Título Original: The Copper Gauntlet (2015)
Autor: Holly Black e Cassandra Clare
Tradução: Catarina F. Almeida
ISBN: 9789896577100
Editora: Planeta (2015)
Sinopse:
As férias de Verão de Callum Hunt não são como as dos outros miúdos. O companheiro de todos os dias é Ruína, um lobo Refém do Caos. O pai desconfia que ele é secretamente mau. A vida não é fácil para Call... e torna-se ainda mais difícil no dia em que decide ir à cave de casa e descobre que o pai poderá estar a tentar destruí-lo a ele e a Ruína.
Opinião:
Se A Prova do Ferro apresentou um mundo novo que me conseguiu cativar, A Manopla de Cobre prova que esta é uma saga que tem muito por onde crescer e que promete continuar a surpreender. É verdade que se tratam de livros destinados a um público mais jovem, mas a intriga, as reviravoltas, as personagens e a magia não vão deixar os leitores mais experientes indiferentes.
Holly Black e Cassandra Clare, as autoras, voltam a provar que trabalham bem em conjunto. Enquanto no primeiro volume se percebia que iria acontecer uma batalha entre o bem e o mal, agora estes conceitos não estão tão bem definidos. Revelações levam Call, o protagonista, a questionar a sua verdadeira natureza e o papel que poderá ter no desenrolar dos acontecimentos. Assiste-se a uma sucessão de dilemas morais sobre a natureza humana e verdadeira força da amizade, o que nos permite perceber que os jovens que conhecemos em A Prova do Ferro estão a crescer.
Call está diferente. Felizmente já não parece um menino que tenta marcar a sua posição através de atitudes irritantes. Agora, ele sente afeição por outros e, ao mesmo tempo, teme que os possa prejudicar ainda que involuntariamente. Isto permite perceber que ele é uma personagem mais complexa do que se previa ao início e que está em evolução. Neste volume, o foco está totalmente voltado para ele e, apesar de nem sempre concordar com algumas das suas escolhas, confesso que gostei de o acompanhar.
Tamara e Aaron, os amigos de Call, também estão de regresso. Apesar de serem uma presença constante ao longo do livro, eles parecem menos relevantes, talvez devido às dúvidas que assombram o protagonista e que nos fazem querer estar mais perto dele. Como tal, não é possível verificar alterações tão fortes neles como aconteceu com o nosso herói. Contudo, fiquei muito satisfeita com a exploração de uma outra personagem, pois mostrou-nos quem as pessoas nem sempre são o que aparentam e que, às vezes, mascaram as suas fraquezas e angústias com uma capa de arrogância e altivez.
Os elementos do passado voltam a ser bastante relevantes para a trama. Gostei disso, pois aprecio quando uma história tem uma base forte e que justifica o que está a acontecer. Porém, também achei que existem alguns elementos que carecem de maior explicação, já que parecem não ligar bem. Mas apesar de tudo, não deixa de ser interessante perceber as consequências de um determinado evento.
Os elementos relacionados à magia voltam a ser uma aposta forte. Acho interessante a ideia de a magia estar ligada a forças que são naturais e de que cada lado desta arte encontra um oposto. Os nossos heróis evoluíram nesta prática, mas não se percebe bem como, já que a parte da escola e das aulas foi largada para um plano secundário. Como tal, senti falta da parte de evolução académica, algo que deveria ser um ponto mais explorado.
O final de A Manopla de Cobre está bem conseguido. Deixa vontade de continuar a ler a saga, mostra que certas atitudes podem esconder a vontade de praticar um bem maior e que somos nós quem escolhemos e definimos o nosso destino. Além disso, percebe-se que a amizade pode ser encontrada onde menos se espera. É um livro com falhas, sim, mas é uma livros que diverte, nos leva para um outro mundo e nos faz sonhar com algo maior ao mesmo tempo que nos mostra que o poder de fazer a mudança está em nós.
