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quinta-feira, 2 de maio de 2013

Comprar o livro pela capa 31: A Hora Secreta

Saudades da rubrica "Comprar o livro pela capa"? Pois ela está de volta.

Desta vez, o livro com as capas em análise é A Hora Secreta (ver opinião aqui), do primeiro volume da trilogia Midnighters, de Scott Westerfeld.

Em 2010, a Vogais apresentou-nos Scott Westerfeld com estra obra. Lembro-me que, quando vi este livro pela primeira vez, percebi que o grafismo não correspondia de todo às minhas preferências, mas apresentava algumas características que me agradavam. Gostei da escolha da cor principal, da forma como ligava tão bem aos olhos da rapariga ilustrada e do símbolo misterioso que se encontra no seu rosto. A presença do relógio faz sentido, mas parece colocado de um modo demasiado forçado.



Com a passagem do autor para a chancela TopSeller, este livro ganhou uma nova imagem em 2013. A figura feminina é a mesma, contudo, a cor do único olho visível foi alterada. A escolha faz sentido, já que o azul foi o tom escolhido para os fundos. Gosto do novo tipo de letra  assim como da incorporação do relógio, que marca uma hora muito importante para a trama.  Destaco ainda o ser obscuro que se encontra dentro do relógio, uma clara referência aos seres misteriosos que habitam a hora secreta.


Apresentadas as duas capas, qual é a vossa preferida?

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Opinião: Golias (Leviatã #3)

Título original: Goliath (2001)
Autor: Scott Westerfeld
Tradutor: Maria João de Andrade

ISBN: 9789896681517
Editora: Vogais (2012)

Sinopse:

O Leviatã é forçado a desviar-se do seu percurso para resgatar Nicola Tesla, o inventor do Golias, uma máquina capaz de destruir cidades, e que ele usa como trunfo para impor a paz. Quando é descoberto um plano secreto alemão para sabotar a máquina, este ameaça dispará-la. Nessa altura, depende de Alek e Deryn detê-lo - ou enfrentar o fim do mundo.
Este é o espetacular final da trilogia! Batalhas aéreas emocionantes numa viagem à volta do mundo echeada de perigos e... beijos ousados!

Opinião:


Scott Westerfeld apresenta a conclusão da sua trilogia steampunk dedicada a um público jovem. Depois dos eventos vividos em Leviatã e Besta, o leitor fica a conhecer Golias, o terceiro volume da série.

Após os incidentes vividos em Constantinopla, Aleksandar e Deryn Sharp continuam a bordo do famoso dirigível-baleia Leviatã. A amizade entre os dois é colocado à prova ao mesmo tempo que o Leviatã é obrigado a mudar o seu rumo, com o objetivo de resgatar Nicolas Tesla, o inventor de Golias, uma máquina que tem um grande poder destruidor, mas que pode ser usada na obtenção da desejada paz. Contudo, as forças alemãs descobrem esse trunfo e traçam um plano para danificar a máquina, o que leva o seu criador, obcecado pela invenção, ameaçar destruir tudo o que existe. Alek e Deryn sentem-se na obrigação de travar a catástrofe, mas existem forças que surgem como obstáculo, enquanto segredos são revelados e ameaçam a relação que eles possuem.

Golias revela-se uma obra de fácil leitura, detentora de uma ação dinâmica e contagiante. Os nossos heróis são dotados de astúcia, coragem, mas também possuem falhas características de qualquer ser humano. Porém, estas não os fazem parar de tentar alcançar os seus objetivos. Ao longo dos três livros desta série, o autor conseguiu construir uma amizade credível que está em constante crescimento, muito graças à empatia existente como também às provações que unem cada vez mais os protagonistas.

Neste volume, o leitor poderá viajar por outros cantos do mundo, desde a Sibéria a Nova Iorque, o que fornece uma visão mais alargada acerca do mundo criado por Westerfeld, que, apesar de já não ser novidade, continua a encantar. As máquinas a vapor e os animais manipulados inseridos na história da humanidade apresentam uma realidade atrativa que faz a imaginação trabalhar.

À semelhando do que aconteceu em Leviatã e Besta, o autor apresenta novas personagens baseadas em figuras históricas, o que confere um sabor especial a esta história alternativa baseada no período da Primeira Grande Guerra. Para além da reflexão sobre o valor das ações e sobre o que é o bem e mal, existe também uma consideração sobre o poder dos meios de comunicação social em climas de tensão e de confronto.

