Título Original: The Fork, The Witch and The Worm (2018)
Autor: Christopher Paolini
Tradução: Sofia Ribeiro
ISBN: 9892344111
Editora: Asa (2019)
Sinopse:
Bem-vindo novamente ao mundo de Alagaësia. Já passou um ano desde que Eragon partiu em busca do lugar perfeito para treinar uma nova geração de Cavaleiros do Dragão. Agora, debate-se com as inúmeras tarefas que tem pela frente: construir a Fortaleza do Dragão, entender-se com os fornecedores, cuidar dos ovos de dragão e lidar com os aguerridos Urgals e os arrogantes elfos. Isto até ao momento em que uma visão dos Eldunarí, visitantes inesperados, e uma lenda Urgal trazem uma necessária distração e um novo desafio…
Neste volume encontrarás três histórias originais que decorrem em Alagaësia, a par com o desenrolar da aventura de Eragon. E ainda um excerto das Memórias da inesquecível bruxa e adivinha Ângela, a herbalista, escrito por Ângela Paolini, irmã do autor e a mulher que serviu de inspiração à personagem!
Opinião:
Já passaram bons anos desde que Christopher Paolini apresentou o livro final de "O Ciclo da Herança". Na altura, o autor era bem jovem, e isso refletia-se na sua escrita. Lembro de achei os livros pouco originais, ingénuos e previsíveis. Recentemente, o autor decidiu voltar a este mundo, o que resultou na publicação de O Garfo, a Bruxa e o Dragão. Peguei neste livro, com vontade de perceber como Paolini tinha evoluído e que surpresas relacionadas com Alagaesia ainda poderia trazer. Confesso, desde já, que não fiquei impressionada.
O Garfo, a Bruxa e o Dragão é a reunião de três contos que se passam no mundo de Eragon e Saphira. Estas duas personagens surgem ao longo da obra, mas estão muito longe de serem os elementos fulcrais dos contos. Surgem apenas como uma visita repentina, só para o leitor não se esquecer que ainda estão lá e que ainda podem viver novas aventuras. Contudo, estas ainda não chegaram. Nesta fase, parecem apenas ser os ouvintes de outras três histórias, cada uma com uma lição que os poderá ajudar nesta fase de preparação e mudança.
Em "O Garfo", voltamos a encontrar Murtagh. Percebemos o que esta personagem mais sombria anda a fazer, ao mesmo tempo somos levados a pensar que uma fuga não afasta os problemas e que é preciso ter coragem para reparar erros cometidos. Segue-se "A Bruxa", que tem Angela e Elva como figuras centrais. Aqui, percebemos como as duas se tornaram unidas e percebemos como é possível viver com dor. "O Dragão" pareceu-me ser a história mais forte, uma vez que surge quase como uma lenda. É fácil comparar esta narrativa com a destruição provocada por Smaug em O Hobbit, mas Christopher Paolini preferiu explorar a convivência diária com o que nos pode destruir e como isso nos afeta e nos molda.
Apesar de apreciar que cada conto encerre uma lição importante para Eragon nesta fase que está a atravessar, gostaria que as narrativas tivessem maior ligação. A forma como estão expostas faz parecer que se tratam de textos que o autor escreveu de forma independente e que depois decidiu juntar para fazer mais um livro. Além disso, senti que esta obra não apresenta grande evolução em termos de escrita, intriga e construção de personagens. Tudo parece algo ingénuo, característica que fica ainda mais em evidência em certos diálogos pouco naturais e algo constrangedores.
Recordo que, quando Eragon foi publicado, Paolini foi acusado de não se conseguir afastar de outras grandes obras da literatura fantástica, sendo fácil perceber onde se inspirou. Curiosamente, voltei a sentir o mesmo nestes três contos. Admito que seja cada vez mais difícil criar algo completamente original, mas ao ler estes contos consegui fazer, facilmente, associações com outros livros que já li. Gostaria de ter ficado surpreendida, mas tal nunca aconteceu.
Tinha esperança que O Garfo, a Bruxa e o Dragão surgisse como uma evolução positiva quando comparado com os livros de "O Ciclo da Herança", mas tal não aconteceu. Trata-se de um livro que é lido num instante e que não acrescenta quase nada de novo a este universo. Parece-me surgir como um experimento e não como uma obra mais relevante e que marque o leitor. Depois disto, não sei se vou ter grande curiosidade relativamente a trabalhos do autor que ainda possam surgir.
terça-feira, 26 de fevereiro de 2019
segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019
Opinião: Silêncio de Gelo
Título Original: Rof (2012)
Autor: Ragnar Jónasson
Tradução: Maria da Fé Peres
ISBN: 9789898917256
Editora: TopSeller (2018)
Sinopse:
Em 1955, dois jovens casais mudam-se para o fiorde desabitado e isolado de Hedinsfjördur, na Islândia. A sua estadia termina quando uma das mulheres morre de forma misteriosa. O caso nunca é resolvido. Cinquenta anos mais tarde, surge uma fotografia antiga que mostra que, afinal, os dois casais não se encontravam sozinhos no fiorde.
