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sexta-feira, 14 de junho de 2013

Opinião: Refúgio (A Trilogia do Elfo Negro #3)

Título original: Sojourn (1991)
Autor: R. A. SalvatoreLink
Tradutor: Mário Matos
ISBN: 9789896373443
Editora: Edições Saída de Emergência (2011)

Sinopse:

Depois de escapar da sociedade cruel e vingativa de Menzoberranzan, a sua cidade natal escondida nas profundezas da terra, Drizzt inicia uma nova aventura num mundo inteiramente diferente. Desta vez na superfície, sob a luz revigorante de um sol que o fascina e rodeado por florestas frondosas e mil e um segredos para descobrir. Mas esse novo mundo também pode ser hostil e, pior, os elfos negros não desistiram de o caçar. Poderá Drizzt encontrar refúgio longe das trevas que rodeiam a sua raça e integrar-se num mundo que o olha com desconfiança e temor? Não perca a dramática conclusão da trilogia do Elfo Negro.

Opinião:
Refúgio marca o final da Trilogia do Elfo Negro . Enquanto no primeiro volume é apresentada a cruel sociedade de Menzoberranzan e os seus jogos de poder, no segundo, o jovem elfo negro que renegou a família deambula pelo submundo na esperança de encontrar um local a que possa chamar de lar. Agora, em Refúgio, Drizzt e a sua fiel companheira, a pantera Guenhwyvar chegam a um novo território, oposto a tudo o que alguma vez conheceram: a superfície.

O mundo da superfície é um local desconhecido mas igualmente fascinante para o nosso herói. Apesar de o sol lhe ferir os olhos habituados à escuridão e de retirar as capacidades mágicas aos seus objectos, Drizzt não lhe consegue virar costas e voltar às trevas do submundo.

“As cores logo antes do nascer do Sol arrebatavam a minha alma de uma forma que nenhum padrão de emanações de calor do Subescuro alguma vez poderia fazer. Inicialmente pensei que o meu fascínio se devesse à estranheza da cena, mas mesmo agora, tantos anos passados, sinto o coração bater com força perante o subtil clarear que anuncia a alvorada. (…) O Sol tornou-se símbolo da diferença entre o Subescuro e a minha nova casa.”

Inicialmente, Drizzt observa ao longe as criaturas deste mundo. Humanos, elfos, anões, entre outros, surgem como espécies diferentes das que conhecia, mas com valores aproximados dos seus. Mas o elfo rapidamente aprenderá que até os locais mais belos ou mesmo nas raças mais nobres pode existir maldade e terror. O elfo negro terá que conseguir conquistar o seu lugar no mundo e dessa forma, finalmente encontrar um sítio que consiga chamar de lar.

A posição que Drizzt toma na superfície é bastante curiosa. Consciente dos preconceitos associados à sua espécie (e com razão), o drow deseja mas não consegue travar um contacto directo com os novos seres. Ainda para mais, existem outras espécies que têm objectivos cruéis e que vêm a presença do elfo como benéfica, uma vez que fazem recair sobre ele a suspeita de prática de actos imperdoáveis.

A narração é, maioritariamente, centrada em Drizzt, havendo breves momentos em que o leitor fica a conhecer as intenções dos seus oponentes. Se por um lado isso permite ter uma maior percepção da maldade existente, por outro torna a narração ainda mais previsível e sem grandes efeitos surpresa. Continua a existir uma grande preocupação nas descrições das lutas travadas, ao género de videojogo, o que não será nenhuma novidade para o leitor que acompanhou a trilogia.

Refúgio é o desfecho de uma fase da vida de Drizzt, cujas aventuras continuam em Trilogia das Planícies Geladas, já publicada pela Saída de Emergência. 

