Autor: Susana Almeida
ISBN: 9789899955523
Editora: Individual (2016)
Sinopse:
Quando os caminhos de Lucas e Carina se cruzam, ele está longe de imaginar a importância que ela terá na sua vida. Carina é diferente das outras raparigas, é leal, determinada, corajosa e altruísta, qualidades que rapidamente conquistam o seu coração. Mas depressa o sonho se transforma em pesadelo e é quando Lucas perde a força de viver que um pequeno pássaro branco mudará a sua vida.
Opinião:
Este é um livro que aborda temas complicados, na medida em que não é com leveza que os encaramos. Afinal, quem gosta de ler sobre morte, luto e dor? Porém, a verdade é que Susana Almeida consegue explorar estes conceitos de uma forma muito bela e leva-nos a acreditar que, apesar das muitas dificuldades da vida, existe sempre superação e uma forma de voltar a encontrar a felicidade. Porém, a autora também mostra que esse caminho não é fácil.
Adeus é narrado num tempo e local indistinto. É através da observação daquela sociedade e das descrições do espaço, vestuário e costumes que ficamos com uma ideia da época em que a trama se insere e do país em que poderia acontecer esta história. Confesso que gostaria que, nestes dois campos, não existisse esta incerteza, pois em diversos momentos duvidei de que certos factos realmente poderiam ter acontecido. Contudo, percebo que tal opção permite maior liberdade criativa, além de que é dada ao leitor a possibilidade de escolher um espaço que lhe seja mais próximo e uma época com a qual sinta maior ligação.
Carina é uma das primeiras personagens a ser apresentada. A sua bondade e sentido de justiça ficam imediatamente em evidência, o que me levou a torcer para que tudo lhe corra bem. Mais tarde, admirei a sua coragem e fiquei feliz por a ver rodeada de pessoas que lhe querem tão bem. Porém, depressa a autora mostra que a vida é imprevisível. Fiquei um pouco chocada com um novo rumo da trama e sem perceber o que viria a seguir. Mas, felizmente, Susana Almeida mostra que nada acontece por acaso e que existem lições que devem ser aprendidas da pior forma.
Já não posso dizer que tenha ficado completamente rendida a Lucas. Ele é descrito como o homem perfeito, e todas as suas atitudes correspondem a essa mesma ideia. E se tal poderia ser bom, a verdade é que não me fez acreditar que fosse real. Preferi Sandro, que acaba por evoluir sem perder o seu encanto inicial. Já a história de Marta deixou-me comovida e fez-me pensar em quantas mulheres sofreram o mesmo que ela ao longo dos tempos, e ainda continuam a passar pelo mesmo.
Foi com alguma lentidão que iniciei esta leitura, mas conforme a trama ia avançando também o meu ritmo aumentava. O meu interesse cresceu tal como a minha curiosidade em perceber como tudo isto iria culminar. Gostei que fossem abordados vários temas diferentes, mas gostava que existisse uma maior interligação entre tudo na história. O lado mais místico desta história não surge imediatamente, mas vai conquistando o seu lugar até nos fazer acreditar de que tudo aquilo é possível. Já as decisões finais foram as mais acertadas, tendo em conta tudo o que aconteceu antes, e faz o livro terminar da forma mais acertada.
Adeus é um livro de grandes emoções. Susana Almeida toca em pontos muito sensíveis e é curioso que, apesar de ter ficado triste com alguns destinos, também acabei por aceitar que tal era mesmo o melhor para a história e para dar força à mensagem que se pretendia passar. É a primeira obra que leio da autora, mas acredito que não será a última.
Mostrar mensagens com a etiqueta Individual. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Individual. Mostrar todas as mensagens
segunda-feira, 3 de outubro de 2016
sexta-feira, 9 de outubro de 2015
Opinião: Um Mundo sem Príncipes (A Escola do Bem e do Mal #2)
Título Original: A World without Princes (2014)
Autor: Soman Chainani
Tradução: Carla Ribeiro
ISBN: 9789898730220
Editora: Lápis Azul (2015)
Sinopse:
Sofia e Agatha estão de volta a Gavaldon, mais amigas que nunca e, após um breve período de fama, resultante de terem quebrado a maldição do Reitor, prontas a retomar uma vida de normalidade. Ou será que não? Num momento de fraqueza, Sofia e Agatha pedem um desejo. E o desejo de uma delas volta a abrir as portas entre os mundos. A única hipótese de sobreviverem aos ataques que agora assolam Gavaldon é regressar, mais uma vez, à Escola do Bem e do Mal. Mas a escola já não é a mesma que deixaram para trás. E há uma nova guerra iminente, uma que só elas podem impedir.
Opinião:
Os acontecimentos finais do primeiro volume da trilogia "A Escola do Bem e do Mal" deixaram algumas dúvidas. Por isso, foi com curiosidade que comecei esta leitura. Os acontecimentos passados fazem com que nada seja igual para as duas amigas. Agata quer retomar a vida que tinha, mas não consegue. Sofia quer ser um ídolo para a aldeia... mas também não tem sucesso. E quando um desejo é pedido, tudo volta a mudar e elas ficam em perigo.
Gostei da ideia de um desejo ser capaz de provocar alterações. Afinal, mostrou que Agata vê-se de outra forma e já se acha marecedora de um final que a deixe verdadeiramente feliz. Contudo, Sofia não vai conseguir entender isso, e as duas iniciam um confronto. Ao início, este choque é ténue, mas à medida que a leitura avança percebe-se que as duas estão cada vez mais afastadas.
Continuo a gostar mais de Agata do que Sofia. Fiquei satisfeita por a ver a lutar mais por ela e pelo que acredita. Contudo, se Sofia me irritou no primeiro livro, devo confessar que tal só voltou a acontecer no início deste volume. Percebe-se que também ela está a mudar e a tentar não se tornar em algo que não quer. Além disso, a certo momento ela fica numa situação inesperada e que a faz começar a ver os outros de uma forma diferente. Um bom esforço de mudança.
