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segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Opinião: A Rainha dos Malditos, volume 2 (Crónicas dos Vampiros #3)

Título original: Queen of the Damned (1988)
Autor: Anne Rice
Tradução: Clarisse Tavares
ISBN: 5601072618107
Editora: Publicações Europa-América (2010)

Sinopse:

Após ter despertado Akasha, a mãe de todos os vampiros, do seu sono de seis mil anos, Lestat ignora que corre perigo e que, num concerto em São Francisco, há entre os fãs centenas de vampiros dispostos a destruí-lo por ele ter revelado a condição dos seus semelhantes. Um misterioso sonho é partilhado por um grupo de homens e vampiros. Quando todos se aproximam, o sonho torna-se mais claro e tudo aponta para uma tragédia indescritível.

Opinião:
O segundo volume de A Rainha dos Malditos surge com um carácter mais activo do que o primeiro. Depois do inesperado final do concerto do Vampiro Lestat, marcado pelo despertar de Akasha, a mãe de todos os vampiros, as personagens cujo percurso o leitor acompanhou, reúnem-se e desvendam os segredos e mistérios ancestrais que desde sempre têm atormentado a comunidade vampírica, enquanto Lestat é levado pela rainha como seu consorte.

Vampiros diferentes e de distintas gerações unem-se para entender a sua natureza, assim como para conceber um plano que trave a ameaça provocada pelo despertar da bela e temida Akasha. A lenda das gémeas é finalmente apresentada na sua totalidade e explicada, revelando-se um ponto fundamental na mitologia, uma vez que está directamente associada à origem do vampirismo:

“Está bem, não fostes vós a enviar aquele espírito. Acredito em vós. Porque, obviamente, não sabeis o que aquele espírito fez. As suas torturas terminaram. Ele penetrou no rei e na rainha de Kemet! Está dentro dos seus corpos! Transformou a própria substância da sua carne!”

Entretanto, Akasha começa a executar o plano que arquitectou durante o seu longo sono. A rainha acredita ter descoberto a forma de trazer paz e estabilidade ao mundo, surgindo como governante e divindade única tanto para humanos como vampiros. Lestat é o escolhido para acompanhar a rainha, que o ama e vê nele o cúmplice perfeito:

“Lestat, se todo o mundo fosse destruído, eu não te destruiria. As tuas limitações são tão radiosas como as tuas virtudes, por motivos que eu própria não compreendo. Mas mais verdadeiramente, talvez, amo-te porque tu és exactamente o que há de errado com todos os indivíduos do sexo masculino. Agressivo, cheio de ódio e imprudência, de intermináveis e eloquentes desculpas para a violência, tu és a essência da masculinidade, e existe uma maravilhosa qualidade nessa pureza. Mas apenas porque ela pode ser controlada.”

Contudo, há factores que nem a poderosa Akasha pode controlar. Promessas antigas, desejos de vingança, forças misteriosas e a própria vontade dos seus filhos malditos podem surgir como entraves ao seu projecto para o mundo.

Anne Rice é uma excelente contadora de histórias. Se durante o primeiro volume lançou as pistas de uma forma subtil, no segundo conseguiu unir todos os pontos anteriormente apresentados e ainda deixa o leitor surpreso e deliciado com o resultado final.

As informações tão desejadas já são conhecidas e, com elas, surge a reflexão de diversos temas, alguns intemporais e outros bem actuais, apesar de esta ser uma obra escrita em 1988. O leitor entende os argumentos de ambas as partes, apresentados de forma apaixonada e eloquente, contudo, surge a questão do que o extremismo e a ânsia de poder podem provocar.

Esta obra peca apenas pela pouco relevância que é dada a certas personagens, que, graças à experiência de leitura anterior, sabe-se serem complexas e interessantes. Estas parecem apenas surgir para completar um número, já que em pouco ou nada intervêm na acção.

O segundo volume da Rainha dos Malditos vai deleitar os fãs de Anne Rice, apreciadores de histórias de vampiros complexas, elegantes, místicas, sensuais e cruéis. 


Outras opiniões a livros de Anne Rice:
Entrevista com o Vampiro (Crónicas dos Vampiros #1)
O Vampiro Lestat, volume 1 (Crónicas dos Vampiros #2)
O Vampiro Lestat, volume 2 (Crónicas dos Vampiros #2)

A Rainha dos Malditos, volume 1 (Crónicas dos Vampiros #3)
O Tempo do Anjo (Os Cânticos do Serafim #1)
O Anjo das Trevas (Os Cânticos do Serafim #2) 

sábado, 27 de dezembro de 2014

Opinião: A Rainha dos Malditos, volume 1 (Crónicas dos Vampiros #3)

Título original: The Queen of the Damned (1988)
Autor: Anne Rice
Tradução: Clarisse Tavares
ISBN: 5601072618091
Editora: Publicações Europa-América (2010)

Sinopse:

A viagem de Lestat até uma caverna numa ilha grega desperta Akasha, rainha dos malditos e mãe de todos os vampiros, do seu sono de seis mil anos. Desperta e sedenta de sangue, Akasha traça o seu maléfico plano para dominar o mundo dos vivos.
Num concerto em São Francisco, Lestat ignora que entre os fãs há centenas de vampiros dispostos a destruí-lo por ter revelado a condição dos seus semelhantes.
Um misterioso sonho é partilhado por um grupo de homens e vampiros. Quando todos se aproximam, o sonho torna-se mais claro e tudo aponta para uma tragédia indescritível.

Opinião:
A Rainha dos Malditos é o terceiro volume das Crónicas dos Vampiros. Tal como aconteceu em O Vampiro Lestat, a Europa-América dividiu esta obra de Anne Rice em dois volumes.

