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quinta-feira, 16 de agosto de 2018

Opinião: O Núcleo (Ciclo a Noite dos Demónios #5)

Título Original: The Core (2017)
Autor: Peter V. Brett
Tradução: Renato Carreira
ISBN: 9789892342214
Editora: Asa (2018)

Sinopse:

Demónios sedentos de sangue rondam a noite.
A raça humana está reduzida a uma resistência dispersa e dependente de magias antiquadas.
De entre os resistentes, surgem dois heróis. Tão próximos como irmãos, e, no entanto, divididos por uma amarga traição.
Arlen Bales, o Homem Pintado, está coberto de tatuagens de poderosos símbolos mágicos que lhe permitem combater - e vencer - os demónios.

Ahmann Jardir, possuidor de armas mágicas, autoproclamou-se o Libertador, uma figura que as profecias dizem ser capaz de unir a humanidade e conduzi-la ao triunfo na Sharak Ka - a derradeira guerra contra os demónios. Mas, nos seus esforços para derrotar os demónios, Arlen e Jardir desencadearam uma força que poderá pôr fim a tudo: um Enxame. A guerra está à porta, e a única esperança da humanidade reside em Arlen e Jardir. Com a ajuda de Renna, mulher de Arlen, tentam subjugar um príncipe dos demónios, obrigando-o a indicar-lhes o caminho até ao Núcleo, onde a Mãe dos Demónios está a formar um exército invencível.

Enquanto os leais Leesha, Inevera, Ragen, e Elissa guiam o turbulento povo das Cidades Livres na batalha contra o Enxame, Arlen, Renna e Jardir lançam-se numa perseguição desesperada nas profundezas mais escuras do mal - de onde nenhum deles espera regressar com vida…

Com O Núcleo, chega ao fim o épico Ciclo da Noite dos Demónios, uma das mais aclamadas sagas de fantasia dos nossos tempos…

Opinião:

Foi com um misto de sentimentos que iniciei a leitura de O Núcleo. Por um lado, este era um livro muito desejado. Desde a publicação de O Trono dos Crânios, em 2016, que esperava pelo derradeiro volume da saga de Peter V. Brett "Ciclo a Noite dos Demónios", por isso foi bom finalmente ter esta história nas mãos. Contudo, sabia que esta também seria uma despedida de personagens que me têm conquistado desde 2009, quando O Homem Pintado surgiu nas livrarias.

Este volume começa no ponto em que o anterior terminou, havendo assim uma sensação de continuidade sem que nada tivesse sido perdido. Em capítulos intercalados com os pontos de vista de diversas personagens mais relevantes desta aventura, vamos avançando para o culminar da obra de Peter V. Brett. O facto de haver muitas personagens a oferecerem ao leitor as suas perspetivas pode dar a ideia de que a narrativa avança lentamente, mas tal é necessário para que exista uma visão mais completa dos acontecimentos. É isto que justifica as mais de 800 páginas deste livro, apesar de, confesso, achar que foi dada demasiada importância a certos momentos que poderiam ter sido resumidos.

Entre estes pontos de vista, admito que alguns ficaram entre os meus preferidos enquanto outros, apesar da sua importância, me pareceram menos interessantes. Destaque claro para os momentos com Arlen, Jardin ou Renna. Estas três personagens estão no centro da ação principal desta obra, dando-nos a conhecer uma realidade até então ocultado: o núcleo e o caminho para chegar até lá. Gostei muito de como conseguiram conciliar as suas divergências por um objetivo comum e da forma como transmitiram o ambiente vivido nos locais hostis em que se encontravam. Neste âmbito ainda, fiquei muito bem impressionada pela quase inversão de ideologias entre Arlen e Jardir e pelas reflexões que este caminho provocou em cada um deles.

Leesha Papel sempre foi uma das personagens que mais gostei de acompanhar, mas nesta fase o ponto mais forte dela foi mesmo o novo papel de líder e de mãe. Inevera, por outro lado, despediu-se ao fazer-nos recordar toda a sua força, provando, mais uma vez, que uma mulher pode fazer toda a diferença mesmo nas sociedades mais patriarcais. Briar volta a sobressair e a ser uma figura que é bom reencontrar, a sua ingenuidade, pureza de coração e singularidade colocam-no provocam momentos de reflexão muito curiosos, ao mesmo tempo que o levam para situações que nos prendem o interesse.

