Título original: Time Riders (2010)
Autor: Alex Scarrow
Tradutor: Helena Serrano
ISBN: 9789722633376
Editora: Civilização Editora (2011)
Sinopse:
Liam O’Connor deveria ter morrido no mar em 1912.
Maddy Carter deveria ter morrido num avião em 2010.
Sal Vikram deveria ter morrido num incêndio em 2026.
No entanto, momentos antes da morte, alguém aparece misteriosamente e diz: “Pega na minha mão.” Mas Liam, Maddy e Sal não são salvos. São recrutados por uma agência secreta, cujo único propósito é resolver problemas na história. Porque existem viagens no tempo, e há quem queira voltar atrás para mudar o passado. É por isso que existem os Timeriders: para nos proteger. E para evitar que as viagens no tempo destruam o mundo.
No primeiro livro desta série, a equipa acabada de recrutar é lançada numa aventura mesmo antes de acabar o seu treino. Paul Kramer, um físico brilhante do futuro, tem planos para alterar o passado – para conduzir a Alemanha nazi à vitória contra os Aliados e para assegurar um Reich Mundial sob o seu domínio. Liam e Bob, a unidade de apoio da equipa, são enviados para o passado para tentarem frustrar os planos de Kramer enquanto, no presente, Maddy e Sal vêem Nova Iorque ser alterada pela chegada de uma onda temporal e transformar-se numa aterradora nova realidade – uma paisagem apocalíptica de ruínas e sobreviventes mutantes de um holocausto.
Conseguirão Liam e Bob “mudar o rumo” da história antes de os mutantes encontrarem as raparigas… e as comerem?
Opinião:
Time Riders é o primeiro livro de uma saga publicada pela Civilização Editora. Alex Scarrow inspirou-se numa ideia que surge nas cabeças de muita gente: e se fosse possível viajar no tempo? Criou três personagens e apresentou-as em momentos de morte iminente: Liam estava a bordo do Titanic, Mady estava num avião prestes a despenhar-se e Sal no meio de um incêndio. Estes jovens, de características únicas, foram “resgatados” por um homem misterioso que lhes propõe algo inesperado.
“Viverás uma vida invisível. Existirás como um fantasma, nunca totalmente pertencente a este nosso mundo. Sem nunca teres possibilidade de fazeres novos amigos, sem nunca teres a possibilidade de encontrar o amor. Terás conhecimento de coisas que… bem… que em última instância poderão conduzir-te à loucura se deixares que te confundam a cabeça. Algumas pessoas escolhem a morte (…) Devo avisar-te… que não te estou a oferecer a tua vida. Estou a oferecer-te uma saída, só isso.”
Os três jovens de épocas distintas são recrutados por uma agência secreta onde terão a missão de salvar a história tal como a conhecemos. Isto porque as viagens no tempo existem, e a mínima alteração provoca consequências consideráveis.
A leitura de Time Riders é bastante simples e acessível, contudo, o autor não descurou as fundamentações lógicas da história, sendo as mesmas bem explicadas e desenvolvidas. As personagens apresentadas possuem personalidades distintas e é fácil perceber as suas motivações.
A trama tem consistência, mas não deixa de ser previsível, o que torna certos períodos mais maçadores, no entanto o ritmo é mantido uma vez que os capítulos são pequenos. A linha cronológica apresentada no final do livro pode ajudar os mais distraídos na orientação da leitura, pois que explica os vários tipos de história apresentados ao longo da narrativa.
Ao longo da leitura, é difícil não desassociar do que é feito a nível cinematográfico nos EUA, uma vez que a história é baseada na acção e na descrição de imagens que funcionariam muito bem em Hollywood. O facto de a trama se prender com a visão ocidental de muitas questões não demonstra imparcialidade. Mais uma vez são apresentados os americanos como senhores de todas as virtudes em detrimento de outros povos que ainda são vistos como marginais e inferiores, estereótipos que quando caídos no exagero, cansam.
Time Riders não deixa de apresentar uma boa forma de os leitores mais novos se iniciarem na ficção científica. Uma leitura leve e rápida que tem uma boa ideia base mas um desenvolvimento superficial e imparcial. Tendo em conta que se trata do primeiro livro de uma saga, fica a curiosidade sobre que outras épocas da história irá o autor explorar.
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segunda-feira, 12 de agosto de 2013
domingo, 28 de julho de 2013
Opinião: O Livro Negro (Thomas Cromwell #2)
Título Original: Bring Up the Bodies (2012)
Autor: Hilary Mantel
Tradução: Miguel Freitas da Costa
ISBN: 9789722635943
Editora: Civilização Editora (2013)
Sinopse:
Em 1535 Thomas Cromwell é Primeiro-ministro de Henry VIII, e o seu
sucesso ascendeu a par do de Anne Boleyn. Mas a cisão com a Igreja Católica
deixou a Inglaterra perigosamente isolada e Anne não deu um herdeiro ao rei.
Cromwell vê o rei apaixonar-se pela discreta Jane Seymour. A gerir a política
da corte, Cromwell tem de encontrar uma solução que satisfaça Heny VIII,
salvaguarde a nação e assegure a sua própria carreira. Mas nem ele nem o
próprio rei sairão ilesos dos trágicos últimos dias de Anne Boleyn.
Opinião:
A época Tudor sempre me pareceu atrativa. Por isso mesmo foi com grande
expetativa que iniciei a leitura deste livro que retrata a queda de Anne Boleyn
no ponto e vista de Thomas Cromwell, o Primeiro-Ministro de Henry VIII.
