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sábado, 17 de novembro de 2018

Opinião: Três Coroas Negras

Título Original: Three Dark Crowns (2016)
Autor: Kendara Blake
Tradução: Alexandra Guimarães
ISBN: 9789720030368
Editora: Porto Editora (2018)

Sinopse:

Três rainhas negras,
Fruto da mesma terra.
Três gémeas meigas,
Agora entrarão em guerra.

Três irmãs negras –
Quais delas não se adivinha –
Mas duas terão de morrer:
Só uma será rainha.

A CADA GERAÇÃO, NA OBSCURA ILHA DE FENNBIRN, NASCEM TRÊS IRMÃS GÉMEAS.

Três rainhas herdeiras de um só trono, cada uma possuindo um poder mágico muito cobiçado. Mirabella é capaz de inflamar o incêndio mais violento ou a tempestade mais terrível. Katharine consegue ingerir um veneno mortal sem sentir os seus efeitos. De Arsinoe diz-se capaz de fazer florir a rosa mais vermelha e controlar o leão mais feroz.

Mas para uma delas ser coroada rainha, não basta ter a linhagem certa. As trigémeas terão de conquistar o seu direito à coroa, lutando por ele… até à morte.

Na noite em que as irmãs completam 16 anos, a batalha começa. E a rainha que sobreviver, conquistará a coroa!

Opinião:

A luta pelo poder entre três irmãs detentoras de capacidades mágicas foi o que me atraiu ao ler a sinopse de Três Coroas Negras. Como fã de fantasia, fiquei com expectativas em relação a este livro, que prometia uma história diferente, negra e aliciante. Assim sendo, não hesitei muito em iniciar esta leitura e em descobrir estas três herdeiras que têm de matar para conquistar uma coroa e para não serem mortas.

A leitura é intercalada por capítulos dedicados a cada uma das irmãs. Desta forma, ficamos a conhecê-las melhor de forma individual. É curioso constatar as semelhanças e diferenças que existem entre Katharina, Arsinoe e Mirabella. Elas têm personalidades muito distintas, mas partilham o receio que sentem umas pelas outras e pelo que vai acontecer a partir do momento em que fizerem 16 anos. Foi com interesse que analisei a forma como cada uma foi educada e preparada para derrotar as outras irmãs, sendo tal relevante para moldar quem elas são, mas incapaz de lhes modificar a natureza.

Perante estas três jovens diferentes, é normal o leitor sentir preferência por uma em detrimento das outras. Confesso que senti maior ligação a Arsinoe neste primeiro livro da saga, talvez por ela ser apresentada como o elo mais fraco desta conpetição. Katharina acabou por ser aquela pela qual senti menor empatia, talvez por me parecer a que foi mais manipulada. Contudo, a minha personagem preferida desta obra não foi uma das irmãs protagonistas, mas sim Jules, a melhor amiga de Arsinoe. Esta jovem pareceu-me ser a personagem mais forte e intrigante da história, quer pela forma como se dedica e acredita na amiga mais fraca, quer pela intriga que lhe está associada.

O desenrolar da ação é fácil de acompanhar e proporciona uma leitura rápida. Isto deve-se aos acontecimentos rápidas e ao facto de haver sempre alguma novidade e interesse nos capítulos das três rainhas. Ainda assim, confesso que esperava mais desta leitura. Talvez por as personagens principais serem tão novas, o tom deste livro acaba por perder a negritude esperada para ir para um lado mais adolescente. Existem muitas paixões entre as personagens, e isso, em certos momentos, acaba por ser o foco da trama. Teria preferido que a autora se entregasse mais às intrigas entre e dentro de cada facção e à luta pelo poder.

Apreciei a forma como a magia foi apresentada nesta obra. Kendara Blake dividiu estas capacidades em vários campos, sendo que cada uma das irmãs nasceu com habilidades para uma vertente. Como tal, Katharina é envenadora, o que quer dizer que tem uma forte resistência e dom para venenos. Arsinoe é uma naturalista, o que a liga à fauna e flora. Mirabella é uma elemental, descrita como a mais talentosa, e tem a capacidade de controlar os elementos atmosféricos. É curioso como cada uma, através destes dons, tenta destruir as outras e dar provas do seu poder.

A leitura não é tão inovadora quanto esperava, mas proporciona bons momentos.O final está bem conseguido e apresenta uma reviravolta que nos leva a querer ler o segundo livro da saga. Três Coroas Negras pode não se ido ao encontro das minhas expectativas, mas conseguiu agarrar a minha curiosidade e querer saber mais sobre estas três irmãs e o seu mundo. Espero que o próximo livro seja, então, mais negro e desafiante.

quarta-feira, 21 de junho de 2017

Opinião: A Química dos Nossos Corações

Título Original: Our Chemical Hearts (2016)
Autor: Krystal Sutherland
Tradução: Paulo M. Morais
ISBN: 9789720048608
Editora: Porto Editora (2017)

Sinopse:

Henry Page não esperava apaixonar-se. Considera-se um romântico, mas nunca viveu aquele momento em que o tempo para, a barriga se enche de borboletas e a música começa a tocar, sabe-se lá onde. Pelo menos, até ao momento.
Então, conhece Grace Town, a esquiva nova colega de escola, que se veste com roupa de rapaz demasiado grande, apoia-se numa bengala, parece tomar banho poucas vezes e esconde segredos desconcertantes. Não é bem a rapariga de sonho que Henry esperava, mas quando os dois são escolhidos para coordenar o jornal da escola, a química acontece. Depois de tantos anos a salvo do amor, Henry está prestes a descobrir como a vida pode seguir um caminho tortuoso e como, por vezes, os desvios são a parte mais interessante desse mesmo caminho.

Opinião:

Krystal Sutherland recorda-nos das emoções e dramas que vivemos com o nosso primeiro amor em A Química dos Nossos Corações. Mas este não é o único tema forte que a autora aborda neste livro, que apesar de ser destinado a um público mais jovem, também proporciona uma boa leitura aos mais maduros. Luto, rejeição, família e amizade são outros dos pontos em destaque nesta obra que é decorada com avidez.

Henry Page, o protagonista, é um jovem de quem é muito fácil gostar. Ele é o típico rapaz que está no último ano do liceu que sempre se destacou por ser um aluno acima da média, responsável, mas que no campo social deixa algo a desejar. É amoroso, divertido, algo trapalhão e dono de um grande coração. Quis vê-lo sempre bem, achei graça à forma como o amor chegou ao seu coração, mas nem sempre concordei com as suas decisões, que muitas vezes pareceram demasiado impulsivas, dignas de um adolescente que não observa as situações tal como elas merecem.

Grace Town, por ser lado, é um mistério a ser desvendado. Tanto para Henry como para o leitor. Trata-se de uma personagem que cativa, apesar e não ser uma aquelas de que se gosta. A estranheza da sua personalidade e das reações que tem em certas situações levam o leitor a querer descobrir o que lhe aconteceu. Afinal, percebe-se perfeitamente que se trata de alguém que está psicologicamente afectado por um evento passado, e a vontade de descobrir o que aconteceu e quem ela era antes de tudo isso leva-nos a querer aproximar dela.

Gostei da forma como a autora abordou a relação de Henry com Grace, passando por diversas fases e dando credibilidade a esta ligação. Faz-nos pensar que estas são relações que, regra geral, se iniciam com um simples encanto, que levam os seus intervenientes e amarem mais a ideia que construíram do outro do que o que o outro realmente é. Como tal, a descoberta do suposto amado traz dor e desilusão, uma vez que não corresponde à ideia criada. Krystal Sutherland mostra-nos, através das muitas relações que apresenta, que o amor tem de ser sempre cultivado e cuidado, que só existe quando os intervenientes estão dispostos a aceitar-se com realmente são.

A questão do luto mostra-nos como a partida de alguém pode afectar os que ficam. Faz-nos pensar na grande dor que se vive, mas também as diferentes formas de lidar com ela. Ao analisar o comportamento destas personagens, conclui-se que cada pessoa deve ter direito ao seu tempo, mas que tal não significa que também deve usar os outros para os eu proveito. É que se por um lado existe a compreensão do que se está a viver, por outro existe a revolta da mágoa que causa a terceiros que podem não entender o que está realmente a acontecer. Achei que, neste livro, algumas questões foram abordadas com demasiado dramatismo e senti necessidade de mais algumas explicações sobre o passado.

A leitura é feita num ritmo rápido, uma vez que a história agarra e nos leva a querer descobrir o que vem a seguir. Apesar de abordar temas fortes, estes acabam por não serem pesados devido à forma como são abordados e à componente de humor que existe em grande parte do livro. Existem momentos muito divertidos, especialmente entre Henry com os seus amigos e família. Mais ainda assim, a autora prova que o humor nem sempre significa que está tudo bem, podendo ser uma máscara para algo mais.

A Química dos Nossos Corações é um livro que nos apresenta questões importantes de uma forma muito agradável. Apesar do dramatismo dos tempos de adolescente, deixa-nos a lição de que amor não só é bom como é importante, mas que também é preciso saber lidar com os lados menos felizes deste sentimento. Um livro que aborda temas reais com sentido de humor e que nos dá esperança, mesmo quando acreditamos que nada de melhor pode surgir. Uma leitura de que gostei muito.

sexta-feira, 26 de maio de 2017

Opinião: A Educação de Eleanor

Título Original: Eleanor Oliphant is completely fine (2017)
Autor: Gail Honeyman
Tradução: Elsa T. S. Vieira
ISBN: 9789720048981
Editora: Porto Editora (2017)

Sinopse:

Eleanor Oliphant tem uma vida perfeitamente normal – ou assim quer acreditar. É uma mulher algo excêntrica e pouco dotada na arte da interação social, cuja vida solitária gira à volta de trabalho, vodca, refeições pré-cozinhadas e conversas telefónicas semanais com a mãe. Porém, a rotina que tanto preza fica virada do avesso quando conhece Raymond – o técnico de informática do escritório onde trabalha, um homem trapalhão e com uma grande falta de maneiras – e ambos socorrem Sammy, um senhor de idade que perdeu os sentidos no meio da rua. A amizade entre os três acaba por trazer mais pessoas à vida de Eleanor e alargar os seus horizontes. E, com a ajuda de Raymond, ela começa a enfrentar a verdade que manteve escondida de si própria, sobre a sua vida e o seu passado, num processo penoso mas que lhe permitirá por fim abrir o coração.

