Título Original: Batman: Nightwalker (2018)
Autor: Marie Lu
Tradução: Rui Azeredo
ISBN: 9789898869784
Editora: TopSeller (2018)
Sinopse:
Antes de ser Batman, ele era Bruce Wayne: um rapaz impetuoso e disposto a tudo por uma rapariga que pode ser o seu pior inimigo.
Os noturnos aterrorizam Gotham City
Alguns milionários da cidade foram assassinados dentro das suas mansões, e as suas fortunas simplesmente desapareceram. Os responsáveis formam uma organização muito bem preparada que diz lutar contra a injustiça e a corrupção dos poderosos. Deles só se conhece o nome, Noturnos.
Bruce Wayne é o próximo da lista
Enquanto isso, Bruce está prestes a fazer dezoito anos e a herdar a fortuna da família, bem como as chaves das Indústrias Wayne e todos os seus fantásticos dispositivos tecnológicos. Mas, na noite do seu aniversário, um ato impulsivo condena-o a prestar serviço comunitário no Asilo Arkham, a infame prisão onde se encontram os piores criminosos da cidade.
Madeleine, uma assassina letal
O prisioneiro mais interessante de Arkham é Madeleine, uma rapariga brilhante com ligações aos Noturnos. Para chegar até eles e evitar ser o próximo alvo, Bruce tem de convencê-la a falar. Mas será que Madeleine confia mesmo em Bruce? Estará ela a divulgar os seus segredos ou a recolher dele a informação de que precisa para destruir Gotham City?
Opinião:
O Batman é um dos meus heróis preferidos do universo DC, por isso claro que tinha de ler a história que lhe foi dedicada nesta colecção. Para quem não sabe, vários autores conhecidos foram convidados a recriarem o início das aventuras de alguns protagonistas bastante populares e o resultado está a ser a série DC Icons. A primeira heroína a ser retratada foi a Mulher-Maravilha, cujo livro já tive a oportunidade de ler (opinião aqui). Segue-se agora uma nova versão sobre o que levou Bruce Wayne a criar o Batman.
Marie Lu foi a autora convidada a tomar em mãos este desafio. Fiquei satisfeita por não perder muito tempo a explicar a base da história de Bruce Wayne, por se tratar de algo que é do conhecimento de todos os que conhecem o mínimo do seu passado. A autora preferiu focar-se no início da idade adulta desta personagem, mostrando que ao celebrar 18 anos, Bruce não só atinge a maioridade como ainda toma em mãos toda a fortuna e responsabilidade das empresas dos seus pais. E no meio de tudo isto, Marie Lu ainda cria uma justificação nova e diferente para o que terá levado este jovem a tornar-se um herói para Gotham City.
A personalidade de Bruce Wayne foi adaptada a esta idade. Apesar de mais jovem e até ingénuo, percebe-se nele os traços que vão ficar mais vincados na idade adulta. Aliás, o desenrolar desta narrativa tenta mesmo fornecer mais um motivo para ele se ter tornado no justiceiro misterioso de Gotham. Percebe-se que é um jovem magoado, mas leal, atento ao que o rodeia e crítico no que toca à sociedade em que vive. Não se pode dizer que surpreenda, mas faz o seu papel e não desilude.
À volta de Bruce estão outras personagens nossas conhecidas. Cada uma ocupa o seu lugar devido, sendo divertido saber à partida o que lhes vai acontecer num futuro mais longínquo. Desta forma, somos levados a pensar na complexidade das relações e na forma como o tempo as pode alterar. Entre este grupo, destaco Alfred e Harvey Dent. Contudo, também existem figuras novas que fornecem perspectivas diferentes e nos deixam na dúvida sobre os seus verdadeiros objectivos e valores morais. Neste grupo, incluo Madeleine, como não poderia deixar de ser, mas também Draccon.
A narrativa apresenta ritmo e faz-nos ter vontade de ler o que vem a seguir. Os momentos de acção não são exagerados, havendo maior foco para o mistério e relacionamento das personagens. Confesso que existem certas circunstâncias que podem parecer forçadas, nomeadamente o motivo que leva Bruce, um bilionário de 18 anos, a cumprir serviço comunitário em Arkham, prisão onde estão os criminosos mais perigosos da cidade. Contudo, este espaço é essencial para o desenrolar da acção e para que Bruce conheça Madeleine, uma figura que o intriga a ele e ao leitor.
Num livro destinado ao público jovem-adulto existe o risco de haver um certo exagero no que toca às relações amorosas. Felizmente, tal não aconteceu nesta aventura, apesar de se sentir logo ao início uma forte atracção entre Bruce e outra personagem. Para o leitor, pode não ser fácil entender inicialmente como tal é possível, mas gostei do desfecho que a autora conseguiu dar a esta questão. As personagens não ficam loucas de amor e acabam por se manterem fiéis ao que acreditam, o que é muito importante para a história.
Batman: Vigilante Noturno proporcionou-me uma leitura interessada, divertida e descontraída. Marie Lu respeitou a personagem mas também conseguiu dar o seu cunho pessoal a esta aventura. O final é satisfatório, não só pela história agradável como também pelas reflexões que provoca em temas como a justiça e as desigualdades sociais. Estou a gostar do rumo da colecção e expectante com a obra que se segue, que será escrita por Sarah J. Maas (autora da série de sucesso "Trono de Vidro") e dedicada a Catwoman. Venha ela!
quinta-feira, 29 de março de 2018
quarta-feira, 28 de março de 2018
Opinião: Um Estranho Numa Terra Estranha - vol. 1
Título Original: Stranger in a Strange Land (1961)
Autor: Robert A. Heinlein
Tradução: Jorge Candeias
ISBN: 9789897730924
Editora: Saída de Emergência (2018)
Sinopse:
Há vinte e cinco anos, a primeira missão a Marte terminou em tragédia e todos os tripulantes morreram. Mas, na verdade, houve um sobrevivente. Nascido na fatídica nave espacial e salvo pelos Marcianos que o criaram e lhe ofereceram uma nova vida, Valentine Michael Smith nunca viu um ser humano até ao dia em que é descoberto por uma segunda expedição a Marte.
Ao regressar à Terra, vê-se pela primeira vez entre o seu povo. Começa então um percurso de aprendizagem dos códigos sociais e preconceitos da natureza humana, totalmente alienígenas para a sua mente. Nesse processo de descoberta e integração, Valentine irá partilhar com a Humanidade os rituais sagrados que aprendeu em Marte e retribuir com as suas próprias crenças sobre o amor e o sentido da vida. Mas conseguirá alguma vez deixar de se sentir um estranho numa terra estranha?
Opinião:
Não imaginam há quanto tempo desejava ler este livro. Procurei uma edição em português, mas sem grande sucesso. Por isso, nem imaginam o quão feliz fiquei quando no Fórum Bang!, realizado em Outubro do ano passado, foi anunciado que as Edições Saída de Emergência iam publicar uma nova versão desta obra. Curiosamente, quando o livro me chegou às mãos, não consegui logo começar a lê-lo. Afinal, e se as minhas expectativas eram demasiado altas? E se o livro se revelasse algo muito diferente do que esperava e eu ficasse desiludida? Aviso já: não fiquei nada. Mesmo nada!
Logo ao início percebesse que Robert A. Heinlein tem uma forma muito particular de apresentar as suas ideias. Os dados que precisamos para perceber a narrativa não são fornecidos de forma directa, uma vez que o autor prefere sempre dar uma visão geral sobre determinada situação para só depois nos explicar algo mais concreto. Esta técnica pode parecer aborrecida quando explicada assim, mas garanto que em momento algum me senti aborrecida durante a leitura. É que Heinlein não é só muito preciso na apresentação das suas ideias como ainda o faz de forma cativante. Assistir ao enquadramento de um acontecimento é saber mais sobre o funcionamento do mundo e sobre a mente das personagens que nos são apresentadas. Garanto, assim, que a leitura deixa a nossa mente desperta e nos fascina pela complexidade e credibilidade do que é apresentado. E tudo feito numa linguagem actual e fácil de entender.
Nesta obra, deparamo-nos com a ideia de que um homem cresceu em Marte entre marcianos e como se fosse um ser daquele planeta. É curioso verificar que ele pensa e se sente como marciano, apesar de saber que é diferente devido ao seu corpo. Já na Terra, ele encontra seres iguais a ele, mas não se sente humano pois não compreende a humanidade. É intrigante pensar em como seria estar no lugar de Smith, sem se ser capaz de integrar inteiramente em qualquer comunidade. Ser sempre um estranho.
O autor fez um trabalho excepcional ao afastar um ser humano de toda a cultura terrena. A primeira impressão é a de que Valentine Michael Smith é uma pessoa fragilizada pelas condições em que nasceu e cresceu. A forma como ele se relaciona com os outros, com o meio que o envolve, com a própria vida faz-nos reflectir sobre o que tomamos como garantido e sobre se isso é realmente a única opção certa e verdadeira. Com o decorrer da leitura, percebemos que este homem estranho não é inferior a qualquer outro, sendo surpreendente perceber que, afinal, ele pode estar a dar-nos uma lição valiosa sobre o que é realmente importante na nossa existência.
Este homem que vem de Marte é apresentado como ingénuo, pacífico, extremamente inteligente e dedicado a quem se dá. Todos os que o rodeiam sentem-se impressionados com esta diferença e, aos poucos e poucos, começam a sofrer pequenas alterações na forma como pensam sobre a existência humana. Claro que nos sentimos intrigados com ele, havendo sempre vontade de compreender as suas motivações e linhas de pensamento, mas sem nunca conseguir lá chegar completamente (ou terei de dizer sem grocar"?).