O único ponto fraco que pode ser apontado é relativo à facilidade de resolução dos conflitos, o que leva o bem a sair sempre vitorioso. Contudo, é preciso ter a noção de que esta é uma obra juvenil.

A escrita do autor é apoiada pelas belas ilustrações de Keith Thompson, que auxiliam na conceção deste estranho mundo e são, sem qualquer dúvida, uma verdadeira mais-valia. Golias é uma conclusão emocionante que vai fazer as delícias dos fãs dos dois volumes anteriores. 

domingo, 28 de abril de 2013

Opinião: Besta (Leviatã #2)

Título original: Behemoth (2010)
Autor: Scott Westerfeld
Tradução: Raquel Dutra Lopes
ISBN: 9789896681340
Editora: Vogais (2011)

Sinopse:

O Behemoth é a besta mais feroz da Marinha britânica. Pode engolir navios de guerra com uma dentada. Os Darwinistas precisam dele mais do que nunca, agora que estão em guerra declarada com os Clankers.

Alek e Deryn estão juntos a bordo do Leviatã, e esperam conseguir levar a guerra a um impasse. Mas, quando a sua missão de paz falha, percebem que estão sós em território inimigo e que estão a ser perseguidos!

Com grande capacidade de improvisação, novos aliados, e muita coragem, Alek e Deryn estão prontos para enfrentar todos os desafios que o futuro lhes reserva


Opinião:
Depois de Leviatã ter revelado um novo lado de Scott Westerfeld, Besta continua a explorar este mundo tão parecido e diferente do nosso. Apesar de ser destinada a um público jovem, esta coleção pode fazer as delícias dos apreciadores de história alternativa de qualquer idade, graças à história interessante que remete para uma primeira Guerra Mundial muito peculiar, ao ritmo rápido e às muitas ilustrações que dão um toque muito especial a estes livros.

Em Besta, o leitor continua a seguir as aventuras de Aleksandar e Deryn Sharp, dois jovens de origens distintas, mas unidos por uma forte amizade, e cujas decisões poderão mudar o rumo da história. A bordo do Leviatã, os dois dirigem-se para Constantinopla (ou Turquia), com o intuito de se iniciarem negociações de paz. Contudo, os planos não correm como o previsto, já que os oponentes já lá chegaram e conseguiram comprar a confiança do regente. Como se tal não bastasse, Alek toma uma decisão drástica, e leva consigo uma criatura nova e misteriosa, enquanto Deryn vê o seu grande segredo em risco.

Se o primeiro volume, Leviatã, foi uma introdução a um mundo novo, composto pelos interessantes Darwinistas e Clankers, Besta é o arrancar para uma ação desenfreada. Os elementos que conquistaram no primeiro continuam a existir no segundo, o que fazem com que seja uma leitura agradável e fácil de fazer. O leitor imagina com facilidade as estranhas criaturas dos Darwinistas e as sofisticadas máquinas a vapor do Clankers, que compõe um universo completamente novo mas muito atraente.

A trama poderá agradar um público mais velho, mas não marcá-lo particularmente, devido à grande simplicidade da escrita e do próprio enredo. Os protagonistas ganham uma dimensão mais interessante conforme se confrontam com maiores dificuldades. O contributo de Keith Thompson, o autor das ilustrações, continua a ser de grande valor.

Quem apreciou Leviatã não deve perder a leitura de Besta, mais envolvente e possuidora de boas surpresas. Fica a curiosidade do que o autor poderá mais fazer, e de como esta guerra vai terminar. Uma coleção cada vez mais interessante.

Outras opiniões a livros de Scott Westerfeld:
A Hora Secreta (Midnigthers #1)
No Limiar das Trevas (Midnighters #2)
Meio-Dia Azul (Midnighters #3)
Imperfeitos (Uglies #1)
Leviatã (Leviatã #1)

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Opinião: Leviatã (Leviatã #1)

Título original: Leviathan (2009)
Autor: Scott Westerfeld
Tradução: Raquel Dutra Lopes
ISBN: 9789896681074
Editora: Vogais & Companhia (2011)

Sinopse:

É o início da I Guerra Mundial, mas num mundo alternativo de que nunca ouviste falar. Os Germânicos lutam com máquinas de ferro a vapor carregadas de armas. Os Britânicos lutam com bestas darwinistas resultantes do cruzamento de vários animais. Alek é um príncipe germânico em fuga. A única máquina de guerra que possui é um Marchador, com uma tripulação que lhe é leal. Deryn é do povo, uma britânica disfarçada de rapaz que se alista para lutar pela sua causa - enquanto tem de proteger o seu segredo a todo o custo. No decorrer da guerra, os caminhos de Alek e Deryn acabam por se cruzar a bordo do Leviatã, uma baleia-dirigível e o animal mais imponente das forças britânicas. São inimigos com tudo a perder, mas na verdade estão destinados a viver juntos uma aventura que vai mudar a vida de ambos para sempre.

