Autor: Anónimo
Título Original: The Eye of the Moon (2009)
Tradução: Leonor Bizarro Marques
ISBN: 9789895579044
Editora: Asa (2014)
Sinopse:
Depois de dezoito anos de chacinas (e quantidades industriais de bourbon) é altura de Bourbon Kid parar com a matança. Porém, Peto, o monge de Hubal, regressa a Santa Mondega com o misterioso Olho da Lua, à procura do assassino encapuçado, e não está sozinho.
À medida que a Noite das Bruxas se aproxima, os heróis improváveis Dante e Kacey são mais uma vez sugados para o violento vórtice do mal, juntamente com bandos de vampiros (e um ou outro lobisomem). Acrescentem-lhe Sanchez (o barman indiscreto), os Serviços Secretos, Jessica (o anjo de morte) e um novo Senhor das Trevas e haverá novo banho de sangue não tarda.
Quando o golpe para liquidar o Kid falha, os que o querem ver morto descobrem que a situação sofreu uma reviravolta. O Kid tem a sua própria lista de alvos a abater e desta vez não vai poupar ninguém…
Esta sangrenta mas brilhante sequela de O Livro Sem Nome dá seguimento à saga com uma arrepiante história de massacres, carregada de humor negro, caos e gente doida.
Opinião:
O Olho da Lua retoma a acção pouco tempo após os acontecimentos relatados em O Livro Sem Nome. Os leitores que ficaram rendidos ao primeiro livro vão adorar o segundo, afinal, o tom misterioso, a violência, o ponto de vista de diversas personagens e a imprevisibilidade continuam presentes. Para além disso, o humor torna-se mais perceptível neste livro, o que poderá ser explicado pela aceitação da forma como o autor escolheu contar esta história, que ao início poderá ser um choque.
Contudo, trata-se de um humor negro. Este acontece em momentos que poderão ser tidos como sérios, tais como um confronto ou um diálogo decisivo. Pormenores, tais como frases ditas no momento certo, atitudes de personagens ou situações caricatas quebram o ambiente pesado e fazem o leitor esboçar um sorriso ou até mesmo soltar uma gargalhada. E esta foi a característica que mais me agradou em O Olho da Lua.
O objecto que dá o título ao livro já tinha sido mencionado em O Livro Sem Nome, por isso é fácil adivinhar o que motiva as personagens neste volume. O poder é o grande desejo da grande maioria das figuras, mas é interessante observar alguns desejos de "normalidade". E se no livro anterior a maior parte das personagens parecia ter um papel mais decorativo, agora tornam-se elementos que alteram os acontecimentos através das suas acções.
Foi bom ver o Bourbon Kid mais vezes. Se por um lado isso permitiu ficar a conhecer melhor esta figura enigmática, por outro, quebrou-se um pouco do seu encanto. Finalmente percebe-se a razão de ele ser quem é e a apresentação do seu passado é um dos momentos altos da leitura. O leitor vai fazer diversas ligações e perceber factos para além daqueles que são devidamente expostos.
É também interessante constatar que neste volume existe uma evolução da componente fantástica. Para além dos vampiros que já tinham sido apresentados em O Livro Sem Nome, surgem ainda lobisomens e múmias. Estes novos seres acrescentam valor ao livro, já que dão uma nova visão sobre esta sociedade que promete esconder muitos outros segredos e ainda aumentam a sensação de perigo.
O ritmo da narrativa é rápido e por vezes pode surgir a sensação de que não se está a conseguir acompanhar todas as situações. Também fica a sensação de que algumas ideias que já tinham surgido em O Livro Sem Nome foram repetidas. O final, contudo, é bastante intrigante e faz desejar pela leitura do terceiro volume desta série.
As descrições mantêm as características do primeiro livro. Muito gráficas, tornam simples a tarefa do leitor imaginar, principalmente no que toca às cenas de maior acção e violência. Muitas vezes, existe a sensação de que se está a assistir a um filme na nossa cabeça e percebe-se que este tipo de trama não só funciona bem no formato livro como ainda poderia ser bem explorada no cinema.
É preciso ter sentido de humor para ler O Olho da Lua e não ser demasiado sensível a descrições de violência, sangue e tripas. Esta é uma série diferente e que tem como principal função entreter, por isso é dessa forma que deve ser vista. Se gostaram de O Livro Sem Nome, então vão gostar deste.