Destaco ainda o papel de Jubal ao longo desta trama. A par do protagonista, é uma das personagens mais fascinantes. É nele que se centram muitos momentos de relevo para o avançar da história, uma vez que surge como protetor de Valentine Michael Smith. Ao início, pode parecer um homem algo bizarro e que vive de uma forma pouco comum, mas a forma directa como aborda todos os assuntos, inteligência e humor levam-nos a ficar presos nas suas ideias e argumentos. Destaco um diálogo de Hubal com Duke muito relevante e atual sobre a aceitação da diferença no outro (para não mencionar e desvendar muitos outros momentos impressionantes desta personagem ao nível da retórica).
O aparecimento de Valentine Michael Smith na Terra dá origem a uma série de acontecimentos ao nível mundial. Questões de poder são levantadas, o que deixa o protagonista em situações de perigo, mesmo que nem sempre tenha noção disso. Assim se percebe que muitas vezes vemos o que é diferente como ameaça, havendo também que sempre procure uma forma de obter benefícios com aqueles que aparentam qualquer tipo de fragilidade.
Valentine Michael Smith acaba por se revelar uma chamada de atenção para o nosso código de conduta. Esta personagem faz-nos reflectir sobre a hierarquia de valores que possuímos, sobre o que é realmente importante para a construção da felicidade e sobre o que podemos dar aos outros para tornar o mundo em que vivemos num local melhor. Existe ainda uma mensagem de respeito por todas as formas de vida, além de é analisada a dimensão do amor ao outro. Tenho pena que esta obra tenha sido dividida, de forma a não poder ler já a continuação, uma vez que estou muito entusiasmada com a leitura e curiosa para saber o que vem a seguir. Mas estou feliz por a espera ter valido a pena: este livro é mesmo bom!
Autor: Robert A. Heinlein
Tradução: Jorge Candeias
ISBN: 9789897730924
Editora: Saída de Emergência (2018)
Sinopse:
Há vinte e cinco anos, a primeira missão a Marte terminou em tragédia e todos os tripulantes morreram. Mas, na verdade, houve um sobrevivente. Nascido na fatídica nave espacial e salvo pelos Marcianos que o criaram e lhe ofereceram uma nova vida, Valentine Michael Smith nunca viu um ser humano até ao dia em que é descoberto por uma segunda expedição a Marte.
Ao regressar à Terra, vê-se pela primeira vez entre o seu povo. Começa então um percurso de aprendizagem dos códigos sociais e preconceitos da natureza humana, totalmente alienígenas para a sua mente. Nesse processo de descoberta e integração, Valentine irá partilhar com a Humanidade os rituais sagrados que aprendeu em Marte e retribuir com as suas próprias crenças sobre o amor e o sentido da vida. Mas conseguirá alguma vez deixar de se sentir um estranho numa terra estranha?
Opinião:
Não imaginam há quanto tempo desejava ler este livro. Procurei uma edição em português, mas sem grande sucesso. Por isso, nem imaginam o quão feliz fiquei quando no Fórum Bang!, realizado em Outubro do ano passado, foi anunciado que as Edições Saída de Emergência iam publicar uma nova versão desta obra. Curiosamente, quando o livro me chegou às mãos, não consegui logo começar a lê-lo. Afinal, e se as minhas expectativas eram demasiado altas? E se o livro se revelasse algo muito diferente do que esperava e eu ficasse desiludida? Aviso já: não fiquei nada. Mesmo nada!
Logo ao início percebesse que Robert A. Heinlein tem uma forma muito particular de apresentar as suas ideias. Os dados que precisamos para perceber a narrativa não são fornecidos de forma directa, uma vez que o autor prefere sempre dar uma visão geral sobre determinada situação para só depois nos explicar algo mais concreto. Esta técnica pode parecer aborrecida quando explicada assim, mas garanto que em momento algum me senti aborrecida durante a leitura. É que Heinlein não é só muito preciso na apresentação das suas ideias como ainda o faz de forma cativante. Assistir ao enquadramento de um acontecimento é saber mais sobre o funcionamento do mundo e sobre a mente das personagens que nos são apresentadas. Garanto, assim, que a leitura deixa a nossa mente desperta e nos fascina pela complexidade e credibilidade do que é apresentado. E tudo feito numa linguagem actual e fácil de entender.
Nesta obra, deparamo-nos com a ideia de que um homem cresceu em Marte entre marcianos e como se fosse um ser daquele planeta. É curioso verificar que ele pensa e se sente como marciano, apesar de saber que é diferente devido ao seu corpo. Já na Terra, ele encontra seres iguais a ele, mas não se sente humano pois não compreende a humanidade. É intrigante pensar em como seria estar no lugar de Smith, sem se ser capaz de integrar inteiramente em qualquer comunidade. Ser sempre um estranho.
O autor fez um trabalho excepcional ao afastar um ser humano de toda a cultura terrena. A primeira impressão é a de que Valentine Michael Smith é uma pessoa fragilizada pelas condições em que nasceu e cresceu. A forma como ele se relaciona com os outros, com o meio que o envolve, com a própria vida faz-nos reflectir sobre o que tomamos como garantido e sobre se isso é realmente a única opção certa e verdadeira. Com o decorrer da leitura, percebemos que este homem estranho não é inferior a qualquer outro, sendo surpreendente perceber que, afinal, ele pode estar a dar-nos uma lição valiosa sobre o que é realmente importante na nossa existência.
Este homem que vem de Marte é apresentado como ingénuo, pacífico, extremamente inteligente e dedicado a quem se dá. Todos os que o rodeiam sentem-se impressionados com esta diferença e, aos poucos e poucos, começam a sofrer pequenas alterações na forma como pensam sobre a existência humana. Claro que nos sentimos intrigados com ele, havendo sempre vontade de compreender as suas motivações e linhas de pensamento, mas sem nunca conseguir lá chegar completamente (ou terei de dizer sem grocar"?).
Destaco ainda o papel de Jubal ao longo desta trama. A par do protagonista, é uma das personagens mais fascinantes. É nele que se centram muitos momentos de relevo para o avançar da história, uma vez que surge como protetor de Valentine Michael Smith. Ao início, pode parecer um homem algo bizarro e que vive de uma forma pouco comum, mas a forma directa como aborda todos os assuntos, inteligência e humor levam-nos a ficar presos nas suas ideias e argumentos. Destaco um diálogo de Hubal com Duke muito relevante e atual sobre a aceitação da diferença no outro (para não mencionar e desvendar muitos outros momentos impressionantes desta personagem ao nível da retórica).
O aparecimento de Valentine Michael Smith na Terra dá origem a uma série de acontecimentos ao nível mundial. Questões de poder são levantadas, o que deixa o protagonista em situações de perigo, mesmo que nem sempre tenha noção disso. Assim se percebe que muitas vezes vemos o que é diferente como ameaça, havendo também que sempre procure uma forma de obter benefícios com aqueles que aparentam qualquer tipo de fragilidade.
Valentine Michael Smith acaba por se revelar uma chamada de atenção para o nosso código de conduta. Esta personagem faz-nos reflectir sobre a hierarquia de valores que possuímos, sobre o que é realmente importante para a construção da felicidade e sobre o que podemos dar aos outros para tornar o mundo em que vivemos num local melhor. Existe ainda uma mensagem de respeito por todas as formas de vida, além de é analisada a dimensão do amor ao outro. Tenho pena que esta obra tenha sido dividida, de forma a não poder ler já a continuação, uma vez que estou muito entusiasmada com a leitura e curiosa para saber o que vem a seguir. Mas estou feliz por a espera ter valido a pena: este livro é mesmo bom!
terça-feira, 27 de março de 2018
Opinião: Ready Player One - Jogador 1
Título Original: Ready Player One (2011)
Autor: Ernest Cline
Tradução: Miguel Romeira
ISBN: 9789722358231
Editora: Editorial Presença (2016)
Sinopse:
Em 2044 o mundo tornou-se um lugar triste, devastado por conflitos, escassez de recursos, fome, pobreza e doenças. Wade Watts só se sente feliz na realidade virtual conhecida como OASIS, onde pode viver, jogar e apaixonar-se sem constrangimentos. Quando o criador do OASIS morre, deixa a sua imensa fortuna e o controlo da realidade virtual a quem conseguir resolver os enigmas que aí escondeu. Os utilizadores têm apenas como pistas a cultura pop dos anos 1980. Começa assim uma frenética e perigosa caça ao tesouro. Nos primeiros anos, milhares de jogadores tentam solucionar o enigma inicial sem sucesso. Até que Wade por acaso desvenda a primeira chave. De um momento para o outro, vê-se numa corrida desesperada para vencer o prémio, uma corrida que rapidamente continua no mundo real e que põe em risco a sua vida.
Opinião:
Tinha este livro debaixo de olho desde que saiu, mas a oportunidade para o ler nunca mais chegava. Contudo, quando soube que a adaptação para a Sétima Arte de Ready Player One - Jogador 1 estava a chegar às salas de cinema, tomei uma decisão: pára tudo! Tinha mesmo de ler este livro antes do filme sair. Assim fiz. E ainda bem! Afinal, tinha um grande livro parado na prateleira há demasiado tempo.