Opinião:

Enquadrado no género steampunk, Leviatã é passado numa realidade alternativa, no inicio do século XX. A trama apresenta tecnologia e evoluções científicas avançadas e inexistentes no tempo em que a acção se desenrola, tais como grandes máquinas de guerra e transporte movidas a vapor, que estão na posse dos germânicos e animais manipulados segundo teorias de Darwin acerca da evolução das espécies pelos britânicos.

O leitor acompanha as duas personagens principais. Por um lado existe Aleksandar, filho de Francisco Fernando, herdeiro do trono do Império Austro-Húngaro e de Sofia Chotek. Quando os seus pais são assassinados por revolucionários sérvios, Alek foge com os seus leais servidores e parte num Marchador para um refúgio secreto. Entretanto, em Inglaterra, Deryn Sharp, uma plebeia, disfarça-se de rapaz de forma a entrar na Força Aérea, onde demonstra ter um talento natural para as funções que lhe são concedidas. Estes dois jovens de origens completamente distintas fornecem a sua visão sobre o início da I Guerra Mundial, juntamente com as suas motivações, desejos e receios.
(Exemplos da ilustração)

Esta é uma série destinada a uma faixa etária jovem, mas não deixa de encantar os mais velhos. O autor apresenta um mundo bastante curioso, recheado de criaturas novas, conseguidas através do estudo dos “fios de vida” que permitem aumentar as potencialidades de cada espécie, ou congregá-las em novos seres. As máquinas já não surpreendem tanto, uma vez que se tratam de um tema mais banal a quem está acostumado a este tipo de leitura.

É uma história bastante simples de acompanhar e o próprio exercício da imaginação é auxiliado através das belas ilustrações de Keith Thompson que são, sem qualquer dúvida, uma mais-valia. Estas estão presentes em todos os capítulos e fazem com que existam poucas descrições, que poderiam não ser bem aceites pelos leitores mais jovens, sendo, por isso, a escrita centrada na acção.

Não é um livro fascinante, mas a verdade é que revela ser uma leitura bastante agradável, podendo ser o primeiro passo para muitos leitores no género do steampunk, tantas vezes considerado difícil de cativar ou até mesmo de entender, até porque o facto de a trama acontecer num período tão conhecido faz com que exista uma maior ligação. Uma série a acompanhar.


Outras opiniões a livros de Scott Westerfeld:
A Hora Secreta (Midnigthers #1)
No Limiar das Trevas (Midnighters #2)
Meio-Dia Azul (Midnighters #3)
Imperfeitos (Uglies #1)

sábado, 2 de fevereiro de 2013

Comprar o livro pela capa 21: Imperfeitos

Olá! Aqui está mais um post da rubrica "Comprar o livro pela capa". Desta vez o livro escolhido é Imperfeitos, de Scott Westerfeld (ver opinião a este livro aqui).

A obra surgiu em Portugal pelas mãos da Vogais, uma editora que já tinha apostado numa trilogia do autor (Midnighters). Lembro-me que quando vi esta capa pela primeira vez, o que mais me chamou a atenção foi a cor e os olhos da rapariga. Não é perfeita, é verdade, mas existe algo que apela e que não nos deixa indiferentes. Adquiri esta edição e, quando li, achei interessante ver que a figura feminina apresentada se relaciona, de certa forma com a protagonista: bonita, mas com pequenos defeitos, que é como quem diz, imperfeita.


Parece que, com o surgimento da TopSeller, parece alguns dos autores da Vogais transitaram para esta chancela (e também o símbolo, ou não se lembram que os primeiros livros da Vogais tinham uma pantera? ). Como tal, está a ser preparado um relançamento da série Uglies, com direito a nova imagem. Confesso que não acho esta capa atractiva. Assim que  vi pensei "Big Brother is watching you". O próprio grafismo parece dirigir-se ao género policial, e nada faz prever o verdadeiro teor do livro. Afinal, é uma  distopia destinada ao público jovem-adulto e acho que a primeira ideia que temos ao ver esta imagem não é essa.

