Autor: Daniel Silva
Título Original: The Kill Artist (2000)
Tradução: Vasco Teles de Menezes
ISBN: 9789722524605
Editora: Bertrand Editora (2008)
Sinopse:
Gabriel Allon foi em tempos um importante agente dos serviços secretos israelitas, mas agora só pensa em fugir do seu passado para viver uma vida tranquila como restaurador de arte. No entanto, o seu antigo mentor fá-lo regressar ao ativo para neutralizar Tariq, o terrorista palestiniano responsável pelo atentado que destruiu a família de Gabriel anos antes em Viena. Mas Gabriel não está sozinho: a sua parceira na missão é Jacqueline Delacroix, uma agente israelita oculta sob a sua própria máscara de modelo e com quem já trabalhara anos antes. É então forçado a lidar com os seus fantasmas e, sobretudo, com a culpa que o atormenta desde que quebrou todas as regras e se envolveu com Jacqueline no decorrer de uma missão. Aquilo que começa como uma caça ao homem torna-se um duelo que atravessa o globo e é alimentado pela intriga política e por intensas paixões pessoais. Num mundo onde o sigilo e a duplicidade são absolutas, a vingança é um luxo sem preço e a maior das obras de arte.
Opinião:
O Artista da Morte é o primeiro livro que leio de Daniel Silva. Confesso que não foi fácil entrar nesta história, talvez porque nos primeiros capítulos não se acompanha de forma directa o protagonista, Gabriel Allon. É através da visão de uma criança que vamos percebendo o que ele é e o que ele faz, pelo menos enquanto não está a trabalhar para os serviços secretos israelitas. O facto de esta fase demorar algum tempo faz com que não seja possível criar rapidamente empatia com Allon. Para além disso, o facto de nos serem apresentadas algumas personagens fez-me sentir um pouco perdida na narrativa. Felizmente, quando surgem os capítulos que são descritos sob o ponto de vista do protagonista e quando finalmente se consegue ligar todas as figuras apresentadas, tudo fica diferente e a leitura torna-se compulsiva.
Gabriel Allon não é um homem fácil de aceitar. Ao início pode parecer muito fechado, mas conforme a história vai avançando, dá a entender que se trata de alguém com um passado forte e doloroso. É interessante verificar o quanto a sua história o afecta. As suas acções e decisões passadas foram tomadas tendo como base uma ideologia. Contudo, verifica-se que esta ideologia perdeu a sua força quando chegaram as consequências. Gabriel Allon é então um homem atormentado, resultado de uma soma de decisões que agora percebe não terem sido as melhores. Quando me apercebi deste seu lado, senti-me mais ligada a este protagonista e entendi melhor os seus silêncios e hesitações.
Existiram outras figuras que me atraíram. Jacqueline foi uma das personagens que mais gostei. Não sei se foi pelo facto de ser a única mulher relevante na trama que me fez ficar tão cativada por ela, mas acho que não. O autor deu-lhe um passado relevante e motivações que prendem a atenção. A sua função acaba por ser determinante, o que faz com que ela se coloque em situações de grande interesse para o avançar da trama. Tariq revelou ser um vilão que tanto nos faz provoca medo como curiosidade devido à sua personalidade peculiar. Shamron revela-se muito mais do que um agente sénior e acabou por me surpreender.Também fiquei bem impressionada com a breve aparição de Arafat. Foi breve, mas forte.
Existe um clima de mistério e conspiração em toda a leitura. É curioso constatar que esse mesmo clima fica mais intenso quanto mais é desvendado. Afinal, quantos mais dados o autor nos fornece, mais nós percebemos a profundidade do caso que está a ser tratado. Isto é muito interessante, pois faz perceber as relações internacionais e a política podem ser tão complexas, muito mais do que aquilo que nos é apresentado através de órgãos de comunicação e mesmo do que podemos, por vezes, imaginar.
O tema principal desta trama é o conflito entre Israel e Palestina. A abordagem dada foi muito intrigante e também informativa. Gostei que o autor conseguisse abordar ambos os lados deste conflito com justificações e condenações. Dá para entender que o autor é adepto da aceitação da diferença e contra qualquer ideia extremista. Fiquei ainda bem impressionada com o facto de que, se ao início apresenta o lado de Gabriel Allon como o "bom" e o contrário como o "mau", no final acaba por mostrar que ambas as posições são feitas de humanos que sofrem, amam, sonham e cometem erros.
Apesar das dificuldades iniciais com o entendimento do enredo, a escrita de Daniel Silva acaba por se revelar simples, voltada para a acção e exposição informativa. As descrições só existem quando são necessárias, sendo mais evidentes em momentos de espionagem (uma nota: os momentos passados em Lisboa estão muito bem apresentados. Sente-se o espírito da nossa capital, o que é de uma grande satisfação). Os diálogos estão bem conseguidos e parecem reais. Os capítulos pequenos acabam por ser mais um motivo para que a leitura seja feita com relativa fluidez.
Pode ser um livro que demora a arrancar, mas quando o faz agarra para uma leitura rápida e interessante. Através de O Artista da Morte, Daniel Silva convenceu-me de que é capaz de criar intrigas apelativas e personagens complexas, ao mesmo tempo que aborda conflitos tão pertinentes do mundo actual. Vou passar a ter mais atenção a este autor.
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segunda-feira, 29 de setembro de 2014
sexta-feira, 12 de setembro de 2014
Opinião: Delírio (Sem Fôlego #2)
Autor: Maya Banks
Título Original: Fever (2013)
Tradução: Ana Cunha Ribeiro
ISBN: 9789722527132
Editora: Bertrand Editora (2013)
Sinopse:
Gabe, Jace e Ash: três dos homens mais ricos e mais poderosos do país. Estão habituados a conseguir tudo aquilo que querem. Tudo mesmo. Para Jace, trata-se de uma mulher que o surpreende completamente…
Jace, Ash e Gabe são amigos e sócios cheios de sucesso há muitos anos. São poderosos, influentes, sensuais e irresistíveis. Jace e Ash partilham tudo, incluindo as mulheres. Quando conhecem Bethany, Jace começa a sentir algo pela primeira vez na vida: ciúmes e uma obsessão forte, esmagadora, que o ameaça, mas que também o excita descontroladamente.
Jace não quer partilhar Bethany com ninguém. Está decido a ser o único homem da vida dela, mas isso está a pôr em causa a amizade de uma vida inteira com Ash. Bethany será sua, e apenas sua. Mesmo que para tal tenha de virar costas ao amigo…
Opinião:
Depois de não ter ficado surpreendida com a história de Mia e Gabe em Obsessão, o primeiro volume da trilogia erótica "Sem Fôlego", decide dar uma hipótese a Delírio. Fi-lo porque durante essa leitura tinha ficado intrigada com Jace e Ash, dois amigos que partilham muito mais do que uma forte amizade. Saber que este volume iria ser mais focado neles foi o que me vez ter vontade de iniciar esta leitura.
Ao início cheguei a acreditar que este livro seria muito mais interessante do que o primeiro. Uma situação logo nas primeiras páginas levavam-me a crer que o teste à amizade de Jace e Ash seria um dos grandes temas e estava curiosa para assistir a tal. Contudo, este confronto acabou por se revelar leve e funcionou apenas como um elemento secundário.
Já sabia que o romance entre Jace e Bethany seria o centro da trama, mas o que não esperava é que a ocupasse por completo. Logo as minhas expectativas dissiparam-se e percebi que estava novamente perante um romance de rapaz conhece rapariga, apaixonam-se rapidamente, fazem tudo um pelo outro, existe uma espécie de problema, problema é resolvido e viveram felizes para sempre. Desculpem lá expor assim a história, mas vocês iriam adivinhar que seria isto que iria acontecer logo no primeiro capítulo. Como podem ver, Delírio não é propriamente um livro que marque pela diferença.
Para além de perceber que existiam muitas semelhanças entre este livro e outras obras de Maya Banks, dei por mim a compará-lo ainda com a história da Cinderela. Não é que exista um baile no palácio e um sapatinho perdido, mas pela personagem de Bethany. Afinal, ela é alguém que passa sérias dificuldades e que vê em Jace o seu príncipe encantado. Bethany é resgatada, dando esperança que mesmo as situações mais complicadas poderão ser resolvidas.
Apesar de não ter ficado rendida à trama, confesso que gostei de Bethany. Percebi os seus receios, inseguranças e devoção por uma certa personagem. Gostei do facto de ela não se deixar "comprar" por Jace e por permanecer fiel aos seus valores. Já Jace pareceu-me o típico homem poderoso deste tipo de romances, o que não me fez acreditar que ele pudesse ser real.
Gostei do facto de as histórias de Delírio e Obsessão estarem tão ligada. Sendo assim, é possível ver o que aconteceu a Mia e Gabe depois de terminado o livro que lhes era dedicado e ainda é possível ficar a conhecer melhor a personalidade e história de Ash. Contudo, tendo percebido que Maya Banks não é propriamente uma autora capaz de inovar, não fico com vontade de ler o último volume desta trilogia.
Delírio foi uma leitura que começou a um ritmo rápido, apresentou situações inesperadas e interessantes, mas que com o avançar das páginas foi perdendo interesse. A fórmula escolhida pela autora é muito semelhante à usada em Obsessão. Assim é com facilidade que se percebe o caminho que as personagens irão seguir, não havendo grandes surpresas ou emoções quando se chega ao fim.
Outras opiniões a livros de Maya Banks:
Obsessão (Sem Fôlego #1)
Na Cama com um Highlander
Título Original: Fever (2013)
Tradução: Ana Cunha Ribeiro
ISBN: 9789722527132
Editora: Bertrand Editora (2013)
Sinopse:
Gabe, Jace e Ash: três dos homens mais ricos e mais poderosos do país. Estão habituados a conseguir tudo aquilo que querem. Tudo mesmo. Para Jace, trata-se de uma mulher que o surpreende completamente…
Jace, Ash e Gabe são amigos e sócios cheios de sucesso há muitos anos. São poderosos, influentes, sensuais e irresistíveis. Jace e Ash partilham tudo, incluindo as mulheres. Quando conhecem Bethany, Jace começa a sentir algo pela primeira vez na vida: ciúmes e uma obsessão forte, esmagadora, que o ameaça, mas que também o excita descontroladamente.
Jace não quer partilhar Bethany com ninguém. Está decido a ser o único homem da vida dela, mas isso está a pôr em causa a amizade de uma vida inteira com Ash. Bethany será sua, e apenas sua. Mesmo que para tal tenha de virar costas ao amigo…
Opinião:
Depois de não ter ficado surpreendida com a história de Mia e Gabe em Obsessão, o primeiro volume da trilogia erótica "Sem Fôlego", decide dar uma hipótese a Delírio. Fi-lo porque durante essa leitura tinha ficado intrigada com Jace e Ash, dois amigos que partilham muito mais do que uma forte amizade. Saber que este volume iria ser mais focado neles foi o que me vez ter vontade de iniciar esta leitura.
Ao início cheguei a acreditar que este livro seria muito mais interessante do que o primeiro. Uma situação logo nas primeiras páginas levavam-me a crer que o teste à amizade de Jace e Ash seria um dos grandes temas e estava curiosa para assistir a tal. Contudo, este confronto acabou por se revelar leve e funcionou apenas como um elemento secundário.
Já sabia que o romance entre Jace e Bethany seria o centro da trama, mas o que não esperava é que a ocupasse por completo. Logo as minhas expectativas dissiparam-se e percebi que estava novamente perante um romance de rapaz conhece rapariga, apaixonam-se rapidamente, fazem tudo um pelo outro, existe uma espécie de problema, problema é resolvido e viveram felizes para sempre. Desculpem lá expor assim a história, mas vocês iriam adivinhar que seria isto que iria acontecer logo no primeiro capítulo. Como podem ver, Delírio não é propriamente um livro que marque pela diferença.
Para além de perceber que existiam muitas semelhanças entre este livro e outras obras de Maya Banks, dei por mim a compará-lo ainda com a história da Cinderela. Não é que exista um baile no palácio e um sapatinho perdido, mas pela personagem de Bethany. Afinal, ela é alguém que passa sérias dificuldades e que vê em Jace o seu príncipe encantado. Bethany é resgatada, dando esperança que mesmo as situações mais complicadas poderão ser resolvidas.
Apesar de não ter ficado rendida à trama, confesso que gostei de Bethany. Percebi os seus receios, inseguranças e devoção por uma certa personagem. Gostei do facto de ela não se deixar "comprar" por Jace e por permanecer fiel aos seus valores. Já Jace pareceu-me o típico homem poderoso deste tipo de romances, o que não me fez acreditar que ele pudesse ser real.
Gostei do facto de as histórias de Delírio e Obsessão estarem tão ligada. Sendo assim, é possível ver o que aconteceu a Mia e Gabe depois de terminado o livro que lhes era dedicado e ainda é possível ficar a conhecer melhor a personalidade e história de Ash. Contudo, tendo percebido que Maya Banks não é propriamente uma autora capaz de inovar, não fico com vontade de ler o último volume desta trilogia.
Delírio foi uma leitura que começou a um ritmo rápido, apresentou situações inesperadas e interessantes, mas que com o avançar das páginas foi perdendo interesse. A fórmula escolhida pela autora é muito semelhante à usada em Obsessão. Assim é com facilidade que se percebe o caminho que as personagens irão seguir, não havendo grandes surpresas ou emoções quando se chega ao fim.
Outras opiniões a livros de Maya Banks:
Obsessão (Sem Fôlego #1)
Na Cama com um Highlander
terça-feira, 26 de agosto de 2014
Opinião: A Cúpula (Livros I e II)
Título Original: Under the Dome (2009)
Autor: Stephen King
Tradução: Ana Lourenço
ISBN: 9789722527217 e 9789722527408
Editora: Bertrand Editora (2013)
Sinopse:
Num bonito dia de outono, um dia perfeitamente normal, uma pequena cidade é súbita e inexplicavelmente isolada do resto do mundo por uma força invisível. Quando chocam contra ela, os aviões despenham-se, os carros explodem, as pessoas ficam feridas. As famílias são separadas e o pânico instala-se. Ninguém consegue compreender que barreira é aquela, de onde vem ou quando (se é que algum dia) desaparecerá. Agora, um grupo de cidadãos intrépidos, liderado por um veterano da guerra do Iraque, toma as rédeas do poder no interior da cúpula. Mas o seu principal inimigo é a própria redoma. E o tempo está a esgotar-se…
Opinião:
Finalmente consegui ler A Cúpula, de Stephen King. Este livro, que em Portugal foi dividido em dois volumes, tinha despertado a minha curiosidade por diversas razões. Trata-se de uma obra de Stephen King, autor cujas obras acabam sempre por me marcar pela diferença e pelos temas que aborda. E como se tal não bastasse, a ideia de uma cidade subitamente isolada por uma cúpula de origem desconhecida agradou-me. Queria ver de que forma tal afectava as pessoas e admito desde já que fiquei bem impressionada.