Outros livros da Saga de Bourbon Kid:
O Livro Sem Nome (A Saga de Bourbon Kid #1)
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terça-feira, 22 de abril de 2014
terça-feira, 27 de agosto de 2013
Opinião: O Livro Sem Nome (A Saga de Bourbon Kid #1)
Autor: Anónimo
Título Original: The Book With No Name (2008)
Tradução: Cristina Rodriguez
ISBN: 9789895579037
Editora: Asa (2011)
Sinopse:
Caro Leitor,
Apenas os puros de coração poderão ler as páginas deste livro. Cada página que virar, cada capítulo que ler, levá-lo-á para mais perto do fim. Nem todos conseguirão terminar. A variedade de intrigas e de estilos poderá indispor e confundir. E, enquanto procura a verdade, ela apresentar-se-á diante dos seus olhos. A escuridão virá, e com ela um grande mal. E aqueles que lerem o livro poderão não voltar a ver a luz.
Opinião:
Misterioso. Este livro sempre me chamou a atenção pela pouca informação que transmitia. O título não diz nada (aparentemente), o autor não é conhecido, a sinopse não revela a base da trama e a capa pouco diz. Sempre senti curiosidade quanto a este leitura, mas também algum receio, afinal, que história poderia estar encerrada naquelas páginas? Finalmente surgiu a oportunidade de pegar em O Livro Sem Nome e desvendar (alguns dos) seus segredos.
A acção desenrola-se em Santa Mondega, uma cidade dos Estados Unidos da América que sugere ser próxima da fronteira com o México. Santa Mondega é muitas vezes apresentada como uma cidade esquecida, funcionando quase como um mundo aparte, afinal, é centro de uma intensa actividade paranormal. E assim fica esclarecido o género desta leitura. Sim, pode ser inserida dentro do género fantástico, apesar de possuir ainda características de policial e de terror.
Não existe uma personagem principal, mas sim um grupo de figuras que, à sua vez, ganham destaque em capítulos que exploram o seu ponto de vista sobre os acontecimentos. Estes homens e mulheres não são fáceis de gostar, mas parecem reais. Acontece que são quase todos bandidos, vigaristas, ladrões, assassinos. Não é fácil criar empatia com pessoas tão cruéis e interesseiras, mas é engraçado ver de que forma se movimentam e conhecer aquilo que os motiva. Existem excepções, como não podia deixar de ser. A dupla de monges ingénua é uma lufada de ar fresco e responsável por muito momentos caricatos, enquanto a dupla de policias que investiga as muitas mortes que decorrem é um pouco mais aborrecida.
Apesar de não existir propriamente uma figura central, existe, no entanto, uma personagem que parece funcionar como motor de toda acção: o bourbon kid. Curiosamente, este é também o homem de quem menos sabemos (praticamente nada, na verdade). É uma figura misteriosa que raramente aparece e que é temida por todos. Afinal, o seu aparecimento em bares resulta sempre na morte de todos os presentes do estabelecimento, à excepção de uma testemunha. É impossível não ficar fascinado com este homem e é de louvar que a forma como autor conseguiu que eles prendesse à leitura apesar de tão raras aparições.
Sim, é um livro com descrições de forte violência. As cenas de acção parecem ter sido inspiradas pelos filmes sangrentos de Quentin Tarantino. Existe muito sangue, muitos tiros, muitas vísceras e corpos totalmente mutilados. Ao início pode custar um pouco a entrar nesta história, perceber de que forma todas as personagens se ligam, mas mal isso é apreendido inicia-se uma leitura rápida e viciante. Com o passar das páginas vão surgindo novas perguntas e uma necessidade crescente de perceber o que realmente está a acontecer. Com o tempo, são dadas essas respostas, ou pelo menos as essenciais, já que o clima de mistério permanece mesmo na última página.
As reviravoltas são muitas, sendo que aquilo que ao início podia parecer afinal não o é. A eterna luta entre o bem e o mal é mais um dos temas tratados, existindo ainda diversas inspirações no Cristianismo. Contudo, tudo é explorado de uma forma muito diferente daquela a que estava habituada.
O Livro Sem Nome é um livro intenso, diferente e que se destaca. Uma leitura muito interessante e que recomendo a todos os fãs de histórias sobrenaturais mais duras.
Nota: Apesar de poder ser lido sozinho, O Livro Sem Nome é o primeiro de uma série intitulada "Bourbon Kid". The Eye of The Moon, The Devil's Graveyard e The Book of Death são os títulos dos restantes volumes, por ordem de publicação nos Estados Unidos da América. Estão todos assinados por Anónimo.