E se no primeiro volume a dicotomia entre bem e mal era o grande tema do livro, agora temos uma outra oposição: rapazes contra raparigas. Confesso que não estava à espera de tal e tive algum medo que tudo fosse feito de uma forma forçada. Contudo, acabei por achar graças às grandes alterações das histórias, que desta vez repudiam os príncipes e à separação entre universos masculinos e femininos. Uma lição de que nenhum género é superior. Contudo, também é verdade que existem alguns exageros quanto à definição de cada género.
O vilão da obra não é identificado de imediato, Já só quando a leitura vai bem avançada é que se perceber quem está a colocar obstáculos às duas amigas. Custou-me não perceber logo o motivo de o vilão tomar tais ações, e tal só é descoberto mais perto do final. Porém, gostei da forma como antigos inimidos se aliaram para combater esta figura e também achei uma boa opção ao que aconteceu no final. Fica a ideia de que o terceiro volume trará perigos que irão tornar a trama intensa.
O final deixou-me surpreendida pois acaba por ir contra um outro conceito do autor. Acredito que esta é uma forma de dar início a um novo confronto, pois custa-me acreditar que, depois de tanto esforço por parte de uma personagem e depois da ideia de que as amizades são importantes e não devem ser substituídas com tanta leviandade, o autor opte por uma conclusão tão fraca. Acredito mesmo que o derradeiro volume da trilogia vai surpreender e que as personagens vão continuar a crescer! Estou curiosa para ver o que Soman Chanani está a preparar.
Outras opiniões a livros de Soman Chainani:
A Escola do Bem e do Mal (A Escola do Bem e do Mal #1)
Autor: Soman Chainani
Tradução: Carla Ribeiro
ISBN: 9789898730220
Editora: Lápis Azul (2015)
Sinopse:
Sofia e Agatha estão de volta a Gavaldon, mais amigas que nunca e, após um breve período de fama, resultante de terem quebrado a maldição do Reitor, prontas a retomar uma vida de normalidade. Ou será que não? Num momento de fraqueza, Sofia e Agatha pedem um desejo. E o desejo de uma delas volta a abrir as portas entre os mundos. A única hipótese de sobreviverem aos ataques que agora assolam Gavaldon é regressar, mais uma vez, à Escola do Bem e do Mal. Mas a escola já não é a mesma que deixaram para trás. E há uma nova guerra iminente, uma que só elas podem impedir.
Opinião:
Os acontecimentos finais do primeiro volume da trilogia "A Escola do Bem e do Mal" deixaram algumas dúvidas. Por isso, foi com curiosidade que comecei esta leitura. Os acontecimentos passados fazem com que nada seja igual para as duas amigas. Agata quer retomar a vida que tinha, mas não consegue. Sofia quer ser um ídolo para a aldeia... mas também não tem sucesso. E quando um desejo é pedido, tudo volta a mudar e elas ficam em perigo.
Gostei da ideia de um desejo ser capaz de provocar alterações. Afinal, mostrou que Agata vê-se de outra forma e já se acha marecedora de um final que a deixe verdadeiramente feliz. Contudo, Sofia não vai conseguir entender isso, e as duas iniciam um confronto. Ao início, este choque é ténue, mas à medida que a leitura avança percebe-se que as duas estão cada vez mais afastadas.
Continuo a gostar mais de Agata do que Sofia. Fiquei satisfeita por a ver a lutar mais por ela e pelo que acredita. Contudo, se Sofia me irritou no primeiro livro, devo confessar que tal só voltou a acontecer no início deste volume. Percebe-se que também ela está a mudar e a tentar não se tornar em algo que não quer. Além disso, a certo momento ela fica numa situação inesperada e que a faz começar a ver os outros de uma forma diferente. Um bom esforço de mudança.
E se no primeiro volume a dicotomia entre bem e mal era o grande tema do livro, agora temos uma outra oposição: rapazes contra raparigas. Confesso que não estava à espera de tal e tive algum medo que tudo fosse feito de uma forma forçada. Contudo, acabei por achar graças às grandes alterações das histórias, que desta vez repudiam os príncipes e à separação entre universos masculinos e femininos. Uma lição de que nenhum género é superior. Contudo, também é verdade que existem alguns exageros quanto à definição de cada género.
O vilão da obra não é identificado de imediato, Já só quando a leitura vai bem avançada é que se perceber quem está a colocar obstáculos às duas amigas. Custou-me não perceber logo o motivo de o vilão tomar tais ações, e tal só é descoberto mais perto do final. Porém, gostei da forma como antigos inimidos se aliaram para combater esta figura e também achei uma boa opção ao que aconteceu no final. Fica a ideia de que o terceiro volume trará perigos que irão tornar a trama intensa.
O final deixou-me surpreendida pois acaba por ir contra um outro conceito do autor. Acredito que esta é uma forma de dar início a um novo confronto, pois custa-me acreditar que, depois de tanto esforço por parte de uma personagem e depois da ideia de que as amizades são importantes e não devem ser substituídas com tanta leviandade, o autor opte por uma conclusão tão fraca. Acredito mesmo que o derradeiro volume da trilogia vai surpreender e que as personagens vão continuar a crescer! Estou curiosa para ver o que Soman Chanani está a preparar.
Outras opiniões a livros de Soman Chainani:
A Escola do Bem e do Mal (A Escola do Bem e do Mal #1)
quarta-feira, 7 de outubro de 2015
Opinião: A Escola do Bem e do Mal (A Escola do Bem e do Mal #1)
Título Original: The School for Good and Evil (2013)
Autor: Soman Chainani
Tradução: Luís Costa
ISBN: 9789898730152
Editora: Lápis Azul (2015)
Sinopse:
Estamos perante uma trilogia que desencadeia um mundo de fantasia novo e deslumbrante, onde as melhores amigas, Sophie e Agatha estão prestes a embarcar na aventura de uma vida.
Na Escola do Bem e do Mal, meninos e meninas são treinados para serem extraordinários bons ou maus, mas um subverter dos papéis assumidos das nossas heroínas, quando Agatha é "erroneamente" enviada para a escola do bem, e Sophie para a escola do mal, tudo é posto em causa, e se o erro é na verdade a primeira pista para descobrir quem Sophie e Agatha realmente são? Fantástica trilogia na qual a única saída para fugir das lendas sobre contos de fadas e histórias encantadas é viver intensamente uma delas.