Vendo a obra num plano mais geral, é muito interessante verificar as alterações sociais que começaram a ocorrer a partir do momento em que a cúpula surge. Ao início, percebemos que a cidade de Chester’s Mill, doe estado norte-americano do Maine, é um local afastado de grandes centros urbanos o que deixa atribuir-lhe características provincianas. Facilmente se percebe que as personagens se conhecem todas umas às outras, nem que seja só de vista. Estes factores fazem com que quando o momento de crise surge se assista a diferentes fenómenos.
É interessante observar a forma como a população, na sua maioria, se deixa guiar pelas figuras de autoridade que já reconhecia. E mais curioso ainda é ver essas mesmas figuras de autoridade a alterarem os seus ideais, atitudes e objectivos ou então a torná-los mais evidentes. Figuras que anteriormente procuravam aumentar o poder que possuíam de forma dissimulada começam a fazê-lo descaradamente, o que dá origem a uma nova ordem social que caminha para um regime ditatorial. E se o leitor rapidamente percebe isso devido aos diferentes pontos de vista a que tem a acesso, o mesmo não acontece à generalidade dos habitantes de Chester's Mill. Contudo, existe também uma facção de "rebeldes", movimento esse que acaba por ser aquele que conquista a simpatia do leitor por possuir uma visão mais abrangente do que está a acontecer e por manter valores nobres.
Fiquei bem impressionada pelas manobras de manipulação efectuadas e acreditei que cada uma delas tivesse o resultado apresentado. O autor revela perceber bem a natureza humana, quer seja pelas reacções apresentadas, quer pelas crenças individuais. O leitor consegue separar as personagens entre as que considera "más" e "boas" sem pensar muito em como o faz, mas é curioso verificar que o autor conseguiu fazer com que cada uma acredite que está a seguir o caminho correcto. Neste ponto, gostei de constatar que as motivações podem ser o bem comum da população e/ou a religião.
As personagens desta trama são muitas, o que poderá gerar uma certa dificuldade inicial na leitura. Felizmente existe um apêndice onde todas as figuras surgem divididas pelos grupos em que se inserem, o que acaba por ser de grande ajuda. Apesar de muitas, foi bom verificar que todas elas são dotadas de personalidades diferentes e que nos fazem acreditar que poderiam ser reais. Destaco Barbie, Rusty, Julia, Big Jim, Junior, Chef, Joe e o meu querido Horace. Fiquei chocada pela forma como todas estas figuras foram tratadas. Se acreditam que apenas George R. R. Martin é capaz de matar e torturar as suas personagens sem dó nem piedade então leiam A Cúpula.
O mistério da origem e finalidade da cúpula é uma constante ao longo de toda a obra. É impossível não imaginar diferentes hipóteses, tal como as personagens fazem, mas quando este segredo foi desvendado fiquei com uma sensação de inquietude. Por um lado, não fiquei plenamente convencida, por outro fiquei chocada com a mensagem que o autor transmitiu. A vida nas suas mais diferentes formas terá ou não o mesmo significado? Este é apenas uma das questões levantadas entre muitas outras que não quero expor para manter o suspense. O final não me deixou satisfeita por ter sido abrupto e pela conclusão apresentada.
É bem visível a preocupação do autor em ser coerente e realista nas questões mais técnicas. Os combustíveis, geradores e outros equipamentos que acabam por se revelar vitais poderiam dar origem a grandes obstáculos criativos no que toca ao desenvolvimento da trama, mas a verdade é que estão bem incluídos e acabam por fortalecer a ideia de aflição e dependência. O efeito da cúpula também faz pensar em questões ambientais e acaba por ser uma chamada de atenção ao que poderá acontecer à atmosfera do nosso planeta.
A Cúpula proporcionou-me uma leitura viciante e que rapidamente me agarrou. Adorei esta história povoada por tantas personagens diferentes umas das outras e que, apesar de longa, possui um ritmo rápido. Durante a leitura, dei por mim a pensar nas reacções humanas a situações de crise, sendo aqui destacado a capacidade de interajuda e o abuso do outro por excesso de poder. Este é um livro que aconselho, apesar da conclusão poder não ser satisfatória. Apesar de algumas questões poderem não ser bem aceites, a verdade é que se trata de uma obra diferente e que decerto deixará marca.
Outras opiniões a livros de Stephen King:
A Lenda do Vento (A Torre Negra #8)
Autor: Stephen King
Tradução: Ana Lourenço
ISBN: 9789722527217 e 9789722527408
Editora: Bertrand Editora (2013)
Sinopse:
Num bonito dia de outono, um dia perfeitamente normal, uma pequena cidade é súbita e inexplicavelmente isolada do resto do mundo por uma força invisível. Quando chocam contra ela, os aviões despenham-se, os carros explodem, as pessoas ficam feridas. As famílias são separadas e o pânico instala-se. Ninguém consegue compreender que barreira é aquela, de onde vem ou quando (se é que algum dia) desaparecerá. Agora, um grupo de cidadãos intrépidos, liderado por um veterano da guerra do Iraque, toma as rédeas do poder no interior da cúpula. Mas o seu principal inimigo é a própria redoma. E o tempo está a esgotar-se…
Opinião:
Finalmente consegui ler A Cúpula, de Stephen King. Este livro, que em Portugal foi dividido em dois volumes, tinha despertado a minha curiosidade por diversas razões. Trata-se de uma obra de Stephen King, autor cujas obras acabam sempre por me marcar pela diferença e pelos temas que aborda. E como se tal não bastasse, a ideia de uma cidade subitamente isolada por uma cúpula de origem desconhecida agradou-me. Queria ver de que forma tal afectava as pessoas e admito desde já que fiquei bem impressionada.
Vendo a obra num plano mais geral, é muito interessante verificar as alterações sociais que começaram a ocorrer a partir do momento em que a cúpula surge. Ao início, percebemos que a cidade de Chester’s Mill, doe estado norte-americano do Maine, é um local afastado de grandes centros urbanos o que deixa atribuir-lhe características provincianas. Facilmente se percebe que as personagens se conhecem todas umas às outras, nem que seja só de vista. Estes factores fazem com que quando o momento de crise surge se assista a diferentes fenómenos.
É interessante observar a forma como a população, na sua maioria, se deixa guiar pelas figuras de autoridade que já reconhecia. E mais curioso ainda é ver essas mesmas figuras de autoridade a alterarem os seus ideais, atitudes e objectivos ou então a torná-los mais evidentes. Figuras que anteriormente procuravam aumentar o poder que possuíam de forma dissimulada começam a fazê-lo descaradamente, o que dá origem a uma nova ordem social que caminha para um regime ditatorial. E se o leitor rapidamente percebe isso devido aos diferentes pontos de vista a que tem a acesso, o mesmo não acontece à generalidade dos habitantes de Chester's Mill. Contudo, existe também uma facção de "rebeldes", movimento esse que acaba por ser aquele que conquista a simpatia do leitor por possuir uma visão mais abrangente do que está a acontecer e por manter valores nobres.
Fiquei bem impressionada pelas manobras de manipulação efectuadas e acreditei que cada uma delas tivesse o resultado apresentado. O autor revela perceber bem a natureza humana, quer seja pelas reacções apresentadas, quer pelas crenças individuais. O leitor consegue separar as personagens entre as que considera "más" e "boas" sem pensar muito em como o faz, mas é curioso verificar que o autor conseguiu fazer com que cada uma acredite que está a seguir o caminho correcto. Neste ponto, gostei de constatar que as motivações podem ser o bem comum da população e/ou a religião.
As personagens desta trama são muitas, o que poderá gerar uma certa dificuldade inicial na leitura. Felizmente existe um apêndice onde todas as figuras surgem divididas pelos grupos em que se inserem, o que acaba por ser de grande ajuda. Apesar de muitas, foi bom verificar que todas elas são dotadas de personalidades diferentes e que nos fazem acreditar que poderiam ser reais. Destaco Barbie, Rusty, Julia, Big Jim, Junior, Chef, Joe e o meu querido Horace. Fiquei chocada pela forma como todas estas figuras foram tratadas. Se acreditam que apenas George R. R. Martin é capaz de matar e torturar as suas personagens sem dó nem piedade então leiam A Cúpula.
O mistério da origem e finalidade da cúpula é uma constante ao longo de toda a obra. É impossível não imaginar diferentes hipóteses, tal como as personagens fazem, mas quando este segredo foi desvendado fiquei com uma sensação de inquietude. Por um lado, não fiquei plenamente convencida, por outro fiquei chocada com a mensagem que o autor transmitiu. A vida nas suas mais diferentes formas terá ou não o mesmo significado? Este é apenas uma das questões levantadas entre muitas outras que não quero expor para manter o suspense. O final não me deixou satisfeita por ter sido abrupto e pela conclusão apresentada.
É bem visível a preocupação do autor em ser coerente e realista nas questões mais técnicas. Os combustíveis, geradores e outros equipamentos que acabam por se revelar vitais poderiam dar origem a grandes obstáculos criativos no que toca ao desenvolvimento da trama, mas a verdade é que estão bem incluídos e acabam por fortalecer a ideia de aflição e dependência. O efeito da cúpula também faz pensar em questões ambientais e acaba por ser uma chamada de atenção ao que poderá acontecer à atmosfera do nosso planeta.
A Cúpula proporcionou-me uma leitura viciante e que rapidamente me agarrou. Adorei esta história povoada por tantas personagens diferentes umas das outras e que, apesar de longa, possui um ritmo rápido. Durante a leitura, dei por mim a pensar nas reacções humanas a situações de crise, sendo aqui destacado a capacidade de interajuda e o abuso do outro por excesso de poder. Este é um livro que aconselho, apesar da conclusão poder não ser satisfatória. Apesar de algumas questões poderem não ser bem aceites, a verdade é que se trata de uma obra diferente e que decerto deixará marca.
Outras opiniões a livros de Stephen King:
A Lenda do Vento (A Torre Negra #8)
segunda-feira, 2 de junho de 2014
Opinião: Na Cama com um Highlander
Título original: In Bed with a Highlander (2011)
Autor: Maya Banks
Tradutor: Ana Cunha Ribeiro
ISBN: 9789722525510
Editora: Bertrand Editora (2013)
Sinopse:
Ewan, o mais velho dos irmãos McCabe, é um guerreiro decidido a destruir o seu inimigo. Agora que o momento é ideal para a guerra, os seus homens estão preparados e Ewan quer reaver aquilo que lhe pertence - até que uma tentação de olhos azuis e cabelo negro se atravessa no seu caminho. Mairin pode muito bem ser a salvação para o clã de Ewan, mas, para um homem que sonha com vingança, as questões do coração são um território desconhecido a conquistar.
Mairin é filha ilegítima do rei e é senhora de propriedades valiosas que a obrigaram a esconder-se e a desconfiar do amor. Os seus piores receios acabam por acontecer quando é salva do perigo mas depois obrigada a casar com o seu salvador, Ewan McCabe, um homem carismático que está habituado a mandar. Mas a atração que sente pelo seu novo marido fá-la desejar o seu toque; o seu corpo ganha vida com a mestria sensual dele. E à medida que a guerra se aproxima, as forças, o espírito e a paixão de Mairin obrigam Ewan a derrotar os seus próprios fantasmas e a entregar-se a um amor que significa mais do que a vingança e a terra
Opinião:
Quando comecei a ler este livro esperava deparar-me com um romance arrebatador e uma leitura que explorasse a rica cultura escocesa. Pois não encontrei nem uma coisa nem a outra e esta leitura acabou por não me agradar de tudo.
Para começar, é-nos dada a conhecer uma donzela em perigo. Mairin é uma jovem que esconde a sua linhagem e que acaba por fugir de um homem que apenas a deseja pelos títulos que com ela pode conquistar. Trata-se de uma protagonista que nem aquece nem arrefece. Se ao início poderia ter sentido simpatia devido às dificuldades que atravessa, com o desenrolar da trama acabei por a achar pouco coerente e dotada de uma personalidade superficial.
Estava bastante curiosa para conhecer Ewan McCabe, guerreiro Highlander, pois acreditei que seria uma figura que transmitisse bem as noções de um homem das Terras Altas daquele tempo. Contudo, Ewan também apresentou uma personalidade superficial e tanto podia ser escocês como podia ser o senhor de um qualquer feudo e em qualquer parte da Europa Medieval. Digo isto pois a autora apenas refere as alianças a que está ligado e as responsabilidades que tem para com quem mora nas suas terras. Não refere tradições ou aspectos marcantes da cultura, o que dá a ideia de não existiu qualquer pesquisa histórica que auxiliasse o processo criativo. Acredito que escolheu a temática dos Highlanders (se é que posso dar-lhe este nome) apenas para chamar a atenção de público feminino.
A história de amor entre Mairin e Ewan não arrebata ou faz suspirar. Eles ainda não se conheceram mas nós já sabemos que vai acontecer. Os supostos momentos mais sensuais não apimentam a leitura e acabam por parecer um devaneio. E não há qualquer surpressa da nossa parte quando eles se apercebem que têm que ultrapassar algumas dificuldades para ficarem juntos. O grande conflito acaba por ser ridículo e a resolução demasiado simples e conveniente. Assim sendo, não existem momentos de tensão ou dúvida.
Os acontecimentos sucedem com rapidez, mas o facto de se tratar de um livro tão pequeno faz ainda com que sejam pouco e desenvolvidos. Esta até podia ser uma daquelas leituras que se faz para relaxar, mas encontrei tantos aspectos de que não gostei que nem para isso deu.
Na Cama com um Highlander é uma leitura fraca e que não tem nada de novo. O primeiro livro de uma trilogia que eu não vou seguir.
Autor: Maya Banks
Tradutor: Ana Cunha Ribeiro
ISBN: 9789722525510
Editora: Bertrand Editora (2013)
Sinopse:
Ewan, o mais velho dos irmãos McCabe, é um guerreiro decidido a destruir o seu inimigo. Agora que o momento é ideal para a guerra, os seus homens estão preparados e Ewan quer reaver aquilo que lhe pertence - até que uma tentação de olhos azuis e cabelo negro se atravessa no seu caminho. Mairin pode muito bem ser a salvação para o clã de Ewan, mas, para um homem que sonha com vingança, as questões do coração são um território desconhecido a conquistar.
