sexta-feira, 29 de junho de 2018

Opinião: Eu Sou Eric Zimmerman

Título Original: Yo Soy Eric Zimmerman (2017)
Autor: Megan Maxwell
Tradução: Cristina Vaz
ISBN: 9789897770531
Editora: Planeta (2018)

Sinopse:

O meu nome é Eric Zimmerman e sou um poderoso empresário alemão, caracterizo-me por ser um homem frio e distante, que usufrui do sexo sem amor e sem compromisso.
Numa das viagens a Espanha para visitar uma das minhas delegações conheci uma jovem chamada Judith Flores. Ela fez-me rir, cantar e até dançar e eu não estava acostumado a isso. Quando me apercebi, sentia mais por ela do que devia, distanciei-me, mas regressei, pois essa mulher atraía-me como um íman.
A partir desse momento, começámos uma relação recheada de fantasia e erotismo e adorei ensinar Judith a gozar o sexo de uma forma que nunca imaginara.

Opinião:

Esta novidade da autora Megan Maxwell apresenta um ponto de vista diferente de uma história que já é conhecida. A autora volta às aventuras dos livros da trilogia Pede-me o Que Quiseres para recontar tudo do ponto de vista de Eric Zimmerman, o interesse amoroso da protagonista Judith Flores. Como tal, ficamos a conhecer o que este homem sentiu em todos os momentos que levaram ao desfecho feliz com a mulher por quem se apaixonou.

Se na trilogia principal era possível perceber que Eric e Judith têm personalidades opostas, agora fica mais do que evidente. Já sabemos que ela é uma mulher latina energética, impulsiva e de "pavio curto", e agora fica ainda mais saliente o lado controlador dele. Eric é um macho alfa, mas a forma como o demonstra não é propriamente agradável. Numa época em que o sexo feminino luta por direitos iguais, independência e reconhecimento, ver um homem com uma personalidade tão dominante e repressiva não é propriamente agradável.

É verdade que Eric passa por uma transformação, isso já se sabe, mas agora percebo que isso acontece como forma de obter o amor de Judith, não sendo necessariamente algo que ele perceba que tem de corrigir para evoluir. Estar dentro da cabeça dele e perceber a origem dos seus amuos constantes não me fez sentir qualquer empatia por esta personagem. Pelo contrário, só me deu a certeza de que é um homem mimado, que não sabe lidar com uma resposta negativa e que cria conflitos sem ter um verdadeiro motivo forte.

Perante tudo isto, a narrativa resulta numa sequeência de momentos de felicidade e afastamento entre estas duas personagens. Entende-se a química entre Eric e Judith, apesar das diferenças que existem entre ambos, mas gostaria que os problemas que atravessam fossem mais plausíveis ou interessantes. O que acaba por tornar a leitura mais agradável são os momentos de humor, sempre associados à personagem de Judith.

Depois de ter conhecido Megan Maxwell, posso dizer que foi interessante perceber que a sua escrita consegue mesmo transmitir a energia, alegria, intensidade e vitalidade próprias da autora. A linguagem é direta, a história tem ritmo, mesmo que os assuntos nem sempre sejam os mais interessantes ou cativantes. Neste volume, percebe-se se procedeu a um resumo da trilogia original, o que dá força à ideia que já tinha de que os outros livros não precisavam de ser tão longos para contarem esta história.

Eu Sou Eric Zimmerman poderá ser uma boa leitura para quem ficou fã da trilogia original. Apesar de não apresentar nada de original, este livro consegue entreter e fazer recordar. Ainda assim, quem não leu a trilogia original pode muito bem apostar neste livro sem necessidade de ler os restantes volumes, uma vez que tudo volta a ser contado.

quarta-feira, 27 de junho de 2018

Opinião: Quem Teme a Morte

Título Original: Who Fears Death (2010)
Autor: Nnedi Okorafor
Tradução: Teresa Martins Carvalho
ISBN: 9789896655471
Editora: Saída de Emergência (2018)

