Título Original: The Last Days of Night (2016)
Organização: Graham Moore
Tradução: José Remelhe
ISBN: 9789896652876
Editora: Suma de Letras (2017)
Sinopse:
Nova Iorque, 1888. Lâmpadas a gás piscam ainda nas ruas da cidade, mas o milagre da luz elétrica está a nascer. Um jovem advogado sem experiência, Paul Cravath, aceita um caso que parece impossível de ganhar. O cliente de Paul, George Westinghouse, foi processado por Thomas Edison, o inventor da lâmpada elétrica, que defenderá a sua patente com unhas e dentes. Mas, então, quem inventou a lâmpada e detém o direito de iluminar a América? Este caso abre o caminho a Paul para o mundo inebriante da alta sociedade - as brilhantes festas no Gramercy Park Mansions e as relações mais insidiosas feitas à porta fechada. Ao mesmo tempo, coloca-o também no caminho de Nicola Tesla, o excêntrico e brilhante inventor, e de Agnes Huntington, uma cantora de ópera e uma artista impecável tanto dentro como fora de cena. Edison é um astuto e perigoso inimigo com vastos recursos à sua disposição - espiões privados, meios de comunicação do seu lado e o apoio financeiro de J.P. Morgan. Mas este desconhecido advogado partilha com o seu famoso adversário uma compulsão por vencer, custe o que custar.
A história fala desta luta, mas Graham Moore, o famoso guionista o oscarizado "O Jogo da Imitação", conta-a com tal pormenor que parece que também nós estamos ali, entre fórmulas matemáticas e cabos, nas grandes festas de Nova Iorque, assistindo em exclusivo a um espetáculo onde brilha a luz e a inteligência.
Opinião:
Comecei esta leitura com um miste de curiosidade e cepticismo. As boas críticas ao autor e o facto de ter escrito o argumento do filme "O Jogo da Imitação" faziam acreditar que iria encontrar uma trama envolvente, mas o facto de o tema principal poder conter demasiados conceitos e exposições científicas difíceis de compreender deixaram-me algo reticente. Apesar das dúvidas, agarrei este livro e percebi, logo nas primeiras páginas que o ia devorar com vontade. Foi isso mesmo que aconteceu.
A Luz da Noite recebe-nos na cidade de Nova Iorque de finais do século XIX e faz-nos testemunhar uma época de grandes mudanças. É impressionante ver como algo tão comum para nós como a eletricidade começou a dar os primeiros passos para a utilização rotineira. O autor consegue transmitir muito bem este ambiente de dúvida, receio e descrença pelo que é novo e aparentemente perigoso, ao mesmo tempo que nos mostra o entusiasmo da evolução. Mas estas são apenas as sensações gerais, pois no centro deste avanço único está uma verdadeira guerra entre figuras que ficaram para a história e outras ainda que, apesar de relevantes, não são hoje tão conhecidas.
Paul Cravath, um jovem e ambicioso advogado, aceita representar George Westinghouse num caso que o opõe a Thomas Edison. Este é um combante entre dois empresários de peso que desejam controlar o mercado da eletricidade e levar esta energia a todo o país. É curioso assistir a este embate quando desde sempre fomos ensinados que um destes homens foi o inventor da lâmpada. É que o autor desafia-nos a pensar sobre o que é realmente uma invenção, como algo pode ser considerado criação de um homem quando existiram tantos outros antes que fizeram progressos significativos para se chegar a tal resultado. Existe a questão de até onde podem ir as adaptações e ainda a reflexão sobre os limites estabelecidos para a segurança em detrimento dos lucros e do orgulho pessoal.
O embate entre as figuras históricas tão nossas conhecidas é impressionante. Quando Nikolas Tesla surge, a narrativa ganha um brilho ainda maior. A certo ponto, percebemos que cada um destes homens procura o mesmo apesar de ter objetivos diferentes para esse fim. É impossível não admirar o facto de Edison ter criado uma verdadeira fábrica de ideias, ao mesmo tempo que não nos parece muito ético o facto de ele ficar com o crédito do trabalho de outro. O olho para o negócio de Westinghouse é pertinente, mas a forma não conseguimos concordar com todos os seus métodos. Admiramos o lado visionário e criativo de Tesla, mas não gostaríamos que ele também se dedicasse às aplicações práticas das suas invenções e descobertas. Juntos poderiam formar uma parceria incrível, mas encontram-se em lados opostos e proporcionam ao leitor uma história que não perde o interesse em qualquer momento.
Gostei que o autor tivesse preferido fazer a narração do ponto de vista do Paul Cravath. Assim, as figuras de maior peso não o abafam e deixam-no impressionar através do seu raciocínio. Os seus esquemas são interessantes e ajudam-nos a compreender melhor tudo o que está a acontecer. Afinal, o facto de ele não perceber bem as inovações faz com que seja utilizada uma linguagem acessível quando se fala de termos mais técnicos. E esses momentos são relevantes para a trama e bastante instrutivos.
O desenrolar dos acontecimentos não permite aborrecimentos. Os diálogos estão bem construídos, a intriga agarra, os momentos de acção são fortes e ainda há espaço para romance. A leitura avançou com rapidez, tal era a minha vontade de perceber de que o forma Paul iria conseguir ultrapassar todos obstáculos que foi encontrando. Quero confessar ainda que o meu interesse pela história levou-me a pesquisar a época e as principais figuras desta narrativa, tal era a vontade de saber mais sobre o que realmente tinha acontecido.
Este é um livro eletrizante que nos faz sentir entusiasmo constante, tal como se tivessemos naquela época a assistir a todas as inovações e descobertas. Nota-se perfeitamente que Graham Moore procedeu a uma pesquisa detalhada sobre esta época, figuras e acontecimentos, o que dá maior credibilidade à trama, apesar de se tratar de uma obra de ficção com inspiração em acontecimentos históricos. No final, percebi que as minhas dúvidas iniciais não tinham fundamento e senti-me muito satisfeita por me ter lançado nesta leitura. Ficou também a vontade de continuar a acompanhar o trabalho deste autor.
terça-feira, 26 de setembro de 2017
segunda-feira, 25 de setembro de 2017
Opinião: O Homem que Perseguia a sua Sombra (Millennium #5)
Título Original: Mannen som sökte sin skugga (2017)
Autor: David Lagercrantz
Tradução: Agneta Öhrstrom
ISBN: 9789722063425
Editora: Publicações Dom Quixote (2017)
Sinopse:
Lisbeth Salander cumpre uma curta pena no estabelecimento prisional feminino de Flodberga e faz o possível por evitar qualquer conflito com as outras reclusas, mas ao proteger uma jovem do Bangladesh que ocupa a cela vizinha, é imediatamente desafiada por Benito, a reclusa que domina o bloco B. Holger Palmgren, o antigo tutor de Lisbeth, visita-a para lhe dizer que recebeu documentos que contêm informações sobre os abusos de que ela foi vítima em criança. Lisbeth pede ajuda a Mikael Blomvkist e juntos iniciam uma investigação que pode trazer à luz do dia uma das experiências mais terríveis implementadas na Suécia no século XX. Os indícios conduzem-nos a Leo Mannheimer, sócio da corretora de valores Alfred Ögren, com quem Lisbeth tem em comum muito mais do que algum deles podia pensar.
Opinião:
Reencontrar Lisbeth Salander é sempre um prazer. Trata-se de uma daquelas personagens que já conquistaram um lugar de destaque na literatura e sobre a qual queremos sempre saber mais. Em O Homem que Perseguia a sua Sombra, David Lagercrantz volta a pegar na obra de Stieg Larsson para dar continuidade ao seu trabalho. O passado desta heroína volta a ser um tema de grande importância, dando mote ao enredo que se desenvolve nestas páginas.