Mairin é filha ilegítima do rei e é senhora de propriedades valiosas que a obrigaram a esconder-se e a desconfiar do amor. Os seus piores receios acabam por acontecer quando é salva do perigo mas depois obrigada a casar com o seu salvador, Ewan McCabe, um homem carismático que está habituado a mandar. Mas a atração que sente pelo seu novo marido fá-la desejar o seu toque; o seu corpo ganha vida com a mestria sensual dele. E à medida que a guerra se aproxima, as forças, o espírito e a paixão de Mairin obrigam Ewan a derrotar os seus próprios fantasmas e a entregar-se a um amor que significa mais do que a vingança e a terra
Opinião:
Quando comecei a ler este livro esperava deparar-me com um romance arrebatador e uma leitura que explorasse a rica cultura escocesa. Pois não encontrei nem uma coisa nem a outra e esta leitura acabou por não me agradar de tudo.
Para começar, é-nos dada a conhecer uma donzela em perigo. Mairin é uma jovem que esconde a sua linhagem e que acaba por fugir de um homem que apenas a deseja pelos títulos que com ela pode conquistar. Trata-se de uma protagonista que nem aquece nem arrefece. Se ao início poderia ter sentido simpatia devido às dificuldades que atravessa, com o desenrolar da trama acabei por a achar pouco coerente e dotada de uma personalidade superficial.
Estava bastante curiosa para conhecer Ewan McCabe, guerreiro Highlander, pois acreditei que seria uma figura que transmitisse bem as noções de um homem das Terras Altas daquele tempo. Contudo, Ewan também apresentou uma personalidade superficial e tanto podia ser escocês como podia ser o senhor de um qualquer feudo e em qualquer parte da Europa Medieval. Digo isto pois a autora apenas refere as alianças a que está ligado e as responsabilidades que tem para com quem mora nas suas terras. Não refere tradições ou aspectos marcantes da cultura, o que dá a ideia de não existiu qualquer pesquisa histórica que auxiliasse o processo criativo. Acredito que escolheu a temática dos Highlanders (se é que posso dar-lhe este nome) apenas para chamar a atenção de público feminino.
A história de amor entre Mairin e Ewan não arrebata ou faz suspirar. Eles ainda não se conheceram mas nós já sabemos que vai acontecer. Os supostos momentos mais sensuais não apimentam a leitura e acabam por parecer um devaneio. E não há qualquer surpressa da nossa parte quando eles se apercebem que têm que ultrapassar algumas dificuldades para ficarem juntos. O grande conflito acaba por ser ridículo e a resolução demasiado simples e conveniente. Assim sendo, não existem momentos de tensão ou dúvida.
Os acontecimentos sucedem com rapidez, mas o facto de se tratar de um livro tão pequeno faz ainda com que sejam pouco e desenvolvidos. Esta até podia ser uma daquelas leituras que se faz para relaxar, mas encontrei tantos aspectos de que não gostei que nem para isso deu.
Na Cama com um Highlander é uma leitura fraca e que não tem nada de novo. O primeiro livro de uma trilogia que eu não vou seguir.
domingo, 26 de janeiro de 2014
Opinião: Em Parte Incerta
Título Original: Gone Girl (2012)
Autor: Gillian Flynn
Tradução: Fernanda Oliveira
ISBN: 9789722525572
Editora: Bertrand Editora (2013)
Sinopse:
O casamento pode dar cabo de uma pessoa…Uma manhã de verão no Missouri. Nick e Amy celebram o 5º aniversário de casamento. Enquanto se fazem reservas e embrulham presentes, a bela Amy desaparece. E quando Nick começa a ler o diário da mulher, descobre coisas verdadeiramente inesperadas…Com a pressão da polícia e dos media, Nick começa a desenrolar um rol de mentiras, falsidades e comportamentos pouco adequados. Ele está evasivo, é verdade, e amargo – mas será mesmo um assassino? Entretanto, todos os casais da cidade já se perguntam, se conhecem de facto a pessoa que amam. Nick, apoiado pela gémea Margo, assegura que é inocente. A questão é que, se não foi ele, onde está a sua mulher? E o que estaria dentro daquela caixa de prata escondida atrás do armário de Amy?Com uma escrita incisiva e a sua habitual perspicácia psicológica, Gillian Flynn dá vida a um thriller rápido e muito negro que confirma o seu estatuto de uma das melhores escritoras do género.
Opinião:
Estava com algumas expectativas quando peguei em Em Parte Incerta, mas o início da leitura deixou-me algumas dúvidas. A trama começa de forma lenta. A narração é focada numa dinâmica de casal que chegou a um ponto em que os elementos do casal se sentem distantes um do outro e acomodados a essa situação. Este momento causou-me algum incómodo, pois ver um casal que começou muito apaixonado tão afastado e desinteressado abala as esperanças de qualquer romântico.
Após um início mais lento chega finalmente o momento da mudança: o desaparecimento de Amy. A partir daí tudo muda. Gradualmente, a leitura torna-se mais rápida até chegar a um ponto em que se torna impossível parar de ler. O desejo de perceber o que aconteceu e como aconteceu é cada vez maior, e mesmo quando o caso é resolvido aos olhos do leitor surge ainda a curiosidade de ver tudo resolvido. Gillian Flynn realmente mostra que desde o início tinha tudo pensado.
A sucessão dos acontecimentos está impressionante e foi com agrado que por diversas vezes me senti enganada. A autora soube escolher muito bem os momentos de revelação e, a cada um, senti todo a perspetiva sobre personagens a mudar e, como isso, a própria história. Não é fácil adivinhar o que vai acontecer a seguir pois a informação útil não é logo dada, o que não deixa o leitor inclinado para uma direção quando a autora o está a levar para outra.
A personalidade das personagens desta obra não são logo dadas a conhecer na sua plenitude, apesar de inicialmente pensarmos que assim é. A autora mostra que estas figuras, tal como humanos reais, possuem camadas, uma que revelam aos outros, uma que julgam ser e outra ainda que é a sua verdadeira essência. Assim sendo, é com algum choque que se assiste a algumas revelações, o que faz com que a opinião acerca de cada uma das figuras do casal esteja a ser constantemente alterada.
Nick revelou ser a figura mais ambígua desta trama. Nunca soube muito bem o que pensar dele. Por vezes simpatiza com este homem, por outras detestava-o. Amy, por seu lado, deixou-me completamente rendida. A sua inteligência é verdadeiramente uma caixa de surpresas e a forma como a sua situação conduz toda a narrativa é impressionante.
As restantes personagens revelam também uma preocupação da autora de as dotar de humanidade. Com o avançar da trama descobrimos as suas falhas mais acentuadas, mas nem por isso deixamos de sentir ligação com elas. Destaco Go, a irmã de Nick, e Boney, uma agente da polícia.
O estilo de escrita adapta-se aos capítulos que são narrados na primeira pessoa pelos dois elementos do casal de forma alternada. A autora soube transmitir bem a visão masculina e feminina, assim como sentimentos e emoções de cada um deles em cada momento. Este facto leva-nos a sentir mais próximos destas duas personagens.
Em Parte Incerta é um livro que vícia, choca e dificilmente será esquecido. Apesar do início lento, acabei por ficar muito bem impressionada com a trama e com as muitas voltas que esta deu. É um livro que recomendo a todos.
Autor: Gillian Flynn
Tradução: Fernanda Oliveira
ISBN: 9789722525572
Editora: Bertrand Editora (2013)
Sinopse:
O casamento pode dar cabo de uma pessoa…Uma manhã de verão no Missouri. Nick e Amy celebram o 5º aniversário de casamento. Enquanto se fazem reservas e embrulham presentes, a bela Amy desaparece. E quando Nick começa a ler o diário da mulher, descobre coisas verdadeiramente inesperadas…Com a pressão da polícia e dos media, Nick começa a desenrolar um rol de mentiras, falsidades e comportamentos pouco adequados. Ele está evasivo, é verdade, e amargo – mas será mesmo um assassino? Entretanto, todos os casais da cidade já se perguntam, se conhecem de facto a pessoa que amam. Nick, apoiado pela gémea Margo, assegura que é inocente. A questão é que, se não foi ele, onde está a sua mulher? E o que estaria dentro daquela caixa de prata escondida atrás do armário de Amy?Com uma escrita incisiva e a sua habitual perspicácia psicológica, Gillian Flynn dá vida a um thriller rápido e muito negro que confirma o seu estatuto de uma das melhores escritoras do género.
Opinião:
Estava com algumas expectativas quando peguei em Em Parte Incerta, mas o início da leitura deixou-me algumas dúvidas. A trama começa de forma lenta. A narração é focada numa dinâmica de casal que chegou a um ponto em que os elementos do casal se sentem distantes um do outro e acomodados a essa situação. Este momento causou-me algum incómodo, pois ver um casal que começou muito apaixonado tão afastado e desinteressado abala as esperanças de qualquer romântico.
Após um início mais lento chega finalmente o momento da mudança: o desaparecimento de Amy. A partir daí tudo muda. Gradualmente, a leitura torna-se mais rápida até chegar a um ponto em que se torna impossível parar de ler. O desejo de perceber o que aconteceu e como aconteceu é cada vez maior, e mesmo quando o caso é resolvido aos olhos do leitor surge ainda a curiosidade de ver tudo resolvido. Gillian Flynn realmente mostra que desde o início tinha tudo pensado.
A sucessão dos acontecimentos está impressionante e foi com agrado que por diversas vezes me senti enganada. A autora soube escolher muito bem os momentos de revelação e, a cada um, senti todo a perspetiva sobre personagens a mudar e, como isso, a própria história. Não é fácil adivinhar o que vai acontecer a seguir pois a informação útil não é logo dada, o que não deixa o leitor inclinado para uma direção quando a autora o está a levar para outra.
A personalidade das personagens desta obra não são logo dadas a conhecer na sua plenitude, apesar de inicialmente pensarmos que assim é. A autora mostra que estas figuras, tal como humanos reais, possuem camadas, uma que revelam aos outros, uma que julgam ser e outra ainda que é a sua verdadeira essência. Assim sendo, é com algum choque que se assiste a algumas revelações, o que faz com que a opinião acerca de cada uma das figuras do casal esteja a ser constantemente alterada.
Nick revelou ser a figura mais ambígua desta trama. Nunca soube muito bem o que pensar dele. Por vezes simpatiza com este homem, por outras detestava-o. Amy, por seu lado, deixou-me completamente rendida. A sua inteligência é verdadeiramente uma caixa de surpresas e a forma como a sua situação conduz toda a narrativa é impressionante.
As restantes personagens revelam também uma preocupação da autora de as dotar de humanidade. Com o avançar da trama descobrimos as suas falhas mais acentuadas, mas nem por isso deixamos de sentir ligação com elas. Destaco Go, a irmã de Nick, e Boney, uma agente da polícia.
O estilo de escrita adapta-se aos capítulos que são narrados na primeira pessoa pelos dois elementos do casal de forma alternada. A autora soube transmitir bem a visão masculina e feminina, assim como sentimentos e emoções de cada um deles em cada momento. Este facto leva-nos a sentir mais próximos destas duas personagens.
Em Parte Incerta é um livro que vícia, choca e dificilmente será esquecido. Apesar do início lento, acabei por ficar muito bem impressionada com a trama e com as muitas voltas que esta deu. É um livro que recomendo a todos.
sábado, 16 de novembro de 2013
Opinião: Inferno (Robert Langdon #4)
Título Original: Inferno (2013)
Autor: Dan Brown
Tradução: Fernanda Oliveira, Ana Lourenço e Tânia Ganho
ISBN: 9789722526449
Editora: Bertrand Editora (2013)
Sinopse:
«Procura e encontrarás.»
É com o eco destas palavras na cabeça que Robert Langdon, o reputado simbologista de Harvard, acorda numa cama de hospital sem se conseguir lembrar de onde está ou como ali chegou. Também não sabe explicar a origem de certo objeto macabro encontrado escondido entre os seus pertences.
Uma ameaça contra a sua vida irá lançar Langdon e uma jovem médica, Sienna Brooks, numa corrida alucinante pela cidade de Florença. A única coisa que os pode salvar das garras dos desconhecidos que os perseguem é o conhecimento que Langdon tem das passagens ocultas e dos segredos antigos que se escondem por detrás das fachadas históricas.
Tendo como guia apenas alguns versos do Inferno, a obra-prima de Dante, épica e negra, veem-se obrigados a decifrar uma sequência de códigos encerrados em alguns dos artefactos mais célebres da Renascença - esculturas, quadros, edifícios -, de modo a poderem encontrar a solução de um enigma que pode, ou não, ajudá-los a salvar o mundo de uma ameaça terrível…
Passado num cenário extraordinário, inspirado por um dos mais funestos clássicos da literatura, Inferno é o romance mais emocionante e provocador que Dan Brown já escreveu, uma corrida contra o tempo de cortar a respiração, que vai prender o leitor desde a primeira página e não o largará até que feche o livro no final.
Opinião:
Inferno retoma as características das obras anteriores de Dan Brown protagonizadas por Robert Langdon. Mais uma vez, o simbologista de Harvard vê-se envolvido numa investigação que o levará a analisar conhecidas obras de arte e literárias, assim como a viajar por países de longa história.
A narrativa começa de uma forma peculiar. Robert acorda num hospital em Florença, mas as suas últimas memórias não o fazem recordar qualquer viagem ou mesmo o motivo que o terá levada a essa cidade italiana. Logo aqui, é possível perceber que existem muitos segredos, para além do mistério principal, o que intriga o leitor.
A capacidade de observação e análise do protagonista voltam a ser grandes atrativos para a leitura. Afinal, à medida que ele tenta perceber o que está a acontecer, acaba por nos transportar para uma viagem pelo presente mas também passado. O Renascimento volta a ser a época escolhida pelo autor que, desta vez, tenta explorar Dante e a sua obra.
Figura história que gera curiosidade e admiração, Dante é exposto como autor de uma das obras literárias mais referênciadas e influenciáveis de sempre. Contudo, é também visto no ponto de vista humano, já que, como homem do seu tempo, amou e sofreu, factores condicionantes para o seu papel na história. A exposição da sua obra assim como a de outras peças artísticas nela inspiradas são cativadoras.
A trama em si, contudo, não é tão envolvente como seria esperado e desejado. Ao contrário de O Código da Vinci ou de Anjos e Demónios, livros que me agarraram do ínicio ao fim, Inferno custou a arrancar. As primeiras páginas são emocionantes mas, de um momento para o outro, o ritmo abranda e os acontecimentos apresentados não motivam. Só bem mais à frente é que a emoção regressa e são feitas revelações inesperadas, mas fica a sensação de que o que se passou anteriormente depressa será esquecido.
O tema que é exposto mais perto do final incomoda pela sua verdade e faz reflectir sobre o futuro, facto interessante num trama tão voltada para acontecimentos passados. As personagens secundárias, contudo, não cativam, sendo que algumas parecem forçadas. Certas reviravoltas nos comportamentos de algumas figuras não surpreendem para além de que não se percebe a necessidade de o protagonista ter de se envolver com uma mulher diferente a cada livros.