Título Original: The Book With No Name (2008)
Tradução: Cristina Rodriguez
ISBN: 9789895579037
Editora: Asa (2011)
Sinopse:
Caro Leitor,
Apenas os puros de coração poderão ler as páginas deste livro. Cada página que virar, cada capítulo que ler, levá-lo-á para mais perto do fim. Nem todos conseguirão terminar. A variedade de intrigas e de estilos poderá indispor e confundir. E, enquanto procura a verdade, ela apresentar-se-á diante dos seus olhos. A escuridão virá, e com ela um grande mal. E aqueles que lerem o livro poderão não voltar a ver a luz.
Opinião:
Misterioso. Este livro sempre me chamou a atenção pela pouca informação que transmitia. O título não diz nada (aparentemente), o autor não é conhecido, a sinopse não revela a base da trama e a capa pouco diz. Sempre senti curiosidade quanto a este leitura, mas também algum receio, afinal, que história poderia estar encerrada naquelas páginas? Finalmente surgiu a oportunidade de pegar em O Livro Sem Nome e desvendar (alguns dos) seus segredos.
A acção desenrola-se em Santa Mondega, uma cidade dos Estados Unidos da América que sugere ser próxima da fronteira com o México. Santa Mondega é muitas vezes apresentada como uma cidade esquecida, funcionando quase como um mundo aparte, afinal, é centro de uma intensa actividade paranormal. E assim fica esclarecido o género desta leitura. Sim, pode ser inserida dentro do género fantástico, apesar de possuir ainda características de policial e de terror.
Não existe uma personagem principal, mas sim um grupo de figuras que, à sua vez, ganham destaque em capítulos que exploram o seu ponto de vista sobre os acontecimentos. Estes homens e mulheres não são fáceis de gostar, mas parecem reais. Acontece que são quase todos bandidos, vigaristas, ladrões, assassinos. Não é fácil criar empatia com pessoas tão cruéis e interesseiras, mas é engraçado ver de que forma se movimentam e conhecer aquilo que os motiva. Existem excepções, como não podia deixar de ser. A dupla de monges ingénua é uma lufada de ar fresco e responsável por muito momentos caricatos, enquanto a dupla de policias que investiga as muitas mortes que decorrem é um pouco mais aborrecida.
Apesar de não existir propriamente uma figura central, existe, no entanto, uma personagem que parece funcionar como motor de toda acção: o bourbon kid. Curiosamente, este é também o homem de quem menos sabemos (praticamente nada, na verdade). É uma figura misteriosa que raramente aparece e que é temida por todos. Afinal, o seu aparecimento em bares resulta sempre na morte de todos os presentes do estabelecimento, à excepção de uma testemunha. É impossível não ficar fascinado com este homem e é de louvar que a forma como autor conseguiu que eles prendesse à leitura apesar de tão raras aparições.
Sim, é um livro com descrições de forte violência. As cenas de acção parecem ter sido inspiradas pelos filmes sangrentos de Quentin Tarantino. Existe muito sangue, muitos tiros, muitas vísceras e corpos totalmente mutilados. Ao início pode custar um pouco a entrar nesta história, perceber de que forma todas as personagens se ligam, mas mal isso é apreendido inicia-se uma leitura rápida e viciante. Com o passar das páginas vão surgindo novas perguntas e uma necessidade crescente de perceber o que realmente está a acontecer. Com o tempo, são dadas essas respostas, ou pelo menos as essenciais, já que o clima de mistério permanece mesmo na última página.
As reviravoltas são muitas, sendo que aquilo que ao início podia parecer afinal não o é. A eterna luta entre o bem e o mal é mais um dos temas tratados, existindo ainda diversas inspirações no Cristianismo. Contudo, tudo é explorado de uma forma muito diferente daquela a que estava habituada.
O Livro Sem Nome é um livro intenso, diferente e que se destaca. Uma leitura muito interessante e que recomendo a todos os fãs de histórias sobrenaturais mais duras.
Nota: Apesar de poder ser lido sozinho, O Livro Sem Nome é o primeiro de uma série intitulada "Bourbon Kid". The Eye of The Moon, The Devil's Graveyard e The Book of Death são os títulos dos restantes volumes, por ordem de publicação nos Estados Unidos da América. Estão todos assinados por Anónimo.
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