Desde logo achei curioso o facto de, através da história trágica da infância e adolescência de Lisbeth ser possível criar um novo thriller onde novas personagens são implicadas. Desta forma, percebemos melhor os contornos horríveis que a protagonista viveu e que a tornaram nesta mulher impressionante. Gostei que as novas descobertas fizessem sentido com tudo o resto e fiquei bastante interessada na questão dos gémeos que foi apresentada.
Existem enredos paralelos à trama principal, o que dá a sensação de há sempre algo a acontecer. Apesar das novas figuras, não achei que estas histórias se tornassem confusas, mas fizeram questionar o motivo para o autor ter preferido dispersar-se em vez de se concentrar numa só. Entendo o motivo de abranger questões sociais da atualidade, mas tal levou a que o tema centram acabasse por perder alguma força. Além disso, o trabalho em conjunto entre Lisbeth e Mikael Blomkvist acabou por ser pouco explorado, o que é uma pena, já que esta parceria proporcionou momentos bastante intensos noutras ocasiões.
Ainda que o assunto possa causar desconforto, achei interessante a questão do homem perfeito ser um produto socio-cultural e não genético. Tal justifica muito do que acontece na intriga principal, ainda que por meios pouco ortodoxos. A forma como os gémeos são colocados neste estudo remete-nos para o desrespeito pela vida humana e pelo outro, levando-nos, mais uma vez, a questionar abusos de poder que podem estar a existir na nossa sociedade sem que exista conhecimento de tal. O autor ainda faz-nos pensar sobre o sentido de pertença, tão importante para a estabilidade emocional.
Tal como aconteceu com os livros anteriores da saga, devorei este volume com vontade e avidez. Contudo, senti que a conclusão foi um pouco precipitada, e custou-me aceitar que Lisbeth se colocasse numa situação de tão grande perigo quando se encontrava bastante debilitada e não havia urgência na sua acção. Penso que tal aconteceu por ter sempre admirado a capacidade desta personagem de se manter fria e bastante racional na execução dos seus planos, reprimindo um lado emocional forte. Além disso, a intriga pareceu-me menos complexa, o que não me levou a sentir tão arrebatada pela história tal como aconteceu nos primeiros volumes.
O Homem que Perseguia a sua Sombra pode não ser o livro mais brilhante da coleção, mas tem o seu valor. A história prende, somos levados a imaginar diversas possibilidades consoante os dados que nos são apresentados e ainda obtemos mais informações sobre o passado de Lisbeth. O significado da tatuagem do dragão, tão marcante nesta figura, finalmente é desvendado e deixou-me bastante satisfeita. No final, fica ainda a ideia de que há muito mais para explorar e que novas aventuras da "Millennium" estão para chegar. Eu cá estarei à espera para as ler.
Opiniões a outros livros de desta saga:
Os Homens Que Odeiam as Mulheres (Millennium #1)
A Rapariga Que Sonhava com Uma Lata de Gasolina e Um Fósforo (Millennium #2)
A Rainha no Palácio das Correntes de Ar (Millennium #3)
A Rapariga Apanhada na Teia de Aranha (Millennium #4)
Autor: David Lagercrantz
Tradução: Agneta Öhrstrom
ISBN: 9789722063425
Editora: Publicações Dom Quixote (2017)
Sinopse:
Lisbeth Salander cumpre uma curta pena no estabelecimento prisional feminino de Flodberga e faz o possível por evitar qualquer conflito com as outras reclusas, mas ao proteger uma jovem do Bangladesh que ocupa a cela vizinha, é imediatamente desafiada por Benito, a reclusa que domina o bloco B. Holger Palmgren, o antigo tutor de Lisbeth, visita-a para lhe dizer que recebeu documentos que contêm informações sobre os abusos de que ela foi vítima em criança. Lisbeth pede ajuda a Mikael Blomvkist e juntos iniciam uma investigação que pode trazer à luz do dia uma das experiências mais terríveis implementadas na Suécia no século XX. Os indícios conduzem-nos a Leo Mannheimer, sócio da corretora de valores Alfred Ögren, com quem Lisbeth tem em comum muito mais do que algum deles podia pensar.
Opinião:
Reencontrar Lisbeth Salander é sempre um prazer. Trata-se de uma daquelas personagens que já conquistaram um lugar de destaque na literatura e sobre a qual queremos sempre saber mais. Em O Homem que Perseguia a sua Sombra, David Lagercrantz volta a pegar na obra de Stieg Larsson para dar continuidade ao seu trabalho. O passado desta heroína volta a ser um tema de grande importância, dando mote ao enredo que se desenvolve nestas páginas.
Desde logo achei curioso o facto de, através da história trágica da infância e adolescência de Lisbeth ser possível criar um novo thriller onde novas personagens são implicadas. Desta forma, percebemos melhor os contornos horríveis que a protagonista viveu e que a tornaram nesta mulher impressionante. Gostei que as novas descobertas fizessem sentido com tudo o resto e fiquei bastante interessada na questão dos gémeos que foi apresentada.
Existem enredos paralelos à trama principal, o que dá a sensação de há sempre algo a acontecer. Apesar das novas figuras, não achei que estas histórias se tornassem confusas, mas fizeram questionar o motivo para o autor ter preferido dispersar-se em vez de se concentrar numa só. Entendo o motivo de abranger questões sociais da atualidade, mas tal levou a que o tema centram acabasse por perder alguma força. Além disso, o trabalho em conjunto entre Lisbeth e Mikael Blomkvist acabou por ser pouco explorado, o que é uma pena, já que esta parceria proporcionou momentos bastante intensos noutras ocasiões.
Ainda que o assunto possa causar desconforto, achei interessante a questão do homem perfeito ser um produto socio-cultural e não genético. Tal justifica muito do que acontece na intriga principal, ainda que por meios pouco ortodoxos. A forma como os gémeos são colocados neste estudo remete-nos para o desrespeito pela vida humana e pelo outro, levando-nos, mais uma vez, a questionar abusos de poder que podem estar a existir na nossa sociedade sem que exista conhecimento de tal. O autor ainda faz-nos pensar sobre o sentido de pertença, tão importante para a estabilidade emocional.
Tal como aconteceu com os livros anteriores da saga, devorei este volume com vontade e avidez. Contudo, senti que a conclusão foi um pouco precipitada, e custou-me aceitar que Lisbeth se colocasse numa situação de tão grande perigo quando se encontrava bastante debilitada e não havia urgência na sua acção. Penso que tal aconteceu por ter sempre admirado a capacidade desta personagem de se manter fria e bastante racional na execução dos seus planos, reprimindo um lado emocional forte. Além disso, a intriga pareceu-me menos complexa, o que não me levou a sentir tão arrebatada pela história tal como aconteceu nos primeiros volumes.
O Homem que Perseguia a sua Sombra pode não ser o livro mais brilhante da coleção, mas tem o seu valor. A história prende, somos levados a imaginar diversas possibilidades consoante os dados que nos são apresentados e ainda obtemos mais informações sobre o passado de Lisbeth. O significado da tatuagem do dragão, tão marcante nesta figura, finalmente é desvendado e deixou-me bastante satisfeita. No final, fica ainda a ideia de que há muito mais para explorar e que novas aventuras da "Millennium" estão para chegar. Eu cá estarei à espera para as ler.
Opiniões a outros livros de desta saga:
Os Homens Que Odeiam as Mulheres (Millennium #1)
A Rapariga Que Sonhava com Uma Lata de Gasolina e Um Fósforo (Millennium #2)
A Rainha no Palácio das Correntes de Ar (Millennium #3)
A Rapariga Apanhada na Teia de Aranha (Millennium #4)
Novidade da Planeta para Outubro
As Mulheres no Castelo, de Jessica Shattuck
Na guerra fizeram escolhas impossíveis, agora têm de viver com elas. Três mulheres, assombradas pelo passado. Marianne von Lingenfels volta ao castelo abandonado, dos ante-passados do marido. Para cumprir a promessa que fez aos corajosos companheiros do marido: encontrar e proteger as suas mulheres no meio das cinzas da derrota da Alemanha nazi. Um livro com uma pesquisa histórica rigorosa e que oferece um novo olhar e novas realidades da Segunda Guerra Mundial, um dos períodos mais lidos da nossa história.