Mais uma vez, o ponto forte de Dan Brown revela ser a exposição de obras artísticas, a exploração de temas passados pouco conhecidas e a descrição de cidades e respectivos pontos de referência e monumentos. É bom percorrer as ruas de Florença nestas páginas, conhecer os seus museus e, mais tarde, entrar numa cultura distinta com a passagem da acção para Istambul.
Inferno é um livro que proporciona uma leitura interessante, mas que não supera as expectativas que foram criadas, ficando áquem de outras obras do leitor. Uma leitura simples mas que fazia ansiar por um envolvimento maior.
Autor: Dan Brown
Tradução: Fernanda Oliveira, Ana Lourenço e Tânia Ganho
ISBN: 9789722526449
Editora: Bertrand Editora (2013)
Sinopse:
«Procura e encontrarás.»
É com o eco destas palavras na cabeça que Robert Langdon, o reputado simbologista de Harvard, acorda numa cama de hospital sem se conseguir lembrar de onde está ou como ali chegou. Também não sabe explicar a origem de certo objeto macabro encontrado escondido entre os seus pertences.
Uma ameaça contra a sua vida irá lançar Langdon e uma jovem médica, Sienna Brooks, numa corrida alucinante pela cidade de Florença. A única coisa que os pode salvar das garras dos desconhecidos que os perseguem é o conhecimento que Langdon tem das passagens ocultas e dos segredos antigos que se escondem por detrás das fachadas históricas.
Tendo como guia apenas alguns versos do Inferno, a obra-prima de Dante, épica e negra, veem-se obrigados a decifrar uma sequência de códigos encerrados em alguns dos artefactos mais célebres da Renascença - esculturas, quadros, edifícios -, de modo a poderem encontrar a solução de um enigma que pode, ou não, ajudá-los a salvar o mundo de uma ameaça terrível…
Passado num cenário extraordinário, inspirado por um dos mais funestos clássicos da literatura, Inferno é o romance mais emocionante e provocador que Dan Brown já escreveu, uma corrida contra o tempo de cortar a respiração, que vai prender o leitor desde a primeira página e não o largará até que feche o livro no final.
Opinião:
Inferno retoma as características das obras anteriores de Dan Brown protagonizadas por Robert Langdon. Mais uma vez, o simbologista de Harvard vê-se envolvido numa investigação que o levará a analisar conhecidas obras de arte e literárias, assim como a viajar por países de longa história.
A narrativa começa de uma forma peculiar. Robert acorda num hospital em Florença, mas as suas últimas memórias não o fazem recordar qualquer viagem ou mesmo o motivo que o terá levada a essa cidade italiana. Logo aqui, é possível perceber que existem muitos segredos, para além do mistério principal, o que intriga o leitor.
A capacidade de observação e análise do protagonista voltam a ser grandes atrativos para a leitura. Afinal, à medida que ele tenta perceber o que está a acontecer, acaba por nos transportar para uma viagem pelo presente mas também passado. O Renascimento volta a ser a época escolhida pelo autor que, desta vez, tenta explorar Dante e a sua obra.
Figura história que gera curiosidade e admiração, Dante é exposto como autor de uma das obras literárias mais referênciadas e influenciáveis de sempre. Contudo, é também visto no ponto de vista humano, já que, como homem do seu tempo, amou e sofreu, factores condicionantes para o seu papel na história. A exposição da sua obra assim como a de outras peças artísticas nela inspiradas são cativadoras.
A trama em si, contudo, não é tão envolvente como seria esperado e desejado. Ao contrário de O Código da Vinci ou de Anjos e Demónios, livros que me agarraram do ínicio ao fim, Inferno custou a arrancar. As primeiras páginas são emocionantes mas, de um momento para o outro, o ritmo abranda e os acontecimentos apresentados não motivam. Só bem mais à frente é que a emoção regressa e são feitas revelações inesperadas, mas fica a sensação de que o que se passou anteriormente depressa será esquecido.
O tema que é exposto mais perto do final incomoda pela sua verdade e faz reflectir sobre o futuro, facto interessante num trama tão voltada para acontecimentos passados. As personagens secundárias, contudo, não cativam, sendo que algumas parecem forçadas. Certas reviravoltas nos comportamentos de algumas figuras não surpreendem para além de que não se percebe a necessidade de o protagonista ter de se envolver com uma mulher diferente a cada livros.
Mais uma vez, o ponto forte de Dan Brown revela ser a exposição de obras artísticas, a exploração de temas passados pouco conhecidas e a descrição de cidades e respectivos pontos de referência e monumentos. É bom percorrer as ruas de Florença nestas páginas, conhecer os seus museus e, mais tarde, entrar numa cultura distinta com a passagem da acção para Istambul.
Inferno é um livro que proporciona uma leitura interessante, mas que não supera as expectativas que foram criadas, ficando áquem de outras obras do leitor. Uma leitura simples mas que fazia ansiar por um envolvimento maior.
sábado, 2 de novembro de 2013
Opinião: Casado até Quarta
Autoria: Catherine Bybee
Tradução: Ana Cunha Ribeiro
ISBN: 9789722526333
Editora: Bertrand Editora (2013)
Sinopse:
Blake Harrison:
Rico, de boas famílias, encantador… e a precisar de uma mulher que se case com ele até quarta-feira. Blake pede ajuda a Sam, que afinal não é o homem de negócios que ele pensava. Pelo contrário, Blake depara com Samantha Elliot, uma mulher linda e arrojada com uma voz de fazer perder a cabeça.
Samantha Elliot:
Dona de uma agência matrimonial, ela própria não está disponível para o casamento… quer dizer, até Blake lhe oferecer dez milhões de dólares por um contrato de um ano. Não há nada de indecente na proposta dele e, além disso, o dinheiro vai ajudar imenso nas contas do médico da família de Sam. A única coisa que ela tem de fazer é guardar para si a atração que sente pelo marido e evitar a cama dele. Porém, é difícil resistir aos beijos ardentes de Blake e ao seu charme sensual são demasiado difíceis de resistir. O contrato de casamento previa tudo e mais alguma coisa… menos que se apaixonassem.
Rico, de boas famílias, encantador… e a precisar de uma mulher que se case com ele até quarta-feira. Blake pede ajuda a Sam, que afinal não é o homem de negócios que ele pensava. Pelo contrário, Blake depara com Samantha Elliot, uma mulher linda e arrojada com uma voz de fazer perder a cabeça.
Samantha Elliot:
Dona de uma agência matrimonial, ela própria não está disponível para o casamento… quer dizer, até Blake lhe oferecer dez milhões de dólares por um contrato de um ano. Não há nada de indecente na proposta dele e, além disso, o dinheiro vai ajudar imenso nas contas do médico da família de Sam. A única coisa que ela tem de fazer é guardar para si a atração que sente pelo marido e evitar a cama dele. Porém, é difícil resistir aos beijos ardentes de Blake e ao seu charme sensual são demasiado difíceis de resistir. O contrato de casamento previa tudo e mais alguma coisa… menos que se apaixonassem.
Opinião:
Romance simples, sem surpresas, com premissa básica e personagens pouco profundas que tem como único objectivo entreter o leitor por breves momentos através de uma história romântica.
Desde o início que é possível perceber tudo o que vai acontecer, ou não fosse Casado até Quarta um livro igual a tantos outros dentro do género. Homem rico tem de casar para assegurar fortuna, encontra mulher pobre, os dois junta-se apenas por motivos relacionados com um negócio, os dois apaixonam-se, há umas contrariedades pelo meio que são facilmente resolvidas e vivem felizes para sempre. Acreditem, não vos estou a desvendar a história, pois ao ler as primeiras páginas é possível perceber todo este esquema.
As personagens não marcam, uma vez que são facilmente comparadas a tantas outras. Blake é o típico homem de negócios poderoso que nunca teve um relacionamento sério, vivendo entre encontros fugazes ou mantendo amantes que são escolhidas pela beleza estonteante. Samantha é a mulher sofrida que luta pelo seu lugar no mundo, repleta de bons valores e que não se consegue entregar a uma relação amorosa.
O encontro entre os dois protagonistas acontece logo ao início e depressa se percebe que a descrição que a autora faz de cada um não corresponde exactamente à realidade. Afinal, Blake torna-se um homem romântico de um momento para o outro, não correspondendo à vida que anteriormente levava. Teria sido mais agradável ter-se assistido a uma evolução gradual, como que num percurso de autodescoberta. Já Samantha revela-se mais sensível do que quer fazer acreditar. Os seus sentimento interferem com os seus objectivos e iniciais e, mais tarde, sabendo a sua história, fica a estranheza de como se entregou tão facilmente.
As personagens secundárias fazem aparições fugazes o que faz com que não possuam qualquer desenvolvimento. Quase parece fazerem parte de um cenário, pouco ou nada interferindo nas vidas dos protagonistas. Curiosamente, a única figura que realmente tem um papel decisivo nesta trama está morta.
O ritmo da trama é rápido, ou não fosse este um livro com pouco menos de 200 páginas. O estilo de escrita é leve, o que proporciona uma leitura rápida. Nesta história, tudo acontece num instante, os problemas surgem, mas rapidamente são ultrapassados e isso acontece da forma esperada pelo leitor. A única mensagem que fica para o leitor consiste na importância da verdade e confiança numa relação.
Assim, Casado até Quarta é um livro pouco exigente que não ambiciona ser mais do que uma história romântica leve, muito ao estilo de um conto de fada moderno, mas que pouco ou nada marca.
sexta-feira, 11 de outubro de 2013
Opinião: Adeus, Por Enquanto
Título original: Goodbye for Now (2012)
Autor: Laurie Frankel
Tradução: André Chêdas
ISBN: 9789722526487
Editora: Bertrand Editora (2013)
Sinopse:
Sam Elling é um programador informático que trabalha para uma agência de encontros. Um dia, só pelo desafio, cria um algoritmo que permite a cada pessoa encontrar a sua alma gémea. É uma descoberta maravilhosa, pois graças a ela conhece o amor da sua vida, Meredith, e ao mesmo tempo terrível, uma vez que leva Sam a perder o emprego – afinal, uma agência de encontros não funciona se toda a gente conhecer logo a pessoa certa.Quando Livvie, a avó de Meredith, morre subitamente, Sam – que tem os dias desocupados e não suporta ver Meredith a sofrer com esta perda – volta a criar um algoritmo; desta vez, um que permite gerar uma simulação online da própria Livvie (com base nos seus e-mails, sms e perfil de Facebook). Parece bruxaria, mas é só informática. Meredith adora conversar com esta sua avó virtual, e conclui que ela e Sam têm o dever de partilhar esta fabulosa invenção com o mundo inteiro.Assim, criam a empresa RePousa, que permite a praticamente qualquer um comunicar com uma versão virtual dos seus entes queridos já falecidos. Contudo, estes reencontros virtuais levantam problemas bem reais, porque, por cada pessoa que só quer uma última despedida, há outra que simplesmente não consegue dizer adeus…
Opinião:
Laurie Frankel e a Bertrand Editora apresentam um romance que leva a
refletir sobre o amor nas suas mais diferente formas e sobre o processo de luto.
Sam Elling é o protagonista desta trama. Programador informático, Sam
trabalha numa agência de encontros. Numa primeira fase, existe uma chamada de
atenção para as questões ligadas à procura do par romântico perfeito. É com
curiosidade que se observa o sucesso de Sam neste campo, assim como a
insatisfação de grandes empresários que vêem no insucesso e na necessidade de
procura constante um negócio rentável.
Mais tarde, Sam conhece a mulher com que sempre sonhou. A relação de
ambos desenvolve-se demasiado depressa e apesar de ser perceptível que os dois
complementam-se, parece faltar uma base mais consistente para este
relacionamento que é apresentado como inquebrável.
Apaixonado por Meredith, Sam tenta aliviar a dor dela quando perde a
avó subitamente. O informático cria um algoritmo que permite simular a avó da
namorada. Neste campo, o leitor é levado a pensar sobre o que deixa de si na
internet e nos registos telefónicos. Afinal, Sam prova que esses dados são o
suficiente para recriar a pessoa que os produz, dando a entender que a
sociedade atual tem uma grande necessidade de se mostrar ou expressar através
de ferramentas associadas à tecnologia, deixando um rasto que não desaparece
facilmente.
Contudo, o ponto fundamental desta leitura acaba por ser o luto, a
despedida. Através do algoritmo de Sam, é possível verificar diferentes
reações. Em primeiro lugar, há os que não hesitam em o utilizar e aqueles que
pensam que ao fazê-lo estão desrespeitar a memória da pessoa falecida. Por
outro, entre aqueles que o usam, existem diferentes formas de utilização. É com interesse que se observa esta variedade
de experiências, que acabam também por fazer o leitor pensar sobre o que faria
se tivesse a possibilidade oferecida a estas figuras.
Mais tarde, surge a resposta da sociedade em geral a este programa
revolucionário. Foi bom a autora ter incluído esta vertente, apesar de não ter
sido tão feroz quanto o que parece ter tentado fazer crer. Também as reações
dos hospitais, nomeadamente das alas com doentes em estado terminal, acabam por
sensibilizar e por fazer pensar sobre a importância de aproveitar a vida em
detrimento do esforço de consolar as pessoas amadas.
A linguagem utilizada por Laurie Frankel é acessível, mas existem
momentos na escrita que se tornam aborrecidos devido à repetição das mesmas
ideias. As conversas de Meredith com a avó acabam por pouco ou nada variar,
aborrecendo o leitor. A trama em si avança lentamente, proporcionando um ritmo
de leitura repleto de pausas. A reviravolta perto do final é esperada e a reacção do
protagonista a esta acaba por não comover.
Adeus, Por Enquanto, é um
livro que trata de um dos assuntos que maiores receios da humanidade: a morte.
Apesar de conter diversos acontecimentos tristes e dramáticos, a verdade é que
são poucos os que realmente tocam. Isto pode acontecer pelo exagero de algumas
situações ou pela fraca empatia que existe para com as personagens. Porém, as
reflexões inerentes acabam por dar um maior valor a esta obra que vai cativar
quem se interessa pelos temas abordados.
quinta-feira, 19 de setembro de 2013
Opinião: Obsessão (Sem Fôlego #1)
Título Original: Rush (2013)
Autor: Maya Banks
Tradução: Ana Cunha Ribeiro
ISBN: 9789722526081
Editora: Bertrand Editora (2013)
Sinopse:
Gabe, Jace e Ash: três dos homens mais ricos e mais poderosos do país. Estão habituados a conseguir tudo aquilo que querem. Tudo mesmo. Para Gabe, trata-se de realizar uma fantasia em particular com uma mulher que era um fruto proibido. Agora, está no ponto para ser colhida…
Quando Gabe Hamilton viu Mia Crestwell entrar no salão de baile na grande inauguração do seu hotel, soube que os seus planos haveriam de o levar direitinho ao inferno. Afinal de contas, Mia é a irmã mais nova do seu melhor amigo. Só que entretanto já não é uma menina. E Gabe esperou muito tempo para realizar os seus desejos.