Opinião:

Gostei mais de A Educação de Eleanor do que estava à espera. Não quero com isto dizer que tinha as expectativas em baixo, atenção, pois a sinopse tinha-me deixado com a sensação de que iria gostar deste livro. Contudo, nada fazia prever os temas que são abordados nem a sensibilidade com que estes são apresentados. Além disso, a protagonista revelou-se mais deliciosa do que seria de prever.

A história é construída com tacto, de forma a nos envolver nela aos poucos e poucos, até ser impossível colocá-la de parte. Logo ao início, é possível perceber que Eleanor é uma mulher diferente. O seu comportamento causa estranheza e os seus pensamentos dão a certeza de que esta é uma figura com uma natureza invulgar. As fracas capacidades sociais são indícios para uma qualquer condição ou trauma, sendo que a forma como encara a própria solidão e a forma rotineira com que leva a vida claramente indicam que algo não está bem.

Ao início não senti empatia por Eleanor. Sentia curiosidade em descobri-la, mas tinha dificuldade em colocar-me na sua pele e em entender as suas atitudes e pensamentos. Mas isso foi mudando. E que mudança aconteceu! Eleanor acabou por se revelar uma personagem que dificilmente será esquecida, que tanto me fez sorrir como emocionar. A forma sincera com que encara tudo é única e os mecanismos que encontra para fazer frente aos obstáculos que encontra impressionam.

É curioso pensar em como a mudança pode acontecer com tão pouco. Um acontecimento aleatório, um estranho que se torna amigo. A forma como a autora operou as alterações nesta protagonista fazem acreditar que Eleanor é real. As mudanças acontecem de forma lenta, requerem "gatilhos" que despoletam pequenas alterações, sendo que estas levam a um maior autoconhecimento e à noção de que é preciso ultrapassar certas barreiras. Adorei acompanhar o caminho que Eleanor percorreu, e confesso que gostaria de continuar. Afinal, percebe-se o que poderá acontecer, mas não há a certeza.

O desenrolar da narrativa está bem conseguido e deixa perceber que este livro foi muito bem pensado. Existe uma história de fundo muito forte, que, apesar de não ser logo apresentada, está latente a todo o momento. Pequenas pistas que são dadas ao longo da leitura permitem-nos construir o passado de Eleanor, mas as certezas só surgem no fim, despoletando emoções fortes. A história, tal como as relações e a transformação da própria Eleanor, é bastante orgânica, cativa e faz acreditar que poderia estar a acontecer agora, no mundo real.

De forma sensível, real, dura e até com sentido de humor, somos levados a conhecer o lado dos que ficam após um acontecimento terrível. É uma visão diferente, que nos faz pensar sobre as marcas que as más acções dos outros nos podem deixar. Esta é uma leitura que toca e que dificilmente será esquecida. Adorei "A Educação de Eleanor" e recomendo a todos os que gostam de personagens desafiantes e de histórias que chegam ao coração.

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Opinião: Viver Sem Ti (#2)

Título Original: After You (2015)
Autor: Jojo Moyes
Tradução: Ana Maria Chaves e Márcia Montenegro
ISBN: 9789720048851
Editora: Porto Editora (2016)

Sinopse: 

Como seguir em frente depois de se perder a pessoa amada?Como construir uma vida que valha a pena ser vivida? Louisa Clark já não é uma jovem banal a viver uma vida banal. O tempo que passou com Will Traynor transformou-a, sendo agora uma pessoa diferente que tem de enfrentar a vida sem ele. Quando um insólito acidente obriga Lou a regressar a casa dos pais, é impossível não sentir que está de volta ao ponto de partida. Lou sabe que precisa de um empurrão que a traga de novo à vida. E é assim que acaba por ir parar ao grupo de apoio Seguir em Frente, cujos membros partilham sentimentos, alegrias, frustrações e bolos intragáveis. Serão também eles que a levarão até Sam Fielding – um paramédico que trabalha entre a vida e a morte, e o único homem que talvez seja capaz de a compreender. Mas eis que uma personagem do passado de Will surge de repente e lhe altera todos os planos, lançando-a num futuro muito diferente…. Para Lou Clark, a vida depois de Will Traynor significa reaprender a apaixonar-se, com todos os riscos que isso implica. Em "Viver Sem Ti", Jojo Moyes traz-nos duas famílias, tão reais como a nossa, cujas alegrias e tristezas nos tocarão profundamente ao longo de uma história feita de surpresas.

Opinião:

Sabem quando lêem um livro que adoraram e depois descobrem que, afinal, há uma continuação? Conhecem aquele sentimento de, por um lado, existir um grande entusiasmo e, por outro, também haver algum receio de que a história de que tanto gostaram poder perder muita da beleza que tinha devido aos novos desenvolvimentos? Pois foi com este misto de emoções que iniciei a leitura de Viver Sem Ti. Assim que tive esta nova obra de Jojo Moyes nas mãos tive de a começara ler, mas não sem temer elo que iria acontecer. Mas deixem já que vos diga que, terminada a leitura, senti-me feliz e conquistada.

Tendo terminada a leitura de Viver Depois de Ti com um sorriso de uma sensação de esperança, apesar de toda a tristeza, foi com alguma desilusão que percebi o que tinha acontecido a Louisa imediatamente a seguir. Porém, não consegui deixar de pensar que tudo aquilo fazia sentido. A situação que ela atravessou não é fácil e coloca tudo em perspectiva. Felizmente, com o avançar da leitura, percebi que a autora estava a levar esta protagonista, que já conquistou um lugar de destaque, por um caminho de superação.

Não quero fazer grandes revelações sobre esta história, pois tem muitas surpresas que fazem ligação com o livro anterior. Posso, contudo, dizer-vos que a forma como a autora conseguiu recuperar uma trama que, à partida, já estava terminada, foi feita com grande mestria. Aquelas são as mesmas personagens de Viver Depois de Ti, os novos dramas que enfrentam fazem todo o sentido dentro desta sequência de eventos. Ao ler sobre estas figuras, senti que elas eram humanas, reais, tanto que facilmente as poderia encontrar na rua. Acredito que muitos dos leitores que viveram experiência idênticas conseguem, facilmente, encontrar semelhanças nestas personagens.

Louisa cativa imediatamente. É impossível não sentir a sua dor ou não compreender a sua dificuldade em quebrar barreiras e lutar por um futuro mais feliz. E apesar de ser ela a protagonista, é com agrado que constato que todas as outras personagens também têm bastante força. Afinal, todas enfrentam os seus próprios obstáculos. Todas estão à procura de um objectivo de vida ou, já o tendo definido, da forma como o podem alcançar. É tão fácil sentir empatia por isto. É tão simples observar para estas figuras e acreditar que elas estão lá fora, no mundo real, a lutar pela sua felicidade, tal como nós.

O desenrolar da trama está muito bem conseguido. Ao início, e tal como Louisa, senti o seu desânimo e vontade de perceber o que fazer a seguir. Senti saudades de Will, voltei a questionar as suas decisões e, com o decorrer da narrativa, comecei a ver a luz ao fundo do túnel. Algumas situações eram esperadas, é verdade, mas outras não o eram e ajudaram a tornar esta leitura viciante. Já mais perto do final, voltei a sentir alegria e a acreditar que o mundo tem beleza.

Viver Sem Ti é um livro que fala de luto e que, de uma forma surpreendente e inesperada, consegue estar ao mesmo nível que o anterior. Se ao início tinha receio de que a história de Louisa perdesse força, fiquei feliz por ver que a autora pensou muito bem no que iria acontecer a esta personagem e tivesse explorado isso de uma forma tão real e bela. Adorei este livro e acredito que as aventuras desta protagonista podem continuar. Afinal, ela já parece ser uma verdadeira amiga e, no mundo real, as histórias não terminam. Se gostaram do livro anterior, então não percam este.

Outras opiniões a livros de Jojo Moyes:
Viver Depois de Ti (#1)

domingo, 25 de setembro de 2016

Opinião: Viver Depois de Ti (#1)

Título Original: Me Before You (2012)
Autor: Jojo Moyes
Tradução: Ana Maria Chaves e Márcia Montenegro
ISBN: 9789720045775
Editora: Porto Editora (2013)

Sinopse: 

Lou Clark sabe muitas coisas. Sabe quantos passos deve dar entre a paragem do autocarro e a sua casa. Sabe que trabalha na casa de chá The Buttered Bun e sabe que não está apaixonada pelo namorado, Patrick. O que ela não sabe é que vai perder o emprego e que todas as suas certezas vão ser postas em causa.Will Traynor sabe que o acidente de motociclo lhe tirou o desejo de viver. Sabe que agora tudo lhe parece triste e inútil e sabe como pôr fim a este sofrimento. O que não sabe é que Lou vai irromper na sua vida com toda a energia e vontade de viver. E nenhum deles sabe que as suas vidas vão mudar para sempre. Em "Viver Depois de Ti", Jojo Moyes aborda um tema difícil e controverso com sensibilidade e realismo, obrigando-nos a refletir sobre o direito à liberdade de escolha e as suas consequências.