Opinião:
Gosto de contos de fadas. A primeira opinião que publiquei aqui no blogue foi sobre os livros de contos de fadas que constumava ler na infância, o que mostra o quanto estas histórias me marcaram. Como tal, assim que vi o livro A Escola do Bem e do Mal senti que o devia ler. Imaginar os heróis e vilões de todas aquelas tramas tão conehcidas a conviverem num espaço é uma ideia muito atrativa.
E este livro começa a fazer lembrar mesmo um conto de fadas: duas amigas que vivem numa aldeia isolada e afastada de tudo. É evidente desde o início que estas duas raparigas são opostos. Sofia é loira, bela, com uma personalidade extrovertida e muito superficial. Agata tem cabelos escuros e curtos, não se considera bonita, é muito tímida e reservada. Uma parece ter tudo para ser uma princesa, a outra parece ter tudo para ser uma bruxa. E o mais curioso? É que estes papéis invertem-se assim que elas entram na escola que dá o nome ao livro!
É evidente que o autor tentou explorar a dicotomia entre bem e mal ao longo desta obra. Numa leitura dirigida a um público jovem, estes conceitos são expostos de uma forma demasiado direta. É claro que os alunos são divididos entre bons e maus, sendo que os seus destinos são apresentados como traçados e sem hipótese de mudança. A chegada de Agata e Sofia à insitutição começa por provocar algumas alterações nesta ideologia. Afinal, nenhuma aceita a posição em que foi colocada e tenta dar provas do contrário.
Além disso, através das observações destas duas amigas, é possível verificar que os alunos não se podem definir de forma tão simples. É verdade que eles aceitam por completo a condição que lhes foi dada, mas em certas personagens do mal começasse a ver vestígios de bondade, e o oposto acontece do lado contrário. Esta é, sem dúvida, uma chamada de atenção do autor para a mensagem de que nós somo definidos pelas nossas escolhas e não pelo que esperam de nós.
Ainda sobre as duas amigas, confesso que preferi Ágata a Sofia. Gosto da forma como a primeira consegue encontrar-se e perceber que pode ser muito mais do que alguma vez imaginou. Aos poucos, a sua autoestima e confiança aumentam, mas ela nunca perde a sua identidade e não se rende por completo aos vestidos cor-de-rosa ou aos gestos ensaiados das outras alunas do bem. Já Sofia conseguiu irritar-me. Ela é tão superficial e egocêntrica! Não consegue ver nada para além dela nem criar qualquer empatia com os outros. Não é uma personagem pela qual nós consigamos torcer e até mesmo a vertente humorística que o autor pretende conceder-lhe acaba por não funcionar bem.
Existe sempre algo de novo a acontecer nesta trama e os acontecimentos são muito rápidos. A ideia de vilão da trama poderia estar melhor conseguida, mas não deixa de ser curiosa. O Historiador é uma presença interessante, mas ao mesmo tempo parece demasiado fatalista. Felizmente o autor conseguiu mostrar que o destino, apesar de tudo, está nas mãos de cada um.
A Escola do Bem e do Mal é um livro divertido e com ilustrações enriquecedoras. Em certos momentos poderá parecer um pouco infantil, mas é preciso não esquecer que foi escrito a pensar num público jovem. Porém, os adultos podem apreciar esta leitura, especialmente no que toca à mistura de elementos tão conehcidos e à forma como uma dicotomia tão banal como o bem e o mal é aqui exposta.
Autor: Soman Chainani
Tradução: Luís Costa
ISBN: 9789898730152
Editora: Lápis Azul (2015)
Sinopse:
Estamos perante uma trilogia que desencadeia um mundo de fantasia novo e deslumbrante, onde as melhores amigas, Sophie e Agatha estão prestes a embarcar na aventura de uma vida.
Na Escola do Bem e do Mal, meninos e meninas são treinados para serem extraordinários bons ou maus, mas um subverter dos papéis assumidos das nossas heroínas, quando Agatha é "erroneamente" enviada para a escola do bem, e Sophie para a escola do mal, tudo é posto em causa, e se o erro é na verdade a primeira pista para descobrir quem Sophie e Agatha realmente são? Fantástica trilogia na qual a única saída para fugir das lendas sobre contos de fadas e histórias encantadas é viver intensamente uma delas.
Opinião:
Gosto de contos de fadas. A primeira opinião que publiquei aqui no blogue foi sobre os livros de contos de fadas que constumava ler na infância, o que mostra o quanto estas histórias me marcaram. Como tal, assim que vi o livro A Escola do Bem e do Mal senti que o devia ler. Imaginar os heróis e vilões de todas aquelas tramas tão conehcidas a conviverem num espaço é uma ideia muito atrativa.
E este livro começa a fazer lembrar mesmo um conto de fadas: duas amigas que vivem numa aldeia isolada e afastada de tudo. É evidente desde o início que estas duas raparigas são opostos. Sofia é loira, bela, com uma personalidade extrovertida e muito superficial. Agata tem cabelos escuros e curtos, não se considera bonita, é muito tímida e reservada. Uma parece ter tudo para ser uma princesa, a outra parece ter tudo para ser uma bruxa. E o mais curioso? É que estes papéis invertem-se assim que elas entram na escola que dá o nome ao livro!
É evidente que o autor tentou explorar a dicotomia entre bem e mal ao longo desta obra. Numa leitura dirigida a um público jovem, estes conceitos são expostos de uma forma demasiado direta. É claro que os alunos são divididos entre bons e maus, sendo que os seus destinos são apresentados como traçados e sem hipótese de mudança. A chegada de Agata e Sofia à insitutição começa por provocar algumas alterações nesta ideologia. Afinal, nenhuma aceita a posição em que foi colocada e tenta dar provas do contrário.
