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sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Opinião: Um Mundo sem Príncipes (A Escola do Bem e do Mal #2)

Título Original: A World without Princes (2014)
Autor: Soman Chainani
Tradução: Carla Ribeiro
ISBN: 9789898730220
Editora: Lápis Azul (2015)

Sinopse:

Sofia e Agatha estão de volta a Gavaldon, mais amigas que nunca e, após um breve período de fama, resultante de terem quebrado a maldição do Reitor, prontas a retomar uma vida de normalidade. Ou será que não? Num momento de fraqueza, Sofia e Agatha pedem um desejo. E o desejo de uma delas volta a abrir as portas entre os mundos. A única hipótese de sobreviverem aos ataques que agora assolam Gavaldon é regressar, mais uma vez, à Escola do Bem e do Mal. Mas a escola já não é a mesma que deixaram para trás. E há uma nova guerra iminente, uma que só elas podem impedir.

Opinião:

Os acontecimentos finais do primeiro volume da trilogia "A Escola do Bem e do Mal" deixaram algumas dúvidas. Por isso, foi com curiosidade que comecei esta leitura. Os acontecimentos passados fazem com que nada seja igual para as duas amigas. Agata quer retomar a vida que tinha, mas não consegue. Sofia quer ser um ídolo para a aldeia... mas também não tem sucesso. E quando um desejo é pedido, tudo volta a mudar e elas ficam em perigo.

Gostei da ideia de um desejo ser capaz de provocar alterações. Afinal, mostrou que Agata vê-se de outra forma e já se acha marecedora de um final que a deixe verdadeiramente feliz. Contudo, Sofia não vai conseguir entender isso, e as duas iniciam um confronto. Ao início, este choque é ténue, mas à medida que a leitura avança percebe-se que as duas estão cada vez mais afastadas.

Continuo a gostar mais de Agata do que Sofia. Fiquei satisfeita por a ver a lutar mais por ela e pelo que acredita. Contudo, se Sofia me irritou no primeiro livro, devo confessar que tal só voltou a acontecer no início deste volume. Percebe-se que também ela está a mudar e a tentar não se tornar em algo que não quer. Além disso, a certo momento ela fica numa situação inesperada e que a faz começar a ver os outros de uma forma diferente. Um bom esforço de mudança.

E se no primeiro volume a dicotomia entre bem e mal era o grande tema do livro, agora temos uma outra oposição: rapazes contra raparigas. Confesso que não estava à espera de tal e tive algum medo que tudo fosse feito de uma forma forçada. Contudo, acabei por achar graças às grandes alterações das histórias, que desta vez repudiam os príncipes e à separação entre universos masculinos e femininos. Uma lição de que nenhum género é superior. Contudo, também é verdade que existem alguns exageros quanto à definição de cada género.

O vilão da obra não é identificado de imediato, Já só quando a leitura vai bem avançada é que se perceber quem está a colocar obstáculos às duas amigas. Custou-me não perceber logo o motivo de o vilão tomar tais ações, e tal só é descoberto mais perto do final. Porém, gostei da forma como antigos inimidos se aliaram para combater esta figura e também achei uma boa opção ao que aconteceu no final. Fica a ideia de que o terceiro volume trará perigos que irão tornar a trama intensa.

O final deixou-me surpreendida pois acaba por ir contra um outro conceito do autor. Acredito que esta é uma forma de dar início a um novo confronto, pois custa-me acreditar que, depois de tanto esforço por parte de uma personagem e depois da ideia de que as amizades são importantes e não devem ser substituídas com tanta leviandade, o autor opte por uma conclusão tão fraca. Acredito mesmo que o derradeiro volume da trilogia vai surpreender e que as personagens vão continuar a crescer! Estou curiosa para ver o que Soman Chanani está a preparar.

