdade é que acabei por ficar com a sensação de que a história tinha muito mais por explorar, nomeadamente no que toca quanto à própria sociedade que tanto me interessou. Terminada a leitura, percebe-se que tudo aconteceu demasiado depressa. As circunstâncias difíceis que June e Day enfrentam necessitavam de um processo de conflito e aceitação mais bem conseguidos do que aqueles que foram apresentados. Também a grande previsibilidade acabou por fazer com que este livro perdesse alguma da força que poderia vir a ter.
Livro de apresentação de Marie Lu, Legend é um início interessante, que apesar de apresentar algumas falhas, promete uma continuação mais forte e intensa. Fica a vontade de que os próximo dois volumes da trilogia, Prodigy e Champion, cheguem rapidamente a solo nacional.
quarta-feira, 11 de dezembro de 2013
Opinião: Luz e Sombra (Grisha #1)
Título original: Shadow and Bone (2012)
Autor: Leigh Bardugo
Tradução: Raquel Dutra Lopes
ISBN: 9789892324852
Editora: Asa (2013)
Sinopse:
Rodeada por inimigos, a outrora grande nação de Ravka foi dividida em duas pelo Sulco de Sombra, uma faixa de escuridão quase impenetrável cheia de monstros que se alimentam de carne humana. Agora, o seu destino pode depender de uma só refugiada.
Alina Starkov nunca foi boa em nada. Órfã de guerra, tem uma única certeza: o apoio do seu melhor amigo, Maly, e a sua inconveniente paixão por ele. Cartógrafa do regimento militar, numa das expedições que tem de fazer ao Sulco de Sombra, Alina vê Maly ser atacado pelos monstros volcra e ficar brutalmente ferido. O seu instinto leva-a a protegê-lo , e ela revela um poder adormecido que lhe salva a vida, um poder que poderia ser a chave para libertar o seu país devastado pela guerra. Arrancada de tudo aquilo que conhece, Alina é levada para a corte real para ser treinada como um membro dos Grishas, a elite mágica liderada pelo misterioso Darkling. Com o extraordinário poder de Alina no seu arsenal, ele acredita que poderá finalmente destruir o Sulco de Sombra.
No entanto, nada naquele mundo pródigo é o que parece. Com a escuridão a aproximar-se e todo um reino dependente da sua energia indomável, Alina terá de enfrentar os segredos dos Grisha... e os segredos do seu coração.
Opinião:
Leigh Bardugo inspira-se na Rússia Imperial para criar o mundo de Luz e Sombra, o primeiro volume da saga Grisha. Ao abrir as primeiras páginas do livro foi impossível não ficar impressionada com o mapa deste novo mundo. Para além de mostrar os locais mais relevantes para a trama, é ainda ilustrado por seres misteriosos que apelam a imaginação. Assim que se inicia a leitura sente-se rapidamente o ambiente repressivo, mágico, sombrio, misterioso e ainda um certo frio tão associado ao país da Europa do Leste.
Alina é a protagonista desta história. Ao início encontramos-a enquanto criança, uma órfã igual a tantas outras que teve a sorte de ser acolhida por um nobre protector. Logo se percebe que Alina sente uma forte amizade por Mal, um rapazinho que é sempre descrito como optimista e encantador e que acaba por ser alvo dos instintos protectores da heroína. Eles são praticamente a família um do outro, por isso quando existe uma possibilidade de separação é inevitável sentir o pânico e o terror.
Após a introdução, voltamos a encontrar Alina e Mal, mas desta vez, eles são mais velhos. É contraste entre as personalidades destas figuras é fulgurante, não só uma em relação à outra mas também quando comparado com quem eles eram enquanto crianças. Logo que quem eles são é resultado das circunstâncias da vida que encontraram e das pessoas com quem se cruzaram. O que não muda é o forte elo de ligação que os une. Contudo, de um momento para o outro, tudo muda.
