quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

Opinião: Aquela Luz

Título Original: What Light (2016)
Organização:  Jay Asher
Tradução: Paulo Emílio Pires
ISBN: 9789722361064
Editora: Editorial Presença (2017)

Sinopse:

Sierra vive no Oregon, onde os pais possuem uma plantação de pinheiros. Quando chega o inverno, a família muda-se para a Califórnia para vender as árvores durante a época natalícia. Sierra tem assim duas vidas: uma no Oregon e outra na Califórnia. Estar numa vida significa deixar a outra, mas isso pouco lhe importa até que um dia, perto do Natal, conhece Caleb, e uma vida eclipsa a outra. Caleb não é o rapaz perfeito. Uns anos antes cometeu um erro muito grave e ainda está a pagar por isso. Mas Sierra consegue ver para além do passado de Caleb e está determinada a ajudá-lo a encontrar o perdão e a redenção.
Um clima de suspeitas, preconceito e desaprovação surge em torno deles, e Caleb e Sierra não conseguem deixar de se interrogar se o amor é realmente suficiente para ultrapassar todos os obstáculos..

Opinião:

Se gostam do Natal, acreditam na magia desta época e não resistem a uma história de amor, então têm de agarrar este livro rapidamente. Aquela Luz, de Jay Asher, fala-nos de um primeiro amor e também da ideia de que é importante não classificar alguém pelo que terceiros nos contam.Ao longo destas páginas somos recordados da importâncio do perdão, aos outros e a nós próprios, e da importância das novas oportunidades. Tudo isto tendo a sensação que se está ao pé de luzes, com uma bebida quente na mão e o cheiro de pinheiro a envolver o ambiente.

Sierra é a personagem principal desta narrativa. Não posso dizer que tenha criado grande ligação com esta personagem. Pareceu-me uma adolescente igual a tantas outras deste tipo de histórias, de bom coração, corajosa, apaixonada, bonita. O único acto de rebeldia acaba mesmo por ser a proximidade a Caleb, um rapaz que em breve vai deixar de ver e que não é aprovado pelos pais. Não se trata de algúem com uma personalidade marcante, ajustando-se ao que vai acontecendo de uma forma previsível, a puxar pelo sentimentalismo. É uma personagem que cumpre bem a sua função, e não faz mais que isso.

Confesso que Caleb é que me deixou mesmo desagradada. É o típico interesse romântico que  transparece a ideia de rebeldia para esconder os seus dramas pessoais. Um suposto bad boy que encanta imediatamente a protagonista e que precisa de ser salvo por ela. Afinal, Caleb é acusado por todos na cidade de um erro que cometeu no passado, e esta aura negra deixa o leitor sempre na expectativa de descobrir o que fez. Quando este mistério é revelado, não impressiona nem choca particularmente, pois existe logo uma desculpa e uma justificação para o que foi feito.

Apesar de pouco impressionada com ambas as personagens, admito que apreciei a forma como a relação entre elas foi construída. Sente-se a atração inicial, mas Sierra e Caleb não demonstram pressa em viverem uma paixão adolescente. É engraçado ver que, apesar de ambos saberem que têm um tempo limitado, dão espaço para o mútuo conhecimento e deixam a ligação ficar mais forte com naturalidade. Além disso, gostei que o autor mostra-se o lado dos amigos e da família à medida que Caleb e Sierra se aproximam, fazendo pensar sobre a importância de manter sempre estas pessoas ao nosso lado.

O desenrolar da acção não guarda grandes surpresas. Existem momentos tipicamente adoelscentes, com muito drama à mistura. Curiosamente, o que mais me agradou foi o próprio negócio de venda de pinheiros e as ligações entre as diferentes personagens, que me pareceram bem conseguidas, mesmo quando as figuras não cativavam. A história é curta e permite uma leitura rápida.

Aquela Luz pode não ser impressionante, mas revela-se uma leitura de Natal agradável. Jay Asher fala-nos sobre a importância da redenção e de sermos capazes de darmos novas oportunidades aos outros, sem os julgarmos por algo que não conhecemos. Uma aposta simpática para a época.

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