Além disso, através das observações destas duas amigas, é possível verificar que os alunos não se podem definir de forma tão simples. É verdade que eles aceitam por completo a condição que lhes foi dada, mas em certas personagens do mal começasse a ver vestígios de bondade, e o oposto acontece do lado contrário. Esta é, sem dúvida, uma chamada de atenção do autor para a mensagem de que nós somo definidos pelas nossas escolhas e não pelo que esperam de nós.
Ainda sobre as duas amigas, confesso que preferi Ágata a Sofia. Gosto da forma como a primeira consegue encontrar-se e perceber que pode ser muito mais do que alguma vez imaginou. Aos poucos, a sua autoestima e confiança aumentam, mas ela nunca perde a sua identidade e não se rende por completo aos vestidos cor-de-rosa ou aos gestos ensaiados das outras alunas do bem. Já Sofia conseguiu irritar-me. Ela é tão superficial e egocêntrica! Não consegue ver nada para além dela nem criar qualquer empatia com os outros. Não é uma personagem pela qual nós consigamos torcer e até mesmo a vertente humorística que o autor pretende conceder-lhe acaba por não funcionar bem.
Existe sempre algo de novo a acontecer nesta trama e os acontecimentos são muito rápidos. A ideia de vilão da trama poderia estar melhor conseguida, mas não deixa de ser curiosa. O Historiador é uma presença interessante, mas ao mesmo tempo parece demasiado fatalista. Felizmente o autor conseguiu mostrar que o destino, apesar de tudo, está nas mãos de cada um.
A Escola do Bem e do Mal é um livro divertido e com ilustrações enriquecedoras. Em certos momentos poderá parecer um pouco infantil, mas é preciso não esquecer que foi escrito a pensar num público jovem. Porém, os adultos podem apreciar esta leitura, especialmente no que toca à mistura de elementos tão conehcidos e à forma como uma dicotomia tão banal como o bem e o mal é aqui exposta.
sexta-feira, 26 de junho de 2015
Opinião: Incarnate - Encarnação
Título original: Incarnate (2012)
Autor: Jodi Meadows
Tradução: Carla Ribeiro
ISBN: 9789898730206
Editora: Lápiz Azul (2015)
Sinopse:
Quando Ana nasceu, o mundo mudou. Durante cinco mil anos, o mesmo milhão de almas renasceu uma e outra vez, guardando consigo a memória das experiências vividas e de tudo o que aprenderam. Mas Ana é nova. Não é nenhuma das almas que todos conhecem desde o princípio de tudo e, por isso, a sua existência é, para muitos, perturbadora.
Temida ou desprezada pela maioria, incluindo a sua própria mãe, Ana quer apenas descobrir quem é e porque nasceu. São essas as razões que a levam a partir em busca de respostas. Mas a perigosa jornada até a cidade Coração é apenas o início da aventura e, contando apenas com a proteção de um amigo inesperado, Ana está longe de imaginar que o seu mistério se prende com o coração da própria cidade.
Opinião:
Existem capas que chamam logo a atenção e a de Incarnate- Encarnação, é sem dúvida uma delas. Cativada pela imagem, li a sinopse e fiquei ainda mais interessada na leitura deste livro de Jodi Meadows. Afinal, quem seque este blogue já percebeu que eu gosto de tramas fantásticas, e um livro que ligasse esse género à ideia de reencarnação seria algo obrigatório para mim. Por isso, comecei esta leitura com expetativas.
Ana, a protagonista da trama, é diferente de todas as personagens e não percebe o porquê de assim ser. Afinal, todo o mundo parece ser regido por uma força que faz com que as mesmas almas encarnem vida após vida, sendo que a ideia de morte não existe completamente e sendo que nunca aparecem novas pessoas. Pelo menos até à chegada de Ana. Como tal, é fácil entender que surjam diferentes reação quanto a esta personagem. Ana é considerada por muitos como uma anomalia, a prova de que algo correu mal, mas também como um sinal de que a morte definitiva afinal pode ameaçar qualquer um, e isso gera medo e dúvida. É um pouco revoltante ver como essas pessoas a tratam, mas entende-se a razão para tal acontecer. Contudo, também existe quem a veja como uma nova esperança e um sinal de mudança, evolução.
A figura de Ana parece representar todo o que surge de diferente e quebra a rotina, e as outras personagens acabam por serem exemplos de várias formas de reagir. Este foi o aspeto que mais gostei da protagonista, não tanto a personalidade dela, mas sim o seu símbolo. Afinal, Ana não é propriamente alguém que se destaque de tantas outras protagonistas de histórias fantásticas. Ele tem muitas qualidades e é difícil encontrar-lhe os defeitos. O que é pena, pois gostaria de a ver mais aguerrida e problemtática, pois acredito que tal acrescentaria ainda mais valor à trama.
Ao início não sabia bem o que pensar de Sam, pois tive sempre a sensação de que ele está a esconder algo. A sensação persiste pois o facto de ele ser sempre tão correto faz-me pensar sobre quais serão as suas verdadeiras intenções e onde estarão as suas falhas. Acho que a relação de Ana com Sam precisaria de maior complexidade, pois não fiquei plenamente convencida uma vez que tudo parece demasiado fácil e idílico. Contudo, estou muito intrigada quanto ao passado de Li, pois algo tem de justificar tanta raiva e mágoa. Ela é uma daquelas figuras que amamos odiar, o que a torna muito importante para o conflito principal.
O mundo pode ter algumas falhas, mas a ideia base e boa parte da sua apresentação está bem conseguida e é cativante. Gostei da componente quase mitológica associada à cidade Coração, da evolução que esta sofreu ao longo do tempo, do mistério inerente ao que se posso fora das fronteiras da cidade e fiquei muito curiosa relativamente ao misterioso templo de Janan, que parece ter batimento cardíaco. Percebe-se que a autora criou uma base maior do que este livro aparenta, e eu acredito que vou ficar surpreendida quanto esta finalmente for revelada. Contudo, muito pouco foi exposto neste primeiro livrro.
Gostaria que a organização desta sociedade e a forma como cada alma reencarnada se adapta à nova vida e volta a integrar a sociedade fossem mais expostas. Fica apenas uma breve ideia de como tudo acontecesse, mas gostaria de uma explicação maior. Também quero saber a razão dos ataques das criaturas mitológicas, pois acredito que estes são mais racionais do que aparentam.