Disponível a partir de dia 4.
Na guerra fizeram escolhas impossíveis, agora têm de viver com elas. Três mulheres, assombradas pelo passado. Marianne von Lingenfels volta ao castelo abandonado, dos ante-passados do marido. Para cumprir a promessa que fez aos corajosos companheiros do marido: encontrar e proteger as suas mulheres no meio das cinzas da derrota da Alemanha nazi. Um livro com uma pesquisa histórica rigorosa e que oferece um novo olhar e novas realidades da Segunda Guerra Mundial, um dos períodos mais lidos da nossa história.
Disponível a partir de dia 4.
domingo, 24 de setembro de 2017
Opinião: Mulheres Perigosas
Título Original: Dangerous Women (2013)
Organização: George R. R. Martin e Gardner Dozois
Tradução: Rui Azeredo
ISBN: 9789897730740
Editora: Saída de Emergência (2017)
Sinopse:
Atenção: o perigo está à espreita perto destas mulheres!
Se procura um livro em que mulheres infelizes ficam a choramingar de pavor enquanto o herói masculino combate o monstro ou choca espadas com o vilão, este livro não é para si.
Aqui encontrará mulheres guerreiras que brandem espadas, intrépidas pilotos de caças, formidáveis super-heroínas, femmes fatale astutas e sedutoras, feiticeiras, más raparigas duronas, bandidas e rebeldes, sobreviventes endurecidas em futuros pós-apocalípticos, rainhas altivas que governam nações e cujas invejas e ambições enviam milhares para mortes macabras, mulheres que não hesitam em assumir a liderança para defenderem aquilo em que acreditam.
Com organização de George R. R. Martin, que assina igualmente um conto passado no mundo de Westeros, e de Gardner Dozois, esta é uma antologia que cruza géneros literários e mistura todos os tipos de ficção, desde Megan Abbott a Brandon Sanderson.
Opinião:
Aqui está um antologia que me proporcionou grandes momentos de leitura. Em Mulheres Perigosas temos a oportunidade de conhecer várias histórias em que o principal ponto em comum é dar força e protagonismo ao sexo feminino. Assim sendo, ficamos a conhecer mulheres que não têm medo de arriscar e que deixam uma marca em todos os que com elas se encontram, quer seja de uma forma positiva ou não. George R. R. Martin e Gardner Dozois reuniram contos muito diferentes e que se inserem em diferentes géneros da ficção.
Joe Abercrombie dá-nos as boas-vindas a este livro com uma bandida muito engenhosa. Em "Completamente Perdida" somos cativados pelos detalhes da acção enquanto acabamos por torcer por uma criminosa de índole duvidosa que foge pelo Velho Oeste. "Ou o Meu Coração Está Destroçado", de Megan Abbott é um thriller que consegue perturbar graças às atitudes inesperadas e chocantes de uma mãe que perdeu a filha. Melinda M. Snodgrass optou pela ficção científica com "As Mãos Que Não Estão Lá", uma intriga muito interessante que nos faz pensar nas intrigas que existem atrás de posições de maior poder e no que e faz para chegar até lá.
O conto de Carrie Vaughn, "Raisa Stepanova", foi um dos que mais me cativou por abordar o lado russo da Segunda Guerra Mundial sob o ponto de vista de uma mulher que muito lutou para ser piloto. Gostei da intensidade das convicções desta figura e das muitas implicações históricas que desconhecia. "Eu Sei Escolhê-las a Dedo", de Lawrence Block, pode inserir-se no género do terror pela reviravolta inesperada e pelo facto de nos fazer duvidas das verdadeiras intenções dos outros. Adorei voltar a encontrar Brandon Sanderson, nesta vez num conto que faz lembrar a saga "Mistborn" devido às brumas na escuridão e aos elementos fantásticos com "Sombras para Silêncio nas Florestas do Inferno" somos cativados por uma personagem feminina que esconde a sua verdadeira força ao mesmo tempo que aceita a missão de enfrentar horrores indescritíveis.
Devorei o conto de Sharon Kay Penmam, "Uma Rainha no Exílio", tal foi o meu interesse por esta mulher que se entregou por completo à coroa, tanto que, no final, se colocou numa situação verdadeiramente humilhante com o fim de conquistar o apoio popular. "A Rapariga no Espelho" permitiu-me voltar a Brakebills, escola de magia criada por Lex Grossman. Confesso que esperava mais deste conto, mas ainda assim foi bom rever algumas figuras. Sam Sykes não conquista imediatamente com este "Dar Nome à Fera", mas com o decorrer da leitura começa a agarrar e no final transmite uma mensagem forte, apesar de previsível. "As Mentiras que a Minha Mãe Me Contou", de Caroline Spector permitiu-me conhecer de perto, pela primeira vez, o universo "Wild Cards" e fez-me ter vontade de ler mais sobre estes heróis.
A antologia termina com chave de ouro. George R. R. Martin revela-nos a verdadeira história da Dança dos Dragões e "A Princesa e a Rainha ou Os Negros e os Verdes". Este é o conto com mais páginas e também o mais forte. Adoro conhecer histórias que antecederam as "Crónicas de Gelo e Fogo" e esta leva-nos a uma verdadeira luta pelo Trono de Ferro disputada entre dois Targaryen. Mais uma vez, o autor apresenta-nos personagens que tanto nos conseguem cativar a simpatia como logo a seguir causar repulsa, mostrando que uma pessoa nunca é inteiramente boa ou má. As intrigas políticas e estratégias bélicas impressionam e fazem-nos sentir sempre no fio da navalha. Fiquei rendida à forte presença de dragões e de assistir à ligação entre estes seres e humanos.
Mulheres Perigosas é uma antologia que merece ser lida pela originalidade das histórias que apresenta como pela mensagem de que as mulheres não são nem nunca foram um sexo fraco. Através das figuras destas narrativas, somos levados a pensar sobre as dificuldades acrescidas que as mulheres enfrentaram e continuam a enfrentar no nosso mundo e nas formas engenhosas que muitas vezes são encontradas para que a igualdade e liberdade sejam alcançadas. Uma leitura que diverte e que não nos deixa esquecer que a força está na personalidade e não no género.
Organização: George R. R. Martin e Gardner Dozois
Tradução: Rui Azeredo
ISBN: 9789897730740
Editora: Saída de Emergência (2017)
Sinopse:
Atenção: o perigo está à espreita perto destas mulheres!
Se procura um livro em que mulheres infelizes ficam a choramingar de pavor enquanto o herói masculino combate o monstro ou choca espadas com o vilão, este livro não é para si.
Aqui encontrará mulheres guerreiras que brandem espadas, intrépidas pilotos de caças, formidáveis super-heroínas, femmes fatale astutas e sedutoras, feiticeiras, más raparigas duronas, bandidas e rebeldes, sobreviventes endurecidas em futuros pós-apocalípticos, rainhas altivas que governam nações e cujas invejas e ambições enviam milhares para mortes macabras, mulheres que não hesitam em assumir a liderança para defenderem aquilo em que acreditam.
Com organização de George R. R. Martin, que assina igualmente um conto passado no mundo de Westeros, e de Gardner Dozois, esta é uma antologia que cruza géneros literários e mistura todos os tipos de ficção, desde Megan Abbott a Brandon Sanderson.
