Título Original: Under the Dome (2009)
Autor: Stephen King
Tradução: Ana Lourenço
ISBN: 9789722527217 e 9789722527408
Editora: Bertrand Editora (2013)
Sinopse:
Num bonito dia de outono, um dia perfeitamente normal, uma pequena cidade é súbita e inexplicavelmente isolada do resto do mundo por uma força invisível. Quando chocam contra ela, os aviões despenham-se, os carros explodem, as pessoas ficam feridas. As famílias são separadas e o pânico instala-se. Ninguém consegue compreender que barreira é aquela, de onde vem ou quando (se é que algum dia) desaparecerá. Agora, um grupo de cidadãos intrépidos, liderado por um veterano da guerra do Iraque, toma as rédeas do poder no interior da cúpula. Mas o seu principal inimigo é a própria redoma. E o tempo está a esgotar-se…
Opinião:
Finalmente consegui ler A Cúpula, de Stephen King. Este livro, que em Portugal foi dividido em dois volumes, tinha despertado a minha curiosidade por diversas razões. Trata-se de uma obra de Stephen King, autor cujas obras acabam sempre por me marcar pela diferença e pelos temas que aborda. E como se tal não bastasse, a ideia de uma cidade subitamente isolada por uma cúpula de origem desconhecida agradou-me. Queria ver de que forma tal afectava as pessoas e admito desde já que fiquei bem impressionada.
Vendo a obra num plano mais geral, é muito interessante verificar as alterações sociais que começaram a ocorrer a partir do momento em que a cúpula surge. Ao início, percebemos que a cidade de Chester’s Mill, doe estado norte-americano do Maine, é um local afastado de grandes centros urbanos o que deixa atribuir-lhe características provincianas. Facilmente se percebe que as personagens se conhecem todas umas às outras, nem que seja só de vista. Estes factores fazem com que quando o momento de crise surge se assista a diferentes fenómenos.
É interessante observar a forma como a população, na sua maioria, se deixa guiar pelas figuras de autoridade que já reconhecia. E mais curioso ainda é ver essas mesmas figuras de autoridade a alterarem os seus ideais, atitudes e objectivos ou então a torná-los mais evidentes. Figuras que anteriormente procuravam aumentar o poder que possuíam de forma dissimulada começam a fazê-lo descaradamente, o que dá origem a uma nova ordem social que caminha para um regime ditatorial. E se o leitor rapidamente percebe isso devido aos diferentes pontos de vista a que tem a acesso, o mesmo não acontece à generalidade dos habitantes de Chester's Mill. Contudo, existe também uma facção de "rebeldes", movimento esse que acaba por ser aquele que conquista a simpatia do leitor por possuir uma visão mais abrangente do que está a acontecer e por manter valores nobres.
Fiquei bem impressionada pelas manobras de manipulação efectuadas e acreditei que cada uma delas tivesse o resultado apresentado. O autor revela perceber bem a natureza humana, quer seja pelas reacções apresentadas, quer pelas crenças individuais. O leitor consegue separar as personagens entre as que considera "más" e "boas" sem pensar muito em como o faz, mas é curioso verificar que o autor conseguiu fazer com que cada uma acredite que está a seguir o caminho correcto. Neste ponto, gostei de constatar que as motivações podem ser o bem comum da população e/ou a religião.
As personagens desta trama são muitas, o que poderá gerar uma certa dificuldade inicial na leitura. Felizmente existe um apêndice onde todas as figuras surgem divididas pelos grupos em que se inserem, o que acaba por ser de grande ajuda. Apesar de muitas, foi bom verificar que todas elas são dotadas de personalidades diferentes e que nos fazem acreditar que poderiam ser reais. Destaco Barbie, Rusty, Julia, Big Jim, Junior, Chef, Joe e o meu querido Horace. Fiquei chocada pela forma como todas estas figuras foram tratadas. Se acreditam que apenas George R. R. Martin é capaz de matar e torturar as suas personagens sem dó nem piedade então leiam A Cúpula.
