segunda-feira, 24 de setembro de 2018

Novidade da Porto Editora para Outubro

O Meu Coração Entre Dois Mundos, de Jojo Moyes
Sinopse: Quando Lou Clark chega a Nova Iorque está convencida de que vai conseguir recomeçar uma nova vida e sente-se confiante para enfrentar todos os desafios, apesar dos milhares de quilómetros que a separam de Sam. Lou está determinada a aproveitar o mais possível a situação em que se encontra – vive e trabalha em Manhattan para uma família super- rica e vê-se inserida na alta sociedade nova-iorquina. E é assim que conhece Joshua Ryan, um homem que lhe traz recordações do passado. Em breve, Lou ver-se-á perturbada por aquele encontro, o que a leva a questionar-se sobre quem é a verdadeira Lou Clark e como poderá reconciliar as duas partes de um coração separado por um oceano.

Disponível a partir de dia 1.

sexta-feira, 21 de setembro de 2018

Opinião: Anassa (Erthe #2)

Título Original: Anassa (2018)
Autor: Josh Martin
Tradução: Ana Mendes Lopes
ISBN: 9789898917232
Editora: TopSeller (2018)

Sinopse:

Etain é a Anassa, a jovem líder da única ilha que resta na Terra. A profecia diz que o seu destino é unir os dois povos da ilha e liderá-los. Mas as profetisas não a preparam para as dificuldades - as pessias continuam divididas e começam a questionar a liderança.

Inesperadamente, a ilha é invadida por homens nunca antes vistos, guerreiros hostis, e os seus habitantes descobrem que afinal não estão sozinhos no mundo. Os recém-chegados trazem consigo violência, destruição e revelações sobre o passado que vão abalar as crenças da sociedade.

Para fazer frente à magia desconhecida e poderosa dos ocupantes e conseguir salvar a sua ilha, a Anassa terá de pôr em perigo a sua vida e a de todas as pessoas de quem gosta.

Opinião:

Anassa relata o que aconteceu após Ariadnis, primeiro livro desta saga de fantasia que nos apresentou uma ilha dividida por dois povos. Desta vez, o foco passa de Joomia e Aula para outras duas personagens já nossas conhecidas: Etain e Taurus. É através dos relatos destas duas figuras que conhecemos os desafios que surgem com a união dos povos e os obstáculos que têm de ser ultrapassados quando guerreiros desconhecidos invadem a ilha, escravizam o povo e provam que muitas verdades que todos tinham como absolutas estão erradas.

A história que este livro apresenta é mais apelativa do que a do primeiro. Existem muitos momentos de ação, sendo que o desenrolar dos acontecimentos convida à leitura ao mesmo tempo que nos fornece novas informações sobre este mundo. As primeiras páginas podem ser mais paradas, uma vez que o autor precisou de explicar o novo sistema de liderança e as dúvidas que assaltam a mente de Etain. Contudo, quando os invasores chegam, o ritmo começa a tornar-se mais rápido, sendo que os momentos descritos nas derradeiras páginas são alucinantes.

Apreciei a construção do enredo, mas admito que as personagens ficaram aquém das expetativas. As dúvidas e receios de Etain e Taurus relativamente ao que lhes é esperado fazem sentido, assim como a demonstração das suas falhas. Continuo sem sentir empatia por Joomia e Aula, que neste livro ficaram num papel secundário da ação. As novas personagens que surgem, porém apenas acrescentaram informação à história, ficando a faltar um caráter mais humano e denso.

Achei interessante a forma como o autor explorou a sexualidade das suas personagens. Josh Martin procurou mostrar que cada pessoa é livre de se expressar e assumir como bem entende, sendo que tal deverá apenas ser respeitado pelos outros. No que toca às relações, o autor dá a entender que o amor vale por si mesmo, quebrando com os traços mais conservadores. Foi relevante assistir ao choque de mentalidades que acontece quando os invasores chegam, especialmente no que toca ao quanto isso afeta quem é considerado diferente.

De forma implícita, o autor faz um alerta sobre os cuidados que são necessários a ter com o planeta de forma a conseguirmos preservar a nossa casa e o futuro das gerações. Ao mesmo tempo, usa o choque cultural para apresentar diferentes formas de encarar o mesmo problema. É curioso perceber que a sociedade patriarcal acaba por ser mais bélica enquanto a matriarcal ambiciona o equilíbrio. Não sei se tal foi propositado ou não, mas o certo é que esta obra tem uma forte mensagem feminista.

Anassa é um livro que entretém ao mesmo tempo que passa uma mensagem de aceitação e união. O final faz tudo o sentido ao trazer uma mensagem de esperança e de cooperação. Não sei se Josh Martin vai continuar a explorar este mundo, mas a verdade é que com este livro consegue terminar bem a aventura que começou com Ariadnis. Se gostaram do primeiro, então devem apostar neste segundo volume.

quarta-feira, 19 de setembro de 2018

Novos livros de Anne Bishop e Robin Hobb em outubro

Lago do Silêncio, de Anne Bishop
Sinopse: Depois do seu divórcio, Vicki DeVine assumiu a gestão de uma rústica propriedade perto de Lago do Silêncio, uma cidade humana que não é controlada por humanos. Na maior parte das cidades, humanos e Outros, os predadores dominantes que controlam a terra e toda a água, convivem num frágil equilíbrio. No entanto, quando não existem fronteiras, nunca se sabe o que está lá fora a observar. Vicki estava à espera de encontrar uma nova carreira e uma nova vida. Mas quando a sua inquilina, Aggie Crowe – uma dos Outros –, descobre um cadáver, Vicki torna-se na principal suspeita, apesar das evidências de que nenhum humano poderia ter cometido o crime. À medida que Vicki e os seus amigos procuram as respostas, forças antigas são despertadas pela perturbação no seu domínio. Elas têm regras que não devem ser quebradas – e todos os poderes destrutivos da natureza sob o seu comando.


A Viagem do Assassino, de Robin Hobb
Sinopse: Há muitos anos, FitzCavalaria jurou a si mesmo afastar-se das intrigas da corte e despir a pele de assassino. Tornou-se Tomé Texugo, um respeitável senhor rural, marido e pai. Mas esta pacata existência foi abalada pelo rapto da sua filha, Abelha, cuja existência praticamente todos desconheciam. Acreditando que a filha está morta, Fitz parte com o seu velho amigo Bobo em busca de vingança. A sua jornada leva-os a percorrer meio mundo, até chegarem a um lugar maldito que traz de volta memórias há muito esquecidas. Entre a dor da perda e a esperança num futuro incerto, Fitz e o Bobo terão de enfrentar revelações inesperadas que serão decisivas no futuro de ambos.