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Opinião: Exílio (A Trilogia do Elfo Negro #2)

Título original: Exile (1990)
Autor: R. A. Salvatore
Tradutor: Mário Matos

ISBN: 9789896372903
Editora: Edições Saída de Emergência (2011)

Sinopse:




Após renegar a sua própria família e partir para longe de Menzoberranzan, a sua pátria, Drizzt tem que aprender a sobreviver e conquistar um novo lar no imenso labirinto dos túneis subterrâneos onde se ocultam criaturas das trevas. Mas o verdadeiro perigo parte da sua própria raça e Drizzt terá que estar atento a sinais de perseguição, pois os elfos negros não são um povo misericordioso…
Venha descobrir Drizzt, o elfo negro, uma das personagens mais lendárias da fantasia. E acompanhe-o na épica e intrépida jornada para longe de um mundo onde não tem lugar… em busca de outro, na superfície, onde talvez nunca o aceitem.



Opinião:

Segundo volume da Trilogia do Elfo Negro, continua a desvendar as aventuras de Drizzr Do’Urben, uma das personagens mais marcantes de The Icewind Dale Trilogy – trilogia que sucede a presente.

Drizzt surge num ambiente solitário e alienado, em consequência dos eventos do primeiro volume: o nosso herói renegou a própria família e a sociedade de Menzoberranzan, uma vez que não consegue identificar-se com a crueldade e malícia dos jogos de poder que aí existem. Passaram dez anos desde que Drizzt vagueia no submundo acompanhado apenas por Guenhwyvar, a fiel pantera.

“Pelos longos corredores do Subescuro seguiram o caçador e o seu felino sem fazer um ruído, sem fazer mexer uma pedra. Juntos tinham aprendido a conhecer os perigos deste mundo de sussuros. Juntos tinham aprendido a sobreviver. (…) Não temia inimigos, mas já não tinha a certeza se a sua coragem vinha da confiança ou se vinha da apatia que sentia em viver. Talvez a sobrevivência não bastasse.”

O elfo negro vai ter que lidar com a solidão que encontra num labirinto gigantesco de túneis que escondem alguns segredos perigosos. Mas se Drizzt acreditava ser esse o seu maior problema, engana-se: a família não esqueceu aquilo que ele fez, e está a preparar uma vingança macabra com a ajuda da Deusa Aranha, Lolth.

Um dos aspectos mais interessantes deste volume prende-se com a existência do ser fora de uma sociedade e a forma como isso o afecta. Drizzt passa anos a vaguear por túneis, e nem sempre consegue ter a companhia da pantera que precisa de voltar ao seu plano astral com regularidade. O elfo negro começa a ter alguns devaneios próprios de quem vive só e chega a tomar medidas desesperadas para manter a sanidade, mas sem nunca colocar a hipótese de regressar para junto da família. 


Contudo, alguns dos momentos solitários podem tornara leitura monótoma e mais lenta. O leitor que ficou entusiasmado com a acção do primeiro volume vai-se deparar com uma narrativa mais focada na mente do protagonista, apesar de ainda existirem batalhas e obstáculos bem reais a ultrapassar.

Apesar de Drizzt ter abandonado Menzoberranzan, o leitor continua a conseguir acompanhar os principais eventos que ocorrem nesta fascinante e cruel sociedade, o que é bastante agradável e acaba por quebrar com a monotomia dos capítulos mais parados de Drizzt.

A escrita continua a ter as características do primeiro volume. Bastante simples, transporta o leitor para um enredo previsível, onde as descrições das cenas de luta e caça fazem sentir estar a jogar um RPG (role-playing game).

Os leitores que apreciaram Pátria, vão gostar de Exílio que, apesar da sua previsibilidade e do ritmo mais lento, deixa em aberto uma nova aventura num território diferente e com muitos segredos por desvendar. 