Inicialmente, os capítulos dedicados a Elisa and Ragen não foram os que mais se destacaram, mas a situação em que este casal acabou por se encontrar foi muito relevante. Foi através deles que o autor nos levou a refletir sobre as prioridades dos governantes em tempos de crise e sobre o verdadeiro valor que é dado à vida humana. Por outro lado, a situação de crise de Abban mostrou-nos os limites que somos capazes de ultrapassar para sobreviver, mesmo que seja em detrimento da segurança de outros. É impossível não admirar a contrução desta personagem, mesmo que nem sempre consigamos concordar com todas as suas ações ou valores.

Apreciei muito o final que Peter V. Brett nos reservou com esta sua obra. Admito que foi algo que me tivesse passado pela cabeça, uma vez que o sacrifício por um bem maior foi algo cujo tom foi aumentado ao longo dos livros. Percebo que possa ser algo controverso entre os fãs da saga, mas faz sentido. Não posso deixar de falar ainda sobre uma sentida homenagem que acontece nas últimas páginas e que me arrancou um sorriso por ser um exemplo de redenção e respeito.

Contudo, fiquei com a sensação que ficou muito por explicar no que toca ao rescaldo. Teria preferido que o autor tivesse dedicado mais páginas para nos dar a conhecer as consequências do desfecho desta batalha para o mundo que construiu, cortando noutros momentos que acabaram por se revelar mais extensos ao longo da obra. Desta forma, talvez a narrativa tivesse um avanço mais rápido e o leitor ficaria com mais informações no final.

O Núcleo apresentou-me uma conclusão que, no geral, deixou-me satisfeita. Reconheço que este pode muito bem ser o livro mais complexo da saga, uma vez que nos apresenta muitas perspetivas diferentes. Isto também faz que a narrativa seja algo lenta, havendo uma sensação de que o tempo não avança por estarmos sempre a saltar entre pontos de vista que estão a acontecer em simultâneo. Além disso, há muita informação para ser assimilada. Porém, tal não causará grande incómodo aos leitores que apreciaram o trabalho anterior de Peter V. Brett, que, acredito, também vão compreender as escolhas do autor para este desfecho. Para mim, fez todo o sentido.


quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Opinião: O Trono dos Crânios (Ciclo a Noite dos Demónios #4)

Título Original: The Skull Throne (2015)
Autor: Peter V. Brett
Tradução: Renato Carreira
ISBN: 9789892334516
Editora: Asa (2016)

Sinopse:

O Trono dos Crânios de Krasia está vazio.
Construído com crânios de generais caídos e de príncipes demónios, é um lugar de honra e de magia antiga e poderosa, que mantém afastados os demónios nuclitas. Do alto do trono, Ahmann Jardir estava destinado a conquistar o mundo conhecido, reunindo os seus povos isolados num exército unificado capaz de pôr fim à guerra com os demónios de uma vez por todas. Mas Arlen Bales, o Homem Pintado, foi contra este destino, desafiando Jardir para um duelo que ele não podia recusar. Em vez de arriscar a derrota, Arlen lançou ambos de um precipício, deixando o mundo sem um salvador, e dando origem a uma luta pela sucessão que ameaça destruir as Cidades Livres de Thesa. No Sul, Inevera, a primeira mulher de Jardir, tem de arranjar forma de impedir que os filhos se matem e mergulhem o povo numa guerra civil, enquanto se esforçam por atingir glória suficiente que lhes permita reclamar o trono. No Norte, Leesha Papel e Rojer tentam forjar uma aliança entre os ducados de Angiers e Miln contra os Krasianos antes que seja demasiado tarde.
Apanhado no fogo cruzado encontra-se o ducado de Lakton - rico e desprotegido, pronto a ser conquistado.
Enquanto isso, os nuclitas têm-se tornado mais fortes, e sem Arlen e Jardir talvez não haja ninguém suficientemente poderoso para detê-los.
Apenas Renna Bales pode saber mais sobre o destino dos homens desaparecidos, mas também ela desapareceu...