Em Siglufjördur, uma pequena cidade próxima, o jovem polícia Ari Thór tenta perceber o que realmente aconteceu naquela noite fatídica, após ter sido procurado por um familiar da vítima. Numa altura em que a cidade se encontra de quarentena devido a um vírus mortal, Ari conta apenas com a ajuda de Ísrún, uma jornalista de Reiquiavique, para desvendar o caso. Porém, Ísrún encontra-se também a investigar um outro caso sinistro, que envolve o rapto de um bebé e o atropelamento mortal do filho de um ex-político.
Conseguirão eles resolver dois casos que só encontram explicação num passado mergulhado no silêncio?
Opinião:
Ragnar Jónasson é apresentado como um autor de destaque dentro do thriller nórdico. Ainda não tinha lido nenhuma das suas obras, e decidi estrear-me com Silêncio de Gelo. É certo que se trata de um livro que se encontra inserido no meio de uma série, mas isso não impede uma leitura clara e atenta. Além disso, foi um prazer voltar à Islândia, país que se destaca pela beleza natural, invernos rigorosos e concentração populacional em poucos pontos do território, deixando espaço para o isolamento.
Vi este livro quase como dividido em duas histórias. Num lado temos um casal jovem que parece estar ameaçado por uma figura misteriosa, sendo que do outro temos um homem que encontrou uma fotografia de família antiga e pediu ajuda à polícia para saber a identidade de uma figura que desconhece. Em ambos os casos, o que parece ser algo simples torna-se complicado e acaba por trazer revelações inesperadas e mais complexas do que se esperava. E os novos dados que vão surgindo nas duas situações vão aumentando a curiosidade do leitor quanto ao que ainda está para chegar.
O agente de autoridade Ari Thór e a jornalista Ísrún são as figuras responsáveis pela resolução dos dois casos. Talvez por este ser o quarto livro de uma série, senti que ambas as personagens foram colocadas na trama como se eu já as conhecesse, o que não corresponde à verdade. Não é que sinta que existiam informações subentendidas que eu deveria entender, mas faltou espaço para a apresentação de cada uma, de modo a que não consegui criar empatia com estas duas figuras. Fiquei com a ideia de que se tratam de personagens reservadas, retrospectivas e completamente dedicas ao seu trabalho. Não posso dizer que me tenham marcado.
Apreciei a resolução dos casos e a forma como o autor conseguiu explorar a natureza humana de cada um dos envolvidos. Numa das situações, fica a ideia de que não conseguimos fugir dos erros que cometemos no passado e que o castigo acaba sempre por chegar, ainda que não seja bem aquele que era esperado. Na outra, somos levados a pensar em segredos de família e na forma como certas pessoas acabam por ser manipuladas por quem acredita estar a ser protegido. A ideia de vingança é também bastante presente, com o autor a alertar para os perigos da execução da mesma, uma vez que muitas vezes pode afectar inocentes e trazer um peso ainda maior à vida de quem já foi magoado. A dificuldade da aceitação da verdade é também uma componente que marca esta leitura.
Ao longo da narrativa, é impossível não reparar num ambiente distinto. Ao longo da obra, sente-se o peso da solidão, do afastamento, do silêncio dos lugares inóspitos e do afastamento premeditado dos outros. Consegui sentir a atmosfera da Islândia, tanto na descrição dos locais como na introspecção e reflexão das personagens. O autor surpreendeu-me com esta habilidade, tanto como com a capacidade de criar intrigas sólidas, inesperadas e coerentes.
Silêncio de Gelo revelou-se uma leitura agradável. A história parece que é acompanhada por uma sombra que nos faz recordar que todos os seres humanos escondem um lado mais negro. Apesar de alguns momentos mais parados e até irrelevantes, o resultado final acaba por ser muito positivo. Fiquei com vontade de continuar a acompanhar este autor.
Autor: Ragnar Jónasson
Tradução: Maria da Fé Peres
ISBN: 9789898917256
Editora: TopSeller (2018)
Sinopse:
Em 1955, dois jovens casais mudam-se para o fiorde desabitado e isolado de Hedinsfjördur, na Islândia. A sua estadia termina quando uma das mulheres morre de forma misteriosa. O caso nunca é resolvido. Cinquenta anos mais tarde, surge uma fotografia antiga que mostra que, afinal, os dois casais não se encontravam sozinhos no fiorde.
Em Siglufjördur, uma pequena cidade próxima, o jovem polícia Ari Thór tenta perceber o que realmente aconteceu naquela noite fatídica, após ter sido procurado por um familiar da vítima. Numa altura em que a cidade se encontra de quarentena devido a um vírus mortal, Ari conta apenas com a ajuda de Ísrún, uma jornalista de Reiquiavique, para desvendar o caso. Porém, Ísrún encontra-se também a investigar um outro caso sinistro, que envolve o rapto de um bebé e o atropelamento mortal do filho de um ex-político.
