Título Original: The Trial's of Morrigan Crow (2017)
Autor: Jessica Townsend
Tradução: Margarida Filipe
ISBN: 9789896655945
Editora: Nuvem de Letras (2018)
Sinopse:
Uma história de cortar a respiração sobre uma rapariga amaldiçoada que, ao escapar à própria morte, acaba num mundo mágico apenas para ser posta à prova de maneiras jamais imaginadas!
Morrigan Crow nasceu na hora e no lugar errado. Com o seu nascimento a coincidir com o exato momento em que tiveram lugar, na sua cidade, vários infortúnios, os seus conterrâneos culpam-na por tudo o que de mal lhes aconteceu, até mesmo pelos seus problemas privados.
Condenada a morrer à meia-noite do dia em que fizer 11 anos, Morrigan terá a oportunidade de mudar de vida - para pior ou melhor - quando um homem chamado Jupiter North a envia para a mágica cidade de Nevermoor.
Aí, Morrigan descobre que Jupiter a escolheu para se candidatar a um lugar na organização mais prestigia nte da cidade: a Wundrous Society. Para entrar na organização, ela terá de competir em 4 perigosos campeonatos contra centenas de outras crianças, todas elas com um talento mas, para poder permanecer em Nevermoor em segurança, terá de passar nesses testes. Caso contrario, terá de abandonar Nevermoor e enfrentar o seu trágico destino.
Opinião:
Quando este livro me chegou às mãos fiquei muito entusiasmada. Apesar de se tratar claramente de uma leitura dedicada a um público mais jovem, a capa e a sinopse a remeter para uma história fantástica deixaram-me curiosa com o que aí vinha. Contudo, confesso que também tinha algum receio de que Jessica Townsed caísse em lugares comuns que surgiram depois do sucesso da saga "Harry Potter", em que muitos autores tentaram replicar a receita de J. K. Rowling. Felizmente não foi isso que aconteceu.
Nevermoor - O Desafio de Morrigan Crow revela originalidade. Gostei que logo ao início a autora nos apresentasse a uma realidade mais negra ao mesmo tempo que deixava transparecer uma ponta de sentido de humor. Estes ingredientes ganham uma dimensão mais ampla com o decorrer da narrativa, marcando bem o ambiente diferente em que se passa esta aventura.
Morrigan Crow, a protagonista, é uma menina que cresceu numa família sem amor. Tudo porque é uma criança amaldiçoada, o que significa desgraça e caos à sua volta. Trata-se de uma figura reservada, com feitio próprio, muita vontade de se mostrar ao mundo, mas com receio de novas rejeições. É fácil sentir empatia por esta menina que quase tem medo de falar ou de se mexer, tal é o receio de causar instabilidade. O seu desejo de aprovação é constante e faz-nos desejar que tenha um destino feliz apesar de ter a morte anunciada. Ora, mas claro que existe algo que a vai fazer escapar deste destino fatal. Apesar da previsibilidade deste acontecimento, é interessante ver o rumo que a autora escolheu para a trama.
Jessica Townsend cria um universo dividido por estados que fazem recordar os meados do século XX. As tradições com que Morrigan cresceu chocam com o que encontra em Nevermoor, onde uma série de novas, estranhas e caricatas personagens desfilam e nos entretém. Destaco Jupiter, que, apesar de ter um papel já previsível de tutor lunático, consegue conquistar a nossa confiança e carinho.
A ideia das provações pelas quais Morrigan tem de passar para pertencer a uma elitista organização está muito bem conseguida e explorada. Ao longo da leitura há sempre a sensação de que vem aí um novo desafio, sendo que todos eles são criativos e têm um resultado e uma moral diferente e que nos apela a atenção. Desta forma, a narrativa, que acontece no período de um ano, avança com rapidez e faz-nos não querer largar o livro.
O grande vilão desta aventura tem uma presença constante apesar de estar praticamente ausente. O Wundersmith acaba por se encontrar ligado a muitos dos problemas da protagonista, apesar de ser apresentado de forma gradual ao longo da leitura. Ainda assim, mesmo quando não o conhecemos realmente, temos noção do perigo que ele representa. A forma como se revela não causa grande surpresa, apesar de manter a curiosidade quando aos desenvolvimentos que vão chegar no segundo volume.