Opinião:
Aqui está um antologia que me proporcionou grandes momentos de leitura. Em Mulheres Perigosas temos a oportunidade de conhecer várias histórias em que o principal ponto em comum é dar força e protagonismo ao sexo feminino. Assim sendo, ficamos a conhecer mulheres que não têm medo de arriscar e que deixam uma marca em todos os que com elas se encontram, quer seja de uma forma positiva ou não. George R. R. Martin e Gardner Dozois reuniram contos muito diferentes e que se inserem em diferentes géneros da ficção.
Joe Abercrombie dá-nos as boas-vindas a este livro com uma bandida muito engenhosa. Em "Completamente Perdida" somos cativados pelos detalhes da acção enquanto acabamos por torcer por uma criminosa de índole duvidosa que foge pelo Velho Oeste. "Ou o Meu Coração Está Destroçado", de Megan Abbott é um thriller que consegue perturbar graças às atitudes inesperadas e chocantes de uma mãe que perdeu a filha. Melinda M. Snodgrass optou pela ficção científica com "As Mãos Que Não Estão Lá", uma intriga muito interessante que nos faz pensar nas intrigas que existem atrás de posições de maior poder e no que e faz para chegar até lá.
O conto de Carrie Vaughn, "Raisa Stepanova", foi um dos que mais me cativou por abordar o lado russo da Segunda Guerra Mundial sob o ponto de vista de uma mulher que muito lutou para ser piloto. Gostei da intensidade das convicções desta figura e das muitas implicações históricas que desconhecia. "Eu Sei Escolhê-las a Dedo", de Lawrence Block, pode inserir-se no género do terror pela reviravolta inesperada e pelo facto de nos fazer duvidas das verdadeiras intenções dos outros. Adorei voltar a encontrar Brandon Sanderson, nesta vez num conto que faz lembrar a saga "Mistborn" devido às brumas na escuridão e aos elementos fantásticos com "Sombras para Silêncio nas Florestas do Inferno" somos cativados por uma personagem feminina que esconde a sua verdadeira força ao mesmo tempo que aceita a missão de enfrentar horrores indescritíveis.
Devorei o conto de Sharon Kay Penmam, "Uma Rainha no Exílio", tal foi o meu interesse por esta mulher que se entregou por completo à coroa, tanto que, no final, se colocou numa situação verdadeiramente humilhante com o fim de conquistar o apoio popular. "A Rapariga no Espelho" permitiu-me voltar a Brakebills, escola de magia criada por Lex Grossman. Confesso que esperava mais deste conto, mas ainda assim foi bom rever algumas figuras. Sam Sykes não conquista imediatamente com este "Dar Nome à Fera", mas com o decorrer da leitura começa a agarrar e no final transmite uma mensagem forte, apesar de previsível. "As Mentiras que a Minha Mãe Me Contou", de Caroline Spector permitiu-me conhecer de perto, pela primeira vez, o universo "Wild Cards" e fez-me ter vontade de ler mais sobre estes heróis.
A antologia termina com chave de ouro. George R. R. Martin revela-nos a verdadeira história da Dança dos Dragões e "A Princesa e a Rainha ou Os Negros e os Verdes". Este é o conto com mais páginas e também o mais forte. Adoro conhecer histórias que antecederam as "Crónicas de Gelo e Fogo" e esta leva-nos a uma verdadeira luta pelo Trono de Ferro disputada entre dois Targaryen. Mais uma vez, o autor apresenta-nos personagens que tanto nos conseguem cativar a simpatia como logo a seguir causar repulsa, mostrando que uma pessoa nunca é inteiramente boa ou má. As intrigas políticas e estratégias bélicas impressionam e fazem-nos sentir sempre no fio da navalha. Fiquei rendida à forte presença de dragões e de assistir à ligação entre estes seres e humanos.
Mulheres Perigosas é uma antologia que merece ser lida pela originalidade das histórias que apresenta como pela mensagem de que as mulheres não são nem nunca foram um sexo fraco. Através das figuras destas narrativas, somos levados a pensar sobre as dificuldades acrescidas que as mulheres enfrentaram e continuam a enfrentar no nosso mundo e nas formas engenhosas que muitas vezes são encontradas para que a igualdade e liberdade sejam alcançadas. Uma leitura que diverte e que não nos deixa esquecer que a força está na personalidade e não no género.
quinta-feira, 21 de setembro de 2017
Opinião: Carry On - A História de Simon Snow
Título Original: Carry On (2015)
Autor: Rainbow Rowell
ISBN: 9789897730764
Tradução: Fernanda Semedo
Editora: Edições Saída de Emergência (2017)
Sinopse:
Na famosa Escola de Magia de Watford, Simon desempenha um papel especial: ele é o Escolhido, aquele que irá salvar todos do Mal. Mas a verdade é que, metade das vezes, Simon não consegue fazer a sua varinha funcionar, e, na outra metade, pega fogo a tudo. O seu mentor evita-o, a sua namorada deixou-o, e existe um monstro que se alimenta de magia e que utiliza o rosto de Simon. Para piorar as coisas, Baz, a némesis irritante de Simon, desapareceu. Só pode estar a preparar alguma! Carry On – A História de Simon Snow está repleto de fantasmas, amor, mistérios. Tem exatamente a quantidade de beijos e de conversa que seria de esperar numa história de Rainbow Rowell – mas muito, muito mais monstros.
Opinião:
Este foi o primeiro livro que li de Rainbow Rowell. É curioso pensar que as personagens desta obra já surgem noutro livro da autora, Fangirl, como heróis de uma coleção de fantasia, sendo que ganham agora espaço próprio para contarem as suas aventuras. Assim sendo, Carry On - A História de Simon Snow mostra a capacidade de pegar em sementes de ideias apresentadas noutros trabalhos e trabalhá-las até ganharem uma identidade própria.
Este é um livro leve, que diverte bastante. Ao início, é impossível não comparar as personagens e a escola de magia a Harry Potter, de J. K. Rowling. Existem alguns elementos de ligação, mas conforme a trama se vai desenvolvendo vai também seguindo uma direção completamente diferente. Não se pode dizer que os acontecimentos sejam inesperados, mas acabam por ser, sim, refrescantes.
A componente mais forte deste livro está nas relações. Rainbow Rowell percebe que as pessoas são complexas, que aquilo que deixam transparecer nem sempre corresponde ao que são ou até ao que pensam que são. Como tal, as ligações que estabelecem com outras personagens são aliciantes por parecerem verdadeiras. A autora o amor, a amizade, a família, o companheirismo, a rivalidade e a admiração com grande credibilidade.
Simon Snow é um protagonista a fazer lembrar os heróis de anime. Trapalhão, bondoso e atormentado, acaba por não gerar uma empatia imediata. Aliás, no meu caso, esta ligação acabou por ser mais forte com Baz. É que Baz consegue explorar outras partes da sua personalidade que acabam por ser mais atrativas e diferenciadoras. Ele destaca-se por aparentar uma imagem de durão que pretende obter poder a todo o custo quando, na verdade, tem um passado que o continua a magoar e luta a tudo o custo contra os seus sentimentos com medo de ser magoado e, mais uma vez, abandonado. Assim sendo, Simon representa a emoção explosiva enquanto Baz é razão fria.
Gostei que a autora tentasse mostrar que não se pode ter nada como certo quando se analisam as relações. Raibow Rowell mostra que um rapaz e uma rapariga podem ter uma forte amizade um pelo outro sem segundas intenções, mas também nos faz pensar sobre como todos os outros veem sempre esta ligação com desconfiança. Esta análise de terceiros pode ser prejudicial para algo que era verdadeiro e puro. Mas o mais interessante é a abordagem que faz às relações homossexuais, não as tratando como diferentes das heterossexuais. Rowell fala sobre sentimentos verdadeiros e preconceito, sendo que este pode vir de fora mas também nos próprios apaixonados que receiam sofrer com a rejeição pela parte do outro.
