segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Opinião: O Homem que Perseguia a sua Sombra (Millennium #5)

Título Original: Mannen som sökte sin skugga (2017)
Organização: David Lagercrantz
Tradução: Agneta Öhrstrom
ISBN: 9789722063425
Editora: Publicações Dom Quixote (2017)

Sinopse:

Lisbeth Salander cumpre uma curta pena no estabelecimento prisional feminino de Flodberga e faz o possível por evitar qualquer conflito com as outras reclusas, mas ao proteger uma jovem do Bangladesh que ocupa a cela vizinha, é imediatamente desafiada por Benito, a reclusa que domina o bloco B. Holger Palmgren, o antigo tutor de Lisbeth, visita-a para lhe dizer que recebeu documentos que contêm informações sobre os abusos de que ela foi vítima em criança. Lisbeth pede ajuda a Mikael Blomvkist e juntos iniciam uma investigação que pode trazer à luz do dia uma das experiências mais terríveis implementadas na Suécia no século XX. Os indícios conduzem-nos a Leo Mannheimer, sócio da corretora de valores Alfred Ögren, com quem Lisbeth tem em comum muito mais do que algum deles podia pensar.

Opinião:

Reencontrar Lisbeth Salander é sempre um prazer. Trata-se de uma daquelas personagens que já conquistaram um lugar de destaque na literatura e sobre a qual queremos sempre saber mais. Em O Homem que Perseguia a sua Sombra, David Lagercrantz volta a pegar na obra de Stieg Larsson para dar continuidade ao seu trabalho. O passado desta heroína volta a ser um tema de grande importância, dando mote ao enredo que se desenvolve nestas páginas.

Desde logo achei curioso o facto de, através da história trágica da infância e adolescência de Lisbeth ser possível criar um novo thriller onde novas personagens são implicadas. Desta forma, percebemos melhor os contornos horríveis que a protagonista viveu e que a tornaram nesta mulher impressionante. Gostei que as novas descobertas fizessem sentido com tudo o resto e fiquei bastante interessada na questão dos gémeos que foi apresentada.

Existem enredos paralelos à trama principal, o que dá a sensação de há sempre algo a acontecer. Apesar das novas figuras, não achei que estas histórias se tornassem confusas, mas fizeram questionar o motivo para o autor ter preferido dispersar-se em vez de se concentrar numa só. Entendo o motivo de abranger questões sociais da atualidade, mas tal levou a que o tema centram acabasse por perder alguma força. Além disso, o trabalho em conjunto entre Lisbeth e Mikael Blomkvist acabou por ser pouco explorado, o que é uma pena, já que esta parceria proporcionou momentos bastante intensos noutras ocasiões.

Ainda que o assunto possa causar desconforto, achei interessante a questão do homem perfeito ser um produto socio-cultural e não genético. Tal justifica muito do que acontece na intriga principal, ainda que por meios pouco ortodoxos. A forma como os gémeos são colocados neste estudo remete-nos para o desrespeito pela vida humana e pelo outro, levando-nos, mais uma vez, a questionar abusos de poder que podem estar a existir na nossa sociedade sem que exista conhecimento de tal. O autor ainda faz-nos pensar sobre o sentido de pertença, tão importante para a estabilidade emocional.

Tal como aconteceu com os livros anteriores da saga, devorei este volume com vontade e avidez. Contudo, senti que a conclusão foi um pouco precipitada, e custou-me aceitar que Lisbeth se colocasse numa situação de tão grande perigo quando se encontrava bastante debilitada e não havia urgência na sua acção. Penso que tal aconteceu por ter sempre admirado a capacidade desta personagem de se manter fria e bastante racional na execução dos seus planos, reprimindo um lado emocional forte. Além disso, a intriga pareceu-me menos complexa, o que não me levou a sentir tão arrebatada pela história tal como aconteceu nos primeiros volumes.

O Homem que Perseguia a sua Sombra pode não ser o livro mais brilhante da coleção, mas tem o seu valor. A história prende, somos levados a imaginar diversas possibilidades consoante os dados que nos são apresentados e ainda obtemos mais informações sobre o passado de Lisbeth. O significado da tatuagem do dragão, tão marcante nesta figura, finalmente é desvendado e deixou-me bastante satisfeita. No final, fica ainda a ideia de que há muito mais para explorar e que novas aventuras da "Millennium" estão para chegar. Eu cá estarei à espera para as ler.

Opiniões a outros livros de desta saga:
Os Homens Que Odeiam as Mulheres (Millennium #1)
A Rapariga Que Sonhava com Uma Lata de Gasolina e Um Fósforo (Millennium #2)
A Rainha no Palácio das Correntes de Ar (Millennium #3)
A Rapariga Apanhada na Teia de Aranha (Millennium #4)

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