terça-feira, 30 de agosto de 2016

Opinião: A Viajante (Seeker #2)

Título Original: Traveler (1990)
Autor: Arwen Elys Dayton
Tradução: Luís Filipe Silva
ISBN: 9789892336053
Editora: Asa - 1001 Mundos (2016)

Sinopse:

Quin Kincaid é uma Seeker. Esta honra é a sua herança, uma função nobre transmitida de geração em geração. Mas o que ela descobriu na noite em que prestou juramento mudou o seu mundo para sempre. Aquilo que se comprometei a fazer é uma monstruosa mentira: distante dos ideais cavalheirescos, o seu cargo de Seeker condena-a à barbárie. O seu pai revela-se um assassino, o seu tio um mentiroso, a sua mãe uma vítima colateral. E o rapaz que ela amou em tempos vive agora para se vingar da família Quin, em primeiro lugar. Mas Quin não está sozinha. Shinobu, o seu companheiro mais antigo, talvez seja a única pessoa em quem pode confiar. A única pessoa que também procura desesperadamente respostas. Mas quanto mais investigam o passado, mas o presente se torna sombrio. Há a questão das outras famílias Seeker desaparecidas, de alianças conturbadas e, pior ainda, um plano funesto iniciado várias gerações atrás que tem o poder de os destruir a todos.

Opinião:

Os eventos de A Viajante seguem a ação que encerrou Seeker - O Clã dos Guardiões, primeiro livro desta saga de Arwen Elys Dayton. Gostei que, apesar de já ter lido o volume inicial há cerca de um ano, senti-me logo familiarizada com as personagens e com a aventura que estão a viver. Penso que tal se deve ao facto de esta história conseguir distinguir-se de todas as outras graças aos seus elementos únicos.

Tal como a autora já nos habituou, existem momentos de grande ação, com descrições pouco confusas de cenas e luta e perseguição. Isto faz com que o ritmo de leitura seja rápida. Porém, aquilo que mais me agradou este livro foi o desvendar do passado sob o ponto de vista de uma figura que foi muito mencionada no primeiro livro. Isto fez-me pensar que a ideia que se tem de uma pessoa muitas vezes não corresponde a quem ela realmente é, além de que é possível constatar que a personalidade é algo que está sempre em evolução, apesar de alguns traços permanecerem. Esta personagem de que vos falo tornou-se numa das mais interessantes para mim.

Quin continua a ser a protagonista da trama, mas desta vez perde um pouco da sua força. Penso que isso acontece devido à presença forte de uma série de personagens secundárias, que ao serem mais ambíguas acaba por despertar a nossa curiosidade. Gosto muito de Shinobu, apesar de, a certo ponto, não concordar de todo com as suas opções. Depois dos acontecimentos do livro anterior, John não era uma figura de que gostasse, mas agora, aos poucos, voltou a ter a minha atenção. Gostava que Maud tivesse maior destaque neste livro, pois foi uma das personagens que mais me cativou no início.

Em A Viajante, Arwen Elys Dayton provou que este universo no qual existem guardiões não ficou plenamente apresentado no primeiro livro da saga. Fiquei muito intrigada com o aparecimento de um novo grupo, que representa uma direção e uma possibilidade inesperada. Desta forma, o perigo tornou-se mais real. Além disso, o destaque de uma figura deste grupo provocou um misto de repulsa e piedade que me fez refletir sobre o como, muitas vezes, somos vítimas das circunstâncias.

O triângulo amoroso continua presente, e acaba por ser o ponto mais fraco devido à sua previsibilidade. Felizmente, os eventos deste livro fizeram com que estas relações cruzadas não tivessem tanto destaca como acontece no anterior. Contudo, uma reviravolta no fim deixa adivinhar que tal, provavelmente, não se vai manter na continuação desta trama. Uma pena, pois Quin parece estar demasiado presa a este triângulo e, como tal, não consegue brilhar tal como uma protagonista merece.

Divirti-me muito enquanto lia A Viajante. As personagens secundárias são muito fortes e, em forma de analogia, a autora consegue abordar temas atuais e que afeta facilmente a população mais jovem dos dias de hoje. Uma boa continuação e um livro que dá vontade de continuar a ler esta saga.

Outras opiniões a livros de Arwen Elys Dayton:
Seeker - O Clã dos Guardiões (#1)

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

"Harry Potter e a Criança Amaldiçoada" está a chegar!


Boas notícias para os fãs de J. K. Rowling! Harry Potter e a Criança Amaldiçoada, partes um e dois, está a chegar ao mercado português! Os direitos foram obtidos pela Editorial Presença, editora que em Portugal editou os livros da série do feiticeiro mais famoso do mundo. A tradução foi realizada por Marta Fernandes e Helena Sobral e a história surge 19 anos após o sétimo livro da saga.

Disponível a partir de dia 24 de setembro.

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Opinião: O Diário Secreto de Laura Palmer

Título Original: The Secret Diary of Laura Palmer (1990)
Autor: Jennifer Lynch
Tradução: Ana Lourenço
ISBN: 9789896651121
Editora: Suma de Letras (2016)

Sinopse:

Laura Palmer — a rapariga de rosto doce de "Twin Peaks" — escondeu as suas acçõesmais sombrias e os sonhos mais retorcidos num diário secreto, a partir dos doze anos... até ao dia em que foi assassinada. O diário contém pistas importantes sobre a identidade do seu assassino. E, para os habitantes de TwinPeaks, tem início um mistério que irá obcecá-los a todos...

Opinião:

Apesar de nunca ter visto a série de televisão "Twin Peaks", sei muito bem qual é a música do genérico e que se trata de uma história que pôs muitas pessoas a fazer a seguinte pergunta: Quem matou Laura Palmer? Tinha uma certa curiosidade de ler este livro de Jennifer Lynch, filha de David Lynch, uma das mentes por trás da série. Afinal, prometia mostrar um outro lado da história e dar a conhecer a jovem que surge morta logo no primeiro episódio. Porém, também tinha receio que o facto de não ter acompanhado a trama na televisão me dificultasse a leitura. Felizmente, existe um bom equilíbrio.

