quinta-feira, 21 de junho de 2018

Opinião: A Mulher Entre Nós

Título Original: The Wife Between Us (2018)
Autor: Greer Hendricks e Sarah Pekkanen
Tradução: Gonçalo Neves
ISBN: 9789896655471
Editora: Suma de Letras (2018)

Sinopse:

Aos 37 anos, a recém-divorciada Vanessa está no fundo do poço. Deprimida, a morar no apartamento da tia, sem filhos, sem dinheiro e sem amigos verdadeiros. Richard, o seu carismático e rico marido, era tudo para ela. Mas, ao descobrir que ele está prestes a voltar a casar, algo dentro de Vanessa se desfaz. A partir de agora, na sua vida, só existirá uma única obsessão: impedir esse casamento. Custe o que custar.

Nellie é como qualquer outra jovem bela e sonhadora que chega a Manhattan para começar a sua tão sonhada vida adulta. Mas a personalidade tranquila que ostenta é apenas uma fachada. Na sua cabeça perdura o segredo que a faz fugir da sua cidade natal e que a impede de caminhar sozinha para casa.

Ao conhecer Richard - bem-sucedido, protector, o homem dos seus sonhos -, Nellie começa finalmente a sentir-se segura. Ele promete protegê-la de tudo para o resto da sua vida. Mas, de repente, começa a receber chamadas misteriosas. Algumas fotografias são mudadas de lugar no seu quarto. Alguém a persegue, alguém quer o seu mal. Mas quem?

Opinião:

Sabia que A Mulher Entre Nós estava a causar furor a nível internacional, e por isso mesmo não quis perder esta leitura. Ao ter apenas a sinopse como base, fiquei bastante surpreendida com a história que encontrei. Este é um thriller familiar cheio de reviravoltas estimulantes. As ideias estabelecidas inicialmente são abaladas em mais do que uma ocasião fazendo com que seja difícil largar o livro, tal é a vontade de perceber a verdade por trás de tudo o que é narrado.

Confesso desde já que é difícil falar sobre este livro sem fazer alguma revelação que pode prejudicar a experiência de leitura de quem ainda vai apostar nesta obra. Por isso mesmo vou falar deste livro de uma forma mais abrangente. Inicialmente, as autoras apresentam-nos Vanessa, que surge como uma mulher que está a atravessar sérias dificuldades para atravessar o divórcio. A negatividade que Vanessa parece transmitir contrasta com a jovialidade e as esperanças de Nellie, uma jovem que está prestes a casar-se. A diferença entre estas figuras é marcante e proporciona momentos de leitura diferentes. Como tal, é natural haver maior interesse ou ligação com uma destas partes em detrimento da outra.

No meu caso, senti-me intrigada com as preocupações relativas ao passado de Nellie e queria descobrir ao certo que tinha levado Vanessa àquele estado. É curioso perceber que as suposições que tinha sobre as bases destas figuras e o futuro que lhes estava reservado estavam erradas. As autoras conseguem interligar estas duas vertentes de uma forma muito interessante, sendo que o leitor fica a sentir-se constantemente na ponta da navalha e com vontade de não largar o livro.

O desenrolar da trama é cativante. Admito que estranhei a forma como alguma ligações foram feitas, quase como a forçar uma linha de pensamento no leitor e sem grande relação com o que iria ser revelado. Ainda assim, consigo colocar esta questão de lado em detrimento do resultado global da obra. Esta é uma história que, apesar de alguns momentos mais romanceados, pode sugerir que algo semelhante pode ter acontecido ou estar a acontecer entre um casal.

São abordados diferentes temas ao longo destas páginas. A dor da separação, a esperança e vitalidade de uma nova relação, o amor entre familiares, a força e fragilidade de uma amizade, a abnegação que surge com a paixão, a vingança, o sofrimento que fica dos erros do passado. Contudo, o assunto mais forte acaba mesmo por ser a violência doméstica. As duas autora conseguiram apresentar esta tema de uma forma subtil, pouco óbvia, que vai surgindo aos poucos e explorando diferentes vertentes. Aplaudo a forma como retrataram as consequências da violência emocional e psicológica para a vítima, lados menos compreendidos desta agressão e que muitas vezes são difíceis de detectar.

Greer Hendricks e Sarah Pekkanen provam que as pessoas que mostram ser mais fortes muitas vezes estão quebradas, e que as mais frágeis podem estar a esconder um poder. Fiquei muito bem impressionada com A Mulher Entre Nós, um livro que em diferentes momentos conseguiu mudar todo o ponto de vista que tinha estado a criar desde a primeira página. Com personagens profundas e um enredo apelativo, as autoras apresentam-nos uma das melhoras histórias dentro do género.

segunda-feira, 18 de junho de 2018

Passatempo "O Núcleo" - livro autografado pelo autor!

Aqui está uma grande surpresa que tem sido preparada em parceria com o blogue Palavras de Poder. Juntos estamos a sortear um exemplar especial do livro O Núcleo. É que este livro, o último da saga "Ciclo dos Demónios", está autografado pelo autor, Peter V. Brett.