Terminada a leitura, senti que ficaram muitas questões por responder e que este livro serve como introdução a um mundo maior e mais complexo. Estou muito curiosa para saber o que Jodi Meadowns está a preparar, quer seja quanto a desenvolvimento de enredo como no que toca a evolução das personagens. Mas no fim, chega-se à conclusão que Incarnate - Encarnação proporcionou uma leitura fresca, diferente e divertida.
Autor: Jodi Meadows
Tradução: Carla Ribeiro
ISBN: 9789898730206
Editora: Lápiz Azul (2015)
Sinopse:
Quando Ana nasceu, o mundo mudou. Durante cinco mil anos, o mesmo milhão de almas renasceu uma e outra vez, guardando consigo a memória das experiências vividas e de tudo o que aprenderam. Mas Ana é nova. Não é nenhuma das almas que todos conhecem desde o princípio de tudo e, por isso, a sua existência é, para muitos, perturbadora.
Temida ou desprezada pela maioria, incluindo a sua própria mãe, Ana quer apenas descobrir quem é e porque nasceu. São essas as razões que a levam a partir em busca de respostas. Mas a perigosa jornada até a cidade Coração é apenas o início da aventura e, contando apenas com a proteção de um amigo inesperado, Ana está longe de imaginar que o seu mistério se prende com o coração da própria cidade.
Opinião:
Existem capas que chamam logo a atenção e a de Incarnate- Encarnação, é sem dúvida uma delas. Cativada pela imagem, li a sinopse e fiquei ainda mais interessada na leitura deste livro de Jodi Meadows. Afinal, quem seque este blogue já percebeu que eu gosto de tramas fantásticas, e um livro que ligasse esse género à ideia de reencarnação seria algo obrigatório para mim. Por isso, comecei esta leitura com expetativas.
Ana, a protagonista da trama, é diferente de todas as personagens e não percebe o porquê de assim ser. Afinal, todo o mundo parece ser regido por uma força que faz com que as mesmas almas encarnem vida após vida, sendo que a ideia de morte não existe completamente e sendo que nunca aparecem novas pessoas. Pelo menos até à chegada de Ana. Como tal, é fácil entender que surjam diferentes reação quanto a esta personagem. Ana é considerada por muitos como uma anomalia, a prova de que algo correu mal, mas também como um sinal de que a morte definitiva afinal pode ameaçar qualquer um, e isso gera medo e dúvida. É um pouco revoltante ver como essas pessoas a tratam, mas entende-se a razão para tal acontecer. Contudo, também existe quem a veja como uma nova esperança e um sinal de mudança, evolução.
A figura de Ana parece representar todo o que surge de diferente e quebra a rotina, e as outras personagens acabam por serem exemplos de várias formas de reagir. Este foi o aspeto que mais gostei da protagonista, não tanto a personalidade dela, mas sim o seu símbolo. Afinal, Ana não é propriamente alguém que se destaque de tantas outras protagonistas de histórias fantásticas. Ele tem muitas qualidades e é difícil encontrar-lhe os defeitos. O que é pena, pois gostaria de a ver mais aguerrida e problemtática, pois acredito que tal acrescentaria ainda mais valor à trama.
Ao início não sabia bem o que pensar de Sam, pois tive sempre a sensação de que ele está a esconder algo. A sensação persiste pois o facto de ele ser sempre tão correto faz-me pensar sobre quais serão as suas verdadeiras intenções e onde estarão as suas falhas. Acho que a relação de Ana com Sam precisaria de maior complexidade, pois não fiquei plenamente convencida uma vez que tudo parece demasiado fácil e idílico. Contudo, estou muito intrigada quanto ao passado de Li, pois algo tem de justificar tanta raiva e mágoa. Ela é uma daquelas figuras que amamos odiar, o que a torna muito importante para o conflito principal.
O mundo pode ter algumas falhas, mas a ideia base e boa parte da sua apresentação está bem conseguida e é cativante. Gostei da componente quase mitológica associada à cidade Coração, da evolução que esta sofreu ao longo do tempo, do mistério inerente ao que se posso fora das fronteiras da cidade e fiquei muito curiosa relativamente ao misterioso templo de Janan, que parece ter batimento cardíaco. Percebe-se que a autora criou uma base maior do que este livro aparenta, e eu acredito que vou ficar surpreendida quanto esta finalmente for revelada. Contudo, muito pouco foi exposto neste primeiro livrro.
Gostaria que a organização desta sociedade e a forma como cada alma reencarnada se adapta à nova vida e volta a integrar a sociedade fossem mais expostas. Fica apenas uma breve ideia de como tudo acontecesse, mas gostaria de uma explicação maior. Também quero saber a razão dos ataques das criaturas mitológicas, pois acredito que estes são mais racionais do que aparentam.
Terminada a leitura, senti que ficaram muitas questões por responder e que este livro serve como introdução a um mundo maior e mais complexo. Estou muito curiosa para saber o que Jodi Meadowns está a preparar, quer seja quanto a desenvolvimento de enredo como no que toca a evolução das personagens. Mas no fim, chega-se à conclusão que Incarnate - Encarnação proporcionou uma leitura fresca, diferente e divertida.
segunda-feira, 1 de junho de 2015
Opinião: Rooftoppers - Os Vagabundos dos Telhados
Título original: Rooftoppers (2013)
Autor: Katherine Rundell
Tradução: Filomena Aguiar de Vasconcelos
ISBN: 9789898730213
Editora: Lapis Azul (2015)
Sinopse:
Sophie é resgatada por Charles Maxim das águas do Canal da Mancha, após o barco em que viajava ter sofrido um naufrágio. Sozinha no mundo, a criança não terá mais de um ano e fica a viver em Londres sob a tutela provisória de Charles, que a ama e educa como uma filha de verdade. Sophie cresce na esperança de vir encontrar a mãe, perdida no naufrágio. Mas cresce também num misto de felicidade e angústia, pelo receio de um dia ser forçada a ir para um orfanato. E é naquela esperança, que no amor funde a irracionalidade da crença com a audácia e a astúcia da vontade, que chegado esse dia, Charles e Sophie decidem que há só uma saída: fugir de Londres e ir para Paris, à “caça” da mãe. É aqui que Sophie conhece os vagabundos dos telhados e os torna cúmplices leais da sua aventura. É uma história de amor e de afetos, de laços de amizade e cumplicidade, de medos, angústias, sacrifícios, de hesitações e coragem, de argúcia e destreza. Dá voz aos mais pequenos e aos ignorados e marginalizados da sociedade. Os atos mais simples são os mais generosos, e a bondade é uma virtude relembrada a cada som que a música, sempre a música de um violoncelo, vai ecoando ao longo das páginas, por cima dos telhados. E é uma história sobre a mãe. E sobre a filha. E sobre um homem que, não sendo pai, foi o melhor pai de sempre.