O Diário Secreto de Laura Palmer faz-nos acompanhar o desenvolvimento de uma jovem entre o período da puberdade e a adolescência. O livro é escrito em formato diário, tal como o título promete, o que faz com que a narração aconteça na primeira pessoa. Isso permite-nos conhecer os pensamentos mais profundos da protagonista e as suas dúvidas. Torna-se então perceptível, que o ambiente em que Laura Palmer vive não é propriamente equilibrado, para além de que ela não é quem aparenta.

Se ao início parecia apenas uma jovem inocente que queria viver novas experiências, depressa percebemos que existe um desequilibro, cuja causa nunca é explicada, que a levará num caminho de autodestruição. A forma que Laura encontra para encontrar um pouco de controlo está na entrega de atividades consideradas imorais. É apenas desses momentos que ela sente-se senhora da sua condição, mas também é isso que aumenta a sua tragédia pessoal.

O formato diário tem, porém alguns inconvenientes, já que possui muitos saltos temporais. Isto faz com que seja difícil adivinhar o que aconteceu nesses períodos de tempo e com que, em certos momentos, seja um pouco difícil entender o que aconteceu à protagonista para ter existido tamanha mudança de um capítulo para o outro. Além disso, há muitas figuras que vão sendo introduzidas sem que exista grande introdução e sem que se perceba ao certo quem são e de que forma se relacionam com Laura.

Acredito que quem tenha visto a série não tenha sentido as dificuldade apresentadas em cima. O livro parece funcionar como um bom complemento para a série, e fez-me ficar com vontade de, pelo menos, ver os primeiros episódios. Porém, tal não impediu a minha leitura nem me fez sentir vontade de largar o livro. Devorei este volume até à última página e fiquei muito impressionada com o que Laura fez a si própria. Também não deixei de pensar no papel da sua família, que pareceu nunca reparar no que estava a acontecer a esta jovem.

O Diário de Laura Palmer parece ser um ótimo complemento para quem acompanhou "Twin Peaks" e quer saber mais sobre uma das personagens mais enigmáticas da série, mas também pode cativar outros leitores. Negro e desconcertante, leva-nos a refletir sobre a instabilidade da adolescência, sobre o papel da família na formação pessoal e sobre atitudes destrutivas. Além disso, deixa-nos pistas, ainda que pouco perceptíveis, de quem será o assassino desta jovem.

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Passatempo: "Reunião de Heróis"

É com prazer que anunciou o novo passatempo do blogue! Está em sorteio um exemplar de Reunião de Heróis, de Ricardo Formigo.



Para se habilitarem a ganhar este livro, apenas precisam de:

- Responder a todas as questões colocadas no formulário (respostas aqui);
- Seguir o blogue e/ou fazer gosto na página de Facebook do blogue, aqui e/ou seguir o blogue no Twitter, aqui;
- Só participar uma vez (caso tal não se confirme a participação será anulada);
 - O passatempo termina no dia 3 de Setembro às 23h59. Não serão aceites participações após essa data.

Agora é só participar!

PASSATEMPO TERMINADO


Notas:
- Este passatempo é realizado em parceria com o autor Ricardo Formigo e com a Chiado Editora;
- O vencedor será escolhido aleatoriamente entre as participações válidas através do site random.org;
- Como participação válida entende-se: existir apenas uma por participante com todos os dados do questionário respondidos correctamente;
- O vencedor será contactado por e-mail e anunciado no blogue;
- Este passatempo é válido para Portugal continental e ilhas;
- O blogue não se responsabiliza pelo possível extravio do livro nos correios.

terça-feira, 23 de agosto de 2016

Novidade da Porto Editora para Setembro

Viver sem Ti, de Jojo Moyes
Sinopse: Como seguir em frente depois de se perder a pessoa amada? Como construir uma vida que valha a pena ser vivida? Louisa Clark já não é uma jovem banal a viver uma vida banal. O tempo que passou com Will Traynor transformou-a, sendo agora uma pessoa diferente que tem de enfrentar a vida sem ele. Quando um insólito acidente obriga Lou a regressar a casa dos pais, é impossível não sentir que está de volta ao ponto de partida. Lou sabe que precisa de um empurrão que a traga de novo à vida. E é assim que acaba por ir parar ao grupo de apoio Seguir em Frente, cujos membros partilham sentimentos, alegrias, frustrações e bolos intragáveis. Serão também eles que a levarão até Sam Fielding – um paramédico que trabalha entre a vida e a morte, e o único homem que talvez seja capaz de a compreender. Mas eis que uma personagem do passado de Will surge de repente e lhe altera todos os planos, lançando-a num futuro muito diferente…. Para Lou Clark, a vida depois de Will Traynor significa reaprender a apaixonar-se, com todos os riscos que isso implica. Em "Viver Sem Ti", Jojo Moyes traz-nos duas famílias, tão reais como a nossa, cujas alegrias e tristezas nos tocarão profundamente ao longo de uma história feita de surpresas.

Disponível a partir de dia 22.


segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Autor da saga "Nascida nas Brumas" em Portugal

Alegrem-se os fãs da série "Nascida nas Brumas"! Brandon Sanderson vai passar por Lisboa para um encontro que será realizado a 8 de novembro.



A notícia foi avançada pelo editor da Saída de Emergência, Luís Corte Real, na 20ª edição da revista Bang!, disponível das lojas Fnac do País.

Já li o artigo há uns dias, e devo confessar que fiquei muito entusiasmada com a novidade. Até já marquei a data na agenda! Não se sabe ainda o local nem o que irá acontecer, mas esta passagem pelo o autor no País é uma boa surpresa. Quem sabe não irá atrair novos leitores para a série e estimular a publicação de mais livros (posso sonhar?)?

Quem também não vai querer perder este encontro?