O desenrolar da trama começa por não trazer grandes surpresas. A autora mostra-nos as personagens no seu último ano na escola de magia, fazendo algumas referências a outras aventuras que tiveram nos anos anteriores. Desta forma, o leitor vai conhecendo o dia a dia nesta instituição e a forma como todos se conheceram. Com o avançar da narrativa, surge a verdadeira ação. As revelações relacionadas com o inimigo são previsíveis, mas ainda assim gostei da justificação dada para o aparecimento de uma figura negra.
Os elementos mágicos poderiam estar melhor trabalhados. A autora acaba por cair em alguns clichés neste campo, não havendo propriamente uma noção de originalidade na apresentação ou criação de figuras ou componentes fantásticas. Tudo parece ser inspirado de uma outra história, não havendo grande inovação. O enredo não é o mais forte, mas as personagens conseguem cativar e manter o interesse pela história.
Carry On - A História de Simon Snow é um livro divertido, ótimo para quem gosta de elementos fantásticos e quer passar momentos descontraídos juntos de personagens jovens e inspiradoras. A união e confiança são as mensagens mais fortes desta aventura, que tem como grande objetivo entreter o leitor.
Autor: Rainbow Rowell
ISBN: 9789897730764
Tradução: Fernanda Semedo
Editora: Edições Saída de Emergência (2017)
Sinopse:
Na famosa Escola de Magia de Watford, Simon desempenha um papel especial: ele é o Escolhido, aquele que irá salvar todos do Mal. Mas a verdade é que, metade das vezes, Simon não consegue fazer a sua varinha funcionar, e, na outra metade, pega fogo a tudo. O seu mentor evita-o, a sua namorada deixou-o, e existe um monstro que se alimenta de magia e que utiliza o rosto de Simon. Para piorar as coisas, Baz, a némesis irritante de Simon, desapareceu. Só pode estar a preparar alguma! Carry On – A História de Simon Snow está repleto de fantasmas, amor, mistérios. Tem exatamente a quantidade de beijos e de conversa que seria de esperar numa história de Rainbow Rowell – mas muito, muito mais monstros.
Opinião:
Este foi o primeiro livro que li de Rainbow Rowell. É curioso pensar que as personagens desta obra já surgem noutro livro da autora, Fangirl, como heróis de uma coleção de fantasia, sendo que ganham agora espaço próprio para contarem as suas aventuras. Assim sendo, Carry On - A História de Simon Snow mostra a capacidade de pegar em sementes de ideias apresentadas noutros trabalhos e trabalhá-las até ganharem uma identidade própria.
Este é um livro leve, que diverte bastante. Ao início, é impossível não comparar as personagens e a escola de magia a Harry Potter, de J. K. Rowling. Existem alguns elementos de ligação, mas conforme a trama se vai desenvolvendo vai também seguindo uma direção completamente diferente. Não se pode dizer que os acontecimentos sejam inesperados, mas acabam por ser, sim, refrescantes.
A componente mais forte deste livro está nas relações. Rainbow Rowell percebe que as pessoas são complexas, que aquilo que deixam transparecer nem sempre corresponde ao que são ou até ao que pensam que são. Como tal, as ligações que estabelecem com outras personagens são aliciantes por parecerem verdadeiras. A autora o amor, a amizade, a família, o companheirismo, a rivalidade e a admiração com grande credibilidade.
Simon Snow é um protagonista a fazer lembrar os heróis de anime. Trapalhão, bondoso e atormentado, acaba por não gerar uma empatia imediata. Aliás, no meu caso, esta ligação acabou por ser mais forte com Baz. É que Baz consegue explorar outras partes da sua personalidade que acabam por ser mais atrativas e diferenciadoras. Ele destaca-se por aparentar uma imagem de durão que pretende obter poder a todo o custo quando, na verdade, tem um passado que o continua a magoar e luta a tudo o custo contra os seus sentimentos com medo de ser magoado e, mais uma vez, abandonado. Assim sendo, Simon representa a emoção explosiva enquanto Baz é razão fria.
Gostei que a autora tentasse mostrar que não se pode ter nada como certo quando se analisam as relações. Raibow Rowell mostra que um rapaz e uma rapariga podem ter uma forte amizade um pelo outro sem segundas intenções, mas também nos faz pensar sobre como todos os outros veem sempre esta ligação com desconfiança. Esta análise de terceiros pode ser prejudicial para algo que era verdadeiro e puro. Mas o mais interessante é a abordagem que faz às relações homossexuais, não as tratando como diferentes das heterossexuais. Rowell fala sobre sentimentos verdadeiros e preconceito, sendo que este pode vir de fora mas também nos próprios apaixonados que receiam sofrer com a rejeição pela parte do outro.
O desenrolar da trama começa por não trazer grandes surpresas. A autora mostra-nos as personagens no seu último ano na escola de magia, fazendo algumas referências a outras aventuras que tiveram nos anos anteriores. Desta forma, o leitor vai conhecendo o dia a dia nesta instituição e a forma como todos se conheceram. Com o avançar da narrativa, surge a verdadeira ação. As revelações relacionadas com o inimigo são previsíveis, mas ainda assim gostei da justificação dada para o aparecimento de uma figura negra.
Os elementos mágicos poderiam estar melhor trabalhados. A autora acaba por cair em alguns clichés neste campo, não havendo propriamente uma noção de originalidade na apresentação ou criação de figuras ou componentes fantásticas. Tudo parece ser inspirado de uma outra história, não havendo grande inovação. O enredo não é o mais forte, mas as personagens conseguem cativar e manter o interesse pela história.
Carry On - A História de Simon Snow é um livro divertido, ótimo para quem gosta de elementos fantásticos e quer passar momentos descontraídos juntos de personagens jovens e inspiradoras. A união e confiança são as mensagens mais fortes desta aventura, que tem como grande objetivo entreter o leitor.
quarta-feira, 6 de setembro de 2017
Opinião: O Castelo de Vidro
Título Original: The Glass Castle (2005)
Autor: Jeannette Walls
ISBN: 9789896652456
Editora: Suma de Letras (2017)
Sinopse:
"O Castelo de Vidro" é a história extraordinária de uma família profundamente disfuncional e tremendamente vibrante.
São uma família nómada. Vivem aqui e ali e sobrevivem como podem.
É uma história cheia de amor de uma família que se ama, mas que também se abandona, que é leal e dececionante ao mesmo tempo.
É uma daquelas leituras que nos mudam para sempre.
Opinião:
Quando este livro me chegou às mãos, não sabia bem o que esperar dele. É curioso pensar que nunca tinha ouvido falar desta obra que já venceu prémios e tem até uma adaptação cinematográfica recente com atores de renome. Abri então a primeira página só para ter uma ideia do que vinha aí. Depois, não consegui mais parar e devorei a história até ao final. Senti-me maravilhada, incomodada, chocada, intrigada, rendida.
O Castelo de Vidro apresenta uma história real. A autora faz a biografia da sua infância e dos primeiros anos de juventude, mas a sua escrita não é emocional mas sim direta e até um pouco crua, apesar de romanceada. Em certos momentos cheguei a encarar tudo como se se tratasse de ficção, mas era então que se dava um acontecimento mais marcante e eu tinha de ir à primeira página, onde está a fotografia dos pais da autora, ou à aba para olhar para o rosto da autora. Depois, ficava a imaginar como era possível aquilo ter acontecido àquelas pessoas. Como foi possível a Jeannette Walls e aos seus irmãos conseguirem sair daquela vida degradante. Como é possível que existam pessoas a passar pelo mesmo. Como tudo foi e é possível.
Jeannette Walls e os irmãos tiveram um vida nómada, acompanhando os pais nas suas "aventuras". Como tal, tiveram dificuldade em dar signficado à palavra lar, nunca frequentaram a escola de uma forma regular, não conseguiam estabelecer grandes amizades, não tinham posses. Mas tinham sim uma união forte e zelavam pela proteção e segurança uns dos outros. Ainda assim, tal não os impediu de passarem por experiências que nenhuma criança deveria ter. Jeannette denuncia negligência parental, abusos, miséria, fome, falta de higiene, entre outras tantas falhas que ela e os irmãos encontraram no seu crescimento.