Apesar de este ser o segundo livro de uma trilogia, pode muito bem ser lido sem
recurso ao anterior.
Logo nas primeiras páginas foi possível verificar que Hilary Mantel é
dona de um estilo de escrita muito peculiar. As palavras são usadas de forma
artística e os acontecimentos nem sempre são relatados de uma forma direta. E
se esta característica lhe concede louvores da crítica, a verdade é que não me
cativou totalmente. Existem circunstâncias em que este embelezamento parece
forçado, para além de que isso faz com que acontecimentos relevantes passem
quase despercebidos e percam parte da sua força.
Esperava que a trama fosse envolvente e impulsionasse a leitura, mas
tal não aconteceu. A maioria dos
acontecimentos revelou-se aborrecida, arrastada e pouco motivadora. O facto de
saber como tudo iria terminar é que me levou a continuar a ler (o que de certa
forma é curioso, pois gosto de ser surpreendida). Este facto pode ter
acontecido pela dedicação da autora a pormenores históricos, algo que é de
louvar mas que preferia ter visto apresentado de uma forma mais aliciante.
As personagens não foram uma novidade, afinal esta época histórica já
foi retratada por diversas vezes na literatura, cinema e televisão, o que nos
leva a saber o que esperar. Contudo, esperava uma maior profundidade, senão de
todas, pelo menos de Cromwell. Foi interessante assistir às divagações deste
homem e às suas recordações, mas a verdade é que ficou a saber a pouco. E se
por um lado gostei das diversas facetas do Rei, por outro achei que a sua
segunda mulher foi apresentada com limitações.
No geral, o trabalho de tradução está bem conseguido, mas existiram alguns aspectos que me causaram alguma estranheza. Em primeiro lugar o título do livro. Reconheço que a tradução literal não funcionaria, mas esta escolha, apesar da explicação presente na obra, também não me pareceu a mais satisfatória. O outro aspecto refere-se à opção de não tradução dos nomes de algumas personagens, já que se tratam de figuras históricas que foram estudadas por todos nós na escola com os nomes traduzidos. Se em muitas ocasiões sou a favor dos nomes originais, aqui foi-me difícil habituar a ver, por exemplo, Anne Boleyn em vez de Ana Bolena.
Neste ponto já é mais do que evidente que esta leitura não foi ao
encontro das minhas expetativas. É verdade que se trata de uma forma inovadora de expor a época e ninguém pode acusar a autora de desrespeitar a história. A pesquisa intensa é evidente, mas não me senti de forma alguma arrebatada ou
impressionada com a forma que a autora encontrou para descrever as intrigas da
corte e os métodos de Thomas Cromwell. Esperava ficar mais envolvida por um livro vencedor do prémio Man
Booker Prize e tão elogiado pela crítica.
segunda-feira, 13 de maio de 2013
Opinião: Um Amor Perdido
Título original: The Lost Wife (2011)
Autor: Alyson Richman
Tradutor: Fátima Vieira
ISBN: 9789722634021
Editora: Civilização Editora (2013)
Sinopse:
Nos últimos tempos de tranquilidade na Praga do pré-guerra, Lenka, uma jovem estudante de arte, apaixona-se por Josef. Casam-se, mas, pouco tempo depois, como tantos outros, são separados pela guerra.
Na América, Josef torna-se um obstetra bem-sucedido e constrói uma família, apesar de nunca esquecer a mulher que acredita ter morrido nos campos de concentração. Mas no gueto nazi de Terezín - e mais tarde em Auschwitz - Lenka sobreviveu, graças aos seus dotes artísticos e à memória de um marido que julgava nunca voltar a ver.
Agora, passadas décadas, um encontro inesperado em Nova Iorque reúne Lenka e Josef de novo.
Do conforto da vida em Praga antes da ocupação aos horrores da Europa Nazi, Um Amor Perdido explora a resistência do primeiro amor e do espírito humano e a capacidade de recordar.
Opinião:
Um Amor Perdido é um livro arrebatador que explora as diferentes facetas do sentimento sublime assim como a resistência humana às mais temíveis e terríveis provações. Um livro que agarra desde a primeira página e que me fez entrar numa leitura com poucas paragens devido à ânsia crescente de descobrir a história de Lenka, de Josef e de todos os outros que os rodeavam.
Ao início, acompanhamos Josef na antecipação do casamento do neto. O homem de 81 anos está encantado por assistir a este momento, mas o momento alto acontece quando perceber que a avó da noiva é a sua primeira esposa, Lenka, que acreditava ter sido morta em Auschwitz. O leitor recua então no tempo e acompanha as histórias de vida destas duas personagens que viveram um dos maiores terrores do século XX.
Lenka acaba por ser a personagem com maior destaque. Começamos a acompanhá-la desde que é uma pequena criança até ao momento do já falado reencontro com Josef. Criado num ambiente familiar equilibrado, é uma jovem como igual a tantas outras que é apaixonada por pintura e desenho. A importância da arte para a vida desta protagonista faz com que tenha uma maior sensibilidade ao que a rodeia, o que proporciona descrições belas e até simbólicas.
Josef, por sua vez, parece o rapaz libertino que tem prazer em contrariar as vontades do pai. Contudo, acaba por se revelar uma pessoa apaixonada e devota que, na tristeza e na solidão, encontra conforto em alguém que admite pouco conhecer mas cujo sofrimento é semelhante ao seu.