Conseguirão eles resolver dois casos que só encontram explicação num passado mergulhado no silêncio?
Opinião:
Ragnar Jónasson é apresentado como um autor de destaque dentro do thriller nórdico. Ainda não tinha lido nenhuma das suas obras, e decidi estrear-me com Silêncio de Gelo. É certo que se trata de um livro que se encontra inserido no meio de uma série, mas isso não impede uma leitura clara e atenta. Além disso, foi um prazer voltar à Islândia, país que se destaca pela beleza natural, invernos rigorosos e concentração populacional em poucos pontos do território, deixando espaço para o isolamento.
Vi este livro quase como dividido em duas histórias. Num lado temos um casal jovem que parece estar ameaçado por uma figura misteriosa, sendo que do outro temos um homem que encontrou uma fotografia de família antiga e pediu ajuda à polícia para saber a identidade de uma figura que desconhece. Em ambos os casos, o que parece ser algo simples torna-se complicado e acaba por trazer revelações inesperadas e mais complexas do que se esperava. E os novos dados que vão surgindo nas duas situações vão aumentando a curiosidade do leitor quanto ao que ainda está para chegar.
O agente de autoridade Ari Thór e a jornalista Ísrún são as figuras responsáveis pela resolução dos dois casos. Talvez por este ser o quarto livro de uma série, senti que ambas as personagens foram colocadas na trama como se eu já as conhecesse, o que não corresponde à verdade. Não é que sinta que existiam informações subentendidas que eu deveria entender, mas faltou espaço para a apresentação de cada uma, de modo a que não consegui criar empatia com estas duas figuras. Fiquei com a ideia de que se tratam de personagens reservadas, retrospectivas e completamente dedicas ao seu trabalho. Não posso dizer que me tenham marcado.
Apreciei a resolução dos casos e a forma como o autor conseguiu explorar a natureza humana de cada um dos envolvidos. Numa das situações, fica a ideia de que não conseguimos fugir dos erros que cometemos no passado e que o castigo acaba sempre por chegar, ainda que não seja bem aquele que era esperado. Na outra, somos levados a pensar em segredos de família e na forma como certas pessoas acabam por ser manipuladas por quem acredita estar a ser protegido. A ideia de vingança é também bastante presente, com o autor a alertar para os perigos da execução da mesma, uma vez que muitas vezes pode afectar inocentes e trazer um peso ainda maior à vida de quem já foi magoado. A dificuldade da aceitação da verdade é também uma componente que marca esta leitura.
Ao longo da narrativa, é impossível não reparar num ambiente distinto. Ao longo da obra, sente-se o peso da solidão, do afastamento, do silêncio dos lugares inóspitos e do afastamento premeditado dos outros. Consegui sentir a atmosfera da Islândia, tanto na descrição dos locais como na introspecção e reflexão das personagens. O autor surpreendeu-me com esta habilidade, tanto como com a capacidade de criar intrigas sólidas, inesperadas e coerentes.
Silêncio de Gelo revelou-se uma leitura agradável. A história parece que é acompanhada por uma sombra que nos faz recordar que todos os seres humanos escondem um lado mais negro. Apesar de alguns momentos mais parados e até irrelevantes, o resultado final acaba por ser muito positivo. Fiquei com vontade de continuar a acompanhar este autor.
domingo, 24 de fevereiro de 2019
Opinião: Que Sombra Te Acompanha
Autor: Tiago Gonçalves
ISBN: 9789898921000
Editora: Mosaico (2018)
Sinopse:
Todos somos emigrantes, nem que seja só uma vez. Todos deixámos o nosso lugar de origem para vivermos noutro lugar, nem que seja só por algum tempo. Pouco importa se vamos de uma cidade para outra, de um país para outro, ou se apenas de um lugar para outro. Talvez só abandonemos as raízes em que nascemos por outras completamente diferente. Talvez só emigremos profissionalmente. Pouco importa, as dúvidas acompanham-nos, as questões que colocámos também.
Neste livro acompanhamos um sonhador que partiu na procura do mundo que lá não tinha. Agora ele é uma sombra do que foi, sem a alma de outrora, vivendo confortado com pouco conforto. Nesta tarde, contudo, encontra mais do que procura e do que pediu. Nunca quis mas hoje revisita a sua vida numa conversa que é mais que um fortuito reencontro.
Opinião:
Este é um livro pequeno que convida o leitor a fazer uma pausa. Que Sombra te Acompanha não só nos faz parar na nossa rotina para uma curta leitura, como ainda nos leva a refletir sobre o que nos trouxe ao momento em que nos encontramos e faz pensar sobre o que desejamos daqui para a frente. Desta forma, Tiago Gonçalves prova que pequenas narrativas podem deixar a sua marca no leitor.
