domingo, 28 de janeiro de 2018
quinta-feira, 25 de janeiro de 2018
Opinião: Monstress - volume 2: O Sangue
Título Original: Monstress - vol. 2 (2017)
Autor: Marjorie Lu
Ilustrador: Sana Takeda
Tradução: Renato Carreira
ISBN: 9789897730900
Editora: Edições Saída de Emergência (2018)
Sinopse:
Maika Meiolobo está a ser perseguida por uma coligação de forças determinada a controlar e a destruir a poderosa criatura demoníaca que habita dentro de si. Mas Maika não descansará enquanto não cumprir a sua missão: descobrir os segredos da sua falecida mãe, Moriko.
Nesta sequela, a jornada de Maika irá levá-la à cidade de Thyria, controlada por piratas, e através dos mares à misteriosa Ilha dos Ossos. Será uma viagem que irá forçar Maika a reavaliar o seu passado, presente e futuro e onde irá aprender que não pode confiar em ninguém, incluindo no seu próprio corpo...
Opinião:
Marjorie Liu e Sana Takeda apresentam uma obra admirável. "Monstress" é uma série incrível que tem tudo para conquistar até quem torce o nariz a novelas gráficas. A história é complexa, as personagens profundas, a acção intensa, a imaginação prodigiosa e a mensagem atual. O Sangue, segundo volume desta aventura, retoma a narrativa no momento em que o primeiro terminou e brinda os leitores com momentos impressionantes.
Tenho, inevitavelmente, que começar por falar pelo primeiro aspecto que é admirado nesta obra: a arte gráfica. Sana Takeda é uma ilustradora de enorme talento. Esta história poderia ser apresentada no formato romance, mas não teria o mesmo encanto. Nem perto. Virar as páginas é ansiar por descobrir novas ilustrações e ver como Takeda nos vai surpreender desta vez. Existem uma enorme sensibilidade em criar imagens que tenham a mesma qualidade que a trama, o que faz com que todos os pormenores sejam tidos em conta. Os tons usados reflectem o espírito vivido naquele exacto momento, as expressões das personagens não só correspondem à acção como ainda nos ajudam a desvendar ainda melhor as suas personalidades, os espaços são criados com detalhe. Tudo isto para não mencionar a beleza das figuras mais fantásticas...
Maika Meiolobo, a protagonista desta aventura de inspiração oriental, desempenha a função de anti-herói. Voltamos a vê-la em situações imorais, além de que continua a não ser a pessoa mais amável para com os que a rodeiam. Contudo, apesar destes comportamentos, não consegui deixar de sentir empatia por ela. Com uma criatura horripilante aprisionada dentro do próprio corpo, Maika tenta libertar-se deste tormento que a leva a afastar-se de todos e a não querer criar laços, isto por desconfiança mas também por temer magoar alguém por quem tenha sentimentos. Além da jornada que faz para descobrir os segredos da mãe e o segredo para se livrar do monstro, é comovente assistir às reflexões e dúvidas de Maika quanto ao passado e às intenções da mulher que a deu à luz.
Kipaa e Ren, os companheiros de Maika nesta aventura, também estão de regresso. Apesar da protagonista ser uma "loba-solitária" é bom ver que a cooperação destas duas figuras a ajudam na sua jornada. Kippa é um verdadeiro amor. Representação da inocência, coragem e fé, ela revela-se uma heroína improvável e acaba por apelar ao lado mais compassivo da protagonista. Ren encerra nele sabedoria necessária para vários desafios e revela fidelidade nas promessas feitas, mesmo quando não acredita no sucesso da missão.
A criatura demoníaca que habita no corpo de Maika apresenta uma agradável evolução. Se no primeiro volume ficou a sensação do perigo que representava, agora são fornecidos mais dados sobre o seu passado que dão uma visão mais vasta sobre o seu papel. O terror associado a esta figura e ao que pode fazer a Maika e ao seu mundo persistem, mas agora sabemos que o perigo não existe sem razão. Marjorie Lu prova que tem tudo pensado e que as personagens que cria, independentemente dos valores que possuem, têm motivos válidos segundo o próprio carácter.
O ponto mais fraco deste livro? Fazermos chegar à última página rapidamente e com a sensação de que se quer mais. A história é realmente cativante e fez-me entrar facilmente neste mundo. A narrativa não tem momentos mortos, sendo que tudo é relevante, quer seja pela acção em si como pelas informações que as personagens estão a dar. E todos estes dados são absorvidos com prazer e aumentam ainda mais a vontade de descobrir outras vertentes deste enredo. No final, surge uma situação que nos deixa em suspense e com uma enorme vontade de ter já o capítulo seguinte nas mãos.
Estou muito feliz por ter colocado o cepticismo de lado e ter apostado na leitura desta série. Se o primeiro volume cativou, o segundo fez com que esta obra ganhasse uma nova dimensão de maior destaque. Entendo perfeitamente o porquê de esta ser uma obra tão aclamada e vencedora dos prestigiados prémios Hugo e British Fantasy Award. É que Monstress é mesmo incrível.
Autor: Marjorie Lu
Ilustrador: Sana Takeda
Tradução: Renato Carreira
ISBN: 9789897730900
Editora: Edições Saída de Emergência (2018)
Sinopse:
Maika Meiolobo está a ser perseguida por uma coligação de forças determinada a controlar e a destruir a poderosa criatura demoníaca que habita dentro de si. Mas Maika não descansará enquanto não cumprir a sua missão: descobrir os segredos da sua falecida mãe, Moriko.
