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quarta-feira, 8 de março de 2017

Opinião: A Última Estrela (A 5ª Vaga #3)

Título Original: The Last Star (2016)
Autor: Rick Yancey
Tradução: Miguel Romeira
ISBN: 9789722359634
Editora: Editorial Presença (2017)

Sinopse: 

O inimigo já não é o mesmo. O inimigo somos nós. Eles estão entre nós, eles estão sobre nós, eles não estão em lado nenhum. Querem a Terra, mas querem que seja nossa. Vieram para nos dizimar, mas querem salvar-nos. Porém, sob estes enigmas esconde-se uma verdade: Cassie foi traída. E também o foram. Ringer. Zombie. Nugget. E todos os sete mil milhões e meio de pessoas que viviam no nosso planeta. Primeiro traídos pelos Outros e depois por nós próprios. Nestes últimos dias, os sobreviventes terão de decidir o que é mais importante: salvar-se… ou salvar o que nos torna humanos.

Opinião:

Começar a leitura do último livro de uma trilogia ou saga é algo que é sempre feito num misto de entusiasmo e nostalgia. E também de expectativa e receio quanto à conclusão. Felizmente, A Última Estrela conseguiu surpreender-me e tornou-se no meu livro preferido da trilogia "A 5ª Vaga". Rick Yancey guardou bons trunfos para o fim.

Numa história repleta de acção, o autor fez-nos pensar sobre o que nos torna humanos, sobre os nossos limites para garantir a sobrevivência e sobre a força das relações nos seus diferentes sentidos. Tudo isto levou-me a ler este livro num ápice. Desta vez, não senti qualquer estranheza ao voltar a entrar neste mundo, apesar de Rick Yancey não fazer qualquer retrospectiva para nos recordar o que aconteceu nos dois volumes anteriores. O ritmo da narrativa é rápido e apresenta pontos de vista distintos, o que faz com que as motivações de diferentes personagens e a forma como encaram as outras é facilmente apreendido.

Cassie, Ringer e Zombie foram as personagens que mais me chamaram a atenção. Cassie passa por uma verdadeira transformação. Pode não ser uma rapariga fácil de gostar e por vezes parece demasiado dramática, mas as suas decisões são tomadas pelo coração e consigo identificar-me com isso. Gostei muito da forma como Cassie terminou a sua história, dando força ao conceito de humanidade. Ringer é uma personagem verdadeiramente feita por camadas e é fascinante assistir à forma como se entrega por uma causa maior em detrimento de si própria. Por tudo isto, Ringer é quem mais se destaca. Já sobre Zombie, gostei da sua entrega aos companheiros e do facto de não ter perdido o seu humor. É ainda curioso verificar como o autor adaptou a linguagem utilizada mediante os capítulos de cada uma destas personagens.

Acompanhamos estas figuras em diferentes situações e em diferentes locais, não havendo tempo para momentos mais aborrecidos. Sente-se a tensão e o perigo constante. Gostei também que Vosh, o vilão, não fosse cruel sem causa, mas que acreditasse que as suas ações faziam sentido tendo um vista um suposto bem maior. Contudo, gostaria de ter conhecido melhor o que estava atrás desta figura, pois as noções que foram dadas pareceram-me vagas.

Se os livros anteriores levantaram imensas questões e fizeram sempre duvidar sobre o que realmente estava por trás de todos estes acontecimentos apocalípticos, agora são dadas respostas. Confesso que estava à espera de uma outra solução, mais trágica, mas esta acabou por ser fundamentada. A história faz pensar sobre o facto de a humanidade não se distinguir apenas pela inteligência, mas sobretudo pelos sentimentos e emoções que nos unem.

A Última Estrela tornou-se no meu livro preferido da trilogia "A 5ª Vaga". A história é intensa e agarra, as perguntas encontram as suas respostas, há reviravoltas inesperadas e somos levados a pensar sobre o valor da vida e sobre a importância das relações para o bem comum. Rick Yanvey surpreendeu-me.

Outras opiniões a livros de Rick Yancey: 
A 5ª Vaga (A 5ª Vaga #1)
O Mar Infinito (A 5ª Vaga #2)

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Opinião: O Mar Infinito (A 5ª Vaga #2)

Título original: The Infinite Sea (2014)
Autor: Rick Yancey
Tradução: Miguel Romeira
ISBN: 9789722355889
Editora: Editorial Presença (2015)

Sinopse:

A Terra foi invadida por extraterrestres - os Outros -, que têm como único objetivo o extermínio de toda a população do planeta. Sem aviso, lançaram quatro vagas de destruição que devastaram parte da humanidade. Cassie Sullivan e os seus companheiros contam-se entre os poucos que sobreviveram.
Agora, com a espécie humana quase extinta e com uma quinta vaga em marcha, os jovens têm de tomar uma decisão crucial: enfrentar o duro inverno e ficar à espera que Evan Walter regresse, ou partir à procura de mais sobreviventes antes que o inimigo se aproxime demasiado - porque o próximo ataque é mais do que possível, é inevitável. Ninguém é capaz de prever até onde os Outros podem descer, nem estes sabem o quanto a humanidade se pode erguer.

