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sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Opinião: Flavia de Luce e o Mistério do Bosque de Gibbet (#2)

Título original: The Weed that Strings the Hangman’s Bag: A Flavia de Luce Mystery
Autor: Alan Bradley
Tradução: Maria José Figueiredo

ISBN: 9789896570811
Editora: Planeta (2010)

Sinopse:



Flavia tem apenas 11 anos, um feitio muito especial e um invulgar talento para fórmulas químicas, em especial no que toca a venenos. Desengane-se, porém, quem pensa que as suas histórias se destinam apenas ao público juvenil. Dona de uma inteligência invulgar e de uma surpreendente capacidade de investigação, Flavia nada fica a dever aos famosos Sherlock Holmes ou Hercule Poirot.

Depois de resolver o estranho homicídio que teve lugar no campo de pepinos próximo da sua casa, que partilha com o pai e as suas duas irmãs, Flavia concentra-se agora em resolver o mistério no Bosque de Gibbet.

Quando um grupo de artistas com marionetes estaciona na aldeia de Flavia, nada faz prever que a morte espreita atrás do pequeno palco mas a verdade é que, durante o espectáculo, um dos homens por detrás dos fantoches é assassinado. Atenta e muito perspicaz, Flavia percebe de imediato que há coisas que não batem certo e rapidamente começa a tentar desvendar o mistério.

Pelo meio, tal como no livro anterior, espaço para o humor, a fantasia e o inusitado. E tudo isto na companhia de um conjunto de personagens verdadeiramente apaixonantes: o carismático homem das marionetes, a esposa do vigário, a excêntrica tia e as irmãs malvadas da Flavia, o cozinheiro coscuvilheiro…

Opinião:

Alan Bradley volta a contemplar os seus leitores com um enigma que leva o leitor a absorver-se na leitura de uma forma progressiva. As informações são recolhidas de uma forma interessante e não deixam antever rapidamente a uma solução. Desta forma, o papel de muitas personagens é minuciosamente analisado por Flavia, o que propociona uma descoberta interessante pelas outras figuras, dotadas de características peculiares.

A narração é feita na primeira pessoa, o que nos leva a entrar na mente de uma surpreendente jovem de 11 anos. Flavia é uma autodidacta na área da química, apaixonada por venenos. Com uma personalidade vincada, sabe marcar a sua posição de uma forma inteligente, mas também demonstra que é uma menina com algumas emoções próprias da sua idade.

A protagonista é possuidora de um sentido de humor inteligente e tem uma aptidão inata de descobrir os meios, motivos e oportunidades da ocorrência de crimes, através de uma impressionante capacidade de observação, a fazer lembrar o famoso Sherlock Holmes. É com interesse crescente que acompanhamos a forma como Flavia analisa a linguagem corporal de quem a rodeia, o que a leva a ver as pessoas para além da sua máscara social e a obter delas o que quer.

Este é um romance policial bem construído, o segundo livro sobre as aventuras da pequena detective, que leva o leitor a ficar agarrado às páginas enquanto não desvenda a solução da trama. Uma leitura divertida que vai agradar a todos os que gostam de um bom mistério e que se sintam cativados por esta personagem jovem mas intrépida e deliciosa. 


Outros livros de Alan Bradley:
A Talentosa Flavia de Luce (#1)

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Opinião: A Talentosa Flavia De Luce

Título original: The Sweetness at the Bottom of the Pie (2009)
Autor: Alan Bradley
Tradutor: Inês de Castro
ISBN: 9789896570262
Editora: Planeta (2009)

O Grupo Planeta apresenta-nos Alan Bradley, vencedor do Debut Dagger Award graças ao livro A Talentosa Flavia De Luce. Este best-seller do New York Times é o primeiro livro do autor destinado a um público adulto.

Sinopse:

A personagem principal desta história é Flavia De Luce, uma menina de onze anos que vive com a família numa mansão deteriorada em Buckshaw, Inglaterra na década de 1950. As restantes personagens desta trama são poucas, mas distintas. O pai de Flavia é coronel, um ex-combatente da guerra, filatelista, distante, rigoroso na pontualidade, um homem que guarda a mágoa de ter perdida a mulher demasiado cedo. Ophelia, uma menina que parece ter nascido com um espelho na mão, e Daphne, que vive distante nas histórias dos livros, são as irmãs de Flavia que unem-se constantemente contra a protagonista. Contudo, isso faz com que sejam o alvo preferido das partidas da jovem heroína. Até aqui parece tratar-se de uma família com uma vivência normal para a época, não fosse Flavia ser uma auto-didacta em química com uma grande paixão por venenos.
 

O dia a dia de Flavia é abalado quando um pássaro morto é encontrado no degrau da porta, com um selo de correio espetado no bico. Nessa mesma noite, a protagonista encontra um desconhecido caído e assiste à sua morte. Sem conseguir ultrapassar estes acontecimentos, a jovem parte numa aventura para descobrir a identidade do assassino e do assassinado.

Opinião:
 
Flavia cativou-me rapidamente, não só pela sua inteligência, mas também pela malícia e pelo seu toque de crueldade. Gostei imenso da forma como a seu amor pela química era expresso, de como tratava tão carinhosamente os elementos da tabela periódica e cheguei a dar por mim a sorrir enquanto os seus planos maléficos de vingança contra as irmãs eram descritos.

Os momentos passados no laboratório levam o leitor a imaginar um cenário bastante interessante. É fácil vislumbrar a jovem de ar travesso a vestir uma bata e a passar o seu tempo entre elementos químicos e instrumentos sofisticados. É também neste espaço que a heroína trava os seus planos cruéis e faz algumas descobertas pertinentes para a trama.

Em contrapartida ao cenário escura da mansão em qu Flavia habita, o espaço exterior faz o leitor sentir o ar puro e o sossego de uma comunidade pequena. As personagens apresentadas não são muitas, mas todas têm características muito próprias que as tornam caricatas.

Entre os empregados da mansão destacam-se Dogger, um homem traumatizado de guerra que o coronel tornou o faz-tudo da mansão, e, a Senhora Mullet, a cozinheira que faz tartes que são evitadas por toda a família.

Clima de mistério provoca uma curiosidade crescente de saber o que acontece na próxima página. Apesar de ser um livro de leitura fluida e envolvente, o grande número de metáforas faz perder, um pouco, o ritmo da acção.

Recomendo este livro a todos os que gostem de um bom mistério e a quem tem uma irmã mais nova com o nome Flávia, tal como eu.