Opinião:
Há livros que nos são apresentados como detentores de uma história simples e destinados a um público mais jovem, mas que quando começamos a ler somos imediatamente arrebatados pela beleza da escrita, que contém momentos que dão vontade de reler, e pela profundida de uma história que é muito mais do que aquilo que sugere. Rooftoppers - Os Vagabundos dos Telhados é um destes casos.
Logo nas primeiras páginas somos cativados pela relação entre Sophie e Charles. Não são pai e filha de sangue, mas têm uma ligação tão bonita e especial que nos levam a pensar que existem uniões feitas pelo coração que são bastante fortes. Esta afinidade faz com que Sophie se torne numa menina com sentido crítico e uma capacidade de observação incomum. Penso que com esta personagem, a autora pretende mostrar que por vezes damos importância a temas que não merecem tanta atenção e que nos esquecemos do que é realmente valioso na vida.
Charles é a minha personagem preferida. Gostei deste homem que, à primeira vista, transmite a ideia de ser distraído, irresponsável, cabeça no ar e sonhador. Se formos analisá-lo com atenção, percebemos que Charles é alguém que tem uma grande sensibilidade relativamente a todos os aspectos da vida, que é muito compreensivo, que vê o mundo de uma forma mais abrangente e completa, que sabe que a felicidade não é alcançada ao fazermos o que a sociedade espera de nós mas sim aquilo que realmente desejamos. Uma personagem muito bem conseguida.
Mas ao longo da jornada relatada nestas páginas, Sophie conhece outras pessoas. Desde uma mulher amarga que representa a repressão social a um rapaz que mora em telhados, que nos faz pensar sobre o vazio que se sente quando não se tem ninguém. Estas pessoas fazem Sophie mudar, e, por vezes, ela toma atitudes que nem sempre são bem compreendidas pelo leitor.
A narrativa pode ser dividida em duas partes. Existe uma primeira fase que acontece em Londres e corresponde à primeira fase da vida de Sophie. Vê-mo-la crescer junto de Charles e percebemos que a sua educação foi bastante peculiar. Existem momentos divertidos pelo rídiculo da situação, mas percebe-se que o amor é uma constante. Este momento termina com um acontecimento preocupante e depressa a acção muda de espaço e segue para Paris. Em Paris temos a segunda fase, que consiste na procura mais acessa pela mãe de Sophie. É aqui que o título da obra é explicado.
Apesar de considerar a ideia muito boa, a escrita bonita e a história encantadora, gostaria que a autora conseguisse transmitir as diferenças entre os ambientes de Londres e Paris. Além disso, penso que demoramos a chegar à componente que dá o título à obra e que a segunda fase da narrativa passa demasiado depressa e carece de maior desenvolvimento. O fim está bonito, mas ficam a faltar muitas explicações.
Rooftoppers - Os Vagabundos dos Telhados é um livro muito bonito, que marca pela diferença mas que faz desejar mais. Os leitores que apreciam histórias mais complexas iram sentir falta de algumas justificações e desenvolvimentos, mas a verdade é que a autora consegue passar uma bonita mensagem de esperança, para além de que transmite uma ideia de família nova e muito tocante.
Autor: Katherine Rundell
Tradução: Filomena Aguiar de Vasconcelos
ISBN: 9789898730213
Editora: Lapis Azul (2015)
Sinopse:
Sophie é resgatada por Charles Maxim das águas do Canal da Mancha, após o barco em que viajava ter sofrido um naufrágio. Sozinha no mundo, a criança não terá mais de um ano e fica a viver em Londres sob a tutela provisória de Charles, que a ama e educa como uma filha de verdade. Sophie cresce na esperança de vir encontrar a mãe, perdida no naufrágio. Mas cresce também num misto de felicidade e angústia, pelo receio de um dia ser forçada a ir para um orfanato. E é naquela esperança, que no amor funde a irracionalidade da crença com a audácia e a astúcia da vontade, que chegado esse dia, Charles e Sophie decidem que há só uma saída: fugir de Londres e ir para Paris, à “caça” da mãe. É aqui que Sophie conhece os vagabundos dos telhados e os torna cúmplices leais da sua aventura. É uma história de amor e de afetos, de laços de amizade e cumplicidade, de medos, angústias, sacrifícios, de hesitações e coragem, de argúcia e destreza. Dá voz aos mais pequenos e aos ignorados e marginalizados da sociedade. Os atos mais simples são os mais generosos, e a bondade é uma virtude relembrada a cada som que a música, sempre a música de um violoncelo, vai ecoando ao longo das páginas, por cima dos telhados. E é uma história sobre a mãe. E sobre a filha. E sobre um homem que, não sendo pai, foi o melhor pai de sempre.
Opinião:
Há livros que nos são apresentados como detentores de uma história simples e destinados a um público mais jovem, mas que quando começamos a ler somos imediatamente arrebatados pela beleza da escrita, que contém momentos que dão vontade de reler, e pela profundida de uma história que é muito mais do que aquilo que sugere. Rooftoppers - Os Vagabundos dos Telhados é um destes casos.
