quinta-feira, 26 de abril de 2018

Opinião: Às Cegas

Título Original: Bird Box (2014)
Autor: Josh Malerman
Tradução: Rita Figueiredo
ISBN: 9789898869746
Editora: TopSeller (2018)

Sinopse:

Não abra os olhos. Há algo terrível lá fora.
Num mundo pós-apocalítico tenso e aterrorizante que explora a essência do medo, uma mulher, com duas crianças, decide fugir, sonhando com uma vida em segurança. Mas durante a viagem, o perigo está à espreita: basta uma decisão errada e eles morrerão. Cinco anos depois de a epidemia ter começado, os sobreviventes ainda se escondem em abrigos, protegidos atrás de portas trancadas e janelas tapadas.
Malorie e os seus filhos conseguiram sobreviver, mas agora que eles têm 4 anos chegou o momento de abandonar o refúgio. Procurar uma vida melhor, em segurança e sem medos.
Num barco a remos e de olhos vendados, os três embarcam numa viagem rio acima. Apenas podem confiar no instinto e na audição apurada das crianças para se guiarem. De repente, sentem que são seguidos. Nas margens abandonadas, alguém observa. Será animal, humano ou monstro?

Opinião:

Quem tem medo do escuro? Quem fica em pânico ao sentir movimentos na penumbra? Agora imaginem o que é viverem sempre de olhos fechados para não serem mortos por algo desconhecido e que enlouquece todos os que o veem. Eram capazes de viver na escuridão para preservarem a vida? Encurralados e com praticamente nenhum contacto com o exterior? Manteriam a sanidade nestas condições? É nestas condições que se encontra o mundo criado por Josh Malerman neste livro.

Às Cegas apresenta uma história intensa, arrepiante e que, em muitas ocasiões, deixa o nosso coração mais acelerado. Num mundo igual ao nosso, as pessoas começam a enlouquecer e a matarem todos os que as rodeiam, terminando por também tirarem a própria vida. Ninguém sabe ao certo porque isto acontece, mas todos já perceberam que tal é despoletado pela visão de algo. Uma criatura, um monstro, um ser misterioso que surge no campo de visão e provoca insanidade. A única forma de sobreviver é encontrar um refúgio, tapar todas as portas e janelas e viver na escuridão. Na rua, só se pode andar de olhos fechados, mas isso é estar exposto a perigos e sem hipótese de defesa.

Vivemos esta aventura ao lado de Malorie. Trata-se de uma mulher jovem que se transforma à nossa frente ao longo da narrativa. Conhecemos esta personagem numa fase já avançada da história, numa situação extrema em que a luta pela sobrevivência prevalece sobre tudo o resto. Contudo, em capítulos intercalados, assistimos ainda aos acontecimentos que vão desde o início deste fenómeno crítico até ao ponto actual da situação. Desta forma, o autor deixa-nos perceber o que aconteceu a Malorie e a todos os que a certa altura a rodearam, mas sem revelar tudo e deixando-nos sempre com vontade de descobrir mais.

A transformação da protagonista é impressionante. De uma jovem que acredita que o seu maior problema é uma gravidez indesejada ela torna-se uma mulher capaz de tudo para sobreviver. A forma como tal acontece é gradual e faz todo o sentido. Moldada pela dor da perda e pelo terror, ela acaba por ser exemplo de coragem, preservação e força. É impressionante observar algumas das decisões que toma, nomeadamente numa fase mais avançada, quando fica responsável por dois bebés. Podemos ficar arrepiados com alguns dos seus pensamentos e opções quanto às crianças, mas não a conseguimos julgar.

Tanto Malorie como as pessoas que ele contacta transmitem as diferentes formas de se lidar com situações de perigo e sobrevivência. Acredito que podemos imaginar o que faríamos nesta situação, mas sem ter a certeza de quais seriam as nossas reacções. Por isso mesmo, acaba por ser difícil criticar as figuras com quem, aparentemente, não deveríamos simpatizar. Ainda assim, é de louvar sentir que o optimismo e esperança conseguem prevalecer em algumas personagens, mesmo quando passaram por tanto e perderam tudo. Ao observarmos estas figuras, analisamos a natureza humana e fazemos um exame de consciência. Afinal, qual destas figuras nos representa?