Opinião:

Já há muito que ouvia falar deste livro. Preferi não prestar atenção. Depois, surgiu uma adaptação cinematográfica e a euforia aumentou. Aí quis tentar perceber o que afinal causava tanto frenesim e decidi comprar o livro. Quando comecei a ler perguntei-me: "Porque não fiz isto mais cedo?". A história cativa imediatamente? Sim. Apaixonei-me pelas personagens? Sim. Ri e fiquei com as lágrimas nos olhos? Mais vezes do que aquelas que quero admitir. E porquê? Porque o livro é bom. Mesmo bom.

Gosto de romances, mas não daqueles que têm uma trama óbvia. Viver Depois de Ti tem alguns lugares comuns, sim, mas cativa rapidamente, surpreende e tem um final inesperado mas muito consistente. Gostei imediatamente de Louisa. Percebe-se logo que é uma jovem dona de um coração enorme, mas julgo que aquilo que mais me chamou a atenção nela foram pequenos pormenores que a tornavam mais real. Compreendi o seu egoísmo em diversas situações, a sua teimosia, percebi a dificuldade em entender os próprios sentimentos e a incapacidade de lutar por uma vida melhor devido à acomodação e falta de confiança. Por muitas vezes quis entrar na história e abaná-la, de modo a fazê-la correr atrás do que a poderia fazer feliz. Mas ao mesmo tempo pensava se não estaria eu na mesma situação que ela.

Will também é uma personagem complexa. Penso que, ao início, só senti simpatia por ele devido à situação em que se encontrava. Afinal, não se pode dizer que tenha uma personalidade adorável. Não tem. Mas à medida que a história ia avançando e que a ligação dele a Louisa ia aumentando, foi possível ver um outro lado deste homem. Consegui compreender perfeitamente a frustração e raiva que sentia a todo o momento e nem sequer consegui imaginar a dor que sofria, tanto física como psicológica. Jojo Moyes, a autora, consegue fazer-nos colocar no lugar nele e pensar no quanto uma situação daquelas nos poderia afetar.

A evolução de sentimentos é feita com subtileza e muita beleza. As personagens ainda não se aperceberam que estão unidas por algo mais forte e nós já estamos a sorrir. Porém, isto não acontece só entre Louisa e Will. As relações com personagens secundárias também estão construídas de forma atenta e perspicaz. A segurança cómoda e pouco entusiasmante com Patrick, por exemplo, fez sentido e transparece a atitude da protagonista perante todos os aspectos da sua vida. O receio perante Mrs. Traynor faz pensar no medo de Louisa lidar com o desconhecido e com aquilo que considera ser superior a ela. Contudo, é maravilhoso ver como ela acaba por ultrapassar tudo isso e crescer.

A certo ponto, o tema da eutanásia acaba por surgir e dominar toda a história, mesmo quando não está lá de forma evidente. A autora faz pensar sobre o valor da vida, sobre até que ponto vale lutar por ela, sobre a liberdade de escolha e sobre o sofrimento de ter a certeza de que nada vai melhorar. Ao mesmo tempo, Jojo Moyes dá-nos a visão de quem fica e tem de lidar com a decisão de um ente querido, mesmo que não se concorde com tal destino. Aqui, não é só a dor da perda que fica patente, mas também a dificuldade em aceitar que o seu amor e dedicação podem não ser suficientes para o outro. Uma lição muito dura.

 Escrito de forma belíssima, Viver Depois de Ti é um romance único que aborda temas difíceis com sensibilidade e até humor. Fico feliz por, finalmente, me ter convencido a pegar neste livro. Agora percebo o por que motivo ele era tão elogiado. Apresenta uma bonita história de amor, que foge ao que é comum e que se parece bastante com a vida real. Com personagens fortes e uma boa narrativa, é um livro que recomendo.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Opinião: Curiosidades do Vaticano

Autor: Luís Miguel Rocha
ISBN: 9789720048110
Editora: Porto Editora (2016)

Sinopse:

Autor bestseller do referencial The New York Times, Luís Miguel Rocha apaixonou milhares de leitores em todo o mundo, com histórias de intriga e mistério passadas no seio da Igreja Católica. Mas partiu demasiado cedo. Cumprindo a vontade do autor, a família e a Porto Editora anunciam a publicação, a 18 de fevereiro, de um livro inédito de não ficção da autoria de Luís Miguel Rocha, intitulado Curiosidades do Vaticano.Nesta obra, os leitores podem encontrar textos, parte deles publicadapelo autor na respetiva página no Facebook, sobre as mulheres que influenciaram os papas, o interior do Palácio Apostólico, o Papa implacável que transformou Roma, as forças de segurança do Vaticano, os Papas assassinados, a história do conclave e muitos outros temas.

Opinião:

Desde que me lembro que sinto uma grande curiosidade relativa à religião. A qualquer uma na verdade. Mas tendo em conta que sou cristã, tenho uma maior ligação com a Igreja Católica. Não vou falar sobre a minha fé, pois tal não é fácil colocar em palavras, mas sim nas muitas questões que sempre coloquei sobre a Igreja. Como tal, foi com grande entusiasmo que comecei a ler o livro póstumo de Luís Miguel Rocha, Curiosidades do Vaticano.

A obra consiste na compilação de textos que Luís Miguel Rocha foi publicando nas redes sociais, em forma de resposta às muitas questões que lhe chegavam, Afinal, o autor que fez vastas pesquisas sobre este tema tinha muitas informações para partilhar, mas também muitas curiosidades que saiba que iriam interessar aos seus fãs e leitores. O livro surgiu pois tanto a editora como os familiares de Luís Miguel Rocha sabiam que este era seu desejo publicar uma obra deste género. Infelizmente não viu tal a concretizar-se.

Cada capítulo é curto, possui informação direta, prende a atenção e possui um tom descontraído, muitas vezes bem-disposto e bem humorado. Como tal, quando dei por mim já estava praticamente a meio do livro. E a gostar bastante! É verdade que, em certos momentos, senti que queria saber ainda mais do que aquilo que o autor estava a dar, mas percebo que o objetivo era mesmo dar a conhecer algo, fazer-nos interessar por isso e criar em nós a vontade de saber mais. E afinal, se Luís Miguel Rocha tivesse exposto realmente tudo o que poderia sobre os assuntos que abordou, então estes textos teriam dado para vários volumes!

Gostei do facto de ter variados os temas entre aqueles que estão mais ligados à construção da cidade, à sua história, à arquitetura, à arte e às pessoas mais marcantes. Nunca visitei o Vaticano (e espero fazê-lo), por isso, durante a leitura, senti muitas vezes a vontade de ir pesquisar imagens para perceber melhor o que o autor estava a explicar. E no final fiquei com diversas notas de locais, monumentos e edifícios que não posso perder caso algum dia vá passear por este Estado.

Ao longo da leitura também foi possível perceber quais são as figuras pelas quais o autor nutria maior carinho ou respeito. Adorei a forma como falou de João Paulo I e, terminada a leitura, fiz várias pesquisas sobre este Papa. Confesso que mal conhecia Sisto V e agora não posso deixar de verificar o papel de grande importância que teve para a Igreja. E claro, sendo mulher, desejo sempre saber mais sobre as principais figuras femininas deste mundo de homens e de como elas conquistaram poder, e Luís Miguel Rocha conseguiu fazê-lo .

Gostei muito desta leitura, que me fez recordar várias informações e aprender muitas mais. Porém, gostaria que o trabalho de edição tivesse colmatado algumas questões temporais. Afinal, o autor publicou estes textos em redes sociais, o que fazia com que se referisse a momentos que estavam a acontecer. No livro, poderia haver uma nota com a data em que tal foi escrito. Além disso, por vezes só sabemos da época de algo que está a ser relatado se pesquisarmos o Papa que o autor mencionada, já que não existe nenhuma outra referência.

Curiosidades do Vaticano é um livro  que vai fazer as delícias de quem se interessa pelo tema. Tal como o autor avisa, não devemos confundir o Estado com a Igreja, mas não deixa de ser interessante verificar de que forma ambos estão ligados e de como também se distinguem. Um volume que, de certeza, vou guardar e reler daqui a uns tempos.

domingo, 19 de abril de 2015

Opinião: Dias de Sangue e Glória (Trilogia Entre Mundos)

Título original: Days of Blood and Starlight (2012)
Autor: Laini Taylor
Tradução: Elsa T. S. Vieira
ISBN: 9789720047373
Editora: Porto Editora (2015)

Sinopse:

Karou, antiga estudante de Arte, quimera revenante e aprendiz de ressurrecionista, tem finalmente as respostas que sempre procurou.
Sabe quem é − e o que é. Porém, com este conhecimento vem outra verdade que ela daria tudo para desfazer: amou o inimigo e foi traída, e um mundo inteiro sofreu por isso.
Agora, sacerdotisa de um castelo de areia numa terra de poeira e estrelas, profundamente só, Karou tenta recriar o universo do seu passado, contribuindo, com a sua dor e a sua mágoa, para a volta gloriosa das quimeras.
Porém, sem Akiva, e sem o seu sonho de amor partilhado, o caminho da esperança afigura-se impossível de trilhar.
Repleto de desgosto e beleza, segredos e escolhas impossíveis, Dias de Sangue e Glória encontra Karou e Akiva em lados opostos de uma guerra tão antiga como o tempo.