Ready Player One - Jogador 1 apresenta uma mistura improvável mas que resulta muito bem. Nesta obra, Ernest Cline retrata um futuro próximo no qual o fosso social é maior do que aquele que se regista atualmente. O excesso de população coloca em causa os recursos naturais, não havendo meios básicos suficientes para todos. Como tal, as pessoas vivem em cidades caóticas onde o espaço é obtido em altura, de forma limitada e muitas vezes em modos degradantes. Este é um conceito que nos faz pensar sobre as consequências das nossas acções atuais para o futuro, alertando para a necessidade de se tomar medidas agora para prevenir males maiores daqui a uns anos.
Apesar de todas estas dificuldades, a humanidade consegue encontrar uma forma de escape. Uma mistura de videojogo com redes sociais e realidade virtual alcança uma popularidade sem precedentes, sendo um método eficaz para as pessoas de todos os estratos sociais encontrarem prazer ao mesmo tempo que acabam por ser controladas. OASIS é o sistema perfeito para cada um encontrar uma nova vida. Neste espaço, somos capazes de ter o corpo que desejamos graças à personalização do avatar, ter formação académica, trabalhar, conviver e até ter aventuras. E quando um prémio milionário entra em jogo tudo isto se torna ainda mais atrativo. Como leitora, imaginava-me dentro desta realidade virtual onde tudo é possível e conseguia entender o fascínio e apelo sentido pelas personagens.
Wade Watts é a personagem principal desta obra. Foi fácil sentir empatia por este rapaz. Ele vive numa situação de grande carência, não só financeira como de afetos. Além disso, sente-se desajustado de todos os meios em que se envolve, sendo em OASIS que consegue fazer valer a sua individualidade. Ainda assim, o facto de ter pouco dinheiro leva-o a não conseguir aceder a outros níveis do jogo, permanecendo num nível básico. Com tudo isto, o autor leva-nos a pensar em como é fácil julgar alguém pela aparência. É que Wade é sempre tido como inferior, quer na realidade, por não ser fisicamente atrativo, como no jogo, onde tem um avatar primário. É a partir do momento em que os seus conhecimentos e capacidade de raciocínio se começam a destacar que todos começam a reparar nele a tê-lo em conta.
As personagens secundárias que vão surgindo parecem estar apenas a cumprir um papel, uma vez que o grande foco vai mesmo para o protagonista. Wade parece um cavaleiro solitário na sua demanda, mesmo quando consegue encontrar apoio. O teor mais romântico que existe faz sentido, mesmo que a certa altura corra o risco de parecer exagerado. Felizmento tudo volta aos seus eixos e Wade acaba por surpreender com decisões inesperadas que dão uma nova visão desta sociedade e das organizações que a controlam, ainda que não diretamente. Aqui, fica uma chamada de atenção para o papel das grandes corporações no controlo de mentalidades.
O mistério que envolve esta narrativa está bem conseguido e proporciona uma leitura interessada e ritmada. Ao início, o criador de OASIS fornece uma série de pistas que conduzem a uma extensa fortina, sendo curioso verificar que todos os passos nesta aventura são dados tendo em conta a cultura pop dos anos 80. As referências a filmes, séries, livros, música, jogos e muitos mais criam uma grande proximidade do leitor. É curioso ver estes conteúdos, mais antigos, envolvidos num cenário futurista e de alta tecnologia. Além disso, nota-se que tal não foi feito ao acaso, fazendo tudo sentido e não parecendo excessivo ou disparatado. Como leitora, ficava deliciada com as referências.
Este livro é uma verdadeira delícia para quem cresceu no final do século XX e adora cenários futuristas. Ao mesmo tempo, existe uma chamada de atenção para questões sociais e ambientais e para a crescente dependência da tecnologia. A leitura, intensa e de acção rápida, é sempre feita com um sentido de nostalgia pelas nossas primeiras memórias ligadas á cultura pop. Música, cinema, obras literárias e muito mais são recordadas ao longo destas páginas. E que bom foi recordar tudo isto. Ernest Cline merece um aplauso.
Autor: Ernest Cline
Tradução: Miguel Romeira
ISBN: 9789722358231
Editora: Editorial Presença (2016)
Sinopse:
Em 2044 o mundo tornou-se um lugar triste, devastado por conflitos, escassez de recursos, fome, pobreza e doenças. Wade Watts só se sente feliz na realidade virtual conhecida como OASIS, onde pode viver, jogar e apaixonar-se sem constrangimentos. Quando o criador do OASIS morre, deixa a sua imensa fortuna e o controlo da realidade virtual a quem conseguir resolver os enigmas que aí escondeu. Os utilizadores têm apenas como pistas a cultura pop dos anos 1980. Começa assim uma frenética e perigosa caça ao tesouro. Nos primeiros anos, milhares de jogadores tentam solucionar o enigma inicial sem sucesso. Até que Wade por acaso desvenda a primeira chave. De um momento para o outro, vê-se numa corrida desesperada para vencer o prémio, uma corrida que rapidamente continua no mundo real e que põe em risco a sua vida.
Opinião:
Tinha este livro debaixo de olho desde que saiu, mas a oportunidade para o ler nunca mais chegava. Contudo, quando soube que a adaptação para a Sétima Arte de Ready Player One - Jogador 1 estava a chegar às salas de cinema, tomei uma decisão: pára tudo! Tinha mesmo de ler este livro antes do filme sair. Assim fiz. E ainda bem! Afinal, tinha um grande livro parado na prateleira há demasiado tempo.
Ready Player One - Jogador 1 apresenta uma mistura improvável mas que resulta muito bem. Nesta obra, Ernest Cline retrata um futuro próximo no qual o fosso social é maior do que aquele que se regista atualmente. O excesso de população coloca em causa os recursos naturais, não havendo meios básicos suficientes para todos. Como tal, as pessoas vivem em cidades caóticas onde o espaço é obtido em altura, de forma limitada e muitas vezes em modos degradantes. Este é um conceito que nos faz pensar sobre as consequências das nossas acções atuais para o futuro, alertando para a necessidade de se tomar medidas agora para prevenir males maiores daqui a uns anos.
Apesar de todas estas dificuldades, a humanidade consegue encontrar uma forma de escape. Uma mistura de videojogo com redes sociais e realidade virtual alcança uma popularidade sem precedentes, sendo um método eficaz para as pessoas de todos os estratos sociais encontrarem prazer ao mesmo tempo que acabam por ser controladas. OASIS é o sistema perfeito para cada um encontrar uma nova vida. Neste espaço, somos capazes de ter o corpo que desejamos graças à personalização do avatar, ter formação académica, trabalhar, conviver e até ter aventuras. E quando um prémio milionário entra em jogo tudo isto se torna ainda mais atrativo. Como leitora, imaginava-me dentro desta realidade virtual onde tudo é possível e conseguia entender o fascínio e apelo sentido pelas personagens.
Wade Watts é a personagem principal desta obra. Foi fácil sentir empatia por este rapaz. Ele vive numa situação de grande carência, não só financeira como de afetos. Além disso, sente-se desajustado de todos os meios em que se envolve, sendo em OASIS que consegue fazer valer a sua individualidade. Ainda assim, o facto de ter pouco dinheiro leva-o a não conseguir aceder a outros níveis do jogo, permanecendo num nível básico. Com tudo isto, o autor leva-nos a pensar em como é fácil julgar alguém pela aparência. É que Wade é sempre tido como inferior, quer na realidade, por não ser fisicamente atrativo, como no jogo, onde tem um avatar primário. É a partir do momento em que os seus conhecimentos e capacidade de raciocínio se começam a destacar que todos começam a reparar nele a tê-lo em conta.
As personagens secundárias que vão surgindo parecem estar apenas a cumprir um papel, uma vez que o grande foco vai mesmo para o protagonista. Wade parece um cavaleiro solitário na sua demanda, mesmo quando consegue encontrar apoio. O teor mais romântico que existe faz sentido, mesmo que a certa altura corra o risco de parecer exagerado. Felizmento tudo volta aos seus eixos e Wade acaba por surpreender com decisões inesperadas que dão uma nova visão desta sociedade e das organizações que a controlam, ainda que não diretamente. Aqui, fica uma chamada de atenção para o papel das grandes corporações no controlo de mentalidades.
O mistério que envolve esta narrativa está bem conseguido e proporciona uma leitura interessada e ritmada. Ao início, o criador de OASIS fornece uma série de pistas que conduzem a uma extensa fortina, sendo curioso verificar que todos os passos nesta aventura são dados tendo em conta a cultura pop dos anos 80. As referências a filmes, séries, livros, música, jogos e muitos mais criam uma grande proximidade do leitor. É curioso ver estes conteúdos, mais antigos, envolvidos num cenário futurista e de alta tecnologia. Além disso, nota-se que tal não foi feito ao acaso, fazendo tudo sentido e não parecendo excessivo ou disparatado. Como leitora, ficava deliciada com as referências.