Logo no início conhecemos Alfredo, o protagonista desta obra. Percebemos que se trata de um homem que já passou por muito e que encontra conforto no movimentos e caos da cidade. Está conformado com esta existência, surgindo, no entanto, mais como um observador. Pelo menos é nesta fase que o encontramos, mais introspectivo e pouco activo. Tal é aceite com calma, até que existe um elemento que abala esta serenidade e o leva a questionar-se.
Em oposição com a cidade, surge a aldeia onde viveu na infância. Alfredo é levado a confrontar o movimento, novidade, esperança e sonho que ambicionava encontrar no espaço urbano com a calmaria, estagnação, previsibilidade e declínio do que é rural. Contudo, é interessante constatar que nem tudo o que podia ter sido assim se tornou, e nem tudo do que se queria escapar era realmente nefasto. Alfredo reconhece que o conjunto das suas experiências fazem dele quem é e que não deve desprezar as suas origens.
O título desta obra remete para o lado mais negro da vida. Afinal, o autor recorda que todos nós guardamos mágoas, dúvidas, arrependimentos, desilusões e tristezas, sendo que a sucessão destas nos transformam em quem somos. A luz está lá, com todas as qualidades inerentes, mas nunca devemos esquecer a sombra nem ignorá-la. Por vezes temos que a confrontar para continuar a evoluir. Temos que a reconhecer.
A leitura é feita com prazer, sendo fácil reparar no gosto do autor pela escrita. Existem algumas repetições ou ideias expostas de forma pouco directa, mas tal serve para, talvez, conferir um aspecto mais poético à obra. No final, percebemos que é fácil sentir empatia por este homem, que por um breve momento colocou o seu percurso em perspectiva, ao mesmo tempo que imagina o que será do seu futuro. E tal como ele, também o leitor é convidado a parar e a ser melhor do que aquilo que está actualmente a ser. A continuar a sonhar e a lutar por isso.
ISBN: 9789898921000
Editora: Mosaico (2018)
Sinopse:
Todos somos emigrantes, nem que seja só uma vez. Todos deixámos o nosso lugar de origem para vivermos noutro lugar, nem que seja só por algum tempo. Pouco importa se vamos de uma cidade para outra, de um país para outro, ou se apenas de um lugar para outro. Talvez só abandonemos as raízes em que nascemos por outras completamente diferente. Talvez só emigremos profissionalmente. Pouco importa, as dúvidas acompanham-nos, as questões que colocámos também.
Neste livro acompanhamos um sonhador que partiu na procura do mundo que lá não tinha. Agora ele é uma sombra do que foi, sem a alma de outrora, vivendo confortado com pouco conforto. Nesta tarde, contudo, encontra mais do que procura e do que pediu. Nunca quis mas hoje revisita a sua vida numa conversa que é mais que um fortuito reencontro.
Opinião:
Este é um livro pequeno que convida o leitor a fazer uma pausa. Que Sombra te Acompanha não só nos faz parar na nossa rotina para uma curta leitura, como ainda nos leva a refletir sobre o que nos trouxe ao momento em que nos encontramos e faz pensar sobre o que desejamos daqui para a frente. Desta forma, Tiago Gonçalves prova que pequenas narrativas podem deixar a sua marca no leitor.
Logo no início conhecemos Alfredo, o protagonista desta obra. Percebemos que se trata de um homem que já passou por muito e que encontra conforto no movimentos e caos da cidade. Está conformado com esta existência, surgindo, no entanto, mais como um observador. Pelo menos é nesta fase que o encontramos, mais introspectivo e pouco activo. Tal é aceite com calma, até que existe um elemento que abala esta serenidade e o leva a questionar-se.
Em oposição com a cidade, surge a aldeia onde viveu na infância. Alfredo é levado a confrontar o movimento, novidade, esperança e sonho que ambicionava encontrar no espaço urbano com a calmaria, estagnação, previsibilidade e declínio do que é rural. Contudo, é interessante constatar que nem tudo o que podia ter sido assim se tornou, e nem tudo do que se queria escapar era realmente nefasto. Alfredo reconhece que o conjunto das suas experiências fazem dele quem é e que não deve desprezar as suas origens.
O título desta obra remete para o lado mais negro da vida. Afinal, o autor recorda que todos nós guardamos mágoas, dúvidas, arrependimentos, desilusões e tristezas, sendo que a sucessão destas nos transformam em quem somos. A luz está lá, com todas as qualidades inerentes, mas nunca devemos esquecer a sombra nem ignorá-la. Por vezes temos que a confrontar para continuar a evoluir. Temos que a reconhecer.
