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sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Opinião: Eu Sou Deus

Título original: Io sono Dio (2009)
Autor: Giorgio Faletti
Tradutor: Sara Ludovico
ISBN: 9789896660451
Editora: Contraponto (2012)

Sinopse:

Um serial killer aterroriza a cidade de Nova Iorque. As suas ações não seguem os padrões conhecidos pelos criminalistas, sendo a escolha das vítimas totalmente aleatória. Não lhes olha nos olhos enquanto morrem, mas também não o poderia fazer, pois ataca massivamente.

As autoridades procuram desesperadamente um rosto, mas o assassino não tem rosto, nem nome, nem passado, nem futuro.
Vivien Light, uma jovem detetive que esconde os dramas pessoais sob uma sólida imagem profissional, e Russel Wade, um repórter fotográfico com um passado que deseja esquecer, são a única esperança para deter esse homicida - um homem que não pode ser responsabilizado pelos seus atos... um homem que acredita ser Deus.

Opinião:


Depois de a Contraponto ter apresentado o autor aos leitores portugueses com Eu Mato, a editora volta a apostar em Faletti, com um novo e surpreendente policial.

Eu Sou Deus tem uma trama bem conseguida, só consegui largar o livro quando tudo foi desvendado. Fiquei cativada pela forma como o autor mantém o mistério. Se ao início são dadas indicações sobre a identidade do vilão da narrativa, a verdade é que tal se revela um bom truque que distrai as atenções. Faletti leva a acreditar que deu todas as pistas necessárias para a descoberta das verdades  escondidas pelos crimes, mas, nas últimas páginas, o jogo é virado ao contrário e surpreende.

Mas se Eu Sou Deus possui acontecimentos deliciosos, tais acabam por perder alguma da sua força devido às personagens, o que é uma pena. Vivien Light e Russel Wade são interessantes, mas apenas enquanto analisados separadamente. Vivien é a imagem da mulher que sentiu necessidade de construir uma carreira sólida para ser valorizada, enquanto Russel é o homem inconformado por não conseguir preencher um vazio que a vida lhe deixou. Ambos têm histórias impressionantes, mas a relação que construem não convence e parace demasiado forçada. Na minha opinião, a trama ficou a perder com os desenvolvimentos tão rápidos nesta relação.

Mas a verdade é que o ponto fulcral é a ação e esta vai com certeza agradar. É rápida, cheia de mistérios e intrigante. A escrita é fácil de acompanhar e bastante simples, o que leva o leitor a perceber tudo o que lhe é transmitido, mesmo conceitos mais técnicos.

Destaco ainda o facto de o autor demonstrar preocupação em explicar o que leva as suas personagens a cometerem atos tão cruéis. A história fica, sem dúvida mais rica, e poderá gerar sentimentos de compaixão por quem pratica a crueldade para com o outro. Contudo, compaixão não significa compreensão.

Mais uma trama de Giorgio Faletti que agrada e que me deixou envolvida pelos esquemas que escondiam a identidade do vilão. Espero apenas que em próximos volumes, o autor mostre uma maior preocupação nas relações entre personagens, de forma a ser mais fácil acreditar na sua veracidade.

Outras opiniões a livros de Giorgio Faletti:
Eu Mato

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Opinião: Não Te Quero Matar (John Cleaver #3)

Título original: I Don’t Want to Kill You (2011)
Autor: Dan Wells
Tradução: Raquel Dutra Lopes
ISBN: 9789896661328
Editora: Contraponto (2013)

Sinopse:

John Wayne Cleaver é um rapaz bem-comportado, tímido, reservado (e obcecado com a morte, mais especificamente com homicídios), que estuda obsessivamente serial killers e passa os tempos livres a trabalhar na casa funerária da família. A morte parece fazer parte indelével da sua vida; talvez por isso John tenha desenvolvido os poderes de dedução que lhe permitiram salvar a sua cidade do ataque de assassinos (literalmente) demoníacos.
Em Não Te Quero Matar, John Wayne Cleaver apercebe-se de que a única maneira de pôr fim a estes ataques é fazer frente aos demónios que mataram tantos dos seus amigos e vizinhos.
Para isso, vai ter de desafiar uma das criaturas mais perigosas com que já se deparou; e os demónios nunca fazem jogo limpo…