Outras opiniões a livros de Soman Chainani:
A Escola do Bem e do Mal (A Escola do Bem e do Mal #1)

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Opinião: A Escola do Bem e do Mal (A Escola do Bem e do Mal #1)

Título Original: The School for Good and Evil (2013)
Autor: Soman Chainani
Tradução: Luís Costa
ISBN: 9789898730152
Editora: Lápis Azul (2015)

Sinopse:

Estamos perante uma trilogia que desencadeia um mundo de fantasia novo e deslumbrante, onde as melhores amigas, Sophie e Agatha estão prestes a embarcar na aventura de uma vida.
Na Escola do Bem e do Mal, meninos e meninas são treinados para serem extraordinários bons ou maus, mas um subverter dos papéis assumidos das nossas heroínas, quando Agatha é "erroneamente" enviada para a escola do bem, e Sophie para a escola do mal, tudo é posto em causa, e se o erro é na verdade a primeira pista para descobrir quem Sophie e Agatha realmente são? Fantástica trilogia na qual a única saída para fugir das lendas sobre contos de fadas e histórias encantadas é viver intensamente uma delas.

Opinião:

Gosto de contos de fadas. A primeira opinião que publiquei aqui no blogue foi sobre os livros de contos de fadas que constumava ler na infância, o que mostra o quanto estas histórias me marcaram. Como tal, assim que vi o livro A Escola do Bem e do Mal senti que o devia ler. Imaginar os heróis e vilões de todas aquelas tramas tão conehcidas a conviverem num espaço é uma ideia muito atrativa.

E este livro começa a fazer lembrar mesmo um conto de fadas: duas amigas que vivem numa aldeia isolada e afastada de tudo. É evidente desde o início que estas duas raparigas são opostos. Sofia é loira, bela, com uma personalidade extrovertida e muito superficial. Agata tem cabelos escuros e curtos, não se considera bonita, é muito tímida e reservada. Uma parece ter tudo para ser uma princesa, a outra parece ter tudo para ser uma bruxa. E o mais curioso? É que estes papéis invertem-se assim que elas entram na escola que dá o nome ao livro!

É evidente que o autor tentou explorar a dicotomia entre bem e mal ao longo desta obra. Numa leitura dirigida a um público jovem, estes conceitos são expostos de uma forma demasiado direta. É claro que os alunos são divididos entre bons e maus, sendo que os seus destinos são apresentados como traçados e sem hipótese de mudança. A chegada de Agata e Sofia à insitutição começa por provocar algumas alterações nesta ideologia. Afinal, nenhuma aceita a posição em que foi colocada e tenta dar provas do contrário.

Além disso, através das observações destas duas amigas, é possível verificar que os alunos não se podem definir de forma tão simples. É verdade que eles aceitam por completo a condição que lhes foi dada, mas em certas personagens do mal começasse a ver vestígios de bondade, e o oposto acontece do lado contrário. Esta é, sem dúvida, uma chamada de atenção do autor para a mensagem de que nós somo definidos pelas nossas escolhas e não pelo que esperam de nós.

Ainda sobre as duas amigas, confesso que preferi Ágata a Sofia. Gosto da forma como a primeira consegue encontrar-se e perceber que pode ser muito mais do que alguma vez imaginou. Aos poucos, a sua autoestima e confiança aumentam, mas ela nunca perde a sua identidade e não se rende por completo aos vestidos cor-de-rosa ou aos gestos ensaiados das outras alunas do bem. Já Sofia conseguiu irritar-me. Ela é tão superficial e egocêntrica! Não consegue ver nada para além dela nem criar qualquer empatia com os outros. Não é uma personagem pela qual nós consigamos torcer e até mesmo a vertente humorística que o autor pretende conceder-lhe acaba por não funcionar bem.

Existe sempre algo de novo a acontecer nesta trama e os acontecimentos são muito rápidos. A ideia de vilão da trama poderia estar melhor conseguida, mas não deixa de ser curiosa. O Historiador é uma presença interessante, mas ao mesmo tempo parece demasiado fatalista. Felizmente o autor conseguiu mostrar que o destino, apesar de tudo, está nas mãos de cada um.

A Escola do Bem e do Mal é um livro divertido e com ilustrações enriquecedoras. Em certos momentos poderá parecer um pouco infantil, mas é preciso não esquecer que foi escrito a pensar num público jovem. Porém, os adultos podem apreciar esta leitura, especialmente no que toca à mistura de elementos tão conehcidos e à forma como uma dicotomia tão banal como o bem e o mal é aqui exposta.