Com a ameaça nazi a aproximar-se da Checoslováquia cresce um clima de tensão entre as comunidades judaicas. O leitor acompanha as pequenas mudanças que acontecem ao início e as grande alterações que acontecem na vida destas pessoas. É impressionante a forma como a autora conseguiu explorar as suas personagens neste sentido, nomeadamente os pais de Lenka. Progenitores optimistas, afáveis e apaixonados, acabam por se tornar pessoas quebradas e desesperadas com as circunstâncias em que se encontram.
Esta trama sensibiliza para a importância da produção artística em momentos de desespero, quer seja na sua utilização para expressão de revolta e de alerta quer seja na tentativa de evasão. Fiquei sem dúvida a conhecer um outro lado dos guetos e dos campos de concentração deste período histórico.
Terminada a leitura, existe ainda uma nota final da autora que explica que toda a trama foi inspirada em histórias reais. Sim, o reencontro na velhice de um casal separado pela guerra aconteceu, as obras artísticas feitas na clandestinidade estão agora expostas em diversos museus e muitas das personagens realmente existiram e sofreram todos os tormentos que são descritos.
A escrita é fácil de acompanhar e leva-nos a perceber, com claridade os sentimentos de todas as personagens. A autora transporta-nos a realidades completamente diferentes com mestria, fazendo-nos sentir o calor de um lar, a solidão que é possível viver numa cidade movimentada e até o desespero dos inocentes que não sabem o que fizeram para merecer tal dor.
Alyson Richman apresenta uma obra tocante que muito me surpreendeu. Um Amor Perdido é um livro que impressiona, arrepia e que apresenta um final esperado mas comovente. Recomendo.
Autor: Alyson Richman
Tradutor: Fátima Vieira
ISBN: 9789722634021
Editora: Civilização Editora (2013)
Sinopse:
Nos últimos tempos de tranquilidade na Praga do pré-guerra, Lenka, uma jovem estudante de arte, apaixona-se por Josef. Casam-se, mas, pouco tempo depois, como tantos outros, são separados pela guerra.
Na América, Josef torna-se um obstetra bem-sucedido e constrói uma família, apesar de nunca esquecer a mulher que acredita ter morrido nos campos de concentração. Mas no gueto nazi de Terezín - e mais tarde em Auschwitz - Lenka sobreviveu, graças aos seus dotes artísticos e à memória de um marido que julgava nunca voltar a ver.
Agora, passadas décadas, um encontro inesperado em Nova Iorque reúne Lenka e Josef de novo.
Do conforto da vida em Praga antes da ocupação aos horrores da Europa Nazi, Um Amor Perdido explora a resistência do primeiro amor e do espírito humano e a capacidade de recordar.
Opinião:
Um Amor Perdido é um livro arrebatador que explora as diferentes facetas do sentimento sublime assim como a resistência humana às mais temíveis e terríveis provações. Um livro que agarra desde a primeira página e que me fez entrar numa leitura com poucas paragens devido à ânsia crescente de descobrir a história de Lenka, de Josef e de todos os outros que os rodeavam.
Ao início, acompanhamos Josef na antecipação do casamento do neto. O homem de 81 anos está encantado por assistir a este momento, mas o momento alto acontece quando perceber que a avó da noiva é a sua primeira esposa, Lenka, que acreditava ter sido morta em Auschwitz. O leitor recua então no tempo e acompanha as histórias de vida destas duas personagens que viveram um dos maiores terrores do século XX.
Lenka acaba por ser a personagem com maior destaque. Começamos a acompanhá-la desde que é uma pequena criança até ao momento do já falado reencontro com Josef. Criado num ambiente familiar equilibrado, é uma jovem como igual a tantas outras que é apaixonada por pintura e desenho. A importância da arte para a vida desta protagonista faz com que tenha uma maior sensibilidade ao que a rodeia, o que proporciona descrições belas e até simbólicas.
Josef, por sua vez, parece o rapaz libertino que tem prazer em contrariar as vontades do pai. Contudo, acaba por se revelar uma pessoa apaixonada e devota que, na tristeza e na solidão, encontra conforto em alguém que admite pouco conhecer mas cujo sofrimento é semelhante ao seu.
Com a ameaça nazi a aproximar-se da Checoslováquia cresce um clima de tensão entre as comunidades judaicas. O leitor acompanha as pequenas mudanças que acontecem ao início e as grande alterações que acontecem na vida destas pessoas. É impressionante a forma como a autora conseguiu explorar as suas personagens neste sentido, nomeadamente os pais de Lenka. Progenitores optimistas, afáveis e apaixonados, acabam por se tornar pessoas quebradas e desesperadas com as circunstâncias em que se encontram.
Esta trama sensibiliza para a importância da produção artística em momentos de desespero, quer seja na sua utilização para expressão de revolta e de alerta quer seja na tentativa de evasão. Fiquei sem dúvida a conhecer um outro lado dos guetos e dos campos de concentração deste período histórico.
Terminada a leitura, existe ainda uma nota final da autora que explica que toda a trama foi inspirada em histórias reais. Sim, o reencontro na velhice de um casal separado pela guerra aconteceu, as obras artísticas feitas na clandestinidade estão agora expostas em diversos museus e muitas das personagens realmente existiram e sofreram todos os tormentos que são descritos.
A escrita é fácil de acompanhar e leva-nos a perceber, com claridade os sentimentos de todas as personagens. A autora transporta-nos a realidades completamente diferentes com mestria, fazendo-nos sentir o calor de um lar, a solidão que é possível viver numa cidade movimentada e até o desespero dos inocentes que não sabem o que fizeram para merecer tal dor.