Opinião:

Não Te Quero Matar fecha a série John Cleaver, de autoria de Dan Wells. Neste volume, o leitor vê John a cair em extremos e a colocar em dúvida a legitimidade da sua missão. Sem conseguir perceber algumas atitudes humanas, o jovem pensa mesmo em desistir, mas acaba por encontrar numa pessoa completamente improvável um companheiro para esta caça aos demónios.

John continua a revelar-se o rapaz que conhecemos de outros livros, mas o leitor vai perceber que sofreu algumas evoluções. Continua obcecado por serial killers e sem conseguir sentir empatia, mas agora tem propósitos mais definidos, quer seja na sua missão quer seja no seu papel na sociedade. Estes factores são intensificados pela narrativa na primeira pessoa, que dá um acesso mais amplo à complexidade do protagonista.

O grande vilão é completamente diferente dos anteriores, tem uma presença mais subtil e é mais intrigante do que os anteriores. Ele provoca uma mudança drástica na vida de John e na sua forma de ser.

Este volume, tal como os anteriores, continua a agarrar o leitor. Contudo, e mais uma vez, o autor deixa inúmeras pistas sobre o que vai acontecer no final mas, desta vez, Wells consegue surpreender com um encerramento dramático e muito bem conseguido, que vai deixar os fãs da série boquiabertos e satisfeitos.

Muito superior aos dois volumes anteriores, este livro vai, com certeza, fazer as delícias dos fãs. A escrita mantém as características já conhecidas, mas o enredo, para além de muito centrado na ação, adquire uma nova carga reflexiva. A leitura é realizada num ápice e entende-se que o autor decidiu deixar algumas pontas soltas para uma possível continuação.

Não Te Quero Matar superou as expetativas. Mais intenso do que os volumes anteriores, é um desfecho impressionante e muito adequado.

Outras opiniões a livros de Dan Wells:
Não Sou Um Serial Killer (John Cleaver #1) 
Senhor Monstro (John Cleaver #2)

terça-feira, 18 de junho de 2013

Opinião: Senhor Monstro (John Cleaver #2)

Título Original: Mr. Monster (2010)

Autor: Dan Wells
Tradução: Raquel Dutra Lopes
ISBN: 9789896661229
Editora: Contraponto (2012)

Sinopse:

Em Não Sou Um Serial Killer, ficámos a conhecer John Wayne Cleaver, um rapaz bem-comportado, tímido, reservado (e obcecado com a morte, mais especificamente com homicídios), que salvou a sua cidade de um assassino ainda mais aterrador que os serial killers que estuda obsessivamente.
No entanto, como rapidamente descobre, até os demónios têm amigos, e o desaparecimento daquele que John matou atraiu outro monstro ao condado de Clayton. As suas vítimas vão aparecendo na casa mortuária onde John trabalha, e ele tenta resolver o mistério, uma vez mais. Desta vez, contudo, há uma diferença: John já provou o sabor da morte, e a parte mais escura da sua personalidade pode descontrolar-se, com consequências imprevisíveis mas muito perigosas.
Ninguém em Clayton estará seguro se John não conseguir derrotar estes dois adversários tremendos: o demónio desconhecido que tem de caçar, e o seu próprio demónio interior - a criatura sedenta de sangue a que ele chama «Senhor Monstro»…

Opinião:


Segundo volume da trilogia John Cleaver, Senhor Monstro revela o que aconteceu após os eventos narrados em Eu Não Sou Um Serial Killer.
John, o jovem sociopata de Clayton que cativou no volume anterior, continua a tentar lidar com a sua natureza. Depois de ter morto um demónio que andava a aterrorizar a cidade, este jovem encontra novas formas de lidar com a sua pequena “dificuldade” numa tentativa de levar uma vida minimamente normal.
Com a ajuda da mãe, John tenta seguir uma série de regras restritas. Tenta. Afinal, a sua necessidade de matar, apelidada de “Senhor Monstro” tem uma voz muito própria e apelativa, sendo que a única forma de o controlar consiste em cometer alguns desvios. Para além do mais, Brooke, a rapariga por quem sente atraído, começa a mostrar interesse nele, o que leva John a testar os seus limites. E como se estes problemas não fossem suficientes, o protagonista descobre ainda que o demónio que matou tem amigos, amigos poderosos que vão voltar a colocar Clayton em clima de medo e tensão.
Senhor Monstro apresenta uma evolução significativa quando comparado ao primeiro volume. O protagonista é uma personagem em crescimento e é curioso ver de que forma ele tenta fazer parecer aos outros que é apenas mais um jovem igual a tantos outros, ao mesmo tempo que alimenta o seu instinto através de ações ponderadas. Existem momentos diferentes, outros que nos repugnam e outros ainda que nos fazem sorrir.
Mais uma vez, volta a ser interessante estar dentro da mente deste potencial serial killer e perceber o que o motiva. Contudo, é inevitável voltar a fazer comparações com a série de televisão de sucesso Dexter. A diferença está que Dan Wells apresenta um jovem em idade escolar e um mundo onde realidade e ficção surgem misturadas.
O grande vilão deste volume não é totalmente surpreendente. Porém, o leitor fica a conhecer um outro tipo de demónio, com poderes e capacidades diferentes, e percebe que existem muitos mais. O final deixa adivinhar que os choques entre personagens deste género não terminam por aqui e deixam a vontade crescente de conhecer melhor o lado sobrenatural deste universo.
Apesar de este livro, em termos de qualidade de narrativa e de caracterização de personagens e ambiente estar superior ao anterior, acaba por falhar no fator surpresa. Isto é importante pois o autor acaba por utilizar as mesmas fórmulas, e os momentos da trama que mais agradaram no primeiro são, de certo modo, repetidos no segundo, não existindo grandes situações de espanto. A leitura é rápida e fluída, mas no final fica a sensação que faltou algo.
Senhor Monstro parece marcar a transição entre um livro que marcou a diferença e um outro que se adivinha arrebatador. Mais negro, é uma leitura que vai agradar quem ficou deliciado com o primeiro volume desta saga.


Outras opiniões a livros de Dan Wells:
Não Sou um Serial Killer (Trilogia John Cleaver #1)

terça-feira, 19 de março de 2013

Opinião: Não Sou Um Serial Killer (John Cleaver #1)


Título original: I Am Not a Serial Killer (2009)
Autor: Dan Wells
Tradutor: Raquel Dutra Lopes
ISBN: 9789896661205
Editora: Contraponto (2012)

Sinopse:

 John Wayne Cleaver é um rapaz potencialmente perigoso - muito perigoso. E passou toda a sua vida a tentar não cumprir o seu potencial É bem-comportado, calado, tímido e reservado, mas incapaz de sentir empatia e de compreender as pessoas que o rodeiam. Prefere conviver com os mortos; o seu trabalho (e o seu passatempo favorito) é embalsamar cadáveres na casa mortuária que pertence à sua família. Além disso, partilha o nome com um famoso serial killer e tem uma obsessão quase incontrolável por psicopatas e assassinos em série. Sob estas circunstâncias, parece que o seu destino está traçado. Contudo, John Wayne Cleaver é plenamente consciente das suas invulgares características, e quer a todo o custo impedir-se a si mesmo de matar. Para tal, criou um conjunto de regras muito precisas: tenta cultivar apenas pensamentos positivos pelas pessoas que o rodeiam (até pelo bully do liceu), evita criar laços ou interessar-se por elas (tem apenas um amigo da sua idade) e, sobretudo, tenta a todo o custo manter-se afastado do fogo (que gosta de atear), dos animais (que gosta de dissecar) e de locais e vítimas de crimes. As suas regras vão ser postas à prova quando é encontrado um corpo terrivelmente mutilado - e depois um segundo, e um terceiro. Será que na sua pacata vila existe uma criatura ainda mais perigosa do que John Wayne Cleaver?