Este foi um livro que me divertiu muito. Tem muitos elementos novos que apelam ao nosso lado mais imaginativo e conseguem agarrar. Como se trata de um livro pensado para os mais jovens, carece de momentos mais explicativos, o que se sente especialmente na exposição de novos sistemas de magia ou de funcionamento da sociedade. Ainda assim, Nevermoor - O Desafio de Morrigan Crow deixou-me bem impressionada e com uma grande vontade de continuar a acompanhar as aventuras desta nova heroína.
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sexta-feira, 27 de julho de 2018
quarta-feira, 5 de julho de 2017
Opinião: Vemo-nos no Cosmos
Título Original: See You in the Cosmos (2017)
Autor: Jack Cheng
Tradução: Francisca Cortesão
ISBN: 9789896652760
Editora: Nuvem de Letras (2017)
Sinopse:
Alex é um rapaz de onze anos obcecado com o Espaço. Admirador incondicional do grande cientista Carl Sagan, o seu sonho é seguir-lhe as pisadas e enviar para o espaço o seu iPod dourado com gravações de sons do planeta Terra. Para cumprir a sua missão de dar a Humanidade a conhecer a civilizações alienígenas, construiu um foguetão e apanhou, acompanhado pelo seu cão Carl Sagan, um comboio rumo ao festival de lançamento de foguetões artesanais.
Numa viagem cujo destino insiste em mudar a cada paragem, o inocente e doce Alex irá aprender que nem tudo é o que parece, que a família perde-se e ganha-se ao longo do caminho, e que a coragem, a verdade e o amor são as únicas bússolas de que realmente precisamos.
Opinião:
Este é um daqueles livros que é lido com rapidez e vontade. Que acaba mais rápido do que o desejado e que deixa o coração mais quente. Fiquei rendida a Vemo-nos no Cosmos desde as primeiras páginas. Jack Chen, o autor desta obra, tem a difícil capacidade de recordar como trabalha a mente de uma criança. Ao escrever esta obra na primeira pessoa, leva-nos numa viagem maravilhosa, marcada pela inocência, esperança, confiança, alegria e dor.
Alex é o protagonista desta história, o rapaz que narra tudo o que lhe acontece através de gravações de voz e que é completamente apaixonado pelo espaço e a exploração espacial. Ele é um menino entusiasta, alguém que acredita no bem do mundo e na realização de todos os sonhos. É uma verdadeira ternura acompanhá-lo, mas quando nos apercebemos que nem tudo na sua vida é um mar de rosas, parece que nos são dados pequenos murros no estômago. Apesar da tenra idade, ele é inspirador, alguém que realça nos outros o melhor que têm para dar.
O desenrolar dos acontecimentos cativa. Ao principio, é um pouco insólito imaginar um menino de 11 anos a partir para tal aventura, mas depois percebemos que a sua realidade familiar não é comum, o que justifica o que acontece. Alex não vê maldade em nada nem ninguém, e isso leva-o a passar com um sorriso por situações mais duras. A forma como ele lidava com os imprevistos era sempre inesperada, ficando patente o seu grande coração e sentido de responsabilidade.
As pessoas que ele conhece podem gerar alguma dúvida no leitor. Afinal, e ao contrário de Alex, nós somos mais desconfiados. Contudo, as mudanças que ele opera naqueles que encontra levam-nos a pensar que cada pessoa pode fazer a diferença na vida do outro. Através dos olhos de uma criança, somos então levados a pensar no que podemos fazer por quem está ao nosso lado, quer seja conhecido ou desconhecido. Somos levados a pensar em como a nossa atitude pode afetar quem nos rodeia, no melhor e no pior.
O estilo de escrita usado é maravilhoso, não por ser tecnicamente perfeito, mas por conseguir transmitir tão bem os pensamentos de um menino de 11 anos. Como tal, existem frases mais longas, ideias um pouco mais confusas, tudo porque é assim que Alex está a pensar, está a falar. Esta é mais uma característica que nos leva a acreditar na veracidade desta personagem e da sua história. É também curioso como, através das suas descrições, regra geral inocentes, nos apercebemos do que se está a passar com as personagens adultas.
Adorei conhecer Alex e aqueles que ele foi encontrado no seu caminho, mas, terminada a leitura, fiquei com pena de que ficassem a faltar muitas respostas. Percebo que, devido à forma como a narrativa estava a ser conduzida, num género de diário, seria complicado perceber o que tinha, na verdade, acontecido às personagens secundárias, mas ainda assim ficou a sensação de que havia muito mais por dizer.