Nesta sequela, a jornada de Maika irá levá-la à cidade de Thyria, controlada por piratas, e através dos mares à misteriosa Ilha dos Ossos. Será uma viagem que irá forçar Maika a reavaliar o seu passado, presente e futuro e onde irá aprender que não pode confiar em ninguém, incluindo no seu próprio corpo...
Opinião:
Marjorie Liu e Sana Takeda apresentam uma obra admirável. "Monstress" é uma série incrível que tem tudo para conquistar até quem torce o nariz a novelas gráficas. A história é complexa, as personagens profundas, a acção intensa, a imaginação prodigiosa e a mensagem atual. O Sangue, segundo volume desta aventura, retoma a narrativa no momento em que o primeiro terminou e brinda os leitores com momentos impressionantes.
Tenho, inevitavelmente, que começar por falar pelo primeiro aspecto que é admirado nesta obra: a arte gráfica. Sana Takeda é uma ilustradora de enorme talento. Esta história poderia ser apresentada no formato romance, mas não teria o mesmo encanto. Nem perto. Virar as páginas é ansiar por descobrir novas ilustrações e ver como Takeda nos vai surpreender desta vez. Existem uma enorme sensibilidade em criar imagens que tenham a mesma qualidade que a trama, o que faz com que todos os pormenores sejam tidos em conta. Os tons usados reflectem o espírito vivido naquele exacto momento, as expressões das personagens não só correspondem à acção como ainda nos ajudam a desvendar ainda melhor as suas personalidades, os espaços são criados com detalhe. Tudo isto para não mencionar a beleza das figuras mais fantásticas...
Maika Meiolobo, a protagonista desta aventura de inspiração oriental, desempenha a função de anti-herói. Voltamos a vê-la em situações imorais, além de que continua a não ser a pessoa mais amável para com os que a rodeiam. Contudo, apesar destes comportamentos, não consegui deixar de sentir empatia por ela. Com uma criatura horripilante aprisionada dentro do próprio corpo, Maika tenta libertar-se deste tormento que a leva a afastar-se de todos e a não querer criar laços, isto por desconfiança mas também por temer magoar alguém por quem tenha sentimentos. Além da jornada que faz para descobrir os segredos da mãe e o segredo para se livrar do monstro, é comovente assistir às reflexões e dúvidas de Maika quanto ao passado e às intenções da mulher que a deu à luz.
Kipaa e Ren, os companheiros de Maika nesta aventura, também estão de regresso. Apesar da protagonista ser uma "loba-solitária" é bom ver que a cooperação destas duas figuras a ajudam na sua jornada. Kippa é um verdadeiro amor. Representação da inocência, coragem e fé, ela revela-se uma heroína improvável e acaba por apelar ao lado mais compassivo da protagonista. Ren encerra nele sabedoria necessária para vários desafios e revela fidelidade nas promessas feitas, mesmo quando não acredita no sucesso da missão.
A criatura demoníaca que habita no corpo de Maika apresenta uma agradável evolução. Se no primeiro volume ficou a sensação do perigo que representava, agora são fornecidos mais dados sobre o seu passado que dão uma visão mais vasta sobre o seu papel. O terror associado a esta figura e ao que pode fazer a Maika e ao seu mundo persistem, mas agora sabemos que o perigo não existe sem razão. Marjorie Lu prova que tem tudo pensado e que as personagens que cria, independentemente dos valores que possuem, têm motivos válidos segundo o próprio carácter.
O ponto mais fraco deste livro? Fazermos chegar à última página rapidamente e com a sensação de que se quer mais. A história é realmente cativante e fez-me entrar facilmente neste mundo. A narrativa não tem momentos mortos, sendo que tudo é relevante, quer seja pela acção em si como pelas informações que as personagens estão a dar. E todos estes dados são absorvidos com prazer e aumentam ainda mais a vontade de descobrir outras vertentes deste enredo. No final, surge uma situação que nos deixa em suspense e com uma enorme vontade de ter já o capítulo seguinte nas mãos.
Estou muito feliz por ter colocado o cepticismo de lado e ter apostado na leitura desta série. Se o primeiro volume cativou, o segundo fez com que esta obra ganhasse uma nova dimensão de maior destaque. Entendo perfeitamente o porquê de esta ser uma obra tão aclamada e vencedora dos prestigiados prémios Hugo e British Fantasy Award. É que Monstress é mesmo incrível.
quarta-feira, 24 de janeiro de 2018
Opinião: Magia de Vidro (#2)
Título Original: The Glass Magician (2014)
Autor: Charlie N. Holmberg
Tradução: Sónia Maia
ISBN: 9789898853172
Editora: Estação Imaginária (2017)
Sinopse:
Ceony Twill está a caminho de se tornar uma Dobradora. Mas, nem todos os pensamentos de Ceony se têm concentrado na magia do papel dado que ela ainda não quebrou a barreira professor/estudante, apesar da crescente proximidade entre os dois. Um mago sedento de vingança convence-se de que Ceony detém um segredo e jura descobri-lo… mesmo que, com isso, tenha que romper o próprio tecido do mundo mágico em que se movem
Opinião:
Não podia perder a leitura de Magia de Vidro uma fez que gostei muito de ler o primeiro volume desta trilogia, Magia de Papel. Foi um prazer voltar a este universo e reencontrar as personagens que me cativaram, mas não posso dizer que este livro me tenha cativado ou impressionado da mesma forma que o anterior.
Desta vez, a trama gira em volta de um novo perigo que surge através de um mago ligado à magia do vidro. Gostei muito das potencialidades desta arte, pois, tal como aconteceu quando a magia do papel foi apresentada no primeiro volume, Charlie N. Holmberg demonstra ser dotada de uma grande imaginação. A utilização de espelhos, por exemplo, para comunicação entre estes objectos e transportes é muito interessante e permite momentos de grande acção nesta aventura. A magia acaba mesmo por ser o ponto forte desta história.