Dada a minha opinião, quero saber o que pensam. Digam de vossa justiça! Que capa preferem?


quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Opinião: Imperfeitos (Série Uglies #1)

Título original: Uglies (2005)
Autor: Scott Westerfeld
Tradutor: Carla Nunes
ISBN: 9789896680121
Editora: Vogais (2010)

Sinopse:

Num mundo de extrema beleza, a normalidade é sinónimo de imperfeição. Num futuro não tão distante quanto isso, não há guerras, nem fome, nem pobreza. O mundo é perfeito. Todos são perfeitos. Pelo menos, depois de completarem 16 anos. Qualquer um pode ter a aparência de um supermodelo… e que mal haveria nisso?

Tally Youngblood mal pode esperar pelo seu décimo sexto aniversário, altura em que será submetida à cirurgia radical que a transformará de uma mera Imperfeita para uma deslumbrante Perfeita. Uns lábios bem delineados, um nariz proporcional, um corpo ideal… é tudo o que sempre quis. Já para não falar que uma vida de diversão num paraíso de alta tecnologia espera por si. Mas quando a sua melhor amiga decide virar as costas a esta vida perfeita e foge, Tally descobre um lado inteiramente novo do mundo dos Perfeitos – e que, por sinal, nada tem de perfeito. É então forçada a fazer a pior escolha possível: encontrar a amiga e traí-la ou perder para sempre a possibilidade de se tornar Perfeita. Seja qual for a sua decisão, a sua vida nunca mais será a mesma.


Opinião: 

Scott Westerfeld volta a apostar em leitores jovens, desta vez através da ficção científica. Imperfeitos é o primeiro de uma série de quatro livros, onde o pano de fundo da ação é uma sociedade futurista onde a beleza e a juventude são valorizadas em detrimento das imperfeições humanas e da experiência de vida. Deste modo, a população é controlada através de atividades superficiais e de prazeres rápidos, de modo a que ninguém questione o seu mundo.

No início, o leitor depara-se com Tally, a protagonista desta trama. Jovem e insegura, está prestes a completar a idade necessária para começar a fazer as cirurgias plásticas que a levarão a ter a imagem que idealiza. Ansiosa por ir para o centro da cidade onde todas as atividades divertidas têm lugar, Tally acaba por não ver os seus antigos desejos atendidos. 

Ao colocar a amizade em primeiro lugar, Tally chega a um local que acreditava já não existir: uma zona onde a tecnologia foi suplantada pela natureza. Naquele meio, Tally descobre que existe uma realidade completamente diferente, e que tudo o que acreditava ser ideal na sociedade onde cresceu poderá ter falhas. Em contacto com novas personagens que lhe apresentam uma outra visão do mundo, Tally começa a questionar o passado e o presente. 

Deste modo, o leitor coloca-se na pele das personagens e reflete sobre o que escolheria: seria melhor viver num mundo de ilusão, onde os problemas são esquecidos e a realidade é ocultada ou é preferível lutar e sofrer pela verdade? Apesar de ser uma obra que remete para um futuro distante, a verdade é que muitas das questões colocadas pelo autor são atuais.

As personagens resumem-se a adolescentes, o que faz com que eles oferecem um caráter mais superficial sobre as questões pertinentes. Tally, a heroína, não convence facilmente o leitor, sendo que as personagens secundárias acabam por se destacar ao serem dotadas de uma construção mais sólida. A linguagem utilizada é simples e fácil de acompanhar, e a partir do momento em que o leitor percebe o mundo que Scott Westerfeld desenhou, depressa se percebe qual o caminho que a trama vai seguir.

Como qualquer livro dedicado a um público jovem, também Imperfeitos tem a sua dose de romance. Pessoalmente não fiquei encantada por esta parte da história, pois pareceu demasiado óbvia e, em certos momentos forçada. Penso que seria mais interessante o autor focar-se na exploração do mundo e na transformação das personagens ao longo da narrativa.

Imperfeitos acaba por ser uma obra que proporciona momentos agradáveis e que nos relembra conceitos que acabam por estar melhor explorados em outros livros. 

