domingo, 12 de novembro de 2017

Opinião: A Mulher do Meu Marido

Título Original: My Husband's Wife (2016)
Organização: Jane Corry
Tradução: Mário Dias Correia
ISBN: 9789896579531
Editora: Planeta (2017)

Sinopse:

Lily é advogada e, quando casa com Ed, está decidida a deixar para trás os segredos do passado. Quando aceita o seu primeiro caso criminal, começa a sentir-se estranhamente atraída pelo cliente. Um homem acusado de assassínio. Um homem pelo qual estará em breve disposta a arriscar tudo.
Mas será ele inocente?
E quem é ela para julgar?
Mas Lily não é a única a ter segredos. A sua pequena vizinha Carla só tem nove anos. Mas já percebeu que os segredos são coisas poderosas, para obter o que deseja.
Quando Lily encontra Carla à sua porta, dezasseis anos depois, uma cadeia de acontecimentos é posta em marcha e só pode acabar de uma forma… a pior que Lily podia imaginar.

Opinião:

O título deste livro de Jane Corry prendeu-me logo a atenção. É que ainda antes de começar a leitura fico com a sensação de que vou ler uma história onde as emoções estarão à flor da pele e no qual poderá assistir a um crime passional. As minhas deduções mostraram-se certas, mas A Mulher do Meu Marido acaba por ser mais do que isso.

Esta é uma obra que pode ser analisada em duas partes. Na primeira assistimos a um julgamento duvidoso e ao início problemático de um casamento em paralelo com uma história de infância que se desenvolve num seio desequilibrado. Na segunda, que acontece 12 anos mais tarde, assistimos às consequências de todas as acções registadas anteriormente e percebemos como estas alteraram para sempre os seus intervenientes. Confesso que a primeira fase não me cativou tanto como a segunda. O início da leitura revelou-se algo demorado, talvez por ter dificuldades em ligar-me às personagens. Já a segunda parte apresentou uma evolução mais apelativa e reviravoltas que surpreenderam.

A história vai sendo narrada sempre na perspectiva de duas personagens, Lily e Carla. É curioso notar que a minha percepção de cada uma destas figuras foi alterando conforme o desenrolar da narrativa. Ao início senti mais ligação a Carla do que a Lily, mas na segunda parte da trama isso alterou-se. Acho que tal se deveu ao facto de, na fase inicial, Carla ser uma criança com muitas carências. É amada pela mãe, é certo, mas nunca para ser uma prioridade para ninguém e, por isso, nunca se sentindo parte de nada. Desejei vê-la a alcançar o equilíbrio emocional, mal tal estava sempre ligado a outras figuras que não tinham tal preocupação. Já Lily surge com tal insegurança que acaba por ter atitudes exageradas e por tomar decisões extremas. Esta é uma mulher com quem não é fácil simpatizar pois, apesar de ter os seus momentos de bondade, tem demasiadas fraquezas pessoais que poderiam ser facilmente contornadas se ela assim o desejasse.

É curioso ver a evolução que estas duas personagens apresentam na segunda parte da obra. Passados 12 anos, Carla torna-se uma jovem mulher ambiciosa que tenta alcançar um modelo que viu noutros mas que não compreende totalmente. Como tal, acaba por fazer escolhas pouco louváveis e por se deparar com uma situação que lhe causa repulsa apesar de, inicialmente, desejar. Já Lily acaba por se tornar mais próxima do leitor a partir do momento em que aceita as suas vulnerabilidades e procura superá-las de modo a alcançar estabilidade para si e para quem mais ama. Tratam-se de duas mulheres inteligentes, manipuladoras e que nos causam curiosidade.

Paralelamente à história pessoal destas personagens assistimos a um caso criminal que dá muito que falar e que acaba por despoletar um outro. Gostei que a autora estivesse constantemente a criar reviravoltas sobre o que realmente aconteceu nestes crimes, despertando a curiosidade do leitor e levando-o a criar diversas hipóteses sobre o que realmente poderá ter acontecido. Ao mesmo tempo, são criados diferentes perfis de cada personagem envolvida, ficando a noção que se tratam de figuras complexas e com as quais a autora se divertiu a "brincar".

A Mulher do Meu Marido revela-se uma leitura complexa, onde nada pode ser o que aparenta e onde todas as histórias apresentam diferentes camadas. Apesar de alguma lentidão inicial, gostei muito da história apresentada e fiquei satisfeita e surpreendida com a forma como Jane Corry construiu cada figura e com o final concedido a cada uma. Um thriller psicológico que brinca com a mente do leitor e que deixa a dúvida no ar até à última página.

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