Gabe tem muitas vezes sido o protagonista dos sonhos de Mia, desde que ela era uma adolescente com um fraquinho pelo melhor amigo do irmão. Que importância tem que Gabe seja catorze anos mais velho? Mia sabe que ele é de um meio completamente diferente do dela, mas a atração que sente por ele não para de crescer. Agora é adulta e não há razão nenhuma para não realizar os seus desejos mais secretos.
Quando Gabe começa a arrastá-la para o seu mundo provocador, Mia apercebe-se de que há muitas coisas que não sabe sobre ele ou sobre a precisão das suas exigências. A relação que partilham é intensa e obsessiva, mas, ao atravessarem a fronteira da odisseia sexual secreta para algo mais profundo, correm o risco de expor a natureza da sua relação e de ficar vulneráveis a uma traição mais íntima do que esperavam.
Opinião:
Obsessão é um livro que guarda poucas surpresas, que não marca mas também não desagrada completamente. A base desta história é igual a tantas outras: rapariga jovem e ingénua e homem sedutor experimente iniciam uma relação. Mia e Gabe são os protagonistas deste livro, e desde a primeira página que o leitor já sabe como tudo irá terminar.
Mia é uma jovem comum, tirando o pequeno pormenor de que é irmã de um homem de negócios poderoso. Gabe é um empresário milionário que deixou de acreditar no amor. O comportamento destas duas figuras parece bastante plausível, tendo em conta as circunstâncias em que se encontram e, em momento algum, chocam (pelo menos não ao nível de outras personagens de livros do género que tenha lido ultimamente).
A relação principal desta obra começa por ser algo sem sentimentos, mas desde cedo percebesse que esse objectivo não se vai concretizar. Inicialmente é muito física, mas depressa chegam as emoções. Mia e Gabe ultrapassam alguns obstáculos, mas nada que seja demasiado difícil. Aliás, terminada a leitura fica a sensação que o maior problema deles foram eles próprios, mas em assuntos que podem ser facilmente resolvidos.
Existem alguns aspectos que podem surgir de uma forma um pouco forçada e, assim, tirar credibilidade a esta história. O facto de haver um contracto de relacionamento já está muito visto, a entrega rápida das duas figuras é demasiado repentina, a presença da ex-mulher de Gabe podia ter sido melhor aproveitada e a resolução de uma chantagem não convenceu de todo.
A trama não me agarrou ou intrigou. É um livro que não requer um grande esforço de concentração ou exercício de reflexão, algo que se lê com o objectivo único de distracção. Louvo, contudo, o facto de Maya Banks ter construído uma protagonista com alguma auto-estima. Mia sabe dizer que não, bate o pé e mostra personalidade. Depois de ler alguns romances onde a figura feminina se apaga em prol do amado, é bom ver uma que não deixe de ser quem é só para ver um homem satisfeito.
A linguagem usada é comum, existindo momentos onde são utilizadas palavras mais obscenas. O facto de se tratar de um livro que pode ser a solo é uma mais valia. Não é preciso o leitor procurar outros volumes para saber que mais voltas e reviravoltas a relação de Mia e Gabe vai dar. Os próximos dois livros serão então dedicados a Jace, irmão de Mia, e Ash.
Livro de teor erótico, mas repleto de romantismo, Obsessão é uma leitura leve e que muito provavelmente será esquecida com facilidade.
Autor: Maya Banks
Tradução: Ana Cunha Ribeiro
ISBN: 9789722526081
Editora: Bertrand Editora (2013)
Sinopse:
Gabe, Jace e Ash: três dos homens mais ricos e mais poderosos do país. Estão habituados a conseguir tudo aquilo que querem. Tudo mesmo. Para Gabe, trata-se de realizar uma fantasia em particular com uma mulher que era um fruto proibido. Agora, está no ponto para ser colhida…
Quando Gabe Hamilton viu Mia Crestwell entrar no salão de baile na grande inauguração do seu hotel, soube que os seus planos haveriam de o levar direitinho ao inferno. Afinal de contas, Mia é a irmã mais nova do seu melhor amigo. Só que entretanto já não é uma menina. E Gabe esperou muito tempo para realizar os seus desejos.
Gabe tem muitas vezes sido o protagonista dos sonhos de Mia, desde que ela era uma adolescente com um fraquinho pelo melhor amigo do irmão. Que importância tem que Gabe seja catorze anos mais velho? Mia sabe que ele é de um meio completamente diferente do dela, mas a atração que sente por ele não para de crescer. Agora é adulta e não há razão nenhuma para não realizar os seus desejos mais secretos.
Quando Gabe começa a arrastá-la para o seu mundo provocador, Mia apercebe-se de que há muitas coisas que não sabe sobre ele ou sobre a precisão das suas exigências. A relação que partilham é intensa e obsessiva, mas, ao atravessarem a fronteira da odisseia sexual secreta para algo mais profundo, correm o risco de expor a natureza da sua relação e de ficar vulneráveis a uma traição mais íntima do que esperavam.
Opinião:
Obsessão é um livro que guarda poucas surpresas, que não marca mas também não desagrada completamente. A base desta história é igual a tantas outras: rapariga jovem e ingénua e homem sedutor experimente iniciam uma relação. Mia e Gabe são os protagonistas deste livro, e desde a primeira página que o leitor já sabe como tudo irá terminar.
Mia é uma jovem comum, tirando o pequeno pormenor de que é irmã de um homem de negócios poderoso. Gabe é um empresário milionário que deixou de acreditar no amor. O comportamento destas duas figuras parece bastante plausível, tendo em conta as circunstâncias em que se encontram e, em momento algum, chocam (pelo menos não ao nível de outras personagens de livros do género que tenha lido ultimamente).
A relação principal desta obra começa por ser algo sem sentimentos, mas desde cedo percebesse que esse objectivo não se vai concretizar. Inicialmente é muito física, mas depressa chegam as emoções. Mia e Gabe ultrapassam alguns obstáculos, mas nada que seja demasiado difícil. Aliás, terminada a leitura fica a sensação que o maior problema deles foram eles próprios, mas em assuntos que podem ser facilmente resolvidos.
Existem alguns aspectos que podem surgir de uma forma um pouco forçada e, assim, tirar credibilidade a esta história. O facto de haver um contracto de relacionamento já está muito visto, a entrega rápida das duas figuras é demasiado repentina, a presença da ex-mulher de Gabe podia ter sido melhor aproveitada e a resolução de uma chantagem não convenceu de todo.
A trama não me agarrou ou intrigou. É um livro que não requer um grande esforço de concentração ou exercício de reflexão, algo que se lê com o objectivo único de distracção. Louvo, contudo, o facto de Maya Banks ter construído uma protagonista com alguma auto-estima. Mia sabe dizer que não, bate o pé e mostra personalidade. Depois de ler alguns romances onde a figura feminina se apaga em prol do amado, é bom ver uma que não deixe de ser quem é só para ver um homem satisfeito.
A linguagem usada é comum, existindo momentos onde são utilizadas palavras mais obscenas. O facto de se tratar de um livro que pode ser a solo é uma mais valia. Não é preciso o leitor procurar outros volumes para saber que mais voltas e reviravoltas a relação de Mia e Gabe vai dar. Os próximos dois livros serão então dedicados a Jace, irmão de Mia, e Ash.
Livro de teor erótico, mas repleto de romantismo, Obsessão é uma leitura leve e que muito provavelmente será esquecida com facilidade.
sábado, 7 de setembro de 2013
Opinião: A Filha da Profecia (Sevenwaters #3)
Título original: Child of the Prophecy (2000)
Autor: Juliet Marillier
Tradutor: Irene Daun e Lorena e Nuno Daun e Lorena
ISBN: 9722512714
Editora: Bertrand Editora (2006)
Sinopse:
Fainne foi criada numa enseada isolada da costa de Kerry, com uma infância dominada pela solidão. Mas o pai, filho exilado de Sevenwaters, ensina-lhe tudo o que sabe sobre artes mágicas. Esta existência pacífica é ameaçada pelo surgimento da avó da rapariga, a terrível lady Oonagh, que se impõe na vida na neta. Com a perversidade que a caracteriza, a feiticeira informa Fainne do legado que traz dentro de si: o sangue de uma linhagem maldita de feiticeiros, incutindo na jovem um sentimento de ódio profundo e, ao mesmo tempo, incumbindo-a de uma tarefa que a deixará aterrorizada. Enviada para Sevenwaters com o objectivo de destruí-la, Fainne irá usar todos os seus poderes mágicos para impedir o cumprimento de uma profecia.
Opinião:
Depois de ter relido os dois volumes anteriores da trilogia Sevenwaters, fiquei com vontade de também pegar no terceiro. A oportunidade chegou agora e eu aproveitei. Lembro-me que quando li estes livros pela primeira vez, A Filha da Profecia foi aquele que menos me cativou. Não me lembrava ao certo das razões, mas ao reler, claro que recordei. Curiosamente, aqueles que tinham sido apontados como pontos fracos foram agora vistos com outros olhos (parece que ao reler conseguimos mesmo descobrir coisas diferentes).
A protagonista deste volume é Fainne, uma jovem muito diferente das duas heroínas anteriores e que só desta vez me prendeu da mesma forma que Sorcha ou Liadam. Percebo agora que ela travou uma luta muito diferente. Fainne acredita que é maligna., contudo tem um coração bom. Assim, torna-se numa rapariga com medo de si própria e pouco confiante nas suas capacidades. É curioso e interessante ver que a sua personalidade possui traços de Ciarán e Niamh. Realmente Juliet Marillier é uma contadora de histórias atenta aos detalhes.
A jornada de Fainne é também diferente. Primeiro porque não se inicia em Sevenwaters e porque ela aparenta não ter ligação a esse local. Depois porque tem um objectivo primário de vingança. Ao longo do seu percurso assiste-se a lutas internas, o que deixa transparecer a capacidade crítica desta personagem. É curioso ver personagens que já encantaram em volumes anteriores do ponto de vista de estranhos. Nós conhecemos aquelas figuras, sabemos quais são as suas intenções, mas Fainne não. Isso gera algumas situações que o leitor não deseja, mas que fazem sentido. Fainne acaba assim por gerar sentimentos contraditórios, mas também volta a por em evidência a capacidade da autora surpreender.
As personagens secundárias voltam a ter papéis fucrais e continuam fortes, tal como Juliet nos habituou. Confesso que gostei do lutador e persistente Darragh e Johnny cativou tal como as filhas de Sean avisaram (foi interessante ver estas meninas depois de ter lido os livros que protagonizam). Quanto às figuras que já eram conhecidas, destaco Ciarán e Eamonn. Ciarán sempre foi uma personagem envolta em mistérios, sofredora e que me prende. Quero sempre saber mais sobre ele e quando surge nota-se um ambiente diferente na leitura. Eamonn é uma figura que está muito bem conseguida, que consegue fazer-me sentir pena e aversão. É impossível ficar-lhe indiferente.
A escrita de Juliet encanta. A autora tem a capacidade de embalar o leitor com as suas palavras, aventuras, dilemas. Contudo, o trabalho de tradução não esteve ao nível que este autora merecia. Foram muitas as gralhas encontradas, sendo que a maior falha ocorreu mesmo ao nível da tradução do título e ao ser ocultada uma parte do texto original.
Percebo que a editora quis dar seguimento à palavra "filho/a" no título desta obra, de forma a que o leitor criasse uma ligação entre todos os volumes, contudo viu-se que esta foi uma escolha feita sem se ter em consideração a história. O título original pode ser livremente traduzido para "A Criança da Profecia". A opção da Bertrand desvenda rapidamente um dos maiores enigmas desta trama e o leitor perde com isso. Quanto à parte do texto, trata-se de uma canção presente num momento de redenção, sendo especialmente emotiva. Não percebo a decisão de não a incluírem na versão portuguesa da obra, e sinto que, infelizmente, tenho um livro incompleto. Na caixa de spoiler podem ler o texto original.
Esta ser uma releitura que muito me agradou, Penso que a realização dos acontecimentos descritos na profecia estão curiosos, contudo existem alguns que parecem surgir de uma forma demasiado repentina. Juliet Marillier sempre disse que escreve para inspirar e procura sempre um final feliz, mas este pareceu-me ser um pouco forçado.
A Filha da Profecia fecha este primeiro ciclo de Sevenwaters. Muitos dos enigmas que eram levantados nos dois volumes anteriores estão agora desvendados e o equilíbrio retomado de uma forma inesperada. Uma leitura marcante e que encerra uma das trilogias que mais acarinho. Claro que recomendo.
Outras opiniões a livros de Juliet Marillier:
A Filha da Floresta (Sevenwaters #1)
O Filho das Sombras (Sevenwaters #2)
A Vidente de Sevenwaters (Sevenwaters #5)
A Chama de Sevenwaters (Sevenwaters #6)
Sangue-do-Coração
Shadowfell (Shadowfell #1)
Autor: Juliet Marillier
Tradutor: Irene Daun e Lorena e Nuno Daun e Lorena
ISBN: 9722512714
Editora: Bertrand Editora (2006)
Sinopse:
Fainne foi criada numa enseada isolada da costa de Kerry, com uma infância dominada pela solidão. Mas o pai, filho exilado de Sevenwaters, ensina-lhe tudo o que sabe sobre artes mágicas. Esta existência pacífica é ameaçada pelo surgimento da avó da rapariga, a terrível lady Oonagh, que se impõe na vida na neta. Com a perversidade que a caracteriza, a feiticeira informa Fainne do legado que traz dentro de si: o sangue de uma linhagem maldita de feiticeiros, incutindo na jovem um sentimento de ódio profundo e, ao mesmo tempo, incumbindo-a de uma tarefa que a deixará aterrorizada. Enviada para Sevenwaters com o objectivo de destruí-la, Fainne irá usar todos os seus poderes mágicos para impedir o cumprimento de uma profecia.
Opinião:
Depois de ter relido os dois volumes anteriores da trilogia Sevenwaters, fiquei com vontade de também pegar no terceiro. A oportunidade chegou agora e eu aproveitei. Lembro-me que quando li estes livros pela primeira vez, A Filha da Profecia foi aquele que menos me cativou. Não me lembrava ao certo das razões, mas ao reler, claro que recordei. Curiosamente, aqueles que tinham sido apontados como pontos fracos foram agora vistos com outros olhos (parece que ao reler conseguimos mesmo descobrir coisas diferentes).