Disponíveis a partir de dia 26. 

Opinião: A Distância Entre Mim e a Cerejeira

Título Original: La Distanza Tra Me e Il Ciliegio (2018)
Autor: Paola Peretti
Tradução: Simonetta Neto
ISBN: 9789896655648
Editora: Nuvem de Tinta (2018)

Sinopse:

Todas as crianças têm medo do escuro, mas felizmente, para a maioria, o escuro é temporário e o medo transitório. Para Mafalda, de nove anos, o escuro é a sua única certeza e o seu futuro: dentro de seis meses, uma doença macular degenerativa condená-la-á a uma cegueira irreversível. Como será a sua vida então? Um livro com uma mensagem inspiradora e muito poética sobre superação, sonho e amizade.

Opinião:

Uma visão inocente e comovente de uma menina que se depara com um problema de saúde que muitos iriam ver como o fim da linha. Em A Distância Entre Mim e a Cerejeira, conhecemos a incrível história de Mafalda, uma criança que aos nove anos sabe que vai cegar dentro de pouco tempo devido a uma doença macular degenerativa. Mas esta não é uma história contada sem conhecimento de causa: é que Paola Peretti, a autora desta obra, foi diagnosticada com a mesma condição quanto tinha apenas 15 anos.

Como viver com a consciência de que, mais cedo ou mais tarde, tudo ficará escuro? Como imaginar o futuro nestas circunstâncias? Como se transformam os relacionamentos com os outros? São estas as questões fulcrais que ganham resposta ao longo deste livro lindíssimo e que nos agarra desde a primeira página e se lê num ápice. Junto de Mafalda, somos levados a interrogar-nos sobre o que faríamos naquela situação, sobre o que nos faria lutar pela normalidade e nos tiraria de um estado depressivo e angustiante.

Esta história é contada na primeira pessoa. Como tal, é emocionante entrar na mente de uma menina de nove anos e assistir à sua percepção do mundo e da sua condição. A inocência e sinceridade com que Mafalda nos relata os seus pensamentos criam uma empatia imediata. Conseguimos perceber perfeitamente a sua dor, as suas dúvidas, e ficamos encantados pela ingenuidade e pureza dos seus desejos e ambições. A autora conseguiu expressar-se com mestria na voz de uma criança.

As personagens secundárias desta obra conseguem conferir ainda maior riqueza à narrativa. Gostei da construção dos pais de Mafalda, que demonstram bem o desejo de darem o melhor à sua filha ao mesmo tempo que procuram esconder a angústia que sentem. Eles procuram tanto o melhor que podem dar à filha que acabam por se esquecer que ela está ali e que também tem uma voz, tornando tudo mais real. Filippo fornece um outro espectro sobre uma infância sofrida e prova de que a amizade é uma força poderosas. A Dona Estella foi uma das figuras que mais me chegou ao coração pela força e pelo carinho sempre demonstrados, mesmo quando, enquanto leitora, percebia que algo não estava bem.

O desenrolar da narrativa é muito rápido, o que, aliado a uma linguagem acessível e apelativa, fazem com que a leitura se torne muito rápida. Foi fácil fazer esta leitura em apenas um dia, sendo que, mesmo quando o livro já estava terminado e fechado, mantinha Mafalda e alguns momentos na minha mente. Existem questões que não são aprofundadas como poderia ser nosso desejo, mas tal devesse ao facto de tudo estar a ser contado por uma criança em tenra idade que não tem acesso ou consciência de informação mais precisa sobre certos temas.

A Distância Entre Mim e a Cerejeira é uma obra emotiva. Ao expor uma situação que lhe é bastante real, Paola Peretti parece procurar fazer o leitor pensar sobre o que realmente nos deveria mover na vida. A autora apela a uma reflexão sobre o que nos faz feliz e incentiva-nos a colocar as frustrações e problemas de lado para que nos passamos concentrar no que realmente nos ilumina a alma. Um livro pequeno, fácil de ler e com uma mensagem muito importante.


terça-feira, 18 de setembro de 2018

Opinião: A Guerra Que Salvou a Minha Vida

Título Original: The War That Saved My Life (2015)
Autor: Kimberly Brubaker Bradley
Tradução: Dina Antunes
ISBN: 9789898917225
Editora: TopSeller (2018)

Sinopse:

Tudo o que Ada conhece do mundo é o pouco que consegue ver a partir da janela. Sempre viveu com a mãe e o irmão mais novo num apartamento minúsculo, de onde está proibida de sair. Ada apenas teve a infelicidade de nascer com um pé aleijado, mas isso é mais do que motivo para a mãe se envergonhar dela, maltratando-a e escondendo-a.

Com a aproximação da guerra, todas as crianças de Londres são enviadas para um campo fora da cidade, e Ada aproveita a oportunidade para fugir com o irmão. Os dois são acolhidos por uma família que os ama incondicionalmente, sem distinções nem preconceitos, e Ada pode finalmente aprender a ler, a escrever e a montar a cavalo.

Pela primeira vez na vida, faz amigos e percebe o verdadeiro significado da palavra felicidade. Mas tudo pode ser posto em causa quando o passado volta para pôr Ada novamente à prova.

Opinião:

Este é um daqueles livros que aquece o coração. A Guerra Que Salvou a Minha Vida, de Kimberly Braubaker Bradley apresenta-nos uma nova visão sobre a Segunda Guerra Mundial, contada do ponto de vista de uma criança enfraquecida a nível físico e psicológico que abandona Londres para se refugiar com o irmão mais novo num aldeia no campo.

É impossível não sentir empatia por Ada, a protagonista desta aventura. Personagem rica e muito bem construída, apresenta uma evolução impressionante com o avançar da leitura. Ao início, fiquei em choque com as circunstâncias em que vivia. Poderia esperar a pobreza e miséria, mas nunca a negligência e os maus-tratos.É fácil perceber o motivo para Ada se sentir inferior a todas as outras pessoas e sentimos o que sofre nos castigos a que é submetida. O mais impressionante acaba mesmo por ser o facto de a protagonista encarar tal como normal, uma vez que nunca teve acesso a outra realidade. Nota-se uma grande insegurança, revolta, mesquinhez, ignorância e necessidade de afirmação da parte de quem devia cuidar dela.