Neste primeiro volume o leitor regride um pouco no tempo e acompanha o percurso de várias personagens enquanto esperam pelo tão falado concerto do vampiro Lestat que resolveu expor a sua condição ao mundo dos humanos através da música rock. As novas personagens possuem histórias, vivências, personalidades e desejos diferentes, mas a principal novidade consiste no aparecimento de humanos que podem vir a ter papéis decisivos. Estas pessoas tão distantes estão, inicialmente, ligadas por um único factor: o conhecimento de uma lenda macabra de duas irmãs gémeas de cabelo ruivo. Esta lenda começa a despertar gradualmente na consciência das personagens com o surgimento da música de Lestat, o que aumenta o interesse destes humanos e vampiros de participar no concerto mais mediático de sempre.

Entre as novas personagens, destaco Khayman, um vampiro muito antigo que realmente conheceu as gémeas da lenda, Daniel, o jovem repórter que entrevistou Louis e que deseja a imortalidade, Jesse, uma humana órfã que tem uma tia misteriosa como tutora e que pertence a uma organização secreta que estuda acontecimentos sobrenaturais, e Pandora, já mencionada em O Vampiro Lestat, uma vampira antiga que está intimamente ligada a Marius, o vampiro responsável por guardar os Originais.

Este é um volume mais reflexivo onde o leitor consegue adquirir bases cruciais para o entendimento dos acontecimentos que irão ocorrer no segundo volume. Anne Rice leva-nos a conhecer diferentes caminhos que se direccionam para um momento específico, como forma de preparar com todo o rigor a chegada de Akasha, a rainha e mãe de todos os vampiros. O leitor fica na expectativa do momento, o que faz com que a divisão do livro original crie um entimento de frustração, uma vez que este volume acaba exactamente no momento em que a acção começa a desenrolar.

A lenda das gémeas é apresentada com alguma subtileza. Trata-se de uma história forte, e o facto de cada personagem apresentar uma vertente nova, aumentando o seu nível de complexidade e faz com que o leitor sinta o quão relevante é este assunto para a mitologia vampírica, apesar de só na era actual estar a despertar no consciente das personagens.

O leitor, já habituado ao estilo de Anne Rice já não estranha ou é surpreendido com a escrita poética característica da autora, pode ficar um pouco desagradado com a repetição e algumas ideias e até de frases retiradas dos livros anteriores.

Pode não ser um livro de fácil leitura, na medida em que é exigida a reflexão sobre eventos com pouca acção, mas os leitores que apreciaram os livros anteriores vão, com certeza, gostar de conhecer estas novas personagens e vão aguardar com ansiedade a chegada de Akasha, uma figura com um grande poder que promete alterar o mundo criado por Anne Rice.

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Opinião: O Vampiro Lestat - volume 2 (Crónicas dos Vampiros #2) )

Título original: The Vampire Lestat (1976)
Autoria: Anne Rice
Tradução: Sophie Vinga
ISBN: 5601072618060
Editora: Publicações Europa-América (2010)

Sinopse:

Na sequela de Entrevista com o Vampiro, Lestat é um excêntrico e sedutor vampiro que, ao longo de várias eras, procura as suas origens e quer desvendar o segredo da sua obscura imortalidade. Essa vertiginosa viagem leva-o da Inglaterra dos druidas aos lupanares de Paris do século XVIII e à Nova Orleães finissecular.
Avesso ao código de honra dos vampiros, que lhes impõe o silêncio sobre a sua condição, Lestat revela-se na esperança de que os imortais se unam para descobrirem o mistério da sua existência. E é então que Lestat, o caçador, se transforma numa presa.

Opinião:
O segundo volume de O Vampiro Lestat, continua a dar a conhecer de perto a história de uma das personagens mais marcantes de Anne Rice. Depois do conflito mortífero entre Lestat e os vampiros mais antigos e conservadores, grandes decisões são tomadas, e o belo vampiro parte numa viagem que o vai levar a conhecer outros vampiros de grande relevo que vão influenciar o seu comportamento e modificar a visão sobre a sua condição.

Enquanto o primeiro volume foi pautado pela descoberta da natureza vampírica, este é marcado pela procura da origem vampírica. Lestat parte numa busca por seres mais antigos que dêem sentido à sua existência, numa fase em que a imortalidade deixa de parecer uma bênção para se revelar uma maldição.

Novas personagens são reveladas e trilhos antigos são percorridos, de forma a fornecer uma explicação à existência dos vampiros. Lestat viaja por diversos locais, nomeadamente pelo continente europeu, asiático e africano, ao mesmo tempo que desvenda segredos da mitologia egípcia, celta e grega, que estão intimamente ligados à sua demanda.

O leitor fica a conhecer o génesis vampírico e a evolução de uma espécie ao longo dos tempos, assim como as suas alterações culturais, uma vez que os vampiros são fortemente influenciados pelo local e tempo em que são criados. O seu modo de vida em sociedade, deixa transparecer as questões religiosas e filosóficas do seu tempo, revelando diversas visões sobre a sua espécie.

“O que eu não compreendo em ti é isto. Tu agarras-te às tuas velhas crenças do bem com uma tenacidade que é virtualmente inabalável. No entanto, és muito bom a ser o que és! Caças as tuas vítimas como um anjo negro. Matas implacavelmente. Quando queres, banqueteias-te durante toda a noite com as tuas vítimas.”