Apesar de haver um novo obstáculo a ser ultrapassado, parece que toda a leitura se foca mais nos sentimentos de Ceony para com o seu professor, Emery. Este é um amor platónico que parece ser não correspondido ou não aceite pela outra parte. Como tal, existem muitos momentos de introspecção da protagonista, que se concentra nos seus sentimentos, desejos e nas tentativas de decifrar todos os gestos, palavras e atitudes de Emery. Fica evidente que existe química entre ambos apesar de tal não ser eticamente aceite devido à relação estudante/professor, e o leitor deseja que realmente os dois sejam felizes um com o outro. Contudo, o foco nestes sentimentos é excessivo e empobrece a obra.
O novo grande vilão, Grath, fornece uma aura de perigo, mas gostaria que ele fosse melhor explorado. A sua magia e uma revelação que faz no fim são de grande interesse e relevância, mas esta personagem tem pouca profundidade. Gosto quando os vilões têm objectivos que vão para além do básico "querer poder e destruir tudo à volta", mas não é isso que Grath transmite. A autora falhou neste aspecto e não conseguiu chocar com a figura que faz a narrativa acontecer.
Não existem tantos elementos negros como aconteceu no primeiro volume, mas a acção desenvolve-se com maior rapidez. Apesar de todos os dramas amorosos, acaba por haver sempre algo que nos agarra, quer seja uma nova descoberta ou ameaça. Isto ajuda a leitura a fluir com alguma rapidez. O facto de também se tratar de um livro de pouco mais de 200 páginas também faz com que, em menos de nada, se chegue num instante à última página.
Magia de Vidro volta a apresentar uma visão sobre a magia diferente e muito apelativa. Contudo, falha ao focar-se muito num romance pouco maduro e em apresentar um vilão uni-dimensional. Apesar de não ter ficado tão bem impressionada como aconteceu com o primeiro livro desta trilogia, ainda desejo ter a oportunidade de ler o último volume, com esperança de que a autora consiga criar uma conclusão mais emocionante, pelo menos ao nível do primeiro livro.
Outras opiniões a livros de Charlie N. Holmberg:
Magia de Papel (#1)
Autor: Charlie N. Holmberg
Tradução: Sónia Maia
ISBN: 9789898853172
Editora: Estação Imaginária (2017)
Sinopse:
Ceony Twill está a caminho de se tornar uma Dobradora. Mas, nem todos os pensamentos de Ceony se têm concentrado na magia do papel dado que ela ainda não quebrou a barreira professor/estudante, apesar da crescente proximidade entre os dois. Um mago sedento de vingança convence-se de que Ceony detém um segredo e jura descobri-lo… mesmo que, com isso, tenha que romper o próprio tecido do mundo mágico em que se movem
Opinião:
Não podia perder a leitura de Magia de Vidro uma fez que gostei muito de ler o primeiro volume desta trilogia, Magia de Papel. Foi um prazer voltar a este universo e reencontrar as personagens que me cativaram, mas não posso dizer que este livro me tenha cativado ou impressionado da mesma forma que o anterior.
Desta vez, a trama gira em volta de um novo perigo que surge através de um mago ligado à magia do vidro. Gostei muito das potencialidades desta arte, pois, tal como aconteceu quando a magia do papel foi apresentada no primeiro volume, Charlie N. Holmberg demonstra ser dotada de uma grande imaginação. A utilização de espelhos, por exemplo, para comunicação entre estes objectos e transportes é muito interessante e permite momentos de grande acção nesta aventura. A magia acaba mesmo por ser o ponto forte desta história.
Apesar de haver um novo obstáculo a ser ultrapassado, parece que toda a leitura se foca mais nos sentimentos de Ceony para com o seu professor, Emery. Este é um amor platónico que parece ser não correspondido ou não aceite pela outra parte. Como tal, existem muitos momentos de introspecção da protagonista, que se concentra nos seus sentimentos, desejos e nas tentativas de decifrar todos os gestos, palavras e atitudes de Emery. Fica evidente que existe química entre ambos apesar de tal não ser eticamente aceite devido à relação estudante/professor, e o leitor deseja que realmente os dois sejam felizes um com o outro. Contudo, o foco nestes sentimentos é excessivo e empobrece a obra.
O novo grande vilão, Grath, fornece uma aura de perigo, mas gostaria que ele fosse melhor explorado. A sua magia e uma revelação que faz no fim são de grande interesse e relevância, mas esta personagem tem pouca profundidade. Gosto quando os vilões têm objectivos que vão para além do básico "querer poder e destruir tudo à volta", mas não é isso que Grath transmite. A autora falhou neste aspecto e não conseguiu chocar com a figura que faz a narrativa acontecer.
Não existem tantos elementos negros como aconteceu no primeiro volume, mas a acção desenvolve-se com maior rapidez. Apesar de todos os dramas amorosos, acaba por haver sempre algo que nos agarra, quer seja uma nova descoberta ou ameaça. Isto ajuda a leitura a fluir com alguma rapidez. O facto de também se tratar de um livro de pouco mais de 200 páginas também faz com que, em menos de nada, se chegue num instante à última página.
Magia de Vidro volta a apresentar uma visão sobre a magia diferente e muito apelativa. Contudo, falha ao focar-se muito num romance pouco maduro e em apresentar um vilão uni-dimensional. Apesar de não ter ficado tão bem impressionada como aconteceu com o primeiro livro desta trilogia, ainda desejo ter a oportunidade de ler o último volume, com esperança de que a autora consiga criar uma conclusão mais emocionante, pelo menos ao nível do primeiro livro.