Este livro é uma verdadeira delícia para quem cresceu no final do século XX e adora cenários futuristas. Ao mesmo tempo, existe uma chamada de atenção para questões sociais e ambientais e para a crescente dependência da tecnologia. A leitura, intensa e de acção rápida, é sempre feita com um sentido de nostalgia pelas nossas primeiras memórias ligadas á cultura pop. Música, cinema, obras literárias e muito mais são recordadas ao longo destas páginas. E que bom foi recordar tudo isto. Ernest Cline merece um aplauso.
domingo, 25 de março de 2018
Opinião: Caraval (#1)
Título Original: Caraval (2017)
Autor: Stephanie Garber
Tradução: Maria José Figueiredo
ISBN: 9789722361675
Editora: Editorial Presença (2018)
Sinopse:
Scarlett Dragna nunca saiu da pequena ilha onde ela e a irmã, Tella, vivem sob a vigilância do seu poderoso e cruel pai. Scarlett sempre teve o desejo de assistir aos jogos anuais de Caraval. Caraval é magia, mistério, aventura. E, tanto para Scarlett como para Tella, representa uma forma de fugirem de casa do pai. Quando surge o convite para assistir aos jogos, parece que o desejo de Scarlett se torna realidade. No entanto, assim que chegam a Caraval, nada acontece como esperavam. Legend, o Mestre de Caraval, sequestra Tella, e Scarlett vê-se obrigada a entrar num perigoso jogo de amor, sonhos, meias-verdades e magia, em que nada é o que parece. Realidade ou não, ela dispõe apenas de cinco noites para decifrar todas as pistas que conduzem até à irmã, ou Tella desaparecerá para sempre...
Opinião:
Entre os sonhos mais belos e os pesadelos mais terríveis acontece Caraval. Este é um jogo que desafia a imaginação de quem se propõe jogar e de quem se atreve a pegar neste livro. Também os leitores são levados para uma aventura impressionante, onde é difícil distinguir o que é verdade do que é manipulado, onde se desconfia de todas as figuras que aparecem, onde o belo depressa se transforma em horrendo. O resultado é esta aventura de autoria de Stephanie Garber.
Quando comecei a ler Caraval, senti-me interessada na história, mas também com receio de que se revela-se um drama adolescente focado na descoberta das relações e não na aventura em si. Felizmente a autora conseguiu surpreender-me ao apresentar uma história que agarra e se vai tornando cada vez mais viciante. Scarlett e a irmã têm personalidades opostas, mas são unidas pelo amor que sentem uma pela outra e pela vontade de se protegerem mutuamente, mesmo quando tal não parece evidente. E é esta união que vai despoletar os acontecimentos emocionantes destas páginas.
Scarlett. a protagonista, é a filha mais velha, aquela que se sente responsável pela irmã a partir do momento em que deixa de haver uma figura materna em casa. Tella é a rebelde que tenta ultrapassar os limites de modo a encontrar o lugar onde se sentirá realmente feliz. As opiniões e as escolhas de ambas chocam, mas é curioso perceber que o objectivo de ambas é o mesmo. O ambiente familiar em que vivem é aterrorizante, fazendo pensar que o poder e dinheiro de uma família não significa segurança e liberdade. Perante esta opressão, Scarlett sonha apenas com segurança para ela e para a irmã... e com Caraval.
Caraval pode parecer representar a magia e inocência da infância, mas a verdade é que tal é apenas uma ideia superficial. Este jogo comandado pela figura misteriosa de Legend encerra grandes segredos e acaba por deixar vir ao de cima o melhor e pior de cada jogador. Esta competição é a prova de que cada desejo tem um preço e que existem valores superiores aos que podem ser pagos com dinheiro. Realizado à noite, altura em que as inibições caem por terra, Caraval é segredo e sedução. Mistério, encantamento, terror e desespero.
Quando chega ao jogo, Scarlett recebe uma folha com pistas, tal como qualquer outro jogador. Gostei que estas dicas não fossem evidentes, sendo que praticamente todas apenas são compreendidas no momento em que são desvendadas. O facto de haver uma dúvida constante acerca dos passos a dar e sobre as verdadeiras intenções de todas as personagens que vão aparecendo tornam a leitura mais aliciante. A nossa ideia sobre determinada situação ou ideia está sempre a ser alterada, sendo que apenas no final surgem respostas e todo o jogo é compreendido.
Tal como seria de esperar tendo em conta o género do livro, existe um romance que envolve a protagonista. Felizmente este tópico não predomina na história, pois alguns dos momentos menos envolventes da obra estão ligados a ele. Não é que não exista química entre as personagens, pois existe, mas preferia que o centro fosse mesmo a relação das irmãs e o desafio de Caraval em si. Só compreendemos quem é Julian mesmo no final, e custa aceitar que uma jovem tão reservada se tenha deixado cair de amores tão rapidamente por alguém que sabe não poder confiar devido às circunstâncias do desafio.
As descrições não são exageradas e deixam perceber bem a beleza desta ilha e de todo o que a envolve. O espaço do jogo, a fazer lembrar uma Veneza fantástica, misteriosa e mágica faz-nos desejar deambular por aquele espaço e conhecer os actores contratados para embelezar e dar vida a Caraval. A mística que envolve a competição e Legend está muito bem construída, fazendo-nos duvidar constantemente do que é real e o que é lenda.
As derradeiras páginas de Caraval são as mais fortes e fazem desejar ler o volume que se segue. É verdade que este livro pode ser lido sem ser necessário esperar a continuação para se compreender a história principal, mas existem ideias no ar que prometem que ainda há muito por onde explorar. Uma leitura que me agradou e proporcionou bons momentos. Se gostam de mistérios e de magia, também não podem perder.
Autor: Stephanie Garber
Tradução: Maria José Figueiredo
ISBN: 9789722361675
Editora: Editorial Presença (2018)
Sinopse:
Scarlett Dragna nunca saiu da pequena ilha onde ela e a irmã, Tella, vivem sob a vigilância do seu poderoso e cruel pai. Scarlett sempre teve o desejo de assistir aos jogos anuais de Caraval. Caraval é magia, mistério, aventura. E, tanto para Scarlett como para Tella, representa uma forma de fugirem de casa do pai. Quando surge o convite para assistir aos jogos, parece que o desejo de Scarlett se torna realidade. No entanto, assim que chegam a Caraval, nada acontece como esperavam. Legend, o Mestre de Caraval, sequestra Tella, e Scarlett vê-se obrigada a entrar num perigoso jogo de amor, sonhos, meias-verdades e magia, em que nada é o que parece. Realidade ou não, ela dispõe apenas de cinco noites para decifrar todas as pistas que conduzem até à irmã, ou Tella desaparecerá para sempre...
Opinião:
Entre os sonhos mais belos e os pesadelos mais terríveis acontece Caraval. Este é um jogo que desafia a imaginação de quem se propõe jogar e de quem se atreve a pegar neste livro. Também os leitores são levados para uma aventura impressionante, onde é difícil distinguir o que é verdade do que é manipulado, onde se desconfia de todas as figuras que aparecem, onde o belo depressa se transforma em horrendo. O resultado é esta aventura de autoria de Stephanie Garber.
Quando comecei a ler Caraval, senti-me interessada na história, mas também com receio de que se revela-se um drama adolescente focado na descoberta das relações e não na aventura em si. Felizmente a autora conseguiu surpreender-me ao apresentar uma história que agarra e se vai tornando cada vez mais viciante. Scarlett e a irmã têm personalidades opostas, mas são unidas pelo amor que sentem uma pela outra e pela vontade de se protegerem mutuamente, mesmo quando tal não parece evidente. E é esta união que vai despoletar os acontecimentos emocionantes destas páginas.
Scarlett. a protagonista, é a filha mais velha, aquela que se sente responsável pela irmã a partir do momento em que deixa de haver uma figura materna em casa. Tella é a rebelde que tenta ultrapassar os limites de modo a encontrar o lugar onde se sentirá realmente feliz. As opiniões e as escolhas de ambas chocam, mas é curioso perceber que o objectivo de ambas é o mesmo. O ambiente familiar em que vivem é aterrorizante, fazendo pensar que o poder e dinheiro de uma família não significa segurança e liberdade. Perante esta opressão, Scarlett sonha apenas com segurança para ela e para a irmã... e com Caraval.
Caraval pode parecer representar a magia e inocência da infância, mas a verdade é que tal é apenas uma ideia superficial. Este jogo comandado pela figura misteriosa de Legend encerra grandes segredos e acaba por deixar vir ao de cima o melhor e pior de cada jogador. Esta competição é a prova de que cada desejo tem um preço e que existem valores superiores aos que podem ser pagos com dinheiro. Realizado à noite, altura em que as inibições caem por terra, Caraval é segredo e sedução. Mistério, encantamento, terror e desespero.
Quando chega ao jogo, Scarlett recebe uma folha com pistas, tal como qualquer outro jogador. Gostei que estas dicas não fossem evidentes, sendo que praticamente todas apenas são compreendidas no momento em que são desvendadas. O facto de haver uma dúvida constante acerca dos passos a dar e sobre as verdadeiras intenções de todas as personagens que vão aparecendo tornam a leitura mais aliciante. A nossa ideia sobre determinada situação ou ideia está sempre a ser alterada, sendo que apenas no final surgem respostas e todo o jogo é compreendido.
Tal como seria de esperar tendo em conta o género do livro, existe um romance que envolve a protagonista. Felizmente este tópico não predomina na história, pois alguns dos momentos menos envolventes da obra estão ligados a ele. Não é que não exista química entre as personagens, pois existe, mas preferia que o centro fosse mesmo a relação das irmãs e o desafio de Caraval em si. Só compreendemos quem é Julian mesmo no final, e custa aceitar que uma jovem tão reservada se tenha deixado cair de amores tão rapidamente por alguém que sabe não poder confiar devido às circunstâncias do desafio.