Com a mudança de Ada e do irmão da cidade para o campo, inicia-se um processo de transformação em três personagens. A protagonista descobre o mundo, percebe que o pé deformado não a impede de descobrir o que a faz feliz. Ainda assim, o passado não é esquecido, acabando por se refletir em sentimentos de culpa, recusa em ser amado e incapacidade em acreditar que pode ser mais e melhor. O irmão de Ada, Jamie também passa por provações, ainda que distintas das da irmã. A imposição de regras é uma novidade para ele, que expressa o seu descontentamento e receios de uma forma diferente. Existe ainda uma outra figura de relevo: Susan Smith. Esta mulher é encontrada num estado de depressivo e acaba por encontrar uma missão pela qual lutar e recuperar, mesmo que por vezes tenha recaídas.

A narração é feita da primeira pessoa, sendo possível acompanhar sempre o ponto de vista de Ada sobre os acontecimentos. Como tal, temos uma visão de como a guerra foi vivida aos olhos de uma criança, que não tem verdadeira noção do que realmente está a acontecer. Sente-se o receio de um inimigo generalizado, mas também uma certa incompreensão sobre o que realmente está a acontecer. Existe um momento em que Ada realmente vê como a guerra afeta os homens que estiveram no campo de batalha, mas até aí o foco está na sua nova vivência no campo.

A ação parece avançar lentamente, mas isso não impede uma leitura interessada. Li este livro com vontade e em menos de 24 horas deparei-me com as derradeiras páginas. Apreciei bastante a construção das personagens e senti-me em todos os ambientes que Ada descrevia tão bem. Ainda assim, achei que a conclusão foi demasiado abrupta, tendo sentido necessidade de um epílogo que explicasse o que acontecia às personagens após os eventos finais.

A Guerra Que Salvou a Minha Vida é um livro de emoções. Uma história que nos mostra as consequências de abusos na primeira infância e que nos faz acreditar em superação através de amor e de dedicação. A Segunda Guerra Mundial surge apenas como pano de fundo para a história incrível de Ada e de como passou a criança negligenciada para uma verdadeira lutadora e até heroína. Uma leitura que fiz com prazer.


segunda-feira, 17 de setembro de 2018

Opinião: Quarenta Dias Sem Sombra

Título Original: Le Dernier Lapon (2014)
Autor: Olivier Truc
Tradução: Mário Dias Correia
ISBN: 9789897770180
Editora: Planeta (2018)

Sinopse:

Kautokeino, Lapónia Central, 10 de Janeiro. Noite polar, frio glacial. Amanhã o Sol, desaparecido há quarenta dias, vai renascer. Amanhã, entre as 11h14m e 11h41m, Klemet voltará a ser um homem, com uma sombra. Amanhã, o Centro Cultural vai expor um tambor de xamã oferecido por um companheiro de Paul-Émile Victor.
Mas o tambor é roubado durante a noite. As suspeitas irão desde os fundamentalistas protestantes aos independentistas samis. A morte de um criador de renas não contribui para melhorar a situação. A Lapónia, na aparência tão tranquila, vai revelar-se uma terra de conflitos, de cóleras e de mistérios. Klemet, o lapão, e Nina, a jovem colega de equipa, agentes de polícia das renas, lançam-se numa investigação frustrante. Mas, em Kautokeino, ninguém gosta de quem faz ondas. Ordenam-lhes que voltem às patrulhas de motoneve pela tundra e à pacificação das eternas querelas entre criadores de renas.
Os mistérios do 72.º tambor vão alcançá-los. Porque confiou, em 1939, um dos guias samis à expedição francesa aquele tambor? De que mensagem era portador? Que contam os joïks tradicionais que o velho tio de Klemet canta? Que vem fazer à aldeia aquele francês que gosta demasiado de raparigas muito novas e que parece conhecer tão bem a geologia da região? A quem se dirigem as orações da piedosa Berit? Que esconde a beleza selvagem de Aslak, que vive à margem do mundo moderno com a sua mulher meio louco?

Opinião:

Existem livros que me chegam às mãos e que começo a ler sem expetativas. Foi o que aconteceu com este Quarenta Dias Sem Sombra. Não conhecia o autor, nunca tinha lido uma história que acontecesse na Lapónia e desconhecia os sami, povo étnico desta região nórdica. O que, então, me poderia cativar nesta obra? A resposta foi surgindo com o decorrer da leitura: praticamente tudo! Estava perante uma grande surpresa, um livro que me tirou o sono, obrigando a ler pela noite dentro.

A primeira sensação que fica é que somos realmente transportados para a Lapónia ao ler este livro. Apesar do calor do verão que atualmente se faz sentir, tremi com o frio do fim do inverno, visualizei perfeitamente a tundra coberta de neve, senti-me perdida na escuridão que ocupa quase 24 horas, ouvi o silêncio apenas quebrado pelo vento e pelas renas a pastarem. Este é um ambiente incrível e pouco conhecido, mas que surge como o cenário perfeito para um thriller que não nos larga.

As personagens são intrigantes e deixam perceber uma construção cuidada. Klemet, que surge como protagonista, é um polícia de renas (conheciam tal profissão? Existe mesmo! Já explico melhor do que se trata). Klemet é sami e tem uma personalidade muito fechada. Logo ao início percebe-se que se protege de algo, deixando a ideia de que já sofreu de discriminação, tendo optado por uma postura mais reservada. Apesar de uma aparência conformada, sente-se um fogo latente que poderá impulsioná-lo. Ao início, ele só se revela minimamente quando está a desempenhar funções e a mediar conflitos entre criadores de renas. Aqui sentimos a sua compaixão e o seu coração.

Existe ainda uma personagem que funciona como coprotagonista desta história. Trata-se de Nina, uma jovem originária do sul da Suécia. Por ser nova da Lapónia, é através de Nina que o leitor vai entendo este local, os seus povos e a forma como tudo funciona. Esta foi uma das personagens com a qual senti maior empatia. É que, tal como ela, fiquei intrigada pelos sami e procurei saber mais sobre eles, senti choque por ser tratada como inferior por ser mulher, fiquei indignada pelas faltas de respeito perpetuadas por personagens intolerantes, desejei descobrir a verdade sobre os crimes que aconteceram.

