terça-feira, 26 de fevereiro de 2019

Opinião: O Garfo, a Bruxa e o Dragão (Histórias de Alagaesia #1)

Título Original: The Fork, The Witch and The Worm (2018)
Autor: Christopher Paolini
Tradução: Sofia Ribeiro
ISBN: 9892344111
Editora: Asa (2019)

Sinopse:

Bem-vindo novamente ao mundo de Alagaësia. Já passou um ano desde que Eragon partiu em busca do lugar perfeito para treinar uma nova geração de Cavaleiros do Dragão. Agora, debate-se com as inúmeras tarefas que tem pela frente: construir a Fortaleza do Dragão, entender-se com os fornecedores, cuidar dos ovos de dragão e lidar com os aguerridos Urgals e os arrogantes elfos. Isto até ao momento em que uma visão dos Eldunarí, visitantes inesperados, e uma lenda Urgal trazem uma necessária distração e um novo desafio…

Neste volume encontrarás três histórias originais que decorrem em Alagaësia, a par com o desenrolar da aventura de Eragon. E ainda um excerto das Memórias da inesquecível bruxa e adivinha Ângela, a herbalista, escrito por Ângela Paolini, irmã do autor e a mulher que serviu de inspiração à personagem!

Opinião:

Já passaram bons anos desde que Christopher Paolini apresentou o livro final de "O Ciclo da Herança". Na altura, o autor era bem jovem, e isso refletia-se na sua escrita. Lembro de achei os livros pouco originais, ingénuos e previsíveis. Recentemente, o autor decidiu voltar a este mundo, o que resultou na publicação de O Garfo, a Bruxa e o Dragão. Peguei neste livro, com vontade de perceber como Paolini tinha evoluído e que surpresas relacionadas com Alagaesia ainda poderia trazer. Confesso, desde já, que não fiquei impressionada.

O Garfo, a Bruxa e o Dragão é a reunião de três contos que se passam no mundo de Eragon e Saphira. Estas duas personagens surgem ao longo da obra, mas estão muito longe de serem os elementos fulcrais dos contos. Surgem apenas como uma visita repentina, só para o leitor não se esquecer que ainda estão lá e que ainda podem viver novas aventuras. Contudo, estas ainda não chegaram. Nesta fase, parecem apenas ser os ouvintes de outras três histórias, cada uma com uma lição que os poderá ajudar nesta fase de preparação e mudança.

Em "O Garfo", voltamos a encontrar Murtagh. Percebemos o que esta personagem mais sombria anda a fazer, ao mesmo tempo somos levados a pensar que uma fuga não afasta os problemas e que é preciso ter coragem para reparar erros cometidos. Segue-se "A Bruxa", que tem Angela e Elva como figuras centrais. Aqui, percebemos como as duas se tornaram unidas e percebemos como é possível viver com dor. "O Dragão" pareceu-me ser a história mais forte, uma vez que surge quase como uma lenda. É fácil comparar esta narrativa com a destruição provocada por Smaug em O Hobbit, mas Christopher Paolini preferiu explorar a convivência diária com o que nos pode destruir e como isso nos afeta e nos molda.

Apesar de apreciar que cada conto encerre uma lição importante para Eragon nesta fase que está a atravessar, gostaria que as narrativas tivessem maior ligação. A forma como estão expostas faz parecer que se tratam de textos que o autor escreveu de forma independente e que depois decidiu juntar para fazer mais um livro. Além disso, senti que esta obra não apresenta grande evolução em termos de escrita, intriga e construção de personagens. Tudo parece algo ingénuo, característica que fica ainda mais em evidência em certos diálogos pouco naturais e algo constrangedores.

Recordo que, quando Eragon foi publicado, Paolini foi acusado de não se conseguir afastar de outras grandes obras da literatura fantástica, sendo fácil perceber onde se inspirou. Curiosamente, voltei a sentir o mesmo nestes três contos. Admito que seja cada vez mais difícil criar algo completamente original, mas ao ler estes contos consegui fazer, facilmente, associações com outros livros que já li. Gostaria de ter ficado surpreendida, mas tal nunca aconteceu.

Tinha esperança que O Garfo, a Bruxa e o Dragão surgisse como uma evolução positiva quando comparado com os livros de "O Ciclo da Herança", mas tal não aconteceu. Trata-se de um livro que é lido num instante e que não acrescenta quase nada de novo a este universo. Parece-me surgir como um experimento e não como uma obra mais relevante e que marque o leitor. Depois disto, não sei se vou ter grande curiosidade relativamente a trabalhos do autor que ainda possam surgir.

1 comentário:

Mariana Leal disse...

Tantos anos depois do final do Ciclo da Herança, como fã estava à espera de algo melhor! Concordo com tudo o que disseste sobre a trilogia do autor - não é nada de brilhante, mas como adolescente que era, diverti-me o suficiente! Seria de esperar que como escritor tivesse crescido um pouco mais... mas ainda não perdi a esperança :p