Foi duro ler certas passagens. Foi duro ver uma criança de três anos a sofrer queimaduras, ir para um hospital e ver os pais a desdenharem do trabalho dos profissionais de saúde. Foi duro perceber que passavam dias a comer apenas o que encontravam no lixo enquanto o pai gastava tudo em álcool. Foi duro assistir aos actos egoístas de uma mãe que nunca conseguiu colocar os filhos à sua frente. Foi duro vê-los a sofrer, física, sexual e psicologicamente, sem terem ninguém adulto para os salvar e resgatar. E no meio disto tudo, de toda esta desgraça, foi de partir o coração perceber que o amor pode existir mesmo quando não é merecido e que o espírito livre destes pais também levou os seus filhos a viverem experiências positivas.
É que nesta família disfuncional existem sentimentos fortes. Não sei se todos sabiam o que era o amor, sendo este, talvez, mais visível entre os irmãos e na forma como Jeannette encarava os pais. Contudo, não sei se era isso que os seus progenitores sentiam pela sua prole ou até um pelo outro. Acho que existia ali uma forte dependência, orgulho e ilusão, mas ainda assim surgiram alguns momentos que conseguiram desarmar e levar a acreditar que tudo poderia melhorar. Mas percebe-se que, apesar de tudo, as quatro crianças tinham muito respeito pelos seus pais, mesmo quando estes lhes falharam tantas vezes.
Gostaria que o final tivesse apresentado mais informações, que tivesse sido mais extenso de modo a levar o leitor a perceber melhor como cada um dos filhos entrou na idade adulta. Mas talvez esse nunca tenha sido o intuito da autora, que poderá ter preferido dar maior destaque aos primeiros anos da sua vida. Desta forma, Jeannette Walls dá-nos esperança e prova que os obstáculos podem ser ultrapassados com vontade, trabalho e dedicação. Ainda bem que O Castelo de Vidro me chegou às mãos, mesmo eu não nunca tendo ouvido falar deste livro. É, sem dúvida, uma obra que toca e que dificilmente será esquecida.
Autor: Jeannette Walls
ISBN: 9789896652456
Editora: Suma de Letras (2017)
Sinopse:
"O Castelo de Vidro" é a história extraordinária de uma família profundamente disfuncional e tremendamente vibrante.
São uma família nómada. Vivem aqui e ali e sobrevivem como podem.
É uma história cheia de amor de uma família que se ama, mas que também se abandona, que é leal e dececionante ao mesmo tempo.
É uma daquelas leituras que nos mudam para sempre.
Opinião:
Quando este livro me chegou às mãos, não sabia bem o que esperar dele. É curioso pensar que nunca tinha ouvido falar desta obra que já venceu prémios e tem até uma adaptação cinematográfica recente com atores de renome. Abri então a primeira página só para ter uma ideia do que vinha aí. Depois, não consegui mais parar e devorei a história até ao final. Senti-me maravilhada, incomodada, chocada, intrigada, rendida.
O Castelo de Vidro apresenta uma história real. A autora faz a biografia da sua infância e dos primeiros anos de juventude, mas a sua escrita não é emocional mas sim direta e até um pouco crua, apesar de romanceada. Em certos momentos cheguei a encarar tudo como se se tratasse de ficção, mas era então que se dava um acontecimento mais marcante e eu tinha de ir à primeira página, onde está a fotografia dos pais da autora, ou à aba para olhar para o rosto da autora. Depois, ficava a imaginar como era possível aquilo ter acontecido àquelas pessoas. Como foi possível a Jeannette Walls e aos seus irmãos conseguirem sair daquela vida degradante. Como é possível que existam pessoas a passar pelo mesmo. Como tudo foi e é possível.
Jeannette Walls e os irmãos tiveram um vida nómada, acompanhando os pais nas suas "aventuras". Como tal, tiveram dificuldade em dar signficado à palavra lar, nunca frequentaram a escola de uma forma regular, não conseguiam estabelecer grandes amizades, não tinham posses. Mas tinham sim uma união forte e zelavam pela proteção e segurança uns dos outros. Ainda assim, tal não os impediu de passarem por experiências que nenhuma criança deveria ter. Jeannette denuncia negligência parental, abusos, miséria, fome, falta de higiene, entre outras tantas falhas que ela e os irmãos encontraram no seu crescimento.
Foi duro ler certas passagens. Foi duro ver uma criança de três anos a sofrer queimaduras, ir para um hospital e ver os pais a desdenharem do trabalho dos profissionais de saúde. Foi duro perceber que passavam dias a comer apenas o que encontravam no lixo enquanto o pai gastava tudo em álcool. Foi duro assistir aos actos egoístas de uma mãe que nunca conseguiu colocar os filhos à sua frente. Foi duro vê-los a sofrer, física, sexual e psicologicamente, sem terem ninguém adulto para os salvar e resgatar. E no meio disto tudo, de toda esta desgraça, foi de partir o coração perceber que o amor pode existir mesmo quando não é merecido e que o espírito livre destes pais também levou os seus filhos a viverem experiências positivas.
É que nesta família disfuncional existem sentimentos fortes. Não sei se todos sabiam o que era o amor, sendo este, talvez, mais visível entre os irmãos e na forma como Jeannette encarava os pais. Contudo, não sei se era isso que os seus progenitores sentiam pela sua prole ou até um pelo outro. Acho que existia ali uma forte dependência, orgulho e ilusão, mas ainda assim surgiram alguns momentos que conseguiram desarmar e levar a acreditar que tudo poderia melhorar. Mas percebe-se que, apesar de tudo, as quatro crianças tinham muito respeito pelos seus pais, mesmo quando estes lhes falharam tantas vezes.
Gostaria que o final tivesse apresentado mais informações, que tivesse sido mais extenso de modo a levar o leitor a perceber melhor como cada um dos filhos entrou na idade adulta. Mas talvez esse nunca tenha sido o intuito da autora, que poderá ter preferido dar maior destaque aos primeiros anos da sua vida. Desta forma, Jeannette Walls dá-nos esperança e prova que os obstáculos podem ser ultrapassados com vontade, trabalho e dedicação. Ainda bem que O Castelo de Vidro me chegou às mãos, mesmo eu não nunca tendo ouvido falar deste livro. É, sem dúvida, uma obra que toca e que dificilmente será esquecida.
terça-feira, 5 de setembro de 2017
Dan Brown vem a Portugal em Outubro!
A notícia foi avançada hoje: a Bertrand Editora prepara-se para trazer Dan Brown a Portugal. O encontro com os fãs acontecerá no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, no dia 15 de Outubro. Os leitores, para além de terem a oportunidade de conhecer o autor do fenómeno "O Código da Vinci", podeão ainda assistir à apresentação da sua nova obra, "Origem", que tem data de lançamento para esse mesmo mês.
segunda-feira, 4 de setembro de 2017
Opinião: Antes de Ires
Título Original: Before you go (2016)
Autor: Clare Swatman
Tradução: Mário Dias Correia
ISBN: 9789896579258
Editora: Planeta (2017)
Sinopse:
Esta história começa com um fim. Mas este fim é apenas o princípio. Um romance paro todos aqueles que acreditam no poder do amor, e que acreditam que nunca é tarde de mais para mudar as coisas. Um romance muito emocional, envolvente e profundo para todos os públicos. Um livro que explora os sentimentos, os sentimentos de culpa e os remorsos. Uma abordagem diferente sobre o luto e o amor.
Opinião:
Antes de Ires é um livro que nos sensibiliza para a importância de vivermos em pleno, de não perdermos tempo com problemas pequenos. Através de uma história romântica à qual muitos leitores se podem identificar, Clare Swatman, a autora, recorda-nos que tudo tem um fim, e que, melhor do que nos arrependermos depois pelos nosso atos, é sermos capazes de, agora, conseguirmos definir prioridades.