Outras opiniões a livros de Charlie N. Holmberg:
Magia de Papel (#1)
sábado, 20 de janeiro de 2018
Opinião: Pecados Santos
Autor: Nuno Nepomuceno
ISBN: 9789898886101
Editora: Cultura Editora (2018)
Sinopse:
Nas comunidades judaicas de Londres e Lisboa, ocorre uma série de homicídios, todos eles recriando episódios bíblicos. Atos bárbaros de antissemitismo ou de pura vingança? Um rabino é encontrado morto numa das mais famosas sinagogas de Londres. O corpo, disposto como num quadro renascentista, representa o sacrifício do filho de Abraão, patriarca do povo judeu. O caso parece ficar encerrado quando um jovem professor universitário a lecionar numa das faculdades da cidade é acusado do homicídio. Descendente de portugueses, existem provas irrefutáveis contra si e nada poderá salvá-lo da vida na prisão.
Mas é então que ocorrem outros crimes, recriando episódios bíblicos em circunstâncias cada vez mais macabras. E as dúvidas instalam-se. Estarão ou não estes acontecimentos relacionados? Poderá o docente vir a ser injustamente condenado? Porque insistirá a sua família em pedir ajuda a um antigo professor, ele próprio ainda em conflito com os seus próprios pecados? As autoridades contratam uma jovem profiler criminal para as ajudar a descobrir a verdade. Mas conseguirá esta mente brilhante ultrapassar o facto de também ela ter sido uma vítima no passado? Abordando temas fraturantes da sociedade contemporânea como o antissemitismo e o conflito israelo-árabe, e inspirando-se nos Dez Mandamentos e noutros episódios marcantes do Antigo Testamento, Pecados Santos guia-nos através das ruas históricas de Londres, Lisboa e Jerusalém, numa viagem intimista e chocante sobre o que de mais negro e vil tem a condição humana.
Opinião:
As aventuras de Afonso Catalão continuam em Pecados Santos. Esta personagem que nos foi apresentada em A Célula Adormecida está de regresso, mas engana-se quem pensa que esta nova história já não consegue surpreender. É que consegue. Mesmo. Para começar, aviso desde já que não é necessária a leitura do volume anterior para se perceber a narrativa deste. Claro que ajuda, mas o autor consegue distanciar esta trama da anterior e ainda explicar aspectos necessários para que ninguém se sinta perdido.
A religião volta a ser tema dominante, mas desta vez Nuno Nepomuceno deixou de parte o Islamismo para se concentrar no Judaísmo. Logo ao início, conseguimos perceber que o autor executou um extenso trabalho de pesquisa para esta obra. Logo nas primeiras páginas assistimos a uma aula relativa ao Médio Oriente que nos fornece dados sobre a origem desta religião, seus princípios e figuras centrais. Gostei bastante deste momento, no qual aprendi dados novos sem me sentir aborrecida em momento algum.
Devido aos seus conhecimentos, Afonso Catalão volta a ver-se envolvido numa investigação que, numa primeira análise, parece nada ter a ver com ele. Contudo, é curioso ver como o nosso professor acaba por ficar ligado a esta situação devido a aspectos passados da sua vida pessoal. Assim sendo, percebemos que este protagonista ainda tem muitos segredos para desvendar. O pacato estudioso que cativa facilmente pela sua bondade, empatia e conhecimento faz-nos duvidar da legitimidade de todas as suas acções. Isto torna-o mais complexo e cativante.
O desenrolar da narrativa apela a uma leitura interessada e intensa. Quando achamos ter encontrado uma resolução, depressa surge um novo obstáculo que provoca uma mudança na linha do pensamento. E além de sermos surpreendidos com diversos crimes é ainda impressionante ver como estas mortes acabam por despoletar tensões reprimidas do passado. O mistério é uma constante, com o autor a oferecer-nos pequenas pistas para, mais à frente, nos mostrar que afinal nos estava a iludir e apontar um novo e inesperado caminho.
Quero ainda destacar algumas brincadeiras que podem ser encontradas ao longo desta obra. Quem teve a oportunidade de ler outros livros do autor vai ficar deliciado com algumas referências a essas histórias. Um certo espião pode fazer uma passagem muito breve e até o próprio Nuno Nepomuceno pode ser mencionado a certa altura. Tudo isto provoca sorrisos e prova que o autor não só sabe criar boas histórias como ainda tem a capacidade de brincar com o próprio trabalho.
As descrições são bastante fortes. Somos transportados para os locais da acção com as nossas mentes a conseguirem criar facilmente imagens bem reais de tudo o que está a acontecer. As personagens apresentam uma evolução, apesar de continuar a querer saber mais sobre outras figuras secundárias, nomeadamente o irmão do protagonista e o oficial do SIS. Os diálogos acrescentam dinamismo à leitura, mas existem certos momentos em que o tipo de linguagem utilizada pelos seus intervenientes parece mais formal do que seria esperado.
Pecados Santos supera as expectativas. Um thriller intenso que é lido com vontade e que provoca a reflexão sobre o poder da fé e da vingança. Sente-se a adrenalina da aventura e, ao mesmo tempo, é-nos dada uma visão mais ampla da sociedade em que vivemos graças à explicação das crenças de uma comunidade pequena, mas bastante significativa no nosso país. Através desta obra escrita com mestria, o autor volta a provar que deve e merece ser acompanhado. Claro que recomendo.