Opinião:


Não Sou um Serial Killer é o romance de estreia de Dan Wells. Fascinado pelo género fantástico e pela ficção científica, o autor decidiu desde muito cedo que queria ser escritor, mas primeiro experimentou outras áreas, como a publicidade. Em 2009, Wells apresentou o seu primeiro livro, que se tornou, imediatamente, num sucesso.

A narrativa inicia com a apresentação do protagonista, John Wayne Cleaver. Este jovem deseja, mais do que tudo, alguma ação e compreensão na sua pequena cidade, afinal, ele não é um rapaz como os outros: é sociopata. Os seus desejos rapidamente são atendidos, quando um homem surge assassino de uma forma incomum. Convencido de que se trata do trabalho de um assassino em série, John fica expectante com a possibilidade de surgir um novo corpo. Quando tal acontece, o jovem fica extasiado e inicia uma verdadeira caça ao homem (ou Demónio, como lhe chama).

Narrado na primeira pessoa, o que leva o leitor a criar uma maior proximidade com o protagonista, este livro apresenta uma história intimista de um pequeno rapaz que deve ser temido. John é uma personagem cativante, e faz lembrar Dexter Morgan, um outro sociopata protagonista de uma série de televisão com o mesmo nome, devido á sua obsessão e esforço por parecer ter um comportamento socialmente aceite. Este facto pode levar os fãs da série a não sentirem grande interesse no livro, pois trata de assuntos que já não são surpresa.

É muito interessante observar os pensamentos de John, conhecê-lo tal como realmente ele é e ver, de que forma se adapta à sociedade em que está inserido. Ficamos com a noção de que, para os outros, este é um rapaz muito introvertido, obcecado com temas estranhos, mas com nada a temer, um igual a tantos outros, mas na verdade isso não é bem assim. Nós, leitores, sabemos que John está num exercício constante de controlo. Ele não consegue criar empatia com ninguém, mas tenta fingir esse sentimento, ele sabe que a morte e a dor não são temas bem aceites pelos outros, por isso encontra escapes para canalizar essa obsessão. Para ser aceite pelos outros (ou melhor aceite) cria um sistema de regras que o conduzem a situações caricatas. É, sem dúvida, uma personagem complexa e que marca a diferença.

Dan Wells guarda algumas surpresas para os seus leitores. O autor conseguiu colocar um dos seus géneros de eleição dentro de um policial, de uma forma surpreendente que muito agrada, e é a partir desse momento que o ritmo de leitura se tornará frenético. A vontade de conhecer o desenlace da história vai aumentar ao virar de cada página. Contudo, aviso que quem prefere tramas que não fujam da realidade pode ficar um pouco desiludido com este livro.

O maior ponto positivo vai para a chamada de atenção do autor para o facto de as aparências nem sempre corresponderem à realidade. Wells mostra de um modo cativante que aqueles que parecem ser mais inofensivos escondem grandes segredos.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Comprar o livro pela capa 23: Anoitecer

Boa tarde a todos!

Desta vez, em "Comprar o livro pela capa", temos um livro que gostei muito de ler e que espero, sinceramente, que a restante saga seja publicada em Portugal. Estou a falar de Anoitecer, de Karen Marie Moning, publicado pela Contraponto. Este é o primeiro volume da saga sobrenatural Fever e, por cá, já teve direito a duas capas!

Em 2009, a Contraponto apresentou a primeira publicação deste livro. Lembro-me que tal foi feito numa época em que as prateleiras das livrarias e grandes superfícies comerciais se encontravam repletas de romances sobrenaturais, devido ao sucesso que a saga Luz e Escuridão (mais conhecida como saga Crepúsculo), de Stephenie Meyer estava a ter. Lembro-me que este livro me chamou a atenção, apesar de não o ter comprado logo (devo tê-lo feito na semana imediatamente a seguir, mais coisa menos coisa). Lembro-me que fiquei cativada pelo mistério sugerido pela mulher de olhos tapados e pela ideia de sensualidade que é transmitida pelos seus lábios entreabertos de cor vermelha (a combinar com as unhas). Os tons escuros utilizados sugerem ainda que esta é uma obra repleta de secretismo, tal como realmente acontece. Não fiquei fã do tipo de letra usado, mas reconheço que algo mais exuberante poderia ser demasiado para esta capa.