Não foi fácil para mim gostar logo de Alina, mas penso que essa era mesmo a intenção da autora. Afinal, ela é apresentada como uma jovem que me parece meio adormecida e com pouco potencial. Mas acontece que a verdade é que as suas potencialidades não estavam mesmo despertas, mas quando tal acontece a percepção do leitor muda. Alina revela-se dona de bons valores e diverte com os seus comentários sarcásticos. As suas opções nem sempre são compreendidas assim como os seus sentimentos, afinal, encaminham-se num sentido esperado.
As figuras secundárias têm um grande peso em toda a leitura e acabam por agradar, apesar de algumas deles apresentarem natureza mais negra. A autora tentou criar surpresa com algumas reviravoltas destas figuras, mas a verdade é que foi deixando tantas pistas que o leitor logo percebe o objectivo de cada uma delas muito antes de tal ser desvendado.
Logo do início, o leitor fica a conhecer um facto terrível deste universo, que é novo, está bem descrito e faz sentir arrepios. Existe então uma vontade maior de perceber de que forma a magia funciona nesta trama, descobrir novos segredos e, mais que tudo, perceber o papel de Alina no meio de tudo isto. Afinal, ela revela-se mais do que aparenta.
Se ao início os Grisha pareciam uma classe confusa, com códigos que não eram bem perceptíveis, a autora acaba por dar a possibilidade de os desvendar. Logo se vê que eles se dividem em três grandes categorias, sendo que dentro de cada uma delas existem subdivisões. Que o Grisha eram seres mágicos, disso não havia qualquer dúvida, mas agora, é possível perceber um pouco sobre a origem desta tal magia e as suas variantes. Este aspecto é sem dúvida um grande atractivo da leitura, que, na minha opinião, apenas peca por não ser ainda mais exposto e explorado.
O desenrolar dos acontecimentos tem os seus altos e baixos. Na primeira metade do livros, tudo parece mais intenso, atrativo e a leitura é feita rapidamente. Contudo, a partir de um certo ponto, o ritmo abranda devido à previsibilidade dos acontecimentos e à repetição de algumas ideias. É devido a este último aspecto que, ao chegar à última página, existe uma sensação de que esta é uma história que tinha muito mais para dar mas que acabou por ser mais explorada. Contudo, tal pode ter acontecido por este ser o primeiro volume de uma trilogia.
Luz e Sombra é um título que faz jus à trama e que, apesar de algumas falhas registadas, é uma leitura que muito me divertiu. Fiquei, sem qualquer dúvida, muito curiosa quanto ao que ainda está por vir deste mundo e de forma a perceber que destino Leigh Bardugo guarda para todas as figuras que tanto me cativaram.
Autor: Leigh Bardugo
Tradução: Raquel Dutra Lopes
ISBN: 9789892324852
Editora: Asa (2013)
Sinopse:
Rodeada por inimigos, a outrora grande nação de Ravka foi dividida em duas pelo Sulco de Sombra, uma faixa de escuridão quase impenetrável cheia de monstros que se alimentam de carne humana. Agora, o seu destino pode depender de uma só refugiada.
Alina Starkov nunca foi boa em nada. Órfã de guerra, tem uma única certeza: o apoio do seu melhor amigo, Maly, e a sua inconveniente paixão por ele. Cartógrafa do regimento militar, numa das expedições que tem de fazer ao Sulco de Sombra, Alina vê Maly ser atacado pelos monstros volcra e ficar brutalmente ferido. O seu instinto leva-a a protegê-lo , e ela revela um poder adormecido que lhe salva a vida, um poder que poderia ser a chave para libertar o seu país devastado pela guerra. Arrancada de tudo aquilo que conhece, Alina é levada para a corte real para ser treinada como um membro dos Grishas, a elite mágica liderada pelo misterioso Darkling. Com o extraordinário poder de Alina no seu arsenal, ele acredita que poderá finalmente destruir o Sulco de Sombra.