Sinopse:

Num futuro distante, um holocausto nuclear devasta o continente africano e dá-se um genocídio numa das suas regiões. Os agressores, os Nuru, de pele mais clara, decidiram seguir o Grande Livro e exterminar os Okoke, de pele mais escura. Mas, depois de ser violada, a única sobrevivente de uma aldeia Okoke consegue escapar e refugiar-se no deserto. Dá à luz uma rapariga com cabelo e pele cor de areia e a mãe percebe, nesse momento, que a sua filha é diferente. Dá-lhe o nome de Onyesonwu, que significa “Quem Teme a Morte?”.

Treinada por um misterioso xamã, Onyesonwu sabe que tem um destino mágico a cumprir: pôr fim ao genocídio do seu povo. A jornada para cumprir tal proeza irá pô-la em confronto com a natureza, a tradição, o amor verdadeiro, os mistérios da sua cultura… e, por fim, com a própria morte.

Opinião:

Como fã de Fantasia, claro que fiquei entusiasmada quando soube que Quem Teme a Morte, livro vencedor do World Fantasy Award, ia ser publicado em Portugal. Afinal, tinha desejo de conhecer esta história que chamou atenções dentro do género. Com as expectativas elevadas quanto a esta obra de Nnedi Okorafor, foi com surpresa que me deparei com uma narrativa original e cativante desde a primeira página.

Assim que comecei a ler senti que estava a ser transportada para um ambiente diferente. A autora leva-nos para a África num mundo pós-apocalíptico. Contudo, é interessante perceber que estamos a falar de uma ideia de futuro apenas quando alguns dispositivos tecnológicos surgem, pois tudo o resto indica uma nova realidade baseada em regimes tribais ou cidades pouco desenvolvidas. Como tal, as descrições relativas à sociedade são sempre cruas, com a autora a maravilhar-nos pelas descrições culturais e a deixar-nos em choque com questões relativas aos mais diferentes tipos de preconceito.

Onyesonwu é a protagonista desta aventura. Conhecemos a sua história desde o momento da concepção, sendo incrível perceber como uma experiência tão violenta e traumatizante acabou por gerar como fruto um ser humano tão incrível. Onyesonwu é uma menina que cresce revoltada pela reacção dos outros ao facto de ser Ewu, isto é, uma mestiça, produto da união forçada entre um homem e uma mulher de raças diferentes. Assim, além da sua condição de mulher, que já por si acarreta inferioridade, esta heroína é ainda uma renegada devido a mais um factor sobre o qual não tem opção de escolha. É impressionante como ela encara tal ao longo da vida, num misto de revolta contra a sociedade, a necessidade de aceitação pelos outros e a carência de reconhecimento pelo valor daquilo sobre o qual tem realmente controlo.

Esta protagonista é uma personagem carismática. Com as suas qualidades e defeitos, Onyesonwu consegue conquistar. As suas capacidades únicas vão evoluindo com o passar das páginas e impressionam por serem tão únicas e por nos fazerem acreditar num salvador que tem como destino fazer a diferença num mundo perdido. Curiosamente, as suas fraquezas fazem dela uma humana que se distingue dos outros pela garra e pela coragem de se superar, caindo as vezes que forem necessárias para fazer com que outros não sofram o que ela e os que mais ama sofreram.

Nem sempre é fácil perceber todas as capacidades de Onyesonwu. Os seus poderes incríveis vão evoluindo de forma gradual, nem sempre evidentes. Não estamos a falar das capacidades exploradas em tantas outras histórias, mas sim noutras que nos fazem pensar sobre as diferentes ligações que existem no nosso mundo, mas também entre realidades que vão para além da nossa compreensão. Gostei que a autora não fizesse deste factor algo apenas negativo, explorando ainda os sacrifícios necessários para se conseguir tal poder e ainda as consequências de actos irreflectidos ou desesperados.