Opinião:

Mais uma vez, Peter V. Brett fez esperar. E mais uma vez conseguiu manter-me agarradas às (muitas) páginas de um livro. O Trono dos Crânios, o quarto volume do Ciclo a Noite dos Demónios, faz-nos reencontrar personagens que já consideramos amigas, expande ainda mais este universo que foi apresentado em O Homem Pintado, dá novas perspectivas sobre muitas figuras que foram surgindo à medida que a saga foi avançando, e ainda surpreende em muitos, muitos momentos. Porém, ainda não é desta que ficamos a conhecer o desfecho da história.

A narrativa tem início no momento em que A Guerra Diurna termina. Se bem se recordam, as últimas páginas do terceiro volume desta saga apresentaram uma grande reviravolta, algo que, durante estes cerca de dois anos e meio de espera, muitas dúvidas levantaram. Felizmente, a resposta a estas questões surge agora nas primeiras páginas. Confesso que a resolução do autor não era bem aquela que estava à espera. Ainda faltam alguns passos para ficarmos, finalmente, a conhecer o núcleo e a assistir a uma batalha (espero eu) nesse local de onde surgem tantos pesadelos.

Tal como acontece nos livros anteriores, a trama volta a ser contada através da visão de diferentes personagens e sempre na terceira pessoa. Desta forma, ficamos com uma visão mais ampla do que está a acontecer em diversos pontos deste universo. É possível perceber como cada lado pensa e quais os planos que tem. É interessante verificar que existem vários pontos de disputa, sendo o mais evidente a que existe entre humanos e nuclitas. Mas além disso, existem os conflitos entre povos de inspiração ocidental e os de inspiração oriental e ainda assistimos a estratégias de poder dentro de cada um destes grupos. Estas relações são muito complexas e justificam o tamanho do livro (mais de 700 páginas). E como se tal não bastasse, estas intrigas fazem com que dificilmente surjam momentos mais parados.

Os capítulos que mais me cativaram acabaram por ser os que estão relacionados com Leesha e Roger. Penso que tal aconteceu, além do conteúdo, pelo facto de se tratarem de personagens pelas quais nutro um grande carinho deste o início da saga. A empatia é imediata e isso levou-me a ficar sempre do lado deles. Queria que fossem felizes, mesmo que para tal tivesse de aceitar as mudanças de rumo que encontraram e os fizeram desviar daquilo que inicialmente esperava para ambos. Como tal, senti com maior intensidade o sofrimento pelo qual passaram. Peter V. Brett mostra que as guerras e as intrigas prejudicam até as figuras que julgávamos mais protegidas.

Porém, existem outras figuras que, apesar de não concordar com os seus ideais e de não desejar que sejam considerados vencedoras, que me atraem e que provam que o autor consegue criar personagens complexas. É o caso de Inevera, que me continua a surpreender, apesar de achar que merecia ter surgido mais vezes nesta obra. Também fiquei muito bem impressionada com a dicotomia criada entre os irmãos Jayan e Asome, sendo que um representa o guerreiro líder e o outro o estratega dissimulado. Apesar das diferenças, ambos causaram-me repulsa, apesar de um deles ainda ter conseguido manipular, ainda, a minha opinião sobre ele.

A visão de Ashia também me deixou entusiasmada, pois voltou a abordar a questão do papel das mulheres da Krasia e da sua luta por um papel mais útil na sociedade. Porém, também é verdade que existem outras personagens cuja perspectiva parece afastar-se da narrativa principal, o que faz pensar na sua relevância para a história e se não teria sido melhor o autor ter-se debruçado mais sobre questões mais centrais e que ficaram aquém das expetativas.

Curiosamente, Arlen e Jardir, os suspostos grandes heróis desta trama, os homens que pareciam disputar o título de "Libertador", não me entusiasmaram tanto quanto outras figuras. Pareceu-me que, neste livro, o autor deu-lhes um papel de reflexão e preparação, deixando adivinhar que grandes feitos estão a ser preparados para o derradeiro volume. Porém, não deixa de ser curioso perceber que estas das figuras, que nós, leitores, entendemos como humanas dotadas de uma percepção diferente e de uma coragem sem igual, são vistas pelas outras quase como divinas. Isso faz pensar sobre as origens das lendas e até dos mitos.

O Trono dos Crânios é uma leitura cujo início pode custar pois existem muitos nomes, figuras, locais e conceitos a recordar. Mas assim que a memória é avivada, torna-se difícil parar de ler. É impressionante pensar em como a história de um rapazinho se tornou nesta intriga tão densa e complexa. É verdade que ainda ficam muitas respostas por dar, e é ainda mais verdade que custa ficar conhecer o destino cruel que o autor reservou para algumas destas personagens, mas este não deixa de ser um livro intenso e que faz as delícias dos fãs que o autor já conquistou. Agora, é espera pelo quinto e último volume da saga e desejar que não demore tanto tempo a chegar às nossas mãos quanto este levou.