Alyson Richman apresenta uma obra tocante que muito me surpreendeu. Um Amor Perdido é um livro que impressiona, arrepia e que apresenta um final esperado mas comovente. Recomendo.
sábado, 19 de janeiro de 2013
Opinião: O Circo dos Sonhos
Título Original: The Night Circus (2011)
Autor: Erin Morgenstern
Tradução: Maria da Fé Peres
ISBN: 9789722634267
Editora: Civilização Editora (2012)
Sinopse:
Um misterioso circo itinerante chega sem aviso e sem ser precedido por anúncios ou publicidade. Um dia, simplesmente aparece. No interior das tendas de lona às listas pretas e brancas vive-se uma experiência absolutamente única e avassaladora. Chama-se Le Cirque des Rêves (O Circo dos Sonhos) e só está aberto à noite.
Mas nos bastidores vive-se uma competição feroz – um duelo entre dois jovens mágicos, Celia e Marco, que foram treinados desde crianças exclusivamente para este fim pelos seus caprichosos mestres. Sem o saberem, este é um jogo onde apenas um pode sobreviver, e o circo não é mais do que o palco de uma incrível batalha de imaginação e determinação. Apesar de tudo, e sem o conseguirem evitar, Celia e Marco mergulham de cabeça no amor – um amor profundo e mágico que faz as luzes tremerem e a divisão aquecer sempre que se aproximam um do outro.
Amor verdadeiro ou não, o jogo tem de continuar e o destino de todos os envolvidos, desde os extraordinários artistas do circo até aos seus mentores, está em causa, assente num equilíbrio tão instável quanto o dos corajosos acrobatas lá no alto.
Opinião:
Imbuído de mistério e encantamento, O Circo do Sonhos é o primeiro romance de Erin Morgenstern. Passado no século XIX, época em que a ciência e a tecnologia tiveram uma evolução significativa, este livro mostra uma visão discreta, bela, romântica e perigosa da magia.
No início, é-nos apresentado o começo de uma competição. Contudo, só temos conhecimento da identidade dos oponentes, Celia e Marco, e, ao longo da leitura, questionamos as regras, o que é pretendido e como vai terminar este estranho desafio.
Deste modo, observamos o crescimento do dois protagonistas, e verificamos que os dois estão a ser educados através de métodos distintos. Este factor acaba por afectar a personalidade destas personagens, apesar de a certo ponto entendermos que eles estão ligados por algo superior à própria competição e às metodologias dos seus mestres. Percebemos que os dois são a base do famoso Circo dos Sonhos e que este espaço único não é apenas o palco de talentos incomuns e maravilhosos.
A escrita da autora transporta-nos para dentro deste circo de um modo natural. Ao ler o livro, sentimos que estamos a atravessar fronteiras, que estamos a vislumbrar o fantástico relógio da entrada e que estamos a entrar num mundo maravilhoso a preto e branco. Entramos em cada tenda e ficamos estupefactos, exactamente da mesma forma que os restantes visitantes, queremos saber que outros atractivos existem e desejamos provar as iguarias descritas.
E como se não bastasse ficarmos rendidos ao espaço, somos também atraídos pelas personagens apresentadas, nomeadamente o grupo fundador e os moradores deste local idílico. Percebemos que cada pessoa é dotada de capacidades únicas e relevantes para o sucesso colectivo. Relativamente ao teor romântico, este não é exagerado nem monopoliza a trama.
Apesar de se tratar de uma leitura interessante e muito diferente do que tem sido apresentado dentro do género, existem alguns pontos que podem não convencer totalmente. Falo, especialmente, do facto de os capítulos não estarem apresentados segundo uma ordem cronológica linear, levando a o leitor a estar atento às datas apresentadas em cada um, de modo a conseguir perceber o que acontece a cada momento e a fazer as ligações correctas. Esta pode ser uma dificuldade para os mais distraídos.
Terminada a leitura, fica a sensação que se esteve perante uma obra de grande beleza e dotada de reflexões muito pertinentes, nomeadamente sobre a construção do nosso próprio destino. Uma boa surpresa e um livro que recomendo.
Autor: Erin Morgenstern
Tradução: Maria da Fé Peres
ISBN: 9789722634267
Editora: Civilização Editora (2012)
Sinopse:
Um misterioso circo itinerante chega sem aviso e sem ser precedido por anúncios ou publicidade. Um dia, simplesmente aparece. No interior das tendas de lona às listas pretas e brancas vive-se uma experiência absolutamente única e avassaladora. Chama-se Le Cirque des Rêves (O Circo dos Sonhos) e só está aberto à noite.
Mas nos bastidores vive-se uma competição feroz – um duelo entre dois jovens mágicos, Celia e Marco, que foram treinados desde crianças exclusivamente para este fim pelos seus caprichosos mestres. Sem o saberem, este é um jogo onde apenas um pode sobreviver, e o circo não é mais do que o palco de uma incrível batalha de imaginação e determinação. Apesar de tudo, e sem o conseguirem evitar, Celia e Marco mergulham de cabeça no amor – um amor profundo e mágico que faz as luzes tremerem e a divisão aquecer sempre que se aproximam um do outro.
Amor verdadeiro ou não, o jogo tem de continuar e o destino de todos os envolvidos, desde os extraordinários artistas do circo até aos seus mentores, está em causa, assente num equilíbrio tão instável quanto o dos corajosos acrobatas lá no alto.