Outros livros de Scott Westerfeld:
A Hora Secreta (Midnigthers #1)
No Limiar das Trevas (Midnighters #2)
Meio-Dia Azul (Midnighters #3)

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Opinião: Meio-Dia Azul (Midnighters # 3)


Autor: Scott Westerfeld
Título Original: Blue Noon (2006)
Tradução: Raquel Dutra Lopes
ISBN: 9789896680183
Editora: Vogais & Companhia (2010)

Sinopse:

Os cinco adolescentes midnighters de Bixby, no Oklahoma, pensavam já terem descoberto tudo sobre este espaço de tempo oculto na meia-noite, até que, certo dia, são surpreendidos com uma paragem temporal ao meio-dia. A vida para, como que congelada, e tudo fica azul à lua do dia. Assustados, os cinco jovens dotados de capacidades especiais vão fazer de tudo para procurar algo que explique as mudanças a que estão a assistir.

Depressa vão descobrir que os muros que separam a hora secreta do tempo real estão a cair. Os darklings, seres mortíferos que estão aprisionados no tempo azul há séculos, estão prestes a atacar, em força, o mundo dos humanos. A salvação da humanidade está dependente da decisão de cinco jovens.

Opinião:

Se os dois primeiros livros desta trilogia poderiam sugerir uma leitura leve e seguidora de uma fórmula que envereda pelo facilitismo e realização dos protagonistas, em “Meio-Dia Azul” Scott Westerfeld prova que “Midnighters” é muito mais do que isso.

Neste livro, a intriga adensa-se e fica mais envolvente. O leitor é arrastado para um ritmo de leitura rápido, sendo que, no momento em que julga ter percebido onde o autor pretende chegar, este muda de ideias e transporta-o para situações inesperadas. Um enredo original, que cativa através de ideias novas e um estilo de escrita fácil de acompanhar.

As personagens surgiram, inicialmente, com personalidades distintas, mas também com determinadas características típicas dos adolescentes. Em “A Hora Secreta”, eram ingénuos, não tinham noção real do perigo nem da sua própria mortalidade. “No Limiar das Trevas” foi possível observar uma postura mais madura e, agora, assiste-se a uma transição precoce para uma fase adulta, já que qualquer decisão e ação poderão colocar em risco vidas humanas. Este processo é muito interessante de ser observado, apesar de surgir a ideia de que se as personagens fossem adultas toda a trama poderia apresentar um teor muito mais relevante e memorável.

O final desta série de fantasia urbana é surpreendente. O autor transmite a ideia de que em grandes feitos são necessários grandes sacrifícios e que nem sempre é possível haver um “e viveram felizes para sempre”.

“Meio-Dia Azul” é uma conclusão excecional à trilogia “Midnighters” e torna Scott Westerfeld num autor a ter sempre debaixo de olho. Recomendo.

Outros livros de Scott Westerfeld:

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Opinião: No Limiar das Trevas (Midnighters # 2)


Autor: Scott Westerfeld
Título Original: Touching Darkness (2005)
Tradução: Teresa Gouveia
ISBN: 9789896680176
Editora: Vogais & Companhia (2010)

Sinopse:

A hora azul continua a ser um mistério para os cinco midnighters de Bixby, em Oklahoma. Algumas semenas após os acontecimentos do primeiro volume, os jovens que têm a capacidade de viver a 25ª hora do dia começam a perceber que correm mais riscos do que aqueles que imaginavam ser possíveis. Para além de começarem a perceber melhor como funciona aquele mundo oculto têm também maior noção do que está a ser orquestrado pelas terríveis criaturas que nele habitam.

Desta vez, Jessica não é a única midnighter que tem a sua vida em jogo. Os cinco jovens percebem que existe um forte motivo para terem capacidades tão diferentes e que, apesar de estas afetarem profundamente as suas vidas no mundo humano, a verdade é que são mais-valias preciosas para sobreviverem no tempo azul. Contudo, ainda têm de perceber como trabalhar em conjunto

Opinião:

Em “Limiar das Trevas”, Scott Westerfeld desenvolve a trama apresentada em “A Hora Secreta” e mostra que “Midnighters” é uma série que garante a surpresa na leitura. Este volume apresente uma maior complexidade na intriga, o que se torna envolvente.

Alguns conceitos são melhor desenvolvidos, e isso só faz com que o mistério aumente. O autor pega em certos conceitos, nomeadamente a matemática e as propriedade do metal para cativar o leitor através de uma trama que fica gradualmente mais negra e mística.

