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segunda-feira, 24 de junho de 2013

Opinião: Não Te Quero Matar (John Cleaver #3)

Título original: I Don’t Want to Kill You (2011)
Autor: Dan Wells
Tradução: Raquel Dutra Lopes
ISBN: 9789896661328
Editora: Contraponto (2013)

Sinopse:

John Wayne Cleaver é um rapaz bem-comportado, tímido, reservado (e obcecado com a morte, mais especificamente com homicídios), que estuda obsessivamente serial killers e passa os tempos livres a trabalhar na casa funerária da família. A morte parece fazer parte indelével da sua vida; talvez por isso John tenha desenvolvido os poderes de dedução que lhe permitiram salvar a sua cidade do ataque de assassinos (literalmente) demoníacos.
Em Não Te Quero Matar, John Wayne Cleaver apercebe-se de que a única maneira de pôr fim a estes ataques é fazer frente aos demónios que mataram tantos dos seus amigos e vizinhos.
Para isso, vai ter de desafiar uma das criaturas mais perigosas com que já se deparou; e os demónios nunca fazem jogo limpo…

Opinião:

Não Te Quero Matar fecha a série John Cleaver, de autoria de Dan Wells. Neste volume, o leitor vê John a cair em extremos e a colocar em dúvida a legitimidade da sua missão. Sem conseguir perceber algumas atitudes humanas, o jovem pensa mesmo em desistir, mas acaba por encontrar numa pessoa completamente improvável um companheiro para esta caça aos demónios.

John continua a revelar-se o rapaz que conhecemos de outros livros, mas o leitor vai perceber que sofreu algumas evoluções. Continua obcecado por serial killers e sem conseguir sentir empatia, mas agora tem propósitos mais definidos, quer seja na sua missão quer seja no seu papel na sociedade. Estes factores são intensificados pela narrativa na primeira pessoa, que dá um acesso mais amplo à complexidade do protagonista.

O grande vilão é completamente diferente dos anteriores, tem uma presença mais subtil e é mais intrigante do que os anteriores. Ele provoca uma mudança drástica na vida de John e na sua forma de ser.

Este volume, tal como os anteriores, continua a agarrar o leitor. Contudo, e mais uma vez, o autor deixa inúmeras pistas sobre o que vai acontecer no final mas, desta vez, Wells consegue surpreender com um encerramento dramático e muito bem conseguido, que vai deixar os fãs da série boquiabertos e satisfeitos.

Muito superior aos dois volumes anteriores, este livro vai, com certeza, fazer as delícias dos fãs. A escrita mantém as características já conhecidas, mas o enredo, para além de muito centrado na ação, adquire uma nova carga reflexiva. A leitura é realizada num ápice e entende-se que o autor decidiu deixar algumas pontas soltas para uma possível continuação.

Não Te Quero Matar superou as expetativas. Mais intenso do que os volumes anteriores, é um desfecho impressionante e muito adequado.

Outras opiniões a livros de Dan Wells:
Não Sou Um Serial Killer (John Cleaver #1) 
Senhor Monstro (John Cleaver #2)

terça-feira, 18 de junho de 2013

Opinião: Senhor Monstro (John Cleaver #2)

Título Original: Mr. Monster (2010)

Autor: Dan Wells
Tradução: Raquel Dutra Lopes
ISBN: 9789896661229
Editora: Contraponto (2012)

Sinopse:

Em Não Sou Um Serial Killer, ficámos a conhecer John Wayne Cleaver, um rapaz bem-comportado, tímido, reservado (e obcecado com a morte, mais especificamente com homicídios), que salvou a sua cidade de um assassino ainda mais aterrador que os serial killers que estuda obsessivamente.
No entanto, como rapidamente descobre, até os demónios têm amigos, e o desaparecimento daquele que John matou atraiu outro monstro ao condado de Clayton. As suas vítimas vão aparecendo na casa mortuária onde John trabalha, e ele tenta resolver o mistério, uma vez mais. Desta vez, contudo, há uma diferença: John já provou o sabor da morte, e a parte mais escura da sua personalidade pode descontrolar-se, com consequências imprevisíveis mas muito perigosas.
Ninguém em Clayton estará seguro se John não conseguir derrotar estes dois adversários tremendos: o demónio desconhecido que tem de caçar, e o seu próprio demónio interior - a criatura sedenta de sangue a que ele chama «Senhor Monstro»…