Nesta aventura, existem dois mistérios a serem resolvidos: um roubo e um assassinato. Ambos remetem para a cultura sami e levam-nos a descobrir melhor este povo. É impressionante perceber que existem realmente pessoas que vivem em território inóspito e que têm como principal função criar renas. Os conflitos entre criadores são baseados em factos verídicos e explicam-se pelo facto de o gelo prejudicar o acesso dos animais a alimento, o que o faz procurar noutros locais e invadir território atribuído a outro criador. É aqui que entra a polícia das renas. Esta força de segurança tem a função de mediar todos os problemas e conflitos provocados pela criação destes animais. E acreditem, deu para perceber que não se trata de uma tarefa simples.

O desenrolar da ação está construído de forma a agarrar sempre o leitor. É verdade que existem momentos mais parados, morosos e descritivos, mas tal não me prejudicou a leitura. Pois são esses mesmos momentos que me permitiram realmente sentir que estava no espaço descrito e que me fizeram conhecer melhor os sami. Os crimes não acontecem por acaso e fazem sentido na história que o autor quer contar. As personagens secundárias completam este quadro e fazem-nos acreditar que esta história poderia mesmo acontecer.

No leque de personagens secundárias, encontramos diferentes situações. Destaco as figuras preconceituosas, que nos chocam e causam revolta, quer seja pela forma como tratam os outros como pelo desrespeito pelo próximo de forma a se obter poder ou dinheiro. As personagens femininas têm um grande peso, até porque todas elas evidenciam uma história de assédio ou abuso, o que representa uma situação bastante real, especialmente numa região dominada pelo machismo, mas que muitas vezes é abafada. Por último, quero salientar aqueles que estão ligados à forma mais tradicional da cultura sami, ainda que por diferentes formas, como é o caso de Aslak e Nils Ante.

Olivier Truc surpreendeu-me com Quarenta Dias Sem Sombra. Este consegue entreter, instruir e ainda servir como chamada de atenção. O autor faz-nos refletir sobre uma cultura que está em perigo de desaparecer por ser constantemente desprezada. Desinteresse, discriminação, incompreensão, interesses económicos e alterações climáticas são alguns dos aspetos que estão em cima da mesa e devem ser analisados. Este é o primeiro livro de uma saga, mas pode ser lido em separado e sem necessidade de se ler o próximo para compreender a trama. Ainda assim, anseio para que o segundo volume seja publicado. Vou querer ler.


Nota: No dia 13 deste mês, tive a oportunidade de participar num encontro de bloggers com Olivier Truc, promovido pela Planeta. Foi uma oportunidade incrível. Já tinha lido o livro e estava muito curiosa sobre certos pontos, sobre os quais o autor falou abertamente. Foi impressionante perceber como um jornalista francês, que está a viver na Suécia, se apaixonou pelo sami. Olivier Truc falou deles como amigos, uma vez que os visita com regularidade. Garantiu que mais do que contar uma história, queria dar voz a um povo que, regra geral é esquecido ou considerando inferior, mesmo dentro do próprio país. Como tal, quando o livro foi publicado, foi com surpresa que recebeu os elogios da crítica, que aplaudiu a obra e a nomeou para diversos prémios.
Olivier Truc é um autor muito simpático, com talento para a arte de contar histórias e com coragem para colocar o dedo na ferida. Um homem com coragem de participar em patrulhas com a polícia das renas, mesmo quando uma tempestade se aproxima. Uma pessoa que quer mostrar que os países nórdicos, considerados exemplares, também têm graves falhas que precisam de ser corrigidas. Foi um prazer conhecê-lo. Obrigada Planeta.


domingo, 16 de setembro de 2018

Opinião: Um Estranho Numa Terra Estranha - Vol. 2

Título Original: Stranger in a Strange Land (1961)
Autor: Robert A. Heinlein
Tradução: Jorge Candeias
ISBN: 9789897731143
Editora: Saída de Emergência (2018)

Sinopse:

Valentine Michael Smith encontra na Terra uma realidade muito diferente da que experienciou em Marte. As crenças e os rituais sagrados que aprendeu em Marte em nada se assemelham aos que encontra na Terra. A própria existência de Valentine torna-o alvo de uma intriga política. Neste 2.º volume de Um Estranho numa Terra Estranha, Robert A. Heinlein continua a apresentar-nos a história de Valentine e do seu processo de integração numa cultura marcada pela anarquia, partilha, amor livre e vida comunitária. Este clássico da ficção científica ainda hoje nos leva a questionar as nossas aspirações mais profundas e continua a despertar sentimentos fortes – por vezes contraditórios – nos leitores.

Opinião:

Quando escrevi a minha opinião a Um Estranho Numa Terra Estranha - volume 1 disse que estava ansiosa para ler rapidamente a segunda parte deste livro. Como tal, assim que me foi possível, peguei nele e concluí a leitura desta obra, que foi dividida nesta edição da Saída de Emergência. Felizmente esta publicação aconteceu poucos meses após o lançamento do primeiro livro, o que fez com que tivesse a história fresca na minha mente e, por isso, fosse natural entrar nesta narrativa e reencontrar as suas personagens.

Continuamos a acompanhar a adaptação de Valentine Michael Smith na Terra. Apesar de já estar mais por dentro de alguns assuntos, é ainda fascinante como este homem analisa aspectos da existência humana que todos vemos com normais e sobre os quais não procuramos grandes explicações. Desta forma, somos levados a interrogar situações que sempre tomámos como regra sem perceber o motivo para tal ser assim.

Fico fascinada pela forma como este Homem de Marte e Jubal se completam neste papel de fazer o leitor parar e refletir. É que enquanto o primeiro fornece uma visão ingénua pelo facto de realmente não ter conhecimentos base sobre o que quer que seja, o segundo é um homem que já pensou bem nas diversas vertentes do que está a ser analisado. Desta forma, Michael fornece-nos a frescura de um primeiro impacto, enquanto Jubal dá-nos uma análise que muitas vezes chega a chocar por até tocar em pontos que vão contra o que acreditamos ser correcto.

Os temas abordados nesta parte do livro são ligeiramente diferentes. Existe um grande foco na religião e no que leva à construção de uma Igreja. Não falo do edifício do templo, mas sim na comunidade de fiéis e nas regras que estes seguem para expressarem a sua fé. Achei esta direção pertinente e fiquei intrigada pelos caminhos seguidos pelo autor. Apesar de não concordar com todas as ideias expressas, acredito que este caminho faz sentido, tendo em conta o desenvolvimento de Michael.

