quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Opinião: A Escolha (A Seleção #3)

Título Original: The One (2014)
Autor: Kiera Cass
Tradução: Alexandra Cardoso
ISBN: 9789897541643
Editora: Marcador (2015)

Sinopse:

Chegou a altura de coroar a vencedora.  Quando foi escolhida para competir na  Seleção America nunca imaginou chegar  perto da coroa – ou do coração do Príncipe Maxon. Mas à medida que o fim da competição se aproxima e as ameaças fora dos muros do palácio se tornam mais cruéis, America descobre o quanto tem a perder – e o quanto terá de lutar pelo futuro que deseja.

Opinião:

Depois de me ter divertido com A Seleção e de ter fica dececionada com A Elite, devo dizer que A Escolha é o melhor volume desta saga de Kiera Cass. Contudo, também é verdade que ficou muito aquém das expetativas. Com isto quer dizer que estes livros foram mais fracos do que estava à espera. Afinal, a história é apresentada como fosse uma distopia, mas tanto podia ser passada na época medieval, nos dias de hoje ou num futuro completamente diferente daquele que é sugerido que a autora apenas teria de fazer pequenas alterações. Afinal, Kiera Cass continua a focar-se no coração de America e não na sociedade e mundo envolvente.

Nos dois primeiros livros, America não sabia se devia escolher Aspen, o rapaz com quem cresceu e a sua primeira paixão, ou Maxon, o galante príncipe. Agora ela tomou uma decisão, porém, o alvo do seu interesse começou a ter dúvidas. Sendo assim, este volume centra-se nos esforços de America em provar a verdade dos seus sentimentos. Mais uma vez, um conceito sem grande interesse que acaba por dominar toda a trama.

Felizmente, este livro ficou a ganhar com uma maior exposição dos rebeldes. Finalmente ficamos a saber quem eles são e o que pretendem! É lamentável que tal só aconteça na conclusão desta fase da história que tem America como protagonista (os próximos livros da saga vão ter uma figura principal), afinal os rebeldes são a principal figura de oposição e deveriam ter tido um maior destaque ao longo de todos os livros. Gostei de conhecer algumas das figuras ligadas a estes grupos, mas, mais uma vez, tiveram pouco destaque. Além disso, ficou muito por explicar e uma proposta de associação que acaba por surgir pareceu-me demasiado fácil.

Existem breves passagens que acontecem fora do palácio que recordam o sofrimento que existe entre as classes menos privilegiadas. Para mim, elas deveriam funcionar como um "regresso à realidade" para America, mas foi com surpresa e desagrado que li ela dizer que já não pertencia àqueles lugares, mas sim ao palácio. Ora bem, tendo em conta que ela tem origem de uma meio pobre e que supostamente desempenha o papel de quem quer o melhor para todos, tal afirmação não me pareceu nada bem. Mais uma vez, acredito que America se tornou numa jovem mimada e iludida pelo luxo.

Mais uma vez, a autora apresentou de forma extensa momentos que não têm grande relevância para a trama, tais como as descrições de vestidos ou certos convívios com as candidatas, para depois expor com rapidez e pouca explicação circunstâncias que mereciam maior atenção, como ataques dos rebeldes ou encontros furtivos que podem ser fulcrais para o futuro de todos. Além disso, achei que a reviravolta que aconteceu quanto à relação das últimas candidatas foi demasiado forçada e pouco consistente, o que provocou cenas sem sentido e que pareciam sair de uma mente adolescente.

O final não me agradou nem um pouco. Já não vou falar sobre o facto de ter acontecido algo que foi previsível desde o primeiro livros, pois aquilo que realmente me aborreceu foi tudo ter terminado sem uma solução concreta para o problema social existente. Uma personagem diz meia dúzia de palavras e parece que fica tudo bem, o que faz tudo parecer vazio. E além disso, a conclusão faz com que algo pelo qual America supostamente se debateu perca toda a relevância e força. Tal só reforça a minha ideia de que esta saga é apresentada como distópica porque tal género é, hoje em dia, uma tendência, pois o tema central é muito semelhante ao conto da Cinderela (sem madrastas e fadas madrinhas, mas a base está lá).

Queria muito ter gostado desta conclusão. Queria mesmo. Não é que a ideia da seleção me tenha desagradado, mas gostaria de ter visto mais sobre cada uma das classes sociais do que apenas meras menções, queria que os rebeldes fossem uma ameaça muito mais temível e presente, queria este mundo fosse melhor estruturado com referências ao passado que é nosso presente, com inovações impressionantes apesar do teor mais clássico, queria que as personagens vissem além de um casamento... mas nada disto aconteceu.

Ao pensar no que aconteceu nos três livros, acredito que Kiera Cass poderia ter escrito esta história em apenas um volume e concentrar-se apenas na ideia do romance, já que não conseguiu desenvolver as outras componentes. Penso que, dessa forma, muitos momentos pouco relevantes teriam sido eliminados e, talvez, a história de amor poderia soar mais a conto de fadas. Não é que estes três livros sejam maus, porque acabam por entreter, mas também não são fortes. Esta saga irá continuar por mais duas volumes, sendo que desta vez o protagonismo é entregue a uma nova figura. Espero que não aconteça a repetição de toda esta história que até aqui foi contada.

Outras opiniões a livros de Kiera Cass:
A Seleção (A Seleção #1)
A Elite (A Seleção #2)

1 comentário:

Jéssica Cruz disse...

Só me falta esse livro para terminar a série, mas tenho deixado andar e ainda não comprei. Acho que tenho medo de ficar desiludida :S
Beijinhos
www.fofocas-literarias.blogspot.pt