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domingo, 3 de janeiro de 2016
domingo, 23 de novembro de 2014
Opinião: Gata Branca (The Curse Workers #1)
Título Original: White Cat - The Curse Workers (2011)
Autor: Holly Black
Tradução: Marta Mendonça
ISBN: 9789722354158
Editora: Editorial Presença (2014)
Sinopse:
Cassel Sharpe é um jovem de dezassete anos que deseja ter uma vida normal. Mas quando se nasce numa família com uma forte tradição em manipulação de maldições a normalidade não é algo fácil de alcançar. Cassel vive ensombrado pela ameaça de, a qualquer momento, os poderes maléficos que correm na sua família se manifestarem também em si. Por diversas vezes, a sua vida é posta em risco quando, em sucessivos episódios de sonambulismo, passeia pelos telhados do colégio interno que frequenta. De volta a casa, torna-se cada vez mais claro para Cassel que um tenebroso segredo familiar ameaça destruí-lo. Desejoso de perceber quem realmente é, o jovem inicia uma cruzada de autodescoberta que o leva a enfrentar perigos cada vez maiores.
Holly Black traz-nos uma narrativa fascinante que abre um novo capítulo neste género literário, o thriller noire.
Opinião:
Repleto de intriga, mistério, maldições e muitas emoções, Gata Branca é um livro destinado a um público jovem mas que também faz as delícias dos leitores mais adultos. Uma leitura que ao início pode causar alguma estranheza, mas que aos poucos e poucos vai tornando a leitura viciante. As personagens cativam, a acção é rápida, as relações surpreendem e o conceito de manipuladores vai-se entranhando.
Cassel Sharpe é o protagonista desta história criada por Holly Black. Ao início, ele não me pareceu uma figura fácil de entender. Mais tarde percebi que isso se deve ao facto de ser uma personagem bem estruturada e dotada de diferentes dimensões. Nas primeiras páginas, é fácil perceber que ele é um rapaz dotado de sentido de humor, que não confia facilmente nos outros, que é adepto da mentira e da manipulação. Só ao conhecer a sua história percebemos as razões de ele assim ser e surge então empatia por esta figura. Com o decorrer da narrativa, vemos que ele possui valores nobres, o que o tornam num trapaceiro de quem é fácil gostar. Os seus desejos, angústias e necessidade de pertencer a um grupo tornam esta personagem em alguém que acreditamos ser real.
A família de Cassel está longe de ter um modelo convencional. Faz lembras as famílias que servem grandes senhores da máfia, uma vez que existe um estranho sentido de lealdade e devoção que leva os seus membros a praticar crimes hediondos. A mãe de Cassel surge poucas vezes, mas confesso que me não me provoca qualquer simpatia. Sugere ser alguém egoísta e que não entende os filhos, o que acaba por justificar muito do que acontece nestas páginas. Os irmãos de Cassel, são muito relevantes para a narrativa. É curioso ver como os sentimentos do protagonista relativamente aos dois irmãos vão sendo alterados conforme a história avança, ficando presente que o amadurecimento nos leva a ver certas atitudes de forma diferente. Já o avô de Cassel foi o membro de quem mais gostei. Um senhor com um humor retorcido, muito rezingão mas também perspicaz.
A gata que dá o título ao livro é um dos elementos mais enigmáticos da narrativa. Está sempre presente, e ao início não é fácil entender qual é a sua finalidade. Contudo, a um certo momento, conseguimos perceber sozinhos o papel desta figura, muito antes do protagonista. A partir daí, queremos ver o mistério exposto, queremos conhecer melhor esta personagem que se torna num ponto central de toda a história.
A trama em si parece estar dividida em duas partes distintas. Na primeira, é feita a apresentação. Nesta fase, tudo parece surgir de uma forma lenta e não é fácil entender o caminho que a autora pretende seguir. Cassel não cativa de imediato pois parece estar limitado pelo espaço onde se encontra. Contudo, existem alguns mistérios que intrigam e impelem a continuar. A segunda fase surge quando Cassel começa uma investigação intensa e que lhe dá resultados inesperados. É verdade que a partir do momento em que recebemos certas informações conseguimos depressa perceber o que vai acontecer, mas existem um entusiasmo crescente em acompanhar o protagonista, pois é aqui que ele começa a cativar e a marcar a diferença. O ritmo da leitura acelera e torna-se difícil largar o livro.
