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sexta-feira, 20 de junho de 2014

Opinião: A Viagem do Tigre (Saga do Tigre #3)

Autor: Colleen Houck
Título Original: Tiger's Voyage (2011)
Tradução: Salvador Guerra
ISBN: 9789720046383
Editora: Porto Editora (2014)

Sinopse:

A guerra com o malvado Lokesh parece estar a atravessar uma pausa momentânea, algo de que Kelsey Hayes necessita desesperadamente. No entanto, outras batalhas – as do coração – divisam-se no seu caminho: Ren, o belíssimo príncipe indiano por quem se apaixonou, não se recorda dela; e o irmão dele, Kishan, igualmente maravilhoso e sedutor, tenta conquistar-lhe o coração.
Na busca de mais um magnífico talismã que lhe permita romper a terrível maldição, Kelsey terá de enfrentar não apenas cinco dragões míticos como também os seus próprios sentimentos. No fim, qual será a sua escolha?

Opinião:

A minha leitura da Saga do Tigre não está a ser coerente. Depois de ter ficado bem impressionada com A Maldição do Tigre e satisfeita com O Resgate do Tigre, acabei por ficar desiludida com A Viagem do Tigre. A razão para tal ter acontecido está relacionada com o facto de os aspectos que menos apreciei nos volumes anteriores terem ganhado uma grande relevância e terem-se tornado nos temas principais da leitura enquanto os que mais gostei terem sido descurados e lançados para um plano de fundo.

Para começar, confesso que ao longo da leitura perdi a paciência para as personagens deste livro. Kelsey, a protagonista, é apresentada como demasiado perfeita. As descrições dela mostram que é bonita, inteligente, corajosa, altruísta e modesta. Contudo, ao longo da leitura, percebi que não lhe consigo ver essas características. Para mim, Kelsey é egocêntrica, pois está sempre a pensar nela, nos seus desejos, naquilo que a faz feliz e não consegue tomar decisões pois não quer rejeitar nenhuma das suas opções. Kelsey é tonta, envolve-se em situações onde tem que ser salva. Por alguma razão, toda a gente gosta de Kelsey e trata-a como se fosse uma princesa e eu não consigo perceber a razão disso (diziam sempre que ela era bonita, como se ser belo fosse razão para tanta devoção). Kelsey é irritante e eu detestei que a história fosse contada sob o seu ponto de vista, pois a cada página tinha de ler o quanto ela estava indecisa entre os dois irmãos, o que quebrava a emoção de situações prometedoras.

Nos dois volumes anteriores, tinha gostado dos irmãos tigres. Agora, tive dificuldade em os distinguir em muitas situações. A razão? Eles serem os dois completamente obcecados, devotos e apaixonados por Kelsey. Isto fez com que as suas reações, diálogos e características se tornassem demasiado semelhantes em muitos momentos. A certo ponto, percebi que aquilo que os distinguia era o aspecto físico, o passado e o que simbolizam para Kelsey. Ren é o risco, a paixão, o incerto enquanto Kishan é o porto seguro, o conforto e a estabilidade. Também eles se tornaram uma desilusão, muito por viverem para agradar Kelsey e por estarem constantemente a colocá-la num altar.

Tendo eu tantos problemas com as três personagens com maior relevância, foi com uma grande decepção que percebi que todo este livro é baseado no triângulo amoroso e nas indecisões de Kelsey. O facto de a narração ser feita no ponto de vista da protagonista faz com que a cada página sejam expostas as suas dúvidas quanto a qual dos dois irmãos ela deverá escolher. Não consegui perceber estas questões e elas só me levaram a gostar ainda menos de Kelsey. Não percebi a pressa dela em escolher, afinal, não seria melhor só se preocupar com isso após quebrar a maldição dos irmãos? É que colocar os dois rapazes em posição de confronto não é bom para um grupo que está numa suposta missão perigosa! Depois, já estava farta das passagens em que ela expõe o quanto gosta de cada um, em que recorda o que passou com cada um e em que diz o que não sabe que fazer, pois elas apareciam praticamente em todas as páginas do livro! Para além do mais, o foco nas relações entre Kelseu, Ren e Kishan faz com que os momentos de acção e as aventuras sejam apresentados como um plano de fundo.

Para além de não ter gostado nada da dinâmica entre as três personagens principais, uma vez que toda ela era baseado no quanto os irmãos gostam de Kelsey e no quanto Kelsey está indecisa, também fiquei desagrada com outras figuras. O grande vilão encontrou novos objetivos, e deixem que vos diga que estes são completamente ridículos. Mr. Kadam, que via como uma figura paternal, era o único elemento que focava-se na investigação e, por isso, quando aparecia, era para anunciar que descobriu o que todos deveriam fazer a seguir (o que nos deixa sem saber como ele lá chegou) ou para dar umas palmadinhas nas costas de Kelsey e dizer que ela é uma boa menina. Wes é uma personagem nova, tem um toque divertido, mas peca por bajular Kelsey sem ter qualquer motivo para tal.