Zoe e Ed são o casal protagonista desta obra. Ao longo desta página, ficamos a conhecer como começou esta relação e de que forma evoluiu. E o mais curioso é que, apesar dos altos e baixos comuns a qualquer namoro ou casamento, o leitor já sabe como esta história vai terminar. Como tal, aqui o que muda é a percepção da mesma vivência. Por um lado percebemos como Zoe encarou a sua vida ao lado de Ed sem ter ideia do que iria acontecer, por outro vemos como ela vive cada momento quando já sabe que o tempo dos dois é mais curto do que seria esperado.
Os obstáculos que Zoe e Ed enfrentam são bastante realistas.O empenho na carreira, o tomar o outro como garantido, as prioridades relacionadas com família, o acreditar que há tempo para tudo, o não falar sobre o que realmente está a atormentar, o criar bolas de neve com pequenos problemas,... tudo isto são questões bastante comuns a outros casais e que nos levam a refletir sobre os nossos erros nas relações com os outros.
Por já se saber o final, a história não traz grandes surpresas. A autora leva-nos a pensar no desgaste de uma relação, no quão importante é a comunicação e em como é tão precioso chegar a um consenso em todos os temas que podem condicionar a vida a dois. Esta é uma mensagem forte para qualquer leitor, quer seja no que toca a uma relação amorosa, quer familiar ou de amizade. Existe uma pequena reviravolta mais perto do final, mas o suspense e a emoção nunca chegam a ser arrebatadores. A leitura é feita com leveza.
O destino e a sua fatalidade são assuntos que são constantemente abordados. A autora questiona se o nosso futuro está traçado ou se as nossas ações, escolhas e decisões realmente o podem alterar. Não fiquei completamente agradada com o rumo que esta questão seguiu, pois gosto de acreditar que o nosso futuro está nas nossas mãos. Contudo, nem sempre foi isso o que ficou demonstrado, tirando um detalhe que, apesar de tudo, pode fazer a diferença.
Leitura agradável e que é feita com rapidez, Antes de Ires é um romance com um conceito diferente, apesar de ter alguns clichés associados ao género. Acreditava que iria ficar mais arrebatada, mas, ainda assim, gostei que a autora chamasse a atenção para tantas questões tão comuns e que atormentam tantas pessoas, quer seja em situações de casal ou não.
Autor: Clare Swatman
Tradução: Mário Dias Correia
ISBN: 9789896579258
Editora: Planeta (2017)
Sinopse:
Esta história começa com um fim. Mas este fim é apenas o princípio. Um romance paro todos aqueles que acreditam no poder do amor, e que acreditam que nunca é tarde de mais para mudar as coisas. Um romance muito emocional, envolvente e profundo para todos os públicos. Um livro que explora os sentimentos, os sentimentos de culpa e os remorsos. Uma abordagem diferente sobre o luto e o amor.
Opinião:
Antes de Ires é um livro que nos sensibiliza para a importância de vivermos em pleno, de não perdermos tempo com problemas pequenos. Através de uma história romântica à qual muitos leitores se podem identificar, Clare Swatman, a autora, recorda-nos que tudo tem um fim, e que, melhor do que nos arrependermos depois pelos nosso atos, é sermos capazes de, agora, conseguirmos definir prioridades.
Zoe e Ed são o casal protagonista desta obra. Ao longo desta página, ficamos a conhecer como começou esta relação e de que forma evoluiu. E o mais curioso é que, apesar dos altos e baixos comuns a qualquer namoro ou casamento, o leitor já sabe como esta história vai terminar. Como tal, aqui o que muda é a percepção da mesma vivência. Por um lado percebemos como Zoe encarou a sua vida ao lado de Ed sem ter ideia do que iria acontecer, por outro vemos como ela vive cada momento quando já sabe que o tempo dos dois é mais curto do que seria esperado.
Os obstáculos que Zoe e Ed enfrentam são bastante realistas.O empenho na carreira, o tomar o outro como garantido, as prioridades relacionadas com família, o acreditar que há tempo para tudo, o não falar sobre o que realmente está a atormentar, o criar bolas de neve com pequenos problemas,... tudo isto são questões bastante comuns a outros casais e que nos levam a refletir sobre os nossos erros nas relações com os outros.
Por já se saber o final, a história não traz grandes surpresas. A autora leva-nos a pensar no desgaste de uma relação, no quão importante é a comunicação e em como é tão precioso chegar a um consenso em todos os temas que podem condicionar a vida a dois. Esta é uma mensagem forte para qualquer leitor, quer seja no que toca a uma relação amorosa, quer familiar ou de amizade. Existe uma pequena reviravolta mais perto do final, mas o suspense e a emoção nunca chegam a ser arrebatadores. A leitura é feita com leveza.
O destino e a sua fatalidade são assuntos que são constantemente abordados. A autora questiona se o nosso futuro está traçado ou se as nossas ações, escolhas e decisões realmente o podem alterar. Não fiquei completamente agradada com o rumo que esta questão seguiu, pois gosto de acreditar que o nosso futuro está nas nossas mãos. Contudo, nem sempre foi isso o que ficou demonstrado, tirando um detalhe que, apesar de tudo, pode fazer a diferença.
Leitura agradável e que é feita com rapidez, Antes de Ires é um romance com um conceito diferente, apesar de ter alguns clichés associados ao género. Acreditava que iria ficar mais arrebatada, mas, ainda assim, gostei que a autora chamasse a atenção para tantas questões tão comuns e que atormentam tantas pessoas, quer seja em situações de casal ou não.
domingo, 3 de setembro de 2017
Resultado do passatempo exclusivo Facebook: "A Luz da Noite"
Pela primeira vez, o blogue fez um passatempo cuja participação decorria em exclusivo no Facebook. Em sorteio estava um exemplar do livro A Luz da Noite, de Graham Moore, gentilmente cedido pela editora Suma de Letras.
O passatempo contou com 296 participações. Contudo, foram excluídas as participações de quem não cumpriu as regras de seguir as páginas do blogue e da Suma de Letras, assim como as de quem participou mais do que uma vez (contei a primeira participação e tirei as restantes). Com tudo isto, e depois de sorteio no random.org, o vencedor deste sorteio foi:
Muitos parabéns! Vou ficar a aguardar mensagem com os dados necessários para o envio do prémio. Caso ainda não receba qualquer contacto no período de cinco dias, será feito novo sorteio.
O passatempo contou com 296 participações. Contudo, foram excluídas as participações de quem não cumpriu as regras de seguir as páginas do blogue e da Suma de Letras, assim como as de quem participou mais do que uma vez (contei a primeira participação e tirei as restantes). Com tudo isto, e depois de sorteio no random.org, o vencedor deste sorteio foi:
Ana Melo
Muitos parabéns! Vou ficar a aguardar mensagem com os dados necessários para o envio do prémio. Caso ainda não receba qualquer contacto no período de cinco dias, será feito novo sorteio.
sexta-feira, 1 de setembro de 2017
Opinião: Ao Fechar a Porta
Título Original: Behind Closed Doors (2016)
Autor: B. A. Paris
Tradução: Marta Mendonça
ISBN: 9789722360593
Editora: Editorial Presença (2017)
Sinopse:
Quem não conhece um casal como Jack e Grace? Ele é atraente e rico. Ela é encantadora e elegante. Ele é um hábil advogado que nunca perdeu um caso. Ela orienta de forma esmerada a casa onde vivem, e é muito dedicada à irmã com deficiência. Jack e Grace têm tudo para serem um casal feliz. Por mais que alguém resista, é impossível não se sentir atraído por eles. a paz e o conforto que a sua casa proporciona e os jantares requintados que oferecem encantam os amigos. Mas não é fácil estabelecer uma relação próxima com Grace... Ela e Jack são inseparáveis.
