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quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Opinião: O Mago – A Serva do Império (Saga do Império #2)

Título Original: Servant of the Empire (1990)
Autor: Raymond E. Feist e Janny Wurts
Tradução: José Remelhe e Rui Azevedo
ISBN: 9789896375560
Editora: Saída de Emergência (2013)

Sinopse:

Ninguém conhece os meandros do Jogo do Conselho melhor do que Mara dos Acoma. Através de sangrentas manobras políticas, ela tornou-se uma poderosa força no Império; porém, rodeada de mortíferos rivais, se Mara quiser sobreviver, tem de ser a melhor. Como se isso não bastasse, Mara tem de combater batalhas em duas frentes: no viveiro de intriga e traição que é a corte dos Tsurani, e no seu coração, onde a paixão por um escravo bárbaro do mundo inimigo de Midkemia a leva a questionar os princípios que regem a sua vida. A Serva do Império é o segundo volume da magnífica saga épica de Feist e Wurts - uma das colaborações mais bem-sucedidas de todos os tempos no estilo fantástico.

Opinião:


Em O Mago – A Serva do Império, Raumond E. Feist e Janny Wurts seguem as aventuras de Mara dos Acoma. Depois de o leitor ter visto esta personagem passar da juventude para a maturidade e de ter ficado surpreendido pelas suas tácitas governativas em O Mago – A Filha do Império, chega agora a vez de confirmar a inteligência desta governante e de provar que os acontecimentos passados não foram fruto do acasso.

Mais uma vez, Mara tem de lutar pela sua sobrevivência e pela honra da sua família. Os acontecimentos passados aumentaram-lhe o número de inimigos, homens poderosos que deixaram de a ver como uma jovem incapaz e que agora guardam um ódio crescente à senhora do Acoma. Neste campo, surgem mais estratagemas, desta vez sendo possível observar as preparações dos dois lados, o que deixa antever diversas possibilidades e ainda fazer crescer um sentimento de temor no leitor.

Para tornar tudo ainda mais difícil, Mara vê-se ainda perante uma situação que a faz colocar em causa muitos dos princípios pelos quais sempre se regeu. Encantada por um escravo, irá finalmente descobrir a dimensão da sua sexualidade ao mesmo tempo que se sente incomodada por novas questões que chocam contra tudo o que crê. Neste campo, é com curiosidade que se assiste a um verdadeiro confronto de culturas. Kevin é o agente que provoca esta interessante reflexão. Escravo com um passado de maior relevância do que faz querer parecer e proveniente numa cultura baseada no ocidente medieval, ele vai questionar alguns dos mais importantes pilares desta sociedade inspirada na cultura oriental.

Se no volume anterior os autores encantaram com uma intriga surpreendente repleta de reviravoltas, agora apostam mais no conflito interno das personagens mais relevantes. A influência de Kevin, apesar de conscientemente negada, acaba por afetar importantes decisões e dar à narrativa um rumo mais próximo de valores com os quais o leitor sente maior ligação.

As circunstâncias em que Mara se encontra fazem com que evolua num novo sentido. É com curiosidade que vemos o seu lado mais humano a ser revelado em circunstâncias mais públicas, quando anteriormente escolhia usar uma máscara política. Apesar de Kevin ser uma novidade, a verdade é que também se torna numa das figuras mais cativantes. Isto pode acontecer pela sua diferença cultural e pelas suas atitudes menos controladas.

Apesar de ser uma obra de grande valor, existem momentos mais complexos ou enfadonhos que podem causar alguma confusão ou ainda aborrecimento. Saliento as discussões táticas e as notícias sobre avanços de inimigos. A parecença entre alguns nomes ajuda nesta estranheza que surge em diversas situações. A narrativa termina ainda com um erro que pode baralhar os mais distraídos, já que a última página surge com a mensagem de que a trama “Continua no segundo volume”, quando este, na verdade é o segundo volume.