A questão do bem e do mal continua a ter uma reflexão bastante forte e, ao contrário do que Entrevista com o Vampiro deixou transparecer, Lestat sempre sentiu um forte amor pelos humanos e por isso, vive atormentado por questões de vida e morte. Mais uma vez, o fascínio vampírico é mencionado, assim como a maldição desta condição:

“No entanto, os homens amam-nos quando acabam por nos conhecer (…) Encantam-se com a possibilidade da imortalidade, com a possibilidade de um grandioso e belo ser poder ser absolutamente mau, de ele poder sentir e saber todas as coisas e escolher livremente alimentar o seu negro apetite. Parece tudo tão simples. (…) Mas, se lhes for dado o Dom das Trevas, apenas um numa multidão não será tão infeliz como tu és.”

Anne Rice apresenta ainda os motivos que levaram Lestat a Nova Orleães, onde conheceu Louis, narrados em A Entrevista com o Vampiro. Faz também uma analogia entre a visão dos dois vampiros sobre os acontecimentos retratados no primeiro livro das Crónicas dos Vampiros, mais uma forte prova da grande complexidade do enredo criado pela autora.

Esta é uma viagem até à década de 1980, quando Lestat despertou do seu sono profundo e, numa tentativa de provocar os da sua espécie e de fazer “algo acontecer”, inicia uma carreira musical onde os mais profundos segredos que lhe foram confiados são revelados. Anne Rice deixa a história em aberto e os leitores ávidos de uma continuação, pois a música vampírica não só cativou os humanos quando modificou a ordem dos vampiros.

“Essa tua música dava para acordar os mortos.”

Lestat não adivinharia o quanto esta frase era verdadeira. Fica a sede de continuação, em A Rainha dos Malditos.


Outras opiniões a livros de Anne Rice:
Entrevista com o Vampiro (Crónicas dos Vampiros #1)
O Vampiro Lestat, volume 1 (Crónicas dos Vampiros #2)  
O Tempo do Anjo (Os Cânticos do Serafim #1)
O Anjo das Trevas (Os Cânticos do Serafim #2)

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Opinião: O Anjo das Trevas (Os Cânticos do Serafim #2)

Título original: Of Love and Evil (2010)

Autor: Anne Rice
Tradução: Paula Antunes
ISBN: 9789721061798
Editora: Publicações Europa-América (2012)

Sinopse:

«Sonhei com anjos. Vi-os e ouvi-os numa enorme e interminável noite galáctica. Vi as luzes que simbolizavam estes anjos, voando aqui e ali, em laivos de um brilho irresistível […] Senti amor em redor de mim neste vasto e contínuo domínio de som e luz […] E algo semelhante a tristeza apoderou-se de mim e confundiu toda a minha essência com as vozes que cantavam, porque as vozes cantavam sobre mim.»
Assim começa o novo romance assombroso de Anne Rice, um thriller sobre anjos e assassinos, que nos conduz novamente aos mundos obscuros e perigosos de tempos passados. Anne Rice leva-nos para outros domínios, desta vez para o mundo de Roma no século XV, uma cidade de cúpulas e jardins suspensos, torres altas e cruzes por debaixo de nuvens sempre em mudança; colinas familiares e pinheiros altos… de Miguel Ângelo e Rafael, da Sagrada Inquisição e de Leão X, segundo filho de um Medici, dissertando sobre o trono papal… E nesta época, neste século, Toby O’Dare, antigo assassino por ordem do governo, é convocado pelo anjo Malquias para resolver um terrível crime de envenenamento e para procurar a verdade sobre a aparição de um espírito irrequieto — um diabólico dybbuk. O’Dare em breve se vê envolvido no seio de conspirações negras e contra-conspirações, rodeadas por uma ameaça sombria e ainda mais perigosa, porque o véu do terror eclesiástico a cobre.
Enquanto embarca numa viagem de expiação, O’Dare é ligado ao seu próprio passado, com assuntos claros e obscuros, ferozes e ternos, com a promessa de salvação, e com uma visão mais profunda e rica do amor.

Opinião:


O Anjo das Trevas é o segundo volume da saga Os Cânticos de Serafim. Escrito durante uma fase em que Anne Rice regressava à fé cristã, este livro volta a explorar temas relacionados com a religião e redenção.

Neste volume, o leitor volta a acompanhar Toby O’Dare, um assassino a solo que se arrepende dos atos do passado. Conduzido por um serafim, Malquias, Toby tem a sua oportunidade de alcançar o perdão, mas, para tal, precisa de voltar ao passado para corrigir alguns erros através da sua fé ao mesmo tempo que inicia uma jornada de autoconhecimento e arrependimento.

O leitor fica a conhecer melhor o passado do protagonista, ao mesmo tempo que compreende melhor as suas motivações em diferentes fases da sua vida. Tal como aconteceu no volume anterior, as viagens no tempo, ou no tempo do anjo, voltam a ser fundamentais para a obra, já que estas levam Toby a enfrentar situações de grande complexidade.

Em Itália, o ponto de maior interesse consistiu quando o herói é tentado pela dúvida quanto à sua fé. Contudo este é um desafio ultrapassado com maior facilidade do que seria esperado, tal como acontece com praticamente todos os outros obstáculos que tem de atravessar.

No final, a autora volta a explorar a ideia de perdão e, nesse momento, pode-se estabelecer um paralelismo entre o herói e a autora, já que também ela afastou-se da religião durante muito tempo, regressando mais tarde no papel de devota (porém, Anne Rice anunciou há dois anos a rejeição do cristianismo, mas não de Cristo).

O estilo de escrita quase lírico ao qual a autora nos habitou mantém-se, contudo esta pode ser considerada uma trama menos surpreendente que as anteriores. Afinal, trata-se de um volume de proporções muito menores, o que faz com que a trama seja desenvolvida rapidamente, sem grandes reviravoltas ou desenvolvimentos.