O ambiente tenso consegue envolver-nos e afetar-nos conforme a leitura vai avançando. As descrições transportam-nos com facilidade para esta realidade, sendo imediato e fácil perceber o pavor em que vivem as personagens e o pânico vivido nas situações mais extremas. Muitas vezes, parece que somos nós que ali estamos, fechados num casa e com medo do que pode estar lá fora ou mesmo na rua com uma venda nos olhos e a sentir a presença de algo desconhecido mesmo ao nosso lado. Acreditem, estes momentos incomodam, mas também nos fazem querer não largar o livro.

É engraçado pensar que, quando comecei a leitura, perguntei-me se não seria aborrecido acompanhar uma história passada dentro de uma casa ou em que as personagens tivessem sempre os olhos fechados. Acreditem, esta dúvida revelou-se infundada pois em momento algum senti desinteresse ou aborrecimento. A narrativa agarra-se a nós e faz-nos desejar entender o que ali aconteceu, o que fez com que Malorie se encontrasse naquela situação, até onde vão aquelas personagens e o que está, afinal, a causar esta chacina.

Às Cegas é um livro impressionante. Devorei-o com vontade e fiquei muito satisfeita com o rumo que a história tomou. O final faz sentido, apesar de, admito, sentir falta de algumas informações. Contudo, entendo a opção do autor para não as fornecer, pois isso faz com que o medo vivido nestas páginas não nos abandone facilmente. E apesar de tal ideia poder perturbar, pensem no quão bom é quando um livro nos afecta desta forma. Claro que recomendo.

quarta-feira, 25 de abril de 2018

Viva a Liberdade!


Hoje é dia de nos sentirmos gratos por algo que tomamos por garantido, mas que nem sempre o foi. É dia de recordar que houve uma altura em que nada foi assim. em que, entre imensas restrições, se vivia sob censura, não se podia ter acesso a algo considerado fora da norma nem projectar opiniões nesse sentido. Tempos em que eram dadas palas às pessoas para não verem além do que lhes tinha sido preparado de modo a que os seus pensamentos não fossem desviantes. Mas a mente humana rebela-se, a luta, muitas vezes silenciosa, acontecia mesmo quando era abafada e a demanda por liberdade prevaleceu.

Hoje é dia de nos sentirmos gratos. Gratos por, por exemplo, podermos escolher qual livro ler a seguir, sem que exista o perigo de elegermos um título listado como "proibido" e sermos castigados por isso. Gratos por termos a possibilidade de discutir o que lemos, de expressar sem receio as nossas ideias, de procurar outros pontos de vista, outras análises, outras formas de pensar.
Nem sempre foi assim, há locais neste mundo onde ainda não é assim. Mas é aqui e agora. Vamos sentir-nos gratos por isso. E viva a liberdade!

terça-feira, 24 de abril de 2018

Opinião: Quando Tu Voltaste

Título Original: The One That Got Away (2017)
Autor: Maria Realf
Tradução: Raquel Dutra Lopes
ISBN: 9789897770432
Editora: Planeta (2018)

Sinopse:

Lizzie Sparkles devia ser a rapariga mais feliz do mundo... está a três meses de se casar com quem acha ser o Tal, no casamento dos seus sonhos! Passou os últimos três meses em êxtase. Mas, um fim-de-semana quando está a experimentar o vestido de noiva recebe notícias perturbadoras: o amor do passado regressa à sua vida como uma bomba! Depressa percebe que estas notícias ameaçam atrapalhar e eliminar os seus planos tão cuidadosamente elaborados.

O regresso inesperado de Alex muda tudo e Lizzie enfrenta um dilema impossível. Como poderá esquecer o passado, quando se depara com ele... e lhe pede mais uma oportunidade? E é forçada a fazer uma escolha que mudará a sua vida para sempre.

Uma história de amor comovedora e inesquecível, uma leitura emotiva, que não deixará os leitores indiferentes.

Opinião:

Um romance que sobre dúvidas, amores do passado, perdão, decisões difíceis, perda... e a preparação de um casamento! Quando Tu Voltaste apresenta a história de Lizzie, uma jovem que é contactada por um grande amor do passado enquanto está a preparar o enlace com um outro homem. Se isto vos deixa adivinhar uma grande crise no coração e mente da protagonista, fiquem desde já a saber que estão certos.