As descrições não são exageradas e deixam perceber bem a beleza desta ilha e de todo o que a envolve. O espaço do jogo, a fazer lembrar uma Veneza fantástica, misteriosa e mágica faz-nos desejar deambular por aquele espaço e conhecer os actores contratados para embelezar e dar vida a Caraval. A mística que envolve a competição e Legend está muito bem construída, fazendo-nos duvidar constantemente do que é real e o que é lenda.
As derradeiras páginas de Caraval são as mais fortes e fazem desejar ler o volume que se segue. É verdade que este livro pode ser lido sem ser necessário esperar a continuação para se compreender a história principal, mas existem ideias no ar que prometem que ainda há muito por onde explorar. Uma leitura que me agradou e proporcionou bons momentos. Se gostam de mistérios e de magia, também não podem perder.
sábado, 24 de março de 2018
terça-feira, 20 de março de 2018
Opinião: Aceitação (Trilogia Área X #3)
Título Original: Acceptance (2014)
Autor: Jeff Vandermeer
Tradução: Casimiro da Piedade
ISBN: 9789897730955
Editora: Saída de Emergência (2018)
Sinopse:
Será que há finalmente respostas para os mistérios da Área X?
O inverno chegou à Área X, a misteriosa zona que desafia toda a lógica há mais de trinta anos e que tem resistido a inúmeras expedições que procuram desvendar os seus segredos.
À medida que a Área X se expande, a agência responsável por investigá-la colapsa e mergulha no caos. Cabe a uma última e desesperada equipa atravessar a fronteira e alcançar a ilha remota que pode conter as respostas ao enigma. Se falharem, o mundo vai sucumbir à devastação que não para de alastrar.
Neste último volume, a verdade sobre a criação da Área X poderá ser revelada, bem como os eventos e protagonistas que originaram a sua contaminação. Mas estarão os membros da equipa preparados para as implicações aterradoras e profundas dessas revelações?
Opinião:
Chegou ao fim uma das trilogias de ficção científica mais inquietantes da actualidade. Não se pode dizer que esta seja uma obra fácil de compreender na sua totalidade. Requer uma leitura cuidada, atenta, assim como espírito crítico e capacidade de entender a crítica do autor. Mas certo é que nos faz reflectir sobre o nosso papel neste mundo, sobre o como a sociedade o está a corromper, sobre como tudo é fugaz, como a mudança é inevitável e não pode ser travada.
Aceitação conclui a Trilogia Área X de forma inesperada. Apesar de os dois primeiros volumes tratarem do mesmo assunto, apresentam-no de uma forma completamente diferente. Agora, neste último livro, o autor consegue juntar todos os pontos de vista num desfecho apropriado, mas que dificilmente conseguiria prever. Gostei que o autor mistura-se as personagens e também os tempos da narrativa, de forma a fornecer-nos uma visão geral do que aconteceu no início de tudo, justificando assim o fim escolhido.
Ao longo destas páginas, acompanhamos o ponto de vista de quatro personagens. Três delas são já nossas conhecidas, sendo que a quarta, apesar de nova, é também uma figura já mencionada que finalmente se revela e nos fornece informações importantes para compreender a origem da Área X. Achei curiosas as ligações que o autor fez entre algumas personagens, assim como também apreciei o facto de o estilo de escrita mudar com uma destas figuras. Sinto que estas opções tornaram a leitura mais rica.
As descrições continuam a ter um papel muito forte na narrativa deste volume, o que pode causar algum desconforto. São momentos longos, que precisam de atenção para se entender o que o autor quer transmitir, quer seja no espaço como na exploração das personagens. Ao longo da história surgem criaturas, paisagens ou circunstâncias muito fora do comum, nem sempre sendo fácil imaginar com facilidade tudo o que nos é transmitido. Certo é que, mesmo com algumas dificuldades, surgem na nossa mente imagens invulgares e muitas vezes perturbadoras, levando-nos a pensar sobre o limite entre o belo e o horrendo, o equilíbrio e o caos. Um verdadeiro exercício mental.
A Área X acaba por ser uma chamada de atenção para com a forma como o ser humano se relaciona com o mundo. Cada personagem representa uma forma diferente de o fazer. As questões ambientais estão claramente em causa, sendo possível perceber a preocupação do autor para com as alterações que se estão a operar no nosso planeta devido à acção do Homem. Jeff Vandermeer recorda-nos que nós não existimos em separado da natureza, que fazemos parte dela e somos dependentes dela. Devemos preocupar-nos com a forma como cuidados do planeta, pois as mudanças inevitáveis vão atingir-nos a alterar a forma como vivemos. Resta saber até que ponto...
É uma obra que causa estranheza, mas é também uma obra difícil de comparar com qualquer outra. Tem identidade própria, é diferente de tudo o resto, marca e ocupa um lugar próprio. Jeff Vandermeer teve a ousadia de se inspirar num sonho que teve para criar um mundo novo e apresentar uma possibilidade de futuro. Existem emoções fortes e revelações inesperadas, o que, juntamente com as descrições, conseguem deixar-nos algo perturbados. Uma obra marcante que merece ser tida em conta.
Outras opiniões a livros de Jeff Vandermeer:
Aniquilação (Trilogia Área X #1)
Autoridade (Trilogia Área X #2)
Autor: Jeff Vandermeer
Tradução: Casimiro da Piedade
ISBN: 9789897730955
Editora: Saída de Emergência (2018)
Sinopse:
Será que há finalmente respostas para os mistérios da Área X?
O inverno chegou à Área X, a misteriosa zona que desafia toda a lógica há mais de trinta anos e que tem resistido a inúmeras expedições que procuram desvendar os seus segredos.
À medida que a Área X se expande, a agência responsável por investigá-la colapsa e mergulha no caos. Cabe a uma última e desesperada equipa atravessar a fronteira e alcançar a ilha remota que pode conter as respostas ao enigma. Se falharem, o mundo vai sucumbir à devastação que não para de alastrar.
Neste último volume, a verdade sobre a criação da Área X poderá ser revelada, bem como os eventos e protagonistas que originaram a sua contaminação. Mas estarão os membros da equipa preparados para as implicações aterradoras e profundas dessas revelações?
Opinião:
Chegou ao fim uma das trilogias de ficção científica mais inquietantes da actualidade. Não se pode dizer que esta seja uma obra fácil de compreender na sua totalidade. Requer uma leitura cuidada, atenta, assim como espírito crítico e capacidade de entender a crítica do autor. Mas certo é que nos faz reflectir sobre o nosso papel neste mundo, sobre o como a sociedade o está a corromper, sobre como tudo é fugaz, como a mudança é inevitável e não pode ser travada.
Aceitação conclui a Trilogia Área X de forma inesperada. Apesar de os dois primeiros volumes tratarem do mesmo assunto, apresentam-no de uma forma completamente diferente. Agora, neste último livro, o autor consegue juntar todos os pontos de vista num desfecho apropriado, mas que dificilmente conseguiria prever. Gostei que o autor mistura-se as personagens e também os tempos da narrativa, de forma a fornecer-nos uma visão geral do que aconteceu no início de tudo, justificando assim o fim escolhido.
Ao longo destas páginas, acompanhamos o ponto de vista de quatro personagens. Três delas são já nossas conhecidas, sendo que a quarta, apesar de nova, é também uma figura já mencionada que finalmente se revela e nos fornece informações importantes para compreender a origem da Área X. Achei curiosas as ligações que o autor fez entre algumas personagens, assim como também apreciei o facto de o estilo de escrita mudar com uma destas figuras. Sinto que estas opções tornaram a leitura mais rica.
As descrições continuam a ter um papel muito forte na narrativa deste volume, o que pode causar algum desconforto. São momentos longos, que precisam de atenção para se entender o que o autor quer transmitir, quer seja no espaço como na exploração das personagens. Ao longo da história surgem criaturas, paisagens ou circunstâncias muito fora do comum, nem sempre sendo fácil imaginar com facilidade tudo o que nos é transmitido. Certo é que, mesmo com algumas dificuldades, surgem na nossa mente imagens invulgares e muitas vezes perturbadoras, levando-nos a pensar sobre o limite entre o belo e o horrendo, o equilíbrio e o caos. Um verdadeiro exercício mental.
A Área X acaba por ser uma chamada de atenção para com a forma como o ser humano se relaciona com o mundo. Cada personagem representa uma forma diferente de o fazer. As questões ambientais estão claramente em causa, sendo possível perceber a preocupação do autor para com as alterações que se estão a operar no nosso planeta devido à acção do Homem. Jeff Vandermeer recorda-nos que nós não existimos em separado da natureza, que fazemos parte dela e somos dependentes dela. Devemos preocupar-nos com a forma como cuidados do planeta, pois as mudanças inevitáveis vão atingir-nos a alterar a forma como vivemos. Resta saber até que ponto...
É uma obra que causa estranheza, mas é também uma obra difícil de comparar com qualquer outra. Tem identidade própria, é diferente de tudo o resto, marca e ocupa um lugar próprio. Jeff Vandermeer teve a ousadia de se inspirar num sonho que teve para criar um mundo novo e apresentar uma possibilidade de futuro. Existem emoções fortes e revelações inesperadas, o que, juntamente com as descrições, conseguem deixar-nos algo perturbados. Uma obra marcante que merece ser tida em conta.