Os fãs das obras anteriores de Anne Rice vão sentir que faltam ingredientes fundamentais a esta obra, o que faz com que não seja um dos melhores livros da autora. Esta é uma narrativa fortemente dedicada à religião e, por isso, poderá agradar apenas a quem está familiarizado com os conceitos apresentados. Uma leitura interessante para quem leu o primeiro volume da saga, mas que pode ser considerado aquém das Crónicas Vampíricas ou das Bruxas de Mayfair.

Outras opiniões a livros de Anne Rice:
Entrevista com o Vampiro (Crónicas dos Vampiros #1)
O Vampiro Lestat, volume 1 (Crónicas dos Vampiros #2)  
O Tempo do Anjo (Os Cânticos do Serafim #1)

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Opinião: Os Apóstolos da Fénix

Título original: The Phoenix Apostles (2011)
Autor: Lynn Sholes e Joe Moore
Tradução: Isabel Sequeira
ISBN:  9789721061897

Editora: Publicações Europa-América (2011)

Sinopse:

A jornalista Seneca Hunt está a assistir à abertura do túmulo de Montez na Cidade do México quando a equipa de escavação, chefiada pelo seu noivo, descobre que os restos mortais do imperador desapareceram. Poucos minutos depois, todos os que ali estão são mortos - com excepção de Seneca, que escapa à carnificina por um triz.
Decidida a descobrir quem está por detrás das mortes, Seneca junta-se ao romancista Matt Everhart. Juntos, eles fazem a arrepiante descoberta que alguém está a roubar restos mortais dos mais famosos assassinos em massa da história - enquanto seguem um trilho letal que vai recuar até à morte de Jesus Cristo.

Opinião:

Autores de policias com livros publicados em 24 línguas, Lynn Sholes e Joe Moore apresentam o primeiro livro de uma saga que junta o thriller com o mistério do sobrenatural. Os Apóstolos da Fénix é protagonizado por Seneca Hunt, uma jornalista que se depara no meio de uma conspiração antiga.

Esta é uma trama cativante que vai buscar inspiração à religião, mitologia e história. A ação é constante e faz com que a leitura avance a um bom ritmo, sem espaço para momentos aborrecidos. O leitor viaja entre a América e a Europa, fica a conhecer algumas teorias da conspiração atuais, assim como algumas personagens que marcaram o seu tempo pela crueldade dos seus atos.

As personagens estão bem conseguidas, mas o destaque não vai para Seneca, a protagonista da obra, mas sim para Billy Groves, um cowboy atormentado e possuidor de uma boa história de vida e redenção, que poderia ter sido melhor explorado. As descrições dos espaços está bem conseguida, na medida em que o leitor consegue sentir o frio e escuridão das catacumbas de Paris, até ao calor abrasador da Isla de Sangre.

Contudo, tudo parece ser demasiado fácil para os heróis, enquanto ações simples tomadas pelos vilões nunca são bem sucedidas, o que faz com que tudo corra para um inevitável desfecho. Teria sido agradável ter assistido a um maior grau de dificuldade na tarefa dos heróis, assim como teria sido mais emocionante ver nos vilões obstáculos mais realistas.

A mistura entre policial e sobrenatural foi bem conseguida e torna-se no factor mais cativante da obra. Os autores entrelaçam conceitos do Cristianismo e da mitologia dos Astecas com temores bem atuais relacionados com a mortalidade e o fim do mundo tal como o conhecemos. Esta junção está bem conseguida e é refrescante.

Os Apóstolos da Fénix é uma leitura bem agradável que agarra e faz crescer a curiosidade sobre estes dois autores.

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Opinião: O Hobbit

Título original: The Hobbit (1937)
Autor: J. R. R. Tolkien  
Tradução: Tito Lyon de Castro
ISBN:  9789721043053
Editora: Publicações Europa América (2007)

Sinopse:

O Hobbit é a história das aventuras de um grupo de anões que vão à procura de um tesouro guardado por um terrível dragão.
São relutantemente acompanhados por Bilbo Baggins, um hobbit apreciador do conforto e vida calma. Encontros com elfos, gnomos e aranhas gigantes, conversas com o dragão, Smaug, o Magnífico, e a presença involuntária na Batalha dos Cinco Exércitos são algumas das experiências por que Bilbo passará. O Hobbit é não só uma história maravilhosa como o prelúdio a O Senhor dos Anéis.

Opinião:


Quando se fala em J. R. R. Tolkien é inevitável relembrar o incrível e envolvente mundo exposto nas suas obras. Os fãs do autor decerto se sentem fascinados pela complexidade da história envolvente e pela definição das muitas raças existentes, contudo, é interessante ver como tudo isto começou com uma ideia tão simples.
“Num buraco do chão vivia um hobbit”, começa Tolkien, preparado para nos iniciar neste universo, arquétipo de muitos outros autores que viriam depois dele. Esse hobbit não era um sábio, um guerreiro ou um feiticeiro, era pura e simplesmente um hobbit, um dos seres mais simples da Terra Média. Bilbo Baggins é o nome deste ser habituado ao conforto do seu lar. Desde cedo é criada simpatia por esta personagem tão relevante e marcante na fantasia épica.

Certo dia, Bilbo recebe um estranho visitante. Gandalf, o feiticeiro cinzento perturba a vida tranquila do hobbit, e, com ele chegam treze anões que anseiam recuperar o lar dos seus antepassados. É impossível não ficar cativado com o sábio feiticeiro que se revela um líder perspicaz e um guia subtil, ou com o grupo de anões que, apesar das personalidades diversas, proporciona tanto momentos descontraídos como outros mais temerosos.

Bilbo nem quer acreditar no que a sorte ou o azar lhe levou à porta de casa. E se no início os instintos dos da sua espécie o dizem para expulsar aquela estranha gente da sua vida, com o tempo acaba por descobrir uma estranha necessidade de partir numa aventura e conhecer novas terras e pessoas. Quando dá por si, Bilbo está a viajar para fora do seu amado Shire em estranhas companhias. Pelo caminho, os valores deste hobbit são colocados à prova, quer seja na resistência física ou no combate a trolls, gnomos e até um terrível dragão que guarda um enorme tesouro.

