Autor: Flávio Capuleto
ISBN: 9789897020926
Editora: Guerra & Paz (2014)
Sinopse:
«Inferno no Vaticano» junta os melhores ingredientes num romance que ecoa muitas das tensões que têm atravessado o Vaticano nos últimos anos. O protagonista é o inspector Luís Borges, um português que priva com o Papa, e a acção centra-se na Basílica de S. Pedro, no Vaticano. Tudo começa com a morte macabra e misteriosa de Francesco Barocci, curador do Tesouro. Um assassinato cujos contornos apontam para uma conspiração maior que tem o Papa por alvo e que deixa padres e bispos em pânico.
Uma história de traições e segredos, entrecortada com o encanto sedutor e sensual da escaldante Valeria Del Bosque, simbologista que ajuda o inspector português a desvendar os segredos e maquinações de uma sociedade secreta que está a semear as igrejas de cadáveres. Em «Inferno no Vaticano», o leitor vai deparar-se com uma batalha cruel, florentina, com mais ouro e sexo do que incenso e mirra.
Opinião:
Flávio Capuleto inspirou-se nos mistérios da sede da Igreja Católica para cria "Inferno no Vaticano". Com uma linguagem acessível, capítulos curtos e uma ação rápida, consegue captar o leitor.
Luís Borges é apresentado como o protagonista desta obra, mas acaba por dividir o foco de atenção com outras personagens. O autor optou por dar a conhecer o ponto de vista de diversas figuras, o que dá uma maior visão sobre os acontecimentos, já que o leitor passa a conhecer o lado dos que investigam os crimes e o lado dos autores destes delitos. Esta foi uma boa opção, mas existem momentos que me levaram a questionar a razão de Luís ser a figura central desta obra.
Gostei da exploração das ideias de conservadorismo e espiritualismo dentro do seio da Igreja católica. É um assunto que não me é totalmente desconhecido, mas é sempre bom assistir a uma outra visão sobre as muitas interpretações que podem ser feitas de textos bíblicos e até mesmo de dogmas. Também o tema referente à riqueza desta religião não é novo, apesar de parecer ser apresentado como tal.
A inspiração do autor vai, sem dúvida, ao encontro da situação social e económica atual, o que causa proximidade com o leitor. Contudo, existem certos momentos que podem causar dúvidas, especialmente no foco da situação europeia. No final, existe uma reviravolta que apenas foi ao encontro do que pensei desde o início da leitura, o que não me causou surpresa mas sim alguma estranheza por não ter sido algo abordado mais cedo.
É possível verificar que o autor pensou na construção das suas personagens, mas existem diversos momentos em que estas parecem forçadas. Refiro-me nomeadamente aos diálogos, que não parecem naturais, muito pela forma de tratamento, e que, ao início, parecem servir como forma de fornecer informações que funcionariam melhor dentro do espaço narrativo e descritivo.
Também as relações entre personagens nem sempre foram convincentes, nomeadamente a de Luís Borges com Valeria Del Bosque. A ideia de incluir erotismo numa trama com teor religioso é atraente e as descrições do autor neste campo estão bem conseguidas sem ser necessário recorrer a uma abordagem direta. Contudo, não consegui acreditar na química deste casal, muito por causa dos diálogos e na rapidez com que tudo aconteceu.
O tema pode ser controverso, mas a abordagem de Flávio Capuleto é acessível e perceptível. Este é um livro que carecia de maior desenvolvimento e de certas melhorias, mas que apela a reflexão sobre as diversas formas de encarar a religião, o que só por si é interessante.
