Título Original: Artemis (2017)
Autor: Andy Weir
Tradução: Miguel Martins
ISBN: 9789898917102
Editora: TopSeller (2018)
Sinopse:
Para viver na Lua, Jazz Bashara faria qualquer coisa. Bom, mais ou menos. A vida em Artemis, a primeira e, até ver, única cidade da Lua, é difícil. Só turistas ricos ou milionários excêntricos que vivem a sua reforma dourada fora do planeta Terra é que conseguem usufruir em pleno do Mar da Tranquilidade. Um pouco de contrabando aqui e ali não é grave, certo?
É por isso que quando surge a oportunidade de, com um grande golpe, decidir o seu futuro, Jazz não hesita. Tem apenas de conseguir o impossível, e de o fazer fora da colónia, onde não só a gravidade é seis vezes inferior à da Terra como o Sol queima e o ar não existe.
Mas isso será apenas o começo de uma série de eventos que vai pôr em causa a existência da própria colónia. Jazz era apenas uma contrabandista a tentar ganhar a vida. Será que está preparada para pôr tudo em risco para salvar o único lugar onde alguma vez se sentiu em casa?
Opinião:
Assim que soube que Artemis ia ser publicado que soube que tinha de ler este livro. O motivo? Adorei O Marciano e não podia perder a nova obra de Andy Weir. Sabia que se tratava de uma aventura diferente, com nova história, foco e personagens, mas queria muito conhecer as novas ideias do autor. O resultado é uma nova obra de ficção científica que marca pela diferença e que proporciona uma boa leitura.
Desta vez somos levados para a lua, onde existe uma colónia humana chamada Artemis. Neste local, o autor dá-nos a conhecer as possibilidades de construção de uma cidade fora da Terra, ideia que até pode ser considerada comum. Contudo, Andy Weir destaca-se pela forma como faz, procurando sempre justificar tudo através da ciência e explicando de uma forma acessível ao leitor. Assim, o leitor é levado a pensar no efeito da gravidade no desenvolvimento de um ser humano, produção de oxigénio, perigos do solo lunar, como poderia ser feito o turismo na lua, a produção de alimentos neste planeta secundário, entre outros assuntos. Perante tudo isto, sentimos que aquela realidade poderá acontecer em breve.
Este ambiente é-nos apresentado por Jazz Bashara, a heroína desta aventura. Gostei muito de conhecer esta personagem, apesar de admitir que inicialmente não simpatizei com ela. É que Jazz não é propriamente uma protagonista típica onde os valores mais nobres são destacados. Ela tem um fundo generoso e altruísta, mas isso é mascarado por toda uma personalidade rebelde e onde as más decisões parecem prevalecer. Certas atitudes iniciais podem levar-nos a torcer o nariz, uma vez que não compreendemos o motivo para tal, mas é impressionante ver como isso muda ao longo da leitura.
É que esta aventura de Jazz acaba por justificar a sua maneira de ser e a levá-la a redimir-se. Quando ela aceita fazer um trabalho arriscado em troca de uma fortuna, somos levados a acreditar que existe ali apenas um desejo de riqueza rápida movida por ganância. Mas há mais do que isso. É aqui que percebemos que o autor não se preocupa apenas em criar um mundo que seja cientificamente plausível, como ainda procura construir personagens complexas e que consigam atribuir ainda maior credibilidade à trama.
Achei graça ao facto de as personagens secundárias terem sido apresentadas segundo certos estereótipos, sendo que no final todas estas ideias acabam por ser quebradas. Parece que o autor queria mostrar que a primeira impressão de uma pessoa nem sempre é a mais acertada, sendo que cada um de nós tem uma história, valores e objetivos que justificam aquilo que podemos parecer, mas que não nos definem por completo, havendo sempre espaço para a mudança e evolução.