A leitura é feita com prazer, sendo fácil reparar no gosto do autor pela escrita. Existem algumas repetições ou ideias expostas de forma pouco directa, mas tal serve para, talvez, conferir um aspecto mais poético à obra. No final, percebemos que é fácil sentir empatia por este homem, que por um breve momento colocou o seu percurso em perspectiva, ao mesmo tempo que imagina o que será do seu futuro. E tal como ele, também o leitor é convidado a parar e a ser melhor do que aquilo que está actualmente a ser. A continuar a sonhar e a lutar por isso.
segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019
Opinião: O Homem das Castanhas
Título Original: Kastanjemanden (2018)
Autor: Soren Sveistrup
Tradução: Rita Figueiredo
ISBN: 9789896657390
Editora: Suma de Letras (2018)
Sinopse:
Uma tempestuosa manhã de Outubro. Num tranquilo subúrbio de Copenhaga, a Polícia faz uma descoberta terrível. No recreio de um colégio, uma jovem é encontrada brutalmente assassinada, e falta-lhe uma das mãos. Pendurado por cima dela, um pequeno boneco feito com castanhas.
A jovem e ambiciosa detective Naia Thulin é designada para desvendar o caso. Com o seu colega Mark Hess, um investigador que acabou de ser expulso da Europol, descobre uma misteriosa prova sobre «o homem das castanhas», nome com que os media baptizaram o assassino.
Existem evidências que o ligam a uma menina que desapareceu um ano antes e foi dada como morta: a filha da ministra Rosa Hartung. Mas o homem que confessou o assassínio da menina, um jovem que sofre de uma doença mental, já está atrás das grades e o caso há muito encerrado.
Quando uma segunda mulher é encontrada morta e, junto dela, mais um boneco de castanhas,
Thulin e Hess suspeitam de que possa haver uma ligação entre o caso Hartung e as mulheres assassinadas. Mas qual…? Thulin e Hess entram numa corrida contra o tempo. O assassino tem uma missão… e está longe de a terminar.
Opinião:
Numa época em que os thrillers estão entre os livros mais procurados, por vezes torna-se complicado escolher um que ainda consiga surpreender e marcar pela diferença. Quando comecei a ler O Homem das Castanhas, estava curiosa com o que esta obra poderia trazer de novo ao género. Apesar de alguns pontos que podem ser encontrados noutras histórias deste estilo, uma coisa vos garanto: este é um livro que marca pela intensidade, personagens cativantes, reviravoltas e dificuldade em desvendar o grande mistério da narrativa.
Thulin e Hess são os dois agentes de forças policiais que acompanhamos na resolução de um crime. São duas figuras diferentes, que têm em comum o facto de estarem desiludidas com a situação profissional atual. Ainda assim, as suas mentes são desafiadas por este mistério e, apesar de tudo, eles empenham-se ao máximo para o resolver. É curioso que, ao início, sentia-me cativada com a independência feminina de Thulin, mas no final estava rendida ao misterioso Hess. Estas duas figuras são a prova de que as primeiras impressões podem trazer conclusões erradas e que as pessoas são muito mais do que aquilo que aparentam e do que os rumores que correm sobre elas.
A construção deste enredo está incrível. Ao início, Soren Sveistrup parece estar a contar diferentes histórias dentro do mesmo livro, sem que nada faça adivinhar em como elas se tocam. Contudo, com o avançar da leitura, torna-se impressionante constatar todas as ligações que existem, ficando provando que esta é uma narrativa que foi bem pensada. O leitor fica sempre intrigado com o que está a acontecer e quer continuar a ler para saber o que vem a seguir, na ânsia de perceber o cruzamento entre os diferentes dados disponibilizados. No final, é impossível não ficar impressionado com a mestria do autor em ligar tudo de forma tão natural e credível.
Os crimes em questão são descritos de uma forma que choca o leitor. Não estamos lá a ver o que se passou, mas é impossível não sentir arrepios e até aversão com algumas das descrições. Nestes casos, o ponto que sempre mais me intriga é a motivação do assassino ou assassinos. Devo dizer que nesta obra esse factor está muito bem conseguido. Tanto que, ao longo da leitura, somos levados a questionar, por diversas vezes, os limites mais extremos da natureza humana. Custa acreditar que tal maldade e sadismo possa existir, especialmente quando o seu perpetuador acredita piamente na verdade dos seus atos.
Quando estou a ler este tipo de histórias, há algo que é inevitável fazer: tentar a tudo custo adivinhar quem cometeu o crime, como e porquê. Fico orgulhosa quando chego a estas conclusões antes do susposto, mas também fico com a sensação que o autor não se esforçou para esconder estes mistérios. Sobre O Homem das Castanhas, posso dizer-vos: não estive nem lá perto! Fiquei muito surpreendida com as revelações. O autor teve a excelente capacidade de nos fazer sempre olhar para outro lado enquanto escondia a verdade. No final, tudo é exposto de uma forma que nos deixa impressionados e sem perder a coerência e força da história. Aplaudo esta capacidade.
O Homem das Castanhas revela-se um livro que se destaca dentro do seu género. Com um ambiente negro, personagens reais, uma história bem construída, crimes impressionantes e reviravoltas impressionantes, esta obra tem tudo para agarrar o leitor da primeira à última página. Trata-se do primeiro romance de Soren Sveistrup, guionista de vários sucessos de televisão. Só espero que o autor não fique por aqui nas obras literárias e que os próximas tenham a mesma qualidade desta. Recomendo.