No entanto, nada naquele mundo pródigo é o que parece. Com a escuridão a aproximar-se e todo um reino dependente da sua energia indomável, Alina terá de enfrentar os segredos dos Grisha... e os segredos do seu coração.
Opinião:
Leigh Bardugo inspira-se na Rússia Imperial para criar o mundo de Luz e Sombra, o primeiro volume da saga Grisha. Ao abrir as primeiras páginas do livro foi impossível não ficar impressionada com o mapa deste novo mundo. Para além de mostrar os locais mais relevantes para a trama, é ainda ilustrado por seres misteriosos que apelam a imaginação. Assim que se inicia a leitura sente-se rapidamente o ambiente repressivo, mágico, sombrio, misterioso e ainda um certo frio tão associado ao país da Europa do Leste.
Alina é a protagonista desta história. Ao início encontramos-a enquanto criança, uma órfã igual a tantas outras que teve a sorte de ser acolhida por um nobre protector. Logo se percebe que Alina sente uma forte amizade por Mal, um rapazinho que é sempre descrito como optimista e encantador e que acaba por ser alvo dos instintos protectores da heroína. Eles são praticamente a família um do outro, por isso quando existe uma possibilidade de separação é inevitável sentir o pânico e o terror.
Após a introdução, voltamos a encontrar Alina e Mal, mas desta vez, eles são mais velhos. É contraste entre as personalidades destas figuras é fulgurante, não só uma em relação à outra mas também quando comparado com quem eles eram enquanto crianças. Logo que quem eles são é resultado das circunstâncias da vida que encontraram e das pessoas com quem se cruzaram. O que não muda é o forte elo de ligação que os une. Contudo, de um momento para o outro, tudo muda.
Não foi fácil para mim gostar logo de Alina, mas penso que essa era mesmo a intenção da autora. Afinal, ela é apresentada como uma jovem que me parece meio adormecida e com pouco potencial. Mas acontece que a verdade é que as suas potencialidades não estavam mesmo despertas, mas quando tal acontece a percepção do leitor muda. Alina revela-se dona de bons valores e diverte com os seus comentários sarcásticos. As suas opções nem sempre são compreendidas assim como os seus sentimentos, afinal, encaminham-se num sentido esperado.
As figuras secundárias têm um grande peso em toda a leitura e acabam por agradar, apesar de algumas deles apresentarem natureza mais negra. A autora tentou criar surpresa com algumas reviravoltas destas figuras, mas a verdade é que foi deixando tantas pistas que o leitor logo percebe o objectivo de cada uma delas muito antes de tal ser desvendado.
Logo do início, o leitor fica a conhecer um facto terrível deste universo, que é novo, está bem descrito e faz sentir arrepios. Existe então uma vontade maior de perceber de que forma a magia funciona nesta trama, descobrir novos segredos e, mais que tudo, perceber o papel de Alina no meio de tudo isto. Afinal, ela revela-se mais do que aparenta.
Se ao início os Grisha pareciam uma classe confusa, com códigos que não eram bem perceptíveis, a autora acaba por dar a possibilidade de os desvendar. Logo se vê que eles se dividem em três grandes categorias, sendo que dentro de cada uma delas existem subdivisões. Que o Grisha eram seres mágicos, disso não havia qualquer dúvida, mas agora, é possível perceber um pouco sobre a origem desta tal magia e as suas variantes. Este aspecto é sem dúvida um grande atractivo da leitura, que, na minha opinião, apenas peca por não ser ainda mais exposto e explorado.
O desenrolar dos acontecimentos tem os seus altos e baixos. Na primeira metade do livros, tudo parece mais intenso, atrativo e a leitura é feita rapidamente. Contudo, a partir de um certo ponto, o ritmo abranda devido à previsibilidade dos acontecimentos e à repetição de algumas ideias. É devido a este último aspecto que, ao chegar à última página, existe uma sensação de que esta é uma história que tinha muito mais para dar mas que acabou por ser mais explorada. Contudo, tal pode ter acontecido por este ser o primeiro volume de uma trilogia.