É que o Homem de Marte passa por uma grande transformação. A evolução desta personagem desde o momento em que chega à Terra até à derradeira página deste livro está construída de forma consistente, credível e muito apelativa. É fácil acreditar que os estímulos que Michael recebeu desde que aterrou no nosso planeta o tenham levado a tornar-se naquela figura que encontramos na conclusão da obra. A forma como ele afetou quem com ele se cruzou também faz sentido, apesar de ter sentido um certo exagero na devoção quase cega de algumas personagens. Jubal, por seu lado, continuou consistente e a ser uma das minhas figuras preferidas.

A leitura requer alguma lentidão, de forma a ser possível compreender tudo o que está a ser apresentado e também para se refletir bem na forma como certos temas são tratados. Este não é um livro que deve ser apenas absorvido, mas que também tem de levar ao questionamento e fazer o leitor encontrar as suas próprias conclusões e ideias sobre os assuntos que são levantados. Ainda assim, está escrito de forma a conseguir cativar o leitor para a sua leitura, mesmo nos momentos mais parados.

Disse na minha opinião ao primeiro volume que este era um livro que queria ler há muitos anos, tendo ficado feliz por a Saída de Emergência ter apostado numa nova edição em português. Terminada a obra, percebe o motivo para ser considerada uma referência na Ficção Científica. Não se trata apenas de uma história que nos diverte, mas é sobretudo uma aventura que nos leva a colocar em causa tudo o que nos rodeia e o nosso modo de pensamento. Valeu a pena a espera.

 

quarta-feira, 12 de setembro de 2018

Opinião: Coração Negro

Título Original: Uprooted (2015)
Autor: Naomi Novik
Tradução: Sérgio Gonçalves
ISBN: 9789897731198
Editora: Saída de Emergência (2018)

Sinopse:

Agnieszka adora a sua pacata aldeia no vale, as florestas e o rio cintilante. Mas o maléfico Bosque permanece na fronteira e a sua sombra ameaçadora paira sobre a vida da jovem.
O povo depende do feiticeiro conhecido apenas por Dragão para manter os poderes de Bosque afastados. Mas o Dragão exige um terrível preço pela sua ajuda: uma jovem deve servi-lo durante dez anos, um destino quase tão terrível como perecer a Bosque.
A próxima escolha aproxima-se e Agnieszka tem medo. Todos sabem que o Dragão irá levar a bela, graciosa e corajosa Kasia, tudo aquilo que Agnieszka não é, e a sua melhor amiga no mundo. E não há forma de a salvar. Mas Agnieszka teme as coisas erradas. Porque quando o Dragão chega, a sua escolha surpreende todos...

Opinião:

É tão bom quando encontramos livros como este. Coração Negro foi uma verdadeira surpresa! Já conhecia a autora devido à série "Temeraire", lida há alguns anos, mas ainda assim estava um pouco incerta quanto ao que ia encontrar. Todos os elementos presentes na sinopse apelaram-me, mas tinha receio de estar perante uma história que não me surpreendesse e que não conseguisse fugir de alguns clichés que atualmente vemos no literatura fantástica, género que tanto gosto. Felizmente não havia motivos para inseguranças e logo nas primeiras páginas fiquei agarrada à leitura.

O início transmite imediatamente uma aura de mistério e medo. E tudo isto é-nos apresentado pelos olhos de Agnieszka, a protagonista desta aventura. É incrível perceber como Agnieszka evolui ao longo desta narrativa. Ao início, surge como uma jovem desajeitada e que vive na sombra da melhor amiga. É fácil sentir simpatia pela sua personalidade aparentemente aluada e pela dedicação que devota aos que mais ama, mesmo que não o demonstre. Com o passar das páginas, percebemos que muitas das características desta jovem escondiam uma verdade oculta, vemos o seu sentido de responsabilidade a aumentar e assistimos ao surgir de uma coragem necessária para enfrentar grandes obstáculos e também para se expor a alguém que temia e que aprendeu a amar. Esta é uma personagem complexa e muito empática. 

As personagens secundárias também desempenham o seu papel com eficácia. Gostei muito do Dragão e dos sentimentos contraditórios que ele conseguiu gerar. Existe um misto de indignação quanto à superioridade que ele aparenta e ao tom crítico constante, mas, ao mesmo tempo, vai surgindo uma grande admiração pelo seu lado altruísta e pela forma como se protege dos seus sentimentos. Gostei de Kasia, especialmente a partir do momento em que a autora revelou que todos os sentimentos dela não eram inteiramente louváveis, pois isso fez dela humana. O príncipe e o Falcão, apesar de não gerarem a minha simpatia incialmente, conseguiram redimir-se no momento final e dar uma visão diferente sobre certos assuntos, fazendo-nos recordar que todos os lados de uma guerra acreditam estarem certos e que o mal não é praticado pelo puro mal. Contudo, é preciso salientar que o próprio Bosque, que tanto temor provoca ao longo de toda a obra, acaba por também resultar como uma personagem inesperada e que nos marca.

O Bosque apresentado nesta obra exige uma análise atenta. Não quero fazer grandes revelações sobre este elemento da trama, mas fiquei muito surpreendida com todas as vertentes que a autora criou para o explicar. Ao início, parece um centro de superstição, depois revela-nos perigos inimagináveis e que nos fazem temer sobre a fonte de tudo aquilo. Depois impressiona-nos com a sua origem e faz-nos ficar a pensar nele mesmo quando já não temos o livro nas mãos. Um aplauso à autora por esta ideia e pela sua construção no papel.

O desenrolar da trama está construído com mestria. Senti-me imediatamente presa à história na ânsia de descobrir os mistérios deste mundo. Existem muitos momentos de ação, que me impediam de parar a leitura. As descrições não eram excessivas, mas deixavam perceber bem o ambiente, as personagens e a aura mística que existe nesta terra. Os diálogos são credíveis e, felizmente, não ficaram presos a uma estética mais medieval e cheia de formalidades. Além disso, quando acreditava ter adivinhado o que vinha a seguir, a autora surpreendia com uma reviravolta que mudava tudo. Tudo ingredientes para me cativar.

Foi curioso sentir que a autora foi inspirada pela cultura do leste europeu para criar esta história. Numa pesquisa posterior, percebi que tal se deveu à ascendência polaca de Naomi Novik, que teve contacto com o folclore dessa cultura em tenra idade. Diverti-me com as referências a Baba Yaga, um ser que povou muitos contos que gostava de ler na minha infância. Além disso, todas estas inspirações e alusões podem ajudar a explicar construção de lendas entre este novo povo, assim como a organização social. Este caráter mais pessoal de certo contribuiu em muito na aproximação da autora ao leitor.