Opinião:

Quando terminei a leitura de A Quimera de Praga, desejei que o segundo volume desta trilogia não demorasse muito a chegar. Felizmente a Porto Editora parece ter ouvido as minhas preces e Dias de Sangue e Glória chegou mais rápido do que eu imaginei. Claro que assim que tive oportunidade peguei neste livro. E que bom foi voltar a esta trama entre mundos, onde quimeras e anjos não param de me surpreender.

A leitura deste livro começa cerca de um mês depois dos acontecimentos de A Quimera de Praga. Percebe-se que muito aconteceu entretanto, mas só com o decorrer da leitura é que percebemos o que foi e como isso alterou as motivações de algumas personagens, nomeadamente a protagonista. Não é fácil aceitar algumas das decisões de Karou e apesar de gostar muito desta personagem, a verdade é que por vezes ela seguiu rumos com os quais não concordei. Mas curiosamente, isso cria tensão e torna a leitura mais intensa.

Não quero condicionar a vossa experiência de leitura com revelações, por isso não vou escrever sobre as outras personagens em específico. Posso apenas adiantar que fiquei sempre na dúvida quanto ao desaparecimento de algumas, que fiquei intrigada quanto a algumas mudanças drásticas de atitudes, que não simpatizei nada com certas personagens, que adorei a forma como outras encontraram a compaixão, que fiquei emocionada com o aparecimento de outras, que me diverti com a ingenuidade de alguns e que me revoltei contra a maldade pura de certas figuras. No fim, percebe-se que Laini Taylor tem a capacidade de criar personagens fortes, profundas, intrigantes e que parecem reais. Quem me dera conhecer tantas destas figuras e nunca me vir a deparar com outras.

O desenrolar da acção pode parecer lento ao início, mas depois fica gradualmente rápido. Desta vez,é possível ficar a conhecer melhor quimeras e anjos, sendo que foi entre este último grupo que encontrei mais novidades. Para além de surgirem mais personagens dentro deste grupo, também é possível perceber a motivação final do líder de todos e ainda perceber que nem todos os anjos são o que aparentam. Além disso, adorei as referências a um outro grupo de anjos distantes, que espero vir a conhecer melhor no próximo livro.

E se em A Quimera de Praga, a certo ponto houve a sensação de que tudo iria voltar-se para o romance, Dias de Sangue e Glória mostra que a relação de Karou e Akiva é importante, mas que existe muito mais a explorar. E ainda bem que assim é. As batalhas entre os anjos e quimeras e mesmo os conflitos dentro de cada grupo prenderam-me a atenção. O romance é apenas mais uma componente de uma trama que tem muito mais por explorar.

Adoro a escrita de Laini Taylor. A autora consegue deixar em suspense durante toda a leitura. Adoro a forma como ela consegue guardar segredos e apenas desvendá-los em momentos certos. É impressionante como, por vezes, fui levada a pensar que algo iria acontecer para a autora, de repente, mudar de direcção e apontar um outro sentido. Se a história já é emocionante, este método torna tudo muito mais intenso e surpreendente.

O final é algo muito ansiado mas ao mesmo tempo contrário ao que era desejado. Confuso? Pode ser, mas também é verdade. Claro que fica muito para resolver e, como seria de esperar, claro que eu quero que o último volume desta trilogia chegue depressa. Laini Taylor conquistou-me e eu mal posso esperar para saber como vai encerrar esta história. Recomendo!

Outras opiniões a livros de Laini Taylor:
A Quimera de Praga (Trilogia Entre Mundos #1)

sábado, 4 de abril de 2015

Opinião: Quatro - Histórias da Série Divergente


Autor: Veronica Roth
Título Original: Four - A Divergent Collection (2014)
Tradução: Alcinda Marinho
ISBN: 9789720047250
Editora: Porto Editora (2015)

Sinopse: 

Para os fãs da saga «Divergente», pela autora bestseller do New York Times Veronica Roth, surge "Quatro", um volume complementar que inclui 4 novas histórias anteriores à narrativa principal e 3 cenas exclusivas de «Divergente» – todas contadas do ponto de vista de Tobias Eaton.Lidas em conjunto, estas histórias iluminam segredos obscuros da vida de Tobias e acompanham o seu processo de integração na fação Intrépidos. Finalmente, fornecem em primeira mão momentos privilegiados entre os protagonistas da saga.

Opinião:

É sempre bom voltar a um universo que me cativou e ao qual pensava que não iria retornar. Como se pode ver na minhas opiniões, eu gostei bastante da trilogia Divergente, de Veronica Roth, que já chegou à sua conclusão. Contudo, perante o sucesso destes livros, a autora teve a oportunidade de pegar em alguns rascunhos antigos e oferecer uma imagem mais próxima de uma das personagens mais amadas: Quatro.

Apesar de achar que esta série é muito boa quer pela história que conta, quer pelas muitas mensagens que podem ser transportas para a nossa realidade ou pelas suas personagens marcantes, a verdade é que estava um pouco reticente antes de iniciar a leitura de Quatro - Histórias da Série Divergente. Afinal, achei que a conclusão da trilogia estava muito boa e tinha que receio que mais um livro pudesse ser um exagero. Não sabia o que esperar destas páginas e não queria que fosse um "recontar" tudo o que já sei por outro ponto de vista.

Não li a sinopse do livro, por isso só quando o comecei a ler é que percebi que se tratava de um conjunto de quatro contos mais o recontar de três cenas que se passaram no primeiro volume da trilogia. Confesso que, de toda a leitura, gostei mais dos três primeiros contos, pois passam-se num período anterior à escolha de Tris de ir para os Intrépidos.

Não é que estes contos tragam novas informações. Não trazem, pois tudo o que neles é relatado já tinha sido desvendado ao longo da leitura da trilogia. Contudo, gostei bastante de acompanhar a evolução de Quatro, que passou de menino frágil dos Abnegados a grande promessa nos Intrépidos. A dificuldade da Escolha, a integração na nova facção, a aceitação de quem ele é e a descoberta de tantos segredos obscuros fazem acreditar que esta personagem é real. Não admira que, no início, Veronica Roth o tenha escolhido como seu protagonista, tendo trocado Quatro por Tris mais tarde.

Nestas páginas, Quatro deixa de ser o instrutor que parece saber sempre o que está a fazer para ser um rapaz que nunca deixou de procurar o seu lugar na sociedade e que deseja o bem comum. O sofrimento por que passou torna-o numa pessoa mais forte e mais atenta às necessidades dos outros, o que faz com que seja fácil gostar dele.

Quanto aos momentos que são recontados, eles trazem uma leve sensação de nostalgia. Afinal, já sabia o que iria acontecer pois já os tinha lido, mas gostei de perceber que também Quatro tinha tantas inseguranças quando estava a lidar com os seus alunos e principalmente com Tris. Vê-la aos olhos dele é perceber que a paixão foi imediata.

Esta não é uma leitura marcante, mas proporciona momentos agradáveis, para além de que acabou por me fazer sentir mais próxima de mais personagens e mais conhecedora deste universo. Contudo, senti que alguns momentos pecaram pela falta de coerência. Por exemplo, há um conto onde é dito que é Marcus quem sempre cortou o cabelo ao filho, para num outro conto ser referido que cortar o cabelo foi algo que ele sempre fez sozinho. Pormenores que causam estranheza.

Quatro - Histórias da Série Divergente é o livro que os fãs da trilogia vão querer ler. Não tem novidades ou grandes dados novos, mas vão ver que vai saber bem voltar a um local que tantas emoções provocou e tanto cativou.

Outras opiniões a livros de Veronica Roth:
Divergente (Divergente #1)
Insurgente (Divergente #2)
Convergente (Divergente #3)

domingo, 15 de março de 2015

Opinião: A Quimera de Praga (Trilogia Entre Mundos #1)

Título original: Daughter of Smoke and Bone (2011)
Autor: Laini Taylor
Tradução: Elsa T. S. Vieira
ISBN: 9789720044273
Editora: Porto Editora (2015)

Sinopse:

Pelos quatro cantos do mundo, marcas de mãos negras começam a aparecer nas portas, gravadas a fogo por estranhos seres alados, saídos de uma fenda no céu.
Numa loja escura e empoeirada, o abastecimento de dentes humanos de um demónio começa a ficar perigosamente reduzido. E nas ruelas labirínticas de Praga, uma jovem está prestes a embarcar numa jornada sem retorno.
O seu nome é Karou. Karou não sabe quem é, nem porque vive dividida entre o mundo humano e a sua família de demónios, mas crê que as respostas podem estar para lá de uma porta nos recantos sombrios de uma loja, ou no confronto com um completo desconhecido, de olhar abrasador e aparência divina - o anjo que queimou as entradas para o seu mundo, deixando-a só.

Opinião:

Existem livros que revelam ser especiais logo nas primeiras páginas. A Quimera de Praga é um deles. Assim que comecei a ler percebi que esta era uma história que me iria agarrar. Felizmente tal aconteceu e, até à última página, estive sempre em suspense, preparada para ser surpreendida, para descobrir mais sobre este mundo, para conhecer melhor estas personagens deliciosas, para me deixar levar por toda a fantasia e mitologia envolvente.

A escrita de Laini Taylor cativou-me de imediato. A autora consegue transmitir mistério, encantamento, beleza, solidão e até nostalgia de uma forma bastante própria e cativante. Isto tornava o desenrolar da narrativa mais rico e fazia-me sentir que estava lá, a assistir de perto a todos os acontecimentos. As descrições também estão muito bem conseguidas e fizeram ficar com uma enorme vontade de visitar Praga (ah, mas aí seria uma maldita turista...dilemas, dilemas).

