segunda-feira, 24 de setembro de 2018

Novidade da Porto Editora para Outubro

O Meu Coração Entre Dois Mundos, de Jojo Moyes
Sinopse: Quando Lou Clark chega a Nova Iorque está convencida de que vai conseguir recomeçar uma nova vida e sente-se confiante para enfrentar todos os desafios, apesar dos milhares de quilómetros que a separam de Sam. Lou está determinada a aproveitar o mais possível a situação em que se encontra – vive e trabalha em Manhattan para uma família super- rica e vê-se inserida na alta sociedade nova-iorquina. E é assim que conhece Joshua Ryan, um homem que lhe traz recordações do passado. Em breve, Lou ver-se-á perturbada por aquele encontro, o que a leva a questionar-se sobre quem é a verdadeira Lou Clark e como poderá reconciliar as duas partes de um coração separado por um oceano.

Disponível a partir de dia 1.

sexta-feira, 21 de setembro de 2018

Opinião: Anassa (Erthe #2)

Título Original: Anassa (2018)
Autor: Josh Martin
Tradução: Ana Mendes Lopes
ISBN: 9789898917232
Editora: TopSeller (2018)

Sinopse:

Etain é a Anassa, a jovem líder da única ilha que resta na Terra. A profecia diz que o seu destino é unir os dois povos da ilha e liderá-los. Mas as profetisas não a preparam para as dificuldades - as pessias continuam divididas e começam a questionar a liderança.

Inesperadamente, a ilha é invadida por homens nunca antes vistos, guerreiros hostis, e os seus habitantes descobrem que afinal não estão sozinhos no mundo. Os recém-chegados trazem consigo violência, destruição e revelações sobre o passado que vão abalar as crenças da sociedade.

Para fazer frente à magia desconhecida e poderosa dos ocupantes e conseguir salvar a sua ilha, a Anassa terá de pôr em perigo a sua vida e a de todas as pessoas de quem gosta.

Opinião:

Anassa relata o que aconteceu após Ariadnis, primeiro livro desta saga de fantasia que nos apresentou uma ilha dividida por dois povos. Desta vez, o foco passa de Joomia e Aula para outras duas personagens já nossas conhecidas: Etain e Taurus. É através dos relatos destas duas figuras que conhecemos os desafios que surgem com a união dos povos e os obstáculos que têm de ser ultrapassados quando guerreiros desconhecidos invadem a ilha, escravizam o povo e provam que muitas verdades que todos tinham como absolutas estão erradas.

A história que este livro apresenta é mais apelativa do que a do primeiro. Existem muitos momentos de ação, sendo que o desenrolar dos acontecimentos convida à leitura ao mesmo tempo que nos fornece novas informações sobre este mundo. As primeiras páginas podem ser mais paradas, uma vez que o autor precisou de explicar o novo sistema de liderança e as dúvidas que assaltam a mente de Etain. Contudo, quando os invasores chegam, o ritmo começa a tornar-se mais rápido, sendo que os momentos descritos nas derradeiras páginas são alucinantes.

Apreciei a construção do enredo, mas admito que as personagens ficaram aquém das expetativas. As dúvidas e receios de Etain e Taurus relativamente ao que lhes é esperado fazem sentido, assim como a demonstração das suas falhas. Continuo sem sentir empatia por Joomia e Aula, que neste livro ficaram num papel secundário da ação. As novas personagens que surgem, porém apenas acrescentaram informação à história, ficando a faltar um caráter mais humano e denso.

Achei interessante a forma como o autor explorou a sexualidade das suas personagens. Josh Martin procurou mostrar que cada pessoa é livre de se expressar e assumir como bem entende, sendo que tal deverá apenas ser respeitado pelos outros. No que toca às relações, o autor dá a entender que o amor vale por si mesmo, quebrando com os traços mais conservadores. Foi relevante assistir ao choque de mentalidades que acontece quando os invasores chegam, especialmente no que toca ao quanto isso afeta quem é considerado diferente.

De forma implícita, o autor faz um alerta sobre os cuidados que são necessários a ter com o planeta de forma a conseguirmos preservar a nossa casa e o futuro das gerações. Ao mesmo tempo, usa o choque cultural para apresentar diferentes formas de encarar o mesmo problema. É curioso perceber que a sociedade patriarcal acaba por ser mais bélica enquanto a matriarcal ambiciona o equilíbrio. Não sei se tal foi propositado ou não, mas o certo é que esta obra tem uma forte mensagem feminista.