Coração Negro revelou-se um livro especial. Através de uma aventura deliciosa, a autora faz-nos pensar sobre como é difícil definir a dicotomia bem e mal. Através desta obra, somos levadas a pensar em como, numa guerra, cada parte acredita ser dona da razão, e em como as ações dos outros muitas vezes mascaram dores do passado. Além disso, Naomi Novik alerta-nos para a injustiça e perigo da discriminação do que é diferente. Temos aqui um livro com uma aventura entusiasmante, personagens carismáticas e lições que podem ser levadas para a vida.

domingo, 9 de setembro de 2018

Opinião: Mentes Poderosas

Título Original: The Darkest Minds (2012)
Autor: Alexandra Bracken
Tradução: Ana Mendes Lopes
ISBN: 9789897543675
Editora: Marcador (2018)

Sinopse:

Quando Ruby acorda no seu décimo aniversário, algo nela mudou. Algo suficientemente alarmante para os pais a trancarem na garagem e chamarem de imediato a polícia.

Um fenómeno inexplicável arrancou-a à vida que sempre conheceu e mandou-a para Thurmond, o assustador campo de reabilitação do governo destinado aos sobreviventes.

Ruby não sucumbiu à doença misteriosa que aniquilou a maioria das crianças nos Estados Unidos, mas ela e os outros prisioneiros tornaram-se algo muito pior, porque desenvolveram habilidades mentais poderosas que não conseguem controlar.

Opinião:

Quando ouvi falar pela primeira vez de Mentes Poderosas, fiquei logo interessada em ler o livro. A obra foi lançada em Portugal quase ao mesmo tempo que a adaptação cinematográfica chegou aos grandes ecrãs, mas eu tinha a certeza que queria ler antes de ver o filme. Fiquei com a certeza de ter ali uma visão mais completa sobre este novo mundo marcado por uma evolução inesperada e pelo medo, quer do desconhecido quer do castigo por se ser quem é.

O que mais gostei deste livro foi o conceito geral da história e a forma como a autora construiu este mundo. A ideia de haver uma geração que surge com uma evolução inesperada está bem conseguida pelo facto de Alexandra Bracken ter explorado o receio que isso provoca nos outros. Temos um evidente distanciamento entre adultos e jovens, sendo que os primeiros não compreendem e temem os mais novos, enquanto estes são reprimidos e não entendem o que lhes está a acontecer.

A criação de campos de controlo faz sentido, tendo em conta que estes nem sempre são apresentados por aquilo que são realmente. A forma como o tratamento nestes espaços afecta os jovens faz sentido e deixa adivinhar a necessidade de rebelião. Afinal, estamos a falar de um grupo de pessoas que está numa faixa etária definida pela busca de autoconhecimento e procura do seu lugar no mundo, sendo que a repressão intensifica estas problemáticas. Também foi curioso que a autora tivesse explorado as diferentes reações dos pais à nova condição dos seus filhos, percebendo-se que o amor e compreensão promovem ligações mais saudáveis e jovens mentalmente mais estáveis.

As diferentes capacidades destes jovens são muito curiosas, e a divisão que lhes é feita faz sentido. Achei curiosa a forma como Ruby conseguiu esconder durante tanto tempo os seus verdadeiros poderes. Contudo, o que aqui mais apreciei foi a resolução da autora para os casos mais poderosos por parte das figuras de poder. Trata-se de algo que faz sentido num mundo em que dinheiro e poder parecem governar tudo e todos, mesmo quando tal tenta ser disfarçado com altruísmo.

O desenrolar dos acontecimento é algo lento. Esperava uma leitura mais rápida, mas, ainda assim, senti que o meu interesse foi aumentando com o passar das páginas. O encadeamento da ação faz sentido e está bem conseguido, mas senti falta de personagens mais apelativas, profundas ou reais. À exceção de Chubs, a minha figura preferida, todos os outros pareceram algo insípidos. Ruby, a protagonista precisava de outras características para se tornar marcante.

Confesso que não fiquei totalmente agradada com a tradução. Não que note grandes falhas em termos de português, mas algumas referências bem conhecidas não passaram bem para a nossa língua. A certa altura existe uma referência ao conto do "João e Maria", o que me causou estranheza. Sei que este é o nome que no Brasil dão ao conto que em Portugal é conhecido por "Hansel e Gretel" e só percebi que era a esse que se referia na obra pela comparação de elementos. Este não foi caso único, sendo que nota-se que o trabalho de pesquisa não foi feito com referências do nosso país.

Mentes Poderosas é o início de uma série que nos faz pensar sobre crescimento, o medo do desconhecido, a coragem que é preciso ter para confiar nos outros, sentido de pertença e a dor do afastamento e/ou rejeição da família. Um livro que que vai agradar aos fãs de distopias e que, apesar dos pontos mais fracos, mantém a curiosidade sobre o que virá num volume a seguir.

sexta-feira, 7 de setembro de 2018

Novidades da Saída de Emergência para Setembro

Destruição e Redenção, de Jon Skovron
Sinopse: Ainda a recuperar dos acontecimentos de Luz da Aurora, Esperança luta para compreender o que significa ser um guerreiro que jurou nunca mais pegar numa espada. A sua busca por esclarecimento permite-lhe dominar capacidades surpreendentes que lhe possibilitam descobrir pistas perturbadoras sobre a verdadeira origem do império.
Ruivo está a divertir-se no seu novo papel como espião imperial. Mas as suas lealdades serão testadas quando a Dama Hempist lhe atribui a tarefa que ele há muito desejava: recrutar Esperança e Brigga Lin para ajudar o império a livrar-se do conselho dos biomantes de uma vez por todas.
Mas o conselho já colocou em marcha os seus próprios planos. O seu controlo cada vez mais ténue sobre o império deixou os biomantes desesperados e dispostos a fazer tudo para manterem o seu poder…


Deuses Americanos - Sombras, de Neil Gaiman, P. Craig Russel e Scott Hampton
Sinopse: Shadow Moon sai da prisão e descobre que a sua mulher morreu. Derrotado, falido e sem saber para onde ir, conhece o misterioso Sr. Wednesday, que o emprega como guarda costas, empurrando Shadow para um mundo mortífero onde fantasmas do passado regressam da morte e onde uma guerra entre deuses está iminente.
 O romance vencedor de prémios Hugo, Bram Stoker, Locus, World Fantasy e Nebula que deu origem ao sucesso televisivo da Starz, com autoria de Neil Gaiman, é adaptado como novela gráfica pela primeira vez!
Compilando os primeiros nove números da série de banda desenhada Deuses Americanos, juntamente com arte adicional, esboços de personagens e capas de David Mack, Glenn Fabry, Becky Cloonan, Skottie Young, Fábio Moon, Dave McKean e mais!