Opinião:

Depois de todas as emoções que acompanham A 5ª Vaga, estava curiosa com a continuação desta obra de Rick Yancey. O Mar Infinito, segundo volume da trilogia chegou às minhas mãos e comecei imediatamente a ler. Posso desde já adiantar que deparei-me com momentos de muita ação, muitas revelações e, no final, voltei a duvidar de tudo aquilo que acreditava até ali. E sabem que mais? Gosto de livros que me levam a pensar de diferentes formas e a não ter a certeza de nada até às páginas finais e este é um deles!

Contudo, logo no início deparei-me com um obstáculo: a narrativa começava de uma forma rápida, com todas as personagens inseridas em momentos de ação. Ora, se isso, por um lado, pode ser bom porque mostra que o livro tem muitos acontecimentos de cortar o fôlego, por outros pode ser um pouco confuso. Tendo em conta que li o primeiro livro há mais do ano, previsava de um início que me relembrasse os acontecimentos principais do volume anterior e, principalmente, me ajudasse a recordar as personagens. Como tal, a leitura das primeiras páginas não foi fácil.

Felizmente, todos os pontos acabaram por serem ligados e eu lá consegui fazer as associações necessárias entre o primeiro livro e este. A partir daí, a leitura atingiu um ritmo mais rápido e, quando dei por mim, já estava mesmo a chegar à última página. A narrativa é muito rápida e há muito a acontecer. De forma a ajudar o leitor a compreender tudo o que está a acontecer, o autor optou por fazer uma divisão tendo como base os cenários. O meu preferido foi, sem dúvida, o último, por ser aquele que trazia um maior fator de novidade.

Cassie volta a ser uma personagem de grande foco, mas enquanto no primeiro livro era, sem dúvida, a protagonista, agora parece passar mais despercebida. Tem um papel muito importante, é verdade, mas o ponto de vista novo de outras figuras faz com que ela acaba para passar para um plano de menor interesse. Desta vez, senti falta do humor negro desta figura, mas entende que tal aconteceu devido às circunstâncias em que se encontra.

Desta vez, Ringer foi a personagem que mais me cativou. A personalidade dela é conflituosa e revoltada e existe uma necessidade enorme de a entender. Uma parte do seu passado é desvendada e, desta forma, ficasse com uma ideia da origem da enorme força desta rapariga. Mas devo dizer que o que realmente me cativou foi a situação final em que ela se encontrou. É através do ponto de vista de Ringer que ficamos a conhecer uma nova versão do que está a acontecer e é também através dela que as ideias que já aceitávamos como certas acabam por cair e dar origem a outras.

Gostei muito do livro, mas, ao mesmo tempo, fiquei com a sensação que tinha lido algo que não tinha um início ou um fim. O Mar Infinito é o segundo volume de uma trilogia e, por isso, percebe-se que não possa haver uma conclusão definitiva, mas gostaria que o autor tivesse encontrado um ponto de viragem mais consistente para que esta leitura terminasse com um outro sabor. Assim sendo, sinto  que acabei de ler algo que ficou incompleto.

O Mar Infinito mantém o entusiasmo e as emoções que surgiram em A 5ª Vaga, mas também deixou muito por explicar. Gostei do livro, mas estava à espera de mais respostas, não de mais perguntas. Agora, quero muito ler o próximo livro. Estou curiosa para saber quais vão ser os desenvolvimentos das personagens e qual é, afinal, o segredo de todo este mundo.

Outras opiniões a livros de Rick Yancey:
A 5ª Vaga (A 5ª Vaga #2)

quarta-feira, 14 de maio de 2014

Opinião: A 5ª Vaga (A 5ª Vaga #1)

Autor: Rick Yancey
Título Original: The 5th Wave (2013)
Tradução: Miguel Romeira
ISBN: 9789722352529
Editora: Editorial Presença (2014)

Sinopse:

A 5ª Vaga, o volume que dá início à trilogia com o mesmo nome, é uma obra-prima da ficção científica moderna. É um épico extremamente original, que nos apresenta um cenário de invasão extraterrestre do planeta Terra como nunca antes foi escrito ou sequer imaginado. Nesta narrativa assombrosa, uma nave extraterrestre fixa-se na órbita da terra, à vista de todos mas sem estabelecer qualquer interação. Até que, subitamente, uma gigantesca onda eletromagnética desativa todos os sistemas da Terra, e todas as luzes, comunicações e máquinas deixam de funcionar. A esta primeira vaga seguem-se outras, num crescendo de violência que devasta grande parte da humanidade.