Luz e Sombra é um título que faz jus à trama e que, apesar de algumas falhas registadas, é uma leitura que muito me divertiu. Fiquei, sem qualquer dúvida, muito curiosa quanto ao que ainda está por vir deste mundo e de forma a perceber que destino Leigh Bardugo guarda para todas as figuras que tanto me cativaram.
segunda-feira, 11 de novembro de 2013
Opinião: Os Adivinhos (Os Adivinhos #1)
Título original: The Diviners (2012)
Autor: Libba Bray
Tradução: Carmo Vasconcelos Romão
ISBN: 9789892324692
Editora: Asa (2013)
Sinopse:
Evie O'Neill foi exilada da sua monótona e pacata cidade natal e enviada para as agitadas ruas de Nova Iorque - e fica radiante! Nova Iorque é a cidade dos bares clandestinos, das compras e dos cinemas! Pouco depois, Evie começa a andar com as glamorosas «Ziegfield Girls» e com atraentes carteiristas. O único problema é que Evie tem de viver com o seu tio Will, curador do Museu Americano de Folclore, Superstição e Ocultismo - também conhecido como «O Museu dos Arrepios», homem com uma pouso saudável obsessão pelo oculto.
Evie receia que ele descubra o seu segredo mais sombrio: um poder sobrenatural que até ao momento só lhe causou problemas. Porém, quando a polícia encontra uma rapariga morta que tem um estranho símbolo gravado na testa e Will é chamado ao local, Evie percebe que o seu dom pode ajudar a apanhar o assassino em série.
Quando Evie mergulha de cabeça numa dança com um assassino, outras histórias se desenrolam na cidade que nunca dorme. Um jovem chamado Memphis é apanhado entre dois mundos. Uma corista chamada Theta anda a fugir do seu passado. Um estudante chamado Jericho esconde um segredo chocante. E sem que ninguém saiba, algo sombrio e maligno despertou.
Opinião:
Os Adivinhos foi, para mim, uma das grandes surpresas literárias deste ano. Libba Bray conseguiu criar uma trama envolvente onde não faltam momentos de tensão, acção e até comédia. A autora une a euforia de Nova Iorque dos loucos anos 20 à intriga digna de um policial, ao misticismo de uma história de fantasia e ao suspense de um enredo de horror, dando origem a uma obra original e refrescante.
Evie é a protagonista deste livro que marca o início de uma trilogia. Não é fácil gostar desta personagem nas primeiras páginas. Dona de uma personalidade vincada, revela-se egoísta, superficial, egocêntrica, teimosa e com necessidade de se destacar. Contudo, o facto de Evie não ser a típica menina correcta é, sem dúvida, uma mais-valia, Afinal, esta jovem divertida e inesperada acaba por provar que muito do que demonstra não passa de uma máscara criada para afastar sofrimento e que muitas das suas atitudes acabam por ser bem-intencionadas. Ao longo da narrativa ela evolui, começa a olhar mais para os outros e a ter em consideração os seus sentimentos. O seu sentido de humor, porém, permanece inalterado, o que faz dela uma jovem refrescante e muito atraente, mesmo nos momentos em que parece não estar a ser correcta.
Evie é o motor desta trama, mas acaba por estar rodeada de outras figuras que também possuem uma grande força. Destaco Will, o tio de Evie que sugere um passado interessante e que condiciona as suas ações ao longo da história; Jericho, um rapaz que revela ser mais do que aparenta numa primeira análise; Theta, uma corista irreverente que esconde uma profunda dor; Sam, um rapaz que tem tanto de galante como de aldrabão; e Mabel, uma menina doce e romântica que não ousa desafiar as ordens dos pais. Todas estas personagens apresentam uma dimensão credível, são mutáveis e propiciam momentos pertinentes para o desenrolar da narrativa.