O início desta leitura foi mais lento do que estava à espera. Demorei a conhecer Artemis e conhecer as bases desta cidade. Senti que a narrativa em si levou algum tempo a avançar, o que ao início me fez duvidar sobre o resto da obra. Contudo, quando a ação começa realmente a acontecer, o ritmo cresce gradualmente até chegar a um ponto quase alucinante que não me permitiu largar o livro enquanto não chegasse à última página.
Gostei muito de Artemis. A história é bem fundamentada, a ação prende, as personagens cativam e o mundo parece real. Andy Weir volta a provar que tem um grande talento para a escrita e que consegue construir histórias de ficção científica diferentes, que divertem e ainda conseguem ensinar. Adorei conhecer Jazz e mal posso esperar pelas novas ideias do autor. Para esta personagem ou para outras novas.
Outras opiniões a livros de Andy Weir:
O Marciano
terça-feira, 31 de julho de 2018
Novidade da Marcador para Julho
Mentes Poderosas, de Alexandra Bracken
Sinopse: Quando Ruby acorda no seu décimo aniversário, algo nela mudou. Algo suficientemente alarmante para os pais a trancarem na garagem e chamarem de imediato a polícia. Um fenómeno inexplicável arrancou-a à vida que sempre conheceu e mandou-a para Thurmond, o assustador campo de reabilitação do governo destinado aos sobreviventes. Ruby não sucumbiu à doença misteriosa que aniquilou a maioria das crianças nos Estados Unidos, mas ela e os outros prisioneiros tornaram-se algo muito pior, porque desenvolveram habilidades mentais poderosas que não conseguem controlar.
Sinopse: Quando Ruby acorda no seu décimo aniversário, algo nela mudou. Algo suficientemente alarmante para os pais a trancarem na garagem e chamarem de imediato a polícia. Um fenómeno inexplicável arrancou-a à vida que sempre conheceu e mandou-a para Thurmond, o assustador campo de reabilitação do governo destinado aos sobreviventes. Ruby não sucumbiu à doença misteriosa que aniquilou a maioria das crianças nos Estados Unidos, mas ela e os outros prisioneiros tornaram-se algo muito pior, porque desenvolveram habilidades mentais poderosas que não conseguem controlar.
sexta-feira, 27 de julho de 2018
Opinião: Nevermoor - O Desafio de Morrigan Crow
Título Original: The Trial's of Morrigan Crow (2017)
Autor: Jessica Townsend
Tradução: Margarida Filipe
ISBN: 9789896655945
Editora: Nuvem de Letras (2018)
Sinopse:
Uma história de cortar a respiração sobre uma rapariga amaldiçoada que, ao escapar à própria morte, acaba num mundo mágico apenas para ser posta à prova de maneiras jamais imaginadas!
Morrigan Crow nasceu na hora e no lugar errado. Com o seu nascimento a coincidir com o exato momento em que tiveram lugar, na sua cidade, vários infortúnios, os seus conterrâneos culpam-na por tudo o que de mal lhes aconteceu, até mesmo pelos seus problemas privados. Condenada a morrer à meia-noite do dia em que fizer 11 anos, Morrigan terá a oportunidade de mudar de vida - para pior ou melhor - quando um homem chamado Jupiter North a envia para a mágica cidade de Nevermoor.
Aí, Morrigan descobre que Jupiter a escolheu para se candidatar a um lugar na organização mais prestigia nte da cidade: a Wundrous Society. Para entrar na organização, ela terá de competir em 4 perigosos campeonatos contra centenas de outras crianças, todas elas com um talento mas, para poder permanecer em Nevermoor em segurança, terá de passar nesses testes. Caso contrario, terá de abandonar Nevermoor e enfrentar o seu trágico destino.
Opinião:
Quando este livro me chegou às mãos fiquei muito entusiasmada. Apesar de se tratar claramente de uma leitura dedicada a um público mais jovem, a capa e a sinopse a remeter para uma história fantástica deixaram-me curiosa com o que aí vinha. Contudo, confesso que também tinha algum receio de que Jessica Townsed caísse em lugares comuns que surgiram depois do sucesso da saga "Harry Potter", em que muitos autores tentaram replicar a receita de J. K. Rowling. Felizmente não foi isso que aconteceu.