Em Janeiro de 2013 os fãs da saga voltam a ter esperança de que esta seja, finalmente, publicada por inteiro. A Contraponto apresenta uma reedição do primeiro livro na qual apresenta uma imagem nova, com a qual pretende alcançar um maior número de leitores. Desta vez é escolhida uma figura masculina, em tronco nu, para figura principal, sendo ainda que, em plano de fundo é possível observar elementos noturnos que sugerem mistério, muito presente na obra. Os tons amarelos e a cor da pele do homem entram em contraste com as cores escuras e reparem ainda que o tipo de letra utilizado no nome da autora é exatamente igual à da primeira capa.

Das duas, a minha preferida é, sem qualquer dúvida, a primeira. Prefiro ver a figura feminina misteriosa e encoberta do que o homem seminu, isto porque esta obra possui uma protagonista (forte, por sinal) e por se tratar de uma imagem mais atraente.

E vocês? Qual destas duas capas preferiam ter nas vossas prateleiras?


quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Opinião: Sangue Quente

Título original: Warm Bodies (2010)
Autor: Isaac Marion
Tradutor: Susana Silva
ISBN: 9789896660659
Editora: Contraponto (2012)

Sinopse:
R. é um jovem em plena crise existencial. É um zombie. Numa América devastada pela guerra, pelo colapso da civilização e pela fome incontrolável de hordas de mortos-vivos, R. anseia por algo mais do que devorar sangue quente. Só consegue pronunciar alguns monossílabos guturais, mas a sua vida interior é rica e complexa, cheia de espanto pelo mundo que o rodeia e desejo de o compreender - bem como a si próprio. R. não tem memórias, não tem identidade e não tem pulsação - mas tem sonhos. 
Depois de um ataque, R devora o cérebro - e, com ele, as memórias - de um rapaz adolescente, e toma uma decisão inesperada: não devorar a jovem Julie, a namorada da sua vítima, e até protegê-la dos outros zombies. Começa então uma relação tensa mas estranhamente terna entre ambos. Julie traz cor e vivacidade à paisagem triste e cinzenta da semi-vida de R. e a sua decisão de proteger Julie pode até trazer de volta à vida um mundo marcado pela morte.
 Opinião:

“Estou morto, mas não é assim tão mau. Aprendi a viver com isso. Lamento não poder apresentar-me como deve ser, mas já não tenho nome. Quase nenhum de nós tem.”

Isaac Marion apresenta Sangue Quente um romance que revela uma sociedade condenada por uma misteriosa praga, ou algo semelhante, que aniquilou a civilização, o que levou a que os poucos seres humanos existentes se dividissem em duas fações: Vivos e Mortos.

R é a personagem principal da trama e toda a narrativa é contada na sua perspetiva. R é um Morto ou um zombie, o que torna tudo muito mais interessante. R não se lembra da vida anterior àquela condição. Tem apenas alguns vislumbres de quem poderia ter sido e apoia-se na sua indumentária para dar fundamento a algumas teorias.  


Em Sangue Quente, o leitor segue a existência de um ser que nunca perdeu a esperança de se encontrar, apesar de tal não parecer fácil e até mesmo possível. R é ingénuo, corajoso e cativante, apesar de tal não parecer possível para descrever um zombie. A relação que estabelece com os outros Mortos é bastante interessante, na medida em que tenta alcançar alguma consciência naquela parte. A partir do momento que encontra Julie, assiste-se a uma evolução gradual da sua personalidade e dos seus intuitos. Julie é uma heroína com uma história trágica, mas dona de uma grande força de vontade, vitalidade e capacidade de arriscar, o que agradará os leitores.