Outros livros de R. A. Salvatore:
Pátria (Trilogia do Elfo Negro #1)

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Opinião: Pátria (A Trilogia do Elfo Negro #1)

Título original: Book One of the Dark Elf Trilogy (1990)
Autor: R. A. Salvatore
Tradutor: Mário Matos
ISBN: 9789896372675
Editora: Edições Saída de Emergência (2010)

Sinopse:

Nas profundezas da terra e rodeada de trevas eternas, esconde-se a imensa cidade proibida de Menzoberranzan. Habitada pelos drows, os temidos elfos negros, Menzoberranzan é governada por um complexo sistema de Casas em constante batalha. No meio de uma dessas batalhas nasce uma criança com olhos cor púrpura.

A criança, Drizzt Do’Urden, destinada a tornar-se príncipe de uma das Casas, cresce num mundo vil onde a sua própria família não hesita em conspirar, trair e assassinar. Surpreendentemente, Drizzt desenvolve um sentido de honra e justiça completamente estranho à sua cidade. Mas haverá lugar para ele num mundo onde a crueldade é a maior virtude?

Opinião:
R. A. Salvatore é o autor da Trilogia do Elfo Negro, que surgiu na necessidade de explorar a história de uma das suas personagens mais carismáticas e acarinhadas de The Icewind Dale Trilogy: Drizzt Do’Urben, o elfo negro.

No universo dos Forgotten Realms, surge Menzoberranzan, uma cidade subterrânea dominada pelos drow, também conhecidos como elfos negros. Os drow são seres cruéis, maliciosos que se organizam num sistema de Casas que estão em batalha constante de forma a obter poder e influência. Os elfos negros são devotos de Lolth (ou Lloth), a Deusa Aranha que exige sacrifícios e que congratula a ambição e a crueldade dos seus seguidores.


“Os elfos drow eram criaturas de sobrevivência, e não de princípios.”

As características dos drow são o maior atractivo desta leitura. Conhecer uma sociedade matriarca onde os valores nobres, como a verdade, a justiça e a compaixão são vistos como vis, fracos e até profanos, pode ser uma boa novidade para o leitor.

O nosso herói nasce enquanto a sua Casa ataca uma outra que está à frente na hierarquia. Aquele que viria a ser um nascimento destinado ao sacrifício para regozijo da Deusa, revela uma outra direcção. Drizzt Do’Urden tem que viver para tomar o lugar do segundo filho, e quando a sua família vê os olhos violeta do recém-nascido, não consegue adivinhar que outras diferenças este drow possui.

Drizzt não é um elfo negro comum. Ingénuo, alegre, corajoso e com um sentido de honra inato, desagrada a todos durante o seu desenvolvimento, que apenas vêm nele a qualidade de guerreiro que não tem igual. Drizzt não consegue compreender a sociedade em que está inserido, que o aterroriza através de actos e de ideais. O jovem tenta integrar neste sistema, mas vive num constante dilema moral que o faz perceber que não pertence ao povo no qual nasceu.

Em Pátria, seguimos Drizzt desde o seu nascimento até à tomada de consciência da sua demanda, deixando conhecer um povo e uma terra sombrios. O leitor acostumado a ler aventuras onde segue um povo com características referentes ao “bem” que enfrenta um do “mal”, vai ficar agradado com esta variação, assim como vai reflectir sobre aquilo que motiva a malvadez. Os relatos e lendas dos elfos negros sobre os outros seres, tais como os elfos da superfície, são bastante relevantes e fazem reflectir sobre a subjectividade dos valores, nomeadamente quanto à dualidade anteriormente referida.

Apesar de ser uma aventura destinada a um público jovem, devido à simplicidade da escrita, à previsibilidade do enredo e de por vezes, fazer lembrar um RPG (role-playing game), poderá, também, revelar-se uma leitura agradável até para o leitor habituado a enredos mais intricados do género fantástico, isto pela forma como alguns conceitos estão apresentados.

Com o primeiro volume da Trilogia do Elfo Negro, a Saída de Emergência transporta-nos aos Forgotten Realms, um universo povoado por diferentes criaturas e onde a magia está bem presente. Drizzt cativa e o leitor deseja continuar a acompanhar esta personagem tão diferentes dos da sua raça nas suas aventuras.