Nevermoor - O Desafio de Morrigan Crow revela originalidade. Gostei que logo ao início a autora nos apresentasse a uma realidade mais negra ao mesmo tempo que deixava transparecer uma ponta de sentido de humor. Estes ingredientes ganham uma dimensão mais ampla com o decorrer da narrativa, marcando bem o ambiente diferente em que se passa esta aventura.
Morrigan Crow, a protagonista, é uma menina que cresceu numa família sem amor. Tudo porque é uma criança amaldiçoada, o que significa desgraça e caos à sua volta. Trata-se de uma figura reservada, com feitio próprio, muita vontade de se mostrar ao mundo, mas com receio de novas rejeições. É fácil sentir empatia por esta menina que quase tem medo de falar ou de se mexer, tal é o receio de causar instabilidade. O seu desejo de aprovação é constante e faz-nos desejar que tenha um destino feliz apesar de ter a morte anunciada. Ora, mas claro que existe algo que a vai fazer escapar deste destino fatal. Apesar da previsibilidade deste acontecimento, é interessante ver o rumo que a autora escolheu para a trama.
Jessica Townsend cria um universo dividido por estados que fazem recordar os meados do século XX. As tradições com que Morrigan cresceu chocam com o que encontra em Nevermoor, onde uma série de novas, estranhas e caricatas personagens desfilam e nos entretém. Destaco Jupiter, que, apesar de ter um papel já previsível de tutor lunático, consegue conquistar a nossa confiança e carinho.
A ideia das provações pelas quais Morrigan tem de passar para pertencer a uma elitista organização está muito bem conseguida e explorada. Ao longo da leitura há sempre a sensação de que vem aí um novo desafio, sendo que todos eles são criativos e têm um resultado e uma moral diferente e que nos apela a atenção. Desta forma, a narrativa, que acontece no período de um ano, avança com rapidez e faz-nos não querer largar o livro.
O grande vilão desta aventura tem uma presença constante apesar de estar praticamente ausente. O Wundersmith acaba por se encontrar ligado a muitos dos problemas da protagonista, apesar de ser apresentado de forma gradual ao longo da leitura. Ainda assim, mesmo quando não o conhecemos realmente, temos noção do perigo que ele representa. A forma como se revela não causa grande surpresa, apesar de manter a curiosidade quando aos desenvolvimentos que vão chegar no segundo volume.
Este foi um livro que me divertiu muito. Tem muitos elementos novos que apelam ao nosso lado mais imaginativo e conseguem agarrar. Como se trata de um livro pensado para os mais jovens, carece de momentos mais explicativos, o que se sente especialmente na exposição de novos sistemas de magia ou de funcionamento da sociedade. Ainda assim, Nevermoor - O Desafio de Morrigan Crow deixou-me bem impressionada e com uma grande vontade de continuar a acompanhar as aventuras desta nova heroína.
Autor: Jessica Townsend
Tradução: Margarida Filipe
ISBN: 9789896655945
Editora: Nuvem de Letras (2018)
Sinopse:
Uma história de cortar a respiração sobre uma rapariga amaldiçoada que, ao escapar à própria morte, acaba num mundo mágico apenas para ser posta à prova de maneiras jamais imaginadas!
Morrigan Crow nasceu na hora e no lugar errado. Com o seu nascimento a coincidir com o exato momento em que tiveram lugar, na sua cidade, vários infortúnios, os seus conterrâneos culpam-na por tudo o que de mal lhes aconteceu, até mesmo pelos seus problemas privados. Condenada a morrer à meia-noite do dia em que fizer 11 anos, Morrigan terá a oportunidade de mudar de vida - para pior ou melhor - quando um homem chamado Jupiter North a envia para a mágica cidade de Nevermoor.
