segunda-feira, 23 de julho de 2018

Opinião: A Demanda do Bobo (Saga Assassino e o Bobo #3)

Título Original: Fool's Quest (2015)
Autor: Robin Hobb
Tradução: Jorge Candeias
ISBN: 9789897731075
Editora: Saída de Emergência (2018)

Sinopse:

Em tempos existiu em Torre do Cervo um assassino real. Para aqueles que simpatizavam com ele era conhecido como Fitz; para os que o odiavam era o Bastardo Manhoso. Mais tarde esse homem desapareceu e surgiu um respeitável senhor rural chamado Tomé Texugo, pacato, marido e pai.
Mas agora também esse homem desapareceu, deixando no seu lugar FitzCavalaria Visionário, príncipe reconhecido da casa real, tio do rei, pai de uma criança raptada cuja existência quase todos ignoram, amigo de um velho Bobo quebrado e cego cuja saúde vai recuperando de forma dolorosamente lenta.
Entre todas estas forças que o puxam nas mais diversas direções, a quais irá ele ceder, e quem, ao certo, cederá? O pai ou o amigo? O príncipe ou o assassino?

Opinião:

Este livro segue os acontecimento que encerraram A Revelação do Bobo. Em A Demanda do Bobo, Robin Hobb foca a nossa atenção na angústia, raiva, desespero, dor e sentido de vingança de um pai cuja filha foi raptada. Sendo Fitz uma personagem tão querida, custa vê-lo nestas circunstâncias, tal é o envolvimento que a autora consegue criar entre leitor e personagens.

Mais uma vez, voltamos a ter capítulos dedicados a Fitz e alguns a Abelha. Confesso que ficava especialmente entusiasmada quando percebia que iria começar um relato de Abelha. Não que não aprecie os de Fitz, pois gosto muito, mas os desta jovem personagem têm mais ritmo, fornecem informações mais interessantes e apresentam-nos uma evolução da história mais concreta. Além disso, é nesse cenário que tudo é mais intenso e é também aí que os acontecimentos mais relevantes se dão.

Nos capítulos de Fitz existe sobretudo dúvida. O protagonista anseia por encontrar a filha, saber o que lhe aconteceu ou está a acontecer, o que acaba por ser algo frustrante para o leitor que, até certo ponto, tem todas estas informações. Contudo, é também esta dúvida e angústia que nos permitem explorar a humanidade de Fitz e de todas as outras figuras que o rodeiam. É aqui que a autora volta a provar que é mestre na criação de personagens profundas, reais e que marcam o leitor.

Gostei muito do desenvolvimento das relações que se foram estabelecendo ao longo deste volume, o que faz pensar sobre como estas são mutáveis. Personagens que pareciam já ter uma ligação estabelecida acabam por surpreender ao mostrarem que as relações podem atingir novos contornos, especialmente quando estamos em situações dramáticas. O desejo de corrigir erros antigos, de qualquer nível, acabou por ser o elemento fundamental para muitas destas figuras, dando-nos provas de que o ser humano é capaz de mudar e evoluir se assim o desejar.

Este volume tem mais ritmo do que o anterior, o que proporciona uma leitura mais rápida e até interessada. Os momentos de maior ação estão muito bem conseguidos e dão-nos provas de que ainda há muito para vir e para nos surpreender. Existem também períodos mais calmos, caracterizados pelas reflexões de Fitz ou pelos diálogos com outras personagens. Aqui, destaque para os momentos que o protagonista tem com o Bobo, Urtiga, Lante e Enigma.

A Demanda do Bobo revela-se um livro que não desilude e tem tudo para fazer as delícias de Robin Hobb. Uma leitura com muito de novo a acontecer, mas que também tem várias referências a obras passadas da autora. A prova de que a Saga Assassino e o Bobo é forte, consistente e de grande qualidade. Venha agora o próximo volume, pois este deixou-me muito curiosa e entusiasmada com o que está para chegar.


Outras opiniões a livros de Robin Hobb:
Aprendiz de Assassino (A Saga do Assassino #1)
O Assassino do Bobo (Saga Assassino e o Bobo #1)
A Revelação do Bobo (Saga Assassino e o Bobo #2)

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