Adorei a protagonista. Karou é uma rapariga maravilhosa! As diferenças físicas que apresenta nem se comparam às suas peculiaridades da sua personalidade. Ao início parece ser alguém que recusa aproximar-se dos outros, mas depois percebe-se que ela, ciente de que é diferente, apenas procura aceitação e um lugar onde se sinta completa. Os seus desejos, as revoltas ingénuas e até  as pequenas vinganças associadas a todas as inseguranças e ao amor incondicional que nutre por certas personagens tornam-na mais real aos meus olhos, interessante e complexa.

O contraste entre os dois mundos entre os quais Karou se divide é delicioso. Fiquei fã das quimeras, seres tão invulgares e até grotescos que acabam por ser também belos. A sensação permanente de que há muitos segredos entre estes seres, as muitas dúvidas sobre os seus objectivos e o verdadeiro motivo para a ligação destes com Karou foram questões que nunca me abandonaram. Felizmente, estas suas respondidas.

Podemos dividir este livro em duas partes: a primeira onde desejei descobrir o que estava por trás de todos os segredos, e a segunda, quando finalmente chegam as explicações. Confesso que tinha algumas ideias sobre o que poderia estar a ser escondido, mas nunca imaginei até onde a autora me estava a levar. Conhecer o outro lado da trama foi simplesmente mágico, forte e muito bonito.

E se é verdade que adorei esta leitura, também é verdade que houve alguns aspectos que não foram tão bons quanto poderiam ter sido. Apesar da trama estar muito bem construída e de a autora conseguir manter sempre a sensação de mistério, acontece que também existem alguns clichés que se tivessem sido desenvolvidos de uma outra forma teriam engrandecido o valor desta trama. Mas tudo o resto é tão bom que até isso é perdoado.

Estou rendida a este livro. A história é maravilhosa mas os sentimentos que transmite também têm bastante valor. No final, claro, ficou a vontade de pegar logo no volume que se segue. Fica então o desejo para que a Porto Editora não demore a publicar os próximos dois volumes desta trilogia. Até lá vou desesperar. Ainda têm dúvidas de que recomendo? É que recomendo!

terça-feira, 15 de julho de 2014

Opinião: Os Regressados

Título original: The Returned (2013)
Autor: Jason Mott
Tradutor: Teresa Pinheiro
ISBN: 9789720045980
Editora: Porto Editora (2014)

Sinopse:

Nada na vida é certo. Nem mesmo a morte.
Para Harold e Lucille Hargrave, o mundo parece ter voltado a girar sem o filho, décadas depois da sua trágica morte, ao oitavo aniversário. Até que um dia Jacob reaparece misteriosamente à porta de casa - em carne e osso, tal como no dia em que morreu.
Um pouco por todo o lado, os entes queridos de milhões de pessoas começam a regressar da morte, sem ninguém saber como ou por que motivo isso acontece. Será um milagre ou algo mais assustador?
À medida que o caos emerge no mundo inteiro, a família Hargrave reencontra-se no centro de uma comunidade à beira do abismo, obrigada a lidar com uma realidade nova e misteriosa que ameaça desvendar a verdadeira essência da natureza humana.
Numa prosa elegante e profundamente emotiva, Os Regressados - romance de sucesso instantâneo nos principais tops de ficção contemporânea - é uma história inesquecível e hipnotizante que promete conquistar o mundo.

Opinião:

O conceito principal desta história atraiu-me. O que aconteceria se os mortos voltassem? Ora aqui está uma pergunta que poderia dar origem a horas de conversa e à escrita de centenas de páginas. Jason Mott conseguiu explorar esta ideia através de diferentes pontos de vista em Os Regressados.

O primeiro capítulo consegue agarrar e atrair para a leitura. A ideia de um casal idoso e com uma relação marcada pela dor ser confrontado com o regresso do filho que morreu quando tinha oito anos é algo que choca. Mas mais impressionante, foram as diferentes reações de Harold e Lucille, o que deixou logo em claro a capacidade de Jason Mott para desenvolver personalidades. Nestas primeiras páginas, o autor leva-nos a pensar que nós nunca sabemos como vamos reagir perante certas situações, mesmo quando acreditamos piamente que sim.

As personagens são o foco desta leitura. As que mais me cativaram foram as do lado dos vivos, muito devido à forma como cada uma enfrentou este fenómeno anti-natura.A aceitação, a negação, a revolta, a alegria, a dor e o medo foram os sentimentos mais evidentes. O confronto entre estas figuras deram origem aos momentos mais interessantes de toda a leitura. Por outro lado, os mortos regressados, não me conseguiram cativar. Penso que tal aconteceu por ser essa a intenção do autor, que fez destas personagens sombras daquilo que elas deveriam ter sido e, por isso, não as apresentou e desenvolveu da mesma forma que fez com os vivos. Porém, isso fez com que o livro não atingisse o nível que esperava.

O agente Bellamy foi uma das personagens que mais me intrigou e no final fiquei um pouco triste por não ter chegado a uma conclusão concreta sobre ele. Percebe-se que é um homem bom e uma revelação mais perto do fim dá-lhe uma outra dimensão, mas a verdade é que poderia ter sido muito mais forte do que aquilo que foi. Em toda a leitura tive a sensação de que da parte de Bellamy iria surgir algo fantástico, mas tal nunca aconteceu.

Este é um livro bem escrito e que li a um ritmo rápido, apesar de não me ter cativado por completo. A trama parece-me demasiado básica e não houve um único acontecimento que me tivesse impressionado. Gostaria de ter visto uma reviravoltas  mais surpreendentes e emotivas ao longo da leitura. Contudo, adorei o intercalar de capítulos com pequenas histórias de regressados. Esses momentos intensificaram a ideia de grande quantidade de mortos que voltaram à vida, para além de que é o único momento em que é possível ver o ponto de vista deles.

A conclusão de Os Regressados possuí beleza e tristeza. Faz pensar sobre as diferentes formas e fases do luto, para além de que prova que este não é um livro sobre morte mas sobre vida. Jason Mott apresenta um romance de estreia que possui uma boa ideia base, que possui falhas mas que não deixa de marcar, de alguma forma, o leitor.

sexta-feira, 20 de junho de 2014

Opinião: A Viagem do Tigre (Saga do Tigre #3)

Autor: Colleen Houck
Título Original: Tiger's Voyage (2011)
Tradução: Salvador Guerra
ISBN: 9789720046383
Editora: Porto Editora (2014)

Sinopse:

A guerra com o malvado Lokesh parece estar a atravessar uma pausa momentânea, algo de que Kelsey Hayes necessita desesperadamente. No entanto, outras batalhas – as do coração – divisam-se no seu caminho: Ren, o belíssimo príncipe indiano por quem se apaixonou, não se recorda dela; e o irmão dele, Kishan, igualmente maravilhoso e sedutor, tenta conquistar-lhe o coração.
Na busca de mais um magnífico talismã que lhe permita romper a terrível maldição, Kelsey terá de enfrentar não apenas cinco dragões míticos como também os seus próprios sentimentos. No fim, qual será a sua escolha?

Opinião:

A minha leitura da Saga do Tigre não está a ser coerente. Depois de ter ficado bem impressionada com A Maldição do Tigre e satisfeita com O Resgate do Tigre, acabei por ficar desiludida com A Viagem do Tigre. A razão para tal ter acontecido está relacionada com o facto de os aspectos que menos apreciei nos volumes anteriores terem ganhado uma grande relevância e terem-se tornado nos temas principais da leitura enquanto os que mais gostei terem sido descurados e lançados para um plano de fundo.

Para começar, confesso que ao longo da leitura perdi a paciência para as personagens deste livro. Kelsey, a protagonista, é apresentada como demasiado perfeita. As descrições dela mostram que é bonita, inteligente, corajosa, altruísta e modesta. Contudo, ao longo da leitura, percebi que não lhe consigo ver essas características. Para mim, Kelsey é egocêntrica, pois está sempre a pensar nela, nos seus desejos, naquilo que a faz feliz e não consegue tomar decisões pois não quer rejeitar nenhuma das suas opções. Kelsey é tonta, envolve-se em situações onde tem que ser salva. Por alguma razão, toda a gente gosta de Kelsey e trata-a como se fosse uma princesa e eu não consigo perceber a razão disso (diziam sempre que ela era bonita, como se ser belo fosse razão para tanta devoção). Kelsey é irritante e eu detestei que a história fosse contada sob o seu ponto de vista, pois a cada página tinha de ler o quanto ela estava indecisa entre os dois irmãos, o que quebrava a emoção de situações prometedoras.

Nos dois volumes anteriores, tinha gostado dos irmãos tigres. Agora, tive dificuldade em os distinguir em muitas situações. A razão? Eles serem os dois completamente obcecados, devotos e apaixonados por Kelsey. Isto fez com que as suas reações, diálogos e características se tornassem demasiado semelhantes em muitos momentos. A certo ponto, percebi que aquilo que os distinguia era o aspecto físico, o passado e o que simbolizam para Kelsey. Ren é o risco, a paixão, o incerto enquanto Kishan é o porto seguro, o conforto e a estabilidade. Também eles se tornaram uma desilusão, muito por viverem para agradar Kelsey e por estarem constantemente a colocá-la num altar.