Logo nas primeiras páginas somos cativados pela relação entre Sophie e Charles. Não são pai e filha de sangue, mas têm uma ligação tão bonita e especial que nos levam a pensar que existem uniões feitas pelo coração que são bastante fortes. Esta afinidade faz com que Sophie se torne numa menina com sentido crítico e uma capacidade de observação incomum. Penso que com esta personagem, a autora pretende mostrar que por vezes damos importância a temas que não merecem tanta atenção e que nos esquecemos do que é realmente valioso na vida.
Charles é a minha personagem preferida. Gostei deste homem que, à primeira vista, transmite a ideia de ser distraído, irresponsável, cabeça no ar e sonhador. Se formos analisá-lo com atenção, percebemos que Charles é alguém que tem uma grande sensibilidade relativamente a todos os aspectos da vida, que é muito compreensivo, que vê o mundo de uma forma mais abrangente e completa, que sabe que a felicidade não é alcançada ao fazermos o que a sociedade espera de nós mas sim aquilo que realmente desejamos. Uma personagem muito bem conseguida.
Mas ao longo da jornada relatada nestas páginas, Sophie conhece outras pessoas. Desde uma mulher amarga que representa a repressão social a um rapaz que mora em telhados, que nos faz pensar sobre o vazio que se sente quando não se tem ninguém. Estas pessoas fazem Sophie mudar, e, por vezes, ela toma atitudes que nem sempre são bem compreendidas pelo leitor.
A narrativa pode ser dividida em duas partes. Existe uma primeira fase que acontece em Londres e corresponde à primeira fase da vida de Sophie. Vê-mo-la crescer junto de Charles e percebemos que a sua educação foi bastante peculiar. Existem momentos divertidos pelo rídiculo da situação, mas percebe-se que o amor é uma constante. Este momento termina com um acontecimento preocupante e depressa a acção muda de espaço e segue para Paris. Em Paris temos a segunda fase, que consiste na procura mais acessa pela mãe de Sophie. É aqui que o título da obra é explicado.
Apesar de considerar a ideia muito boa, a escrita bonita e a história encantadora, gostaria que a autora conseguisse transmitir as diferenças entre os ambientes de Londres e Paris. Além disso, penso que demoramos a chegar à componente que dá o título à obra e que a segunda fase da narrativa passa demasiado depressa e carece de maior desenvolvimento. O fim está bonito, mas ficam a faltar muitas explicações.
Rooftoppers - Os Vagabundos dos Telhados é um livro muito bonito, que marca pela diferença mas que faz desejar mais. Os leitores que apreciam histórias mais complexas iram sentir falta de algumas justificações e desenvolvimentos, mas a verdade é que a autora consegue passar uma bonita mensagem de esperança, para além de que transmite uma ideia de família nova e muito tocante.
quinta-feira, 7 de maio de 2015
Opinião: Slated - Reiniciada (Slated #1)
Título original: Slated (2012)
Autor: Teri Terry
Tradução: Carla Ribeiro
ISBN: 9789898730237
Editora: Lápis Azul (2015)
Sinopse:
Kyla Davis está prestes a entrar numa nova vida. As suas memórias foram apagadas e, com elas, todo o conhecimento que tinha antes de ter sido Reiniciada. Como pena para um crime que, como tudo o resto, desconhece, tudo o que a identificava foi removido. Agora, Kyla tem à sua espera uma nova família e um novo início de vida, e a responsabilidade de cumprir tudo aquilo que esperam dela – caso contrário, as consequências poderão ser pouco agradáveis.Mas, mesmo enquanto se tenta adaptar à comunidade, Kyla começa a questionar. Há pessoas a desaparecer à sua volta e uma vigilância opressiva em que todos parecem estar apenas à espera que ela cometa o seu primeiro erro. E, algures por dentro, há memórias que lutam para surgir. Talvez ela não seja apenas a boa menina Reiniciada que todos lhe exigem que seja. Mas quem é, então?
Opinião:
Reiniciada é o primeiro livro de uma trilogia distópica que nos leva a pensar sobre as consequências de medidas que procuram uniformizar uma sociedade. Kyla Davis é a protagonista desta obra que é narrada na primeira pessoa. Ela é uma jovem cuja memória e personalidade foi apagada e que volta então a ser inserida numa comunidade. Curiosamente, tinha tudo para ser uma personagem desinteressante, mas acaba por revelar uma consciência crítica que me levou a querer acompanhá-la.
Tal como eu, que estava a começar a entrar neste universo, também Kyla não sabe o que esperar. Por isso mesmo, não existe a sensação de que a protagonista sabe algo que nos está a esconder. Ao início Kyla poderá parecer demasiado básica e superficial, mas conforme a narrativa se vai desenrolando, é possível verificar que há algo muito próprio dela que não desapareceu completamente.A capacidade de criticar e o espírito artístico fazem desta rapariga uma reiniciada diferente.
É verdade que ao início aconteceram algumas situações que me custaram um pouco a aceitar.O facto de ela ser tratada praticamente como um bebé e de nem sequer recordar o perigo que é tocar numa lâmina pressupunha que a sua ignorância fosse ainda mais abrangente. Contudo, de um momento para o outro, ela parece ter obtido a consciência de um adolescente comum e não existe necessariamente explicação para isso.
Gostei da forma como Kyla se relacionou com as outras personagens. Ao início, demonstra um receio e hesitação bastante natural e a criação de laços afectivos surge de forma gradual e convincente. Entre as personagens com as quais ela se relaciona, as que mais me intrigaram foram a mãe, o pai e a doutora Lysander. Não é fácil descodificar estas três figuras pois percebe-se que até agora elas só mostraram uma parte muito pequena de quem são. Fiquei com uma enorme vontade de perceber quais são os seus objectivos e motivações e, apesar de existirem algumas pistas, tal ainda não foi completamente justificado. Um mistério intencional e bem conseguido.
O mundo é muito semelhante ao nosso e está situado num futuro próximo. Existem normas e instituições que são muito semelhantes às actuais, mas existem ainda outras novas e que foram criadas para criar a ideia de vigilância e opressão. Percebe-se que existe um método que altera os seres humanos desde tenra idade de modo a que estes se insiram numa cidade idealizada e harmoniosa, o que faz pensar sobre limites éticos para o controlo e ordem. Gostei da ideia do Levo, um instrumento que só vem a reforçar a ideia de repressão pela omissão de emoções verdadeiras.