As constantes reflexões e questionamentos da personagem principal podem ser o grande atrativo da obra, mas também podem aborrecer alguns leitores que procuram mais do que uma viagem interior onde algumas ideias são constantemente repetitivas.

A facilidade com que algumas situações são resolvidas é um dos principais pontos fracos, assim como a nula justificação para grandes acontecimentos, tais como o início do fim da civilização tal como a conhecemos, apesar de não ser intensão do autor dar qualquer explicação para esse facto. A exploração dos sentimentos das personagens por não ser do agrado dos fãs de zombies mais tradicionais, mas, em contrapartida, pode ser uma característica que vai agradar a todos os que gostam de ler aventuras de amores jovens e ingénuos.

A linguagem utilizada é bastante acessível e as ilustrações retiradas do famoso livro Anatomia de Gray dão um toque especial à obra em cada início de capítulo.

Sangue Quente é um livro indicado para quem aprecia romances improváveis inseridos dentro de tramas que nos fazem construir imagens quase cinematográficas, repletas de reflexões sobre a condição humana.a mim, não me marco particularmente, tendo sido apenas um meio para passar momentos desontraídos.


Nota: A adaptação cinematográfica de Sangue Quente deverá chegar aos cinemas portugueses em fevereiro de 2013. O filme conta com Nicholas Hoult e Teresa Palmer nos principais papéis.

sábado, 27 de outubro de 2012

Opinião: Eu Mato

Título original: Io Uccido (2002)
Autor: Giorgio Faletti
Tradutor: Carlos Martins e Silvana Urzini
ISBN: 9789896660444
Editora: Contraponto (2011)

Giorgio Faletti é uma personalidade bem conhecida em território italiano. Licenciado em direito, revela uma grande versatilidade ao aventurar-se na comédia, representação, música e literatura. Eu Mato, é a sua obra de estreia, um best-seller internacional, que chega ao público português pela Contraponto.

Sinopse:

“Há tantas máscaras lá fora, levadas por pessoas que não merecem nem aquela nem outras aparências”


Um locutor da Rádio Monte Carlo recebe, durante a sua transmissão nocturna, um telefonema intrigante. Um desconhecido, com a voz modificada artificialmente, revela ser um assassino. O facto é arquivado como uma brincadeira de mau gosto. No dia seguinte, um piloto de Fórmula 1 e a sua companheira são encontrados mortos e horrendamente mutilados no seu barco. Começa assim uma série de assassinatos. Cada um deles precedido por um telefonema para a Rádio Monte Carlo com um indício "musical" sobre a vítima que se segue, e acompanhado por uma inscrição a sangue que é, ao mesmo tempo, uma assinatura e uma provocação: Eu mato...


Para Frank Ottobre, agente do FBI de licença temporária, e Nicolas Hulot, comissário da Sûreté Publique, começa a caça a um fantasma.



Opinião:
 

Eu Mato é um romance policial que agarra desde a primeira página. Cheio de pormenores detalhados e ricos, revela uma intriga inteligente e bem construída que leva o leitor a saborear cada pormenor que é desvendado e a desejar ter acesso a mais informação. A trama ocorre no principado do Mónaco, o que permite que existe um contraste entre o glamour de um local frequentado pela elite mundial e o horror dos crimes cometidos por um misteriosos e sádico serail killer.

As personagens estão muito bem construídas, uma vez que apresentam características bastante complexas e reais, não se limitando a um estereótipo mas sendo mais do que isso. O grande ponto forte é, sem qualquer dúvida, o assassino. “Um homem frio, astuto, com preparação e impiedoso (…) de uma inteligência superior à média”, uma personagem que surpreende a cada nova revelação.


É interessante observar o método do assassino. O telefone para a estação de rádio a anunciar a escolha de uma nova vítima remete para a rotina necessária para a segurança do cruel acto mas também para a necessidade que ele tem de que o seu trabalho seja visto e reconhecido.  