Se no primeiro livro as personagens foram definidas segundo alguns estereótipos, agora surgem com maior desenvolvimento e quebram com alguns preconceitos. O leitor parece que fica mais próximo do que cada um realmente é, percebe melhor de que forma é que as suas capacidades na hora azul afeta a sua vida, quer seja na relação consigo próprio como no envolvimento com os outros. O fato de o autor dar enfoque a todos faz com que o leitor compreenda melhor as motivações de todos, sendo complicado ficar apenas de um lado.

Contudo, o facto de os protagonistas serem todos adolescentes pode fazer com que a leitura caía em certos lugares comuns. Existem ligações amorosas, crises existenciais e decisões que refletem alguma imaturidade, o que pode não agradar a todos, principalmente quem deseja algumas reflexões mais adultas. Mas, ao mesmo tempo, isto só reflete a excelente capacidade de Scott Westerfeld caracterizar as suas personagens.

Com uma escrita fácil de acompanhar e sequências muito bem encadeadas, o ritmo da leitura é rápido. No final, fica a ideia que o autor está a preparar algo muito maior para o próximo e último volume desta trilogia. Se este volume foi melhor que o primeiro, o leitor pode apostar que o próximo irá superar as expectativas.

Outros opiniões a Scott Westerfeld:

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Opinião: A Hora Secreta (Midnighters #1)


Título original: Midnighters - The Secret Hour (2004)
Autor: Scott Westerfeld
Tradução: Raquel Fidalgo
ISBN: 9789896680169
Editora: Vogais (2010)


“Todas as noites, durante uma hora secreta, a cidade pertence às criaturas negras que vivem nas sombras. Apenas um grupo de adolescentes conhece a hora secreta – só eles conseguem mover-se livremente no tempo da meia-noite. Designam-se a si próprios midnighters”.

Sinopse:

"A Hora Secreta" apresenta-nos um grupo de jovens adolescentes que tem uma característica peculiar: conseguem-se mover na hora secreta que existe à meia-noite. Esta 25ª hora do dia, pertence a seres mais antigos que os humanos, que se refugiam das inovações e da evolução, partilhando um mesmo mundo mas num espaço temporal diferente.

Contudo, existem algumas pessoas que conseguem viver a hora secreta. Enquanto todos os seres vivos ficam paralisados, um grupo de jovens, com capacidades distintas entre eles, explora este tempo escondido. Procuram também outros como eles, tentam compreender as suas capacidades, as características e história dos seres misteriosos.


Opinião:


Este livro proporciona uma leitura agradável. Com uma escrita fluida, as páginas são viradas num ápice. A história é passada num ambiente familiar e escolar comum, mas quando surge a hora secreta, emerge a magia do livro. Com a 25º hora o ambiente torna-se azul, as pessoas ficam petrificadas, a tecnologia deixa de funcionar, todos os objetos são atingidos pela característica luz azul, surgem seres magníficos e assustadores e, mesmo a chuva fica imóvel, como que numa fotografia. A descrição deste ambiente é, na meu parecer, o ponto mais forte do livro.

Scott Westerfeld consegue transportar o leitor entre dois ambientes distintos com mestria. Se num momento parece que a trama está embrenhada numa tradicional rotina juvenil, onde o liceu, os amigos e a família são pontos fulcrais, rapidamente tudo muda quando chega a misteriosa hora, em que o ambiente se torna obscuro e envolvente. Rapidamente queremos saber mais sobre este mundo oculto e sobre os estranhos e perigosos habitantes.

Cada personagem é dotada de uma personalidade única e isso torna-as cativantes, principalmente pelo facto de cada uma possuir uma capacidade particular que funciona quase como um súper poder na hora oculta. A história destinada a um público jovem-adulto é agradável, mas deixa algumas pontas soltas, carecendo de um maior desenvolvimento em alguns aspetos. Contudo, este fator facilmente se explica por se tratar do primeiro livro de uma saga de quatro.

O primeiro livro desta coleção pode não ser o mais cativante por parecer demasiado simplista em certos aspetos e por as suas personagens serem jovens com pouca maturidade. Porém, com o desenvolvimento da saga, assiste-se a um desenvolvimento pessoal assim como a uma maior exploração dos pontos mais interessantes.

Este é um bom modo de conhecer Scott Westerfeld, um autor interessante que consegue chegar a diferentes gerações.