Maria Realf, a autora, conta esta história ao intercalar capítulos do presente e do passado de Lizzie. Por um lado observamos o entusiasmo da protagonista junto de Josh, homem com quem vive há alguns anos e ao lado de quem voltou a encontrar o amor após uma grande desilusão do passado. Já nos capítulos referentes a outros temos, assistimos ao desabrochar de um namoro intenso entre Lizzie e Alex, romance esse que sabemos, à partida, não vai terminar bem. Nas primeiras páginas, percebemos as diferenças entre estes dois relacionamentos, sendo um mais estável e seguro enquanto o outro é pujante e avassalador. Torna-se inevitável tomar partidos.

Claro que, ao longo das páginas, existe uma curiosidade crescente de conhecer o que Alex fez a Lizzie para a deixar tão magoada. Ainda assim, o seu reaparecimento, deixa perceber que há sentimentos que não morrem facilmente. Admito que me custou aceitar todas as escolhas da protagonista ao longo da história. Consigo perceber as dúvidas que sentia, mas não conseguia esquecer que ela estava, ao mesmo tempo, a ir para a frente com um compromisso sério com um destes homens. Lizzie arrasta a situação, coloca-se em situações que a deixam confortável sem fazer uma escolha e, como seria de esperar, acaba por causar uma mágoa semelhante àquela que sofreu no passado.

Apesar de não aprovar todas as atitudes da protagonista, não perdi a vontade de ver o que iria fazer a seguir. Além disso, o facto de a autora desvendar, aos poucos, o passado de Lizzie e Alex faz-nos não querer largar o livro até tudo estar exposto. E quando isso acontece, existe uma nova reviravolta que nos faz querer perceber que desfecho Maria Realf terá na manga para esta história. O final faz sentido, está bem conseguido e faz-nos pensar em superação e na verdadeira dimensão do amor.

Para quem gosta de casamentos, este livro vai ser uma delícia. É que, ao longo da narrativa, assistimos a Lizzie nos mais variados momentos de preparação do seu enlace com Josh. Desde a prova dos vestidos, à escolha das flores, dos convites, ao ensaio da cerimónia e às despedidas de solteiro, Quando Tu Voltaste permite-nos entrar em alguns dos passos mais importantes do noivado. Algo divertido, emocionante e que nos deixa a paixão de Maria Realf por casamentos, ou não tivesse a autora trabalhado em revistas relacionadas com este tema.

Quando Tu Voltaste é um romance amoroso. Apesar de nem sempre compreendermos as escolhas de Lizzie, conseguimos entender o drama que enfrenta. Um história que fala de um amor que não termina, de superação e da coragem necessária para admitir sentimentos e lutar por uma felicidade maior. Um livro recomendado para os leitores mais românticos.


segunda-feira, 23 de abril de 2018

Dia Mundia do Livro - a origem


Hoje é um dia especial para todos nós, que não perdemos a oportunidade de nos perdermos entre páginas: é o Dia Mundial do Livro! Mas conhecem a origem desta celebração?

Surgiu na Catalunha, em Espanha, em 1926. A data escolhida inicialmente era o 5 de abril, pois era o dia de nascimento do escritor Miguel de Cervantes. Desta forma, o governo espanhol comemorava não só o escritor como também a Feira do Livro Espanhol. Só a parir de 1930 é que a data passou a ser o 23 de abril, o dia do falecimento do mesmo escritor.

Em 1995, a UNESCO (United Nations Educational, Scientific and Cultural Organization) insituiu o 23 de abril como o Dia Mundial do Livro e do Direito de Autor. A razão da data não estava apenas associada ao facto de se assinaliar a morte de Miguel de Cervantes como ainda de outros autores, como William Shakspeare (apesar de não ser preciso), Vladimir Nabokov,  Garcilaso de la Vega e Josep Pla.

O objectivo da UNESCO é promover o prazer da leitura, a publicação de livros e a protecção dos direitos autorais. Assim sendo, de que forma estão a pensar celebrar o dia?

