quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Opinião: Jardins da Lua (Saga do Império Malazano #1)

Título original: Gardens of the Moon (1999)
Autor: Steven Erikson
Tradução: Carol Chiovatto
Adaptação: Susana Clara
ISBN: 9789896651756
Editora: Saída de Emergência (2016)

Sinopse:

O primeiro volume de uma obra-prima que revolucionou a fantasia Épica.
 Quebrado pela guerra, o vasto império Malazano ferve de descontentamento. Os Queimadores de Pontes do Sargento Whiskeyjack e Tattersail, a feiticeira sobrevivente, nada mais desejam do que chorar os mortos do cerco de Pale. Mas Darujhistan, a última das Cidades Livres, ainda resiste perante a ambição sem limites da Imperatriz Laseen. Todavia, parece que o Império não está sozinho neste grande jogo. Sinistras forças das trevas estão a ser reunidas à medida que os próprios deuses se preparam para entrar na contenda… Concebido e escrito a uma escala panorâmica, Jardins da Lua é uma fantasia épica da mais elevada qualidade, uma aventura cativante da autoria de uma excecional nova voz.

Opinião:

Já há muito que ouvia falar bem desta série e foi com entusiasmo que recebi a notícia de que a Saída de Emergência se preparava para publicar o primeiro volume. Assim que tive oportunidade, comecei a leitura de Jardins da Lua, um livro que, à primeira vista, impressionada pelo tamanho, sendo que depois causa admiração pela complexidade.

Assim que comecei a ler percebi que este não é um livro igual aos outros. Se já estava à espera de ler uma aventura dentro do género de fantasia épica e, portanto, preparada para conhecer um novo mundo, foi, ainda assim, com alguma dificuldade que consegui sentir-se familiarizada com estas personagens, esta história, estes locais e esta intriga. E esta sensação esteve sempre presente, pois quando sentia que já conseguia distinguir tudo, havia uma reviravolta que exigia uma grande concentração.

Existem imensas personagens e elas surgem na trama como se já tivessem sido apresentadas, o que faz com que seja necessário ter atenção aos pequenos detalhes de cada uma para, assim, conseguirmos distingui-las e perceber o papel de cada uma na trama. Felizmente a editora apresenta uma lista destas figuras através de uma representação gráfica, o que faz com que, se houver vontade para isso, consigamos ligar uma ideia a uma imagem e, assim, conseguir diferenciar melhor cada figura. Tattersail, Ganoes Paran e Crokus foram as personagens que mais me chamaram a atenção.

Estas muitas personagens dividem-se entre vários planos e encontram-se em momentos diferentes da narrativa. Como tal, a história tem diversos pontos de vista e está dividida em muitos momentos distintos que acabam por se unir, ainda que, numa primeira fase, pareça que esta ligação é demasiado ténue. No final tudo caminho para o mesmo sentido. O facto de existirem muitas histórias paralelas faz com que umas cativem mais do que as outras, mas a verdade é que, no geral, a maior parte acaba por ser um pouco difusa.

A magia praticada nesta obra é interessante e está muito bem pensada. Infelizmente, também este ponto surge como se o leitor já o conhecesse e dominasse, o que faz com que, ao início, não seja imediatamente compreendido e se torne até algo confuso. Felizmente, na revista Bang! N.º21, que foi para as lojas Fnac em Novembro, existe um guia que dá diversas explicações, inclusive o que são estes labirintos e de que forma funcionam.

Steven Erikson sabe construir uma intriga e consegue surpreender. Gostaria que tivesse perdido mais tempo explicar o que está a acontecer na trama, de modo a fazer a leitura fluir com maior facilidade. O tom é de mistério constante, afinal existem muitas conspirações. Fica a ideia de que, num conflito, é sempre necessário existirem sacrifícios e que mesmo os inocentes e ingénuos podem ter um papel importante a desempenhar.

Jardins da Lua, de Steven Erikson, é um livro que exige tempo e maior concentração do que é normal. Gostei de muitos momentos e apreciei a conclusão, mas não fiquei rendida à forma como o autor escolheu apresentar a sua história. A trama é demasiado densa e carece de informação introdutória aos mais diferentes níveis. Se gostam do género, acho que devem apostar nesta obra, mas tenham em atenção que vão precisar de tempo (e talvez um bloco de notas) para conseguirem apreciar em pleno a narrativa. Mas vale a pena.

1 comentário:

Jorge Alves disse...

Já tinha ficado com a ideia de uma trama complexa pelo que tinha lido na revista Bang.
Gosto de tramas com muitas personagens (O Senhor dos Aneis, Game of Thrones), mas não gosto de histórias demasiado complexas. Confundem-me e nem sempre são sinónimo de qualidade.
Não é que eu considere esta dentro deste parâmetro, até porque ainda não a li.
Acredito-me na qualidade da narrativa deste autor, mas, dificilmente eu entrarei nesta saga.
Obrigado pela opinião