Os acontecimentos finais são entusiasmantes e apresentam pormenores deliciosos, deixando adivinhar que o terceiro volume da Saga do Império não irá desiludir. A Serva do Império é, assim, um livro que vai prender os leitores que ficaram cativados com o mundo e as intrigas de Kelewan.


Outras opiniões a livros de Raymond E. Feist e Janny Wurts:
O Mago - A Filha do Império (Saga do Império #1)

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Opinião: O Mago – A Filha do Império (Saga do Império #1)

Título Original: Daughter of the Empire (1987)
Autor: Raymond E. Feist e Janny Wurts
Tradução: José Remelhe e Rui Azevedo
ISBN: 9789896374945
Editora: Saída de Emergência (2013)

Sinopse:

Mara era apenas o membro mais novo de uma família nobre. Nunca esperou que a súbita e chocante morte do irmão e do pai pudessem trazer-lhe tamanha responsabilidade. Apesar do seu sofrimento, cabe-lhe a tarefa de vestir os mantos da liderança e enfrentar as dificuldades. Mas embora inexperiente na arte política, Mara terá de recorrer a toda a sua força e coragem, inteligência e astúcia, para sobreviver no Jogo do Conselho, recuperar a honra da Casa dos Acoma e assegurar o futuro da sua família. Rapidamente se apercebe de que a traição e os inimigos da família quase levaram a sua Casa à aniquilação completa. Todas as esperanças estão depositadas numa única mulher: uma rapariga que terá de crescer rapidamente e aprender um jogo perigoso, onde não há tempo para errar…

Opinião:

O Mago – A Filha do Império é o primeiro volume da saga do Império de autoria de Raymond E. Feist e Janny Wurts.

Mara é a protagonista desta trama. Jovem nobre que cresceu afastada dos assuntos políticos, torna-se subitamente responsável por governar a Casa dos Acoma quando o pai e o irmão morrem. Apesar de viver esta mudança de vida com grande sofrimento, Mara está disposta a tudo para vingar a morte da sua família e recuperar a honra da sua Casa, mas essa não é uma tarefa fácil para uma jovem mulher num mundo dominado por homens.

É com estranheza e até alguma lentidão que o leitor entra no mundo de Kelewan. Este é um universo completamente novo e com inúmeras influências do oriente medieval. Contudo, quando finalmente estes novos conceitos e ideias são apreendidos, inicia-se uma leitura frenética e repleta de surpresas.

Mara é uma protagonista cativante e dotada das características necessárias para fazer girar uma trama em seu torno. Apesar da sua tenra idade, possui uma atitude de líder que, aliada aos seus estratagemas inteligentes, conquista a lealdade de aliados preciosos.

Os planos que são criados cativam a leitura, pois mudam por completo o rumo dos acontecimentos e alteram constantemente a forma de o leitor ver a narrativa. Mara coloca-se inúmeras vezes em risco, e é essa entrega que faz com que tudo aconteça de forma mais intensa e imprevisível.

Existem certas circunstâncias que, inicialmente, podem custar ao leitor entender, nomeadamente quando a protagonista parece entregar-se a relações abusivas, mas a finalidade de tal, quando desvendada, causa espanto e admiração.

É curioso ver as diferentes visões que o leitor possui desta protagonista. A sua complexidade faz com que seja observada de diferentes modos pelas personagens, sendo-lhe atribuídas as características de inteligente, estratega, honrosa e manipuladora consoante os casos, mas quando Mara é observada com maior intimidade, revela-se uma pessoa magoada, sofredora, altruísta e bondosa.

Apesar de a trama ser passada num mundo ficcional, os elementos fantásticos são escassos, surgindo mais na apresentação dos Cho-ja, uma espécie nova inspirada nas abelhas e no surgimento fugaz de magos, em referência a tramas anteriores de Feist.

A colaboração entre Feist e Wurts revelou-se uma boa surpresa, repleta de intrigas e personagens equilibradas. Uma série que vai agradar os fãs de George R. R. Martin, Robin Hobb e Patrick Rothfuss.