Este volume é muito focado no acompanhar de Cassel por situações reveladoras e de grande perigo, contudo, a autora, de forma subtil, acaba por apresentar um mundo muito cativante que gostaria de ter visto mais desenvolvido. É fácil perceber a divisão que existe na sociedade, o medo dos manipuladores, as propostas políticas de controlo, os grupos que não aceitam a diferença e aquelas que acreditam na coexistência pacifica. Deste modo, Black tenta dar a entender que pensou bem no cenário desta trama, e que existem factores externos a Cassel que ainda poderão atravessar-se no seu caminho.
Relativamente ao conceito de manipuladores, achei curioso o facto de estes estarem associados a maldições. Isto faz com que, inevitavelmente, eles sejam vistos com uma conexão negativa, afinal, as maldições usam o outro em benefício próprio, causando dor e sofrimento. Ao longo da leitura, pensei se estes "dons mágicos" estão associados a maldições devido à própria natureza humana. O poder faz com que seja usado para se conseguir algo que se deseja, sem medir as consequências. Caso a natureza humana for altruísta e bondosa, serão as maldições vistas como dons úteis para todos? Penso que este é um tema que a autora tentou, neste livro, expor de uma forma bastante subtil e que será desenvolvido no próximo. Uma ideia muito curiosa, que dá que pensar e que torna este livro mais profundo do que pode aparentar.
Gata Branca fez-me sentir estar dentro de uma história passada no seio da máfia mas repleta de elementos mágicos. Apresenta uma história cheia de mistérios e acontecimentos interessantes, mas também explora um protagonista complexo que dificilmente será esquecido. Aconselho a leitura deste livro e espero, sinceramente, continuar a acompanhar esta coleção de manipuladores de maldições criada por Holly Black.
Para mais informações sobre o livro Gata Branca, clique aqui.
Está em sorteio um exemplar deste livro aqui. Participem!
Autor: Holly Black
Tradução: Marta Mendonça
ISBN: 9789722354158
Editora: Editorial Presença (2014)
Sinopse:
Cassel Sharpe é um jovem de dezassete anos que deseja ter uma vida normal. Mas quando se nasce numa família com uma forte tradição em manipulação de maldições a normalidade não é algo fácil de alcançar. Cassel vive ensombrado pela ameaça de, a qualquer momento, os poderes maléficos que correm na sua família se manifestarem também em si. Por diversas vezes, a sua vida é posta em risco quando, em sucessivos episódios de sonambulismo, passeia pelos telhados do colégio interno que frequenta. De volta a casa, torna-se cada vez mais claro para Cassel que um tenebroso segredo familiar ameaça destruí-lo. Desejoso de perceber quem realmente é, o jovem inicia uma cruzada de autodescoberta que o leva a enfrentar perigos cada vez maiores.
Holly Black traz-nos uma narrativa fascinante que abre um novo capítulo neste género literário, o thriller noire.
Opinião:
Repleto de intriga, mistério, maldições e muitas emoções, Gata Branca é um livro destinado a um público jovem mas que também faz as delícias dos leitores mais adultos. Uma leitura que ao início pode causar alguma estranheza, mas que aos poucos e poucos vai tornando a leitura viciante. As personagens cativam, a acção é rápida, as relações surpreendem e o conceito de manipuladores vai-se entranhando.
Cassel Sharpe é o protagonista desta história criada por Holly Black. Ao início, ele não me pareceu uma figura fácil de entender. Mais tarde percebi que isso se deve ao facto de ser uma personagem bem estruturada e dotada de diferentes dimensões. Nas primeiras páginas, é fácil perceber que ele é um rapaz dotado de sentido de humor, que não confia facilmente nos outros, que é adepto da mentira e da manipulação. Só ao conhecer a sua história percebemos as razões de ele assim ser e surge então empatia por esta figura. Com o decorrer da narrativa, vemos que ele possui valores nobres, o que o tornam num trapaceiro de quem é fácil gostar. Os seus desejos, angústias e necessidade de pertencer a um grupo tornam esta personagem em alguém que acreditamos ser real.