Ao longo da história de Onyesonwu a autora explora temas que causam impacto no leitor por se tratarem de assuntos atuais. A questão da discriminação racial é muito forte neste universo marcado pela luta entre dois povos que se regem por um livro sagrado que dita a superioridade de um em detrimento de outro. O papel da mulher é analisado, sendo interessante verificar como este muda nas diferentes cidades ou tribos com as quais a protagonista contacta, apesar de a ideia de submissão acabar por estar sempre presente. A mutiliação genital feminina como componente cultural que é aceite sem que se tenha em causa a forma como irá afectar a saúde e o futuro de uma mulher. O medo do desconhecido que provoca rejeição e violência.

Quem Teme a Morte revelou-e uma leitura que superou as altas expectativas que inicialmente tinha. Apesar de algumas decisões da autora me terem custado um pouco a aceitar, reconheço que esta é uma obra que merece destaque por marcar a diferença dentro de um género que tanto admiro. Um livro que não só entretém como ainda tenta despertar consciências para o que se pode fazer nos nossos dias a nível das comunidades para a integração, respeito e igualdade. Recomendo.

terça-feira, 26 de junho de 2018

Resultado do passatempo "O Núcleo"

É com um enorme prazer que apresento o resultado deste passatempo realizado pelo blogue em parceria com o blogue "Palavras de Poder". Estava em sorteio um exemplar autografado do livro O Núcleo de Peter V. Brett.



Este sorteio conta com 90 participações, sendo o vencedor escolhido através do random.org. Assim, o vencedor corresponde ao número...

..51! Que equivale à participação de:

Maria (...) Silva, de Paredes

Muitos parabéns à vencedora! Vai ser enviado um e-mail para confirmar os dados de envio deste prémio.

quinta-feira, 21 de junho de 2018

Opinião: A Mulher Entre Nós

Título Original: The Wife Between Us (2018)
Autor: Greer Hendricks e Sarah Pekkanen
Tradução: Gonçalo Neves
ISBN: 9789896655471
Editora: Suma de Letras (2018)

Sinopse:

Aos 37 anos, a recém-divorciada Vanessa está no fundo do poço. Deprimida, a morar no apartamento da tia, sem filhos, sem dinheiro e sem amigos verdadeiros. Richard, o seu carismático e rico marido, era tudo para ela. Mas, ao descobrir que ele está prestes a voltar a casar, algo dentro de Vanessa se desfaz. A partir de agora, na sua vida, só existirá uma única obsessão: impedir esse casamento. Custe o que custar.

Nellie é como qualquer outra jovem bela e sonhadora que chega a Manhattan para começar a sua tão sonhada vida adulta. Mas a personalidade tranquila que ostenta é apenas uma fachada. Na sua cabeça perdura o segredo que a faz fugir da sua cidade natal e que a impede de caminhar sozinha para casa.

Ao conhecer Richard - bem-sucedido, protector, o homem dos seus sonhos -, Nellie começa finalmente a sentir-se segura. Ele promete protegê-la de tudo para o resto da sua vida. Mas, de repente, começa a receber chamadas misteriosas. Algumas fotografias são mudadas de lugar no seu quarto. Alguém a persegue, alguém quer o seu mal. Mas quem?

Opinião:

Sabia que A Mulher Entre Nós estava a causar furor a nível internacional, e por isso mesmo não quis perder esta leitura. Ao ter apenas a sinopse como base, fiquei bastante surpreendida com a história que encontrei. Este é um thriller familiar cheio de reviravoltas estimulantes. As ideias estabelecidas inicialmente são abaladas em mais do que uma ocasião fazendo com que seja difícil largar o livro, tal é a vontade de perceber a verdade por trás de tudo o que é narrado.