Autor: Soren Sveistrup
Tradução: Rita Figueiredo
ISBN: 9789896657390
Editora: Suma de Letras (2018)
Sinopse:
Uma tempestuosa manhã de Outubro. Num tranquilo subúrbio de Copenhaga, a Polícia faz uma descoberta terrível. No recreio de um colégio, uma jovem é encontrada brutalmente assassinada, e falta-lhe uma das mãos. Pendurado por cima dela, um pequeno boneco feito com castanhas.
A jovem e ambiciosa detective Naia Thulin é designada para desvendar o caso. Com o seu colega Mark Hess, um investigador que acabou de ser expulso da Europol, descobre uma misteriosa prova sobre «o homem das castanhas», nome com que os media baptizaram o assassino.
Existem evidências que o ligam a uma menina que desapareceu um ano antes e foi dada como morta: a filha da ministra Rosa Hartung. Mas o homem que confessou o assassínio da menina, um jovem que sofre de uma doença mental, já está atrás das grades e o caso há muito encerrado.
Quando uma segunda mulher é encontrada morta e, junto dela, mais um boneco de castanhas,
Thulin e Hess suspeitam de que possa haver uma ligação entre o caso Hartung e as mulheres assassinadas. Mas qual…? Thulin e Hess entram numa corrida contra o tempo. O assassino tem uma missão… e está longe de a terminar.
Opinião:
Numa época em que os thrillers estão entre os livros mais procurados, por vezes torna-se complicado escolher um que ainda consiga surpreender e marcar pela diferença. Quando comecei a ler O Homem das Castanhas, estava curiosa com o que esta obra poderia trazer de novo ao género. Apesar de alguns pontos que podem ser encontrados noutras histórias deste estilo, uma coisa vos garanto: este é um livro que marca pela intensidade, personagens cativantes, reviravoltas e dificuldade em desvendar o grande mistério da narrativa.
Thulin e Hess são os dois agentes de forças policiais que acompanhamos na resolução de um crime. São duas figuras diferentes, que têm em comum o facto de estarem desiludidas com a situação profissional atual. Ainda assim, as suas mentes são desafiadas por este mistério e, apesar de tudo, eles empenham-se ao máximo para o resolver. É curioso que, ao início, sentia-me cativada com a independência feminina de Thulin, mas no final estava rendida ao misterioso Hess. Estas duas figuras são a prova de que as primeiras impressões podem trazer conclusões erradas e que as pessoas são muito mais do que aquilo que aparentam e do que os rumores que correm sobre elas.
A construção deste enredo está incrível. Ao início, Soren Sveistrup parece estar a contar diferentes histórias dentro do mesmo livro, sem que nada faça adivinhar em como elas se tocam. Contudo, com o avançar da leitura, torna-se impressionante constatar todas as ligações que existem, ficando provando que esta é uma narrativa que foi bem pensada. O leitor fica sempre intrigado com o que está a acontecer e quer continuar a ler para saber o que vem a seguir, na ânsia de perceber o cruzamento entre os diferentes dados disponibilizados. No final, é impossível não ficar impressionado com a mestria do autor em ligar tudo de forma tão natural e credível.
Os crimes em questão são descritos de uma forma que choca o leitor. Não estamos lá a ver o que se passou, mas é impossível não sentir arrepios e até aversão com algumas das descrições. Nestes casos, o ponto que sempre mais me intriga é a motivação do assassino ou assassinos. Devo dizer que nesta obra esse factor está muito bem conseguido. Tanto que, ao longo da leitura, somos levados a questionar, por diversas vezes, os limites mais extremos da natureza humana. Custa acreditar que tal maldade e sadismo possa existir, especialmente quando o seu perpetuador acredita piamente na verdade dos seus atos.
Quando estou a ler este tipo de histórias, há algo que é inevitável fazer: tentar a tudo custo adivinhar quem cometeu o crime, como e porquê. Fico orgulhosa quando chego a estas conclusões antes do susposto, mas também fico com a sensação que o autor não se esforçou para esconder estes mistérios. Sobre O Homem das Castanhas, posso dizer-vos: não estive nem lá perto! Fiquei muito surpreendida com as revelações. O autor teve a excelente capacidade de nos fazer sempre olhar para outro lado enquanto escondia a verdade. No final, tudo é exposto de uma forma que nos deixa impressionados e sem perder a coerência e força da história. Aplaudo esta capacidade.