Será este o fim da existência humana sobre a Terra? Haverá ainda alguma salvação possível? A 5ª Vaga é um thriller de alta voltagem, com todos os ingredientes para se tornar um grande clássico da literatura fantástica universal.

Opinião:

A Editoral Presença aposta na ficção cientifica através de A 5ª Vaga, o primeiro livro de uma trilogia de autoria de Rick Yancey. Esta foi uma leitura que comecei com entusiasmo, afinal aprecio o género em que se enquadra para além de que as várias nomeações a prémios deixaram-me curiosa.

O primeiro aspecto que me chamou a atenção foi o tipo de escrita. A história começa por ser narrada na primeira pessoa por Cassie, uma jovem que está longe de ser perfeita e que é adepta do sarcasmo e da ironia. Através do tom usado, é possível ficar a par de um cenário devastador através de uma linguagem pautada pelo humor negro. Este foi um factor que me agradou, pois faz-me pensar que foi a forma utilizada pela personagem para manter a sanidade num cenário de destruição e morte. Contudo, este tom pode também causar alguma estranheza por estar associado a uma adolescente que, apesar das grandes provações por que está a passar, não deixa de ser possuidora de uma certa ingenuidade.

Cassie torna-se numa protagonista que se destaca. Isso não acontece tanto devido à sua personalidade, já que é a típica jovem corajosa que sofreu grandes perdas e que luta por um ideal. O que mais chama a atenção nesta figura é a forma como ela relata o que aconteceu ao mundo e o que a faz mover. Ao início o leitor não percebe a razão de Cassie estar sozinha, mas aos poucos ela dá as peças do puzzle e leva à observação do plano geral. E quando finalmente esta curiosidade é saciada, o autor apresenta uma reviravolta e apresenta novos pontos de vista e, com eles, novos mistérios.

É assim que surgem outras duas figuras masculinas. É curioso ver como tom da escrita muda consoante o ponto de vista que está a ser relatado, adaptando-se de uma forma natural e bastante convincente. Estas duas outras figuras diferem de Cassie, sendo que uma acaba por revelar um lado mais sério e duro, enquanto outro é um símbolo de inocência em tempos de crise.

Mas mais do que as personagens, é a construção do enredo que estimula a leitura e que faz ser difícil largar o livro. O autor soube construir um grande mistério, sendo que mesmo quando o leitor vai desvendado alguns aspectos, acaba por perceber que afinal existe muito mais por descobrir. Questões como o que aconteceu, como aconteceu, quem são os invasores, qual e o seu aspecto e qual o seu objectivo final são contantes, e quando as respostas são finalmente apresentadas acabam por convencer. Algumas das coincidências existentes da trama são também muito agradáveis.

Destaco ainda o grande inimigo desta obra. Os extraterrestres começam por ser apresentados como a figura do mal responsável pela destruição do mundo tal como o conhecemos e da tentativa de extinção da espécie humana. Porém, é interessante ver que estes não aparecem, o que faz crescer o mistério em volta destes vilões. No decorrer da leitura, o leitor, tal como as personagens, começa a desconfiar sobre a verdadeira natureza do mal. Chega a um ponto em existe mesmo a dúvida se o vilão é realmente extraterrestre, uma vez que algumas personagens parecem mascarar a sua verdadeira natureza. Uma questão que só no fim será desvendada (será?).

Contudo, existiu um aspecto que não me agradou. Refiro-me às relações amorosas, que acabam por parecer acontecer em triângulos. Tendo em conta que as figuras centrais da trama são jovens e adolescentes e ainda o facto de tudo se passar num cenário destruição e perigo para a espécie humana, estas ligações amorosas parecem forçadas e não convencem ou agradam completamente. O facto de este ser um tema que ganha grande destaque a partir da segunda metade do livro faz com a leitura perca algum do seu encanto e força.

O final poderá conter algumas características algo forçadas, mas a verdade é que acaba por fazer desejar a leitura rápida do segundo volume. Isto porque ficou muito por descobrir, já que se percebe que a dinâmica entre as personagens vai ser alterada. A 5ª  Vaga é o início de uma trilogia original e que faz pensar na capacidade de sobrevivência dos seres humanos, nos limites da dor e da sanidade e nas possibilidades de organização em caso de catástrofe.

Nota: O blogue, em parceria com a Editorial Presença, está a promover um passatempo com sorteio de um exemplar deste livro, a decorrer aqui.

Saiba mais sobre este livro na página da Editorial Presença.