Novidades da TopSeller para Setembro

Encontrada, de Carina Rissi
Sinopse: Sofia está de volta ao século XIX, e mais animada do que nunca para começar a viver o seu final feliz ao lado de Ian Clarke. No meio da loucura dos preparativos para o casamento, contudo, ela percebe que tornar-se a sra. Clarke não vai ser tão simples quanto imaginava. As confusões encontram Sofia antes de ela chegar ao altar — e uma tia intrometida que quer atrapalhar o relacionamento de Sofia e Ian é apenas uma delas. Além disso, coisas estranhas acontecem na vila, e Ian parece estar a enfrentar alguns problemas que prefere não partilhar com a noiva. Decidida, Sofia está disposta a tudo para ajudar o homem que ama. As suas ações, porém, podem pôr tudo a perder, e Sofia descobre que a única pessoa capaz de destruir o seu felizes para sempre… é ela própria. Encontrada traz-nos de volta o mundo apaixonante de Sofia e Ian, permitindo-nos mergulhar uma vez mais nesta envolvente história de amor.




O Samaritano, de Mason Cross
Sinopse: Após uma noite de tempestade, em Los Angeles, a detetive Jessica Allen é chamada ao local onde houve um deslizamento de terras. O motivo? Uma descoberta macabra: foi encontrado o corpo de uma jovem cujo pescoço foi degolado com um corte invulgar. No mesmo dia, são descobertos perto daquele local outros dois corpos mutilados de maneira semelhante. A detetive descobre que se trata da obra de um assassino que opera há mais de dez anos, sem nunca ter sido apanhado. É conhecido como o «Samaritano » e captura jovens desamparadas, cujos carros avariaram, deixando-as paradas e sozinhas na estrada. É então que Carter Blake aparece para oferecer os seus serviços a esta investigação policial. O secretismo em volta das suas verdadeiras intenções leva a detetive a desconfiar dele. Mas quando o Samaritano prossegue com uma escalada de assassínios, os dois terão de se unir para o deter de uma vez por todas…


O Casamento Escandaloso de Lady Isabella, de Jennifer Ashley
Sinopse: Durante o seu baile de debutante, Lady Isabella, de 18 anos, é «roubada» pelo mal-afamado Lorde Mac Mackenzie e casam nessa mesma noite, escandalizando a sociedade londrina. Depois de três anos de um casamento atribulado, Isabella volta a escandalizar Londres ao separar-se de Mac. Destruído pela separação, Mac dedica-se apenas à pintura. Mas sem a sua musa, percebe que também o seu talento o abandonou. Quando Isabella vê exposto um quadro do ex-marido, percebe que se trata de uma imitação e que há um falsificador a fazer-se passar pelo famoso Mac Mackenzie. Um mistério que faz Isabella reentrar na vida de Mac. Quando a sua linda mulher volta a cruzar a porta de casa, Mac percebe que a quer de volta à sua vida e à sua cama e tudo fará para reconquistá-la. Isabella tenta resistir-lhe, mas ao aceitar ser pintada, por ele, em poses eróticas, percebe que o desejo entre ambos é uma força imparável que apenas aumentou ao longo dos anos.


Disponíveis a partir de dia 5.


domingo, 21 de agosto de 2016

Qual é o livro? #81


"A minha indumentária preferida eram aquelas botas cintilantes e os meus collants à abelha."

Regras da rubrica aqui.

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Opinião: A Pirâmide Vermelha (Crónicas de Kane #1)

Título Original: The Red Pyramid (2010)
Autor: Rick Riordan
Tradução: Victor Antunes
ISBN: 9789896577889
Editora: Planeta (2016)

Sinopse:

Desde a morte da mãe, seis anos atrás, Carter Kane viaja pelo mundo com o pai, o egiptólogo Dr. Julius Kane. Não frequenta a escola e os seus pertences cabem numa única mala.
Enquanto isso, Sadie, a sua irmã mais nova, é criada pelos avós em Londres. Ela tem tudo o que Carter queria: casa, amigos e uma vida “normal”. E ele, o que ela mais deseja: conviver com o pai.
Depois de tanto tempo separados, os irmãos não tinham praticamente mais nada em comum. Até que na noite de Natal, durante uma visita ao British Museum, o pai faz uma estranha promessa: tudo voltará a ser como antes.
Mas o seu plano falha e os irmãos acabam assistindo ao momento em que um personagem misterioso desaparece com o egiptólogo e provoca uma explosão magnífica.

Opinião:

Depois de nos ter apresentando filhos mestiços de deuses gregos e romanos nas sagas "Percy Jackson" e "Os Heróis do Olimpo", Rick Riordan volta a impressionar através de uma nova série que tem como base a mitologia egípcia. Mas desta vez não há propriedades repletos de jovens com afinidade aos deuses, mas apenas dois irmãos que cresceram afastados e que viajam pelo mundo com o objetivo de salvar o pai e a humanidade.

A história é contada a duas vozes. Por um lado temos a prespectiva de Carter, cauteloso e com um espírito mais aberto. O facto de ter acompanhado o pai em tantas aventuras e de nunca se ter sentido em casa em qualquer lugar faz com que este rapaz tenha conhecimentos fora do comum e uma outra forma de encarar certos acontecimentos. Por outro lado há Sadie, uma jovem que se rebelou como forma de desviar atenções dos seus problemas familiares e que não consegue aceitar facilmente a existência de entidades divinas. O primeiro é mais racional, a segunda mais impulsiva. Diverti-me mais nos capítulos e Sadie apesar de, numa fase inicial, a achar um pouco irritante.

À medida que a trama vai avançando, os dois irmãos formam laços mais fortes. Apesar de não o admitirem, entre eles já existia um enorme carinho, mas a verdade é que mal se conheciam. Foi bom o autor ter escolhido esta ligação entre as personagens principais, para fugir um pouco às fáceis ligações amorosas. Porém, o facto de eles serem adolescentes que estão a conhecer uma série de figuras novas faz com que o romance também exista no livro, ainda que, num certo caso, possa parecer forçado.