O Homem das Castanhas revela-se um livro que se destaca dentro do seu género. Com um ambiente negro, personagens reais, uma história bem construída, crimes impressionantes e reviravoltas impressionantes, esta obra tem tudo para agarrar o leitor da primeira à última página. Trata-se do primeiro romance de Soren Sveistrup, guionista de vários sucessos de televisão. Só espero que o autor não fique por aqui nas obras literárias e que os próximas tenham a mesma qualidade desta. Recomendo.
sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019
Opinião: Vox
Título Original: Vox (2018)
Autor: Christina Dalcher
Tradução: Renato Carreira
ISBN: 9789898917584
Editora: TopSeller (2019)
Sinopse:
Estados Unidos da América. Um país orgulhoso de ser a pátria da liberdade e que faz disso bandeira. É por isso que tantas mulheres, como a Dra. Jean McClellan, nunca acreditaram que essas liberdades lhes pudessem ser retiradas. Nem as palavras dos políticos nem os avisos dos críticos as preparavam para isso. Pensavam: «Não. Isso aqui não pode acontecer.»
Mas aconteceu. Os americanos foram às urnas e escolheram um demagogo. Um homem que, à frente do governo, decretou que as mulheres não podem dizer mais do que 100 palavras por dia. Até as crianças. Até a filha de Jean, Sonia. Cada palavra a mais é recompensada com um choque elétrico, cortesia de uma pulseira obrigatória.
E isto é apenas o início.
Opinião:
Fiquei com vontade de ler este livro assim que vi a capa. "E se cada mulher só tivesse direito a 100 palavras por dia?" Esta questão incomoda. Perturba. Enquanto mulher, estou grata pelo trabalho das que vieram antes de mim e lutaram pelos direitos que atualmente tenho. Também eu luto e preocupo-me com a igualdade de género, sabendo que, apesar de diferentes, homens e mulhres têm de ter em mãos as mesmas possibilidades e oportunidades para fazerem das suas vidas o que bem entenderem. Contudo, o mundo em que vivemos está a passar por mudanças. Apesar de vivermos de forma aparentemente tranquila, percebemos que existem movimentos com visões extremistas a ganharem força. É inevitável pensar nos perigos que podem surgir enquanto todos temos por garantindo que nada poderá piorar. Mas, e se houver um retrocesso? E se as mulheres passarem a ser vistas como figuras submissas à vontade dos homens? E se lhes tirarem a voz? E se cada uma apenas tiver direito a 100 palavras por dia?
Christina Dalcher faz-nos pensar e temer, ao mesmo tempo que lança o aviso para estarmos atentos e não permitirmos que o retrocesso aconteça. Através de Vox, a autora apresenta uma sociedade em que os primeiros sinais de mudança foram ignorados pela maior parte da população, sendo que a ameaça apenas se tornou real quando era impossível contorná-la. Através da protagonista desta história, Jean, somos levados a entender o que uma mulher educada e formada sentiu quando a sua voz lhe foi tirada. É que, aqui, a voz não é apenas o som que cada um produz para comunicar. É fundamentalmente a própria pessoa, com todos os seus sonhos, esperanças, desejos, ambições e pensamentos.
Jean passa de um extremo para o outro. A mulher que conciliava família e carreira passou a ser relegada para um papel submisso em que não é valorizada. Apesar de não ter simpatizado com esta personagem, devido à sua personalidade, a verdade é que consegui sentir empatia devido à situação em que se encontra. Percebi a revolta contra o marido e a linha ténue que existe entre amor e ódio. Entendi a forma como encarava cada filho, sendo mais protetora com a filha e tendo um certo ressentimento pelo mais velho. Compreendi o desprezo sentido pelas mulheres que se entregaram completamente a esta condição e o ressentimento por não ter tido a coragem de ter lutado mais pelos seus direitos.
Se esta vivência perturbada, é ainda mais chocante perceber como as mulheres são capazes de prejudicar as suas congénres. Estes momentos fazem pensar no que é a maldade pura. Além disso, ao longo da história, ficava impressionada pela forma como os homens viviam este novo modelo de sociedade, uma vez que uns o faziam pela crença cega de estarem a seguir o que acreditavam ser certo, enquanto outros o faziam pelo poder. Ao mesmo tempo, é com esperança que percebemos leves sinais de rebeldia sugeridos por diferentes figuras. É nestes momentos que somos levados a acreditar na bondade e na possibilidade de mudança e melhoria.
Ao longo desta narrativa, somos levados por situações diferentes que vão culminar num momento crucial. O facto de haver sempre algo a acontecer faz com que a leitura seja rápida e feita com vontade. Fiquei mais impressionada pela forma como a protagonista nos dava a conhecer a sua experiência nesta sociedade do que com a história de amor que acaba por se desenrolar. Percebo o que a motivou, mas pareceu-me algo fraca, até pela forma como a autora decidiu concluir o assunto. Esta componente faz distrair da força da mensagem que pretende ser transmitida.
Vox é um livro pertinente hoje e sempre. Tem uma mensagem que deve ser sempre recordada, mesmo quando damos por garantido que estamos numa situação de igualdade. A autora faz-nos dar valor pelos direitos conquistados ao longo dos anos, fazendo-nos estar atentos às ameaças que podem surgir. Mais do que entretenimento, é uma verdadeira chamada de atenção. Recomendo.