Aí, Morrigan descobre que Jupiter a escolheu para se candidatar a um lugar na organização mais prestigia nte da cidade: a Wundrous Society. Para entrar na organização, ela terá de competir em 4 perigosos campeonatos contra centenas de outras crianças, todas elas com um talento mas, para poder permanecer em Nevermoor em segurança, terá de passar nesses testes. Caso contrario, terá de abandonar Nevermoor e enfrentar o seu trágico destino.
Opinião:
Quando este livro me chegou às mãos fiquei muito entusiasmada. Apesar de se tratar claramente de uma leitura dedicada a um público mais jovem, a capa e a sinopse a remeter para uma história fantástica deixaram-me curiosa com o que aí vinha. Contudo, confesso que também tinha algum receio de que Jessica Townsed caísse em lugares comuns que surgiram depois do sucesso da saga "Harry Potter", em que muitos autores tentaram replicar a receita de J. K. Rowling. Felizmente não foi isso que aconteceu.
Nevermoor - O Desafio de Morrigan Crow revela originalidade. Gostei que logo ao início a autora nos apresentasse a uma realidade mais negra ao mesmo tempo que deixava transparecer uma ponta de sentido de humor. Estes ingredientes ganham uma dimensão mais ampla com o decorrer da narrativa, marcando bem o ambiente diferente em que se passa esta aventura.
Morrigan Crow, a protagonista, é uma menina que cresceu numa família sem amor. Tudo porque é uma criança amaldiçoada, o que significa desgraça e caos à sua volta. Trata-se de uma figura reservada, com feitio próprio, muita vontade de se mostrar ao mundo, mas com receio de novas rejeições. É fácil sentir empatia por esta menina que quase tem medo de falar ou de se mexer, tal é o receio de causar instabilidade. O seu desejo de aprovação é constante e faz-nos desejar que tenha um destino feliz apesar de ter a morte anunciada. Ora, mas claro que existe algo que a vai fazer escapar deste destino fatal. Apesar da previsibilidade deste acontecimento, é interessante ver o rumo que a autora escolheu para a trama.
Jessica Townsend cria um universo dividido por estados que fazem recordar os meados do século XX. As tradições com que Morrigan cresceu chocam com o que encontra em Nevermoor, onde uma série de novas, estranhas e caricatas personagens desfilam e nos entretém. Destaco Jupiter, que, apesar de ter um papel já previsível de tutor lunático, consegue conquistar a nossa confiança e carinho.
A ideia das provações pelas quais Morrigan tem de passar para pertencer a uma elitista organização está muito bem conseguida e explorada. Ao longo da leitura há sempre a sensação de que vem aí um novo desafio, sendo que todos eles são criativos e têm um resultado e uma moral diferente e que nos apela a atenção. Desta forma, a narrativa, que acontece no período de um ano, avança com rapidez e faz-nos não querer largar o livro.
O grande vilão desta aventura tem uma presença constante apesar de estar praticamente ausente. O Wundersmith acaba por se encontrar ligado a muitos dos problemas da protagonista, apesar de ser apresentado de forma gradual ao longo da leitura. Ainda assim, mesmo quando não o conhecemos realmente, temos noção do perigo que ele representa. A forma como se revela não causa grande surpresa, apesar de manter a curiosidade quando aos desenvolvimentos que vão chegar no segundo volume.
Este foi um livro que me divertiu muito. Tem muitos elementos novos que apelam ao nosso lado mais imaginativo e conseguem agarrar. Como se trata de um livro pensado para os mais jovens, carece de momentos mais explicativos, o que se sente especialmente na exposição de novos sistemas de magia ou de funcionamento da sociedade. Ainda assim, Nevermoor - O Desafio de Morrigan Crow deixou-me bem impressionada e com uma grande vontade de continuar a acompanhar as aventuras desta nova heroína.
segunda-feira, 23 de julho de 2018
Opinião: A Demanda do Bobo (Saga Assassino e o Bobo #3)
Título Original: Fool's Quest (2015)
Autor: Robin Hobb
Tradução: Jorge Candeias
ISBN: 9789897731075
Editora: Saída de Emergência (2018)
Sinopse:
Em tempos existiu em Torre do Cervo um assassino real. Para aqueles que simpatizavam com ele era conhecido como Fitz; para os que o odiavam era o Bastardo Manhoso. Mais tarde esse homem desapareceu e surgiu um respeitável senhor rural chamado Tomé Texugo, pacato, marido e pai.