Tal como Rick Riordan já nos habituou, também este livro apresenta um ritmo muito rápido. Há sempre algo a acontecer, um perigo a ser enfrentado e uma descoberta nova. Isto faz com que a leitura, embora previsível, avance com rapidez e proporcione bons momentos. Não há espaço para grandes paragens e o intercalar de pontos de vista faz com que exista sempre um novo ponto de interesse que estimula a leitura.

E se estão à espera de um desfile de figuras mitológicas, muito à semelhança do que acontece em outros livros do autor, então não vão ficar desiludidos. Entre deuses e outras criaturas que pertencem à mitologia egípcia, são muitas as figuras que nos surpreendem ao longo destas páginas. As personalidades nem sempre correspondem ao que seria esperado, o que, de certa forma, é uma lufada de ar fresco. Gostei que a ligação entre os protagonistas e os deuses não fosse igual à de outras séries do autor.

Rick Riordan continua a justificar o motivo pelo qual é um dos autores mais bem sucedidos da literatura juvenil. Os seus livros são divertidos, repletos de ação e têm ainda uma boa dose de factos históricos que são apresentados de forma apelativa. Todos estes ingredientes fazem com que livros que seriam destinados a um público mais jovem também divirtam os mais adultos. Gostei muito do início desta série e tenho muita vontade de acompanhar as aventuras dos irmãos Kane.

Outras opiniões a livros de Rick Riordan:
Percy Jackson e a Maldição do Titã (Percy Jackson #3)
Percy Jackson e o Último Olimpiano (Percy Jackson #5)
O Herói Desaparecido (Os Heróis do Olimpo #1)
O Filho de Neptuno (Os Heróis do Olimpo #2)
A Marca de Atena (Os Heróis do Olimpo #3)
A Casa de Hades (Os Heróis do Olimpo #4)
O Sangue do Olimpo (Os Heróis do Olimpo #5)

terça-feira, 16 de agosto de 2016

O resumo de alguns clássicos em cartoons divertidos

Resumir os clássicos numa simples e curta frase? Foi esta a ideia de John Atkinson, ilustrador que fez algumas ilustrações bem divertidas e que apresentam a ideia geral (muito geral) de alguns livros muito apreciados. Ora vejam:



Imagens reitiradas do site wronghands1.com

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Opinião: A Torre de Espinhos (Blackthorn & Grim #2)

Título Original: Tower of Thorns (2015)
Autor: Juliet Marillier
Tradução: Catarina F. Almeida
ISBN: 9789896577827
Editora: Planeta (2016)

Sinopse:

Para Blackthorn e Grim, o regresso à vida tranquila na pequena quinta à beira da Floresta dos Sonhos nunca poderia durar muito. Escassas semanas passaram desde que o mistério do Lago dos Sonhos foi resolvido e já um novo desafio paira no horizonte.O príncipe de Dalriada recebeu um pedido de ajuda da parte de Geiléis, a Senhora de Bann, cujas terras medram sob a força de uma estranha maldição.
Uma criatura sem nome instalou-se na velha torre que se ergue numa ilha do rio Bann e, do nascer ao pôr-do-sol, os seus gritos incessantes impedem o gado de crescer, secam os campos e a vontade dos homens e instalam a semente da loucura nos espíritos mais sãos.
Cercada de espinhos venenosos, a misteriosa torre encerra um segredo secular. Caberá a Blackthorn e Grim mergulharem nas trevas de um amor impossível e libertarem o povo de Bann do coração tempestuoso de uma rainha do Povo Encantado.
Pelo meio, a curandeira e o seu companheiro terão de enfrentar o silêncio de quem sabe e atravessar uma teia de mentiras urdida ao longo de vários séculos.
Quem será o estranho habitante da Torre de Espinhos? Um homem, um monstro? Uma força destruidora ou apenas uma vítima? No fim, o amor será a única redenção.

Opinião:

Os livros de Juliet Marillier marcam pela diferença. Quando se começa a ler um, sente-se logo a marca da autora. E isso não acontece apenas devido aos temas místicos e fantásticos e às épocas que retratam. Deve-se também ao facto de se sentir que se está perante um história que é contada de uma forma muito bela, independentemente de conter momentos mais felizes e incríveis ou outros de grande horror. Ou não fosse Juliet Marillier uma criadora de contos de fadas para adultos.

Foi com grande gosto que voltei a acompanhar as aventuras de Blackthorn e Grim. Fiquei cativada com o primeiro volume da série, O Lago dos Sonhos (ver opinião aqui) e queria muito saber que novos desafios se iriam atravessar no caminho das duas personagens centrais desta coleção. Felizmente, A Torre de Espinhos é uma continuação de grande valor, que apresenta uma narrativa nova e intrigante e que ainda consegue explorar outros lados das figuras centrais.

Blackthorn, a líder desta dupla, mantém-se fiel à apresentação que lhe foi feita no primeiro volume. Dá a entender a quem a rodeia de que é uma mulher forte e inabalável, mas a verdade é que as suas fragilidades estão muito presentes. Profundamente magoada pelo passado, é compelida a viver para além dele, mas nunca o esquece. Como tal, quando uma certa proposta surge, é possível constatar as muitas duvidas que a assaltam, assim como se verifica o seu espírito de sacrifício para honrar quem já desapareceu. As suas decisões nem sempre vão ao encontro do que desejei e, por isso, muitas vezes senti vontade de entrar nas páginas do livro para a tentar convencer do contrário.

Da dupla de protagonistas, a figura que mais me cativou neste volume foi Grim. É que se no primeiro livro da série ficámos a conhecer a história de Blackthorn, agora é a vez de desvendar o passado de Grim. Confesso que fui surpreendida pelas revelações que foram feitas ao longo da trama. Este é um homem que também esconde a sua verdadeira personalidade. Porém, quando ultrapassadas as barreiras criadas pelo seu silêncio e distanciamento, é possível verificar o seu grande coração e passar a admirá-lo. Os seus momentos e capítulos acabaram mesmo por serem aqueles que mais me prenderam à leitura.