Novidades da Bertrand Editora para Abril

MacBeth, de Jo Nesbo
Sinopse: Passado nos anos 70, numa cidade industrial cinzenta e chuvosa, a força policial da zona está concentrada em acabar com um persistente problema de drogas. Duncan, chefe da polícia, é um idealista e visionário, um sonho para a população e um pesadelo para os criminosos. O comércio das drogas é liderado por dois homens, um dos quais, mestre da manipulação chamado Hécate, tem ligações aos poderes mais elevados. E pretende usá-las para conseguir escapar ileso.
O seu plano consiste em manipular, de forma consistente e persistente, o inspetor Macbeth, um homem já de si suscetível a tendências paranoides e violentas. O que se segue é uma história irresistível de amor e culpa, de ambição política e inveja, que explora os recantos mais negros da natureza humana, assim como as aspirações da mente criminosa.



LoveStar, de Andri Snaer Magnason
Sinose: Num futuro próximo, a empresa LoveStar controla todos os aspetos da vida humana, incluindo o amor e a morte. Os seres humanos vivem agora «sem fios», o que dá rédea solta ao consumo, à tecnologia e à ciência. O serviço da REMORSOS permite eliminar dúvidas sobre caminhos que não foram seguidos, os mortos são lançados em foguetões para o espaço, de maneira a poderem regressar à Terra em todo o esplendor e o programa da inLove junta os casais perfeitos.
Ingriði e Sigríður não foram calculados para ficarem juntos, mas estão convictos de que se trata de uma mera formalidade. Mas quando a inLove une Sigríður a outra pessoa, a utopia que criaram começa a desmoronar-se.
Uma visão do futuro em que o marketing e a tecnologia governam o mundo, sem nunca conseguir contudo eliminar definitivamente o amor e a ânsia de viver.



quinta-feira, 19 de abril de 2018

Novidades da Saída de Emergência para Maio

O Caminho das Mãos, de Steven Erikson
Sinopse: Os exércitos do Apocalipse, liderados pela vidente Sha’ik, assolam o Império Malazano e uma guerra santa deixa um rasto de vítimas e destruição. A liderança militar escolhe um plano audacioso de evacuar os sobreviventes que restam para Aren, a única cidade no continente ainda sob controlo do Império. Por desertos e vastas desolações, milhares de refugiados não têm outra escolha senão participar no êxodo lendário conhecido como A Corrente de Cães.
No outro lado do continente, uma conspiração está em curso para assassinar a Imperatriz Laseen, e não faltam protagonistas sedentos de vingança ou envolvidos em demandas secretas. Mal sabem eles que todos os caminhos estão inevitavelmente ligados ao Apocalipse que se liberta…

Disponível a partir de dia 11.



O Poder, de Naomi Alderman
Sinopse: E se, um dia, as raparigas ganhassem subitamente o estranho poder de infligir dor excruciante e morte? De magoar, torturar e matar?
Quando o mundo se depara com esse estranho fenómeno, a sociedade tal como a conhecemos desmorona e os papéis são invertidos. Ser mulher torna-se sinónimo de poder e força, ao passo que os homens passam a ter medo de andar na rua, sozinhos à noite.
Ao narrar as histórias de várias protagonistas, de múltiplas origens e estatutos diferentes, Naomi Alderman constrói um romance extraordinário que explora os efeitos devastadores desta reviravolta da natureza, o seu impacto na sociedade e a forma como expõe as desigualdades do mundo contemporâneo.

Disponível a partir de dia 11.



Fahrenheit 451, de Ray Bradbury
Sinopse: Guy Montag é um bombeiro. O seu emprego consiste em destruir livros proibidos e as casas onde esses livros estão escondidos. Ele nunca questiona a destruição causada, e no final do dia regressa para a sua vida apática com a esposa, Mildred, que passa o dia imersa na sua televisão.
Um dia, Montag conhece a sua excêntrica vizinha Clarisse e é como se um sopro de vida o despertasse para o mundo. Ela apresenta-o a um passado onde as pessoas viviam sem medo e dá-lhe a conhecer ideias expressas em livros. Quando conhece um professor que lhe fala de um futuro em que as pessoas podem pensar, Montag apercebe se subitamente do caminho de dissensão que tem de seguir.
Mais de sessenta anos após a sua publicação, o clássico de Ray Bradbury permanece como uma das contribuições mais brilhantes para a literatura distópica e ainda surpreende pela sua audácia e visão profética.