A ligação dos acontecimentos está muito bem conseguida, e torna-se bastante interessante o facto de existirem capítulos dedicados à figura do assassino, onde é possível entrar na mente daquele que representa o mal e o caos na obra. O autor ainda dá a conhecer as vítimas antes de estas serem mortas, de forma a criar uma certa ligação entre o leitor e a personagem que vai fazer com que a sua morte tenha um maior significado. Ao longo do desenvolvimento da investigação, também as vidas dos agentes da autoridade Frank Ottobre e de  Nicolas Hulot são desvendadas, juntamente com os traumas mais marcantes de cada um.

Eu Mato foi um livro que muito me agradou e surpreendeu. Uma história complexa, com muitas intrigas que vai agradar a quem gosta de um bom mistério.

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Opinião: Anoitecer (Série Fever #1)


Título original: Darkfever (2006)
Autor: Karen Marie Moning
Tradutor: Elsa T. S. Vieira
ISBN:  9789896660123
Editora: Contraponto  (2009)

Sinopse:

Mac Kayla, ou Mac, é uma vidente Sidhe, o que quer dizer que consegue ver os Fae. Durante toda a sua vida tentou ignorar esse facto, de modo a não ser descoberta. Contudo, as barreiras que separam o mundo os humanos dos Fae estão a cair e isso aumenta os seus riscos de vida.

Tudo piora quando a irmã de Mac é misteriosamente assassinada, deixando como única pista uma mensagem no telemóvel. Assim, a heroína parte numa viagem à Irlanda com o objetivo de perceber o que aconteceu. Porém, nesse País, os Fae estão mais perto e Mac descobre que possui o dom de ver o reino dessas terríveis criaturas.

Enquanto Mac tenta descobrir o assassino da irmã, percebe que está a ser seguida pelo sombrio Jericho e por um perigoso Fae-alfa. Com o tempo, Mac vai perceber que está numa jornada maior do que julgava ser possível, e percebe que o futuro da humanidade tal como a conhecemos está nas suas mãos.

Opinião:

Anoitecer parecia ser um livro igual a outros tantos de urban fantasy, mas a verdade é que consegue surpreender e agarrar o leitor desde o início. Ao início, tudo parece bastante simples e linear, mas o decorrer da leitura demonstra que existem muitos segredos a serem desvendados e muitas peripécias interessantes a acontecer.

Para além do bom encadeamento dos acontecimentos, a história possui ainda personagens cativantes com quem é fácil criar empatia. Mac, a heroína, inicialmente pode parecer a típica menina mimada e fútil. Com o decorrer da história percebemos que as impressões iniciais não correspondem totalmente à verdade, mas que essas características são usadas como subterfúgio para esconder segredos obscuros e preocupações bem reais. É bom perceber que ela é uma jovem com sentido de humor e fiel aos seus princípios.

Jericho é outra personagem que vai ganhando relevância ao longo da trama e que vai cativando os leitores (principalmente o sexo feminino), apesar de ter uma personalidade facilmente mutável. Homem misterioso e dono de uma livraria, possui muitos conhecimentos sobre os Fae e revela-se uma ajuda fundamental.

Karen Marie Moning envolve todos os aspetos anteriormente descritos num ambiente negro, repleto de mitologia pagã e muito mistério. É com interesse que o leitor se depara com esta nova versão dos Tuatha Dé Danan, que tanto podem surgir com aspetos medonhos ou com belas e irresistíveis aparências. Contudo, independentemente do aspeto, a verdade é que são todos extremamente perigosos e manipuladores.
Anoitecer é o primeiro volume de uma saga que promete continuar a melhorar livros após livro. Entusiasmante e sem cair em facilitismos, tal como acontece em outras obras do género, é uma leitura que se faz num impulso e que faz desejar por mais.

sábado, 11 de agosto de 2012

Comprar o livro pela capa 3 - A Mecânica do Coração

A bela história de autoria de Mathias Malzieu surgiu com duas imagens diferentes, num curto espaço de tempo.