Outras opiniões a livros de Jeff Vandermeer:
Aniquilação (Trilogia Área X #1)
Autoridade (Trilogia Área X #2)
segunda-feira, 19 de março de 2018
Opinião: Os Viajantes (#2)
Título Original: Wayfarer (2017)
Autor: Alexandra Bracken
Tradução: Hugo Gonçalves
ISBN: 9789897543449
Editora: Marcador (2018)
Sinopse:
Etta Spencer não sabia que era uma viajante até ao dia em que emergiu a quilómetros e a anos da sua casa. Agora que lhe roubaram o objeto poderoso que era a sua única esperança de salvar a mãe, Etta encontra-se presa mais uma vez, longe do seu tempo e de Nichola, corsário do século XVIII por quem se apaixonou.
Quando se vê no coração do inimigo, promete terminar o que começou e destruí-lo de uma vez por todas. Mas é surpreendida com uma revelação bombástica sobre quem é o seu pai. De repente, questionando tudo pelo que lutou, Etta tem de escolher um caminho que poderá transformar o seu futuro.
Opinião:
Fiquei tão bem surpreendida com Os Passageiros do Tempo que tive de ler a sequela dessa história. Alexandra Bracken continua a aventura de Etta e Nichola em Os Viajantes, livro que acaba por ser mais cativante do que o primeiro. Já conhecemos a maior parte das personagens importantes desta aventura e já sabemos como funcionam as viagens no tempo, por isso, agora é o momento para explorar as intrigas e viver novas aventuras.
Este volume começa no momento em que o primeiro terminou. Como tal, tempos as duas personagens principais separadas não só no espaço como no tempo, ligadas apenas pelos sentimentos que nutrem uma pela outra. Devido a esta separação, a autora vai intercalando capítulos para nos contar o que está a acontecer a Etta e depois a Nicholas. Senti-me sempre agarrada ao livro, pois assim que terminava um capítulo de Etta queria saber mais sobre o que viria a seguir, mas primeiro teria de ler páginas dedicadas a Nicholas. E depois acontecia-me o contrário! Conclusão, estava sempre entusiasmada com a história.
É verdade que ao longo da narrativa existem alguns momentos mais parados ou até não tão apelativos, mas o facto de saber que a outra personagem estava a viver um momento intenso não me fazia sentir desmotivada pela leitura. Alexandra Bracken conseguiu intercalar bem estes momentos, de forma a não acontecerem em simultâneo a Etta e a Nicholas. Assim sendo, a leitura acabou sempre por fluir com um bom ritmo, não fazendo perder o interesse.
Confesso que Etta e Nicholas não foram as personagens que mais me cativaram. Eles são aqueles típicos protagonistas de grandes valores e que tentam sempre fazer tudo pelo bem comum. Isso é bom, mas acaba por ser desinteressante em certos momentos. Felizmente eles estavam sempre envolvidos em situações intensas ou rodeados por figuras mais carismáticas e capazes de marcar pela diferença. O carisma e galanteio de Julian, tal como a impulsividade e força de Sophia acabaram por me conquistar e fazer destas personagens as minhas preferidas. Li Min foi uma figura que surgiu de novo e que acabou por nos revelar um outro lado dos viajantes do tempo, o que se tornou muito curioso.
É curioso que, com tantas viagens no tempo e com a descoberta de novas figuras a percepção dos nossos heróis sobre outras pessoas acaba por ser alterada. Gostei especialmente que os pais de Etta, Henry e Rose, não nos serem sempre apresentados da mesma forma. Estamos sempre a duvidar do verdadeiro carácter e dos objectivos de cada um, o que aumenta o mistério da obra e aguça a curiosidade.
As viagens voltam a ser impressionantes e a dar-nos pontos de vista diferentes sobre os locais e as épocas visitadas pelos nossos protagonistas. É engraçado assistir ao contraste entre períodos mais modernos com outros mais antigos, tal como entre culturas completamente distintas. As descrições da autora transportam-nos para cada um destes lugares de forma exemplar, sendo fácil captar os diferentes ambientes.
É sempre fantástico quando um livro não fica abaixo das nossas expectativas. Os Viajantes não decepciona os fãs do primeiro volume, muito pelo contrário. Um livro original, com muita intriga, onde nem tudo o que parece é. As personagens são fantásticas de descobrir e a aventura é maravilhosa, levando-nos a viajar pelo mundo e por épocas. Uma obra a não perder por quem gosta de intriga, mistério e, claro, viagens no tempo.
Outras opiniões a livros de Alexandra Bracken:
Os Passageiros do Tempo
Autor: Alexandra Bracken
Tradução: Hugo Gonçalves
ISBN: 9789897543449
Editora: Marcador (2018)
Sinopse:
Etta Spencer não sabia que era uma viajante até ao dia em que emergiu a quilómetros e a anos da sua casa. Agora que lhe roubaram o objeto poderoso que era a sua única esperança de salvar a mãe, Etta encontra-se presa mais uma vez, longe do seu tempo e de Nichola, corsário do século XVIII por quem se apaixonou.
Quando se vê no coração do inimigo, promete terminar o que começou e destruí-lo de uma vez por todas. Mas é surpreendida com uma revelação bombástica sobre quem é o seu pai. De repente, questionando tudo pelo que lutou, Etta tem de escolher um caminho que poderá transformar o seu futuro.
Opinião:
Fiquei tão bem surpreendida com Os Passageiros do Tempo que tive de ler a sequela dessa história. Alexandra Bracken continua a aventura de Etta e Nichola em Os Viajantes, livro que acaba por ser mais cativante do que o primeiro. Já conhecemos a maior parte das personagens importantes desta aventura e já sabemos como funcionam as viagens no tempo, por isso, agora é o momento para explorar as intrigas e viver novas aventuras.
Este volume começa no momento em que o primeiro terminou. Como tal, tempos as duas personagens principais separadas não só no espaço como no tempo, ligadas apenas pelos sentimentos que nutrem uma pela outra. Devido a esta separação, a autora vai intercalando capítulos para nos contar o que está a acontecer a Etta e depois a Nicholas. Senti-me sempre agarrada ao livro, pois assim que terminava um capítulo de Etta queria saber mais sobre o que viria a seguir, mas primeiro teria de ler páginas dedicadas a Nicholas. E depois acontecia-me o contrário! Conclusão, estava sempre entusiasmada com a história.
É verdade que ao longo da narrativa existem alguns momentos mais parados ou até não tão apelativos, mas o facto de saber que a outra personagem estava a viver um momento intenso não me fazia sentir desmotivada pela leitura. Alexandra Bracken conseguiu intercalar bem estes momentos, de forma a não acontecerem em simultâneo a Etta e a Nicholas. Assim sendo, a leitura acabou sempre por fluir com um bom ritmo, não fazendo perder o interesse.
Confesso que Etta e Nicholas não foram as personagens que mais me cativaram. Eles são aqueles típicos protagonistas de grandes valores e que tentam sempre fazer tudo pelo bem comum. Isso é bom, mas acaba por ser desinteressante em certos momentos. Felizmente eles estavam sempre envolvidos em situações intensas ou rodeados por figuras mais carismáticas e capazes de marcar pela diferença. O carisma e galanteio de Julian, tal como a impulsividade e força de Sophia acabaram por me conquistar e fazer destas personagens as minhas preferidas. Li Min foi uma figura que surgiu de novo e que acabou por nos revelar um outro lado dos viajantes do tempo, o que se tornou muito curioso.
É curioso que, com tantas viagens no tempo e com a descoberta de novas figuras a percepção dos nossos heróis sobre outras pessoas acaba por ser alterada. Gostei especialmente que os pais de Etta, Henry e Rose, não nos serem sempre apresentados da mesma forma. Estamos sempre a duvidar do verdadeiro carácter e dos objectivos de cada um, o que aumenta o mistério da obra e aguça a curiosidade.
As viagens voltam a ser impressionantes e a dar-nos pontos de vista diferentes sobre os locais e as épocas visitadas pelos nossos protagonistas. É engraçado assistir ao contraste entre períodos mais modernos com outros mais antigos, tal como entre culturas completamente distintas. As descrições da autora transportam-nos para cada um destes lugares de forma exemplar, sendo fácil captar os diferentes ambientes.
É sempre fantástico quando um livro não fica abaixo das nossas expectativas. Os Viajantes não decepciona os fãs do primeiro volume, muito pelo contrário. Um livro original, com muita intriga, onde nem tudo o que parece é. As personagens são fantásticas de descobrir e a aventura é maravilhosa, levando-nos a viajar pelo mundo e por épocas. Uma obra a não perder por quem gosta de intriga, mistério e, claro, viagens no tempo.
Outras opiniões a livros de Alexandra Bracken:
Os Passageiros do Tempo
quinta-feira, 15 de março de 2018
Opinião: A Profecia Negra (As Provações de Apolo #2)
Título Original: The Dark Prophecy (2017)
Autor: Rick Riordan
Tradução: Nuno Bombarda de Sá
ISBN: 9789897770111
Editora: Planeta (2018)
Sinopse:
Toda a gente sabe que não se pode meter com Zeus, mas o filho Apolo parece não perceber...
Para castigar Apolo, o deus do Olimpo, Zeus, decide enviá-lo para a Terra, transformado no adolescente Lester. Sem a sua beleza anterior, Apolo vê-se transformado num rapaz cheio de borbulhas, feio e trapalhão... e claro sem poderes!
A única forma que tem de regressar ao Olimpo é devolver a luz às profecias dos oráculos. Mas o que poderá fazer um Apolo sem poderes?