Mas agora também esse homem desapareceu, deixando no seu lugar FitzCavalaria Visionário, príncipe reconhecido da casa real, tio do rei, pai de uma criança raptada cuja existência quase todos ignoram, amigo de um velho Bobo quebrado e cego cuja saúde vai recuperando de forma dolorosamente lenta.
Entre todas estas forças que o puxam nas mais diversas direções, a quais irá ele ceder, e quem, ao certo, cederá? O pai ou o amigo? O príncipe ou o assassino?
Opinião:
Este livro segue os acontecimento que encerraram A Revelação do Bobo. Em A Demanda do Bobo, Robin Hobb foca a nossa atenção na angústia, raiva, desespero, dor e sentido de vingança de um pai cuja filha foi raptada. Sendo Fitz uma personagem tão querida, custa vê-lo nestas circunstâncias, tal é o envolvimento que a autora consegue criar entre leitor e personagens.
Mais uma vez, voltamos a ter capítulos dedicados a Fitz e alguns a Abelha. Confesso que ficava especialmente entusiasmada quando percebia que iria começar um relato de Abelha. Não que não aprecie os de Fitz, pois gosto muito, mas os desta jovem personagem têm mais ritmo, fornecem informações mais interessantes e apresentam-nos uma evolução da história mais concreta. Além disso, é nesse cenário que tudo é mais intenso e é também aí que os acontecimentos mais relevantes se dão.
Nos capítulos de Fitz existe sobretudo dúvida. O protagonista anseia por encontrar a filha, saber o que lhe aconteceu ou está a acontecer, o que acaba por ser algo frustrante para o leitor que, até certo ponto, tem todas estas informações. Contudo, é também esta dúvida e angústia que nos permitem explorar a humanidade de Fitz e de todas as outras figuras que o rodeiam. É aqui que a autora volta a provar que é mestre na criação de personagens profundas, reais e que marcam o leitor.
Gostei muito do desenvolvimento das relações que se foram estabelecendo ao longo deste volume, o que faz pensar sobre como estas são mutáveis. Personagens que pareciam já ter uma ligação estabelecida acabam por surpreender ao mostrarem que as relações podem atingir novos contornos, especialmente quando estamos em situações dramáticas. O desejo de corrigir erros antigos, de qualquer nível, acabou por ser o elemento fundamental para muitas destas figuras, dando-nos provas de que o ser humano é capaz de mudar e evoluir se assim o desejar.
Este volume tem mais ritmo do que o anterior, o que proporciona uma leitura mais rápida e até interessada. Os momentos de maior ação estão muito bem conseguidos e dão-nos provas de que ainda há muito para vir e para nos surpreender. Existem também períodos mais calmos, caracterizados pelas reflexões de Fitz ou pelos diálogos com outras personagens. Aqui, destaque para os momentos que o protagonista tem com o Bobo, Urtiga, Lante e Enigma.
A Demanda do Bobo revela-se um livro que não desilude e tem tudo para fazer as delícias de Robin Hobb. Uma leitura com muito de novo a acontecer, mas que também tem várias referências a obras passadas da autora. A prova de que a Saga Assassino e o Bobo é forte, consistente e de grande qualidade. Venha agora o próximo volume, pois este deixou-me muito curiosa e entusiasmada com o que está para chegar.