ISBN: 9789898886101
Editora: Cultura Editora (2018)
Sinopse:
Nas comunidades judaicas de Londres e Lisboa, ocorre uma série de homicídios, todos eles recriando episódios bíblicos. Atos bárbaros de antissemitismo ou de pura vingança? Um rabino é encontrado morto numa das mais famosas sinagogas de Londres. O corpo, disposto como num quadro renascentista, representa o sacrifício do filho de Abraão, patriarca do povo judeu. O caso parece ficar encerrado quando um jovem professor universitário a lecionar numa das faculdades da cidade é acusado do homicídio. Descendente de portugueses, existem provas irrefutáveis contra si e nada poderá salvá-lo da vida na prisão.
Mas é então que ocorrem outros crimes, recriando episódios bíblicos em circunstâncias cada vez mais macabras. E as dúvidas instalam-se. Estarão ou não estes acontecimentos relacionados? Poderá o docente vir a ser injustamente condenado? Porque insistirá a sua família em pedir ajuda a um antigo professor, ele próprio ainda em conflito com os seus próprios pecados? As autoridades contratam uma jovem profiler criminal para as ajudar a descobrir a verdade. Mas conseguirá esta mente brilhante ultrapassar o facto de também ela ter sido uma vítima no passado? Abordando temas fraturantes da sociedade contemporânea como o antissemitismo e o conflito israelo-árabe, e inspirando-se nos Dez Mandamentos e noutros episódios marcantes do Antigo Testamento, Pecados Santos guia-nos através das ruas históricas de Londres, Lisboa e Jerusalém, numa viagem intimista e chocante sobre o que de mais negro e vil tem a condição humana.
Opinião:
As aventuras de Afonso Catalão continuam em Pecados Santos. Esta personagem que nos foi apresentada em A Célula Adormecida está de regresso, mas engana-se quem pensa que esta nova história já não consegue surpreender. É que consegue. Mesmo. Para começar, aviso desde já que não é necessária a leitura do volume anterior para se perceber a narrativa deste. Claro que ajuda, mas o autor consegue distanciar esta trama da anterior e ainda explicar aspectos necessários para que ninguém se sinta perdido.
A religião volta a ser tema dominante, mas desta vez Nuno Nepomuceno deixou de parte o Islamismo para se concentrar no Judaísmo. Logo ao início, conseguimos perceber que o autor executou um extenso trabalho de pesquisa para esta obra. Logo nas primeiras páginas assistimos a uma aula relativa ao Médio Oriente que nos fornece dados sobre a origem desta religião, seus princípios e figuras centrais. Gostei bastante deste momento, no qual aprendi dados novos sem me sentir aborrecida em momento algum.
Devido aos seus conhecimentos, Afonso Catalão volta a ver-se envolvido numa investigação que, numa primeira análise, parece nada ter a ver com ele. Contudo, é curioso ver como o nosso professor acaba por ficar ligado a esta situação devido a aspectos passados da sua vida pessoal. Assim sendo, percebemos que este protagonista ainda tem muitos segredos para desvendar. O pacato estudioso que cativa facilmente pela sua bondade, empatia e conhecimento faz-nos duvidar da legitimidade de todas as suas acções. Isto torna-o mais complexo e cativante.
O desenrolar da narrativa apela a uma leitura interessada e intensa. Quando achamos ter encontrado uma resolução, depressa surge um novo obstáculo que provoca uma mudança na linha do pensamento. E além de sermos surpreendidos com diversos crimes é ainda impressionante ver como estas mortes acabam por despoletar tensões reprimidas do passado. O mistério é uma constante, com o autor a oferecer-nos pequenas pistas para, mais à frente, nos mostrar que afinal nos estava a iludir e apontar um novo e inesperado caminho.
Quero ainda destacar algumas brincadeiras que podem ser encontradas ao longo desta obra. Quem teve a oportunidade de ler outros livros do autor vai ficar deliciado com algumas referências a essas histórias. Um certo espião pode fazer uma passagem muito breve e até o próprio Nuno Nepomuceno pode ser mencionado a certa altura. Tudo isto provoca sorrisos e prova que o autor não só sabe criar boas histórias como ainda tem a capacidade de brincar com o próprio trabalho.
As descrições são bastante fortes. Somos transportados para os locais da acção com as nossas mentes a conseguirem criar facilmente imagens bem reais de tudo o que está a acontecer. As personagens apresentam uma evolução, apesar de continuar a querer saber mais sobre outras figuras secundárias, nomeadamente o irmão do protagonista e o oficial do SIS. Os diálogos acrescentam dinamismo à leitura, mas existem certos momentos em que o tipo de linguagem utilizada pelos seus intervenientes parece mais formal do que seria esperado.
Pecados Santos supera as expectativas. Um thriller intenso que é lido com vontade e que provoca a reflexão sobre o poder da fé e da vingança. Sente-se a adrenalina da aventura e, ao mesmo tempo, é-nos dada uma visão mais ampla da sociedade em que vivemos graças à explicação das crenças de uma comunidade pequena, mas bastante significativa no nosso país. Através desta obra escrita com mestria, o autor volta a provar que deve e merece ser acompanhado. Claro que recomendo.
quinta-feira, 18 de janeiro de 2018
Opinião: O Livro do Pó - La Belle Sauvage (#1)
Título Original: La Belle Sauvage - The Book of Dust 1 (2017)
Autor: Philip Pullman
Tradução: Rosário Monteiro
ISBN: 9789722361538
Editora: Editorial Presença (2018)
Sinopse:
Malcolm Polstead tem onze anos. Os pais gerem A Truta, uma estalagem muito frequentada nas margens do rio Tamisa, perto de Oxford. Malcolm é muito atento a tudo o que o rodeia, mas sem chamar a atenção dos outros. Talvez por isso, fosse inevitável vir a tornar-se num espião. É na estalagem que ele, juntamente com o seu génio Asta, descobre uma intrigante mensagem secreta sobre uma substância perigosa chamada Pó. Quando o espião, a quem a mensagem era dirigida, lhe pede que preste redobrada atenção ao que por ali se passa, o rapaz começa a ver suspeitos em todo o lado: o explorador Lorde Asriel; os agentes do Magisterium; Coram, o cigano; a bela mulher cujo génio é um macaco malicioso... Todos querem descobrir o paradeiro de Lyra, uma menina, ainda bebé, que parece atrair toda a gente como se fosse um íman. Malcolm está disposto a enfrentar todos os perigos para a encontrar...