Tendo eu tantos problemas com as três personagens com maior relevância, foi com uma grande decepção que percebi que todo este livro é baseado no triângulo amoroso e nas indecisões de Kelsey. O facto de a narração ser feita no ponto de vista da protagonista faz com que a cada página sejam expostas as suas dúvidas quanto a qual dos dois irmãos ela deverá escolher. Não consegui perceber estas questões e elas só me levaram a gostar ainda menos de Kelsey. Não percebi a pressa dela em escolher, afinal, não seria melhor só se preocupar com isso após quebrar a maldição dos irmãos? É que colocar os dois rapazes em posição de confronto não é bom para um grupo que está numa suposta missão perigosa! Depois, já estava farta das passagens em que ela expõe o quanto gosta de cada um, em que recorda o que passou com cada um e em que diz o que não sabe que fazer, pois elas apareciam praticamente em todas as páginas do livro! Para além do mais, o foco nas relações entre Kelseu, Ren e Kishan faz com que os momentos de acção e as aventuras sejam apresentados como um plano de fundo.

Para além de não ter gostado nada da dinâmica entre as três personagens principais, uma vez que toda ela era baseado no quanto os irmãos gostam de Kelsey e no quanto Kelsey está indecisa, também fiquei desagrada com outras figuras. O grande vilão encontrou novos objetivos, e deixem que vos diga que estes são completamente ridículos. Mr. Kadam, que via como uma figura paternal, era o único elemento que focava-se na investigação e, por isso, quando aparecia, era para anunciar que descobriu o que todos deveriam fazer a seguir (o que nos deixa sem saber como ele lá chegou) ou para dar umas palmadinhas nas costas de Kelsey e dizer que ela é uma boa menina. Wes é uma personagem nova, tem um toque divertido, mas peca por bajular Kelsey sem ter qualquer motivo para tal.

O que acabou por salvar (se é que posso usar o verbo "salvar") este livro acabou por ser os aspectos que mais gostei nos volumes anteriores: o misticismo. Gostei do facto de a autora ter voltado a inserir outras componentes do foclore indiano, apesar de estas se terem adaptado à sua imaginação, e apreciei a inserção de características culturais e lendas da China, nomeadamente no que toca aos cinco dragões. E se a ideia dos dragões muito entusiasmou ao início, quando concretizada soube a pouco. Isto porque o facto de a autora focar a narrativa no triângulo amoroso acabou por fazer com que o contacto entre Kelsey e os irmãos tigres com estas figuras mitológicas fosse fugaz, pouco desenvolvido e demasiado rápido. Achei ainda que a autora não conseguiu concretizar bem a ideia de dar uma personalidade distinta a cada dragão, pois a rapidez com que eles são apresentados faz com que pareçam superficiais, básicos e não criaturas antigas e dotadas de magia e encantamento.

A Viagem do Tigre não foi um livro cuja leitura me tivesse entusiasmado e ficou muito aquém dos volumes anteriores. As personagens não apresentam evolução sendo que, pelo contrário, parecem estar a tornar-se básicas e supérfluas, o foco da narrativa é aborrecido e as grandes aventuras não transmitem emoção. Fico com a ideia de que a qualidade dos livros desta saga está a decair, o que me deixa na dúvida de se devo continuar ou não a apostar nela. Afinal, a parte mítica continua a atrair-me, mas tal não faz com que este livro deixe de ser uma desilusão.

quinta-feira, 10 de abril de 2014

Opinião: Convergente (Divergente #3)

Autor: Veronica Roth
Título Original: Allegiant (2013)
Tradução: Alcinda Marinho
ISBN: 9789720043832
Editora: Porto Editora (2014)

Sinopse: 

A sociedade de fações em que Tris Prior acreditava está destruída – dilacerada por atos de violência e lutas de poder, e marcada para sempre pela perda e pela traição. Assim, quando lhe é oferecida a oportunidade de explorar o mundo para além dos limites que conhece, Tris aceita o desafio. Talvez ela e Tobias possam encontrar, do outro lado da barreira, uma vida mais simples, livre de mentiras complicadas, lealdades confusas e memórias dolorosas.Mas a nova realidade de Tris é ainda mais assustadora do que a que deixou para trás. As descobertas recentes revelam-se vazias de sentido, e a angústia que geram altera as vontades daqueles que mais ama. Uma vez mais, Tris tem de lutar para compreender as complexidades da natureza humana ao mesmo tempo que enfrenta escolhas impossíveis de coragem, lealdade, sacrifício e amor.Alternando as perspetivas de Tris e Quatro, "Convergente", encerra de forma poderosa a série que cativou milhões de leitores em todo o mundo, revelando por fim os segredos do universo Divergente.

Opinião:

Conclusão da trilogia "Divergente", foi com curiosidade que iniciei a leitura de Convergente.A acção deste livro é iniciada no momento em que Insurgente, o segundo volume, terminou, o que deixa no leitor a sensação de que não deixou escapar nada da história. Neste volume, logo se percebe uma grande novidade: se os dois anteriores foram totalmente relatados na primeira pessoa por Tris, este também apresentada capítulos que incidem em Tobias (Quatro). Este facto é de grande relevância já que não só dá a conhecer mais intimamente outra personagem como ainda fornece uma visão mais alargada dos acontecimentos.

Logo no início fiquei com a sensação de que nos primeiros livros a autora deu-nos a conhecer apenas um aquário. Em Convergente é apresentado o oceano. As personagens que acompanhámos até aqui estavam confinadas a um espaço limitado e eram muitas as dúvidas sobre o que acontecia para lá dos limites da cidade que habitavam. Sendo este mistério desvendado, percebe-se que se está perante um mundo muito maior e mais complexo do que aquilo que inicialmente se imaginava e isso é um choque para as personagens e para os leitores. É preciso assimilar mais informação e é através dela que a razão de a sociedade de Tris ser como é. Isso está muito bem conseguido.

A relação das personagens com esta nova realidade é também interessante. Pode-se observar diferentes tipos de reacções, mas o mais interessante é que o crescimento de todas elas é bastante evidente. Tris continua a ser a jovem corajosa e apaixonada que conhecemos no primeiro volume, mas está mais dura e desconfiada, o que é resultado do tudo o que viveu. Tobias, que no início parecia um jovem imbatível e muito sagaz, acaba por se revelar mais inseguro do que sugeria. E é ainda de salientar que muitas das figuras que eram tidas como "boas" e "más" acabam por se revelar mais do que isso, o que confere um aspecto mais humano a cada uma.

Uma das minhas grandes críticas aos livros anteriores desta trilogia, consistia no grande foco que era dado à história de amor entre Tris e Tobias, que eu considerava superficial, em detrimento das grandes modificações que estavam a acontecer naquela sociedade. Neste volume, tal foi ultrapassado. O romance de Tris e Tobias, apesar de ainda levemente imaturo, parece-me mais forte e consistente e foi bastante bom ver que este assunto não foi tratado como um ponto fundamental da trama. Sim, é importante, mas tudo o que estava a acontecer era ainda mais.

A acção, contudo, não apresentou sempre o mesmo ritmo. Ao início é frenética e é quase difícil largar o livro graças às novidades e aos acontecimentos que não param de suceder. Depois, assiste-se a uma paragem, um abrandamento, que pode ser justificado por alguma passividade ou introspecção das personagens, mas que pode acabar por dar origem a momentos menos apelativos. Já perto do final tudo parece voltar a acontecer rapidamente e num ápice estamos a ler a última página do livro.

O final é surpreendente. Confesso que fiquei bastante agradada com este desfecho, pois vai ao encontro das mensagens que foram sendo enviadas ao longo de toda a trilogia. Assiste-se a redenção, sacrifício e perdão, o que acaba por dar mais força a tudo o que aconteceu anteriormente. Apesar de eu ter ficado bastante satisfeita, aviso que os leitores que preferem histórias com finais felizes e perfeitos poderão ficar desiludidos.

Convergente é o livro da trilogia que mais apreciei. Os segredos que até então existiram foram desvendados de uma forma plausível, as personagens apresentaram evolução e o desfecho conseguiu surpreender e agradar. Veronica Roth conseguiu ainda manter-se fiel à mensagem que sempre tentou transmitir e deu provas de que a redenção e o sacrifício são essenciais para a mudança.

Outras opiniões a livros de Veronica Roth:
Divergente (Divergente #1)
Insurgente (Divergente #2)

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Opinião: O Resgate do Tigre (Saga do Tigre #2)

Título original: Tiger's Quest (2011)
Autores: Colleen Houck
Tradução: Raquel Lopes
ISBN: 9789720044341
Editora: Porto Editora (2013)

Sinopse:

Kelsey Hayes jamais poderia imaginar que as férias de verão dos seus dezoito anos lhe trariam experiências tão arrebatadoras. Depois de ter descoberto que Ren, o tigre branco a que tanto se afeiçoara no circo onde trabalhou, era um príncipe indiano e de o ter acompanhado à sua terra natal para o ajudar a quebrar uma maldição secular, regressa a casa, disposta a começar a faculdadee esquecê-lo. Todavia, depressa percebe que não vai ser fácil e, quando Ren é capturado, Kelsey ver-se-á obrigada a regressar à Índia para completar mais uma tarefa imposta por uma profecia antiga e descobrir uma forma de o salvar. Para isso, precisará da ajuda de Kishan, o irmão de Ren. Serão eles capazes de o resgatar e devolver a Ren a sua humanidade?
Depois de A Maldição do Tigre, O Resgate do Tigre leva mais longe uma saga inesquecível, que já conquistou em todo o mundo os fãs da literatura fantástica.

Opinião:

O Resgate do Tigre é a continuação do livro A Maldição Tigre. Depois de, no primeiro volume, ter ficado deslumbrada com as descrições referente à Índia e entusiasmada com as muitas aventuras que foram vividas, foi com expetativa que iniciei a leitura deste volume.