Opinião:
Imbuído de mistério e encantamento, O Circo do Sonhos é o primeiro romance de Erin Morgenstern. Passado no século XIX, época em que a ciência e a tecnologia tiveram uma evolução significativa, este livro mostra uma visão discreta, bela, romântica e perigosa da magia.
No início, é-nos apresentado o começo de uma competição. Contudo, só temos conhecimento da identidade dos oponentes, Celia e Marco, e, ao longo da leitura, questionamos as regras, o que é pretendido e como vai terminar este estranho desafio.
Deste modo, observamos o crescimento do dois protagonistas, e verificamos que os dois estão a ser educados através de métodos distintos. Este factor acaba por afectar a personalidade destas personagens, apesar de a certo ponto entendermos que eles estão ligados por algo superior à própria competição e às metodologias dos seus mestres. Percebemos que os dois são a base do famoso Circo dos Sonhos e que este espaço único não é apenas o palco de talentos incomuns e maravilhosos.
A escrita da autora transporta-nos para dentro deste circo de um modo natural. Ao ler o livro, sentimos que estamos a atravessar fronteiras, que estamos a vislumbrar o fantástico relógio da entrada e que estamos a entrar num mundo maravilhoso a preto e branco. Entramos em cada tenda e ficamos estupefactos, exactamente da mesma forma que os restantes visitantes, queremos saber que outros atractivos existem e desejamos provar as iguarias descritas.
E como se não bastasse ficarmos rendidos ao espaço, somos também atraídos pelas personagens apresentadas, nomeadamente o grupo fundador e os moradores deste local idílico. Percebemos que cada pessoa é dotada de capacidades únicas e relevantes para o sucesso colectivo. Relativamente ao teor romântico, este não é exagerado nem monopoliza a trama.
Apesar de se tratar de uma leitura interessante e muito diferente do que tem sido apresentado dentro do género, existem alguns pontos que podem não convencer totalmente. Falo, especialmente, do facto de os capítulos não estarem apresentados segundo uma ordem cronológica linear, levando a o leitor a estar atento às datas apresentadas em cada um, de modo a conseguir perceber o que acontece a cada momento e a fazer as ligações correctas. Esta pode ser uma dificuldade para os mais distraídos.
Terminada a leitura, fica a sensação que se esteve perante uma obra de grande beleza e dotada de reflexões muito pertinentes, nomeadamente sobre a construção do nosso próprio destino. Uma boa surpresa e um livro que recomendo.
sábado, 15 de dezembro de 2012
Opinião: Predestinado
Título original: Changeling (2012)
Autor: Philippa Gregory
Tradutor: Maria da Fé Peres
ISBN: 9789722635790
Editora: Civilização Editora (2012)
Sinopse:
Estamos em 1453 e todos os sinais apontam para que o fim do mundo esteja iminente. Acusado de heresia e expulso do seu mosteiro, Luca Vero, um atraente jovem de 17 anos, é recrutado por um misterioso estranho para registar o fim dos tempos por toda a Europa.
Obedecendo a ordens seladas, Luca é enviado a cartografar os medos da Cristandade e a viajar até à fronteira do bem e do mal. Isolde, de 17 anos, abadessa, está presa num convento para impedir que reclame a sua enorme herança. Quando as freiras ao seu cuidado enlouquecem com estranhas visões, sonambulismo e exibindo estigmas, Luca é enviado para investigar e todas as provas incriminam Isolde.
No pátio do convento constrói-se uma pira para a queimar por bruxaria. Forçados a enfrentar os maiores medos do mundo medieval – magia negra, lobisomens, loucura – Luca e Isolde embarcam numa busca pela verdade, pelo seu próprio destino e até pelo amor, enquanto percorrem os caminhos desconhecidos até à personagem histórica real que defende as fronteiras da Cristandade e detém os segredos da Ordem das Trevas.
Opinião:
Depois de Philippa Gregory ter conquistado uma legião de fãs com os seus romances históricos destinados ao público adulto, eis que a autora sentiu a necessidade de direcionar a sua escrita para os mais jovens. Assim, surge Predestinado, o primeiro volume de A Ordem das Trevas.
Tendo como pano de fundo uma sociedade medieval europeia, o leitor explora os preconceitos gerados pela ignorância da época. O papel da mulher, a bruxaria, a condenação do que é diferente, a religião e as diferenças raciais são alguns dos temas apresentados e que levam a reflectir sobre a evolução dos tempos e sobre como seria viver naquele tempo.
Luca E Isolde são as personagens centrais desta trama. Luca é um rapaz que foi entregue a um mosteiro e que é demasiado perspicaz para seu próprio bem. Em tempos, os seus questionamentos levaram-no a ir a tribunal, mas felizmente esta sua capacidade levou-o a ser recrutado por uma nova Ordem que tem como missão investigar casos estranhos. O leitor acompanha Luca por uma jornada onde nem tudo o que parece ser o é.
Isolde é uma jovem nascida no seio da nobreza, criada de uma forma moderna e pouco convencional para a época. O pai levou-a a acreditar que um dia herdaria o castelo e os seus campos, mas quando este falece o irmão inicia um esquema para ficar com tudo e a enviar para um convento. Lá, Isolde é acusada de bruxaria, uma vez que desde a sua chegada as freiras começaram a ter comportamentos estranhos.
Apesar de Luca e Isolde serem personagens interessantes, o leitor poderá sentir maior empatia pelo simpático e divertido Freize ou a misteriosa e corajosa Ishraq. Estas são figuras que parecem não pertencer àquele lugar e época, mas que enriquecem a história com a sua diferença.