O enredo é cativante e está muito bem conseguido. A autora sabe como fazer o leitor agarrar-se à leitura. Inicialmente, parece tratar-se de uma trama mais leve, mas com o desenrolar da narrativa vai-se assistindo a um crescer da intensidade do clima, dos acontecimentos, assim como da complexidade da história. As luzes e animação das festas de Nova Iorque acabam por dar lugar ao negro de locais onde decorrem crimes e onde grandes segredos se escondem. Esta dualidade está bem conseguida e é aliciante. Em todo o livro existe uma deliciosa combinação entre a comédia, o suspense e até o horror. É impossível não sorrir com algumas das expressões de Evie ou de não ficar perturbado com alguns dos cenários mais macabros. A resolução do caso é coerente e convence.
As descrições existem na medida certa e transportam facilmente para a época. Quase que é possível ouvir os sons da cidade, assistir ao movimento nas ruas, perceber a animação das festas e sentir a expectativa por um futuro iminente que sugere estar repleto de grandes inovações e conquistas. Já os momentos mais negros, conseguem incomodar e isso é ótimo. Com o passar das páginas, percebe-se que o clima de terror aumenta. Os cenários de crime estão bem conseguidos pela sua execução e a proximidade das vítimas momentos antes de estas serem executadas faz surgir um peso acentuado quando se dá a concretização do crime. É inevitável desejar que tal não aconteça, afinal já se criou uma afeição à personagem.
O conceito de "Adivinhos" é apresentado mas acaba por não ter sido exposto na sua plenitude. Percebe-se que existem diversas pessoas dotadas de capacidades sobrenaturais únicas e que estas têm um papel maior na salvação do mundo do que poderiam imaginar. Contudo, nada disto é realmente revelado. Existem certas personagens mais misteriosas que acabam por sugerir estas ideias e que deixam no ar a noção de que algo de importante e perigoso está a chegar, mas tal não é desenvolvido neste volume. Resta então esperar pelos próximos livros desta trilogia para perceber até onde Libba Bray irá explorar os seus "Adivinhos".
Os Adivinhos é uma leitura impressionante. Repleta de surpresas e muita emoção, é sem dúvida uma publicação que vai fazer as delícias dos fãs de romances sobrenaturais repletos de mistério e ação. Recomendo!
Nota:
Não esqueçam que estou a sortear um exemplar deste livro aqui. Participem no passatempo!
Autor: Libba Bray
Tradução: Carmo Vasconcelos Romão
ISBN: 9789892324692
Editora: Asa (2013)
Sinopse:
Evie O'Neill foi exilada da sua monótona e pacata cidade natal e enviada para as agitadas ruas de Nova Iorque - e fica radiante! Nova Iorque é a cidade dos bares clandestinos, das compras e dos cinemas! Pouco depois, Evie começa a andar com as glamorosas «Ziegfield Girls» e com atraentes carteiristas. O único problema é que Evie tem de viver com o seu tio Will, curador do Museu Americano de Folclore, Superstição e Ocultismo - também conhecido como «O Museu dos Arrepios», homem com uma pouso saudável obsessão pelo oculto.
Evie receia que ele descubra o seu segredo mais sombrio: um poder sobrenatural que até ao momento só lhe causou problemas. Porém, quando a polícia encontra uma rapariga morta que tem um estranho símbolo gravado na testa e Will é chamado ao local, Evie percebe que o seu dom pode ajudar a apanhar o assassino em série.
Quando Evie mergulha de cabeça numa dança com um assassino, outras histórias se desenrolam na cidade que nunca dorme. Um jovem chamado Memphis é apanhado entre dois mundos. Uma corista chamada Theta anda a fugir do seu passado. Um estudante chamado Jericho esconde um segredo chocante. E sem que ninguém saiba, algo sombrio e maligno despertou.
Opinião:
Os Adivinhos foi, para mim, uma das grandes surpresas literárias deste ano. Libba Bray conseguiu criar uma trama envolvente onde não faltam momentos de tensão, acção e até comédia. A autora une a euforia de Nova Iorque dos loucos anos 20 à intriga digna de um policial, ao misticismo de uma história de fantasia e ao suspense de um enredo de horror, dando origem a uma obra original e refrescante.