A protagonista deste volume é Fainne, uma jovem muito diferente das duas heroínas anteriores e que só desta vez me prendeu da mesma forma que Sorcha ou Liadam. Percebo agora que ela travou uma luta muito diferente. Fainne acredita que é maligna., contudo tem um coração bom. Assim, torna-se numa rapariga com medo de si própria e pouco confiante nas suas capacidades. É curioso e interessante ver que a sua personalidade possui traços de Ciarán e Niamh. Realmente Juliet Marillier é uma contadora de histórias atenta aos detalhes.
A jornada de Fainne é também diferente. Primeiro porque não se inicia em Sevenwaters e porque ela aparenta não ter ligação a esse local. Depois porque tem um objectivo primário de vingança. Ao longo do seu percurso assiste-se a lutas internas, o que deixa transparecer a capacidade crítica desta personagem. É curioso ver personagens que já encantaram em volumes anteriores do ponto de vista de estranhos. Nós conhecemos aquelas figuras, sabemos quais são as suas intenções, mas Fainne não. Isso gera algumas situações que o leitor não deseja, mas que fazem sentido. Fainne acaba assim por gerar sentimentos contraditórios, mas também volta a por em evidência a capacidade da autora surpreender.
As personagens secundárias voltam a ter papéis fucrais e continuam fortes, tal como Juliet nos habituou. Confesso que gostei do lutador e persistente Darragh e Johnny cativou tal como as filhas de Sean avisaram (foi interessante ver estas meninas depois de ter lido os livros que protagonizam). Quanto às figuras que já eram conhecidas, destaco Ciarán e Eamonn. Ciarán sempre foi uma personagem envolta em mistérios, sofredora e que me prende. Quero sempre saber mais sobre ele e quando surge nota-se um ambiente diferente na leitura. Eamonn é uma figura que está muito bem conseguida, que consegue fazer-me sentir pena e aversão. É impossível ficar-lhe indiferente.
A escrita de Juliet encanta. A autora tem a capacidade de embalar o leitor com as suas palavras, aventuras, dilemas. Contudo, o trabalho de tradução não esteve ao nível que este autora merecia. Foram muitas as gralhas encontradas, sendo que a maior falha ocorreu mesmo ao nível da tradução do título e ao ser ocultada uma parte do texto original.
Percebo que a editora quis dar seguimento à palavra "filho/a" no título desta obra, de forma a que o leitor criasse uma ligação entre todos os volumes, contudo viu-se que esta foi uma escolha feita sem se ter em consideração a história. O título original pode ser livremente traduzido para "A Criança da Profecia". A opção da Bertrand desvenda rapidamente um dos maiores enigmas desta trama e o leitor perde com isso. Quanto à parte do texto, trata-se de uma canção presente num momento de redenção, sendo especialmente emotiva. Não percebo a decisão de não a incluírem na versão portuguesa da obra, e sinto que, infelizmente, tenho um livro incompleto. Na caixa de spoiler podem ler o texto original.
Come to me now, my bonny one
Sleek-coated, wild-eyed selkie
Son of the ocean, strong swimmer, come.
The night grows dark, the air grows cold
Swim safe to shore, seek your shelter
Wild is the west wind, chill the spring tide.
Lad of my heart, my bonny one
Come home, come home to me now
Long have I waited to hold you close
Long have I ached to hold you by me
Safe in the circle of my arms.
Sleek-coated, wild-eyed selkie
Son of the ocean, strong swimmer, come.
The night grows dark, the air grows cold
Swim safe to shore, seek your shelter
Wild is the west wind, chill the spring tide.
Lad of my heart, my bonny one
Come home, come home to me now
Long have I waited to hold you close
Long have I ached to hold you by me
Safe in the circle of my arms.
Esta ser uma releitura que muito me agradou, Penso que a realização dos acontecimentos descritos na profecia estão curiosos, contudo existem alguns que parecem surgir de uma forma demasiado repentina. Juliet Marillier sempre disse que escreve para inspirar e procura sempre um final feliz, mas este pareceu-me ser um pouco forçado.
A Filha da Profecia fecha este primeiro ciclo de Sevenwaters. Muitos dos enigmas que eram levantados nos dois volumes anteriores estão agora desvendados e o equilíbrio retomado de uma forma inesperada. Uma leitura marcante e que encerra uma das trilogias que mais acarinho. Claro que recomendo.
Outras opiniões a livros de Juliet Marillier:
A Filha da Floresta (Sevenwaters #1)
O Filho das Sombras (Sevenwaters #2)
A Vidente de Sevenwaters (Sevenwaters #5)
A Chama de Sevenwaters (Sevenwaters #6)
Sangue-do-Coração
Shadowfell (Shadowfell #1)
sexta-feira, 6 de setembro de 2013
Opinião: A História de Uma Serva
Título Original: The Handmaid's Tale (1985)
Autor: Margaret Atwood
Tradução: Rosa Amorim
ISBN: 97897225257707
Editora: Bertrand Editora (2013)
Sinopse:
Extremistas cristãos de direita derrubaram o governo norte-americano e queimaram a Constituição. A América é agora Gilead, um estado policial fundamentalista onde as mulheres férteis, conhecidas como Servas, são obrigadas a conceber filhos para a elite estéril. Offred é uma Serva na república de Gilead e acaba de ser transferida para casa do enigmático Comandante e da sua ciumenta mulher. Pode ir uma vez por dia aos mercados, cujas tabuletas agora são imagens, porque as mulheres estão proibidas de ler. Tem de rezar para que o Comandante a engravide, já que, numa época de grande decréscimo do número de nascimentos, o valor de Defred reside na sua fertilidade e o fracasso significa exílio nas Colónias, perigosamente poluídas. Defred lembra-se de um tempo, antes de perder tudo, incluindo o nome, em que vivia com o marido e a filha e tinha um emprego. Essas memórias vão-se agora misturando com ideias perigosas de rebelião e amor.
Opinião:
A Bertrand Editora decidiu relançar em Portugal umas das distopias mais aclamadas. De autoria de Margaret Atwood, A História de Uma Serva apresenta uma narrativa chocante sobre um futuro teocrático e onde o papel da mulher tem um retrocesso impressionante.
O início da leitura pode ser um pouco desencorajador. Não são dadas grandes informações sobre o tempo e o local onde a acção se desenrola, o que pode causar uma ligeira confusão. Neste aspecto, a sinopse acaba por ser mais reveladora e ajudar. O leitor percebe que está a entrar numa sociedade onde as mulheres têm funções bastante limitadas, onde a liberdade é uma vaga lembrança e a principal esperança de todos está na fertilidade.
Defred é a protagonista desta trama. Através dos pensamentos desta mulher é possível perceber a organização da sociedade que integra, os mais poderosos são donos e senhores das grandes decisões governativas e até mesmo da vida privada dos habitantes daquele local. Este é um local altamente repressivo, governado pelo medo, e isso é evidente não só nos desejos reprimidos da protagonista como também nos silêncios tão significativos desta mulher e das personagens que a rodeiam. E é este silêncio que acaba por tornar esta obra tão forte.
Desde cedo percebemos que Defred sofre. É uma mulher solitária, que recorda com dor um passado mais feliz, que vive angustiada por não saber o paradeiro daqueles que ama em segredo, que tem consciência que passou por um processo de lavagem cerebral e, mesmo assim, que deseja ter sucesso na missão que lhe foi imposta.
Defred incomoda o leitor. Não só pelo seu sofrimento, mas por ser uma mulher que parece resignada à vontade dos outros. Os sentimentos que surgem durante a leitura são contraditórios, tanto é possível desejar uma forma de libertação milagrosa desta protagonista como sentir alguma revolta pela sua submissão. Com o passar das páginas começasse a chegar a um consenso, pois não só surge mais informação como também se inicia um processo gradual de transformação. É curioso ver que durante apenas é dado a conhecer o nome que foi dado à protagonista pela sociedade, sendo a sua verdadeira nomenclatura ocultada, uma associação à perda de direitos sobre a própria vida.
Distopia que marca o leitor, A História de Uma Serva faz reflectir sobre as consequências do avanço da ciência para a humanidade e em como o desenvolvimento pode provocar uma regressão social. Mais uma vez, o mito de eterno retorno em acção. As referências aos campos onde são colocados os elementos revoltosos são interessantes, que apenas pecam por serem escassas. Teria sido interessante ter uma visão mais abrangente sobre este mundo, mas percebesse a razão de assim não ser, afinal a falta de informação é simbólica da vida de Defred.
A mulher, figura tão reprimida nesta obra, é também o género central. Afinal, é nela que está a capacidade de carregar uma nova vida. É curioso ver a forma como a autora dividiu a figura feminina em três diferentes facetas principais: esposa, procriadora e dona de um lar. Sendo assim, as mulheres passam a ficar encarregas apenas de uma destas funções, o que faz com que existe entre todas um sentimento de vazio. Também nos homens existe uma repartição de tarefas, mas esta não é tão perceptível.
O final fica em aberto, e o leitor apenas pode conjecturar sobre o que realmente aconteceu. Fica, no entanto, a ideia de que este é um livro diferente e de muito valor. Uma leitura forte e que vai agradar as mentes mais exigentes. Recomendo.
Autor: Margaret Atwood
Tradução: Rosa Amorim
ISBN: 97897225257707
Editora: Bertrand Editora (2013)
Sinopse:
Extremistas cristãos de direita derrubaram o governo norte-americano e queimaram a Constituição. A América é agora Gilead, um estado policial fundamentalista onde as mulheres férteis, conhecidas como Servas, são obrigadas a conceber filhos para a elite estéril. Offred é uma Serva na república de Gilead e acaba de ser transferida para casa do enigmático Comandante e da sua ciumenta mulher. Pode ir uma vez por dia aos mercados, cujas tabuletas agora são imagens, porque as mulheres estão proibidas de ler. Tem de rezar para que o Comandante a engravide, já que, numa época de grande decréscimo do número de nascimentos, o valor de Defred reside na sua fertilidade e o fracasso significa exílio nas Colónias, perigosamente poluídas. Defred lembra-se de um tempo, antes de perder tudo, incluindo o nome, em que vivia com o marido e a filha e tinha um emprego. Essas memórias vão-se agora misturando com ideias perigosas de rebelião e amor.
Opinião:
A Bertrand Editora decidiu relançar em Portugal umas das distopias mais aclamadas. De autoria de Margaret Atwood, A História de Uma Serva apresenta uma narrativa chocante sobre um futuro teocrático e onde o papel da mulher tem um retrocesso impressionante.
O início da leitura pode ser um pouco desencorajador. Não são dadas grandes informações sobre o tempo e o local onde a acção se desenrola, o que pode causar uma ligeira confusão. Neste aspecto, a sinopse acaba por ser mais reveladora e ajudar. O leitor percebe que está a entrar numa sociedade onde as mulheres têm funções bastante limitadas, onde a liberdade é uma vaga lembrança e a principal esperança de todos está na fertilidade.
Defred é a protagonista desta trama. Através dos pensamentos desta mulher é possível perceber a organização da sociedade que integra, os mais poderosos são donos e senhores das grandes decisões governativas e até mesmo da vida privada dos habitantes daquele local. Este é um local altamente repressivo, governado pelo medo, e isso é evidente não só nos desejos reprimidos da protagonista como também nos silêncios tão significativos desta mulher e das personagens que a rodeiam. E é este silêncio que acaba por tornar esta obra tão forte.
Desde cedo percebemos que Defred sofre. É uma mulher solitária, que recorda com dor um passado mais feliz, que vive angustiada por não saber o paradeiro daqueles que ama em segredo, que tem consciência que passou por um processo de lavagem cerebral e, mesmo assim, que deseja ter sucesso na missão que lhe foi imposta.
Defred incomoda o leitor. Não só pelo seu sofrimento, mas por ser uma mulher que parece resignada à vontade dos outros. Os sentimentos que surgem durante a leitura são contraditórios, tanto é possível desejar uma forma de libertação milagrosa desta protagonista como sentir alguma revolta pela sua submissão. Com o passar das páginas começasse a chegar a um consenso, pois não só surge mais informação como também se inicia um processo gradual de transformação. É curioso ver que durante apenas é dado a conhecer o nome que foi dado à protagonista pela sociedade, sendo a sua verdadeira nomenclatura ocultada, uma associação à perda de direitos sobre a própria vida.
Distopia que marca o leitor, A História de Uma Serva faz reflectir sobre as consequências do avanço da ciência para a humanidade e em como o desenvolvimento pode provocar uma regressão social. Mais uma vez, o mito de eterno retorno em acção. As referências aos campos onde são colocados os elementos revoltosos são interessantes, que apenas pecam por serem escassas. Teria sido interessante ter uma visão mais abrangente sobre este mundo, mas percebesse a razão de assim não ser, afinal a falta de informação é simbólica da vida de Defred.
A mulher, figura tão reprimida nesta obra, é também o género central. Afinal, é nela que está a capacidade de carregar uma nova vida. É curioso ver a forma como a autora dividiu a figura feminina em três diferentes facetas principais: esposa, procriadora e dona de um lar. Sendo assim, as mulheres passam a ficar encarregas apenas de uma destas funções, o que faz com que existe entre todas um sentimento de vazio. Também nos homens existe uma repartição de tarefas, mas esta não é tão perceptível.
O final fica em aberto, e o leitor apenas pode conjecturar sobre o que realmente aconteceu. Fica, no entanto, a ideia de que este é um livro diferente e de muito valor. Uma leitura forte e que vai agradar as mentes mais exigentes. Recomendo.
quinta-feira, 18 de julho de 2013
Opinião: A Família Radley
Título original: The Radleys
(2010)
De forma a levarem uma vida normal e abstinente de sangue, escolheram aquela pitoresca aldeia para viver e educar Rowan e Clara. Os dois jovens vivem os problemas comuns da adolescência: Rowan quer ser aceite pelos seus pares, defrontar os rufias que lhe fazem a vida negra e conquistar a bela Eve, apesar de nunca conseguir dizer-lhe mais do que meia dúzia de palavras; Clara quer marcar a diferença, salvar o mundo mas sem nunca sair da sua zona de conforto. Como todos os jovens, sentem-se diferentes dos outros, mas o que eles não sabem é que realmente o são.
Peter e Helen são um casal conformado com a sua situação e com uma relação desgastada. Um casal que renegou os seus desejos para proteger os que amam. Helen é uma mulher que precisa de seguir um plano para se sentir segura, enquanto Peter sente-se infeliz com aquela relação e com o seu trabalho na clínica. Fizeram sempre de tudo para colmatar a falta de sangue nos sistemas dos seus filhos, com dietas à base de carnes frescas que, apesar de tudo, os deixam meio atordoados e com um aspecto adoentado.