Opinião:
É difícil escrever com exactidão o entusiasmo que senti quando soube que Philip Pullman estava a preparar o lançamento de uma nova saga passada no universo de "Mundos Paralelos". Adoro essa trilogia e mal podia esperar para saber o que aí vinha. A publicação em Portugal voltou a ser feita pela Editorial Presença, editora que detém os direitos dos outros livros, e comecei a ler esta nova aventura assim que me chegou às mãos. Depressa regressei aos meus tempos de adolescente em que acompanhava Lyra e sonhava com a forma que o meu génio deveria ter.
O Livro do Pó - La Belle Sauvage é o primeiro volume da saga homónima e revela ser uma prequela de "Mundos Paralelos". Contudo, tal não significa que seja realmente necessário ter lido esses livros para perceber esta nova história. O mundo e aspectos principais voltam a ser explicados. Muitas personagens já conhecidas de quem leu a primeira trilogia voltam a fazer-nos companhia, inclusive Lyra, a heroína carismática da anterior trilogia. Contudo, desta vez o protagonismo é dado a uma outra personagem: Malcolm. Simpatizar com este rapazinho foi tão imediato como quando conheci Lyra. Só que enquanto esta tinha uma personalidade com a qual poderia não ser fácil de lidar, Malcolm é mais doce, responsável e carinhoso. Contudo, encerra nele uma fúria impressionante que nos faz pensar sobre o que acontece quando reprimimos tudo o que nos causa dor e frustração.
É muito enternecedor ver a forma como ele se aproxima das freiras do priorado, como ajuda os pais, trata os estranhos, protege os que ama e defende as suas convicções. Além disso, Philip Pullman continua a conseguir fazer estas personagens transmitirem e inocência e ingenuidade próprias da idade. Malcolm é credível, é muito fácil imaginá-lo como uma figura real. Além disso, é um menino muito inteligente, o que faz com que certos momentos mais introspectivo, nomeadamente conversas com o seu génio, se revelem bastante curiosos.
Apesar da maioria dos capítulos serem dedicados a Malcolm, existem outros que transmitem o ponto de vista de outras personagens. Aqui, a dra, Hannah Relf é quem se destaca. Académica cujo destino se cruza com o do protagonista, esta personagem faz a ligação com conteúdos mais pesados que estão a ser tratados entre figuras de grande poder e que fazem oposição à forma de governo vigente. Desta forma, o teor porventura mais infantil é quebrado com informações de maior relevo para o panorama geral da obra. Além disso, é através de Hannah que voltamos a ouvir falar de um aparelho de extrema relevância: o aletiómetro.
O desenrolar da acção começa de uma forma algo lenta, mas nem por isso maçadora. Adorei saborear o regresso a este universo, de conhecer as novas personagens, descobrir esta aventura e deliciar-me com as ligações à trilogia anterior. Contudo, a certo momento, o ritmo começa a acelerar até se tornar frenético. É nesta fase que percebemos a grande importância de La Belle Sauvage, canoa que surge no título da obra. É também aqui que descobrimos Alice e vemos surgir uma ligação inesperada mas muito bem conseguida.
São muitos os contratempos que Malcolm encontra ao longo da sua jornada para colocar a bebé Lyra a salvo. Alguns são facilmente transpostos para a realidade, como é o caso de Bonneville, um homem que aparenta algo que não é, capaz de tudo para alcançar as suas ambições. Outros são mais fantasiosos e levam-nos a pensar nos mistérios do mundo e na forma como estes muitas vezes são encarados. Todos estes obstáculos aumentam a tensão até às páginas finais do livro.
Concluída a leitura, posso garantir que este é um regresso feliz. O Livro do Pó- La Belle Sauvage não desilude, reunindo todos os ingredientes que cativaram em "Mundos Paralelos" ao mesmo tempo que apresenta uma história nova. Estou muito feliz por Philip Pullman ter decidido criar esta nova aventura e espero, com ansiedade, o segundo volume desta nova saga. E continuo sem conseguir decidir qual deveria ser a forma do meu génio tivesse...
Autor: Philip Pullman
Tradução: Rosário Monteiro
ISBN: 9789722361538
Editora: Editorial Presença (2018)
Sinopse:
Malcolm Polstead tem onze anos. Os pais gerem A Truta, uma estalagem muito frequentada nas margens do rio Tamisa, perto de Oxford. Malcolm é muito atento a tudo o que o rodeia, mas sem chamar a atenção dos outros. Talvez por isso, fosse inevitável vir a tornar-se num espião. É na estalagem que ele, juntamente com o seu génio Asta, descobre uma intrigante mensagem secreta sobre uma substância perigosa chamada Pó. Quando o espião, a quem a mensagem era dirigida, lhe pede que preste redobrada atenção ao que por ali se passa, o rapaz começa a ver suspeitos em todo o lado: o explorador Lorde Asriel; os agentes do Magisterium; Coram, o cigano; a bela mulher cujo génio é um macaco malicioso... Todos querem descobrir o paradeiro de Lyra, uma menina, ainda bebé, que parece atrair toda a gente como se fosse um íman. Malcolm está disposto a enfrentar todos os perigos para a encontrar...