Para uns, o amor entre eles é verdadeiro. Outros estranham Grace. Por que razão não atende o telefone e não sai à rua sozinha? Como pode ser tão magra, sendo tão talentosa na cozinha? Por que motivo as janelas dos quartos têm grades? Será aquele um casamento perfeito, ou tudo não passará de uma perfeita mentira?
Opinião:
Sabem aqueles livros que começamos a ler e deixamos imediatamente de consequir largar? Que nos surpreendem mesmo quando já temos praticamente todas as informações na mão? Que nos fazem olhar para quem nos rodeia de forma diferente? Que nos leva a duvidar do que tomamos como certo? Ao Fechar a Porta é um desses livros. B. A. Paris consegue cativar não só pela trama mas também pelas suas personagens impressionantes, reais e assustadoras.
Sabia que a autora nos iria apresentar uma história de violência psicológoca e manipulação, mas não estava à espera para me sentir sufocada em certos momentos de maior desespero. Normalmente, quando ouvimos histórias de pessoas que são controladas por outras, questionamos o motivo para elas nunca terem feito nada para sair dessa situação. Com este livro, a autora mostra-nos que isso não é necessariamente verdade, revela que existe uma luta maior do que podemos imaginar e, mesmo assim, da qual não é fácil ou simples sair vencedor.
Grace é a protagonista desta obra, uma mulher que está casada com Jack. Os dois aparentam formam o casal perfeito, contudo, demasiada perfeição causa dois tipos de reações diferentes nos outros. Por um lado, existem aqueles que ambicionam tal felicidade idílica, sendo que no outro estão os que desconfiam de tudo o que parece demasiado bom, que tentam ver para além do que é apresentado. Contudo, distinguir estes dois grupos não é fácil, além de que, já diz o ditado, "entre marido e mulher não se mete a colher". Portanto, Grace vive uma situação bastante solitária, que não nos é imediatamente apresentada na sua total complexidade.
Apreciei bastante da forma como B. A. Paris construiu a narrativa e do método de encadeamente de acontecimos. Existe um intercalar entre presente e futuro, sendo que, no fim, os dois quase se chocam, mostrando-nos toda a história de terror de Grace. Deste modo, assistimos à evolução desta personagem, entendemos o que as suas motivações e sofremos com ela. Fiquei deliciada com a inteligência desta mulher que, ao início, sugeria um certo desiquilibrio emocional. Acredito que é preciso ser muito forte e ter uma âncora extraordinária para se manter a sanidade numa situação de controlo como a que foi imposta por Jack.
Os momentos mais tensos são aqueles em que Jack deixa cair a máscara depois de ter dado a entender que até poderia ter alguma compaixão. O salto que ele dá entre os dois estados fazem acreditar que os monstros existem e caminham entre nós. Quando Jack deixa cair a máscara, torna-se difícil imaginar o desespero vivido por Grace. Contudo, tal como ela, sentimo-nos a sufocar numa prisão maior do que as simples paredes de um quarto. Grace é levada a alterar quem é para agradar Jack, e aqui surge uma transformação surpreendente: ela aprende com o seu marido e captor a ser fria, calculista e manipuladora. As reviravoltas são muitas e a tensão uma constante.
A violência está sempre presente em A Fechar a Porta e tanto repugna como cativa para a leitura. Uma obra que faz refletir sobre os limites da maldade humana e sobre a capacidade incrível de sobrevivência e preservação. Uma leitura muito gratificante e estimulante que recomendo a todos os que gostam de thrillers psicológicos.
Autor: B. A. Paris
Tradução: Marta Mendonça
ISBN: 9789722360593
Editora: Editorial Presença (2017)
Sinopse:
Quem não conhece um casal como Jack e Grace? Ele é atraente e rico. Ela é encantadora e elegante. Ele é um hábil advogado que nunca perdeu um caso. Ela orienta de forma esmerada a casa onde vivem, e é muito dedicada à irmã com deficiência. Jack e Grace têm tudo para serem um casal feliz. Por mais que alguém resista, é impossível não se sentir atraído por eles. a paz e o conforto que a sua casa proporciona e os jantares requintados que oferecem encantam os amigos. Mas não é fácil estabelecer uma relação próxima com Grace... Ela e Jack são inseparáveis.
Para uns, o amor entre eles é verdadeiro. Outros estranham Grace. Por que razão não atende o telefone e não sai à rua sozinha? Como pode ser tão magra, sendo tão talentosa na cozinha? Por que motivo as janelas dos quartos têm grades? Será aquele um casamento perfeito, ou tudo não passará de uma perfeita mentira?
Opinião:
Sabem aqueles livros que começamos a ler e deixamos imediatamente de consequir largar? Que nos surpreendem mesmo quando já temos praticamente todas as informações na mão? Que nos fazem olhar para quem nos rodeia de forma diferente? Que nos leva a duvidar do que tomamos como certo? Ao Fechar a Porta é um desses livros. B. A. Paris consegue cativar não só pela trama mas também pelas suas personagens impressionantes, reais e assustadoras.
Sabia que a autora nos iria apresentar uma história de violência psicológoca e manipulação, mas não estava à espera para me sentir sufocada em certos momentos de maior desespero. Normalmente, quando ouvimos histórias de pessoas que são controladas por outras, questionamos o motivo para elas nunca terem feito nada para sair dessa situação. Com este livro, a autora mostra-nos que isso não é necessariamente verdade, revela que existe uma luta maior do que podemos imaginar e, mesmo assim, da qual não é fácil ou simples sair vencedor.
Grace é a protagonista desta obra, uma mulher que está casada com Jack. Os dois aparentam formam o casal perfeito, contudo, demasiada perfeição causa dois tipos de reações diferentes nos outros. Por um lado, existem aqueles que ambicionam tal felicidade idílica, sendo que no outro estão os que desconfiam de tudo o que parece demasiado bom, que tentam ver para além do que é apresentado. Contudo, distinguir estes dois grupos não é fácil, além de que, já diz o ditado, "entre marido e mulher não se mete a colher". Portanto, Grace vive uma situação bastante solitária, que não nos é imediatamente apresentada na sua total complexidade.
Apreciei bastante da forma como B. A. Paris construiu a narrativa e do método de encadeamente de acontecimos. Existe um intercalar entre presente e futuro, sendo que, no fim, os dois quase se chocam, mostrando-nos toda a história de terror de Grace. Deste modo, assistimos à evolução desta personagem, entendemos o que as suas motivações e sofremos com ela. Fiquei deliciada com a inteligência desta mulher que, ao início, sugeria um certo desiquilibrio emocional. Acredito que é preciso ser muito forte e ter uma âncora extraordinária para se manter a sanidade numa situação de controlo como a que foi imposta por Jack.
Os momentos mais tensos são aqueles em que Jack deixa cair a máscara depois de ter dado a entender que até poderia ter alguma compaixão. O salto que ele dá entre os dois estados fazem acreditar que os monstros existem e caminham entre nós. Quando Jack deixa cair a máscara, torna-se difícil imaginar o desespero vivido por Grace. Contudo, tal como ela, sentimo-nos a sufocar numa prisão maior do que as simples paredes de um quarto. Grace é levada a alterar quem é para agradar Jack, e aqui surge uma transformação surpreendente: ela aprende com o seu marido e captor a ser fria, calculista e manipuladora. As reviravoltas são muitas e a tensão uma constante.
A violência está sempre presente em A Fechar a Porta e tanto repugna como cativa para a leitura. Uma obra que faz refletir sobre os limites da maldade humana e sobre a capacidade incrível de sobrevivência e preservação. Uma leitura muito gratificante e estimulante que recomendo a todos os que gostam de thrillers psicológicos.
Subscrever:
Comentários (Atom)











