segunda-feira, 6 de março de 2017

Opinião: Ninfas - Paixão Mortal

Título Original: Nymfit - Montpellierin Legenda (2013)
Autor: Sari Luhtanen e Mikko Oikkonen
Tradução: Cristina Silva
ISBN: 9789896578695
Editora: Planeta (2017)

Sinopse: 

Um mundo fascinante, mágico, sexy e apaixonante...
Vivem entre nós, sempre jovens e sedutoras... No entanto, perigosas e letais para os homens que caem nas suas mãos. Mas sem eles não sobrevivem.

Didi é uma ninfa, de uma beleza extraordinária, mas nunca se questionou de onde vinha a beleza. Na noite em que decide fazer amor com o noivo descobre que não é como as outras raparigas. Ao descobrir que é uma ninfa, descobre também uma vida com poucas regras, mas uma para a qual Didi não está preparada: não se apaixonar.

Opinião:

A mitologia grega serviu de inspiração para Ninfas - Paixão Mortal. Estes seres ligados à natureza foram trazidos para o mundo moderno através da história de Didi, uma jovem que, após um acontecimento trágico, percebe que, afinal, não é humana. Entramos numa aventura em que Didi precisa aceitar e compreender a sua natureza, ao mesmo tempo que foge de quem a ameaça.

O início da leitura começa a um bom ritmo, mas este acaba por ir diminuindo. Gostei do tema geral, mas não me consegui sentir-me ligada à protagonista. Não consegui ver profundidade nesta personagem e achei que ela acabou por se adaptar demasiado bem às revelações que lhe eram feitas e às mudanças que a sua vida sofria. Além disso, perante a consciência da sua natureza, não entendi o porquê de ela estar sempre mais preocupada com um interesse amoroso do que a tentar aceitar estes novos conhecimentos e a encontrar estratégias para sobreviver.

As duas protectores de Didi, Kati e Nadia, despertaram-me maior interesse do que a própria protagonista. São duas ninfas antigas, o que faz com que tenham uma longa história. Gostei dos capítulos em que eram feitas retrospectivas e ficava a saber quais os acontecimentos mais marcantes para cada uma delas. Tudo isto justifica as suas personalidades e a forma como cada uma encara as dificuldades que encontram.

Os sátiros também estão incluídos nesta aventura, o que faz todo o sentido. Tal como na mitologia, também neste livro estes seres perseguem as ninfas por motivos sexuais. Isto faz sentido e a relação de dependência uns dos outros também, mas as razões para os sátiros terem subjugado as ninfas não me pareceram bem explicadas. Contudo, gostei que um destes elementos masculinos tivesse a vontade de mudar, ainda que continuasse preso a certas ideias preconcebidas.

Didi está no centro da ação devido a uma lenda, e é por isso necessário protegê-la a todo o custo. Por este motivo, ela tem de mudar de vida, o que faz sentido. Contudo, gostava de ter visto nela uma maior dificuldade em aceitar estas alterações. Além disso, custou-me a aceitar que tudo nesta adaptação fosse tão fácil, desde a mudança de identidade até a um novo emprego. Não percebo porque motivo ela teve de ir trabalhar em atendimento ao público quando tinha de ser discreta para escapar às autoridades e a outras forças que a queriam encontrar. Além disso, a lenda relacionada com Didi parece ter sido criada de forma forçada.

Tal como seria de esperar, esta história tem elementos sexuais. Isto faz sentido, tratando-se dos seres mitológicos que são, mas, ao mesmo tempo, pareceu-me que existiu um exagero neste campo. Há cenas de sexo que não fazem grande sentido, para além de que tudo parece girar à volta disso. Percebo que seja algo inerente às ninfas e sátiros, mas gostaria de uma maior dedicação à construção da personagem principal à história e àquilo que a suporta, de forma a que tudo fosse mais convincente.

Ninfas - Paixão Mortal apresenta uma história que cabe neste livro, o que é agradável. Deste modo, todas as conclusões e revelações são apresentadas perto das páginas finais. Existe uma pequena reviravolta mesmo no final que faz todo o sentido e ainda me conseguiu arrancar um sorriso. Mas no geral, esta é uma obra que parte de uma boa ideia, mas precisava de um tratamento mais cuidado e pensado. Apesar de tudo, consegue divertir.

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