A família de Cassel está longe de ter um modelo convencional. Faz lembras as famílias que servem grandes senhores da máfia, uma vez que existe um estranho sentido de lealdade e devoção que leva os seus membros a praticar crimes hediondos. A mãe de Cassel surge poucas vezes, mas confesso que me não me provoca qualquer simpatia. Sugere ser alguém egoísta e que não entende os filhos, o que acaba por justificar muito do que acontece nestas páginas. Os irmãos de Cassel, são muito relevantes para a narrativa. É curioso ver como os sentimentos do protagonista relativamente aos dois irmãos vão sendo alterados conforme a história avança, ficando presente que o amadurecimento nos leva a ver certas atitudes de forma diferente. Já o avô de Cassel foi o membro de quem mais gostei. Um senhor com um humor retorcido, muito rezingão mas também perspicaz.
A gata que dá o título ao livro é um dos elementos mais enigmáticos da narrativa. Está sempre presente, e ao início não é fácil entender qual é a sua finalidade. Contudo, a um certo momento, conseguimos perceber sozinhos o papel desta figura, muito antes do protagonista. A partir daí, queremos ver o mistério exposto, queremos conhecer melhor esta personagem que se torna num ponto central de toda a história.
A trama em si parece estar dividida em duas partes distintas. Na primeira, é feita a apresentação. Nesta fase, tudo parece surgir de uma forma lenta e não é fácil entender o caminho que a autora pretende seguir. Cassel não cativa de imediato pois parece estar limitado pelo espaço onde se encontra. Contudo, existem alguns mistérios que intrigam e impelem a continuar. A segunda fase surge quando Cassel começa uma investigação intensa e que lhe dá resultados inesperados. É verdade que a partir do momento em que recebemos certas informações conseguimos depressa perceber o que vai acontecer, mas existem um entusiasmo crescente em acompanhar o protagonista, pois é aqui que ele começa a cativar e a marcar a diferença. O ritmo da leitura acelera e torna-se difícil largar o livro.
Este volume é muito focado no acompanhar de Cassel por situações reveladoras e de grande perigo, contudo, a autora, de forma subtil, acaba por apresentar um mundo muito cativante que gostaria de ter visto mais desenvolvido. É fácil perceber a divisão que existe na sociedade, o medo dos manipuladores, as propostas políticas de controlo, os grupos que não aceitam a diferença e aquelas que acreditam na coexistência pacifica. Deste modo, Black tenta dar a entender que pensou bem no cenário desta trama, e que existem factores externos a Cassel que ainda poderão atravessar-se no seu caminho.
Relativamente ao conceito de manipuladores, achei curioso o facto de estes estarem associados a maldições. Isto faz com que, inevitavelmente, eles sejam vistos com uma conexão negativa, afinal, as maldições usam o outro em benefício próprio, causando dor e sofrimento. Ao longo da leitura, pensei se estes "dons mágicos" estão associados a maldições devido à própria natureza humana. O poder faz com que seja usado para se conseguir algo que se deseja, sem medir as consequências. Caso a natureza humana for altruísta e bondosa, serão as maldições vistas como dons úteis para todos? Penso que este é um tema que a autora tentou, neste livro, expor de uma forma bastante subtil e que será desenvolvido no próximo. Uma ideia muito curiosa, que dá que pensar e que torna este livro mais profundo do que pode aparentar.
Gata Branca fez-me sentir estar dentro de uma história passada no seio da máfia mas repleta de elementos mágicos. Apresenta uma história cheia de mistérios e acontecimentos interessantes, mas também explora um protagonista complexo que dificilmente será esquecido. Aconselho a leitura deste livro e espero, sinceramente, continuar a acompanhar esta coleção de manipuladores de maldições criada por Holly Black.