Opinião:
Sim, Rick Riordan escreve livros destinados a um público mais jovem, com histórias cujo final é sempre previsível e personagens muitas vezes imaturas. Contudo, eu continuo a adorar ler estes livros. O motivo? São muito divertidos e dão uma visão original da mitologia sobre a qual se inspira. Nesta nova série, "As Provações de Apolo", o autor pega num deus bastante conhecida do Olimpo e coloca-o no meio de uma aventura de heróis e semideuses. O resultado é refrescante quando comparado com todos os outros livros.
Em A Profecia Negra, voltamos a acompanhar Apolo na sua demanda desesperada por obter o perdão de Zeus e recuperar a sua condição divina. Esta personagem continua a ser hilariante, mas nota-se algum crescimento, nomeadamente o aparecimento de vestígios de compaixão e um leve toque de altruísmo. Gosto dos momentos em que Apolo mais parece uma diva, chocada por não ser constantemente louvada e agraciada. Os seus confrontos com figuras míticas enquanto adolescente desajustado continuam a resultar apesar de este ser o segundo volume das suas aventuras.
Rick Riordan não deixa este protagonista sozinho na sua demanda, recuperando personagens que fizeram sucesso em obras anteriores. Desta vez Percy Jackson não aparece, apesar de ser mencionado, mas há outros nomes queridos que têm um papel fundamental nesta narrativa. Além disso, claro que surgem novas personagens, sendo impressionante pensar como ainda existem figuras históricas ou mitológicas não retratadas por este autor nas suas muitas aventuras que surgem de novo neste livro. A inclusão de casais não heterossexuais e a própria definição da orientação sexual de Apolo são também uma boas opções, pois é algo feito sem preconceitos.
Gosto da ideia de vilão desta trilogia, diferente do que acontecia nos livros passados. Apesar de muitas vezes surgir como sátira, a verdade é que o autor, no seu modo divertido, continua a conseguir dar-nos algumas informações histórias. Gostei de saber um pouco mais sobre alguns dos imperadores de Roma. Apesar de não haver descrições detalhadas, Rick Riodan aguça a curiosidade e levou-me a pesquisar sobre estas figuras.
O desenrolar dos acontecimento é muito rápido, o que proporciona uma leitura ritmada. Não posso dizer que a trama seja imprevisível, pois, apesar dos perigos, temos sempre a certeza de que os nossos heróis vão conseguir superar todos os obstáculos. Não existe em qualquer momento uma verdadeira sensação de perigo, sendo que a nossa curiosidade vai para o modo como as personagens superam as adversidades. Continua a existir muito humor, quer seja pelos diálogos como pelas situações em si.
A Profecia Negra mantém as características das aventuras criadas por Rick Riordan. É verdade que em muitos momentos gostaria de ser realmente surpreendida com reviravoltas diferentes, mas este livro é um dos mais previsíveis do autor. Ainda assim, consegue divertir e proporcionar momentos agradáveis. É que além do humor e das pequenas sementes de curiosidade sobre a época grega e romana que o autor nos deixa, há ainda uma reflexão sobre o que é amizade e o que nos leva a sacrificar pelos outros. Fica o desejo de continuar a acompanhar esta saga.
Outras opiniões a livros de Rick Riordan:
Percy Jackson e a Maldição do Titã (Percy Jackson #3)
Percy Jackson e o Último Olimpiano (Percy Jackson #5)
O Herói Desaparecido (Os Heróis do Olimpo #1)
O Filho de Neptuno (Os Heróis do Olimpo #2)
A Marca de Atena (Os Heróis do Olimpo #3)
A Casa de Hades (Os Heróis do Olimpo #4)
O Sangue do Olimpo (Os Heróis do Olimpo #5)
A Pirâmide Vermelha (Crónicas de Kane #1)
O Trono de Fogo (Crónicas de Kane #2)
O Oráculo Escondido (As Provações de Apolo #1)
Autor: Rick Riordan
Tradução: Nuno Bombarda de Sá
ISBN: 9789897770111
Editora: Planeta (2018)
Sinopse:
Toda a gente sabe que não se pode meter com Zeus, mas o filho Apolo parece não perceber...
Para castigar Apolo, o deus do Olimpo, Zeus, decide enviá-lo para a Terra, transformado no adolescente Lester. Sem a sua beleza anterior, Apolo vê-se transformado num rapaz cheio de borbulhas, feio e trapalhão... e claro sem poderes!
A única forma que tem de regressar ao Olimpo é devolver a luz às profecias dos oráculos. Mas o que poderá fazer um Apolo sem poderes?
Opinião:
Sim, Rick Riordan escreve livros destinados a um público mais jovem, com histórias cujo final é sempre previsível e personagens muitas vezes imaturas. Contudo, eu continuo a adorar ler estes livros. O motivo? São muito divertidos e dão uma visão original da mitologia sobre a qual se inspira. Nesta nova série, "As Provações de Apolo", o autor pega num deus bastante conhecida do Olimpo e coloca-o no meio de uma aventura de heróis e semideuses. O resultado é refrescante quando comparado com todos os outros livros.
Em A Profecia Negra, voltamos a acompanhar Apolo na sua demanda desesperada por obter o perdão de Zeus e recuperar a sua condição divina. Esta personagem continua a ser hilariante, mas nota-se algum crescimento, nomeadamente o aparecimento de vestígios de compaixão e um leve toque de altruísmo. Gosto dos momentos em que Apolo mais parece uma diva, chocada por não ser constantemente louvada e agraciada. Os seus confrontos com figuras míticas enquanto adolescente desajustado continuam a resultar apesar de este ser o segundo volume das suas aventuras.
Rick Riordan não deixa este protagonista sozinho na sua demanda, recuperando personagens que fizeram sucesso em obras anteriores. Desta vez Percy Jackson não aparece, apesar de ser mencionado, mas há outros nomes queridos que têm um papel fundamental nesta narrativa. Além disso, claro que surgem novas personagens, sendo impressionante pensar como ainda existem figuras históricas ou mitológicas não retratadas por este autor nas suas muitas aventuras que surgem de novo neste livro. A inclusão de casais não heterossexuais e a própria definição da orientação sexual de Apolo são também uma boas opções, pois é algo feito sem preconceitos.
Gosto da ideia de vilão desta trilogia, diferente do que acontecia nos livros passados. Apesar de muitas vezes surgir como sátira, a verdade é que o autor, no seu modo divertido, continua a conseguir dar-nos algumas informações histórias. Gostei de saber um pouco mais sobre alguns dos imperadores de Roma. Apesar de não haver descrições detalhadas, Rick Riodan aguça a curiosidade e levou-me a pesquisar sobre estas figuras.
O desenrolar dos acontecimento é muito rápido, o que proporciona uma leitura ritmada. Não posso dizer que a trama seja imprevisível, pois, apesar dos perigos, temos sempre a certeza de que os nossos heróis vão conseguir superar todos os obstáculos. Não existe em qualquer momento uma verdadeira sensação de perigo, sendo que a nossa curiosidade vai para o modo como as personagens superam as adversidades. Continua a existir muito humor, quer seja pelos diálogos como pelas situações em si.
A Profecia Negra mantém as características das aventuras criadas por Rick Riordan. É verdade que em muitos momentos gostaria de ser realmente surpreendida com reviravoltas diferentes, mas este livro é um dos mais previsíveis do autor. Ainda assim, consegue divertir e proporcionar momentos agradáveis. É que além do humor e das pequenas sementes de curiosidade sobre a época grega e romana que o autor nos deixa, há ainda uma reflexão sobre o que é amizade e o que nos leva a sacrificar pelos outros. Fica o desejo de continuar a acompanhar esta saga.
Outras opiniões a livros de Rick Riordan:
Percy Jackson e a Maldição do Titã (Percy Jackson #3)
Percy Jackson e o Último Olimpiano (Percy Jackson #5)
O Herói Desaparecido (Os Heróis do Olimpo #1)
O Filho de Neptuno (Os Heróis do Olimpo #2)
A Marca de Atena (Os Heróis do Olimpo #3)
A Casa de Hades (Os Heróis do Olimpo #4)
O Sangue do Olimpo (Os Heróis do Olimpo #5)
A Pirâmide Vermelha (Crónicas de Kane #1)
O Trono de Fogo (Crónicas de Kane #2)
O Oráculo Escondido (As Provações de Apolo #1)
sábado, 10 de março de 2018
segunda-feira, 5 de março de 2018
Opinião: Boneca de Trapos
Título Original: Ragdoll (2017)
Autor: Daniel Cole
Tradução: José Remelhe
ISBN: 9789896652920
Editora: Suma de Letras (2018)
Sinopse:
William Fawkes, um controverso detetive conhecido por «Wolf», acabou de ser reintegrado no seu posto após ter sido suspenso por agressão a um suspeito. Ainda sob avaliação psicológica, Fawkes regressa ao ativo, ansioso por um caso importante. se encontra com a sua antiga colega e amiga, a inspetora Emily Baxter, num local de crime, tem a certeza de que é aquele o grande caso: o corpo que encontram é formado pelos membros de seis vítimas, suturados de modo a formar uma marioneta, que ficou conhecida como «Boneca de Trapos». Fawkes é incumbido de identificar as seis vítimas, mas tudo se complica quando a sua ex-mulher, que é repórter, recebe uma carta anónima com fotografias do local do crime, acompanhada de uma lista na qual constam os nomes de seis pessoas e as datas em que o homicida tenciona assassiná-las. O último nome da lista é o de Fawkes. A sentença de morte com data marcada desperta as memórias mais sombrias de Wolf. O detetive teme que os assassinatos tenham mais a ver com ele — e com o seu passado — do que qualquer um possa imaginar.