 
Para se habilitarem a ganhar este livro, apenas precisam de:

- Responder a todos os campos do questionário;
- Partilhar o link do passatempo nas redes sociais e de forma pública;
- Fazer gosto na página de Facebook do blogue Uma Biblioteca em Construção, aqui;
- Fazer gosto na página de Facebook do blogue Palavras de Poder, aqui;
- Só participar uma vez (caso tal não se confirme a participação será anulada);
 - O passatempo termina no dia 25 de Junho às 23h59. Não serão aceites participações após essa data.

Agora é só participar!



Notas:
- Este passatempo é realizado em parceria com o blogue Palavras de Poder;
- O vencedor será escolhido aleatoriamente entre as participações válidas através do site random.org;
- Como participação válida entende-se: existir apenas uma por participante com todos os dados do questionário respondidos correctamente;
- O vencedor será contactado por e-mail e anunciado no blogue;
- Este passatempo é válido para Portugal continental e ilhas;
- O blogue não se responsabiliza pelo possível extravio do livro nos correios.

Opinião: The Call - A Invasão (#2)

Título Original: The Invasion (2017)
Autor: Peadar O'Guilin
Tradução: Renato Carreira
ISBN: 9789898869845
Editora: TopSeller (2018)

Sinopse:

Nessa e Anto foram dos poucos jovens que conseguiram sair vivos da Terra Cinzenta. Agora, longe da crueldade dos Sídhe, sonham com um futuro feliz a dois.
Mas um inesperado ataque à escola dá início a uma caça às bruxas. As autoridades não acreditam ser possível sobreviver ao Chamamento e, alegando que os sobreviventes fizeram um pacto com o inimigo, rotulam-nos de traidores. Como punição, Nessa é
reenviada para a Terra Cinzenta naquela que parece ser uma viagem sem retorno.
Entretanto, os bárbaros Sídhe dão início a um ataque mortal, com um exército de horror nunca antes visto. Numa autêntica luta contra o tempo, Anto e os últimos alunos da sua escola enfrentam um inimigo sedento de sangue, procurando uma forma de defender o país e de salvar a vida de todos.

Opinião:

Depois de ter lido The Call, acreditei estar preparada para uma continuação igualmente brutal e repleta de adrenalidade nesta sequela. Ainda assim, The Call - A Invasão conseguiu surpreender e deixar-me arrepiada. Peadar O'Guilin prova que o mundo que criou tem um grande potencial e merece continuar a ser explorado. Ao mesmo tempo, trabalha a evolução das personagens que já conhecemos e faz o leitor pensar em como nem tudo é "preto e branco", apesar de muitas vezes assim parecer.

Com o encerrar do primeiro volume, acreditámos que o pior tinha passado para Nessa e Anto. Contudo, o autor decidiu não largar estas personagens e mostrou-nos que não é simples ultrapassar eventos traumáticos nem retomar uma vida normal depois disso. Ao início sentimos as esperanças comedidas destas personagens e desejamos que conquistem rapidamente a paz que tanto desejam. Contudo, cedo surgem novos desafios que colocam tudo em causa: o futuro, a confiança, as relações, a humanidade.

A história é feita em capítulos intercalados, sendo possível desta forma perceber o que está a acontecer a Nessa e a Anto. Através dos pontos de vista destas duas personagens temos acesso a diferentes pontos desta guerra contra os Sídhe. De um lado o sofrimento humano, os campos devastados, a destruição de cidades, as perdas e os soldados sem esperança de saírem deste conflito com vida. Do outro temos os traidores, a desconfiança, o maior conhecimento dos Sídhe, o desejo crescente de vingança, a tortura. É normal que um destes pontos de vista seja mais atrativo, sendo que, no meu caso, Nessa foi a personagem que mais gostei de acompanhar.

Nessa mantém aquele determinação e coragem silenciosa que impressiona. Sabemos quais são as suas limitações físicas, mas é impressionante perceber como isso não quebra o seu espírito forte nem a faz desistir em momento algo. Um figura feminina pouco exuberante mas que marca. Por seu lado, Anto não conseguiu agradar-me tanto. Percebo que ele está a lidar com o que lhe aconteceu na Terra Cinzenta, com a deformidade e com a perda e falta de confiança, mas o seu espírito pareceu-me mais fraco, influenciável e pouco cativante. Gostaria que ele tivesse surgido com maior força e impacto.

Achei curioso que, apesar de estarmos a falar de uma força invasora e impiedosa, o autor consegue levar-nos a entender os motivos dos Sídhe. Não que seja possível desculpar os atos deste povo, mas é interessante que tudo tem como base a vingança destes seres aos humanos por os terem expulsado das suas terras. Assim, percebe-se que o que os Sídhe estão agora a fazer já lhes foi feito. Cabe à consciência de cada um refletir se isso é justificação plausível. Além disso, faz-nos pensar sobre quão perigosa é a vingança.

Os momentos que mais gostei de ler estavam sempre relacionados diretamente com os Sídhe e a Terra Cinzenta. As descrições eram impressionantes e provavam a capacidade imaginativa incrível do autor. Consegui sentir o terror provocado nestes ambientes hostis e o desespero da fuga e da perseguição. Estas passagens contrastavam com vividas no mundo humano, uma vez que por vezes pareciam carecer de algo mais atrativo ou forte para se tornarem igualmente marcantes.