Autor: Christina Dalcher
Tradução: Renato Carreira
ISBN: 9789898917584
Editora: TopSeller (2019)
Sinopse:
Estados Unidos da América. Um país orgulhoso de ser a pátria da liberdade e que faz disso bandeira. É por isso que tantas mulheres, como a Dra. Jean McClellan, nunca acreditaram que essas liberdades lhes pudessem ser retiradas. Nem as palavras dos políticos nem os avisos dos críticos as preparavam para isso. Pensavam: «Não. Isso aqui não pode acontecer.»
Mas aconteceu. Os americanos foram às urnas e escolheram um demagogo. Um homem que, à frente do governo, decretou que as mulheres não podem dizer mais do que 100 palavras por dia. Até as crianças. Até a filha de Jean, Sonia. Cada palavra a mais é recompensada com um choque elétrico, cortesia de uma pulseira obrigatória.
E isto é apenas o início.
Opinião:
Fiquei com vontade de ler este livro assim que vi a capa. "E se cada mulher só tivesse direito a 100 palavras por dia?" Esta questão incomoda. Perturba. Enquanto mulher, estou grata pelo trabalho das que vieram antes de mim e lutaram pelos direitos que atualmente tenho. Também eu luto e preocupo-me com a igualdade de género, sabendo que, apesar de diferentes, homens e mulhres têm de ter em mãos as mesmas possibilidades e oportunidades para fazerem das suas vidas o que bem entenderem. Contudo, o mundo em que vivemos está a passar por mudanças. Apesar de vivermos de forma aparentemente tranquila, percebemos que existem movimentos com visões extremistas a ganharem força. É inevitável pensar nos perigos que podem surgir enquanto todos temos por garantindo que nada poderá piorar. Mas, e se houver um retrocesso? E se as mulheres passarem a ser vistas como figuras submissas à vontade dos homens? E se lhes tirarem a voz? E se cada uma apenas tiver direito a 100 palavras por dia?
Christina Dalcher faz-nos pensar e temer, ao mesmo tempo que lança o aviso para estarmos atentos e não permitirmos que o retrocesso aconteça. Através de Vox, a autora apresenta uma sociedade em que os primeiros sinais de mudança foram ignorados pela maior parte da população, sendo que a ameaça apenas se tornou real quando era impossível contorná-la. Através da protagonista desta história, Jean, somos levados a entender o que uma mulher educada e formada sentiu quando a sua voz lhe foi tirada. É que, aqui, a voz não é apenas o som que cada um produz para comunicar. É fundamentalmente a própria pessoa, com todos os seus sonhos, esperanças, desejos, ambições e pensamentos.
Jean passa de um extremo para o outro. A mulher que conciliava família e carreira passou a ser relegada para um papel submisso em que não é valorizada. Apesar de não ter simpatizado com esta personagem, devido à sua personalidade, a verdade é que consegui sentir empatia devido à situação em que se encontra. Percebi a revolta contra o marido e a linha ténue que existe entre amor e ódio. Entendi a forma como encarava cada filho, sendo mais protetora com a filha e tendo um certo ressentimento pelo mais velho. Compreendi o desprezo sentido pelas mulheres que se entregaram completamente a esta condição e o ressentimento por não ter tido a coragem de ter lutado mais pelos seus direitos.
Se esta vivência perturbada, é ainda mais chocante perceber como as mulheres são capazes de prejudicar as suas congénres. Estes momentos fazem pensar no que é a maldade pura. Além disso, ao longo da história, ficava impressionada pela forma como os homens viviam este novo modelo de sociedade, uma vez que uns o faziam pela crença cega de estarem a seguir o que acreditavam ser certo, enquanto outros o faziam pelo poder. Ao mesmo tempo, é com esperança que percebemos leves sinais de rebeldia sugeridos por diferentes figuras. É nestes momentos que somos levados a acreditar na bondade e na possibilidade de mudança e melhoria.
Ao longo desta narrativa, somos levados por situações diferentes que vão culminar num momento crucial. O facto de haver sempre algo a acontecer faz com que a leitura seja rápida e feita com vontade. Fiquei mais impressionada pela forma como a protagonista nos dava a conhecer a sua experiência nesta sociedade do que com a história de amor que acaba por se desenrolar. Percebo o que a motivou, mas pareceu-me algo fraca, até pela forma como a autora decidiu concluir o assunto. Esta componente faz distrair da força da mensagem que pretende ser transmitida.
Vox é um livro pertinente hoje e sempre. Tem uma mensagem que deve ser sempre recordada, mesmo quando damos por garantido que estamos numa situação de igualdade. A autora faz-nos dar valor pelos direitos conquistados ao longo dos anos, fazendo-nos estar atentos às ameaças que podem surgir. Mais do que entretenimento, é uma verdadeira chamada de atenção. Recomendo.
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