O mistério a ser desvendado por Blackthorn e Grim está muito bem conseguido. Geiléis é realmente uma personagem misteriosa, e mesmo os capítulos que são contados do seu ponto de vista não deixam logo perceber o que realmente está a acontecer em Bann. Só aos poucos e poucos, conforme ela vai contando uma certa história, é que todas as peças desta enigma se vão encaixando até, finalmente, ficarmos com uma visão completa dos perigos a serem enfrentados. E mesmo assim, é bom saber que até no final existem surpresas que nos impelem para uma leitura entusiasmante.

Os dilemas morais das personagens e as duas dificuldades interiores são ultrapassadas ao mesmo tempo que um perigo real e externo é desvendado. Desta forma, magia e dramas reais surgem entrelaçados de uma forma tão bela que nos fazem acreditar em seres místicos da floresta e em maldições. O início da leitura pode ter alguns problemas, ser lento, mas o avançar da trama acaba por agarrar e por apresentar uma história forte.

A Torre de Espinhos é uma continuação que vai agradar aos leitores que apreciaram o primeiro volume desta saga. Juliet Marillier prova que regressou às tramas mais adultas, mas sem nunca deixar de abordar os ambientes e os temas que tanto cativaram noutras publicações de sua autoria. Estou ansiosa por ter nas mãos o próximo livro da saga para ver que novas aventuras irão surgir e para descobrir mais sobre a evolução dos dois protagonistas, figuras que já estão entre as mais emblemáticas desta contadora de história de que eu tanto gosto.

Outras opiniões a livros de Juliet Marillier:
A Filha da Floresta (Sevenwaters #1)
O Filho das Sombras (Sevenwaters #2) 
A Filha da Profecia (Sevenwaters #3)
A Vidente de Sevenwaters (Sevenwaters #5)
A Chama de Sevenwaters (Sevenwaters #6)
Sangue-do-Coração
Shadowfell (Shadowfell #1)
O Voo do Corvo (Shadowfell #2)
A Voz (Shadowfell #3)
O Lago dos Sonhos (Blackthorn & Grim #1)

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Passatempo: "Somos Todos Feitos de Estrelas"

Aqui está o novo passatempo do blogue! Está em sorteio um exemplar de Somos Todos Feitos de Estrelas, de Rowan Coleman.


Para se habilitarem a ganhar este livro, apenas precisam de:

- Responder a todas as questões colocadas no formulário;
- Seguir o blogue e/ou fazer gosto na página de Facebook do blogue, aqui e/ou seguir o blogue no Twitter, aqui;
- Partilhar o link do passatempo numa rede social e de forma pública;
- Só participar uma vez (caso tal não se confirme a participação será anulada);
 - O passatempo termina no dia 22 de Agosto às 23h59. Não serão aceites participações após essa data.

Agora é só participar!

PASSATEMPO TERMINADO


Notas:
- Este passatempo é realizado sem parceria;
- O vencedor será escolhido aleatoriamente entre as participações válidas através do site random.org;
- Como participação válida entende-se: existir apenas uma por participante com todos os dados do questionário respondidos correctamente;
- O vencedor será contactado por e-mail e anunciado no blogue;
- Este passatempo é válido para Portugal continental e ilhas;
- O blogue não se responsabiliza pelo possível extravio do livro nos correios.

Opinião: Confissões

Título Original: Kokuhaku (2008)
Autor: Kanae Minato
Tradução: Carmo Vasconcelos Romão
ISBN: 9789896651060
Editora: Suma de Letras (2016)

Sinopse: 

Os seus alunos assassinaram a sua filha. Esta é a sua vingança. Os seus alunos assassinaram a sua filha. Ela não quer justiça, só vingança. Depois de um noivado que acaba em tragédia, tudo o que resta na vida a Yuko Moriguchi é a sua filha, de quatro anos, Manami. Quando esta é encontrada afogada na piscina da escola Yukodecide aposentar-se. Mas antes deve dar uma última lição. Um mês depois do sucedido, a Professora Moriguchi, no seu discurso de despedida, acusa dois estudantes de matar a sua filha e anuncia a sua vingança pessoal, atroz e imediata, mas concebida de modo a que as devastadoras consequências ocorram lentamente para que os jovens tenham tempo de se arrepender e passem o resto dos seus dias suportando o peso da culpa. "Confissões" é um romance narrado a várias vozes, magistralmente construído onde o suspense é mantido até o fim, quando as diferentes peças encaixam. Mas também é uma reflexão sobre o sistema educativo, os laços familiares, o comportamento humano, o amor e a vingança.

Opinião:

Este é um daqueles livros que são difíceis de largar. Confissões de Kanae Minato, apresenta diferentes visões de um assassinato. Fui surpreendida pela forma como toda a trama foi construída, pois apesar de serem sempre apresentanda a mesma sucessão de acontecimentos,  tudo foi ficando mais complexo à medida que os diferentes pontos de vista nos eram apresentados. E se esta poderia parecer uma estratégia que podia aborrecer, a verdade é que se torna entusiasmante e fez-me ficar agarrada ao livro.

Quando comecei a ler, estranhei um pouco o discurso. Afinal, o primeiro capítulo apresenta o ponto de vista da professora, mostra Moriguchi a falar diretamente connosco, como se fossemos um dos seus alunos. Porém, depressa comecei a sentir uma crescente curiosidade quanto ao seu discurso. A revelação do assassinato a uma criança é feita logo no início e choca. Ficamos desde logo a saber como tudo aconteceu e, a partir daí, parece que há muito pouco a acrescentar. Felizmente, tal não é verdade.

Os capítulos seguintes revelam outras perspetivas sobre o mesmo acontecimento e relatam momentos que antecederam e sucederam o crime. Desta forma, ficamos a conhecer outras figuras, que direta ou indiretamente estão ligadas ao assassinato, e percebemos que as motivações para um crime podem não ser tão evidentes quanto pensamos. Fiquei impressionada e até repugnada com algumas linhas de raciocínio e não consegui parar de pensar que julgar todas as crianças inocentes é um erro. A linha que separa o bem da maldade é muito fina e os dois conceitos podem, facilmente, confundir-se consoante os interesses pessoais.