Para mais informações sobre o livro Gata Branca, clique aqui.
Está em sorteio um exemplar deste livro aqui. Participem!
quarta-feira, 12 de novembro de 2014
Opinião: A Prova do Ferro (Magisterium #1)
Título Original: The Iron Trial (2014)
Autor: Holly Black e Cassandra Clare
Tradução: Catarina F. Almeida
ISBN: 9789896575601
Editora: Planeta (2014)
Sinopse:
Primeiro livro da saga Magisterium com 5 volumes .
A maior parte dos miúdos faria qualquer coisa para passar na Prova do Ferro. Mas não Callum Hunt.
O pai ensinou-o a desconfiar da magia e explicou-lhe que o Magisterium, a escola onde os aprendizes de Magos são treinados, é uma armadilha fatal. Callum tenta fazer o seu melhor para ser o pior de todos os candidatos - mas não consegue falhar. Superada a Prova do Ferro, não lhe resta outra opção, senão entrar para o primeiro de cinco anos de aprendizagem no Magisterium.
A Prova do Ferro foi apenas o início, porque o verdadeiro teste ainda está para vir…
Opinião:
A Prova do Ferro é o primeiro volume de "Magisterium", uma saga criada por Holly Black e Cassandra Clare. Comecei a leitura com curiosidade, já que estas duas autoras criaram mundos muito distintos mas marcantes para o género fantástico através de "As Crónicas de Spiderwick" e "Caçadores de Sombras", respectivamente. Já estava alertada para o facto de se tratar de uma leitura destinada a um público jovem, por isso as minhas expectativas eram entrar um novo e emocionante mundo, conhecer personagens marcantes e saber o resultado do trabalho conjunto destas duas autoras.
O livro inicia com um momento que remete para um acontecimento passado bastante relevante. Logo ali percebemos que vamos assistir a uma luta entre o bem e o mal e também é facilmente entendido que a personagem principal, Callum Hunt, desta obra encerra em si um grande mistério. Confesso que não gostei de Callum ou Call imediatamente. Numa fase primária, pareceu-me um rapaz que tenta mascarar as suas fraquezas através de uma atitude irritante. Só com o avançar da narrativa é que me comecei a sentir mais ligada a ele, mas isso deve-se ao facto de se ter operado uma transformação no protagonista. Ele acabou por tornar-se mais sincero consigo próprio, independente e aberto aos outros (apesar de ainda não se revelar plenamente). Percebo que nesta fase ele é apenas um menino de 12 anos e estou muito curiosa para saber como ele vai continuar a desenvolver-se.
Achei curioso o facto de este livro ter leque diversificado de personagens. Todas elas são dotadas de personalidades bem definidas, o que nos leva a continuar a leitura mesmo quando o protagonista não consegue estabelecer grande ligação. Tamara e Aaron são os colegas mais próximos de Call e apesar de não terem personalidades surpreendentes, a verdade é que me faziam desejar saber mais sobre eles. Era evidente que cada um tinha um passado marcante e foi isso que quis descobrir desde que foram apresentados. Existem ainda outros alunos que parecem mais do que aquilo que aparentam, nomeadamente Celia, Jasper e Drew.
Os professores não me impressionaram. Eram demasiado semelhantes em termos de personalidade, e muito fechados, o que fazia com que fosse difícil distingui-los quando os seus nomes não eram mencionados. Rufus, o mentor de Call fazia-me lembrar um sábio que parece distante mas que vai acabar por revelar-se um aliado importante. O pai de Call é uma outra figura que me intriga. Percebe-se que ele passou por uma grande provação e que está afectado desde então. Resta saber até que ponto ele tem razão e estou ansiosa por descobrir isso.