Outras opiniões a livros de Peter V. Brett:
A Guerra Diurna (Ciclo a Noite dos Demónios #3)
O Grande Bazar e Outras Histórias

segunda-feira, 15 de junho de 2015

Opinião: O Grande Bazar e Outras Histórias

Título Original: The Great Bazar and Other Stories (2010, 2012, 2014)
Autor: Peter V. Brett
Tradutor: Renato Correia
ISBN: 9789892331362
Editora: Asa/1001 Mundos (2015)

Sinopse:

Este livro reúne várias novelas do «Ciclo dos Demónios» que podem ser lidas como histórias independentes, mesmo por quem não conhece a obra de Peter V. Brett. Cada uma é a sua própria entrada para um mundo terrível em que os demónios deambulam pela noite, à caça de seres humanos. No entanto, para aqueles já familiarizados com o mundo do «Ciclo dos Demónios», estas novelas serão um mimo especial, pois acrescentam profundidade e textura ao universo da série. As duas primeiras, "O Ouro de Brayan" e "O Grande Bazar", têm lugar a meio dos acontecimentos de "O Homem Pintado", contando histórias sobre as aventuras de Mensageiro de Arlen Bales, antes de ele se tornar o Homem Pintado. "O Ouro de Brayan" fala da primeira viagem a solo de Arlen como Mensageiro, uma viagem perigosa em que ele leva explosivos para uma remota cidade mineira de montanha. "O Grande Bazar" foi escrito para preencher a lacuna entre "O Homem Pintado" e "A Lança do Deserto", dando uma nova perspetiva sobre a forma como Arlen encontrou a mítica Lança de Kaji. A terceira novela, "O Legado de Mensageiro", abrange uma década, apresentando algumas personagens conhecidas e introduzindo uma nova que irá desempenhar um papel central no livro 4 do «Ciclo dos Demónios»: "O Trono dos Crânios".

Opinião:

Sou fã do "Ciclo a Noite dos Demónios" e anseio a publicação em Portugal do quarto volume desta saga de Peter V. Brett. Mas tendo em conta que ainda falta para esse livro chegar, fico muito feliz por conseguir voltar a acompanhar Arlen e outras personagens deste mundo através de O Grande Bazar e outras Histórias. Este é um volume que reúne três novelas, duas cenas eliminadas, um dicionário de krasiano e um Compêndio de Guardas.

"O Ouro de Brayan" é a primeira novela. Nela acompanhamos Arlen quando este se iniciava na sua carreira de Mensageiro. Os valores morais do herói são postos à prova e comprovamos, ao mesmo tempo que este conhece novos locais e enfrenta outros perigos. É uma narrativa que reforça o valor de Arlen e que justifica a sua evolução e a razão de tantos homens poderosos o respeitarem.

A segunda novela é "O Grande Bazar" e relata acontecimentos que se passaram entre O Homem Pintado e A Lança do Deserto. É uma narrativa apelativa, pois volta a explorar os costumes da Krasia e é muito centrado numa figura que sempre me intrigou: Abban, o khaffit inteligente e trapaceiro. Ao mesmo tempo que apresenta uma curta mas perigosa aventura, incide ainda na ambição de Arlen de conhecer mais e de encontrar novas formas de enfrentar os nuclitas. Liga bem com os livros.

Fiquei completamente presa à terceira novela, "O Legado do Mensageiro". É uma trama bastante completa e dividida por capítulos. Nela, ficamos a conhecer uma personagem muito intrigante e que promete desempenhar um papel muito importante no próximo volume da saga. Trata-se de Briar, um rapaz sobre quem não quero escrever muito para não vos estragar a surpresa de o conhecer. Mas posso desde já revelar que quero muito voltar a encontrá-lo e ver o que ele ainda pode fazer. Nesta novela encontramos ainda figuras já conhecidas, com destaque para Ragen e Elissa, que formam um casal sólido e adorável.