Quando Clara é atacada numa festa, segue os instintos que nunca pensou ter e solta a sua verdadeira natureza. Os pais, em pânico, sabem que não podem mais esconder quem são e, num acto de desespero, pedem ajuda à última pessoa que deviam contactar.
A Família Radley é um delicioso drama doméstico. O leitor acompanha os quatro elementos da família e ainda alguns dos vizinhos mais relevantes para a trama, de forma a conhecer todos os seus passos e conflitos. Desta forma, o autor apresenta uma visão completa de uma estrutura familiar, que, apesar de ser composta por vampiros, não deixa de ser tão semelhante a tantas outras. É importante ter em conta que aqui, os vampiros são seres mortais com capacidades de reprodução, cuja única diferença é a alimentação e os poderes que surgem através de uma dieta à base de sangue.
A leitura é fluída, rápida, inteligente e consegue agarrar o leitor desde o início, com elementos fantásticos, uma boa carga de acção, horror e pitadas de romance e humor. Os diálogos estão bem conseguidos e adaptam-se à faixa etária e educação das personagens em questão. Os comentários entre irmãos conseguem fazer o leitor sorrir ao rever a tão comum relação de amor/ódio.
O livro fica enriquecido com as passagens do “Manual do Abstinente” (criado pelo autor), que revela de forma mais concreta as dificuldades que os vampiros que não se alimentam com sangue passam, a fazer lembrar um livro contra as dependências de humanas. Contudo, aqui não se trata de um simples vício, mas de um instinto mais forte do que a própria vontade que provém da própria natureza.
Mais do que um livro sobre vampiros, é um livro sobre uma família, constituída por pessoas reais, com problemas normais, mas que, apesar de tudo, são capazes de qualquer coisa para se protegerem e manterem unidos. Uma boa leitura.
Matt Haig é um escritor e jornalista britânico que colaborou com publicações de renome, como The Guardian, The Sunday Times e The Independent. Entrou no mundo da literatura em 2005, com The Last Family in England, sendo A Família Radley a sua última obra publicada, até à data.
Nota: Já foi anunciada a adaptação cinematográfica desta obra pelas mãos de Alfonso Cuarón, o realizador de Harry Potter e o Prisioneiro de Askaban.
Autor: Matt Haig
Tradutor: José Luís Luna
ISBN: 9789722522779
Editora: Bertrand Editora (2011)
Sinopse:
A Família Radley é uma família como tantas outras: mais ou menos disfuncional, mais ou menos satisfeita. Até aqui, tudo bem. Só que os pais, Peter e Helen, têm escondido de Clara e Rowan, os filhos, um segredo arrasador, mas que explica muitas coisas…
Um livro divertido, envolvente e emocionante que nos oferece o retrato de uma família invulgar. A Família Radley faz-nos pensar em que será que nos tornamos quando crescemos e o que será que ganhamos (e perdemos) quando negamos os nossos apetites.
E tu, consegues controlar os teus instintos?
Opinião:
A família Radley aparenta ser comum. Habitantes da aldeia
de Bishopthorpe, estão bem integrados naquela comunidade: o pai, Peter, é um
prestigiado médico, a mãe, Helen, uma dona de casa empenhada e os filhos, Rowan
e Clara frequentam a escola local. Como todas as famílias, têm os seus pontos
altos e os seus problemas, mas enquanto os seus vizinhos guardam segredos
comuns, os Radley escondem uma natureza que nunca pode ser revelada, nem mesmo
aos seus filhos, de forma a garantir a segurança geral. Peter e Helen são um
casal de vampiros que teve… filhos vampiros.Tradutor: José Luís Luna
ISBN: 9789722522779
Editora: Bertrand Editora (2011)
Sinopse:
A Família Radley é uma família como tantas outras: mais ou menos disfuncional, mais ou menos satisfeita. Até aqui, tudo bem. Só que os pais, Peter e Helen, têm escondido de Clara e Rowan, os filhos, um segredo arrasador, mas que explica muitas coisas…
Um livro divertido, envolvente e emocionante que nos oferece o retrato de uma família invulgar. A Família Radley faz-nos pensar em que será que nos tornamos quando crescemos e o que será que ganhamos (e perdemos) quando negamos os nossos apetites.
E tu, consegues controlar os teus instintos?
Opinião:
De forma a levarem uma vida normal e abstinente de sangue, escolheram aquela pitoresca aldeia para viver e educar Rowan e Clara. Os dois jovens vivem os problemas comuns da adolescência: Rowan quer ser aceite pelos seus pares, defrontar os rufias que lhe fazem a vida negra e conquistar a bela Eve, apesar de nunca conseguir dizer-lhe mais do que meia dúzia de palavras; Clara quer marcar a diferença, salvar o mundo mas sem nunca sair da sua zona de conforto. Como todos os jovens, sentem-se diferentes dos outros, mas o que eles não sabem é que realmente o são.
Peter e Helen são um casal conformado com a sua situação e com uma relação desgastada. Um casal que renegou os seus desejos para proteger os que amam. Helen é uma mulher que precisa de seguir um plano para se sentir segura, enquanto Peter sente-se infeliz com aquela relação e com o seu trabalho na clínica. Fizeram sempre de tudo para colmatar a falta de sangue nos sistemas dos seus filhos, com dietas à base de carnes frescas que, apesar de tudo, os deixam meio atordoados e com um aspecto adoentado.
Quando Clara é atacada numa festa, segue os instintos que nunca pensou ter e solta a sua verdadeira natureza. Os pais, em pânico, sabem que não podem mais esconder quem são e, num acto de desespero, pedem ajuda à última pessoa que deviam contactar.
A Família Radley é um delicioso drama doméstico. O leitor acompanha os quatro elementos da família e ainda alguns dos vizinhos mais relevantes para a trama, de forma a conhecer todos os seus passos e conflitos. Desta forma, o autor apresenta uma visão completa de uma estrutura familiar, que, apesar de ser composta por vampiros, não deixa de ser tão semelhante a tantas outras. É importante ter em conta que aqui, os vampiros são seres mortais com capacidades de reprodução, cuja única diferença é a alimentação e os poderes que surgem através de uma dieta à base de sangue.
A leitura é fluída, rápida, inteligente e consegue agarrar o leitor desde o início, com elementos fantásticos, uma boa carga de acção, horror e pitadas de romance e humor. Os diálogos estão bem conseguidos e adaptam-se à faixa etária e educação das personagens em questão. Os comentários entre irmãos conseguem fazer o leitor sorrir ao rever a tão comum relação de amor/ódio.
O livro fica enriquecido com as passagens do “Manual do Abstinente” (criado pelo autor), que revela de forma mais concreta as dificuldades que os vampiros que não se alimentam com sangue passam, a fazer lembrar um livro contra as dependências de humanas. Contudo, aqui não se trata de um simples vício, mas de um instinto mais forte do que a própria vontade que provém da própria natureza.
Mais do que um livro sobre vampiros, é um livro sobre uma família, constituída por pessoas reais, com problemas normais, mas que, apesar de tudo, são capazes de qualquer coisa para se protegerem e manterem unidos. Uma boa leitura.
Matt Haig é um escritor e jornalista britânico que colaborou com publicações de renome, como The Guardian, The Sunday Times e The Independent. Entrou no mundo da literatura em 2005, com The Last Family in England, sendo A Família Radley a sua última obra publicada, até à data.
Nota: Já foi anunciada a adaptação cinematográfica desta obra pelas mãos de Alfonso Cuarón, o realizador de Harry Potter e o Prisioneiro de Askaban.
terça-feira, 16 de julho de 2013
Opinião: A Rapariga de Papel
Título original: La Fille de Papier (2010)
Autor: Guillaume Musso
Tradução: Sérgio Coelho
ISBN: 9789722526388
Editora: Bertrand Editora (2013)
Sinopse:
Há apenas alguns meses, Tom Boyd era um escritor famoso em Los Angeles, apaixonado por uma célebre pianista. Mas na sequência de uma separação demasiado pública, fechou-se em casa, sofrendo de bloqueio artístico e tendo como única companhia o álcool e as drogas. Certa noite, uma desconhecida aparece em sua casa, uma mulher linda e completamente nua. Diz ser Billie, uma personagem dos romances dele, que veio parar ao mundo real devido a um erro de impressão do seu livro mais recente.
A história é uma loucura, mas Tom acaba por acreditar que aquela deve ser de facto a verdadeira Billie. E ela quer fazer um acordo com ele: se ele escrever o seu próximo romance, ela poderá regressar ao mundo da ficção. Em troca, ele ajuda-a a reconquistar a sua amada Aurore. O que tem ele a perder?
Opinião:
A Rapariga de Papel é um romance onde Guillaume Musso que leva o leitor a reflectir sobre as diversas facetas do amor, o valor da amizade, o poder da imaginação, a dureza da vida e a forma como todos os seres humanos estão interligados e podem fazer a diferença mesmo em quem não conhecem.
Tom Boyd é o protagonista desta trama. Escritor norte-americano famoso, viveu uma intensa paixão com uma pianista mediática e conhecida pela sua beleza e pelos seus relacionamentos fugazes. A inevitável separação foi dura para Tom, que depois de uma humilhação pública refugiou-se no álcool e nas drogas. A dor levou-o ainda a sofrer um bloqueio artístico, precisamente na altura em que se preparava para iniciar o tão esperado derradeiro livro da sua trilogia.
O leitor depara-se, inicialmente, com um Tom sofredor de depressivo. A história da relação é contada através de recortes de jornais, o que promove a ideia do poder dos meios de comunicação na vida das celebridades. Pode não ser fácil gostar deste Tom que desistiu de tudo o que tinha de bom por uma mulher. Contudo, este sentimento começa a ser alterado graças ao aparecimento de Billie.
Billie não é nada mais, nada menos do que uma das personagens da trilogia de sucesso de Tom. O protagonista vai ter dificuldade em aceitar este facto e, tal como o leitor, vai suspeitar do desenvolvimento de loucura. Afinal, Billie acaba por provar que é fruto da imaginação de Tom e o seu aparecimento é fruto de um erro de impressão. Esta personagem quer a todo a custo voltar para o seu mundo e, para tal, precisa que o autor ultrapasse a depressão e termine o livro que tem para escrever.
Tom começa, aos poucos, a tomar as rédeas da sua vida, graças à improvável Billie. Juntos vivem uma aventura que consegue agarrar o leitor. Os momentos divertidos são deliciosos, enquanto os mais pesados fazem recordar as principais dificuldades da vida. Com a recuperação de Tom surgem também revelações impressionantes sobre este protagonista e os seus amigos. Exemplos de que a mudança é possível e de que as pessoas podem sempre almejar uma vida melhor, servem de exemplo para quem sofre. Paralelamente, o autor expõe ainda o poder dos livros como escape para um mundo mais belo, onde é possível encontrar forças para continuar a lutar e resistir. Com o virar das páginas, sente-se cada vez mais empatia pode este Tom refeito.
A existência de pequenas histórias paralelas que estão ligadas de forma indirecta proporcionam momentos doces e que fazem reflectir em como a humanidade se encontra unida, mesmo sem ter a percepção de tal. O final não é bem o esperado e pode desiludir os fãs de tramas mais fantásticas.
Guillaume Musso apresenta um estilo de escrita cuidado, em certos momentos quase lírico, mas sempre simples de acompanhar. É interessante ver as preocupações do próprio autor reflectidas na personagem de Tom, nomeadamente quanto ao poder das descrições. Existem apenas algumas incongruências quanto à tradução – algumas expressões inglesas que não foram traduzidas, sendo que nem todas possuem nota de rodapé.
Terminada a leitura, fica-se com a sensação que se esteve perante uma leitura leve mas inspiradora. Mesmo que não seja um livro prodígio, faz o leitor relembrar as leituras que mais o marcaram e a forma como estas o alteraram. A Rapariga de Papel é escrita por um amante de livros para amantes de livros, prova dada pelas belas citações de outras obras que iniciam cada capítulo. Um doce.
Autor: Guillaume Musso
Tradução: Sérgio Coelho
ISBN: 9789722526388
Editora: Bertrand Editora (2013)
Sinopse:
Há apenas alguns meses, Tom Boyd era um escritor famoso em Los Angeles, apaixonado por uma célebre pianista. Mas na sequência de uma separação demasiado pública, fechou-se em casa, sofrendo de bloqueio artístico e tendo como única companhia o álcool e as drogas. Certa noite, uma desconhecida aparece em sua casa, uma mulher linda e completamente nua. Diz ser Billie, uma personagem dos romances dele, que veio parar ao mundo real devido a um erro de impressão do seu livro mais recente.
A história é uma loucura, mas Tom acaba por acreditar que aquela deve ser de facto a verdadeira Billie. E ela quer fazer um acordo com ele: se ele escrever o seu próximo romance, ela poderá regressar ao mundo da ficção. Em troca, ele ajuda-a a reconquistar a sua amada Aurore. O que tem ele a perder?
Opinião:
A Rapariga de Papel é um romance onde Guillaume Musso que leva o leitor a reflectir sobre as diversas facetas do amor, o valor da amizade, o poder da imaginação, a dureza da vida e a forma como todos os seres humanos estão interligados e podem fazer a diferença mesmo em quem não conhecem.
Tom Boyd é o protagonista desta trama. Escritor norte-americano famoso, viveu uma intensa paixão com uma pianista mediática e conhecida pela sua beleza e pelos seus relacionamentos fugazes. A inevitável separação foi dura para Tom, que depois de uma humilhação pública refugiou-se no álcool e nas drogas. A dor levou-o ainda a sofrer um bloqueio artístico, precisamente na altura em que se preparava para iniciar o tão esperado derradeiro livro da sua trilogia.
O leitor depara-se, inicialmente, com um Tom sofredor de depressivo. A história da relação é contada através de recortes de jornais, o que promove a ideia do poder dos meios de comunicação na vida das celebridades. Pode não ser fácil gostar deste Tom que desistiu de tudo o que tinha de bom por uma mulher. Contudo, este sentimento começa a ser alterado graças ao aparecimento de Billie.
Billie não é nada mais, nada menos do que uma das personagens da trilogia de sucesso de Tom. O protagonista vai ter dificuldade em aceitar este facto e, tal como o leitor, vai suspeitar do desenvolvimento de loucura. Afinal, Billie acaba por provar que é fruto da imaginação de Tom e o seu aparecimento é fruto de um erro de impressão. Esta personagem quer a todo a custo voltar para o seu mundo e, para tal, precisa que o autor ultrapasse a depressão e termine o livro que tem para escrever.
