sábado, 7 de novembro de 2015

Opinião: A Elite (A Seleção #2)

Título Original: The Elite (2013)
Autor: Kiera Cass
Tradução: Alexandra Cardoso
ISBN: 9789897541445
Editora: Marcador (2015)

Sinopse:

A Seleção iniciou-se com 35 raparigas. Agora, com ogrupo reduzido a 6, a Elite, a competição para conquistar o amor do Príncipe Maxon é mais feroz do que nunca. Quanto mais perto America se encontra da coroa, mais se debate para perceber onde está verdadeiramente o seu coração. Cada momento que passa com Maxon é como um conto de fadas, instantes cheios de romantismo avassalador e muito glamour. Mas sempre que vê Aspen, o seu primeiro amor, é assaltada pelo desejo da vida que tinha planeado partilhar com ele.America anseia por mais tempo. Mas enquanto se sente dividida entre dois futuros, o resto da Elite sabe exatamente o que quer e a oportunidade de America para escolher está prestes a desaparecer.

Opinião:

A Elite é o segundo livro da saga "A Seleção". Depois de ter gostado de ler o primeiro livro desta trama criada por Kiera Cass, estava curiosa para saber como esta história se iria desenrolar. Afinal, acreditei que o A Seleção era um volume introdutório e que o peso do mundo distópico e as personagens só seriam agora verdadeiramente exploradas. Ansiava, por isso, deparar-me com um universo mais rico e complexo, já que acreditava que as ideias apresentadas anteriormente tinham potencial para tal.  Deixem já que vos diga que fiquei desiludida.

O mundo distópico voltou a ter um peso mínimo em toda a narrativa. Sabemos que estamos perante uma sociedade estratificada, a situação política é abordada de forma muito ténue, apesar de sempre presente, e os grupos rebeldes voltam a surgir apenas quando convém e não são devidamente apresentados. Quer isto dizer que praticamente todo o livro aborda um dilema de America: qual dos dois rapazes escolher.

Os triângulos amorosos são clichés, mas por vezes até resultam bem. Quando bem explicados, explorados, quando as personalidades das personagens justificam tal e quando servem como mais um elementos de uma história maior, até que não me importo de ler sobre tal assunto, mas ter um livro inteiro é algo que não me agrada. Além disso, é frustrante pensar que a autora podia ter seguido por um rumo mais dinâmico, surpreendente e diferenciados e optar por algo tão básico.

Como tal, se no primeiro volume eu até tinha gostado de America, agora já a vejo com outros olhos. A rapariga que parecia não querer saber da opinião dos outros sobre si e preocupar-se mais com os desafortunados do que consigo mesma sugere agora ser uma menina mimada e egocêntrica. As constantes dúvidas sobre qual dos dois rapazes escolher enervaram-me e fizeram-me pensar que ela não gostava realmente de nenhum, mas sim da sensação de segurança que tal devoção lhe transmitia.

A autora quer fazer parecer que ela é uma jovem que se move pelo coração, mas eu acabei por ficar com a ideia de que ela é impulsiva, egoísta e que não tem noção das consequências dos seus atos. Afinal, uma certa atitude dela que, supostamente, deveria parecer muito corajosa fez-me sentir vergonha alheia pelo rídiculo da situação. Além disso, e tendo em conta que ela está tão indecisa entre Maxon e Aspen, não achei de bom tom algumas das cenas de ciúmes que fez.

Achei que Maxon ganhou uma nova dimensão neste volume e revelou ser um rapaz mais real. Afinal, em A Seleção ele parecia demasiado devoto de America, apesar de mal a conhecer e de ser um príncipe que tem uma série de raparigas desejosas de o conquistar. Agora sim, ele já parece o jovem que parece intrigado por uma rapariga mas que não fecha os olhos às outras. Ele também tem dúvidas, também erra, também se deixa levar pelos desejos mas, no fundo, tem bom coração e nunca se esquece a responsabilidade que ganhou com o seu nascimento.

Já Aspen parece uma figura um pouco mais perdida. Ele parece estar lá só porque era necessário mais um elemento para este triângulo. Em certo ponto, nem parece que America mantenha nele um interesse tão sério quanto quer fazer parecer. É um elemento que só está lá para gerar discórdia, mas não é suficientemente forte para fazer acreditar que é uma hipótese concreta. Afinal, desde o primeiro volume que tenho a ideia que America vai ficar com o príncipe, ou esta saga não seria tão fortemente inspirada nos contos de fada (atenção: não sei o que vai acontecer, este é apenas o meu palpite!).

Se até gostei de A Seleção, já A Elite revelou-se uma desilusão. Preferia que Kiera Cass tivesse passado menos tempo a falar de um triângulo amoroso, em vestidos ou em festas para se concentrar na sociedade distópica, com destaque para os rebeldes e para o perigo que eles representam. Tendo em conta que não fez tal em dois livros, duvido que o próximo não passe pelas mesmas falhas. Ainda assim, tenciono ler A Escolha, o volume que encerra esta parte da história deste universo e que tem America como protagonista.

Outras opiniões a livros de Kiera Cass:
A Seleção (A Seleção #1)

1 comentário:

Preto no Branco disse...

Olá,
Gostei muito de "A Selecção", mas também senti falta de um desenvolvimento maior da parte distópica, porque ficamos a saber muito pouco. Tenho pena que não seja desenvolvida em "A Elite". Ainda assim, vou ler em breve, porque ainda só li o primeiro. :)

Boas leituras!