Disponível a partir de dia 11.



Quem Teme a Morte, de Nnedi Okorafor
Sinopse: Num futuro distante, um holocausto nuclear devasta o continente africano e dá-se um genocídio numa das suas regiões. Os agressores, os Nuru, de pele mais clara, decidiram seguir o Grande Livro e exterminar os Okoke, de pele mais escura. Mas, depois de ser violada, a única sobrevivente de uma aldeia Okoke consegue escapar e refugiar-se no deserto. Dá à luz uma rapariga com cabelo e pele cor de areia e a mãe percebe, nesse momento, que a sua filha é diferente. Dá-lhe o nome de Onyesonwu, que significa “Quem Teme a Morte?”.
Treinada por um misterioso xamã, Onyesonwu sabe que tem um destino mágico a cumprir: pôr fim ao genocídio do seu povo. A jornada para cumprir tal proeza irá pô-la em confronto com a natureza, a tradição, o amor verdadeiro, os mistérios da sua cultura… e, por fim, com a própria morte.

Disponível a partir de dia 25.




Novidades da TopSeller para Abril

The Call - A Invasão, de Peadar O'Guilin
Sinopse:  Nessa e Anto foram dos poucos jovens que conseguiram sair vivos da Terra Cinzenta. Agora, longe da crueldade dos Sídhe, sonham
com um futuro feliz a dois.
Mas um inesperado ataque à escola dá início a uma caça às bruxas. As autoridades não acreditam ser possível sobreviver ao Chamamento e, alegando que os sobreviventes fizeram um pacto com o inimigo, rotulam-nos de traidores. Como punição, Nessa é
reenviada para a Terra Cinzenta naquela que parece ser uma viagem sem retorno.
Entretanto, os bárbaros Sídhe dão início a um ataque mortal, com um exército de horror nunca antes visto. Numa autêntica luta contra o tempo, Anto e os últimos alunos da sua escola enfrentam um inimigo sedento de sangue, procurando uma forma de defender o país e de salvar a vida de todos.





Os Humanos, de Matt Haig
Sinopse: E se a terra fosse o planeta mais absurdo do universo?
O professor Andrew Martin, génio matemático, acaba de descobrir a chave para os maiores mistérios do Universo. Ninguém sabe do salto que isto representará para a Humanidade… exceto seres evoluídos de outro planeta.
Determinados a impedir que esta revelação caia nas mãos de uma espécie tão primitiva quanto os humanos, estes seres enviam um emissário para destruir as provas. E é assim que um alien intruso, completamente alheio aos costumes, chega à Terra. Rapidamente, ele descobre que os humanos são horrendos e têm hábitos ridículos — comida dentro de embalagens, corpos dentro de roupas e indiferença por trás de sorrisos… Esta espécie não faz sentido!
Durante a sua missão, sob a pele e identidade de Andrew Martin, este alien sente-se perdido e odeia todos os terráqueos. Exceto, talvez, Newton, um cão. Contudo, quanto mais se envolve com os que o rodeiam mais fica a perceber de amor, perda, família; e de repente está contagiado: será que afinal há qualquer coisa de extraordinário na imperfeição humana?


A Verdade segundo Ginny Moon, de Benjamin Ludwig
Sinopse: Enternecedor e repleto de momentos inesperados, este romance apresenta-nos Ginny Moon, que na sua jornada até um novo lar descobre o verdadeiro significado da palavra família.
Eu tenho medo pela minha Bonequinha. Ela é pequenina e não consegue alimentar-se sozinha. A mãe Gloria passa-se da cabeça. Porque é que ninguém acredita quando digo que a Bonequinha está sozinha e que tenho de a ajudar? Nem mesmo os meus novos Pais Para Sempre, que vivem na Casa Azul, acreditam em mim?
Ginny tem autismo. Nem sempre entende o que ouve. Nem sempre tem a capacidade para distinguir o que é real. Mas sabe que foi retirada à mãe, e que esta era violenta e consumia drogas; e sabe, também, que precisa de voltar para junto da sua Bonequinha. Esta obsessão e o seu comportamento errático e agressivo levaram a que duas adoções fossem anuladas.
Poderá Ginny ter razão? Às vezes, o seu novo pai adotivo fica com a sensação de que a Bonequinha poderá ser algo mais. Mas, como já explicou a Ginny inúmeras vezes, não existe qualquer registo de outra criança na sua antiga casa. Porque não conseguirá Ginny ultrapassar esta questão?