Tom começa, aos poucos, a tomar as rédeas da sua vida, graças à improvável Billie. Juntos vivem uma aventura que consegue agarrar o leitor. Os momentos divertidos são deliciosos, enquanto os mais pesados fazem recordar as principais dificuldades da vida. Com a recuperação de Tom surgem também revelações impressionantes sobre este protagonista e os seus amigos. Exemplos de que a mudança é possível e de que as pessoas podem sempre almejar uma vida melhor, servem de exemplo para quem sofre. Paralelamente, o autor expõe ainda o poder dos livros como escape para um mundo mais belo, onde é possível encontrar forças para continuar a lutar e resistir. Com o virar das páginas, sente-se cada vez mais empatia pode este Tom refeito.
A existência de pequenas histórias paralelas que estão ligadas de forma indirecta proporcionam momentos doces e que fazem reflectir em como a humanidade se encontra unida, mesmo sem ter a percepção de tal. O final não é bem o esperado e pode desiludir os fãs de tramas mais fantásticas.
Guillaume Musso apresenta um estilo de escrita cuidado, em certos momentos quase lírico, mas sempre simples de acompanhar. É interessante ver as preocupações do próprio autor reflectidas na personagem de Tom, nomeadamente quanto ao poder das descrições. Existem apenas algumas incongruências quanto à tradução – algumas expressões inglesas que não foram traduzidas, sendo que nem todas possuem nota de rodapé.
Terminada a leitura, fica-se com a sensação que se esteve perante uma leitura leve mas inspiradora. Mesmo que não seja um livro prodígio, faz o leitor relembrar as leituras que mais o marcaram e a forma como estas o alteraram. A Rapariga de Papel é escrita por um amante de livros para amantes de livros, prova dada pelas belas citações de outras obras que iniciam cada capítulo. Um doce.
sexta-feira, 28 de junho de 2013
Opinião: A Lenda do Vento (A Torre Negra #8)
Título original: The Wind Through the Keyhole (2012)
Autor: Stephen King
Tradução: Rosa Amorim
ISBN: 9789722525619
Editora: Bertrand Editora (2013)
Sinopse:
Roland Deschain, Jake, Susannah, Eddie e Oy enfrentam uma terrível tempestade quando acabam de atravessar o rio Whye e são obrigados a abrigar-se numa cidade há muito abandonada. Embalados pelo brilho das chamas e pelo uivo do vento, os quatro companheiros acompanham o pistoleiro em dois episódios de seu passado. Uma viagem encantadora e assustadora ao mundo de Roland e um testemunho do poder e da magia de Stephen King a contar histórias.
Opinião:
Oitavo volume da saga "A Torre Negra" – mas situado cronologicamente entre os volumes quatro e cinco – em A Lenda do Vento acompanhamos Roland Deschain, um pistoleiro destemido, Jake, Susannah e Eddie, que são originários da nossa realidade, e também Oy, um estranho animal que parece ter algumas características humanas. Durante uma jornada, estas personagens são surpreendidas por uma violenta tempestade e são obrigados a procurar abrigo numa cidade abandonada. Aí, Roland desvenda uma história do seu passado e revela uma das suas lendas preferidas.
A Lenda do Vento não é o primeiro livro da saga e talvez por isso mesmo existam certos conceitos e referências que são estranhos, não fazem sentido e possam confundir um pouco a leitura. Contudo, não é isso que faz não compreender a história, apesar de se sentir uma necessidade de saber o que aconteceu antes de modo a perceber melhor este universo e as motivações de algumas personagens.
O mundo deste livro apresenta-se como um de muitos que existem em paralelo ao nosso. Tem algumas inspirações na Idade Média, nomeadamente na organização social e nas crenças, mas também no faroeste americano, muito graças às referências que nos fazem lembrar cowboys. Existem também algumas características mais futuristas, nomeadamente no surgimento de dispositivos demasiado avançados que se confundem com objectos mágicos. Sendo assim, pode-se dizer que Stephen King reuniu diversos elementos que parecem não ter ligação, mas que acabam por funcionar numa forma curiosa, apesar de ao início poderem provocar estranheza.
A organização da trama não é convencional. Inicialmente, o leitor acompanha as personagens acima mencionadas. A certo momento, o protagonista começa a narrar um acontecimento passado, dando início a um novo capítulo que apresenta essa situação, contada na primeira pessoa. A meio dessa história, uma personagem começa a narrar uma lenda, e o leitor volta a encontrar um novo capítulo que tem essa mesma lenda como trama principal. No final, fica a ideia que apenas duas destas três histórias terminaram, que todas têm forte ligação entre si e que fazem revelações importantes para quem tem estado a seguir a saga.
O facto de existirem três acções distintas faz com que exista um vasto leque de personagens. Todas elas são diferentes e dotadas de personalidades características, destacando-se Roland e Tim. Existem diversas reviravoltas, momentos intensos e descrições tão precisas que chegam a repugnar, ou não estivéssemos a falar de um livro de Stephen King.
No final, percebe-se que este é um volume que até pode ser lido sozinho, mas que parece perder grande do seu sentido lido desta forma. Ficou a vontade de acompanhar a saga desde o início.
Autor: Stephen King
Tradução: Rosa Amorim
ISBN: 9789722525619
Editora: Bertrand Editora (2013)
Sinopse:
Roland Deschain, Jake, Susannah, Eddie e Oy enfrentam uma terrível tempestade quando acabam de atravessar o rio Whye e são obrigados a abrigar-se numa cidade há muito abandonada. Embalados pelo brilho das chamas e pelo uivo do vento, os quatro companheiros acompanham o pistoleiro em dois episódios de seu passado. Uma viagem encantadora e assustadora ao mundo de Roland e um testemunho do poder e da magia de Stephen King a contar histórias.
Opinião:
Oitavo volume da saga "A Torre Negra" – mas situado cronologicamente entre os volumes quatro e cinco – em A Lenda do Vento acompanhamos Roland Deschain, um pistoleiro destemido, Jake, Susannah e Eddie, que são originários da nossa realidade, e também Oy, um estranho animal que parece ter algumas características humanas. Durante uma jornada, estas personagens são surpreendidas por uma violenta tempestade e são obrigados a procurar abrigo numa cidade abandonada. Aí, Roland desvenda uma história do seu passado e revela uma das suas lendas preferidas.
A Lenda do Vento não é o primeiro livro da saga e talvez por isso mesmo existam certos conceitos e referências que são estranhos, não fazem sentido e possam confundir um pouco a leitura. Contudo, não é isso que faz não compreender a história, apesar de se sentir uma necessidade de saber o que aconteceu antes de modo a perceber melhor este universo e as motivações de algumas personagens.
O mundo deste livro apresenta-se como um de muitos que existem em paralelo ao nosso. Tem algumas inspirações na Idade Média, nomeadamente na organização social e nas crenças, mas também no faroeste americano, muito graças às referências que nos fazem lembrar cowboys. Existem também algumas características mais futuristas, nomeadamente no surgimento de dispositivos demasiado avançados que se confundem com objectos mágicos. Sendo assim, pode-se dizer que Stephen King reuniu diversos elementos que parecem não ter ligação, mas que acabam por funcionar numa forma curiosa, apesar de ao início poderem provocar estranheza.
A organização da trama não é convencional. Inicialmente, o leitor acompanha as personagens acima mencionadas. A certo momento, o protagonista começa a narrar um acontecimento passado, dando início a um novo capítulo que apresenta essa situação, contada na primeira pessoa. A meio dessa história, uma personagem começa a narrar uma lenda, e o leitor volta a encontrar um novo capítulo que tem essa mesma lenda como trama principal. No final, fica a ideia que apenas duas destas três histórias terminaram, que todas têm forte ligação entre si e que fazem revelações importantes para quem tem estado a seguir a saga.
O facto de existirem três acções distintas faz com que exista um vasto leque de personagens. Todas elas são diferentes e dotadas de personalidades características, destacando-se Roland e Tim. Existem diversas reviravoltas, momentos intensos e descrições tão precisas que chegam a repugnar, ou não estivéssemos a falar de um livro de Stephen King.
No final, percebe-se que este é um volume que até pode ser lido sozinho, mas que parece perder grande do seu sentido lido desta forma. Ficou a vontade de acompanhar a saga desde o início.
quinta-feira, 24 de janeiro de 2013
Opinião: O Fim do Senhor Y
Título original: The End
of Mr. Y (2006)
O Fim do Senhor Y apresenta Ariel Manto, estudante universitária a elaborar a sua tese de doutoramento sobre experiência de pensamento, onde se baseia num autor do século XIX que muito a intriga, Thomas E. Lumas, considerado excêntrico e louco pelos seus pares.
Um dia é obrigada a quebrar a sua rotina e, instintivamente, entra num alfarrabista, onde pergunta por livros do autor sobre o qual está a estudar, na esperança de encontrar algo inédito, mas sem acreditar muito nessa hipótese. Mas encontra.
“Coloco O Fim do Senhor Y na minha mochila, em segurança, e depois pego na caixa e saio da loja, apertando-a contra mim a caminho de casa, no escuro, o frio a aguilhoar-me os olhos, completamente incapaz de entender o que acabou de acontecer.”
Ariel sabe do boato que corre acerca do livro recém-adquirido – está amaldiçoado, pois todos aqueles que o lêem desaparecem, incluindo o autor e editor, mas não dá importância a essa questão e inicia uma leitura que vai alterar a sua vida por completo.
O leitor acompanha a demanda de Ariel, que é narrada na primeira pessoa, de uma forma fluida e simples, o que faz com que existe uma grande aproximação e conhecimento não só da personagem principal, como de todos os outros intervenientes da acção.
Ariel é uma jovem desiludida com a sua realidade, com um passado perturbante e uma vida sexual promíscua, que se refugia na investigação e busca de conhecimento. As suas meditações e discussões remetem para a reflexão de temas tais como ciência, religião, mitologia, linguagem, pensamento, literatura, consciência, física e amor, onde o nome de autores como Braudillard, Saussure ou Derrida é uma constante.
Este é um livro sobre um outro livro, e a autora dá a conhecer os excertos mais relevantes do segundo, o que não só foi útil para uma maior compreensão das questões suscitadas, como torna a trama mais completa e faz com que o leitor sinta que ficou na posse de conhecimentos proibidos e misteriosos.
A escrita poética, leva, em certos momentos, o leitor a estabelecer uma comparação com a era moderna onde a tecnologia permite o acesso a uma infinidade de informações e onde existe um crescente desejo voyeurista na sociedade.
O Fim do Senhor Y é um livro que surpreende pela positiva, uma história que induz ao pensamento através de uma criatividade e inteligência inesperadas. Scarlett Thomas conseguiu conciliar diferentes géneros literários, o que faz o leitor ir ao encontro de um romance complexo e profundo.
Autoria: Scarlett Thomas
Tradução: Inês Castro
ISBN: 9789722521321
Editora: Bertrand Editora (2010)
Sinopse:
Quando Ariel descobre um exemplar do livro "O Fim do Sr. Y" num alfarrabista, mal pode acreditar nos seus olhos. Conhece o autor, o excêntrico cientista vitoriano Thomas Lumas, e sabe que os exemplares são extremamente raros. E, dizem alguns estão amaldiçoados. Com o livro debaixo do braço, Ariel vê-se lançadas numa emocionante aventura de amor, sexo, morte e viagem no tempo.
Scarlett Thomas conduz-nos numa demanda louca e irresistível ao mais profundo de nós mesmos e às nossas maiores questões.
Opinião:
Scarlett Thomas começou a escrever com seis anos, mas os resultados
nunca a agradaram. Hoje, o seu nome pode ser encontrado na lista dos 20
melhores escritores do Reino Unido publicada pela Independent on Sunday
e tem o seu trabalho traduzido em mais de 20 línguas. Tradução: Inês Castro
ISBN: 9789722521321
Editora: Bertrand Editora (2010)
Sinopse:
Quando Ariel descobre um exemplar do livro "O Fim do Sr. Y" num alfarrabista, mal pode acreditar nos seus olhos. Conhece o autor, o excêntrico cientista vitoriano Thomas Lumas, e sabe que os exemplares são extremamente raros. E, dizem alguns estão amaldiçoados. Com o livro debaixo do braço, Ariel vê-se lançadas numa emocionante aventura de amor, sexo, morte e viagem no tempo.
Scarlett Thomas conduz-nos numa demanda louca e irresistível ao mais profundo de nós mesmos e às nossas maiores questões.
Opinião:
O Fim do Senhor Y apresenta Ariel Manto, estudante universitária a elaborar a sua tese de doutoramento sobre experiência de pensamento, onde se baseia num autor do século XIX que muito a intriga, Thomas E. Lumas, considerado excêntrico e louco pelos seus pares.
Um dia é obrigada a quebrar a sua rotina e, instintivamente, entra num alfarrabista, onde pergunta por livros do autor sobre o qual está a estudar, na esperança de encontrar algo inédito, mas sem acreditar muito nessa hipótese. Mas encontra.
“Coloco O Fim do Senhor Y na minha mochila, em segurança, e depois pego na caixa e saio da loja, apertando-a contra mim a caminho de casa, no escuro, o frio a aguilhoar-me os olhos, completamente incapaz de entender o que acabou de acontecer.”
Ariel sabe do boato que corre acerca do livro recém-adquirido – está amaldiçoado, pois todos aqueles que o lêem desaparecem, incluindo o autor e editor, mas não dá importância a essa questão e inicia uma leitura que vai alterar a sua vida por completo.
O leitor acompanha a demanda de Ariel, que é narrada na primeira pessoa, de uma forma fluida e simples, o que faz com que existe uma grande aproximação e conhecimento não só da personagem principal, como de todos os outros intervenientes da acção.
Ariel é uma jovem desiludida com a sua realidade, com um passado perturbante e uma vida sexual promíscua, que se refugia na investigação e busca de conhecimento. As suas meditações e discussões remetem para a reflexão de temas tais como ciência, religião, mitologia, linguagem, pensamento, literatura, consciência, física e amor, onde o nome de autores como Braudillard, Saussure ou Derrida é uma constante.
Este é um livro sobre um outro livro, e a autora dá a conhecer os excertos mais relevantes do segundo, o que não só foi útil para uma maior compreensão das questões suscitadas, como torna a trama mais completa e faz com que o leitor sinta que ficou na posse de conhecimentos proibidos e misteriosos.
A escrita poética, leva, em certos momentos, o leitor a estabelecer uma comparação com a era moderna onde a tecnologia permite o acesso a uma infinidade de informações e onde existe um crescente desejo voyeurista na sociedade.
O Fim do Senhor Y é um livro que surpreende pela positiva, uma história que induz ao pensamento através de uma criatividade e inteligência inesperadas. Scarlett Thomas conseguiu conciliar diferentes géneros literários, o que faz o leitor ir ao encontro de um romance complexo e profundo.
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