Opinião:
É difícil escrever com exactidão o entusiasmo que senti quando soube que Philip Pullman estava a preparar o lançamento de uma nova saga passada no universo de "Mundos Paralelos". Adoro essa trilogia e mal podia esperar para saber o que aí vinha. A publicação em Portugal voltou a ser feita pela Editorial Presença, editora que detém os direitos dos outros livros, e comecei a ler esta nova aventura assim que me chegou às mãos. Depressa regressei aos meus tempos de adolescente em que acompanhava Lyra e sonhava com a forma que o meu génio deveria ter.
O Livro do Pó - La Belle Sauvage é o primeiro volume da saga homónima e revela ser uma prequela de "Mundos Paralelos". Contudo, tal não significa que seja realmente necessário ter lido esses livros para perceber esta nova história. O mundo e aspectos principais voltam a ser explicados. Muitas personagens já conhecidas de quem leu a primeira trilogia voltam a fazer-nos companhia, inclusive Lyra, a heroína carismática da anterior trilogia. Contudo, desta vez o protagonismo é dado a uma outra personagem: Malcolm. Simpatizar com este rapazinho foi tão imediato como quando conheci Lyra. Só que enquanto esta tinha uma personalidade com a qual poderia não ser fácil de lidar, Malcolm é mais doce, responsável e carinhoso. Contudo, encerra nele uma fúria impressionante que nos faz pensar sobre o que acontece quando reprimimos tudo o que nos causa dor e frustração.
É muito enternecedor ver a forma como ele se aproxima das freiras do priorado, como ajuda os pais, trata os estranhos, protege os que ama e defende as suas convicções. Além disso, Philip Pullman continua a conseguir fazer estas personagens transmitirem e inocência e ingenuidade próprias da idade. Malcolm é credível, é muito fácil imaginá-lo como uma figura real. Além disso, é um menino muito inteligente, o que faz com que certos momentos mais introspectivo, nomeadamente conversas com o seu génio, se revelem bastante curiosos.
Apesar da maioria dos capítulos serem dedicados a Malcolm, existem outros que transmitem o ponto de vista de outras personagens. Aqui, a dra, Hannah Relf é quem se destaca. Académica cujo destino se cruza com o do protagonista, esta personagem faz a ligação com conteúdos mais pesados que estão a ser tratados entre figuras de grande poder e que fazem oposição à forma de governo vigente. Desta forma, o teor porventura mais infantil é quebrado com informações de maior relevo para o panorama geral da obra. Além disso, é através de Hannah que voltamos a ouvir falar de um aparelho de extrema relevância: o aletiómetro.
O desenrolar da acção começa de uma forma algo lenta, mas nem por isso maçadora. Adorei saborear o regresso a este universo, de conhecer as novas personagens, descobrir esta aventura e deliciar-me com as ligações à trilogia anterior. Contudo, a certo momento, o ritmo começa a acelerar até se tornar frenético. É nesta fase que percebemos a grande importância de La Belle Sauvage, canoa que surge no título da obra. É também aqui que descobrimos Alice e vemos surgir uma ligação inesperada mas muito bem conseguida.
São muitos os contratempos que Malcolm encontra ao longo da sua jornada para colocar a bebé Lyra a salvo. Alguns são facilmente transpostos para a realidade, como é o caso de Bonneville, um homem que aparenta algo que não é, capaz de tudo para alcançar as suas ambições. Outros são mais fantasiosos e levam-nos a pensar nos mistérios do mundo e na forma como estes muitas vezes são encarados. Todos estes obstáculos aumentam a tensão até às páginas finais do livro.
Concluída a leitura, posso garantir que este é um regresso feliz. O Livro do Pó- La Belle Sauvage não desilude, reunindo todos os ingredientes que cativaram em "Mundos Paralelos" ao mesmo tempo que apresenta uma história nova. Estou muito feliz por Philip Pullman ter decidido criar esta nova aventura e espero, com ansiedade, o segundo volume desta nova saga. E continuo sem conseguir decidir qual deveria ser a forma do meu génio tivesse...
terça-feira, 16 de janeiro de 2018
Resultado do passatempo "O Livro do Pó"
É com um enorme prazer que apresento o resultado deste passatempo realizado pelo blogue em parceria com a Editorial Presença. Estava em sorteio um exemplar do livro O Livro do Pó de Philip Pullman.
Este sorteio conta com 209 participações, sendo o vencedor escolhido através do random.org. Assim, o vencedor corresponde ao número...
..91! Que equivale à participação de:
Muitos parabéns à vencedora! Já foi enviado um e-mail para confirmar os dados de envio deste prémio.
Este sorteio conta com 209 participações, sendo o vencedor escolhido através do random.org. Assim, o vencedor corresponde ao número...
Catarina (...) Passão, de Vila Real
Muitos parabéns à vencedora! Já foi enviado um e-mail para confirmar os dados de envio deste prémio.
domingo, 14 de janeiro de 2018
terça-feira, 9 de janeiro de 2018
Opinião: Reino de Feras
Título Original: Fierce Kingdom (2016)
Autor: Gin Phillips
Tradução: Ester Cortegano
ISBN: 9789896655259
Editora: Suma de Letras (2018)
Sinopse:
Lincoln é um bom menino. Aos quatro anos, é curioso, inteligente e bem-comportado. Lincoln faz o que a mãe diz e sabe quais são as regras.