A capa amarela acompanhava a primeira edição deste livro, publico pela Contraponto a Outubro de 2009. Um rapaz toca violino sobre este fundo de cor tão rica. A sua expressão sugere introspecção, tristeza, nostalgia. A acompanhá-lo tem umas folhas, um relógio e uma lua. Envolta em mistério, esta capa não deixa adivinhar, ao certo, a trama que o livro apresenta no seu interior.

A segunda edição surgiu em Maio de 2010. Com ela, vinha uma nova imagem, que já acompanhava as edições mais recentes da versão original. Nesta capa é possível as duas figuras centrais do livro. Gosto especialmente do que os seus rostos transmitem: Jack completamente focado na bela rapariga que dança, alheia ao que o rodeia. Ele tem a mão no local onde deveria ter o coração, como quem sofre por amor, ela parece ter noção dos sentimentos que desperta, mas parece preferir ignorar isso.

Qual é a vossa preferida?

Opinião a este livro aqui: A Mecânica do Coração.

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Opinião: A Mecânica do Coração


Autor: Mathias Malzieu
Título Original: La Mécanique du coeur (2007)
Tradução: Irene Daun e Lorena e Nuno Daun e Lorena
ISBN: 9789896660734
Editora: Contraponto (2009)

Mathias Malzieu, vocalista dos Dionysos, uma banda de rock francesa é também autor de pequenas tramas que têm feito sucesso no seu País de origem. A Mecânica do Coração chega a Portugal pelas mãos da Contraponto e, apesar de possuir menos de 150 páginas, revela possuir uma trama inesquecível que se passa entre Edimburgo e Andaluzia, no século XIX.

Sinopse:

A história de Jack, o protagonista deste livro, é narrada pelo próprio. O início de vida deste jovem está longe de ser comum, já que nasce com o coração congelado. A doutora Madeleine, parteira que ajudou no seu nascimento, depressa arranja uma solução para garantir a vida daquela criança. Assim, Jack recebe no seu peito um relógio de madeira que ajudará o coração a trabalhar. Este engenho consegue garantir a sobrevivência do pequeno, mas também irá condicionar toda a sua vida. É que a manutenção deste engenho apenas é garantida se Jack evitar as emoções, o que o faz ter de evitar a raiva e principalmente o amor.

Adotado pela mulher que o ajudou a sobreviver, e que é considerada uma bruxa por muitos, Jack tenta ter uma vida isenta de sensações fortes. Contudo, esta vivência imperturbável torna-se praticamente impossível a partir do momento em que conhece uma bela cantora de rua que lhe desperta sentimentos proibidos, mas que depressa desaparece.

Dividido entre uma vida longa sem emoções e uma existência curta mas emocionante, Jack inicia uma jornada pela mulher que o arrebatou, onde descobre a beleza e o sofrimento de amar. 

Opinião:

Entrar nesta história é uma sensação agridoce. Os cenários melodramáticos e a pureza dos sentimentos expressos são descritos de forma quase poética e com reminiscências góticas. Foi com gosto que acompanhei a vida de Jack, um pequeno jovem ingénuo que cedo descobrirá que o amor não é tão belo como inicialmente imaginava.

Mais do que uma viagem pela conquista da mulher que idolatra, este herói vai passar por um processo de crescimento duro e cruel, sendo muito interessante ver as mudanças que ocorrem na sua personalidade. Inicialmente, vemos apenas um jovem frágil, inocente e doce, mas, com o decorrer da leitura, vemos a sua força interior a aumentar ao mesmo tempo que sofre com as contrariedades da vida.

Mais que um rapaz com um relógio de cuco no lugar do coração, Jack é a imagem do enamorado ingénuo, do jovem que sente não pertencer a lado algum, do ser que se reconhece ser diferente dos demais. O autor explora as diversas facetas do amor, que podem ir da felicidade gloriosa à destruição emocional.

No fim da leitura, fica apenas a dúvida de que se a trama ficaria a ganhar com um maior desenvolvimento ou se parte do encanto da história reside nestas breves páginas, escritas num ritmo tão belo e cativante.

Um pequeno livro que é um verdadeiro conto de fadas dirigido a um público adulto e que eu tenho a certeza de que vou voltar a ler. Recomendo!