O que acabou por salvar (se é que posso usar o verbo "salvar") este livro acabou por ser os aspectos que mais gostei nos volumes anteriores: o misticismo. Gostei do facto de a autora ter voltado a inserir outras componentes do foclore indiano, apesar de estas se terem adaptado à sua imaginação, e apreciei a inserção de características culturais e lendas da China, nomeadamente no que toca aos cinco dragões. E se a ideia dos dragões muito entusiasmou ao início, quando concretizada soube a pouco. Isto porque o facto de a autora focar a narrativa no triângulo amoroso acabou por fazer com que o contacto entre Kelsey e os irmãos tigres com estas figuras mitológicas fosse fugaz, pouco desenvolvido e demasiado rápido. Achei ainda que a autora não conseguiu concretizar bem a ideia de dar uma personalidade distinta a cada dragão, pois a rapidez com que eles são apresentados faz com que pareçam superficiais, básicos e não criaturas antigas e dotadas de magia e encantamento.

A Viagem do Tigre não foi um livro cuja leitura me tivesse entusiasmado e ficou muito aquém dos volumes anteriores. As personagens não apresentam evolução sendo que, pelo contrário, parecem estar a tornar-se básicas e supérfluas, o foco da narrativa é aborrecido e as grandes aventuras não transmitem emoção. Fico com a ideia de que a qualidade dos livros desta saga está a decair, o que me deixa na dúvida de se devo continuar ou não a apostar nela. Afinal, a parte mítica continua a atrair-me, mas tal não faz com que este livro deixe de ser uma desilusão.

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Opinião: O Resgate do Tigre (Saga do Tigre #2)

Título original: Tiger's Quest (2011)
Autores: Colleen Houck
Tradução: Raquel Lopes
ISBN: 9789720044341
Editora: Porto Editora (2013)

Sinopse:

Kelsey Hayes jamais poderia imaginar que as férias de verão dos seus dezoito anos lhe trariam experiências tão arrebatadoras. Depois de ter descoberto que Ren, o tigre branco a que tanto se afeiçoara no circo onde trabalhou, era um príncipe indiano e de o ter acompanhado à sua terra natal para o ajudar a quebrar uma maldição secular, regressa a casa, disposta a começar a faculdadee esquecê-lo. Todavia, depressa percebe que não vai ser fácil e, quando Ren é capturado, Kelsey ver-se-á obrigada a regressar à Índia para completar mais uma tarefa imposta por uma profecia antiga e descobrir uma forma de o salvar. Para isso, precisará da ajuda de Kishan, o irmão de Ren. Serão eles capazes de o resgatar e devolver a Ren a sua humanidade?
Depois de A Maldição do Tigre, O Resgate do Tigre leva mais longe uma saga inesquecível, que já conquistou em todo o mundo os fãs da literatura fantástica.

Opinião:

O Resgate do Tigre é a continuação do livro A Maldição Tigre. Depois de, no primeiro volume, ter ficado deslumbrada com as descrições referente à Índia e entusiasmada com as muitas aventuras que foram vividas, foi com expetativa que iniciei a leitura deste volume.

Ao início, existe um regresso aos Estados Unidos da América e a primeira coisa em que reparei foi no aumento do teor romântico na narrativa. Enquanto no primeiro existiam uma série de sentimentos contraditórios por parte de Kelsey, a protagonista, agora está tudo mais evidente. Como tal, a trama tornou-se muito direcionada para as questões do coração, tornando-se, em certos momentos, demasiado "lamechas" e aborrecida. O aumento do número de pretendentes da heroína pareceu-me exagerado e até despropositado.

Contudo, as aventuras logo regressam e somos, novamente, transportados para a mística Índia. As descrições voltam a encantar para além de que recebemos mais informações sobre a profecia que atormenta as vidas de Ren e Kishan. A exploração de lendas e mitos tanto da Índia como de outras partes do mundo são grandes atrativos. Gostei de ver como certos elementos tidos como imaginários entraram na trama, de uma forma natural e apelativa.

As circunstâncias da ação levam Kelsey a aproximar-se mais de Kishan. E se a primeira perde um pouco do interesse que suscitava no primeiro volume, o segundo revela-se uma personagem mais completa e cativante. Gostei da forma como este príncipe indiano começou a ultrapassar as suas fraquezas e de como ele disfarçava a tristeza e angústia. Se no primeiro volume a autora levou as leitoras a ficarem rendidas a Ren, agora é a vez de Kishan mostrar o que tem de melhor. Há aqui uma clara tentativa de dividir opiniões e, apesar de apreciar os dois intervenientes masculinos, a verdade é que preferia que este triângulo não tivesse o peso que está a ter na história.