Opinião:
Crimes horríveis, um assassino que é um mistério, um detective atormentado pelo passado e um grupo de inspectores que tentam dar o melhor no seu trabalho enquanto cada um lida com os seus próprios demónios pessoais. O resultado desta junção? Boneca de Trapos, um thriller que cativa, choca e nos impele para uma aventura impressionante. É que neste livro não queremos apenas apanhar o criminoso e descobrir o que o motivou. Desejamos também descortinar as personagens que trabalham para o lado da Lei.
O prólogo deste livro leva-nos para uma situação que, numa primeira análise, parece não ter qualquer ligação com os crimes principais deste livro. Nestas primeiras páginas conhecemos William Fawkes, também conhecido por Wolf, o detective protagonista desta obra. A situação em que ele se encontra deixa-nos perceber que está no limite do desespero. Como tal, anos após estes eventos, é com alguma relutância que alguns dos seus colegas o aceitam numa nova e macabra investigação.
Wolf é uma personagem que vai sendo desconstruída ao longo das páginas deste livro. Ao início, temos a ideia de um homem dedicado à profissão, que perdeu tudo devido à obsessão por um caso e que agora quer provar que ainda tem muito para dar. Mas Wolf é muito mais do que isso. Este protagonista pouco convencional pode não criar empatia imediata, mas apela à nossa curiosidade e surpreende à medida que se vai revelando. O homem forte dá lugar a uma figura destruída e que procura salvação. Os métodos que encontra para alcançar os seus desejos criam dúvidas e fazem-nos pensar sobre até onde podemos transpor limites sem condenarmos o que temos de bom.
Se é verdade que Wolf é uma personagem forte, o mesmo podemos dizer das figuras secundárias. Destaco Baxter, que sugere ser uma simples colega de Wolf para se revelar uma figura que usa a máscara de mulher forte para ocultar as suas inseguranças e fraquezas. Edmunds, o novato menosprezado que pretende provar o seu valor, ainda que isso coloque em causa a vida familiar. Finlay, o mentor que parece ser um pilar fundamental de todo o grupo e traz algumas lufadas de ar fresco nos momentos mais pesados. Andrea, a ex-mulher que também é uma jornalista ambiciosa e disposta a tudo para conquistar o lugar que acredita merecer. Todas estas personagens não são básicas e conseguem impressionar, mesmo que não concordemos com os seus métodos ou motivações.
A sensação de perigo é constante. Ao mesmo tempo que queremos perceber a morte de seis pessoas inicialmente anónimas, estamos sempre na expectativa de descobrir o que liga cada uma daquelas figuras e que é o seu assassino. E como se tal não bastasse, surge ainda uma lista de futuras vítimas, com a data de morte de cada uma. Como tal, a tensão aumenta de página para página, ao mesmo tempo que mais mortes acontecem, de forma completamente incompreensível e sem que as forças policiais consigam fazer nada para contornar esta situação. Tudo isto faz o suspense aumentar e leva o nosso protagonista a voltar a entrar numa espiral de aflição. E é este desespero que faz com que cada uma das personagens revele o tem de pior.
O encadeamento dos acontecimentos faz com que o interesse na leitura não se perca, ainda que o ritmo, muitas vezes, seja mais lento do que o desejado. Este é um livro com muitas personagens, logo existem diversas figuras a conhecer bem, de modo a ser possível entender a narrativa por completo. O estilo de escrita de Daniel Cole não é elaborado, o que ajuda a entrar facilmente na história. O ambiente parece sempre negro, e as revelações que são feitas estão bem conseguidas.
Boneca de Trapos revelou-se uma figura que marca. Com um vilão inesperado e repleto de requintes de malvadez, Daniel Cole leva-nos a questionar a natureza humana e o que leva alguém a pensar que é superior a isso. As personagens fortes desta obra dão força a um enredo que só por si é apelativo, tornando este livro num thriller a ter em conta. Apesar de se tratar do primeiro volume de uma saga, Boneca de Trapos pode ser lido como stand alone. Mas acredito mesmo que depois de o lerem vão querer mais... Fica o aviso.
Autor: Daniel Cole
Tradução: José Remelhe
ISBN: 9789896652920
Editora: Suma de Letras (2018)
Sinopse:
William Fawkes, um controverso detetive conhecido por «Wolf», acabou de ser reintegrado no seu posto após ter sido suspenso por agressão a um suspeito. Ainda sob avaliação psicológica, Fawkes regressa ao ativo, ansioso por um caso importante. se encontra com a sua antiga colega e amiga, a inspetora Emily Baxter, num local de crime, tem a certeza de que é aquele o grande caso: o corpo que encontram é formado pelos membros de seis vítimas, suturados de modo a formar uma marioneta, que ficou conhecida como «Boneca de Trapos». Fawkes é incumbido de identificar as seis vítimas, mas tudo se complica quando a sua ex-mulher, que é repórter, recebe uma carta anónima com fotografias do local do crime, acompanhada de uma lista na qual constam os nomes de seis pessoas e as datas em que o homicida tenciona assassiná-las. O último nome da lista é o de Fawkes. A sentença de morte com data marcada desperta as memórias mais sombrias de Wolf. O detetive teme que os assassinatos tenham mais a ver com ele — e com o seu passado — do que qualquer um possa imaginar.
Opinião:
Crimes horríveis, um assassino que é um mistério, um detective atormentado pelo passado e um grupo de inspectores que tentam dar o melhor no seu trabalho enquanto cada um lida com os seus próprios demónios pessoais. O resultado desta junção? Boneca de Trapos, um thriller que cativa, choca e nos impele para uma aventura impressionante. É que neste livro não queremos apenas apanhar o criminoso e descobrir o que o motivou. Desejamos também descortinar as personagens que trabalham para o lado da Lei.
O prólogo deste livro leva-nos para uma situação que, numa primeira análise, parece não ter qualquer ligação com os crimes principais deste livro. Nestas primeiras páginas conhecemos William Fawkes, também conhecido por Wolf, o detective protagonista desta obra. A situação em que ele se encontra deixa-nos perceber que está no limite do desespero. Como tal, anos após estes eventos, é com alguma relutância que alguns dos seus colegas o aceitam numa nova e macabra investigação.
Wolf é uma personagem que vai sendo desconstruída ao longo das páginas deste livro. Ao início, temos a ideia de um homem dedicado à profissão, que perdeu tudo devido à obsessão por um caso e que agora quer provar que ainda tem muito para dar. Mas Wolf é muito mais do que isso. Este protagonista pouco convencional pode não criar empatia imediata, mas apela à nossa curiosidade e surpreende à medida que se vai revelando. O homem forte dá lugar a uma figura destruída e que procura salvação. Os métodos que encontra para alcançar os seus desejos criam dúvidas e fazem-nos pensar sobre até onde podemos transpor limites sem condenarmos o que temos de bom.
Se é verdade que Wolf é uma personagem forte, o mesmo podemos dizer das figuras secundárias. Destaco Baxter, que sugere ser uma simples colega de Wolf para se revelar uma figura que usa a máscara de mulher forte para ocultar as suas inseguranças e fraquezas. Edmunds, o novato menosprezado que pretende provar o seu valor, ainda que isso coloque em causa a vida familiar. Finlay, o mentor que parece ser um pilar fundamental de todo o grupo e traz algumas lufadas de ar fresco nos momentos mais pesados. Andrea, a ex-mulher que também é uma jornalista ambiciosa e disposta a tudo para conquistar o lugar que acredita merecer. Todas estas personagens não são básicas e conseguem impressionar, mesmo que não concordemos com os seus métodos ou motivações.
A sensação de perigo é constante. Ao mesmo tempo que queremos perceber a morte de seis pessoas inicialmente anónimas, estamos sempre na expectativa de descobrir o que liga cada uma daquelas figuras e que é o seu assassino. E como se tal não bastasse, surge ainda uma lista de futuras vítimas, com a data de morte de cada uma. Como tal, a tensão aumenta de página para página, ao mesmo tempo que mais mortes acontecem, de forma completamente incompreensível e sem que as forças policiais consigam fazer nada para contornar esta situação. Tudo isto faz o suspense aumentar e leva o nosso protagonista a voltar a entrar numa espiral de aflição. E é este desespero que faz com que cada uma das personagens revele o tem de pior.
O encadeamento dos acontecimentos faz com que o interesse na leitura não se perca, ainda que o ritmo, muitas vezes, seja mais lento do que o desejado. Este é um livro com muitas personagens, logo existem diversas figuras a conhecer bem, de modo a ser possível entender a narrativa por completo. O estilo de escrita de Daniel Cole não é elaborado, o que ajuda a entrar facilmente na história. O ambiente parece sempre negro, e as revelações que são feitas estão bem conseguidas.
Boneca de Trapos revelou-se uma figura que marca. Com um vilão inesperado e repleto de requintes de malvadez, Daniel Cole leva-nos a questionar a natureza humana e o que leva alguém a pensar que é superior a isso. As personagens fortes desta obra dão força a um enredo que só por si é apelativo, tornando este livro num thriller a ter em conta. Apesar de se tratar do primeiro volume de uma saga, Boneca de Trapos pode ser lido como stand alone. Mas acredito mesmo que depois de o lerem vão querer mais... Fica o aviso.
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