O mistério da origem e finalidade da cúpula é uma constante ao longo de toda a obra. É impossível não imaginar diferentes hipóteses, tal como as personagens fazem, mas quando este segredo foi desvendado fiquei com uma sensação de inquietude. Por um lado, não fiquei plenamente convencida, por outro fiquei chocada com a mensagem que o autor transmitiu. A vida nas suas mais diferentes formas terá ou não o mesmo significado? Este é apenas uma das questões levantadas entre muitas outras que não quero expor para manter o suspense. O final não me deixou satisfeita por ter sido abrupto e pela conclusão apresentada.
É bem visível a preocupação do autor em ser coerente e realista nas questões mais técnicas. Os combustíveis, geradores e outros equipamentos que acabam por se revelar vitais poderiam dar origem a grandes obstáculos criativos no que toca ao desenvolvimento da trama, mas a verdade é que estão bem incluídos e acabam por fortalecer a ideia de aflição e dependência. O efeito da cúpula também faz pensar em questões ambientais e acaba por ser uma chamada de atenção ao que poderá acontecer à atmosfera do nosso planeta.
A Cúpula proporcionou-me uma leitura viciante e que rapidamente me agarrou. Adorei esta história povoada por tantas personagens diferentes umas das outras e que, apesar de longa, possui um ritmo rápido. Durante a leitura, dei por mim a pensar nas reacções humanas a situações de crise, sendo aqui destacado a capacidade de interajuda e o abuso do outro por excesso de poder. Este é um livro que aconselho, apesar da conclusão poder não ser satisfatória. Apesar de algumas questões poderem não ser bem aceites, a verdade é que se trata de uma obra diferente e que decerto deixará marca.
Outras opiniões a livros de Stephen King:
A Lenda do Vento (A Torre Negra #8)
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terça-feira, 26 de agosto de 2014
sexta-feira, 28 de junho de 2013
Opinião: A Lenda do Vento (A Torre Negra #8)
Título original: The Wind Through the Keyhole (2012)
Autor: Stephen King
Tradução: Rosa Amorim
ISBN: 9789722525619
Editora: Bertrand Editora (2013)
Sinopse:
Roland Deschain, Jake, Susannah, Eddie e Oy enfrentam uma terrível tempestade quando acabam de atravessar o rio Whye e são obrigados a abrigar-se numa cidade há muito abandonada. Embalados pelo brilho das chamas e pelo uivo do vento, os quatro companheiros acompanham o pistoleiro em dois episódios de seu passado. Uma viagem encantadora e assustadora ao mundo de Roland e um testemunho do poder e da magia de Stephen King a contar histórias.
Opinião:
Oitavo volume da saga "A Torre Negra" – mas situado cronologicamente entre os volumes quatro e cinco – em A Lenda do Vento acompanhamos Roland Deschain, um pistoleiro destemido, Jake, Susannah e Eddie, que são originários da nossa realidade, e também Oy, um estranho animal que parece ter algumas características humanas. Durante uma jornada, estas personagens são surpreendidas por uma violenta tempestade e são obrigados a procurar abrigo numa cidade abandonada. Aí, Roland desvenda uma história do seu passado e revela uma das suas lendas preferidas.
A Lenda do Vento não é o primeiro livro da saga e talvez por isso mesmo existam certos conceitos e referências que são estranhos, não fazem sentido e possam confundir um pouco a leitura. Contudo, não é isso que faz não compreender a história, apesar de se sentir uma necessidade de saber o que aconteceu antes de modo a perceber melhor este universo e as motivações de algumas personagens.
O mundo deste livro apresenta-se como um de muitos que existem em paralelo ao nosso. Tem algumas inspirações na Idade Média, nomeadamente na organização social e nas crenças, mas também no faroeste americano, muito graças às referências que nos fazem lembrar cowboys. Existem também algumas características mais futuristas, nomeadamente no surgimento de dispositivos demasiado avançados que se confundem com objectos mágicos. Sendo assim, pode-se dizer que Stephen King reuniu diversos elementos que parecem não ter ligação, mas que acabam por funcionar numa forma curiosa, apesar de ao início poderem provocar estranheza.