Ao início, existe um regresso aos Estados Unidos da América e a primeira coisa em que reparei foi no aumento do teor romântico na narrativa. Enquanto no primeiro existiam uma série de sentimentos contraditórios por parte de Kelsey, a protagonista, agora está tudo mais evidente. Como tal, a trama tornou-se muito direcionada para as questões do coração, tornando-se, em certos momentos, demasiado "lamechas" e aborrecida. O aumento do número de pretendentes da heroína pareceu-me exagerado e até despropositado.

Contudo, as aventuras logo regressam e somos, novamente, transportados para a mística Índia. As descrições voltam a encantar para além de que recebemos mais informações sobre a profecia que atormenta as vidas de Ren e Kishan. A exploração de lendas e mitos tanto da Índia como de outras partes do mundo são grandes atrativos. Gostei de ver como certos elementos tidos como imaginários entraram na trama, de uma forma natural e apelativa.

As circunstâncias da ação levam Kelsey a aproximar-se mais de Kishan. E se a primeira perde um pouco do interesse que suscitava no primeiro volume, o segundo revela-se uma personagem mais completa e cativante. Gostei da forma como este príncipe indiano começou a ultrapassar as suas fraquezas e de como ele disfarçava a tristeza e angústia. Se no primeiro volume a autora levou as leitoras a ficarem rendidas a Ren, agora é a vez de Kishan mostrar o que tem de melhor. Há aqui uma clara tentativa de dividir opiniões e, apesar de apreciar os dois intervenientes masculinos, a verdade é que preferia que este triângulo não tivesse o peso que está a ter na história.

Outro ponto que também gostei de ver mais explorado, foi o lado do vilão, Lokesh. Existe um aproximar da sua pessoa e intuitos, mas a forma como tal foi feito pode não ter sido a melhor. Afinal, o momento do grande confronto foi apresentado de forma muito breve. De um momento para o outro acontece de tudo e quem lê pode não entender como chegou ali. A autora preferiu explicar como tudo aconteceu num diálogo rápido e que faz perder grande parte da emoção do momento.

No final, surgem ainda mais dúvidas e a tarefa permanece incompleta (o que não é surpresa, afinal a saga é composta por cinco livros). Se me senti presa ao primeiro volume, o mesmo não posso dizer sobre este. Porém, fico na expetativa de ler o próximo livro e de perceber o que mais está aguardado para estas personagens.

Outras opiniões a livros de Colleen Houck:
A Maldição do Tigre (A Saga do Tigre #1)

sábado, 18 de maio de 2013

Opinião: Insurgente (Divergente #2)

Autor: Veronica Roth
Título Original: Insurgent (2013)
Tradução: Pedro Garcia Rosado
ISBN: 9789720043825
Editora: Porto Editora (2013)

Sinopse:

A tua escolha pode transformar-te - ou destruir-te. Mas qualquer escolha implica consequências, e à medida que as várias fações começam a insurgir-se, Tris Prior precisa de continuar a lutar pelos que ama - e por ela própria.
O dia da iniciação de Tris devia ter sido marcado pela celebração com a fação escolhida. No entanto, o dia termina da pior forma possível. À medida que o conflito entre as diferentes fações e as ideologias de cada uma se agita, a guerra parece ser inevitável. Escolher é cada vez mais incontornável... e fatal.
Transformada pelas próprias decisões mas ainda assombrada pela dor e pela culpa, Tris terá de aceitar em pleno o seu estatuto de Divergente, mesmo que não compreenda completamente o que poderá vir a perder.
A muito esperada continuação da saga Divergente volta a impressionar os fãs, com um enredo pleno de reviravoltas, romance e desilusões amorosas, e uma maravilhosa reflexão sobre a natureza humana.


Opinião:

Insurgente começa a relatar os acontecimentos no momento em que Divergente terminou. Destre modo, Veronica Roth faz uma ligação direta entre as duas obras, o que nos permite não perder um momento desta distopia protagonizada por Tris Prior.

A narrativa volta a ser feita na primeira pessoa, o que nos permite continuar a ter acesso aos pensamentos de Tris. As suas dúvidas, emoções, frustrações, medos e esperanças continuam a permitir a empatia entre personagem e leitor, nomeadamente nas questões relacionadas com os seus progenitores e na procura da verdade que estes tentavam desvendar à população em geral. Em contrapartida, o relacionamento de Tris com Tobias é aborrecido e pouco credível.

Trise Tobias parecem ter uma união demasiado superficial que apenas existe devido a uma atração ligada às dificuldades que ambos atravessam. Durante a leitura, foi-me difícil torcer por este casal e considero as passagens em que Tris se movimenta sozinha mais interessantes daquelas em que se encontra acompanhada do seu namorado.

Tobias provavelmente funcionaria melhor como personagem isolada. É possuidor de uma grande profundidade, mas quando ligado a Tris tal não funciona e parece até mais jovem do que é suposto.

Quanto às outras personagens que são apresentadas ao longo da trama, não consegui estabelecer ligação com elas. Penso que a autora quis mostrar um vasto leque de personalidades, quis que os leitores as apreciassem e depois decidiu dar fins trágicos a algumas, como forma de chocar e mostrar a crueldade deste mundo. Eu não fiquei surpreendida com tal.

Divergente é um livro repleto de ação. Os acontecimentos sucedessem de forma desenfreada e, apesar de serem cruciais para o momento final e de fornecerem informação de grande interesse, parecem não possuir fortes elos de ligação. Deste modo, chegou um momento em que senti que saltava de situação em situação sem perceber ao certo como tal acontecia.

Destaco os momentos em que Tris entre nas sedes de outras fações. Quem, como eu, ficou aliciado no primeiro livro desta trilogia com o conceito das diferente fações de certeza vai adorar perceber como estas funcionam a nível interno e, tal como Tris, vai ansiar descobrir a verdade que tantos morreram por proteger e pela qual tantos lutam para destruir.

"Como um animal selvagem a verdade é demasiado poderosa para ficar presa numa jaula."

Ao aproximar-se de pessoas distintas, Tris percebe as motivações de cada um. Neste campo, é com interesse ver a forma como a autora mostra que cada uma destas personagens julga estar a fazer o melhor para o bem comum.

O final revela-se surpreendente e faz ansiar pela leitura do próximo volume, de modo a ser possível continuar a desvendar este mundo. Aconselho aos fãs de distopias.

Nota:
A publicação do último livro desta trilogia já foi anunciada para finais de outubro deste ano, com o título Allegiant (ver capa original aqui). A versão portuguesa deverá chegar em 2014.

Outras opiniões a livros de Veronica Roth:
Divergente (Divergente #1)

domingo, 24 de fevereiro de 2013

Opinião: A Lenda de Sapphique

Título Original: Sapphique (2008)
Autor: Catherine Fisher
Tradutor: Mário Dias Correia
ISBN: 9789720045843
Editora: Porto Editora (2013)

Sinopse:

Ele foi o único que escapou. Agora tem o poder de os salvar… ou destruir.

Finn conseguiu fugir de Incarceron, a terrível prisão viva e o único lar de que tem memória, mas a liberdade está longe de ser o que imaginava…


Cláudia acredita que, se Finn reclamar o direito ao trono do Reino, será capaz de libertar Keiro da temível prisão; mas o Exterior não é o paraíso idílico com que Finn sonhava e o jovem vê-se subitamente prisioneiro de um obscuro jogo de intrigas e mentiras, que adia os seus planos. 


Entretanto, na obscuridade de Incarceron, os prisioneiros falam de um homem lendário – Sapphique, o único que conhece os segredos e o único capaz de destruir a prisão. São inúmeras as histórias sobre as suas façanhas, mas haverá alguma verdade nelas? Será que ele existe mesmo? Dentro e fora, todos aspiram à liberdade… como Sapphique.


Opinião:

A Lenda de Sapphique marca o fim da saga de Catherine Fisher iniciada com Incarceron. Confesso-vos desde já que enquanto o primeiro livro me desiludiu este surpreendeu-me pela positiva.

Neste volume, voltamos a acompanhar as personagens que foram dadas a conhecer no livro anterior, num ambiente repleto de mistério e muitos momentos de ação. Voltamos a saber o que está a acontecer dentro e fora da prisão, mas desta vez sente-se que tudo está a caminhar num ritmo certo para uma conclusão.

Se o primeiro volume perdeu-se em descrições e  momentos que pareciam desnecessários, este possui uma narrativa fluída e cativante, que agarra desde a primeira página e que nos faz ter um desejo cada vez maior de ficar finalmente a conhecer a natureza desta estranha sociedade.

As próprias personagens ganharam um desenvolvimento mais interessante e que as faz parecer mais reais. Gostei de ver os conflitos interiores de Finn fora da prisão e de conhecer melhor as motivações de Attia. Contudo, a figura mais interessante desta obra acaba mesmo por ser Jared, o frágil e perspicaz mestre Sapiente que se coloca em risco por um bem maior.

E se no livro anterior a prisão já nos tinha sido apresentada como uma personagem, com este volume essa ideia ganha uma maior força. A cruel prisão acaba por se revelar uma prisioneira em si, muito graças aos desejos que lhe foram fornecidos pelos seus criadores. É um instrumento de repressão com personalidade e sonhos próprios. Solitária e incompreendida, acaba por entrar numa espiral de loucura bastante humana, onde o abuso de poder é a única arma que possui para combater as suas fraquezas. Aqui fica ciente a reflexão sobre a forma como são feitos os avanços tecnológicos e o receio de a máquina se voltar contra o Homem.

Apreciei as dúvidas constantes sobre a personagem de Sapphique. Realidade, lenda ou mito, esta figura surge como fonte de esperança, apesar de não surgir na forma esperada. Sapphique tornou-se num dos maiores mistérios, sendo bastante curioso verificar a finalidade e o desenvolvimento que lhe foi dado.