Assassins Creed Origins - Juramento do Deserto, de Oliver Bowden
Sinopse:  Egito, ano 70 a. C. Um Assassino impiedoso percorre o país. A sua missão: encontrar e destruir os últimos membros de uma ordem antiga, os Medjay, e erradicar a sua linhagem.
Na pacífica Siwa, o protetor da cidade parte de repente deixando o seu filho adolescente, Bayek, com questões sobre o seu futuro. O jovem inicia uma jornada à procura de respostas, e a sua viagem leva-o ao longo do Nilo e através de um Egito em tumulto.
Quando se descobre que os Medjay ainda resistem e ameaçam as mudanças que se espalham pelo Egito, tem início uma batalha silenciosa e sangrenta, e vemos nascer a primeira centelha da guerra entre Assassinos e Templários.


Disponíveis a partir de dia 14.

Novidade da Saída de Emergência para Outubro

A Jaula do Rei, de Victoria Aveyard
Sinopse: Mare Barrow foi capturada e está impotente sem o seu poder, vivendo atormentada pelos erros do passado. Ela está à mercê do rapaz por quem um dia se apaixonou, um jovem dissimulado que a enganou e traiu. Agora rei, Maven continua com os planos da sua mãe, fazendo de tudo para manter o controlo de Norta — e de sua prisioneira.
Enquanto Mare tenta aguentar o peso sufocante da Pedra Silenciosa, a Guarda Escarlate organiza-se, deixando de agir nas sombras e preparando-se para a guerra. Entre os guerreiros está Cal, o príncipe exilado, que no meio das dúvidas tem apenas uma certeza: ele não vai descansar enquanto não trouxer Mare de volta. Sangue vermelho e prateado correrá pelas ruas. A guerra está a chegar…

Disponível a partir de dia 4.

quarta-feira, 5 de setembro de 2018

Novidade da Bertrand Editora para Setembro

Chamavam-lhe Grace, de Margaret Atwood
Sinopse: Corre o ano de 1843 e Grace Marks foi condenada pelo seu envolvimento no brutal homicídio do dono e da governanta. Há quem julgue Grace inocente; outros dizem que é perversa ou louca. Agora a cumprir prisão perpétua, Grace diz não ter qualquer memória do crime. Um grupo de reformadores e espíritas que pedem que Grace seja perdoada contrata um especialista em saúde mental, uma área científica em expansão na época. Ele escuta a sua história, fazendo-a recuar até ao dia que ela esqueceu. O que encontrará ele quando tentar libertar as memórias de Grace?

terça-feira, 4 de setembro de 2018

Opinião: Uma Flor para Outra Flor (As Guerreiras Maxwell #4)

Título Original: Una flor para otra flor (2017)
Autor: Megan Maxwell
Tradução: Ana Maria Pinto da Silva
ISBN: 9789897770746
Editora: Planeta (2018)

Sinopse:

Estar apaixonado pela mulher que deseja esquecer não é algo que o jovem e impetuoso highlander Zac Philips aceite de bom grado. Há um tempo Zac pousou os olhos em Sandra, uma jovem de cabelo castanho que o cativou com o seu sorriso. Mas quando o pai de Sandra faleceu, os avós maternos obrigaram-na e à mãe a deixar as Highlands e a regressar a Carlisle, um lugar onde não conseguem ser felizes, sobretudo quando os avós estão empenhados em arranjar um marido à neta.

Disposto a salvar a amada, Zac foi até Carlisle, mas ao chegar deparou com Sandra rindo divertida com um dos ingleses. Assombrado e de coração partido, regressou às Highlands determinado a esquecê-la. Para ganhar tempo, Sandra ia afastando os pretendentes e aumentando a inimizade dos avós e, por fim, a culpa pela morte da avó.

Para complicar ainda mais a sua vida, aparece em cena Wilson Fleming, um ex-pretendente da mãe, que o abandonou por um highlander. O ódio consome-o e, para a ver sofrer, a melhor maneira é infernizar a vida da filha.

Opinião:

Ler um livro de Megan Maxwell é ter a certeza que vamos encontrar uma história divertida, sensual, romântica e com muitas reviravoltas. E esse regra mantém-se neste Uma Flor para Outra Flor, o quarto livro da saga "As Guerreiras Maxwell". Confesso que, quando iniciei esta leitura, tinha algum receio de me sentir perdida na história, uma vez que não li o terceiro volume. Felizmente nada disso aconteceu, pois os elementos anteriores foram explicados de forma a que esta aventura fosse entendida sem restar espaço para dúvidas.

Assim, conheci Sandra, uma jovem de rebelde e de personalidade forte. Tal como todas as protagonistas criadas por esta autora, Sandra é capaz de tudo para proteger os que ama, fazendo os possíveis para conciliar isso com a realização dos seus sonhos. Mesmo que não se aprecie ou compreenda todas as suas decisões, não se pode deixar de dar valor a isto. Acredito que o ponto forte da autora está mesmo na mensagem de força, coragem e empoderamento feminino que procura transmitir às suas leitoras.

Sandra, claro, tem um interesse amoroso que faz mover a narrativa. Neste caso trata-se de Zac, o irmão mais novo de Meghan, a protagonista da primeira obra da saga. Não fiquei grande fã desta personagem. Zac protagoniza momentos divertidos com Sandra, devido ao caricato da situação e dos choques que existem entre os dois, mas algumas atitudes mais machistas e conservadores foram apresentadas com maior rudeza do que seria esperado. Além, disso, o facto de manter ligação a outra mulher nunca pode ser vista com leveza, até porque parece que Sandra vê a outra como culpada dessa situação enquanto desculpa Zac. Na minha opinião, por maior antipatia que exista por essa mulher, é preciso ter noção de que foi ele que escolheu estar com ela, apesar de, na verdade, ter sentimentos por Sandra.

O desenrolar da narrativa é rápido e repleto de reviravoltas que ajudam a impulsionar a leitura. Megan Maxwell repete neste livro a fórmula com a qual tem feito sucesso, intercalando momentos de felicidade com contratempos até que, finalmente, se chega a uma conclusão. Não é um método que me atraia particularmente, mas admito que aqui funciona. É que existe sempre a sensação de que há sempre algo de novo a acontecer, um novo obstáculo a ser ultrapassado. Assim, surge um misto de frustração por o par romântico não conseguir ficar junto devido a questões que nos parecem ser facilmente resolvidas, mas também o desejo de continuar a ler para perceber como tudo irá ser resolvido.

