quarta-feira, 3 de outubro de 2018

Opinião: O Castigo dos Ignorantes (Sebastian Bergman #5)

Título Original: De Underkanda (2018)
Autor: Hjorth & Rosenfeldt
Tradução: Elin Baginha
ISBN: 9789896655556
Editora: Suma de Letras (2018)

Sinopse:

A estrela de um reality show é encontrada morta numa escola, com um disparo na cabeça. Amarrado a uma cadeira de sala de aula, posicionado de frente para um canto, com orelhas-de-burro. Um exame longo, de várias páginas, pregado na parte de trás da cadeira. A julgar pelo número de respostas erradas, a vítima falhou no teste mais importante da sua vida.

Esta morte será o primeiro de uma série de assassinatos contra várias personalidades dos media e o Departamento de Investigação Criminal é chamado. Lutam para encontrar provas e finalmente Sebastian Bergman descobre pistas em chats e cartas anónimas publicadas em jornais. O autor das cartas opõe-se à falta de educação entre os modelos da nova geração e fala muito sobre os assassinatos. Sebastian desafia-o e fica claro que o seu oponente sem rosto tem informações sobre os assassinatos a que ninguém além da polícia —e do assassino —tem acesso.

Neste novo caso Sebastian Bergman e sua equipa enfrentam um serial killer complexo e tortuoso, que ameaça a própria existência da equipa.

Opinião:

Pegar num novo livro da série "Sebastian Bergman" é sempre um entusiasmo. Há vontade de reencontrar as personagens que já conquistaram e desvendar novos mistérios com a Riksmord. Além disso, surge também a vontade de perceber o que de novo os autores ainda nos podem oferecer. Quais são os desenvolvimentos das figuras desta série? Que novo ou novos crimes podem acontecer de forma a nos deixarem presos às páginas de um livro de Hjorth & Rosenfeldt. Assim que comecei a ler O Castigo dos Ignorantes fiquei com a certeza: ainda há muito por onde explorar!

Começamos esta nova obra logo a conhecer, de certa forma, o criminoso. O primeiro capítulo dá-nos uma percepção do modos operandi de um assassino que tem alvos que correspondem a uma realidade e ideia que o abomina: a exaltação da ignorância. Torna-se fácil perceber o motivo de o livro ser este. O teste que é colocado à vítima é-nos apresentado, assim como o que acontece a quem falha nesta provação. Tudo isto é estimulante, um arranque bem conseguido e que nos leva numa leitura ritmada.

Reencontramos as personagens no drama que atualmente enfrentam. É que todos têm os seus problemas pessoais, distintos e pesados, o que lhes confere maior humanidade e nos leva a perceber que, apesar de muito dedicados ao trabalho, são mais do que simples polícias de investigação. Sebastian continua a ser o protagonista de comportamente deprezível e que mesmo assim nos conquista. Vanja está numa fase de maior dificuldade, em que coloca tudo em causa e começa a repensar sobre o que quer para a sua vida. Ursula lida com a solidão inesperada e procura fazer com que as suas limitações não afetem o seu trabalho nem a aparência que cultiva. Torkel continua a saer assumir-se como lider e parece começar a encontrar um caminho de felicidade. Billy consegue chocar ainda mais com o lado negro que tenta ocultar.

O desenrolar da ação acontece através de um bom encadeamento de acontecimentos. Esta história prende facilmente e é lida com vontade. Não senti aborrecimento em qualquer momento, tal era o desejo de continuar a acompanhar estas personagens como de perceber como iriam chegar ao desfecho escolhido pelos autores. Mais uma vez, fiquei impressionada com a forma como a mente de Sebastian trabalha e o leva no caminho da verdade, mesmo que tal signifique ficar em risco. A oposição de Sebastian com o assassino está muito bem conseguida.

Esta leitura faz-nos pensar sobre o que é a cultura, a inteligência e a ignorância. É que ao longo do desenvolvimento destes crimes, somos levados a perceber que tais conceitos são entendidos de forma diferente pelas personagens. Existe uma clara chamada de atenção para as novas noções de fama, potencializadas por reality shows, blogues ou redes sociais, que muitas vezes surgem graças a conteúdos considerados menores. Contudo, há também uma chamada de atenção para o facto de vivermos num mundo muito diferente de há 20 anos, onde a iniciativa e empreendimento merecem ser louvados e onde a informação e o conhecimento poderá estar à distância de um clique. Tudo depende da vontade e dos interesses de cada um.

Este quinto livro está entre os meus prefereidos da série "Sebastian Bergman". Hjorth e Rosenfeldt deixaram-me novamente rendida pela forma como conseguem interligar o desvendar de crimes com a vida pessoal das personagens. O final é impressionante e deixa adivinhar que vem aí uma grande reviravolta para esta série. E tendo em conta a experiência de quem está a ler a série, tanto pode ser o que imaginamos como algo ainda mais surpreendente. Sim, estou ansiosa pela publicação do sexto volume!


Opiniões a outros livros de Hjorth & Rosenfeldt:
Segredos Obscuros (Sebastian Bergman #1)
O Discípulo (Sebastian Bergman #2)
O Homem Ausente (Sebastian Bergman #3)
A Menina Silenciosa (Sebastian Bergman #4)

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