Terminada esta aventura, não há como não ficar rendido a Tolkien. Em O Hobbit, o autor apresenta uma história adequada para todas as idades. Afinal, se uma análise superficial mostra uma trama simples, direcionada para um público jovem e baseada na sequência de peripécias, um leitor mais atento apercebe-se de algumas mensagens subtis e cativantes deixadas pelo autor.

Tolkien mostra que o ser mais simples é capaz de fazer toda a diferença. Daí escolher o hobbit para seu protagonista. Deste modo, quem ultrapassa as grandes adversidades não é o grande feiticeiro ou o guerreiro mais forte, mas sim o mais humilde dos seres, dotado de toda a sua bondade e coragem. Igualmente, o autor revela que todos possuem bem e mal dentro de si, e que a verdadeira provação está em escolher qual usar em cada momento. O respeito pelo passado e pelo meio ambiente estão também em evidência, nomeadamente na personificação destes conceitos em figuras concretas.

É ainda de enaltecer a presença de ilustrações realizadas pelo próprio autor. Estas não só nos aproximam mais da sua visão como fornecem uma maior beleza à edição.

O Hobbit torna-se um volume obrigatório na biblioteca de cada leitor. É um livro encantador que revela novos aspectos a cada releitura.

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Opinião: O Vampiro Lestat - Vol 1 (Crónicas dos Vamprios #2)

Título original: The Vampire Lestat (1985)
Autor: Anne Rice
Tradução: Sophie Vinga
ISBN: 9789721040021
Editora: Publicações Europa-América (2010)

Sinopse:
Lestat, personagem de Entrevista com o Vampiro, tem uma história para contar. O segundo volume da saga «Crónicas dos Vampiros» acompanha Lestat ao longo de várias eras, à medida que ele procura as suas origens e desvenda o segredo da sua obscura imortalidade.
Extravagante e apaixonado, Lestat mergulha nos lascivos lupanares de Paris do século XVIII, na Inglaterra dos druidas e na Nova Orleães finissecular. Após um sono profundo de cinquenta e cinco anos, Lestat está fascinado pelo mundo moderno. Quando quebra o código de honra dos vampiros, que lhes impõe o silêncio sobre a sua condição, Lestat revela-se na esperança de que os imortais se ergam e se unam para descobrirem o mistério da sua existência. E é então que Lestat, o caçador, se transforma numa presa(

Opinião:
Anne Rice apresenta a história do vampiro Lestat de Lioncourt, numa obra homónima, que sucede A Entrevista com o Vampiro, livro que inicia as Crónicas dos Vampiros.

Em Entrevista com o Vampiro, Lestat surge, pela última vez, escondido num cemitério em Nova Orleães. Atormentado com a rápida evolução do início do século XX, definha e entra num estado dormente, no qual permanece por décadas. O vampiro começa a receber informação, neste seu estado de sonho, através dos novos aparelhos que surgem nas redondezas e que amplificam a voz. Começa a despertar gradualmente, a desenvolver autoconsciência, sentindo o chamamento desta nova era, quando uma banda de rock começa a ensaiar perto do cemitério onde está abrigado.

Lestat desperta em 1984 e encontra o novo mundo. Admira as grandes mudanças e apaixona-se por um século onde tudo é permitido. Descobre a publicação narrada por Louis, A Entrevista com o Vampiro. Encolerizado pela forma como os factos foram narrados e surpreendido por segredos terem sido revelados, decide ir mais longe. Revela a sua identidade ao mundo através da música rock, que considera louca e deslumbrante, “bárbara e cerebral”, e começa a escrever as suas próprias crónicas.

Anne Rice dá conhecer a vida humana de Lestat. Nascido no século XVIII, em Auvergne, França, é o sétimo filho de um Marquis, e o mais novo de três que continuavam vivos. É muito interessante observar a condição familiar daquele que viria a ser um dos vampiros mais famosos do século XX. O seu irmão mais velho, Augustin, tornou-se senhor da propriedade da família, devido à incapacidade do pai, e gastou a fortuna acumulada. Lestat era o filho negligenciado, insatisfeito, que se tornou caçador, pois esta era, muitas vezes, a única forma dos seus não passarem fome.

Ao conhecer a história de vida de Lestat, o leitor compreende as suas acções, motivações e desejos, tão criticados e incompreendidos por Louis ao longo de A Entrevista com o Vampiro. A sua relação com a mãe tem um grande destaque. É uma mulher introspectiva e reservada, presa a um casamento que não a satisfaz, que procura refugiar-se nos livros, apesar de a sua presença se evidenciar nos momentos tortuosos de Lestat, sendo uma luz na obscuridade da dor.

É possível verificar uma grande alteração em Lestat depois de ser transformado. A sua personalidade continua a ser sensivelmente a mesma, apesar de a sua visão do mundo, a procura de conhecimento e redescoberta da arte o tornarem mais complexo e interessante. Quando a sua natureza muda, o leitor sente que algo de muito profundo foi modificado, sendo esta uma grande capacidade de Anne Rice: criar personagens credíveis e transformá-las, sem permitir que estas percam a sua essência.

A leitura é intensa e envolvente, e é curioso ver como a autora faz com que o leitor sinta as mudanças que ocorrem, nomeadamente nas passagens temporais e nas transformações das personagens. Assim, em modo de exemplo, é possível verificar que, ao início, a narração é quase frenética, a fazer sentir as grandes evoluções tecnológicas e o ritmo acelerado do quotidiano, assim como o despertar e o entusiasmo de Lestat perante este “novo mundo”, enquanto se observa uma cadência mais lenta, quando a acção passa para a vida familiar de Lestat no século XVIII, onde se salienta a introversão, focadas nas suas angústias e na forma como estas o têm vindo a consumir de uma forma progressiva.

