quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Opinião: A Escola do Bem e do Mal (A Escola do Bem e do Mal #1)

Título Original: The School for Good and Evil (2013)
Autor: Soman Chainani
Tradução: Luís Costa
ISBN: 9789898730152
Editora: Lápis Azul (2015)

Sinopse:

Estamos perante uma trilogia que desencadeia um mundo de fantasia novo e deslumbrante, onde as melhores amigas, Sophie e Agatha estão prestes a embarcar na aventura de uma vida.
Na Escola do Bem e do Mal, meninos e meninas são treinados para serem extraordinários bons ou maus, mas um subverter dos papéis assumidos das nossas heroínas, quando Agatha é "erroneamente" enviada para a escola do bem, e Sophie para a escola do mal, tudo é posto em causa, e se o erro é na verdade a primeira pista para descobrir quem Sophie e Agatha realmente são? Fantástica trilogia na qual a única saída para fugir das lendas sobre contos de fadas e histórias encantadas é viver intensamente uma delas.

Opinião:

Gosto de contos de fadas. A primeira opinião que publiquei aqui no blogue foi sobre os livros de contos de fadas que constumava ler na infância, o que mostra o quanto estas histórias me marcaram. Como tal, assim que vi o livro A Escola do Bem e do Mal senti que o devia ler. Imaginar os heróis e vilões de todas aquelas tramas tão conehcidas a conviverem num espaço é uma ideia muito atrativa.

E este livro começa a fazer lembrar mesmo um conto de fadas: duas amigas que vivem numa aldeia isolada e afastada de tudo. É evidente desde o início que estas duas raparigas são opostos. Sofia é loira, bela, com uma personalidade extrovertida e muito superficial. Agata tem cabelos escuros e curtos, não se considera bonita, é muito tímida e reservada. Uma parece ter tudo para ser uma princesa, a outra parece ter tudo para ser uma bruxa. E o mais curioso? É que estes papéis invertem-se assim que elas entram na escola que dá o nome ao livro!

É evidente que o autor tentou explorar a dicotomia entre bem e mal ao longo desta obra. Numa leitura dirigida a um público jovem, estes conceitos são expostos de uma forma demasiado direta. É claro que os alunos são divididos entre bons e maus, sendo que os seus destinos são apresentados como traçados e sem hipótese de mudança. A chegada de Agata e Sofia à insitutição começa por provocar algumas alterações nesta ideologia. Afinal, nenhuma aceita a posição em que foi colocada e tenta dar provas do contrário.

Além disso, através das observações destas duas amigas, é possível verificar que os alunos não se podem definir de forma tão simples. É verdade que eles aceitam por completo a condição que lhes foi dada, mas em certas personagens do mal começasse a ver vestígios de bondade, e o oposto acontece do lado contrário. Esta é, sem dúvida, uma chamada de atenção do autor para a mensagem de que nós somo definidos pelas nossas escolhas e não pelo que esperam de nós.

Ainda sobre as duas amigas, confesso que preferi Ágata a Sofia. Gosto da forma como a primeira consegue encontrar-se e perceber que pode ser muito mais do que alguma vez imaginou. Aos poucos, a sua autoestima e confiança aumentam, mas ela nunca perde a sua identidade e não se rende por completo aos vestidos cor-de-rosa ou aos gestos ensaiados das outras alunas do bem. Já Sofia conseguiu irritar-me. Ela é tão superficial e egocêntrica! Não consegue ver nada para além dela nem criar qualquer empatia com os outros. Não é uma personagem pela qual nós consigamos torcer e até mesmo a vertente humorística que o autor pretende conceder-lhe acaba por não funcionar bem.

Existe sempre algo de novo a acontecer nesta trama e os acontecimentos são muito rápidos. A ideia de vilão da trama poderia estar melhor conseguida, mas não deixa de ser curiosa. O Historiador é uma presença interessante, mas ao mesmo tempo parece demasiado fatalista. Felizmente o autor conseguiu mostrar que o destino, apesar de tudo, está nas mãos de cada um.

A Escola do Bem e do Mal é um livro divertido e com ilustrações enriquecedoras. Em certos momentos poderá parecer um pouco infantil, mas é preciso não esquecer que foi escrito a pensar num público jovem. Porém, os adultos podem apreciar esta leitura, especialmente no que toca à mistura de elementos tão conehcidos e à forma como uma dicotomia tão banal como o bem e o mal é aqui exposta.

2 comentários:

Mafalda Alves disse...

Estive com o livro na mão e ele é incrivelmente lindo e perfeito!
É daqueles livros que se come com os olhos há distância!! *-*
Beijinhos*

Cláudia disse...

A edição é muito boa, Mafalda, concordo! Capa dura (confesso que adoro ver o livro só com essa capa dura preta), ilustrações muito bonitas e feitas a pensar em vários pormenores da trama. Estes detalhes também são valorizados :)