O Duque, de Katharine Ashe
Sinopse: E se a terra fosse o planeta mais absurdo do universo?
O professor Andrew Martin, génio matemático, acaba de descobrir a chave para os maiores mistérios do Universo. Ninguém sabe do salto que isto representará para a Humanidade… exceto seres evoluídos de outro planeta.
Determinados a impedir que esta revelação caia nas mãos de uma espécie tão primitiva quanto os humanos, estes seres enviam um emissário para destruir as provas. E é assim que um alien intruso, completamente alheio aos costumes, chega à Terra. Rapidamente, ele descobre que os humanos são horrendos e têm hábitos ridículos — comida dentro de embalagens, corpos dentro de roupas e indiferença por trás de sorrisos… Esta espécie não faz sentido!
Durante a sua missão, sob a pele e identidade de Andrew Martin, este alien sente-se perdido e odeia todos os terráqueos. Exceto, talvez, Newton, um cão. Contudo, quanto mais se envolve com os que o rodeiam mais fica a perceber de amor, perda, família; e de repente está contagiado: será que afinal há qualquer coisa de extraordinário na imperfeição humana?



O Projeto Acidente, de Julie Buxbaum
Sinopse: A amizade consegue superar todas as diferenças...
Kit é a rapariga mais gira da escola. David é um rapaz solitário, incapaz de interagir com os colegas. Ele sabe que é pouco provável que Kit alguma vez repare nele.
Até ao dia em que Kit, cansada das conversas fúteis das amigas, decide almoçar na mesa de David. A química é imediata e os dois passam a partilhar o tempo das refeições. Fruto desta nova e inesperada amizade, David começa a aprender a relacionar-se com os outros, e Kit, ainda a recuperar da trágica e recente morte do pai, encontra o ombro de que precisava.
Kit só conseguirá reaprender a viver se descobrir a causa do acidente do pai e, sabendo disso, David decide ajudá-la. Mas nenhum dos dois está preparado para o mistério que estão prestes a desvendar, e é aí que a sua amizade é posta à prova.
… será ela capaz de sobreviver à verdade?



Regresso Mortal, de Hakan Nesser
Sinopse: Quando a lei e as instituições falham, será admissível fazer justiça com as próprias mãos?
Numa tranquila manhã de agosto, Leopold Verhaven, um alegado duplo homicida, é libertado da prisão. Em abril do ano seguinte, um corpo humano mutilado é encontrado numa vala, perto da casa do ex-recluso. Haverá alguma ligação? A certeza de que é Leopold só chega mais tarde, já que o corpo foi encontrado sem cabeça, pés ou mãos, e em avançado estado de decomposição. Mas quem teria interesse em matar um homem que passou 24 anos na prisão?
É este o mistério intrigante que o inspetor Van Veeteren se propõe desvendar, num caso em que todas as pistas o levam a regressar no tempo e a investigar o passado da vítima. Leopold Verhaven era uma estrela do atletismo antes de ser condenado pelo assassínio de duas das suas namoradas. Contudo, nunca confessou os crimes, declarando sempre a sua inocência.
Este facto leva a que uma terrível suspeita persiga Van Veeteren: e se Leopold Verhaven tivesse dito a verdade e fosse realmente inocente? Teria sido morto por vingança? Ou teria sido brutalmente assassinado por alguém achar que a sua pena não tinha sido suficiente?

Disponível a partir de dia 30.




Novidade da HarperCollins para Maio

Destinos Divididos, de Veronica Roth

Sequela de "Gravar as Runas", a nova série da autora de "Divergente".
Sinopse ainda não está disponível.