Anassa é um livro que entretém ao mesmo tempo que passa uma mensagem de aceitação e união. O final faz tudo o sentido ao trazer uma mensagem de esperança e de cooperação. Não sei se Josh Martin vai continuar a explorar este mundo, mas a verdade é que com este livro consegue terminar bem a aventura que começou com Ariadnis. Se gostaram do primeiro, então devem apostar neste segundo volume.

quarta-feira, 19 de setembro de 2018

Novos livros de Anne Bishop e Robin Hobb em outubro

Lago do Silêncio, de Anne Bishop
Sinopse: Depois do seu divórcio, Vicki DeVine assumiu a gestão de uma rústica propriedade perto de Lago do Silêncio, uma cidade humana que não é controlada por humanos. Na maior parte das cidades, humanos e Outros, os predadores dominantes que controlam a terra e toda a água, convivem num frágil equilíbrio. No entanto, quando não existem fronteiras, nunca se sabe o que está lá fora a observar. Vicki estava à espera de encontrar uma nova carreira e uma nova vida. Mas quando a sua inquilina, Aggie Crowe – uma dos Outros –, descobre um cadáver, Vicki torna-se na principal suspeita, apesar das evidências de que nenhum humano poderia ter cometido o crime. À medida que Vicki e os seus amigos procuram as respostas, forças antigas são despertadas pela perturbação no seu domínio. Elas têm regras que não devem ser quebradas – e todos os poderes destrutivos da natureza sob o seu comando.


A Viagem do Assassino, de Robin Hobb
Sinopse: Há muitos anos, FitzCavalaria jurou a si mesmo afastar-se das intrigas da corte e despir a pele de assassino. Tornou-se Tomé Texugo, um respeitável senhor rural, marido e pai. Mas esta pacata existência foi abalada pelo rapto da sua filha, Abelha, cuja existência praticamente todos desconheciam. Acreditando que a filha está morta, Fitz parte com o seu velho amigo Bobo em busca de vingança. A sua jornada leva-os a percorrer meio mundo, até chegarem a um lugar maldito que traz de volta memórias há muito esquecidas. Entre a dor da perda e a esperança num futuro incerto, Fitz e o Bobo terão de enfrentar revelações inesperadas que serão decisivas no futuro de ambos.


Disponíveis a partir de dia 26. 

Opinião: A Distância Entre Mim e a Cerejeira

Título Original: La Distanza Tra Me e Il Ciliegio (2018)
Autor: Paola Peretti
Tradução: Simonetta Neto
ISBN: 9789896655648
Editora: Nuvem de Tinta (2018)

Sinopse:

Todas as crianças têm medo do escuro, mas felizmente, para a maioria, o escuro é temporário e o medo transitório. Para Mafalda, de nove anos, o escuro é a sua única certeza e o seu futuro: dentro de seis meses, uma doença macular degenerativa condená-la-á a uma cegueira irreversível. Como será a sua vida então? Um livro com uma mensagem inspiradora e muito poética sobre superação, sonho e amizade.

Opinião:

Uma visão inocente e comovente de uma menina que se depara com um problema de saúde que muitos iriam ver como o fim da linha. Em A Distância Entre Mim e a Cerejeira, conhecemos a incrível história de Mafalda, uma criança que aos nove anos sabe que vai cegar dentro de pouco tempo devido a uma doença macular degenerativa. Mas esta não é uma história contada sem conhecimento de causa: é que Paola Peretti, a autora desta obra, foi diagnosticada com a mesma condição quanto tinha apenas 15 anos.

Como viver com a consciência de que, mais cedo ou mais tarde, tudo ficará escuro? Como imaginar o futuro nestas circunstâncias? Como se transformam os relacionamentos com os outros? São estas as questões fulcrais que ganham resposta ao longo deste livro lindíssimo e que nos agarra desde a primeira página e se lê num ápice. Junto de Mafalda, somos levados a interrogar-nos sobre o que faríamos naquela situação, sobre o que nos faria lutar pela normalidade e nos tiraria de um estado depressivo e angustiante.

Esta história é contada na primeira pessoa. Como tal, é emocionante entrar na mente de uma menina de nove anos e assistir à sua percepção do mundo e da sua condição. A inocência e sinceridade com que Mafalda nos relata os seus pensamentos criam uma empatia imediata. Conseguimos perceber perfeitamente a sua dor, as suas dúvidas, e ficamos encantados pela ingenuidade e pureza dos seus desejos e ambições. A autora conseguiu expressar-se com mestria na voz de uma criança.

As personagens secundárias desta obra conseguem conferir ainda maior riqueza à narrativa. Gostei da construção dos pais de Mafalda, que demonstram bem o desejo de darem o melhor à sua filha ao mesmo tempo que procuram esconder a angústia que sentem. Eles procuram tanto o melhor que podem dar à filha que acabam por se esquecer que ela está ali e que também tem uma voz, tornando tudo mais real. Filippo fornece um outro espectro sobre uma infância sofrida e prova de que a amizade é uma força poderosas. A Dona Estella foi uma das figuras que mais me chegou ao coração pela força e pelo carinho sempre demonstrados, mesmo quando, enquanto leitora, percebia que algo não estava bem.

O desenrolar da narrativa é muito rápido, o que, aliado a uma linguagem acessível e apelativa, fazem com que a leitura se torne muito rápida. Foi fácil fazer esta leitura em apenas um dia, sendo que, mesmo quando o livro já estava terminado e fechado, mantinha Mafalda e alguns momentos na minha mente. Existem questões que não são aprofundadas como poderia ser nosso desejo, mas tal devesse ao facto de tudo estar a ser contado por uma criança em tenra idade que não tem acesso ou consciência de informação mais precisa sobre certos temas.