Relativamente às cenas eliminadas, foi bom ficar a conhecer as palavras que deram origem a esta saga e percebe-se a razão para esta não surgir nos livros. Já a segunda disse-me muito mais, pois relata um acontecimento da vida de Leesha, uma das minhas personagens preferidas. Nestas páginas, o autor enaltece os valores morais desta curandeira. Já o dicionário krasiano e o Compêndio de Guardas  não me chamaram tanto a atenção, mas podem ser um bom guia de apoio durante a leitura do próximo volume.

O Grande Bazar e Outras Histórias permite regressar, nem que seja de forma breve, a um mundo que me cativou. Foi bom conhecer outras vertentes desta saga e conhecer o que mais se passa na cabeça do autor relativamente à sua obra. Houve páginas que me chamaram mais à atenção do que outras, como é natural, mas no final do livro senti que fiquei a conhecer melhor certas figuras e as suas motivações. Penso que é um livro que os fãs de Pter V. Brett não vão querer perder.

domingo, 27 de outubro de 2013

Opinião: A Guerra Diurna (Ciclo a Noite dos Demónios #3)

Título Original: The Daylight War (2013)
Autor: Peter V. Brett
Tradução: Renato Carreira
ISBN: 9789892324494
Editora: Asa (2013)

Sinopse:

Na noite da Lua Nova, os demónios erguem-se em força, procurando as mortes dos dois homens com potencial para se tornarem o lendário Libertador, o homem que, segundo a profecia, reunirá o que resta da humanidade num esforço derradeiro para destruir os nuclitas de uma vez por todas.
Arlen Fardos foi outrora um homem comum, mas tornou-se algo mais: o Homem Pintado, tatuado com guardas místicas tão poderosas que o colocam à altura de qualquer demónio. Arlen nega constantemente ser o Libertador, mas, quanto mais se esforça por se integrar com a gente comum, mais fervorosa se torna a crença destes. Muitos aceitariam segui-lo, mas o caminho de Arlen ameaça conduzir a um local sombrio a que apenas ele poderá deslocar-se e de onde poderá ser impossível regressar.
A única esperança de manter Arlen no mundo dos homens ou de o acompanhar reside em Renna Curtidor, uma jovem corajosa que arrisca perder-se no poder da magia demoníaca.
Ahmann Jardir transformou as tribos guerreiras do deserto de Krasia num exército destruidor de demónios e proclamou-se Shar’Dama Ka, o Libertador. Tem na sua posse armas ancestrais, uma lança e uma coroa, que consubstanciam a sua pretensão e vastas extensões das terras verdes se curvam já ao seu poderio.
Mas Jardir não subiu ao poder sozinho. A sua ascensão foi programada pela sua Primeira Esposa, Inevera, uma sacerdotisa ardilosa e poderosa cuja formidável magia de ossos de demónio lhe permite vislumbrar o futuro. Os motivos de Inevera e o seu passado encontram-se envoltos em mistério e nem Jardir confia nela por completo.
Outrora, Arlen e Jardir foram próximos como irmãos. Agora, tornaram-se os maiores rivais. Enquanto os inimigos da humanidade se erguem, os únicos dois homens capazes de os derrotarem encontram-se divididos pelos mais mortais de todos os demónios: aqueles que se escondem no coração humano.

Opinião:

Peter V. Brett prova que a espera de cerca de três anos por A Guerra Diurna valeu a pena. O terceiro volume do Ciclo a Noite dos Demónios mantém os ingredientes dos dois livros anteriores e ainda assim consegue surpreender.

Este livro começa com capítulos dedicados a uma das personagens mais misteriosas e intrigantes: Inevera. Esta figura tão forte passa então a ser observada de um novo ponto de vista, já que a sua infância e formação são exploradas de uma forma bastante cativante. É com interesse que se ficam a conhecer as suas relações familiares mas sobretudo os segredos da educação das Dama'ting. Os momentos dedicados ao treino de Inevera são completamente aliciantes e tornam a leitura compulsiva. É então possível conhecer as motivações desta mulher e, de certa forma, compreendê-la. Depois destes capítulos, Inevera revela-se uma personagem mais forte, já que não é contemplada em toda a sua plenitude.

Para além de ser possível ficar a conhecer mais profundamente Inevera e as circunstâncias que a levaram a desenvolver tal personalidade, é também descoberta uma nova vertente cultural e social da Krasia. A hierarquia desta sociedade fortemente inspirada na cultura islâmica continua a fascinar, nomeadamente nas evoluções apresentadas ao longo deste volume. É com interesse que se vê o desenvolvimento do papel da mulher como o de poucos homens pertencentes a uma casta mais baixa.