Disponível a partir de dia 2.

quarta-feira, 18 de abril de 2018

Opinião: A Última Travessia

Título Original: Fatal Crossing (2015)
Autor: Lone Theils
Tradução: José Remelhe
ISBN: 9789896655464
Editora: Suma de Letras (2018)

Sinopse:

O barco chegou ao destino, duas passageiras... não. Duas jovens dinamarquesas desaparecem, sem deixar rasto, a bordo de um barco com destino a Inglaterra, em 1985. Vários anos depois, a jornalista Nora Sand, que trabalha em Londres para a revista dinamarquesa Globalt, compra uma mala velha numa loja de antiguidades, numa cidade do litoral. Quando a jornalista abre a mala, encontra uma série de fotografias, e uma delas, onde aparecem duas jovens a bordo de um barco, chama-lhe a atenção. Nora lembra-se imediatamente do famoso caso das duas raparigas desaparecidas em 1985, que nunca fora encerrado. Nora Sand não pode deixar de pensar no caso e viaja até à Dinamarca para descobrir o que aconteceu às duas jovens. Rapidamente depara com a história de um assassino em série que está a cumprir pena de prisão perpétua e que parece ter a chave do caso. Mas, para Nora, qual será o preço a pagar?

Opinião:

Um mistério por resolver, um desaparecimento que incomoda e uma jornalista que tropeça no que pode ser uma nova pista. A Última Travessia é um thriller que prende a atenção desde o primeiro momento. Tal acontece devido à trama, que desenvolve a bom ritmo e vai fornecendo novas informações com o passar das páginas, pela protagonista empática e pela vontade de descobrir o que aconteceu a Lisbeth e Lulu, duas jovens que desapareceram sem deixar rasto durante uma viagem de ferryboat.

Nora Sand é a jornalista que, de um momento para o outro, se vê seduzida por este caso antigo que nunca foi resolvido. A nova pista que ela encontra deixa perceber que se trata de uma profissional atenta aos detalhes, meticulosa e capaz de tudo para conseguir as informações que precisa. A par disso, é também possível conhecer o seu lado mais humano, nomeadamente através da relação com os pais e com Andreas, um amigo de outros tempos que se transforma numa paixão pouco conveniente. E de realçar ainda o sentido de humor peculiar desta personagem.

Ao acompanhar a protagonista somos levados por uma aventura cuja intensidade cresce de página para página. Ao início sentimos que estamos a caminhar com cautela, pegando em alguns pedaços de informação novos que vão surgindo, mas a certo ponto percebemos que estamos a pisar terreno perigoso e que poderá colocar até mesmo a vida de Nora em risco. De salientar o momento em que a protagonista se encontra na prisão com um assassino em série e o de que seguida lhe acontece. É possível sentir a tensão a aumentar, o que provoca uma leitura mais rápida.

O desenrolar da acção está bem construído. No início sentimos a ser apresentados à protagonista e ao seu mundo, mas isto é feito de uma forma que capta o nosso interesse. Vê-la a trabalhar mostra-nos como é capaz de conjugar a profissão com as suas emoções e vida pessoal, algo com o qual nem sempre é fácil lidar. É interessante vê-la a envolver-se cada vez mais neste mistério, até ao ponto de tal já a consumir. Nessa fase, também nós nos sentimos absorvidos pela investigação, seduzidos pela busca da verdade e até mesmo pela exploração do lado mais negro da humanidade.

Se existem alguns dados fáceis de prever, outros não são assim tão óbvios. Confesso que não esperava o desfecho que a autora, Lone Theils, deu a esta aventura. Fiquei surpreendida e aplaudo a originalidade, apesar de haver um ou outro ponto que podem ter custado um pouco mais a aceitar. Ainda assim, fica a prova de que este é um thriller original, algo importante numa altura em que existe tanta escolha dentro do género.

Com este livro, Lone Theils apresenta-nos uma protagonista que poderá trazer ainda grandes surpresas no futuro, ao mesmo tempo que descobrimos uma história com consegue cativar com facilidade. A Última Travessia faz-nos recordar um lado mais negro do mundo, muitas vezes ocultado por ilusões ou pela nossa incapacidade de o aceitar. Não é fácil esquecer o passado, especialmente quando contém situações traumáticas, mas existe esperança para ir para além do mal que aconteceu e prevalecer. Quero acreditar que esta é uma das mensagens desta obra que nos mostra um lado menos agradável do ser humano.