A Distância Entre Mim e a Cerejeira é uma obra emotiva. Ao expor uma situação que lhe é bastante real, Paola Peretti parece procurar fazer o leitor pensar sobre o que realmente nos deveria mover na vida. A autora apela a uma reflexão sobre o que nos faz feliz e incentiva-nos a colocar as frustrações e problemas de lado para que nos passamos concentrar no que realmente nos ilumina a alma. Um livro pequeno, fácil de ler e com uma mensagem muito importante.


terça-feira, 18 de setembro de 2018

Opinião: A Guerra Que Salvou a Minha Vida

Título Original: The War That Saved My Life (2015)
Autor: Kimberly Brubaker Bradley
Tradução: Dina Antunes
ISBN: 9789898917225
Editora: TopSeller (2018)

Sinopse:

Tudo o que Ada conhece do mundo é o pouco que consegue ver a partir da janela. Sempre viveu com a mãe e o irmão mais novo num apartamento minúsculo, de onde está proibida de sair. Ada apenas teve a infelicidade de nascer com um pé aleijado, mas isso é mais do que motivo para a mãe se envergonhar dela, maltratando-a e escondendo-a.

Com a aproximação da guerra, todas as crianças de Londres são enviadas para um campo fora da cidade, e Ada aproveita a oportunidade para fugir com o irmão. Os dois são acolhidos por uma família que os ama incondicionalmente, sem distinções nem preconceitos, e Ada pode finalmente aprender a ler, a escrever e a montar a cavalo.

Pela primeira vez na vida, faz amigos e percebe o verdadeiro significado da palavra felicidade. Mas tudo pode ser posto em causa quando o passado volta para pôr Ada novamente à prova.

Opinião:

Este é um daqueles livros que aquece o coração. A Guerra Que Salvou a Minha Vida, de Kimberly Braubaker Bradley apresenta-nos uma nova visão sobre a Segunda Guerra Mundial, contada do ponto de vista de uma criança enfraquecida a nível físico e psicológico que abandona Londres para se refugiar com o irmão mais novo num aldeia no campo.

É impossível não sentir empatia por Ada, a protagonista desta aventura. Personagem rica e muito bem construída, apresenta uma evolução impressionante com o avançar da leitura. Ao início, fiquei em choque com as circunstâncias em que vivia. Poderia esperar a pobreza e miséria, mas nunca a negligência e os maus-tratos.É fácil perceber o motivo para Ada se sentir inferior a todas as outras pessoas e sentimos o que sofre nos castigos a que é submetida. O mais impressionante acaba mesmo por ser o facto de a protagonista encarar tal como normal, uma vez que nunca teve acesso a outra realidade. Nota-se uma grande insegurança, revolta, mesquinhez, ignorância e necessidade de afirmação da parte de quem devia cuidar dela.

Com a mudança de Ada e do irmão da cidade para o campo, inicia-se um processo de transformação em três personagens. A protagonista descobre o mundo, percebe que o pé deformado não a impede de descobrir o que a faz feliz. Ainda assim, o passado não é esquecido, acabando por se refletir em sentimentos de culpa, recusa em ser amado e incapacidade em acreditar que pode ser mais e melhor. O irmão de Ada, Jamie também passa por provações, ainda que distintas das da irmã. A imposição de regras é uma novidade para ele, que expressa o seu descontentamento e receios de uma forma diferente. Existe ainda uma outra figura de relevo: Susan Smith. Esta mulher é encontrada num estado de depressivo e acaba por encontrar uma missão pela qual lutar e recuperar, mesmo que por vezes tenha recaídas.

A narração é feita da primeira pessoa, sendo possível acompanhar sempre o ponto de vista de Ada sobre os acontecimentos. Como tal, temos uma visão de como a guerra foi vivida aos olhos de uma criança, que não tem verdadeira noção do que realmente está a acontecer. Sente-se o receio de um inimigo generalizado, mas também uma certa incompreensão sobre o que realmente está a acontecer. Existe um momento em que Ada realmente vê como a guerra afeta os homens que estiveram no campo de batalha, mas até aí o foco está na sua nova vivência no campo.

A ação parece avançar lentamente, mas isso não impede uma leitura interessada. Li este livro com vontade e em menos de 24 horas deparei-me com as derradeiras páginas. Apreciei bastante a construção das personagens e senti-me em todos os ambientes que Ada descrevia tão bem. Ainda assim, achei que a conclusão foi demasiado abrupta, tendo sentido necessidade de um epílogo que explicasse o que acontecia às personagens após os eventos finais.

A Guerra Que Salvou a Minha Vida é um livro de emoções. Uma história que nos mostra as consequências de abusos na primeira infância e que nos faz acreditar em superação através de amor e de dedicação. A Segunda Guerra Mundial surge apenas como pano de fundo para a história incrível de Ada e de como passou a criança negligenciada para uma verdadeira lutadora e até heroína. Uma leitura que fiz com prazer.