A organização da trama não é convencional. Inicialmente, o leitor acompanha as personagens acima mencionadas. A certo momento, o protagonista começa a narrar um acontecimento passado, dando início a um novo capítulo que apresenta essa situação, contada na primeira pessoa. A meio dessa história, uma personagem começa a narrar uma lenda, e o leitor volta a encontrar um novo capítulo que tem essa mesma lenda como trama principal. No final, fica a ideia que apenas duas destas três histórias terminaram, que todas têm forte ligação entre si e que fazem revelações importantes para quem tem estado a seguir a saga.
O facto de existirem três acções distintas faz com que exista um vasto leque de personagens. Todas elas são diferentes e dotadas de personalidades características, destacando-se Roland e Tim. Existem diversas reviravoltas, momentos intensos e descrições tão precisas que chegam a repugnar, ou não estivéssemos a falar de um livro de Stephen King.
No final, percebe-se que este é um volume que até pode ser lido sozinho, mas que parece perder grande do seu sentido lido desta forma. Ficou a vontade de acompanhar a saga desde o início.
Autor: Stephen King
Tradução: Rosa Amorim
ISBN: 9789722525619
Editora: Bertrand Editora (2013)
Sinopse:
Roland Deschain, Jake, Susannah, Eddie e Oy enfrentam uma terrível tempestade quando acabam de atravessar o rio Whye e são obrigados a abrigar-se numa cidade há muito abandonada. Embalados pelo brilho das chamas e pelo uivo do vento, os quatro companheiros acompanham o pistoleiro em dois episódios de seu passado. Uma viagem encantadora e assustadora ao mundo de Roland e um testemunho do poder e da magia de Stephen King a contar histórias.
Opinião:
Oitavo volume da saga "A Torre Negra" – mas situado cronologicamente entre os volumes quatro e cinco – em A Lenda do Vento acompanhamos Roland Deschain, um pistoleiro destemido, Jake, Susannah e Eddie, que são originários da nossa realidade, e também Oy, um estranho animal que parece ter algumas características humanas. Durante uma jornada, estas personagens são surpreendidas por uma violenta tempestade e são obrigados a procurar abrigo numa cidade abandonada. Aí, Roland desvenda uma história do seu passado e revela uma das suas lendas preferidas.
A Lenda do Vento não é o primeiro livro da saga e talvez por isso mesmo existam certos conceitos e referências que são estranhos, não fazem sentido e possam confundir um pouco a leitura. Contudo, não é isso que faz não compreender a história, apesar de se sentir uma necessidade de saber o que aconteceu antes de modo a perceber melhor este universo e as motivações de algumas personagens.
O mundo deste livro apresenta-se como um de muitos que existem em paralelo ao nosso. Tem algumas inspirações na Idade Média, nomeadamente na organização social e nas crenças, mas também no faroeste americano, muito graças às referências que nos fazem lembrar cowboys. Existem também algumas características mais futuristas, nomeadamente no surgimento de dispositivos demasiado avançados que se confundem com objectos mágicos. Sendo assim, pode-se dizer que Stephen King reuniu diversos elementos que parecem não ter ligação, mas que acabam por funcionar numa forma curiosa, apesar de ao início poderem provocar estranheza.
A organização da trama não é convencional. Inicialmente, o leitor acompanha as personagens acima mencionadas. A certo momento, o protagonista começa a narrar um acontecimento passado, dando início a um novo capítulo que apresenta essa situação, contada na primeira pessoa. A meio dessa história, uma personagem começa a narrar uma lenda, e o leitor volta a encontrar um novo capítulo que tem essa mesma lenda como trama principal. No final, fica a ideia que apenas duas destas três histórias terminaram, que todas têm forte ligação entre si e que fazem revelações importantes para quem tem estado a seguir a saga.
O facto de existirem três acções distintas faz com que exista um vasto leque de personagens. Todas elas são diferentes e dotadas de personalidades características, destacando-se Roland e Tim. Existem diversas reviravoltas, momentos intensos e descrições tão precisas que chegam a repugnar, ou não estivéssemos a falar de um livro de Stephen King.
No final, percebe-se que este é um volume que até pode ser lido sozinho, mas que parece perder grande do seu sentido lido desta forma. Ficou a vontade de acompanhar a saga desde o início.
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