Confesso desde já que é difícil falar sobre este livro sem fazer alguma revelação que pode prejudicar a experiência de leitura de quem ainda vai apostar nesta obra. Por isso mesmo vou falar deste livro de uma forma mais abrangente. Inicialmente, as autoras apresentam-nos Vanessa, que surge como uma mulher que está a atravessar sérias dificuldades para atravessar o divórcio. A negatividade que Vanessa parece transmitir contrasta com a jovialidade e as esperanças de Nellie, uma jovem que está prestes a casar-se. A diferença entre estas figuras é marcante e proporciona momentos de leitura diferentes. Como tal, é natural haver maior interesse ou ligação com uma destas partes em detrimento da outra.

No meu caso, senti-me intrigada com as preocupações relativas ao passado de Nellie e queria descobrir ao certo que tinha levado Vanessa àquele estado. É curioso perceber que as suposições que tinha sobre as bases destas figuras e o futuro que lhes estava reservado estavam erradas. As autoras conseguem interligar estas duas vertentes de uma forma muito interessante, sendo que o leitor fica a sentir-se constantemente na ponta da navalha e com vontade de não largar o livro.

O desenrolar da trama é cativante. Admito que estranhei a forma como alguma ligações foram feitas, quase como a forçar uma linha de pensamento no leitor e sem grande relação com o que iria ser revelado. Ainda assim, consigo colocar esta questão de lado em detrimento do resultado global da obra. Esta é uma história que, apesar de alguns momentos mais romanceados, pode sugerir que algo semelhante pode ter acontecido ou estar a acontecer entre um casal.

São abordados diferentes temas ao longo destas páginas. A dor da separação, a esperança e vitalidade de uma nova relação, o amor entre familiares, a força e fragilidade de uma amizade, a abnegação que surge com a paixão, a vingança, o sofrimento que fica dos erros do passado. Contudo, o assunto mais forte acaba mesmo por ser a violência doméstica. As duas autora conseguiram apresentar esta tema de uma forma subtil, pouco óbvia, que vai surgindo aos poucos e explorando diferentes vertentes. Aplaudo a forma como retrataram as consequências da violência emocional e psicológica para a vítima, lados menos compreendidos desta agressão e que muitas vezes são difíceis de detectar.

Greer Hendricks e Sarah Pekkanen provam que as pessoas que mostram ser mais fortes muitas vezes estão quebradas, e que as mais frágeis podem estar a esconder um poder. Fiquei muito bem impressionada com A Mulher Entre Nós, um livro que em diferentes momentos conseguiu mudar todo o ponto de vista que tinha estado a criar desde a primeira página. Com personagens profundas e um enredo apelativo, as autoras apresentam-nos uma das melhoras histórias dentro do género.

segunda-feira, 18 de junho de 2018

Passatempo "O Núcleo" - livro autografado pelo autor!

Aqui está uma grande surpresa que tem sido preparada em parceria com o blogue Palavras de Poder. Juntos estamos a sortear um exemplar especial do livro O Núcleo. É que este livro, o último da saga "Ciclo dos Demónios", está autografado pelo autor, Peter V. Brett.


 
Para se habilitarem a ganhar este livro, apenas precisam de:

- Responder a todos os campos do questionário;
- Partilhar o link do passatempo nas redes sociais e de forma pública;
- Fazer gosto na página de Facebook do blogue Uma Biblioteca em Construção, aqui;
- Fazer gosto na página de Facebook do blogue Palavras de Poder, aqui;
- Só participar uma vez (caso tal não se confirme a participação será anulada);
 - O passatempo termina no dia 25 de Junho às 23h59. Não serão aceites participações após essa data.

Agora é só participar!



Notas:
- Este passatempo é realizado em parceria com o blogue Palavras de Poder;
- O vencedor será escolhido aleatoriamente entre as participações válidas através do site random.org;
- Como participação válida entende-se: existir apenas uma por participante com todos os dados do questionário respondidos correctamente;
- O vencedor será contactado por e-mail e anunciado no blogue;
- Este passatempo é válido para Portugal continental e ilhas;
- O blogue não se responsabiliza pelo possível extravio do livro nos correios.