terça-feira, 12 de junho de 2012

Entrevista a Vitor Frazão


Licenciado em Arqueologia, Vítor Frazão sempre apreciou escrever. Leitor compulsivo, decidiu criar as suas próprias tramas, sendo “A Vingança do Lobo” o seu primeiro livro publicado. Para contentamento dos fãs, tem criado contos que possuem ação neste mundo de dark fantasy que apresenta como "Crónicas Obscuras". As novidades do autor podem ser acompanhadas no seu blog, que é atualizado com regularidade.
Agradeço ao Vítor a disponibilidade que demonstrou e a simpatia com que respondeu às questões colocadas.

   
Uma Biblioteca em Construção (U.B.C.) - Como é que o arqueólogo se tornou autor de dark fantasy?
Vitor Frazão (V.F.) - A bem dizer, o autor de dark fantasy (ou, pelo menos, o desejo de o ser) já existia muito antes do arqueólogo, simplesmente foi posto de lado durante uns tempo e ainda bem, porque teve oportunidade de crescer.

U.B.C. - A tua formação académica auxiliou na construção do mundo das “Crónicas Obscuras”?
V.F. - Sim, ajudou-me a aperfeiçoar o método de pesquisa e a ter outra percepção dos mitos como produto cultural de determinados factores sociais e geográficos.

U.B.C. - Como foi começar a escrever o primeiro livro?
V.F. - Foi o regresso a algo divertido e familiar. Na adolescência fiz algumas tentativas, até determinadas circunstâncias me levarem a desistir de escrever, mas não de continuar a imaginar histórias. Quando comecei a escrever “A Vingança do Lobo” foi simplesmente uma questão de materializar uma ideia que já tinha (embora, verdade seja dita, muito mudou entre a ideia original e o produto final).

U.B.C. - Porquê uma trama repleta de mitologia e de seres sobrenaturais?
V.F. - Desde miúdo que gosto de mitologia, em particular dos monstros, que sempre me pareceram muito mais interessantes que os heróis. Escrever sobre eles pareceu-me a escolha mais lógia e agrada-me a ideia de, tendo-os como base, poder alargar a temática.

U.B.C. - Terminado o manuscrito, como foi o processo de encontrar editora?
V.F. - Longo e repleto de muitas negas, como mais tarde aprendi que é a norma. Verdade seja dita, por demorado que tenha sido, hoje acredito que devia ter sido um pouco mais paciente.

U.B.C. - Como te sentiste ao ver o livro à venda?
V.F. - Acredites ou não, já não me lembro muito bem. Suponho que na altura tenha sentido algum orgulho desproporcional. Hoje em dia sei que a publicação está para o livro, como a cerimónia para o casamento, é apenas o início, o verdadeiro valor e durabilidade só se revelará depois.

U.B.C. - Como é lidar com as críticas?
V.F. - Quando são justificadas e apontam questões pertinentes, constituem elementos cruciais para evoluir como escritor e contador de histórias. As restantes, produto de mero ódio ou desprovidas de sentido, ignoro. Claro que sou apenas humano e há dias em que as levo mais a peito, mas a vida é precisamente isso, aprender a lidar com o que nos atiram. Se não for capaz de aguentá-las mais vale deixar de escrever.
(2009)

U.B.C. - A “Vingança do Lobo” sugere ser o primeiro livro de uma saga. Já existem sinais de uma continuação?
V.F. - É o primeiro de uma saga e não é. Uma saga implica continuidade e embora existam alguns livros de “Crónicas Obscuras” que podem ser considerados sequelas de “A Vingança do Lobo”, outros passam-se apenas no mesmo universo, sem qualquer ligação à narrativa inicial. Um exemplo disto são a maioria dos contos que tenho vindo a escrever.
Quando à continuação, sim, já estão escritos os três seguintes.

U.B.C. - Esses três livros que estão escritos vão ser publicados pela mesma editora ou estás a procurar outra?
V.F. - Estou à procura de outra. Aliás, é o único motivo pelo qual ainda não foram publicados.

U.B.C. - Quais consideras serem as tuas principais características enquanto autor?
V.F. - Prefiro deixar esse género de avaliação para terceiros. Em traços gerais poderei mencionar o uso de muitas personagens, mudança de narradores e a diluição das linhas entre Bem e Mal, deixando a moral ao critério do leitor. Outros pontos que poderia mencionar entrariam na categoria das características apontadas por terceiros.

U.B.C. - Quais são as principais influências na tua escrita?
V.F. - Terei de dizer, principalmente: série televisiva “ER”, os autores David Gemmell e Lian Hearn, assim como, claro, todos os mitos e lendas a que foi exposto desde infância. Não quero fazer desta resposta um testamento, por isso, se quiserem saber os “porquês” destas influências podem ir ao meu blog ou desafiarem-me a responder nos comentários.

U.B.C. - Que autores não podes deixar de acompanhar?
V.F. - Existem muitos autores dos quais tive um “cheirinho” e mal posso esperar por ler mais, assim como outros que ainda quero experimentar. Agora, acompanhar, no sentido de estar atento às novidades terei de dizer: Juliet Marillier, Neil Gaiman, Stephen King, Pedro Ventura, Peter V. Brett e Joe Abercrombie.

U.B.C. - O blog “Crónicas Obscuras” tem apenas um papel de divulgação?
V.F. - Essencialmente, sim. Divulgação, ajudar a manter o contacto com os leitores e dar informações extra sobre o universo literário de “Crónicas Obscuras”. Houve uma altura em que pensei alargar a temática do blog, porém, achei que ficaria demasiado dispersa.

U.B.C. - Quais são as vantagens das ferramentas online para um autor?
V.F. - Além de uma excelente ferramenta de divulgação, é crucial para aqueles autores que privilegiam uma relação com os fãs.

U.B.C. - Para além da continuação das “Crónicas Obscuras”, já existem ideias para um projeto distinto?
V.F. - Sim, ocasionalmente vou tendo ideias para outros projectos, essencialmente de high fantasy, contudo, como ainda tenho tantas histórias para narrar dentro de “Crónicas Obscuras” e cenários para explorar, tenho-os deixado de parte.

2 comentários:

Paulo disse...

Gostei de ler a entrevista, pois como li o livro do Vítor, acabamos por saber mais algo sobre o escritor e claro a amiga Cláudia é uma autentica profissional :D

Fiacha

Cláudia disse...

Obrigada Fiacha =) Bj*