Outro ponto que também gostei de ver mais explorado, foi o lado do vilão, Lokesh. Existe um aproximar da sua pessoa e intuitos, mas a forma como tal foi feito pode não ter sido a melhor. Afinal, o momento do grande confronto foi apresentado de forma muito breve. De um momento para o outro acontece de tudo e quem lê pode não entender como chegou ali. A autora preferiu explicar como tudo aconteceu num diálogo rápido e que faz perder grande parte da emoção do momento.

No final, surgem ainda mais dúvidas e a tarefa permanece incompleta (o que não é surpresa, afinal a saga é composta por cinco livros). Se me senti presa ao primeiro volume, o mesmo não posso dizer sobre este. Porém, fico na expetativa de ler o próximo livro e de perceber o que mais está aguardado para estas personagens.

Outras opiniões a livros de Colleen Houck:
A Maldição do Tigre (A Saga do Tigre #1)

sábado, 28 de julho de 2012

Opinião: A Maldição do Tigre (Saga do Tigre #1)

Autor: Colleen Houck
Título Original: Tiger's Curse (2011)
Tradução: Maria de Almeida
ISBN: 9789720043719
Editora: Porto Editora (2012)

Sinopse:

De férias de verão, Kelsey Hayes decide procurar um trabalho temporário, antes de entrar na faculdade. Na agência a que se dirige, recebe a proposta de estar duas semanas num circo, onde terá de ajudar na venda de bilhetes, na arrumação do espaço e nos cuidados de um incrível tigre branco. Se estas tarefas pareciam ser uma grande aventura, Kelsey nem imagina o que irá viver.

No circo, sente-se imediatamente atraída pelo majestosos felino. Quando um estranho homem faz uma oferta pelo tigre, Kelsey sente-se triste por ter de ver o animal partir, mas é surpreendida com o convite de o acompanhar à reserva natural que o vai abrigar.

Contudo, a meio desta viagem, Kelsey vai descobrir que o tigre pelo qual sente tanto afeto é, na verdade, Alagan Dhiren Rajaram, um príncipe indiano que foi vitima de uma maldição. A jovem norte-americana fica determinada a desenvolver a humanidade ao monarca e embarca numa aventura cheia de perigos e muito misticismo.

Opinião:

"A Maldição do Tigre" é o primeiro livro de uma saga composta por cinco volumes. Como tal, Colleen Houck faz-nos uma introdução deste seu mundo e personagens e deixa adivinhar que ainda há muitas aventuras a viver através das suas tramas.

Kelsey é a protagonista. Jovem inteligente, independente e de grande coração, foi obrigada a crescer depressa desde a morte dos pais. Acolhida por uma família simpática , gosta de ajudar os outros, mas sente falta de um amor maior. Quando descobre que o tigre por quem se afeiçoo é um homem amaldiçoado há mais de 300 anos,  sente uma forte necessidade de ajudar a reverter o feitiço. Contudo, os seus sentimentos vão despoletar e servir como obstáculo nesta missão, mas a verdade é que o pragmatismo da protagonista a vai fazer colocar tudo de parte por um bem maior. A personalidade de Kelsey e o seu humor sarcástico fazem com que seja fácil o leitor gostar dela.

Com o avançar da leitura, a autora transporta-nos para a Índia mística. As descrições fazem imaginar, com facilidade, os cenários exuberantes, quer sejam de densas florestas habitadas por animais perigosos ou as cidades exóticas e coloridas. A alimentação e costumes não foram colocados de parte e, o mais interessante acaba por recair nas muitas histórias e lendas locais, que embelezam a narrativa ao fundirem-se com a missão dos nossos heróis.

As aventuras são muitas e, em certos momentos, fazem lembrar os filmes de Indiana Jones. As personagens passam por grandes templos escondidos, descobrem passagens secretas, vêem-se perseguidas por  criaturas que julgavam não serem reais, fogem de lanças envenenadas que surgem de paredes, saltam por cima de grandes fossos, tentam desvendar mistérios ancestrais, e muito mais.

Existe também um indício de um triângulo amoroso, o que pode não ser bem aceite. Kelsey, tal como tantas protagonistas de outras obras de fantasia recentes é a jovem comum que se vê disputada por dois homens extremamente belos e dotados de grandes qualidades. Contudo, no final da leitura, a autora surpreende ao mostrar que a sua protagonista não se deixa simplesmente levar por romantismos fáceis.

Uma leitura interessante que faz ansiar pelos próximos volumes, afinal, parece que existem maiores perigos a serem enfrentados e o leitor vai desejar saber qual vai ser o futuro destas cativantes personagem.

Nota: 
A Porto Editora optou por utilizar a imagem da capa original de "A Maldição do Tigre". Como tal, mostro-vos as três outras capas do próximos três volumes para ficaram com uma ideia de como vão ser as respetivas edições portuguesas: 

Segundo, terceiro e quarto volumes desta saga


O quinto e último volume tem publicação prevista para 2013.