The Call - A Invasão é uma conclusão bem conseguida. Peadar O'Guilin volta a reunir os ingredientes apresentados no primeiro volume, e ainda assim consegue mostrar que ainda tem alguns truques na manga. O desfecho escolhido é o mais adequado a esta obra: agridoce, brutal e com toques de esperança e compaixão. Não consigo dizer qual dos dois livros desta saga prefiro, mas garanto que se completam muito bem.

domingo, 3 de junho de 2018

Opinião: O Pântano dos Sacrifícios

Título Original: Offermossen (2017)
Autor: Susanne Jansson
Tradução: João Reis
ISBN: 9789898917003
Editora: TopSeller (2018)

Sinopse:

Crê-se que antigamente os pântanos eram usados como locais onde se realizavam sacrifícios humanos. Por serem pobres em oxigénio, estes terrenos atrasavam o processo de decomposição dos corpos, levando à sua preservação. Há por isso quem acredite que as almas lá enterradas não conseguem encontrar descanso, atraindo até si novas vítimas.
Nathalie Nordström é uma jovem bióloga que se desloca até a um pântano no norte da Suécia para realizar uma experiência de campo. Nathalie cresceu naquela zona, mas partiu quando uma terrível tragédia se abateu sobre a sua família.
Numa noite de tempestade, um mau pressentimento leva-a até ao pântano. Lá encontra um homem inconsciente, prestes a afundar-se. A polícia começa a investigar o caso e acaba por encontrar cadáveres ali enterrados.
Estará o pântano a reclamar mais sacrifícios, como alguns habitantes locais acreditam?

Opinião:

A resolução de um crime aliada à superstição e história. Esta é a base de O Pântano dos Sacrifícios, livro de Susanne Jansson que me deixou intrigada desde a primeira página. A autora volta a provar que os policiais nórdicos realmente se destacam, inspirando-se nas paisagens pantanosas da Suécia e na forma como a história antiga podem continuar a influenciar uma comunidade. O resultado é uma história que marca pela diferença.

A narrativa é dada ao conhecer ao leitor através de duas personagens femininas fortes. Por um lado temos Nathalie, uma jovem que chega ao pântano de Fengerskog para concluir um estudo. A autora não esconde que esta personagem tem uma ligação a este local, mas mantém o mistério sobre os motivos que a obrigaram a deixar a casa onde passou a infância. Percebe-se que Nathalie viveu um evento traumático e que este continua a afectá-la. Contudo, é também curioso perceber como, ao longo destas páginas, esta figura consegue derrubar os muros que levantou para se proteger. Nathalie é a nossa ligação à última vítima e também a esta terra que parece envolta numa aura de misticismo.

Maya é a outra personagem com maior destaque nesta obra. Artista e fotógrafa, ela é uma mulher madura que trabalha pontualmente com a polícia. Através dela temos um lado mais racional dos acontecimentos, uma vez que nos permite acompanhar as investigações que estão a ser feitas. É curioso verificar como a razão pode ser afectada pela superstição. Paralelamente, esta personagem dá-nos ainda uma visão diferente de como se deve viver e sobre como devem ser estabelecidas as prioridades. Uma figura que nos prova que nunca é tarde para nada e que devemos sempre puxar pelo melhor de nós.

O desenrolar da acção está muito bem conseguido. O início apresenta logo alguns dos pontos fundamentais sobre os quais a autora se vai debruçar, levantando imediatamente alguns enigmas. Ainda assim, a leitura decorre de uma forma mais pausada, de modo a que tudo isto seja apreendido. Com o passar das páginas, o nosso ritmo aumenta, tal como o interesse, estimulado pelos desenvolvimentos e pelas pequenas pistas que vão sendo fornecidas e que nos ajudam a desvendar todas as personagens e o que realmente aconteceu e tem acontecido naquele pântano.

As descrições não são excessivas, mas deixam-nos sentir que também estamos naquele pântano. A autora consegue transmitir-nos a beleza e, ao mesmo tempo, o respeito e receio pelo local. Queremos estar lá, mas parece que não somos capazes de realmente entrar, com medo do que poderá estar escondido nos campos alagados e no nevoeiro que se levanta. Este é o ambiente constante, perfeito para um bom thriller.

A autora tem ainda a capacidade de nos indicar a linha de pensamento das personagens, levar-nos a seguir outra, para no final surpreender com uma inesperada resolução. Fiquei muito satisfeita por esta não ser uma história evidente. Gostaria apenas que, ao longo da narrativa, existissem momentos mais intensos. Ainda assim, a autora consegue fazer com que o leitor se sinta preso.

O Pântano dos Sacrifícios é um livro que marca pela diferença. Num mercado onde existem muitos thrillers, é sempre bom quando pegamos num que nos transporta para um mistério inesperado, que nos envolve, consegue brincar com receios íntimos, apresentar boas personagens e ainda apresentar uma conclusão surpreendente. Este livro de Susanne Jansson consegue tudo isso.