Ao longo da narrativa, a autora expõe alguns factos característicos da época, de modo a aproximar o leitor daquele tempo. A introdução do garfo e o papel dos altos sacerdotes são exemplos deste facto, que poderão fazer as delícias dos apreciadores de história.
Predestinado está, claramente dividido em duas fases, parecendo ser detentor de duas histórias diferentes. No final, fica a sensação que muitas mais aventuras estão para vir, onde a tradição popular e a superstição são exploradas. É um livro que se lê rapidamente, apesar de a certa altura possuir momentos mais parados, que propicia momentos de entretenimento. Quem já leu outras obras da autora vai ficar com a sensação de que esta é uma leitura mais leve e com menos surpresas a nível de enredo, mas a verdade é que é preciso não esquecer o público ao qual se destina.
Outros livros de Philippa Gregory:
A Outra Rainha
Autor: Philippa Gregory
Tradutor: Maria da Fé Peres
ISBN: 9789722635790
Editora: Civilização Editora (2012)
Sinopse:
Estamos em 1453 e todos os sinais apontam para que o fim do mundo esteja iminente. Acusado de heresia e expulso do seu mosteiro, Luca Vero, um atraente jovem de 17 anos, é recrutado por um misterioso estranho para registar o fim dos tempos por toda a Europa.
Obedecendo a ordens seladas, Luca é enviado a cartografar os medos da Cristandade e a viajar até à fronteira do bem e do mal. Isolde, de 17 anos, abadessa, está presa num convento para impedir que reclame a sua enorme herança. Quando as freiras ao seu cuidado enlouquecem com estranhas visões, sonambulismo e exibindo estigmas, Luca é enviado para investigar e todas as provas incriminam Isolde.
No pátio do convento constrói-se uma pira para a queimar por bruxaria. Forçados a enfrentar os maiores medos do mundo medieval – magia negra, lobisomens, loucura – Luca e Isolde embarcam numa busca pela verdade, pelo seu próprio destino e até pelo amor, enquanto percorrem os caminhos desconhecidos até à personagem histórica real que defende as fronteiras da Cristandade e detém os segredos da Ordem das Trevas.
Opinião:
Depois de Philippa Gregory ter conquistado uma legião de fãs com os seus romances históricos destinados ao público adulto, eis que a autora sentiu a necessidade de direcionar a sua escrita para os mais jovens. Assim, surge Predestinado, o primeiro volume de A Ordem das Trevas.
Tendo como pano de fundo uma sociedade medieval europeia, o leitor explora os preconceitos gerados pela ignorância da época. O papel da mulher, a bruxaria, a condenação do que é diferente, a religião e as diferenças raciais são alguns dos temas apresentados e que levam a reflectir sobre a evolução dos tempos e sobre como seria viver naquele tempo.
Luca E Isolde são as personagens centrais desta trama. Luca é um rapaz que foi entregue a um mosteiro e que é demasiado perspicaz para seu próprio bem. Em tempos, os seus questionamentos levaram-no a ir a tribunal, mas felizmente esta sua capacidade levou-o a ser recrutado por uma nova Ordem que tem como missão investigar casos estranhos. O leitor acompanha Luca por uma jornada onde nem tudo o que parece ser o é.
Isolde é uma jovem nascida no seio da nobreza, criada de uma forma moderna e pouco convencional para a época. O pai levou-a a acreditar que um dia herdaria o castelo e os seus campos, mas quando este falece o irmão inicia um esquema para ficar com tudo e a enviar para um convento. Lá, Isolde é acusada de bruxaria, uma vez que desde a sua chegada as freiras começaram a ter comportamentos estranhos.
Apesar de Luca e Isolde serem personagens interessantes, o leitor poderá sentir maior empatia pelo simpático e divertido Freize ou a misteriosa e corajosa Ishraq. Estas são figuras que parecem não pertencer àquele lugar e época, mas que enriquecem a história com a sua diferença.
Ao longo da narrativa, a autora expõe alguns factos característicos da época, de modo a aproximar o leitor daquele tempo. A introdução do garfo e o papel dos altos sacerdotes são exemplos deste facto, que poderão fazer as delícias dos apreciadores de história.
Predestinado está, claramente dividido em duas fases, parecendo ser detentor de duas histórias diferentes. No final, fica a sensação que muitas mais aventuras estão para vir, onde a tradição popular e a superstição são exploradas. É um livro que se lê rapidamente, apesar de a certa altura possuir momentos mais parados, que propicia momentos de entretenimento. Quem já leu outras obras da autora vai ficar com a sensação de que esta é uma leitura mais leve e com menos surpresas a nível de enredo, mas a verdade é que é preciso não esquecer o público ao qual se destina.
Outros livros de Philippa Gregory:
A Outra Rainha
segunda-feira, 12 de novembro de 2012
Opinião: Coração Envenenado
Título original: Poison Heart (2012)
Autor: S. B. Hayes
Tradutor: Maria da Fé Peres
ISBN:9789722633659
Editora: Civilização Editora (2012)
Sinopse:
Quem é Genevieve? Que segredos esconde? Por que razão está tão determinada a destruir a vida de Katy? Para onde quer que Katy se vire, Genevieve está lá – na escola, com as amigas de Katy e, o pior de tudo, a tentar seduzir o novo e sexy namorado de Katy. Apesar de ser muito popular, Genevieve esconde uma faceta ameaçadora, uma faceta perigosa que só revela a Katy: Eu sou o teu pior pesadelo!