Opinião:


Segundo volume da trilogia John Cleaver, Senhor Monstro revela o que aconteceu após os eventos narrados em Eu Não Sou Um Serial Killer.
John, o jovem sociopata de Clayton que cativou no volume anterior, continua a tentar lidar com a sua natureza. Depois de ter morto um demónio que andava a aterrorizar a cidade, este jovem encontra novas formas de lidar com a sua pequena “dificuldade” numa tentativa de levar uma vida minimamente normal.
Com a ajuda da mãe, John tenta seguir uma série de regras restritas. Tenta. Afinal, a sua necessidade de matar, apelidada de “Senhor Monstro” tem uma voz muito própria e apelativa, sendo que a única forma de o controlar consiste em cometer alguns desvios. Para além do mais, Brooke, a rapariga por quem sente atraído, começa a mostrar interesse nele, o que leva John a testar os seus limites. E como se estes problemas não fossem suficientes, o protagonista descobre ainda que o demónio que matou tem amigos, amigos poderosos que vão voltar a colocar Clayton em clima de medo e tensão.
Senhor Monstro apresenta uma evolução significativa quando comparado ao primeiro volume. O protagonista é uma personagem em crescimento e é curioso ver de que forma ele tenta fazer parecer aos outros que é apenas mais um jovem igual a tantos outros, ao mesmo tempo que alimenta o seu instinto através de ações ponderadas. Existem momentos diferentes, outros que nos repugnam e outros ainda que nos fazem sorrir.
Mais uma vez, volta a ser interessante estar dentro da mente deste potencial serial killer e perceber o que o motiva. Contudo, é inevitável voltar a fazer comparações com a série de televisão de sucesso Dexter. A diferença está que Dan Wells apresenta um jovem em idade escolar e um mundo onde realidade e ficção surgem misturadas.
O grande vilão deste volume não é totalmente surpreendente. Porém, o leitor fica a conhecer um outro tipo de demónio, com poderes e capacidades diferentes, e percebe que existem muitos mais. O final deixa adivinhar que os choques entre personagens deste género não terminam por aqui e deixam a vontade crescente de conhecer melhor o lado sobrenatural deste universo.
Apesar de este livro, em termos de qualidade de narrativa e de caracterização de personagens e ambiente estar superior ao anterior, acaba por falhar no fator surpresa. Isto é importante pois o autor acaba por utilizar as mesmas fórmulas, e os momentos da trama que mais agradaram no primeiro são, de certo modo, repetidos no segundo, não existindo grandes situações de espanto. A leitura é rápida e fluída, mas no final fica a sensação que faltou algo.
Senhor Monstro parece marcar a transição entre um livro que marcou a diferença e um outro que se adivinha arrebatador. Mais negro, é uma leitura que vai agradar quem ficou deliciado com o primeiro volume desta saga.


Outras opiniões a livros de Dan Wells:
Não Sou um Serial Killer (Trilogia John Cleaver #1)

terça-feira, 19 de março de 2013

Opinião: Não Sou Um Serial Killer (John Cleaver #1)


Título original: I Am Not a Serial Killer (2009)
Autor: Dan Wells
Tradutor: Raquel Dutra Lopes
ISBN: 9789896661205
Editora: Contraponto (2012)

Sinopse:

 John Wayne Cleaver é um rapaz potencialmente perigoso - muito perigoso. E passou toda a sua vida a tentar não cumprir o seu potencial É bem-comportado, calado, tímido e reservado, mas incapaz de sentir empatia e de compreender as pessoas que o rodeiam. Prefere conviver com os mortos; o seu trabalho (e o seu passatempo favorito) é embalsamar cadáveres na casa mortuária que pertence à sua família. Além disso, partilha o nome com um famoso serial killer e tem uma obsessão quase incontrolável por psicopatas e assassinos em série. Sob estas circunstâncias, parece que o seu destino está traçado. Contudo, John Wayne Cleaver é plenamente consciente das suas invulgares características, e quer a todo o custo impedir-se a si mesmo de matar. Para tal, criou um conjunto de regras muito precisas: tenta cultivar apenas pensamentos positivos pelas pessoas que o rodeiam (até pelo bully do liceu), evita criar laços ou interessar-se por elas (tem apenas um amigo da sua idade) e, sobretudo, tenta a todo o custo manter-se afastado do fogo (que gosta de atear), dos animais (que gosta de dissecar) e de locais e vítimas de crimes. As suas regras vão ser postas à prova quando é encontrado um corpo terrivelmente mutilado - e depois um segundo, e um terceiro. Será que na sua pacata vila existe uma criatura ainda mais perigosa do que John Wayne Cleaver?

Opinião:


Não Sou um Serial Killer é o romance de estreia de Dan Wells. Fascinado pelo género fantástico e pela ficção científica, o autor decidiu desde muito cedo que queria ser escritor, mas primeiro experimentou outras áreas, como a publicidade. Em 2009, Wells apresentou o seu primeiro livro, que se tornou, imediatamente, num sucesso.

A narrativa inicia com a apresentação do protagonista, John Wayne Cleaver. Este jovem deseja, mais do que tudo, alguma ação e compreensão na sua pequena cidade, afinal, ele não é um rapaz como os outros: é sociopata. Os seus desejos rapidamente são atendidos, quando um homem surge assassino de uma forma incomum. Convencido de que se trata do trabalho de um assassino em série, John fica expectante com a possibilidade de surgir um novo corpo. Quando tal acontece, o jovem fica extasiado e inicia uma verdadeira caça ao homem (ou Demónio, como lhe chama).

Narrado na primeira pessoa, o que leva o leitor a criar uma maior proximidade com o protagonista, este livro apresenta uma história intimista de um pequeno rapaz que deve ser temido. John é uma personagem cativante, e faz lembrar Dexter Morgan, um outro sociopata protagonista de uma série de televisão com o mesmo nome, devido á sua obsessão e esforço por parecer ter um comportamento socialmente aceite. Este facto pode levar os fãs da série a não sentirem grande interesse no livro, pois trata de assuntos que já não são surpresa.

É muito interessante observar os pensamentos de John, conhecê-lo tal como realmente ele é e ver, de que forma se adapta à sociedade em que está inserido. Ficamos com a noção de que, para os outros, este é um rapaz muito introvertido, obcecado com temas estranhos, mas com nada a temer, um igual a tantos outros, mas na verdade isso não é bem assim. Nós, leitores, sabemos que John está num exercício constante de controlo. Ele não consegue criar empatia com ninguém, mas tenta fingir esse sentimento, ele sabe que a morte e a dor não são temas bem aceites pelos outros, por isso encontra escapes para canalizar essa obsessão. Para ser aceite pelos outros (ou melhor aceite) cria um sistema de regras que o conduzem a situações caricatas. É, sem dúvida, uma personagem complexa e que marca a diferença.

Dan Wells guarda algumas surpresas para os seus leitores. O autor conseguiu colocar um dos seus géneros de eleição dentro de um policial, de uma forma surpreendente que muito agrada, e é a partir desse momento que o ritmo de leitura se tornará frenético. A vontade de conhecer o desenlace da história vai aumentar ao virar de cada página. Contudo, aviso que quem prefere tramas que não fujam da realidade pode ficar um pouco desiludido com este livro.

O maior ponto positivo vai para a chamada de atenção do autor para o facto de as aparências nem sempre corresponderem à realidade. Wells mostra de um modo cativante que aqueles que parecem ser mais inofensivos escondem grandes segredos.