Neste volume, os momentos dedicados a Ahmann Jardir são mais escassos, mas suficientes. Em contrapartida, Arlen ganha uma certa relevância, nomeadamente devido às novas capacidades que desenvolve e à evolução da sua relação com Renna. E se o primeiro parece concentrado na formação de um domínio superior, o segundo está focado na libertação e salvação de populações. Dois objectivos distintos, mas que são apresentados por ambas as partes como necessários para o combate contra os nuclitas. É interessante ver como figuras preponderantes de culturas que chocam apresentam soluções díspares para solucionar o mesmo problema.

Leesha toma uma série de decisões que podem desagradar, apesar de continuar a ser uma das personagens mais amadas. Por isso mesmo, é com solidariedade que se assiste à sua dor em certas circunstâncias e, a certo momento, percebe-se que o papel desta personagem poderá ganhar uma relevância diferente daquela que teve até ao momento. Roger, por seu lado, acaba por se encontrar uma situação que proporciona momentos que tanto são de divertidos como de tensão. O violinista fica no centro de um verdadeiro choque de culturas, o que salienta as diferenças entre as sociedades criadas por Peter V. Brett e levam a inevitáveis comparações entre os confrontos entre cristãos e muçulmanos durante a Idade Média.

A Guerra Diurna apresenta ainda os primeiros capítulos dedicados aos demónios do Núcleo. Finalmente é possível ficar a conhecer os pensamentos de alguns destes seres que durante dois volumes foram apresentados como donos de um instinto puramente animal. Afinal, os nuclitas também são dotados de razão e é possível ficar a perceber que também vivem numa sociedade hierarquizada, semelhante a uma monarquia. A curiosidade sobre estes seres aumenta à medida que os seus planos são levemente divulgados e fica a vontade de conhecer melhor o mundo em que habitam.

Os combates apresentados são bastante intensos e o confronto directo com príncipes nuclitas resulta no momento alto destes momentos de ação. Porém, o confronto mais entusiasmante ficou guardado para o fim e o seu desfecho faz ansiar pela chegada rápida do próximo volume desta saga. Peter V. Brett soube como deixar os seus leitores surpreendidos e ao mesmo tempo frustrados por não poderem continuar a acompanhar as aventuras destas personagens tão cativantes.

Apesar do seu grande volume, A Guerra Diurna é um livro que é devorado com avidez graças a personagens bem construídas e credíveis e a um enredo aliciante. Um volume que não defrauda os anteriores e que explora um mundo que consegue continuar a surpreender. Fica a vontade de perceber que mais estará Peter V. Brett a tramar. Recomendo.

Nota: Esta série terá cinco volumes. O quarto, The Skull Throne, tem publicação prevista para 2015. The Core deverá ser o título do livro que encerra esta história, não tendo ainda data de previsão de publicação.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Comprar o livro pela capa 18: O Homem Pintado

Hoje, na rubrica "Comprar o livro pela capa", apresento-vos um livro que adquiri por causa... da capa! Estou a falar de O Homem Pintado, de Peter V. Brett, publicado em Portugal na Colecção 1001 Mundos.

A primeira imagem que o livro apresentou apresenta um homem voltado de costas e coberto de runas, num cenário bélico. Confesso que esta capa não me cativava nem um pouco. Achava que a figura humana não estava bem conseguida e as runas pareciam-me demasiado falsas e feitas a computador. Numa altura em que não via grandes opiniões ao livro, acabei por me sentir reticente em comprá-lo. Enfim...manias!


A segunda capa foi aquela que me levou a comprar o livro. Apresentada na mesma altura em que chegou ao nosso mercado o segundo volume da saga (A Lança do Deserto), volta a ter em primeiro plano o protagonista da trama, mas desta vez, virado de frente e com um ar muito misterioso. As runas que lhe cobrem a pele estão mais discretas, mas parecem-me mais credíveis e os tons quentes da imagem remetem para o desafio e para uma batalha.

Desta vez disse-vos, claramente, qual a capa que me levaria a comprar o livro, pois isso aconteceu-me, efectivamente. E quanto a vocês? Qual acham ser a mais atrativa?