Será que Genevieve é simplesmente uma rapariga que teve uma infância difícil? Ou será que esconde debaixo do seu encantador sorriso algo sinistro, algo sobrenatural? Um romance sobre as reviravoltas da amizade, do amor e da maldade que não vais conseguir parar de ler.
Opinião:
Autor: S. B. Hayes
Tradutor: Maria da Fé Peres
ISBN:9789722633659
Editora: Civilização Editora (2012)
Sinopse:
Quem é Genevieve? Que segredos esconde? Por que razão está tão determinada a destruir a vida de Katy? Para onde quer que Katy se vire, Genevieve está lá – na escola, com as amigas de Katy e, o pior de tudo, a tentar seduzir o novo e sexy namorado de Katy. Apesar de ser muito popular, Genevieve esconde uma faceta ameaçadora, uma faceta perigosa que só revela a Katy: Eu sou o teu pior pesadelo!
Será que Genevieve é simplesmente uma rapariga que teve uma infância difícil? Ou será que esconde debaixo do seu encantador sorriso algo sinistro, algo sobrenatural? Um romance sobre as reviravoltas da amizade, do amor e da maldade que não vais conseguir parar de ler.
Opinião:
Ao início, Coração Envenenado
pode parecer ser mais um livro para jovens adultos onde elementos fantásticos
embelezam uma história de amor. Mas tal como diz o ditado, “as aparências
iludem”, e, com o decorrer da leitura, este livro revela ser mais do que isso.
Katy, a protagonista, é uma jovem que entra na faculdade e
desde esse momento que resolve entrar em mudança. Cansada de ser apenas mais
uma rapariga entre tantas outras, quer ser notada, quer fazer sucesso entre as
amigas, quer ter boas notas e quer conquistar o rapaz mais giro. Ao início,
esta apresentação pode fazer a leitura esmorecer mas, gradualmente, nota-se uma
grande mudança. Afinal, Katy começa a sentir que está a ser perseguida.
Fã de histórias fantásticas, repletas de bruxarias e
feitiços, a protagonista começa a acreditar que está a ser vítima de alguém com
esse tipo de poderes: uma jovem bonita, de penetrantes olhos verdes que parece
estar-lhe a roubar o seu lugar na comunidade. Paralelamente, o leitor começa a
ter dúvidas sobre a natureza do infortúnio da protagonista, e, com o decorrer
da leitura, muitas mais questões surgem. Com cada capítulo surge uma nova reviravolta,
até ao momento em que tudo é colocado em causa, até a própria natureza das
personagens.
Com o aproximar do desfecho, o leitor percebe que tem todas
as pistas necessárias para desvendar o grande mistério desta narrativa. Apesar
de não ser algo completamente surpreendente, acaba por ser um fim que agrada e
que fecha toda a história, sem necessidades de mais desenvolvimentos e sem exageros
descabidos para continuar a narrativa em futuros livros. Contudo, existem
certas questões que podem parecer demasiado forçadas, nomeadamente na questão
das relações ou na facilidade de acesso a determinada informação.
Livro de leitura fluida, vai agradar os fãs de literatura
destinada a um público mais jovem mas que está cansado de ver a mesma fórmula a
repetir-se nos livros que lê. Coração
Envenenado pode não conquistar desde o início, mas é sem dúvida um livro
que vai agarrando o leitor, até ao ponto em que este não o consegue largar.
Agradável e interessante, não se pode dizer que se trata de um romance do género
fantástico, apesar de toda a narrativa transmitir essa ideia.
terça-feira, 30 de outubro de 2012
Parceria com a Civilização Editora
Olá a todos!
Volto a ter boas notícias! O blog Uma Biblioteca em Construção estabeleceu parceria com a Civilização Editora.
Com origens que remontam a 1881, a Civilização Editora alia a longa experiência a uma equipa dinâmica e inovadora. Entre a sua linha editorial encontra-se um vasto leque de temáticas, onde se destaca o livro ilustrado assim como a linha de literatura, biografia e ensaios. Uma editora que procura ir ao encontro dos gostos diversos do público português e cujo tema é Bons Livros para Todos os Leitores.
Esta parceria apenas é possível graças a todos os leitores do blog, que permitem que ele continue a crescer de dia para dia. Um forte agradecimento a todos!
Volto a ter boas notícias! O blog Uma Biblioteca em Construção estabeleceu parceria com a Civilização Editora.
Com origens que remontam a 1881, a Civilização Editora alia a longa experiência a uma equipa dinâmica e inovadora. Entre a sua linha editorial encontra-se um vasto leque de temáticas, onde se destaca o livro ilustrado assim como a linha de literatura, biografia e ensaios. Uma editora que procura ir ao encontro dos gostos diversos do público português e cujo tema é Bons Livros para Todos os Leitores.
Esta parceria apenas é possível graças a todos os leitores do blog, que permitem que ele continue a crescer de dia para dia. Um forte agradecimento a todos!
domingo, 24 de junho de 2012
Opinião: A Outra Rainha
Autor: Philippa Gregory
Título
Original: The Other
Queen (2008)
Tradução: Maria Beatriz Sequeira
Tradução: Maria Beatriz Sequeira
ISBN: 9789722627702
Editora: Civilização Editora (2009)
Editora: Civilização Editora (2009)
Sinopse:
De modo a controlar a influência da prima, Maria
Stuart, a Rainha dos Escoceses, a Rainha Isabel I de Inglaterra decide colocá-la
em prisão domiciliária. Assim, a bela Rainha Maria é deixada aos cuidados do conde
de Shrewsbury e da sua mulher, Bess de Hardwick. Contudo, o cativeiro não
impede a monarca dos Escoceses de engendrar planos com forças exteriores para
retomar o seu trono e para se vingar da prima.