Tal como seria esperado, este é um livro repleto de elementos relacionados à magia. Os elementos são a inspiração, o que faz com que cada prática e cada ser esteja ligado a um deles. Este é um bom conceito, e gostei da oposição entre alma e caos, contudo, nem sempre me senti convencida. Existem algumas práticas que fortalecem as capacidades mágicas que não consegui aceitar bem e acho que muitos aspectos não foram bem expostos, especialmente no que toca às consequências dos usos abusivos.
O desenrolar da narrativa não guarda grandes surpresas. É possível perceber o caminho que as autoras querem traçar o que querem obter através dele. O encadeamanto de acontecimentos acaba então por ser previsível, o que pode levar a alguns momentos mais aborrecidos. Felizmente o final conseguiu mostrar-se ligeiramente diferente do que o que seria esperado.
Ao longo da leitura, cresceu em mim uma suspeita quanto a uma grande revelação. Não vos vou dizer sobre o que era, pois não quero desvendar nada ou condicionar a vossa experiência de leitura. Tudo parecia apontar para isso, apesar de as autoras apresentarem o tema como um grande mistério. Isso fez com que eu ficasse desanimada, afinal era tudo muito óbvio. Contudo, quando chega finalmente o momento de fazer essa tal revelação, sou surpreendida. As autoras conseguiram-me enganar muito bem e eu adorei isso. Fiquei muito feliz por ver as minhas ideias refutadas e por ter surgido algo inesperado que dá uma nova visão a este mundo.
Este é um livro que apresenta um novo mundo que ao início pode causar incertezas, mas que depois acaba por cativar. Gostei da escola subterrânea, gosto das muitas dúvidas que surgem quanto às motivações de diversos lados e gosto dos valores da amizade, coragem e altruísmo que as autoras pretendem transmitir. Contudo, foi-me impossível não estar sempre a recordar a saga "Harry Potter", de J. K. Rowling. Sei que tanto Black como Clare são fãs do feiticeiro da cicatriz em forma de relâmpago, mas tal não as desligou totalmente dessa história. Penso que só nos próximos livros é que vamos assistir ao distanciamento.
Este é o início de uma saga que promete melhorar a cada livro. A Prova do Ferro apresentou algumas falhas mas também muito potencial. Quero continuar a acompanhar as aventuras que acontecem em Magisterium e desejo ver estas personagens a amadurecerem. Este é um mundo que tem muito mais para dar.
Autor: Holly Black e Cassandra Clare
Tradução: Catarina F. Almeida
ISBN: 9789896575601
Editora: Planeta (2014)
Sinopse:
Primeiro livro da saga Magisterium com 5 volumes .
A maior parte dos miúdos faria qualquer coisa para passar na Prova do Ferro. Mas não Callum Hunt.
O pai ensinou-o a desconfiar da magia e explicou-lhe que o Magisterium, a escola onde os aprendizes de Magos são treinados, é uma armadilha fatal. Callum tenta fazer o seu melhor para ser o pior de todos os candidatos - mas não consegue falhar. Superada a Prova do Ferro, não lhe resta outra opção, senão entrar para o primeiro de cinco anos de aprendizagem no Magisterium.
A Prova do Ferro foi apenas o início, porque o verdadeiro teste ainda está para vir…
Opinião:
A Prova do Ferro é o primeiro volume de "Magisterium", uma saga criada por Holly Black e Cassandra Clare. Comecei a leitura com curiosidade, já que estas duas autoras criaram mundos muito distintos mas marcantes para o género fantástico através de "As Crónicas de Spiderwick" e "Caçadores de Sombras", respectivamente. Já estava alertada para o facto de se tratar de uma leitura destinada a um público jovem, por isso as minhas expectativas eram entrar um novo e emocionante mundo, conhecer personagens marcantes e saber o resultado do trabalho conjunto destas duas autoras.