O desenrolar da trama cativa e é rápido. É verdade que gostaria de ter visto um desenvolvimento da protagonista mais lento e que existem respostas que surgiram de uma forma demasiado fácil, tendo em conta que esta é uma sociedade de vigilância. Ficou muito por responder, nomeadamente no que toca aos rebeldes, que foram pouco explorados. Porém, sente-se que tal pode ser assunto para o próximo volume.
Quanto à tradução, percebe-se que houve uma preocupação em manter o tom introspectivo da narrativa original e uma linguagem natural nos diálogos. Contudo, existem umas quantas frases que necessitavam de uma revisão mais atenta no que toca a gramática, para além de que me fez alguma confusão ver palavras como "pai" e "mãe" a surgirem como se fossem nomes próprios. Não sei se está assim no original, mas mesmo que tal se confirme, não percebo a intenção.
Um bom início para uma trilogia que tem muito por onde evoluir. Reiniciada é um livro dedicado a um público jovem adulto que trata de assuntos pertinentes e que nos fazem reflectir sobre que futuro queremos para a nossa sociedade. Teri Terry é uma autora que vou querer continuar a acompanhar.
Autor: Teri Terry
Tradução: Carla Ribeiro
ISBN: 9789898730237
Editora: Lápis Azul (2015)
Sinopse:
Kyla Davis está prestes a entrar numa nova vida. As suas memórias foram apagadas e, com elas, todo o conhecimento que tinha antes de ter sido Reiniciada. Como pena para um crime que, como tudo o resto, desconhece, tudo o que a identificava foi removido. Agora, Kyla tem à sua espera uma nova família e um novo início de vida, e a responsabilidade de cumprir tudo aquilo que esperam dela – caso contrário, as consequências poderão ser pouco agradáveis.Mas, mesmo enquanto se tenta adaptar à comunidade, Kyla começa a questionar. Há pessoas a desaparecer à sua volta e uma vigilância opressiva em que todos parecem estar apenas à espera que ela cometa o seu primeiro erro. E, algures por dentro, há memórias que lutam para surgir. Talvez ela não seja apenas a boa menina Reiniciada que todos lhe exigem que seja. Mas quem é, então?
Opinião:
Reiniciada é o primeiro livro de uma trilogia distópica que nos leva a pensar sobre as consequências de medidas que procuram uniformizar uma sociedade. Kyla Davis é a protagonista desta obra que é narrada na primeira pessoa. Ela é uma jovem cuja memória e personalidade foi apagada e que volta então a ser inserida numa comunidade. Curiosamente, tinha tudo para ser uma personagem desinteressante, mas acaba por revelar uma consciência crítica que me levou a querer acompanhá-la.
Tal como eu, que estava a começar a entrar neste universo, também Kyla não sabe o que esperar. Por isso mesmo, não existe a sensação de que a protagonista sabe algo que nos está a esconder. Ao início Kyla poderá parecer demasiado básica e superficial, mas conforme a narrativa se vai desenrolando, é possível verificar que há algo muito próprio dela que não desapareceu completamente.A capacidade de criticar e o espírito artístico fazem desta rapariga uma reiniciada diferente.
É verdade que ao início aconteceram algumas situações que me custaram um pouco a aceitar.O facto de ela ser tratada praticamente como um bebé e de nem sequer recordar o perigo que é tocar numa lâmina pressupunha que a sua ignorância fosse ainda mais abrangente. Contudo, de um momento para o outro, ela parece ter obtido a consciência de um adolescente comum e não existe necessariamente explicação para isso.
Gostei da forma como Kyla se relacionou com as outras personagens. Ao início, demonstra um receio e hesitação bastante natural e a criação de laços afectivos surge de forma gradual e convincente. Entre as personagens com as quais ela se relaciona, as que mais me intrigaram foram a mãe, o pai e a doutora Lysander. Não é fácil descodificar estas três figuras pois percebe-se que até agora elas só mostraram uma parte muito pequena de quem são. Fiquei com uma enorme vontade de perceber quais são os seus objectivos e motivações e, apesar de existirem algumas pistas, tal ainda não foi completamente justificado. Um mistério intencional e bem conseguido.
O mundo é muito semelhante ao nosso e está situado num futuro próximo. Existem normas e instituições que são muito semelhantes às actuais, mas existem ainda outras novas e que foram criadas para criar a ideia de vigilância e opressão. Percebe-se que existe um método que altera os seres humanos desde tenra idade de modo a que estes se insiram numa cidade idealizada e harmoniosa, o que faz pensar sobre limites éticos para o controlo e ordem. Gostei da ideia do Levo, um instrumento que só vem a reforçar a ideia de repressão pela omissão de emoções verdadeiras.
O desenrolar da trama cativa e é rápido. É verdade que gostaria de ter visto um desenvolvimento da protagonista mais lento e que existem respostas que surgiram de uma forma demasiado fácil, tendo em conta que esta é uma sociedade de vigilância. Ficou muito por responder, nomeadamente no que toca aos rebeldes, que foram pouco explorados. Porém, sente-se que tal pode ser assunto para o próximo volume.
Quanto à tradução, percebe-se que houve uma preocupação em manter o tom introspectivo da narrativa original e uma linguagem natural nos diálogos. Contudo, existem umas quantas frases que necessitavam de uma revisão mais atenta no que toca a gramática, para além de que me fez alguma confusão ver palavras como "pai" e "mãe" a surgirem como se fossem nomes próprios. Não sei se está assim no original, mas mesmo que tal se confirme, não percebo a intenção.
Um bom início para uma trilogia que tem muito por onde evoluir. Reiniciada é um livro dedicado a um público jovem adulto que trata de assuntos pertinentes e que nos fazem reflectir sobre que futuro queremos para a nossa sociedade. Teri Terry é uma autora que vou querer continuar a acompanhar.
Subscrever:
Mensagens (Atom)