Esta edição apenas peca, por possuir gralhas assim como algumas incoerências na tradução – certos nomes tanto podem ser encontrados no original como traduzidos.

O Vampiro Lestat é, sem dúvida alguma, uma história muito bem construída e com personagens complexas e profundas, muito características de Anne Rice. Não existe uma conclusão concreta, pois trata-se do primeiro volume de dois. Contudo, termina num momento muito especial, que aguça o apetite para o segundo livro.

Anne Rice continua a cativar com a sua escrita elegante e poética e foi um enorme prazer acompanhar, com este livro, uma das suas personagens mais carismáticas e apaixonantes. 




Outras opiniões a livros de Anne Rice:
Entrevista com o Vampiro (Crónicas dos Vampiros #1)
O Tempo do Anjo (Os Cânticos do Serafim #1)

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Comprar o livro pela capa 20: O Vampiro Lestat

Existem fãs do vampiro Lestat por aqui? O livro de Anne Rice dedicado a esta personagem tão marcante foi dividido em dois volumes pelas Publicações Europa-América e, como tal, todas as mudanças de capa foram realizadas em duplas.


As primeiras capas de O Vampiro Lestat portuguesas apostavam mais no texto do que na imagem. O título está em clara evidência, assim como o nome da autora. As figuras são muito discretas, mas o mesmo não se pode dizer das cores.



Mais tarde, as Publicações Europa-América decidiram reapresentar esta obra com capas mais obscuras. Lamento imenso, mas apenas consegui encontrar a imagem do primeiro volume. Contudo, recordo que a do segundo era muito semelhante a esta, tendo como única alteração a cor de fundo. O tipo de letra utilizado é mais moderno e a figura humana está discreta, escondida pelas sombras.


Recentemente, a editora voltou a apostar nas novas imagens das obras das Crónicas dos Vampiros e concebeu duas novas imagens para O Vampiro Lestat. Os tons negros e vermelhos voltam a estar em destaque e percebe-se que foi intuito da editora transmitir um teor obscuro e misteriosos a estas imagens.

Vistas as três duplas, qual é aquela que mais vos atrai?

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Comprar o livro pela capa 17: Entrevista com o Vampiro

A rubrica "Comprar o livro pela capa" apresenta, pela primeira vez, uma obra de Anne Rice, publicada em Portugal pelas Publicações Europa-América. Como não poderia deixar de ser, decidi começar com Entrevista com o Vampiro, livro que cativou uma verdadeira legião de fãs por todo o mundo e que continua a ser muito aclamado entre os apreciadores de histórias de vampiros.


A capa mais antiga que encontrei faz uma clara ligação ao filme homónimo de 1994. A imagem é uma adaptação do poster de promoção da película, e apresenta as três personagens fulcrais da trama, estando Lestat de Lioncourt (interpretado por Tom Cruise) em destaque e Louis de Point du Lac (Brad Pitt) com Claudia (Kirsten Dunst) em segundo plano. As cores escuras deixam adivinhar o conteúdo misterioso, sensual, introspetivo e até lúgubre da obra. 



Em 2011, as Publicações Europa-América decidiram relançar esta obra e concederam-lhe uma nova capa. O destaque vai para o contraste do preto com o vermelho e para a alteração do tipo de letra, mais moderno e apelativo. A frase "Bebe de Mim e Vive Eternamente" continua a fazer parte deste conjunto.

Apresentada as duas capas, resta saber qual é a vossa preferida. Para isso, basta fazer um comentário ou votar no inquérito que se segue (Eu depois vou anunciado os resultados na caixa dos comentários, já que não encontro uma poll com funcionalidade de os apresentar automaticamente).



sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Parceria com Publicações Europa-América

Boa noite!

É com prazer que vos anuncio a parceria do Uma Biblioteca em Construção com a Publicações Europa-América.



Esta é uma editora bem conhecida do nosso mercado, ou não tivesse já publicado mais de 51 milhões de livros. Nascida em 1945, a Publicações Europa-América apresenta mais de 5000 títulos que podem ser encontrados por todo o nosso país e na loja online da editora.

Conhecida pela variedade das colecções, esta é uma editora generalista, que aposta na diversidade de conteúdos, apresentando grandes clássicos, livros técnicos e até mesmo livros infanto-juvenis, só para exemplificar. Para mais informações sobre a editora, visitem www.europa-america.pt .

Não podia estar mais feliz com esta novidade. Agradeço-vos a todos por ajudarem este espaço a crescer!

domingo, 2 de dezembro de 2012

Comprar o livro pela capa 14: O Hobbit

Olá a todos! Com a aproximidade da estreia da adaptação cinematográfica de O Hobbit, de J. R. R. Tolkien, decidi procurar as capas que este livro já teve em Portugal. São quatro, todas elas diferentes, a primeira publicada através da Editora Civilização e as restantes pelas Publicações Europa.América.


A primeira vez que os hobbits chegaram a Portugal ganharam o nome de gnomos. Não conhecia esta capa, que me foi dada a conhecer através do Paulo Ferreira, que gentilmente a apresentou nos comentários deste post (como tal, alterei o artigo para a incluir.). Um forte agradecimento ao Paulo por tornar este post mais completo! Esta edição surgiu em 1962 e como é possível observar através dos desenhos, era dirigida a um público infantil. As ilustrações de capa e do interior são de autoria de António Quadros.