Evie é a protagonista deste livro que marca o início de uma trilogia. Não é fácil gostar desta personagem nas primeiras páginas. Dona de uma personalidade vincada, revela-se egoísta, superficial, egocêntrica, teimosa e com necessidade de se destacar. Contudo, o facto de Evie não ser a típica menina correcta é, sem dúvida, uma mais-valia, Afinal, esta jovem divertida e inesperada acaba por provar que muito do que demonstra não passa de uma máscara criada para afastar sofrimento e que muitas das suas atitudes acabam por ser bem-intencionadas. Ao longo da narrativa ela evolui, começa a olhar mais para os outros e a ter em consideração os seus sentimentos. O seu sentido de humor, porém, permanece inalterado, o que faz dela uma jovem refrescante e muito atraente, mesmo nos momentos em que parece não estar a ser correcta.
Evie é o motor desta trama, mas acaba por estar rodeada de outras figuras que também possuem uma grande força. Destaco Will, o tio de Evie que sugere um passado interessante e que condiciona as suas ações ao longo da história; Jericho, um rapaz que revela ser mais do que aparenta numa primeira análise; Theta, uma corista irreverente que esconde uma profunda dor; Sam, um rapaz que tem tanto de galante como de aldrabão; e Mabel, uma menina doce e romântica que não ousa desafiar as ordens dos pais. Todas estas personagens apresentam uma dimensão credível, são mutáveis e propiciam momentos pertinentes para o desenrolar da narrativa.
O enredo é cativante e está muito bem conseguido. A autora sabe como fazer o leitor agarrar-se à leitura. Inicialmente, parece tratar-se de uma trama mais leve, mas com o desenrolar da narrativa vai-se assistindo a um crescer da intensidade do clima, dos acontecimentos, assim como da complexidade da história. As luzes e animação das festas de Nova Iorque acabam por dar lugar ao negro de locais onde decorrem crimes e onde grandes segredos se escondem. Esta dualidade está bem conseguida e é aliciante. Em todo o livro existe uma deliciosa combinação entre a comédia, o suspense e até o horror. É impossível não sorrir com algumas das expressões de Evie ou de não ficar perturbado com alguns dos cenários mais macabros. A resolução do caso é coerente e convence.
As descrições existem na medida certa e transportam facilmente para a época. Quase que é possível ouvir os sons da cidade, assistir ao movimento nas ruas, perceber a animação das festas e sentir a expectativa por um futuro iminente que sugere estar repleto de grandes inovações e conquistas. Já os momentos mais negros, conseguem incomodar e isso é ótimo. Com o passar das páginas, percebe-se que o clima de terror aumenta. Os cenários de crime estão bem conseguidos pela sua execução e a proximidade das vítimas momentos antes de estas serem executadas faz surgir um peso acentuado quando se dá a concretização do crime. É inevitável desejar que tal não aconteça, afinal já se criou uma afeição à personagem.
O conceito de "Adivinhos" é apresentado mas acaba por não ter sido exposto na sua plenitude. Percebe-se que existem diversas pessoas dotadas de capacidades sobrenaturais únicas e que estas têm um papel maior na salvação do mundo do que poderiam imaginar. Contudo, nada disto é realmente revelado. Existem certas personagens mais misteriosas que acabam por sugerir estas ideias e que deixam no ar a noção de que algo de importante e perigoso está a chegar, mas tal não é desenvolvido neste volume. Resta então esperar pelos próximos livros desta trilogia para perceber até onde Libba Bray irá explorar os seus "Adivinhos".
Os Adivinhos é uma leitura impressionante. Repleta de surpresas e muita emoção, é sem dúvida uma publicação que vai fazer as delícias dos fãs de romances sobrenaturais repletos de mistério e ação. Recomendo!
Nota:
Não esqueçam que estou a sortear um exemplar deste livro aqui. Participem no passatempo!
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