domingo, 20 de setembro de 2015

Opinião: Seeker - O Clã dos Guardiões

Autor: Arwen Elys Dayton
Título Original: Seeker (2008)
Tradução: Maria Ponce de Leão
ISBN: 9789892333427
Editora: Asa - Coleção 1001 Mundos (2015)

Sinopse:

Na noite em que prestar juramento, a jovem Quin Kincaid irá tornar-se aquilo para que treinou toda a vida. Irá tornar-se um Seeker. Este é o seu legado, e é uma honra. Como Seeker, Quin irá lutar ao lado dos seus dois companheiros mais chegados, Shinobu e John, para proteger os fracos e os injustiçados. Juntos, eles representarão a luz num mundo sombrio. E ficará com o rapaz que ama - que também é o seu melhor amigo. Mas na noite em que Quin presta juramento, tudo muda... ser Seeker não é o que ela pensava. A sua família não é o que ela pensava. Nem o rapaz que ela ama é quem ela pensava. E agora é demasiado tarde para fugir.

Opinião:

Seeker - O Clã dos Guardiões é um livro do género fantástico que aborda conceitos novos e que despertam interesse. A ideia de um clãs que vive à margem da sociedade e tem o poder para alterar eventos e, desta forma, proteger a humanidade provoca curiosidade. Quase que parece tratarem-se de ninjas ocidentais!

 Numa fase inicial, Arwen Elys Dayton, a autora, transporta-nos para a Escócia, onde ficamos a conhecer uma organização secreta e, curiosamente, familiar. É que as responsabilidades e deveres de um Seeker são ancestrais e passam de geração para geração, o que fortalece a ideia de que esta é uma função que o mundo dificilmente conhecerá. E, além disso, os filhos de Seekers começam a treinar desde tenra idade. E é  história de três jovens que nós, através deste livro, acompanhamos de perto.

Quin, John e Shinobu são a nova geração dos seus clãs e, supostamente, serão eles os próximos Seekers. Nas primeiras páginas, reparamos que os treinos deles são muito exigentes, mas também fica evidente que os três são tratados de forma diferente. Além disso, não é difícil perceber que eles formam um triângulo amoroso.

 Quin acaba por ser a figura central, talvez por ser a única rapariga. Ao início, é idealista, otimista, esperançosa e está preparada para abraçar as novas funções, mas certos eventos provocam-lhe um grande choque, e ela irá necessitar de passar por um complicado processo de mudança. Enquanto leitora, desejei que fosse bem sucedida, mas o facto de em diferentes partes da trama ela parecer uma pessoa diferente fizeram com que a empatia não ficasse bem estabelecida. Contudo, admiro algumas das suas escolhas e do facto de ela mover-se pelos seus valores e não pelas emoções.

Nas primeiras págins do livro, John foi a figura com que mais simpatizei. Reconheço que tal se deve ao facto de ele ser alguém que sofre com injustiças e de ter um passado incomum. Contudo, ele acabou também por se revelar na personagem que menos compreendi. Aceito as suas motivações, mas não a forma como ele tenta atingir os seus objetivos. Isto faz com que, a certo ponto, me tenha sentido muito irritada com ele. Já Shinobu é uma figura com uma evolução que tem altos e baixos (muto baixos), e que, apesar de tudo, parece manter alguns valores que que realmente se arrepende quando prejudica os outros. Gostei dele, mas julgo que tem muito mais para evoluir.

Existem outras figuras interessantes, entre as quais destaco os Dread. Eles formam um grupo à parte dos Seeker mas que trabalha em conjunto com eles. É através deles que se desvenda alguns mistérios além de que o conceito de atravessar o tempo e espaço ganhar uma dimensão superior no que toca a estas personagens. Ao início não se percebe muito bem o papel destas figuras, mas a falta de informação acontece um pouco por todo o livro.

A autora optou por criar uma trama de ação rápida, e isso fez com que não perdesse tempo com grandes explicações. Isso cria alguma confusão, pois até mesmo o conceito de Seeker é-nos apenas apresentado numa nota de tradução. E tal não acontece apenas com os conceitos, pois certos momentos da narrativa parecem ter dado um grande salto, pois a autora não explicou bem o que realmente tinha acontecido. E isso fica ainda mais difícil de entender quando se estão a dar saltos temporais e estes mal são mencionados.

Penso que, com esta trama, a autora procurou explorar a ideia do que pode acontecer ao poder quando é colocado em mãos com diferentes objetivos. Facilmente se percebe a ideia de que o ser humano é responsável pelas suas ações, que os fins nem sempre justificam os meios e que é muito fácil ser-se corrompido pelo poder. Isto aliado a uma trama com elementos sobrenaturais onde não faltam viagens pelo espaço através de artefactos especiais torna o livro bastante curioso. Contudo, gostaria que a autora tivesse optado por fazer mais explicações e descrições, de forma a não tornar certos momentos confusos.

Os acontecimentos finais são relevantes e fazem ter vontade de continuar a acompanhar a saga e as aventuras destas personagens. Estou muito curiosa para saber que mais nos reserva Arwen Elys Dayton com esta saga, cujo segundo volume original tem data de publicação prevista para janeiro de 2016.

2 comentários:

Bruno Vinhas disse...

Pensava que este Seeker era o mesmo da série de TV - The Legend of The Seeker. Mas ao ler o teu review percebi que as personagens não eram as mesmas. A série de TV é baseada nos livros de Terry Goodkind que pelas críticas é bem melhor que este Seeker.

Cláudia disse...

Olá Bruno! Este livro não está ligado a essa série. Esses livros de Terry Goodkind estão a ser publicados pela Porto Editora :)