O livro inicia com um momento que remete para um acontecimento passado bastante relevante. Logo ali percebemos que vamos assistir a uma luta entre o bem e o mal e também é facilmente entendido que a personagem principal, Callum Hunt, desta obra encerra em si um grande mistério. Confesso que não gostei de Callum ou Call imediatamente. Numa fase primária, pareceu-me um rapaz que tenta mascarar as suas fraquezas através de uma atitude irritante. Só com o avançar da narrativa é que me comecei a sentir mais ligada a ele, mas isso deve-se ao facto de se ter operado uma transformação no protagonista. Ele acabou por tornar-se mais sincero consigo próprio, independente e aberto aos outros (apesar de ainda não se revelar plenamente). Percebo que nesta fase ele é apenas um menino de 12 anos e estou muito curiosa para saber como ele vai continuar a desenvolver-se.
Achei curioso o facto de este livro ter leque diversificado de personagens. Todas elas são dotadas de personalidades bem definidas, o que nos leva a continuar a leitura mesmo quando o protagonista não consegue estabelecer grande ligação. Tamara e Aaron são os colegas mais próximos de Call e apesar de não terem personalidades surpreendentes, a verdade é que me faziam desejar saber mais sobre eles. Era evidente que cada um tinha um passado marcante e foi isso que quis descobrir desde que foram apresentados. Existem ainda outros alunos que parecem mais do que aquilo que aparentam, nomeadamente Celia, Jasper e Drew.
Os professores não me impressionaram. Eram demasiado semelhantes em termos de personalidade, e muito fechados, o que fazia com que fosse difícil distingui-los quando os seus nomes não eram mencionados. Rufus, o mentor de Call fazia-me lembrar um sábio que parece distante mas que vai acabar por revelar-se um aliado importante. O pai de Call é uma outra figura que me intriga. Percebe-se que ele passou por uma grande provação e que está afectado desde então. Resta saber até que ponto ele tem razão e estou ansiosa por descobrir isso.
Tal como seria esperado, este é um livro repleto de elementos relacionados à magia. Os elementos são a inspiração, o que faz com que cada prática e cada ser esteja ligado a um deles. Este é um bom conceito, e gostei da oposição entre alma e caos, contudo, nem sempre me senti convencida. Existem algumas práticas que fortalecem as capacidades mágicas que não consegui aceitar bem e acho que muitos aspectos não foram bem expostos, especialmente no que toca às consequências dos usos abusivos.
O desenrolar da narrativa não guarda grandes surpresas. É possível perceber o caminho que as autoras querem traçar o que querem obter através dele. O encadeamanto de acontecimentos acaba então por ser previsível, o que pode levar a alguns momentos mais aborrecidos. Felizmente o final conseguiu mostrar-se ligeiramente diferente do que o que seria esperado.
Ao longo da leitura, cresceu em mim uma suspeita quanto a uma grande revelação. Não vos vou dizer sobre o que era, pois não quero desvendar nada ou condicionar a vossa experiência de leitura. Tudo parecia apontar para isso, apesar de as autoras apresentarem o tema como um grande mistério. Isso fez com que eu ficasse desanimada, afinal era tudo muito óbvio. Contudo, quando chega finalmente o momento de fazer essa tal revelação, sou surpreendida. As autoras conseguiram-me enganar muito bem e eu adorei isso. Fiquei muito feliz por ver as minhas ideias refutadas e por ter surgido algo inesperado que dá uma nova visão a este mundo.
Este é um livro que apresenta um novo mundo que ao início pode causar incertezas, mas que depois acaba por cativar. Gostei da escola subterrânea, gosto das muitas dúvidas que surgem quanto às motivações de diversos lados e gosto dos valores da amizade, coragem e altruísmo que as autoras pretendem transmitir. Contudo, foi-me impossível não estar sempre a recordar a saga "Harry Potter", de J. K. Rowling. Sei que tanto Black como Clare são fãs do feiticeiro da cicatriz em forma de relâmpago, mas tal não as desligou totalmente dessa história. Penso que só nos próximos livros é que vamos assistir ao distanciamento.
Este é o início de uma saga que promete melhorar a cada livro. A Prova do Ferro apresentou algumas falhas mas também muito potencial. Quero continuar a acompanhar as aventuras que acontecem em Magisterium e desejo ver estas personagens a amadurecerem. Este é um mundo que tem muito mais para dar.
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