Ao longo da leitura, dei por mim a refletir no quão diferente da nossa é da sociedade japonesa. A estrutura familiar, o ensino, a justiça a relação com o trabalho, por exemplo, revelam bem que os valores predominantes daquela sociedade são distintos dos nossos. Durante a narrativa vão surgindo conceitos muito próprios que mereciam uma maior esclarecimento, como em nota de rodapé. Através do enquadramento da situação é possível entender o que cada um quer dizer, mas gostaria de não ficar com essa ideia apenas por dedução.

Nota-se também que a autora inspirou-se no poder de sugestão fornecido pelos meios de comunicação social. É que a notícia de um evento leva, muitas vezes, a um efeito de repetição, mesmo que tal posso ir contra valores instituídos e prejudicar outros. Afinal, o ato é realizado tendo em vista fins egoístas, o que só demonstra que a individualidade e a falta de compaixão e empatia está cada vez mais presente na sociedade.

Negro e perturbador, Confissões é um livro que é devorado e que dificilmente será esquecido. A forma como a professora orquestra a sua vingança vai além daquilo que imaginámos e faz-nos ler a última frase da trama em choque, apesar de tal conclusão já se adivinhar. Se gostam de thrillers psicológicos, então não vão querer perder esta leitura.

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Comprar o livro pela capa #90: Cartas por um Sonho

Recentemente, a Suma de Letras republicou o livro Cartas por um Sonho, de Angeles Doñate. Aqui no blogue destacamos as duas capas que o livro já teve no nosso país.


A primeira imagem surgiu pelas mãos da Arena e mostra um marco do correio vermelho num fundo verde e verdejante. As letras estão em branco.


Em Agosto de 2016, o livro recebe uma imagem renovada. O azul é o tom que predomina nesta capa, o que faz chamar a atenção para os envelopes que estão pendurados e para o marco do correio.

Apresentadas as duas capas, peço a vossa opinião: qual preferem?



Qual a melhor capa?

A primeira
A segunda
Survey Maker

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Resultado do passatempo "Hope - Uma Nova Esperança"

Aqui fica o resultado de mais um passatempo realizado pelo blogue. Estava em sorteio um exemplar do livro Hope - Uma Nova Esperança, de Colleen Hoover.



Este sorteio conta com 149 participações, sendo o vencedor escolhido através do random.org. Assim, o vencedor corresponde ao número...



..16! Que equivale à participação de:

Susana (...) Gomes, de Coimbra

Muitos parabéns à vencedora! Já foi enviado um e-mail para confirmar os dados de envio deste prémio.

terça-feira, 9 de agosto de 2016

Opinião: A Rapariga do Calendário - Abril, Maio, Junho (#2)

Título Original: Calendar Girl (2015)
Autor: Audrey Carlan
Tradução: Mário Dias Correia
ISBN: 9789896578039
Editora: Planeta (2016)

Sinopse: 

A jornada de Mia Saunders, acompanhante por força das circunstâncias, continua neste segundo volume de A Rapariga do Calendário! Nos três meses que se seguem, Mia viaja para Boston, Oahu e Washington DC. Em Abril, faz-se passar pela namorada do mulherengo Mason Murphy, um jogador de basebol profissional que precisa de melhorar a sua imagem, e acaba por decobrir que ele não é exactamente aquilo de que estava à espera. Maio encontra Mia a incendiar o sangue de Tai Niko, modelo fotográfico e intérprete da dança do fogo samoano, enquanto participa numa campanha publicitária que tem como objectivo demonstrar que a beleza não é uma questão de tamanho. Em Junho, a missão de Mia é servir de enfeite de braço a Warren Shipley, membro do grupo conhecido como Um por Cento. Enquanto finge ser uma caçadora de fortunas, descobre que Warren tem de facto um coração de ouro. Pena é que o atraente filho, Aaron, senador pela Califórnia, não seja em nada parecido com o pai.

Opinião:

Diverti-me a ler o primeiro volume desta série, e estava com curiosidade para ver que novos contos iriam sair da imaginação de Audrey Carlan. Tinha algum receio de que os temas fossem muito semelhantes, mas felizmente a autora conseguiu surpreender e apresentar mais três narrativas distintas. Mia continua a sua jornada como acompanhante de luxo e em cada mês é está ao serviço de um homem diferente e tem de se adaptar ao papel que lhe é exigido.

O primeiro conto é o mais divertido. Para salvar a imagem de um jogador de basebol, Mia tem de fingir que é a sua namorada. Quando comecei a ler esta história, fiquei com receio de que a autora optasse por um lugar comum, mas felizmente tal não aconteceu. Mason, o desportista, tem várias camadas, e apesar de achar que elas não foram bem exploradas, gostei da ideia fundamental da trama. Por se tratar de um conto curto, não foi possível desenvolver bem algumas ideias, o que fez com que certas situações parecessem pouco naturais. Ainda assim, diverti-me com as situações inesperadas e com as relações entre personagens.

O Havai é o cenário do segundo conto. E como foi bom sentir aquele calor e conhecer alguns dos locais mais emblemáticos! É que eu não resisti em pesquisar alguns dos sítios descritos e fiquei maravilhada com as imagens que encontrei. Porém, já achei bastante previsível e até aborrecida a relação que Mia acabou por estabelecer com uma nova figura. A narrativa acaba por ficar fortemente ligada a esta união e não se pode dizer que exista grande história. Neste conto, o enredo mais cativante é mesmo o da protagonista com a irmã, apesar de ser muito secundário.