As constantes reviravoltas na trama fazem com que o interesse não se perca, mesmo quando o leitor percebe o caminho que a autora pretende seguir. Mas, apesar disso, A Lenda de Sapphique acaba por ser menos previsível e mais agradável do que Incarceron. Porém, o final pareceu-me ser demasiado abrupto. Ficou a necessidade de perceber de que forma tudo iria mudar, como conhecer a verdade que se escondia por trás da máscara do Protocolo.

É de salientar que esta trama direcionada para um público jovem-adulto não tem como base uma história de amor, como é tão visto em narrativas que se enquadram no mesmo género. O amor surge de forma subtil, abnegada e em diferentes sentidos. Com esta saga, o leitor reflete essencialmente sobre o valor da liberdade, igualdade e sacrifício.

A Lenda de Sapphique revelou-se uma leitura que superou as minhas expectativas. Possui algumas falhas, mas, no geral é um bom livro, que vai ser apreciado por quem ficou cativado pelos conceitos gerais de Incarceron.

 

Outro livro de Catherine Fisher:
Incarceron

Entrevista a Catherine Fisher aqui.

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Opinião: Alma Rebelde

Autoria: Carla M. Soares
ISBN: 9789720043375
Editora: Porto Editora (2012)

Sinopse: 

No calor das febres que incendeiam a Lisboa do século XIX, Joana, uma burguesa jovem e demasiado inteligente para o seu próprio bem, vê o destino traçado num trato comercial entre o pai e o patriarca de uma família nobre e sem meios.

Contrariada, Joana percorre os quilómetros até à nova casa, preparando-se para um futuro de obediências e nenhuma esperança.
Mas Santiago, o noivo, é em tudo diferente do que esperava. Pouco convencional, vivido e, acima de tudo, livre, depressa desarma Joana, com promessas de igualdade, respeito e até amor.

Numa atmosfera de sedução incontida e de aventuras desenham-se os alicerces de um amor imprevisto... Mas será Joana capaz de confiar neste companheiro inesperado e entregar-se à liberdade com que sempre sonhou? Ou esconderá o encanto de Santiago um perigo ainda maior?


Opinião:


Alma Rebelde é mais uma prova  de que existem bons autores em Portugal. Através de uma escrita cuidada, introspetiva, fácil de acompanhar e, em certos momentos, até poética, Carla M. Soares faz com que o leitor sinta empatia pelas suas personagens e fique rendido à trama.


Esta é uma leitura muito interessante, que explora o período da história nacional após a guerra civil entre liberais e absolutistas, nomeadamente no que toca ao papel da mulher na sociedade e à ascensão da burguesia em detrimento da queda da nobreza. É interessante ver de forma tão próxima o quanto as obrigações familiares afetam as raparigas da época. Esta visão é-nos dada através de Joana, filha de comerciantes abastados que vê o seu futuro a ser decidido por terceiros. A autora transmite com precisão a angústia desta protagonista, que tem sonhos de liberdade e aventura. Joana não é uma rapariga perfeita mas acaba por conquistar. Ao início, o leitor pode pensar que ela está a ser injusta, pois tem uma amiga numa situação muito mais complicada, mas a verdade é que não nos sentiríamos nós como Joana se nos fosse imposto um casamento com um desconhecido? 


Por outro lado, existe Santiago, um jovem à frente no seu tempo, apaixonado e arrebatador. Esta é uma figura que conquista desde o primeiro instante. Brincalhão, livre e inteligente, proporciona momentos muito interessantes e intensos. Mas existe ainda uma outra personagem que, apesar de mais discreta, nos faz sentir um carinho especial por ela. Falo de D. Ana, uma senhora discreta e cumpridora do seu dever, mas que vive um casamento infeliz com um homem que não compreende. Esta é uma mulher que sofre em silêncio, mas que anseia ver aqueles que mais ama realizados, mesmo que isso custe viver em solidão. Em contrapartida existe D. Miguel, pai de Santiago, um homem agarrado à glória do passado e que não olha a meios para recuperar o que um dia foi da sua família. A autora consegue fazer transmitir muito bem o temor que todas as personagens sentem quando este homem surge, o que nos leva a desprezar, cada vez mais, esta figura.


Desde que Joana e Santiago se encontram, o leitor depressa percebe que existe uma história de amor a acontecer. É de enaltecer a capacidade da autora de apresentar cenas amorosas e sensuais sem cair em lugares comuns. Numa época em que o mercado literário português volta a ter o romance erótico em destaque, Carla M. Soares mostra que pequenos gestos como um toque, um tom de voz alterado ou mesmo um suspiro são muito poderosos e fazem o coração bater mais rápido. Tudo é descrito com muito bom gosto e vai agradar os mais românticos.


Existem, porém, algumas repetições no que toca aos sentimentos da protagonista. O facto de a trama estar voltada para Joana, assim como o facto de esta escrever num diário e ainda trocar correspondência com uma confidente faz com que algumas ideias sejam constantemente apresentadas, o que pode gerar momentos mais monótonos. Contudo, as reviravoltas existentes na narrativa asseguram o interesse pela leitura. Contudo, gostaria de ver melhor explorada a relação antiga da Santiago, que prometeu ameaçar em muito a estabilidade do casal, mas sem grandes estragos. Mas, mais perto do final, a autora consegue baralhar o leitor e levá-lo numa leitura desenfreada até à última página, através de vários acontecimentos inesperados. Só é possível parar quando se perceber tudo o que aconteceu às personagens desta trama.


Esta foi uma leitura que me deu imenso prazer. Uma boa surpresa que me deixou agarrada  e que me faz desejar que se volte a apostar nesta autora.

sábado, 28 de julho de 2012

Opinião: A Maldição do Tigre (Saga do Tigre #1)

Autor: Colleen Houck
Título Original: Tiger's Curse (2011)
Tradução: Maria de Almeida
ISBN: 9789720043719
Editora: Porto Editora (2012)

Sinopse:

De férias de verão, Kelsey Hayes decide procurar um trabalho temporário, antes de entrar na faculdade. Na agência a que se dirige, recebe a proposta de estar duas semanas num circo, onde terá de ajudar na venda de bilhetes, na arrumação do espaço e nos cuidados de um incrível tigre branco. Se estas tarefas pareciam ser uma grande aventura, Kelsey nem imagina o que irá viver.

No circo, sente-se imediatamente atraída pelo majestosos felino. Quando um estranho homem faz uma oferta pelo tigre, Kelsey sente-se triste por ter de ver o animal partir, mas é surpreendida com o convite de o acompanhar à reserva natural que o vai abrigar.

Contudo, a meio desta viagem, Kelsey vai descobrir que o tigre pelo qual sente tanto afeto é, na verdade, Alagan Dhiren Rajaram, um príncipe indiano que foi vitima de uma maldição. A jovem norte-americana fica determinada a desenvolver a humanidade ao monarca e embarca numa aventura cheia de perigos e muito misticismo.

Opinião:

"A Maldição do Tigre" é o primeiro livro de uma saga composta por cinco volumes. Como tal, Colleen Houck faz-nos uma introdução deste seu mundo e personagens e deixa adivinhar que ainda há muitas aventuras a viver através das suas tramas.

Kelsey é a protagonista. Jovem inteligente, independente e de grande coração, foi obrigada a crescer depressa desde a morte dos pais. Acolhida por uma família simpática , gosta de ajudar os outros, mas sente falta de um amor maior. Quando descobre que o tigre por quem se afeiçoo é um homem amaldiçoado há mais de 300 anos,  sente uma forte necessidade de ajudar a reverter o feitiço. Contudo, os seus sentimentos vão despoletar e servir como obstáculo nesta missão, mas a verdade é que o pragmatismo da protagonista a vai fazer colocar tudo de parte por um bem maior. A personalidade de Kelsey e o seu humor sarcástico fazem com que seja fácil o leitor gostar dela.

Com o avançar da leitura, a autora transporta-nos para a Índia mística. As descrições fazem imaginar, com facilidade, os cenários exuberantes, quer sejam de densas florestas habitadas por animais perigosos ou as cidades exóticas e coloridas. A alimentação e costumes não foram colocados de parte e, o mais interessante acaba por recair nas muitas histórias e lendas locais, que embelezam a narrativa ao fundirem-se com a missão dos nossos heróis.

As aventuras são muitas e, em certos momentos, fazem lembrar os filmes de Indiana Jones. As personagens passam por grandes templos escondidos, descobrem passagens secretas, vêem-se perseguidas por  criaturas que julgavam não serem reais, fogem de lanças envenenadas que surgem de paredes, saltam por cima de grandes fossos, tentam desvendar mistérios ancestrais, e muito mais.

Existe também um indício de um triângulo amoroso, o que pode não ser bem aceite. Kelsey, tal como tantas protagonistas de outras obras de fantasia recentes é a jovem comum que se vê disputada por dois homens extremamente belos e dotados de grandes qualidades. Contudo, no final da leitura, a autora surpreende ao mostrar que a sua protagonista não se deixa simplesmente levar por romantismos fáceis.

Uma leitura interessante que faz ansiar pelos próximos volumes, afinal, parece que existem maiores perigos a serem enfrentados e o leitor vai desejar saber qual vai ser o futuro destas cativantes personagem.

Nota: 
A Porto Editora optou por utilizar a imagem da capa original de "A Maldição do Tigre". Como tal, mostro-vos as três outras capas do próximos três volumes para ficaram com uma ideia de como vão ser as respetivas edições portuguesas: 

Segundo, terceiro e quarto volumes desta saga


O quinto e último volume tem publicação prevista para 2013.