Se, inicialmente, Bess ficou maravilhada com a possibilidade
de ter em sua casa tão nobre presença, com o tempo vai perceber que é a
anfitriã de um verdadeiro fardo que vai colocar em causa a fortuna que
conseguiu alcançar com tanto esforço e o casamento que foi realizado há menos
de um ano. Afinal, Maria é uma mulher de muitos encantos e vai utilizar todas
as suas armas de sedução para alcançar os seus objetivos. Estar presa não significa
ficar parada.
Opinião:
Philippa Gregory é reconhecida pelo seu talento em escrever
romances históricos, nomeadamente sobre a época Tudor. Em “A Outra Rainha” é
fornecido ao leitor uma visão sobre uma série de acontecimentos que costumam
ser apresentados no ponto de vista da corte inglesa.
Com capítulos pequenos que são relatados na primeira pessoa por
três personagens diferentes, Maria (Stuart), Bess (de Hardwick) e Jorge (o
conde de Shrewsbury), o leitor fica com acesso a diferentes prespectivas.
Enquanto Maria é uma mulher de grande orgulho e autoestima que luta até ao
último momento pela possibilidade de reaver o seu trono na Escócia e de retomar
o filho nos braços, Bess é uma interessante mulher empreendedora que nasceu no
seio da pobreza e que, graças à sua inteligência e ambição conseguiu
construir uma fortuna que procura manter a todo o custo. Já Jorge é um homem que
é movido pelo sentimento de honra, mesmo que tal o venha a prejudicar.
Apesar de inicialmente este parecer um conceito interessante, a verdade é que não é fácil entrar na narrativa. O começo é lento e pouco cativante, sendo a leitura motivada pelo pequeno tamanho dos capítulos. Quando as três personagens anteriormente referidas finalmente se encontram, a trama começa a ganhar maior interesse. Se, por um lado, a arrogância de Maria perante os seus anfitriões é incomodativa, a verdade é que a sua persistência, inteligência e técnicas de sedução são interessantes. Bess prometia ser uma das grandes forças desta obra, por ser uma mulher diferente das do seu tempo, mas as suas constantes alusões ao dinheiro, propriedades e casas torna os seus capítulos pouco estimulantes e cansativos. Apreciei os conflitos interiores de Jorge, que faz de tudo para garantir a palavra que deu à Rainha de Inglaterra ao mesmo tempo que se enamora da Rainha dos Escoceses.Contudo, é um homem demasiado ingénuo apesar da idade, e pouco dotado a nível intelectual.
Não é fácil estabelecer uma ligação emocional com estas
personagens, o que prejudica a leitura. O facto de a ação ser lenta e de a
escrita estar demasiado focada em reflexões pessoais também não ajuda. O maior
impulsionador é a intriga política subjacente a todos os acontecimentos
relatados, numa época em que se assiste a uma verdadeira luta entre
protestantes e católicos.
"A Outra Rainha" pode ser uma boa forma de conhecer melhor uma história que é pouco explorada da época Tudor. Não é um livro marcante nem é um dos melhores da autora.
quarta-feira, 9 de maio de 2012
Colecção Os Mais Belos Contos
Sou fã do irreal, da ficção e da imaginação. Sei que isso é
algo que faz parte de quem eu sou, mas que foi claramente potencializado pelos livros. Não venho de uma família com hábitos de leitura, mas lembro-me de não
saber ler e de já andar com livros debaixo do braço, maravilhada com as
possibilidades de tramas que guardavam.
Entre as minhas primeiras leituras encontra-se a colecção “Os
Mais Belos Contos”, da Civilização Editora. De capa dura de tons amarelos,
estes livros eram grandes companheiros. Cada um tinha um tema: existiam Os Mais
Belos Contos Tradicionais, dos irmãos Grimm (em dois volumes), de Hans Christian Andersen, de
Charles Perrault, de Esopo, da Rússia, do Mundo, de Animais e das Mil e Uma Noites. Com ilustrações belíssimas
de autores sempre diferentes, nunca cansavam ou paravam de surpreender.
Recordo o temível Barba Azul de Perrault que tanto me
fascinava, a cruel bruxa má da Branca de Neve dos irmãos Grimm, a assustadora
Baba Yaga do folclore do leste europeu. O facto de apenas enunciar os vilões
não é uma mera coincidência. Afinal, foi com esta colecção que comecei a sentir
que um bom vilão faz um bom herói e que são as peripécias que ocorrem entre os
dois que fazem da história memorável.
Longe da beleza que a indústria cinematográfica incutiu aos
contos tradicionais, estas tramas impressionavam-me por conterem cenas mais
cruas e duras. Por vezes, a arrogância da bela princesa não lhe permitia ficar
com o príncipe no final e as boas esposas eram degoladas por puro
capricho do esposo (as mentes mais sensíveis que não se preocupem pois tudo isto
era descrito subtilmente). Contudo, apesar de por vezes se afastarem do
esperado final feliz, a verdade é que também não iam ao encontro aos primórdios
das narrativas. Afinal, estou-me a referir a uma obra para crianças!
Guardo estes volumes com carinho, pois apesar de a infância
ter passado, a verdade é que por vezes existe vontade de regressar a certos
momentos. Há melhor forma do que através de um livro?
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