Vemo-nos no Cosmos é um daqueles livros que aquece o coração. Apesar de ser apresentado como destino a um público muito jovem, a verdade é que muitas das subtilizes da escrita e da narrativa só podem ser devidamente apreciadas por um leitor mais maduro. Uma obra de grande sensibilidade, que nos faz acreditar na bondade dos outros e num futuro melhor.
Autor: Jack Cheng
Tradução: Francisca Cortesão
ISBN: 9789896652760
Editora: Nuvem de Letras (2017)
Sinopse:
Alex é um rapaz de onze anos obcecado com o Espaço. Admirador incondicional do grande cientista Carl Sagan, o seu sonho é seguir-lhe as pisadas e enviar para o espaço o seu iPod dourado com gravações de sons do planeta Terra. Para cumprir a sua missão de dar a Humanidade a conhecer a civilizações alienígenas, construiu um foguetão e apanhou, acompanhado pelo seu cão Carl Sagan, um comboio rumo ao festival de lançamento de foguetões artesanais.
Numa viagem cujo destino insiste em mudar a cada paragem, o inocente e doce Alex irá aprender que nem tudo é o que parece, que a família perde-se e ganha-se ao longo do caminho, e que a coragem, a verdade e o amor são as únicas bússolas de que realmente precisamos.
Opinião:
Este é um daqueles livros que é lido com rapidez e vontade. Que acaba mais rápido do que o desejado e que deixa o coração mais quente. Fiquei rendida a Vemo-nos no Cosmos desde as primeiras páginas. Jack Chen, o autor desta obra, tem a difícil capacidade de recordar como trabalha a mente de uma criança. Ao escrever esta obra na primeira pessoa, leva-nos numa viagem maravilhosa, marcada pela inocência, esperança, confiança, alegria e dor.
Alex é o protagonista desta história, o rapaz que narra tudo o que lhe acontece através de gravações de voz e que é completamente apaixonado pelo espaço e a exploração espacial. Ele é um menino entusiasta, alguém que acredita no bem do mundo e na realização de todos os sonhos. É uma verdadeira ternura acompanhá-lo, mas quando nos apercebemos que nem tudo na sua vida é um mar de rosas, parece que nos são dados pequenos murros no estômago. Apesar da tenra idade, ele é inspirador, alguém que realça nos outros o melhor que têm para dar.
O desenrolar dos acontecimentos cativa. Ao principio, é um pouco insólito imaginar um menino de 11 anos a partir para tal aventura, mas depois percebemos que a sua realidade familiar não é comum, o que justifica o que acontece. Alex não vê maldade em nada nem ninguém, e isso leva-o a passar com um sorriso por situações mais duras. A forma como ele lidava com os imprevistos era sempre inesperada, ficando patente o seu grande coração e sentido de responsabilidade.
As pessoas que ele conhece podem gerar alguma dúvida no leitor. Afinal, e ao contrário de Alex, nós somos mais desconfiados. Contudo, as mudanças que ele opera naqueles que encontra levam-nos a pensar que cada pessoa pode fazer a diferença na vida do outro. Através dos olhos de uma criança, somos então levados a pensar no que podemos fazer por quem está ao nosso lado, quer seja conhecido ou desconhecido. Somos levados a pensar em como a nossa atitude pode afetar quem nos rodeia, no melhor e no pior.
O estilo de escrita usado é maravilhoso, não por ser tecnicamente perfeito, mas por conseguir transmitir tão bem os pensamentos de um menino de 11 anos. Como tal, existem frases mais longas, ideias um pouco mais confusas, tudo porque é assim que Alex está a pensar, está a falar. Esta é mais uma característica que nos leva a acreditar na veracidade desta personagem e da sua história. É também curioso como, através das suas descrições, regra geral inocentes, nos apercebemos do que se está a passar com as personagens adultas.
Adorei conhecer Alex e aqueles que ele foi encontrado no seu caminho, mas, terminada a leitura, fiquei com pena de que ficassem a faltar muitas respostas. Percebo que, devido à forma como a narrativa estava a ser conduzida, num género de diário, seria complicado perceber o que tinha, na verdade, acontecido às personagens secundárias, mas ainda assim ficou a sensação de que havia muito mais por dizer.
Vemo-nos no Cosmos é um daqueles livros que aquece o coração. Apesar de ser apresentado como destino a um público muito jovem, a verdade é que muitas das subtilizes da escrita e da narrativa só podem ser devidamente apreciadas por um leitor mais maduro. Uma obra de grande sensibilidade, que nos faz acreditar na bondade dos outros e num futuro melhor.
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