Eis a segunda capa de O Hobbit, desta vez já pelas mãos da Publicações Europa-América, editora que ainda detém os direitos da obra no nosso país. Com um grafismo que remete aos anos 70 do século XX, possui elementos que remetem para a trama, apesar de poderem estar representados de uma forma algo infantil.


Esta é provavelmente a imagem mais conhecida. Simples e bonita, revela apenas o dragão da trama e o tesouro que este guarda. Os tons predominantes são os dourados, o que confere uma noção de riqueza bem interessante.


Como acontece com muitos livros adaptados ao cinema, também O Hobbit ganhou uma capa com a imagem do cartaz do filme. Nesta imagem vemos o ator que dá vida a Bilbo a sair de sua casa no Shire, pronto para partir à aventura. É bonita, simples e tem os elementos certos, contudo vai desagradar quem não gosta de ver a associação do filme no livro.

Vistas as quatro capas, qual é a vossa preferida?

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Comprar o livro pela capa 12: O Regresso do Rei

Tal como os dois volumes anteriores da trilogia O Senhor dos Anéis, publicados em portugal pelas Publicações Europa-América, também o desfecho da trama de J. R. R. Tolkien apresenta quatro imagens distintas.

A primeira edição apresenta um tom verde, com a imagem de um homem armada de uma espada. Acho interessante que a imagem central esteja rodeada dos símbolos presentes do anel do poder. Contudo, é evidente de que se trata de uma edição antiga, já que possui uma imagem dotada de características pouco atuais.
Primeira capa


A segunda capa é, provavelmente, a mais conhecida. Com claras referências ao livro, relembra um conhecido momento de cerco, decisivo para a conclusão da trama. A imagem sugere simplicidade, apesar de uma análise mais atenta enaltecer o valor dos pormenores.
Segunda capa

A terceira capa surgiu na sequência da adaptação cinematográfica por parte de Peter Jackson. Os atores voltam a ter papel de destaque, o que pode não agradar os fãs de literatura que gostam de distanciar o livro do filme.
Terceira capa
Como a terceira capa tem uma imagem possui uma qualidade fraca, fica aqui o poster do filme que foi utilizado na sua elaboração, de modo a que consigam ver melhor os pormenores. Cliquem na imagem para ver maior


A última imagem que este livro já apresentou refere-se à edição ultralimitada elaborada pela editora. Esta capa volta a aproveitar a imagem da irmandade do anel (retirada do primeiro filme), mas, desta vez, com os tons avermelhados. Volto a dizer que poder cativar pela simplicidade, esta pode não ser uma opção que agrade a quem conhece a história, uma vez que a irmandade já se encontra desfeita desde o primeiro livro da trilogia.


Qual a vossa preferida?


quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Comprar o livro pela capa 11: As Duas Torres

A versão portuguesa de As Duas Torres, segundo volume da trilogia O Senhos dos Anéis, de J. R. R. Tolkien, também já apresentou imagens diferentes.

Este livro, publicado pelas Publicações Europa-América, já teve quatro capas, sendo que duas surgiram na sequência da adaptação cinematográfica em 2002.

(Clicar para ver maior)

Confesso que não conhecia a primeira capa publicada em Portugal. Sabia que ela existia, mas não tinha ideia de como era. Agradeço à Célia do blog Estante de Livros por me ter ajudado a encontrar a imagem, de modo a ser possível realizar este post.

A segunda é, talvez, a mais conhecida e é aquele que eu tenho nas minhas estantes. Apresenta claras referências ao enredo, tais como uma das torres e um nazgûl.

A terceira apresenta o cartaz do filme de Peter Jackson, o que pode agradar quem conheceu a trama através da adaptação cinematográfica.

A quarta aproveita uma imagem marcante do filme A Irmandade do Anel. Contudo, esta pode não fazer sentido para este livro, uma vez que a irmandade foi entretanto desfeita.

Qual a vossa preferida?

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Opinião: Entrevista com o Vampiro (Crónicas dos Vampiros #1)

Título original: Interview with the Vampire (1976)
Autor: Anne Rice
Tradutor: Teresa de Sousa Gomes
ISBN: 9789721037502
Editora: Publicações Europa-América (2010)

Sinopse:


Obra já clássica no seu género, Entrevista com o Vampiro é o primeiro volume da saga «Crónicas dos Vampiros» e granjeou o estatuto de livro de culto, comparável a Drácula de Bram Stoker.
Das plantações oitocentistas do Luisiana aos becos sombrios e cenários sumptuosos de Paris, do Novo Mundo à Velha Europa, Claudia e Louis fogem de Lestat, o seu criador e companheiro imortal. E o cruel vampiro que tirara partido do desespero de Louis e da fragilidade da órfã Claudia, no bairro francês da Nova Orleães assolada pela peste, move-lhes uma perseguição sem tréguas no submundo parisiense, entre a trupe Théâtre des Vampires do misterioso Armand e criaturas das trevas.
 

É com esta mescla de sangue, violência e erotismo ímpares, no pano de fundo da reflexão sobre a condição trágica que é a do vampiro condenado à imortalidade, que Anne Rice narra uma extraordinária história em que a crueldade e os sentimentos tenebrosos que percorrem as páginas resultam numa maravilhosa sinfonia poética que viria a inspirar muitos escritores

Opinião:


Em Entrevista com o Vampiro, Louis de Pointe du Lac a sua verdadeira natureza a um jovem jornalista: ele é um vampiro criado no século XVIII por Lestat, uma figura misteriosa e cruel que desenvolve em Louis sentimentos contraditórios ao longo de toda a narrativa. Lestat aproveita o desespero de Louis para proceder à sua transformação em ser da noite, servindo-se da influência e riqueza que este tinha enquanto humano. Louis relata a sua história, intimamente ligada com uma reflexão profunda sobre o valor da vida e da morte.