Tal como já tinha acontecido anteriormente com esta saga, tenho de admitir que as incongruências históricas me provocam grande confusão. Esta é uma história de época, passada na Escócia, mas nem todos os elementos parecem ser representativos desse tempo ou local. As mulheres, fortes e guerreiras, remetem-nos para a atualidade. Os homens têm valores um pouco mais antiquados, quase a fazer lembrar os que os nossos avós e bisavós esperavam das suas mulheres. A sociedade tenta parecer feudal, mas acaba por se afastar um pouco desse conceito. Como tal, sinto que esta história tanto poderia passar-se nesse período como num outro qualquer mais recente.

Uma Flor para Outra Flor segue a linha dos outros romances da saga em que se enquadra. Tem como principal objetivo entreter, passar uma mensagem feminina de força e fazer sonhar. Perante isto, podemos então dizer que se trata de  um livro que cumpre com o que lhe era previsto. Quem procura romances históricos poderá encontrar falhas, por isso deverá ter em mente que se trata de uma aventura que não procura explorar uma época, mas sim contar uma história de amor. Com isto em mente, encontramos uma leitura divertida e leve.

Novidade da Porto Editora para Setembro

Três Coroas Negras, de Kendare Blake
Três rainhas herdeiras de um só trono, cada uma possuindo um poder mágico muito cobiçado. Mirabella é capaz de inflamar o incêndio mais violento ou a tempestade mais terrível. Katharine consegue ingerir um veneno mortal sem sentir os seus efeitos. De Arsinoe diz-se capaz de fazer florir a rosa mais vermelha e controlar o leão mais feroz. Mas para uma delas ser coroada rainha, não basta ter a linhagem certa. As trigémeas terão de conquistar o seu direito à coroa, lutando por ele... até à morte. Na noite em que as irmãs completam 16 anos, a batalha começa. E a rainha que sobreviver, conquistará a coroa!

Disponível a partir de dia 6.

domingo, 2 de setembro de 2018

Opinião: Mulheres da Noite

Título Original: Aldrig Mere Fri (2008)
Autor: Sara Blaedel
Tradução: Maria João Vieira
ISBN: 9789898869999
Editora: TopSeller (2018)

Sinopse:

Ninguém sabe exatamente quem é a mulher que aparece degolada numa das zonas mais mal frequentadas de Copenhaga. Quando a inspetora Louise Rick chega ao local, rapidamente percebe que se trata de uma prostituta. Na Dinamarca, no entanto, a prostituição é legal e não anda de mãos dadas com o crime. Quem estará, então, por detrás desta morte? Isso é o que a imprensa quer saber, e o caso torna-se rapidamente mediático.

Quando Louise recebe um telefonema da sua amiga jornalista Camilla Lind, pensa que ela quer informações acerca do crime. Mas o que Camilla lhe quer contar é que encontrou um bebé embrulhado numa toalha, no interior da igreja que frequenta. E o bebé não tinha um dos dedos do pé.

Estarão ambos os casos relacionados? Conseguirá Louise resolvê-los aos dois? E será que o que está a acontecer em Copenhaga tem ramificações ainda maiores?

Opinião:

Apesar de já ter visto comentários muito positivos à escrita e às histórias de Sara Blaedel, nunca tinha lido nada desta autora. Como tal, quando Mulheres da Noite me chegou às mãos, fiquei com vontade imediata de o ler, de forma a perceber o motivo para tantos elogios. As primeiras páginas conseguiram logo agarrar-me devido às duas figuras centrais femininas e aos mistérios que dão o mote a esta narrativa.

Apesar de ter noção que este livro faz parte de uma série, não me senti perdida na história nem na apresentação das personagens. Dá para perceber que existem algumas leves referências a informações que parecem estar relacionadas com livros anteriores a este, mas nada disso torna esta trama confuso em momento algum, o que foi muito importante para mim.

A história é apresentada no ponto de vista de duas personagens: Louise e Camilla. Desde logo achei interessante o facto de serem duas mulheres que fazem a diferença num mundo muitas vezes orientado por homens. Uma é polícia e a outra jornalista. Das duas, acabei por criar maior ligação com Camilla, talvez pela forma como ela acabou envolvida neste mistério, mas também pelo facto de me parecer mais empática e, por isso, real. Louise, apesar da sua relevância, manteve-se sempre algo distante. Tem uma mente impressionante, mas sinto que não a conheci como pretendia. O mesmo aconteceu com a maior parte das personagens desta obra.

O desenrolar da narrativa é o ponto forte deste livro. Gostei muito de ver como a autora deu início à obra com dois mistérios diferentes, que, numa primeira análise parecem não estar relacionaidos, para mais tarde os cruzar e nos surpreender. Existem muitas reviravoltas ao longo destas páginas, o que nos leva a duvidar de todas as figuras que vão surgindo. Como tal, não é fácil adivinhar a resolução obtida no final, o que provoca uma surpresa no leitor.

Além de haver um mistério que entretém, a autora fala ainda de temas sérios e que nos remetem para a realidade. O principal ponto é a prostituição e o tráfico humano. Ao longo deste livro, Sara Blaedel mostra-nos que, mesmos em sociedades consideradas de primeiro mundo existe a exploração do ser humano para a obtenção de riqueza e poder de terceiros. Como se isso já não fosse suficientemente mau, a autora leva-nos ainda a pensar em casos ilegais que muitas vezes são velados pelas próprias autoridades e governos, que preferem fechar os olhos e mascarar os problemas em vez de os resolverem.

Também existe a incorporação de um facto histórico, o que acaba por dar maior profundidade aos temas centrais que são aqui tratados. Mais uma vez, a utilização do outro em proveito próprio acaba por vir ao de cima, ainda de que de uma forma inesperada. Isto fez-me pensar em como acontecimentos do passado podem moldar toda uma vida e em como as consequências, muitas vezes, são mais pesadas do que se pode inicialmente imaginar.

Mulheres da Noite proporcionou uma leitura agradável. Apesar de não ter conseguido estabelecer uma ligação com todas as personagens, gostei muito do desenvolvimento da narrativa. As reviravoltas prendem para a leitura, e as revelações finais são bastante credíveis. Fica a certeza de que esta é uma autora para manter debaixo de olho.