Em Junho, Mia é levada para a capital dos EUA. Este conto foi o que mais me prendeu a atenção. O ambiente é muito diferente dos anteriores e as relações com as novas personagens também. Aqui, existe um tema mais sério a ser explorado. É algo que não surge de imediato, mas que está sempre presente, deixando perceber um ambiente tenso e perigoso. Além disso, é um conto que faz pensar sobre a dimensão do amor e os sacrifícios que são feitos.

No final, percebe-se que Mia voltou a aprender várias lições com estes três novos encontros e que, com isso, tornou-se numa mulher mais madura, forte e confiante. Existem ainda algumas dúvidas, sim, mas ela está a fazer o seu caminho para encontrar o seu lugar no mundo. O confronto entre sentimentos e o cumprimento do que acredita ser justo continua muito presente.

Este segundo volume da série "A Rapariga do Calendário" volta a proporcionar uma leitura rápida, fresca, leva e divertida. É verdade que existem alguns momentos que podem não estar tão bem conseguidos, mas, no geral, acaba por ser um livro diferente dentro do género e que transmite algumas mensagens atuais. Continuo com vontade de acompanhar as aventuras de Mia e com muita curiosidade para saber o que lhe vai acontecer nos próximos meses.

Opinião a outro livro de Audrey Carlan:
A Rapariga do Calendário - Janeiro, Fevereiro, Março (#1)

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

O top da "Forbes" dos autores mais bem-sucedidos em 2016

A revista "Forbes" já divulgou a lista dos autores mais bem-sucedidos em 2016. Ora vejam:


1.º James Patterson  - 95 milhões de dólares

2.º Jeff Kinney  - 19,5 milhões

3.º J.K. Rowling - 19 milhões

4.º John Grisham - 18 milhões

5.º Stephen King - 15 milhões

5.º Danielle Steel - 15 milhões

5 . Nora Roberts - 15 milhões

8.º E. L. James - 14 milhões

9.º Paula Hawkins  - 10 milhões

9.º John Green  - 10 milhões

9.º Veronica Roth - 10 milhões

Surpreendidos com algumas desta posições?

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Opinião: O Guardião Invisível (Trilogia do Baztán #1)

Título Original: El Guardián Invisible (2012)
Autor: Dolores Redondo
Tradução: Pedro Oliveira
ISBN: 978989657756
Editora: Planeta (2016)

Sinopse:

Nas margens do rio Baztán, no vale de Navarra, é encontrado o cadáver seminu de uma adolescente em circunstâncias que posteriormente é relacionado com um homicídio ocorrido na região meses antes. Amaia Salazar, inspectora de homicídios da Policía Foral, é encarregue de dirigir uma investigação que a levará a Elizondo, uma pequena localidade onde nasceu e de que tentou fugir toda a vida. Forçada a enfrentar os desenvolvimentos cada vez mais complicados do caso e com fantasmas familiares que a perseguem, a investigação de Amaia é uma corrida contra o tempo para encontrar um assassino capaz de mostrar a face mais aterradora de uma realidade brutal, evocando ao mesmo tempo as criaturas mais inquietantes das lendas e do esotérico do Norte de Espanha.

Opinião:

Gostam de misticismo e de histórias de crimes? Então incluam O Guardião Invisível entre as próximas leituras a fazer. Dolores Redondo apresenta uma trama que, inicialmente, sugere ser um policial que será resolvido com métodos comuns, tal como é habitual, mas à medida que a narrativa vai evoluindo, vai sendo possível detetar elementos de tradição mitológica do País Basco, até se chegar a um ponto em que ciência e tradição se misturam.

Amaia é a protagonista desta trama. A autora tenta mostrar que esta mulher tem diferentes posturas relativamente à vida profissional e pessoal. Como inspectora líder de uma investigação, é uma mulher forte, que sabe como marcar a sua posição num mundo tão masculino. Como mulher, revela as suas fraquezas e inseguranças e refugia-se no amor do marido. Pode não ter o tipo de personalidade que encanta desde o início, mas não deixa de ser uma personagem que cativa e faz sentir admiração.

O marido de Amaia parece ser o homem perfeito, e talvez por isso mesmo não consegui perceber bem se gostei ou não dele. Gostava que ela tivesse um apoio tão sólido, mas por outro lado, estava sempre à espera de perceber qual seria a falha dele e isso fez-me desconfiar. Gostei das irmãs e da tia de Amaia. Têm personalidades muito diferentes e cada uma delas marca bem a sua posição da história.

A descrição dos crimes faz sentir revolta e a investigação dá-nos algumas pistas na busca pelo assassino. Porém, só numa fase mais final, é que consegui perceber para onde todas as pistas apontavam e isso deixou-me muito satisfeita. Sinto-me orgulhosa quando percebo logo quem é o criminoso, é verdade, mas gosto ainda mais quando uma história me leva a levantar várias hipóteses, sem nunca ter a certeza do quem é o autor dos crimes e de quais são as suas motivações.Dolores Redondo conseguiu fazer isso e dou-lhe os parabéns.

A história agarra desde o início, tem um bom ritmo, mas os diálogos não me agradaram. Isto porque, em certas ocasiões, as personagens dão, de forma pouco natural, demasiada informação histórica ou geográgica. Quando isso acontecia, quase que esquecia que estava a ler o discurso de uma das figuras da trama, parecendo mais que se tratava de uma enciclopédia. Além de que parecia retirar a personalidade da personagem. De resto, a narração e as descrições estão bem conseguidas.

Quanto ao lado místico, estava com receio de que não tivesse uma ligação consistente com a restante narrativa. E se existem elementos que ainda me custam um pouco a aceitar, houve outros que, sem dúvida, tornaram este livro mais negro e intenso. O passado de Amaia, a sua experiência familiar, e as tradições e superstições da região onde nasceu são um grande atrativo desta leitura. Confesso que certas descrições causaram-me arrepios e justificaram a personalidade e relação da protagonista com a família.