Louis, a personagem principal desta narrativa, é um vampiro que se agarra aos vestígios da sua humanidade, questionando-se constantemente sobre as condições da sua natureza, uma vez que Lestat insiste em mantê-lo ignorante nos assuntos dos seres das trevas. Encerra em si conflitos morais que o afastam do seu criador, o que levará Lestat a tomar medidas dramáticas que irão alterar o rumo dos acontecimentos.


Anne Rice apresenta, nesta obra, algumas das suas personagens mais marcantes: Lestat, Louis, Cláudia e Armand. Personagens completamente distintas que, num ambiente sangrento, violento e erótico, defronta-se com a condição trágica do vampiro condenado à imortalidade, um dom e, consequentemente, uma maldição.

Os diálogos e as descrições, levam o leitor a envolver-se completamente na narrativa, sendo fácil compreender os sentimentos desenvolvidos por Louis e pelas personagens que lhe são mais próximas, ao mesmo tempo, sentir o ambiente poético que é referenciado de forma minuciosa.

Narrado com mestria, este é um livro que enaltece valores humanos através de uma perspectiva mais obscura e por vezes macabra. O leitor não só fica agarrado à história como também rende-se ao estilo de escrita peculiar e poético de Anne Rice e à capacidade da autora de construir personagens complexas, profundas e memoráveis.


Este livro pertence ao grupo dos que mais prazer me deu a ler, devido à sua história envolvente, cruel, poética e às reflexões pertinentes. É um marco na literatura fantástica e gótica. Uma obra para ler e reler e que deve estar presente na estante de qualquer fã do género fantástico.


Outros livros de Anne Rice:
O Tempo do Anjo (Os Cânticos do Serafim #1)

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Comprar o livro pela capa 8 - A Irmandade do Anel

É o livro que marca o início de uma das minhas trilogias preferidas e também já apresentou diferentes caras. Estou a falar de A Irmandade do Anel, o primeiro volume de O Senhor dos Anéis, de J. R. R. Tolkien.

Clicar para ver maior




A primeira capa era para mim, até hoje, desconhecida. Agradeço GirlinChaiseLongue por me ter apresentado a esta versão.

A segunda capa possui um estilo muito peculiar e uma bonita ilustração de John Howe.
Tal como em tantos outros livros, as Publicações Europa-América optaram pela mudança na sequência da adaptação cinematográfica deste livro. Assim,  Tanto a terceira como a quarta versão apresentam imagens promocionais do filme, mas as duas são muito diferentes. Enquanto que na terceira as personagens mais evidentes desta fase da trama estão em evidência, a quarta possui um carácter mais misterioso, devido aos vultos dos nove elementos que formam a Irmandade do Anel.

Realço ainda o facto de que no primeiro e segundo volumes  destacam o nome do autor, enquanto que nos restantes é evidenciado o título da trilogia.Com isto, percebe-se que o nome O Senhor dos Anéis ganhou uma nova força desde o aparecimento dos filmes.

Qual é a vossa capa preferida?

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Opinião: O Tempo do Anjo

Título original: Angel Time (2009)
Autor: Anne Rice
Tradutor: Paula Antunes
ISBN: 9789721060418
Editora: Publicações Europa-América (2009)

Conhecida mundialmente pelas suas Crónicas Vampíricas, onde se destacam Entrevista com o Vampiro e A Rainha dos Malditos, adaptados ao cinema, Anne Rice sempre proporcionou aos seus leitores histórias negras de vampiros e bruxas. Recentemente, decidiu explorar novos temas com as séries A Vida de Cristo e Os Cânticos do Serafim.



Sinopse:


O Tempo do Anjo é o primeiro livro da série Os Cânticos do Serafim, e revela a história de Toby O’Dare, assassino implacávela solo, conhecido como “Sortudo”. Homem sem alma e sem nome, acede às ordens de um superior que não conhece. Certo dia, o seu destino leva-o a cruzar-se com um serafim, que lhe oferece a oportunidade de salvar vidas, em detrimento da sua destruição. 

Assim que aceita, Toby viaja no tempo até à Inglaterra do século XII, época de grande inquietação onde os judeus são acusados de assassinatos rituaise crianças desaparecem misteriosamente. Nesta época tão diferente e distante da sua, Toby inicia uma jornada de salvação repleta de perigos.

 Opinião:


Com uma trama dotada de um teor um pouco diferente dos apresentados nas histórias anteriores de Anne Rice, O Tempo do Anjo surpreende de uma forma muito positiva. O grande destaque desta obra vai para a construção de personagens secundárias fortes e para a forma como a fé é retratada. As ricas descrições da autora deixam compreender bem as angústias despertadas pela dúvida e pela solidão, assim como deixam compreender as alegrias provocadas pela crença num Deus que conhece cada pessoa ao pormenor e mesmo assim as ama.

É muito interessante a ideia de existirem dois tempos diferentes: o comum, vivido pelos humanos de uma forma cronológica, e o dos anjos, que permite estar presente em qualquer época da história, passada ou futura, e, desta forma, ter acesso ao conhecimento absoluto. Ao início pode ser um pouco difícil de o compreender, mas o decorrer da leitura ajuda nessa tarefa.

Menos interessante foi o facto de Toby O’Dare parecer mudar de forma demasiado automática. Seria mais convincente se a  personagem passasse por um momento maior de reflexão e arrependimento pelos seus actos passados e só depois se estabelecesse a conversão.

Terminada a leitura é certo que O Tempo do Anjo se trata de uma história envolvente. O argumento é cativante, repleto de emoção e mistério. O leitor é levado a pensar sobre a própria existência humana e, em como o acumular de experiências individuais transforma cada pessoa num ser único.