Outras opiniões a livros de Robin Hobb:
Aprendiz de Assassino (A Saga do Assassino #1)
O Assassino do Bobo (Saga Assassino e o Bobo #1)
A Revelação do Bobo (Saga Assassino e o Bobo #2)
Autor: Robin Hobb
Tradução: Jorge Candeias
ISBN: 9789897731075
Editora: Saída de Emergência (2018)
Sinopse:
Em tempos existiu em Torre do Cervo um assassino real. Para aqueles que simpatizavam com ele era conhecido como Fitz; para os que o odiavam era o Bastardo Manhoso. Mais tarde esse homem desapareceu e surgiu um respeitável senhor rural chamado Tomé Texugo, pacato, marido e pai.
Mas agora também esse homem desapareceu, deixando no seu lugar FitzCavalaria Visionário, príncipe reconhecido da casa real, tio do rei, pai de uma criança raptada cuja existência quase todos ignoram, amigo de um velho Bobo quebrado e cego cuja saúde vai recuperando de forma dolorosamente lenta.
Entre todas estas forças que o puxam nas mais diversas direções, a quais irá ele ceder, e quem, ao certo, cederá? O pai ou o amigo? O príncipe ou o assassino?
Opinião:
Este livro segue os acontecimento que encerraram A Revelação do Bobo. Em A Demanda do Bobo, Robin Hobb foca a nossa atenção na angústia, raiva, desespero, dor e sentido de vingança de um pai cuja filha foi raptada. Sendo Fitz uma personagem tão querida, custa vê-lo nestas circunstâncias, tal é o envolvimento que a autora consegue criar entre leitor e personagens.
Mais uma vez, voltamos a ter capítulos dedicados a Fitz e alguns a Abelha. Confesso que ficava especialmente entusiasmada quando percebia que iria começar um relato de Abelha. Não que não aprecie os de Fitz, pois gosto muito, mas os desta jovem personagem têm mais ritmo, fornecem informações mais interessantes e apresentam-nos uma evolução da história mais concreta. Além disso, é nesse cenário que tudo é mais intenso e é também aí que os acontecimentos mais relevantes se dão.
Nos capítulos de Fitz existe sobretudo dúvida. O protagonista anseia por encontrar a filha, saber o que lhe aconteceu ou está a acontecer, o que acaba por ser algo frustrante para o leitor que, até certo ponto, tem todas estas informações. Contudo, é também esta dúvida e angústia que nos permitem explorar a humanidade de Fitz e de todas as outras figuras que o rodeiam. É aqui que a autora volta a provar que é mestre na criação de personagens profundas, reais e que marcam o leitor.
Gostei muito do desenvolvimento das relações que se foram estabelecendo ao longo deste volume, o que faz pensar sobre como estas são mutáveis. Personagens que pareciam já ter uma ligação estabelecida acabam por surpreender ao mostrarem que as relações podem atingir novos contornos, especialmente quando estamos em situações dramáticas. O desejo de corrigir erros antigos, de qualquer nível, acabou por ser o elemento fundamental para muitas destas figuras, dando-nos provas de que o ser humano é capaz de mudar e evoluir se assim o desejar.
Este volume tem mais ritmo do que o anterior, o que proporciona uma leitura mais rápida e até interessada. Os momentos de maior ação estão muito bem conseguidos e dão-nos provas de que ainda há muito para vir e para nos surpreender. Existem também períodos mais calmos, caracterizados pelas reflexões de Fitz ou pelos diálogos com outras personagens. Aqui, destaque para os momentos que o protagonista tem com o Bobo, Urtiga, Lante e Enigma.
A Demanda do Bobo revela-se um livro que não desilude e tem tudo para fazer as delícias de Robin Hobb. Uma leitura com muito de novo a acontecer, mas que também tem várias referências a obras passadas da autora. A prova de que a Saga Assassino e o Bobo é forte, consistente e de grande qualidade. Venha agora o próximo volume, pois este deixou-me muito curiosa e entusiasmada com o que está para chegar.
Outras opiniões a livros de Robin Hobb:
Aprendiz de Assassino (A Saga do Assassino #1)
O Assassino do Bobo (Saga Assassino e o Bobo #1)
A Revelação do Bobo (Saga Assassino e o Bobo #2)
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