Assim que terminei a leitura de O Guardião invisível, fiquei com vontade de ler o segundo volume desta trilogia, O Legado dos Ossos. Quero muito voltar a encontrar-me com Amaia e com as pessoas que a rodeiam. Estou curiosa quanto à forma como a autora vai misturar policial com misticismo numa outra trama e quero muito voltar a explorar a relação da protagonista com um certo familiar. Sendo assim , e apesar dos altos e baixos registados, Dolores Redondo conseguiu fazer-me ter interesse em concluir esta trilogia.

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Novidade da Bertrand Editora para Agosto

O Labirinto dos Ossos, de James Rollins
Sinopse: Lena encontrava-se deitada sobre a barriga na rocha enlameada. Ao seu lado, agarrando-a pelo ombro, o padre Roland Novak tentava recuperar o fôlego. Estavam escondidos numa fenda horizontal na galeria principal, rente ao chão, o que impossibilitava uma linha de visão superior à altura do joelho. Mergulhada na escuridão, debatia-se sobre o que estaria a acontecer na superfície. A trovoada deslocava-se agora sobre a montanha, fazendo-se sentir em toda a sua fúria. Atrás de si, ecoando de algum rio subterrâneo, Lena conseguia ouvir o som característico de água a correr. Podia jurar que soava mais intenso desde que ambos tinham rastejado para o interior da fenda. Considerou a probabilidade iminente de a caverna poder ficar inundada.

Disponível a partir de dia 5.


terça-feira, 2 de agosto de 2016

Opinião: A Maldição do Vencedor (#1)

Título Original: The Winner's Curse (2014)
Autor: Marie Rutkoski
Tradução: João Quina Edições
ISBN: 9789898843401
Editora: TopSeller (2016)

Sinopse: 

Kestrel, jovem filha do poderoso general de Valoria, tem apenas duas opções: alistar-se no exército ou casar-se. Ela tem, no entanto, outras aspirações e procura libertar-se do seu destino, rebelando-se contra o pai. Num passeio clandestino pela cidade, Kestrel vai parar a um leilão de escravos, onde se depara com um jovem, Arin, que parece querer desafiar o mundo inteiro sozinho. Num impulso, ela acaba por comprá-lo — por um preço tão alto, que a torna alvo de mexericos na sociedade. Arin pertence ao povo de Herrani, conquistado dez anos antes pelos Valorianos. Além de ser um ferreiro exímio, revela-se também um cantor extraordinário, despertando a curiosidade de Kestrel. Arin, contudo, tem um segredo, e Kestrel não tardará a descobrir que o preço que pagou por ele poderá custar muito mais do que aquilo que alguma vez imaginara.

Opinião:

Marie Rutkoski apresenta-nos A Maldição do Vencedor, o primeiro livro de uma trilogia. Apesar de ser uma obra que se encontra inserida no género fantástico, não pensem que vão nela encontrar vestígios de magia ou aparições de criaturas extraordinárias. Trata-se sim de uma história que acontece num mundo diferente do nosso e, por isso, tem também sociedades novas e culturas distintas.

Senti-me imediatamente confortável neste universo que parece ter uma forte inspiração clássica, pelo menos na estrutura. Percebemos que existem dois povos que coexistem, sendo um deles dominante e o outro escravizado. É esta relação que serve de cenário e base a toda a trama e está aqui uma grande parte do encanto desta leitura. Adorei o contraste entre culturas e não deixei de reparar que o domínio de uma por outra reflete bem o que aconteceu tantas vezes. A força bélica e a vontade de conquistar  sobrepõe-se à cultura, arte e conhecimento, mas estes últimos conseguem resistir e, em certas situações, até mesmo reverter a situação.

A sociedade apresenta toques de outras eras, mais modernas e, por isso, com valores mais próximos dos actuais, tais como no que toca ao papel da mulher na sociedade. Isso entende-se perfeitamente através de Kestrel, a protagonista. Filha de um homem poderoso e influente, ela é muito senhora de si. Adorei a sua personalidade, que alia uma mente analítica e muito inteligente a um grande coração que é capaz de ver para além dos estereótipos criados pela sociedade.

Foi impossível não ficar deliciada com os estratagemas de Krestel, quer seja para se livrar de uma situação mais complicada como para ajudar o pai ou até mesmo para conseguir obter aquilo que deseja. Os planos da protagonista criavam reviravoltas que me mantinham agarrada ao livro e, no final, criam uma situação inesperada e que promete um próximo volume ainda mais arrebatador. Mas, existem momentos em que Krestel deixa-se levar pelos seus sentimentos e é por isso que acaba ligada a Arin, a outra figura principal da trama.

Arin é mais misterioso, pois não percebemos quem ele é e quais as suas intenções. Quando reveladas estas informações, tudo faz sentido, e torna-se difícil perceber por quem deveria estar a torcer. Enquanto Krestel parece mais racional, Arin é, sem dúvida, uma figura emocional. Ele deixa transparecer, com facilidade, as suas emoções, sendo fácil sentir empatia por ele. A sua dor e revolta estão bastante presentes e em todos os momentos em que ele surge. Porém, gostaria de ter maior conhecimento sobre o que lhe aconteceu após a ocupação do povo valoriano.

Como seria de esperar, Krestel e Arin acabam por ter uma forte ligação. Faz sentido que tal aconteça, mas esta componente de romance acaba por dominar uma grande parte do livro. Apesar de tudo, ainda me custa um pouco perceber o que leva duas pessoas tão diferentes e educadas de forma distinta a nutrirem tal sentimento e tão rapidamente. Preferia que o amor proibido tivesse um papel menor, que fosse surgindo aos poucos ao longo da trilogia, e que tivesse sido dado maior destaque aos esquemas políticos e de guerrilha.

A leitura deste livro é feita com rapidez e, no final, fica a vontade de pegar logo no volume que se segue. A história contada a duas vozes está bem conseguida e faz-nos acreditar que poderia ter acontecido. A Maldição do Vencedor correspondeu às expectativas e faz pensar sobre confiança, amizade, família e em como somos o produto da sociedade e cultura em que nascemos. É a leitura certa para quem gosta de conhecer novos mundos, narrativas jovens e surpreendentes. Recomendo.