«As regras hoje são diferentes. As regras são que temos de nos esconder e não deixar que o homem da pistola nos encontre.»
Quando um dia comum no Jardim Zoológico se transfoma num pesadelo, Joan fica presa com o seu querido filho. tem de reunir todas as suas forças, encontrar a coragem oculta e proteger Lincoln a todo o custo - mesmo que isso signifique cruzar a linha entre o certo e o errado, entre a humanidade e o instinto animal.
É uma linha que nenhum de nós jamais sonharia cruzar.
Mas, por vezes, as regras são diferentes.
Um passeio de emoção magistral e uma exploração da maternidade em si - desde os ternos momentos de graça até ao poder selvagem. Reino de Feras questiona onde se encontra o limite entre o instinto animal para sobreviver e o dever humano de proteger os outros. Por quem deve uma mãe arriscar a sua vida?
Opinião:
Aqui está um livro que dificilmente deixa o leitor indiferente. Reino de Feras é um thriller intenso, repleto de adrenalina e que nos leva a questionar o que é próprio da humidade e até onde vão os nosso instintos mais básicos. Tendo como base um atentado a um Jardim Zoológico, vemos como em pouco mais de três horas uma pessoa pode colocar de parte todos os seus dogmas e valores para lutar pela sobrevivência... própria e de quem mais se ama.
Joan é a protagonista desta história. Trata-se de uma jovem mulher que surge, numa primeira fase, no papel de mãe. Joan consegue criar empatia imediata graças à forma como apresenta Lincoln, o filho, e como tenta entender e entrar no seu mundo. É enternecedor perceber as dinâmicas desta relação, que tem tantas peculiaridades próprias das ligações mais profundas entre dois seres que partilha um quotidiano. Joan conhece tão bem o seu filho que é capaz, através de truques, travar uma simples birra e até mesmo distraí-lo de um perigo mortal. Tudo para que o seu menino continue saudável, forte e feliz.
A história vai crescendo em intensidade, mas é curioso verificar que se sente uma certa tensão logo nas primeiras páginas. Gin Phillips consegue, através das descrições do ambiente, deixar perceber que algo não está bem. Quando finalmente Joan percebe que há pelo menos um homem a matar os visitantes do parque, o ritmo da narrativa começa a acelerar de tal forma que, as derradeiras páginas são lidas num ápice, quase como se também nós estivéssemos a correr e a lutar pela nossa vida.
Mas não é apenas a percepção de Joan que nos é fornecida. A autora optou por criar alguns capítulos com o ponto de vista de outras personagens: duas mulheres que também fogem dos assassinos e um dos criminosos. Estas adições foram um risco, pois acabam por quebrar com a história principal e a alterar um pouco o ritmo da própria acção. Contudo, acho que foi uma aposta ganha. Gostei muito que o lado do assassino fosse explorado, de forma a percebermos o que o levou ali, o que o motivou. Quando às outras mulheres, acabaram por ser uma lufada de ar fresco, levando-nos a pensar sobre as diferentes formas de lidar com situações limite e no facto de só descobrirmos as nossas reacções quando estamos a vivê-las.
Afinal, para além de uma história intensa, este livro leva-nos a pensar sobre o que faz de nós humanos. É curioso que isto aconteça num Jardim Zoológico, onde tantos animais selvagens e perigosos podem ser vistos. A autora faz deste espaço palco para situações que não são moralmente próprias dos humanos. Não estou apenas a falar das acções dos assassinos, que despoletam tudo isto, mas também das pessoas que lutam pela sobrevivência. A própria Joan vê-se em situações que a levam a tomar atitudes inesperadas para aumentar as hipóteses de sobrevivência do filho. Várias personagens fazem relatos de situações passadas que nos levam a questionar se a compaixão pelo outros e pelo mundo é realmente algo que está intrínseco ao ser humano.
No meio de tudo este terror, felizmente existe sacrifício e amor. Só isto nos faz acreditar que há esperança na bondade. Reino das Feras é uma obra intensa, muito intensa mesmo, que é muito mais do que uma simples aventura. Um livro que aplaude a maternidade nas suas mais variadas vertentes e que faz reflectir sobre moralidade e instinto animal. Gin Phillips dá-nos uma boa dose de adrenalina através de uma história que dificilmente será esquecida.
Autor: Gin Phillips
Tradução: Ester Cortegano
ISBN: 9789896655259
Editora: Suma de Letras (2018)
Sinopse:
Lincoln é um bom menino. Aos quatro anos, é curioso, inteligente e bem-comportado. Lincoln faz o que a mãe diz e sabe quais são as regras.
«As regras hoje são diferentes. As regras são que temos de nos esconder e não deixar que o homem da pistola nos encontre.»
Quando um dia comum no Jardim Zoológico se transfoma num pesadelo, Joan fica presa com o seu querido filho. tem de reunir todas as suas forças, encontrar a coragem oculta e proteger Lincoln a todo o custo - mesmo que isso signifique cruzar a linha entre o certo e o errado, entre a humanidade e o instinto animal.
É uma linha que nenhum de nós jamais sonharia cruzar.
Mas, por vezes, as regras são diferentes.
Um passeio de emoção magistral e uma exploração da maternidade em si - desde os ternos momentos de graça até ao poder selvagem. Reino de Feras questiona onde se encontra o limite entre o instinto animal para sobreviver e o dever humano de proteger os outros. Por quem deve uma mãe arriscar a sua vida?
Opinião:
Aqui está um livro que dificilmente deixa o leitor indiferente. Reino de Feras é um thriller intenso, repleto de adrenalina e que nos leva a questionar o que é próprio da humidade e até onde vão os nosso instintos mais básicos. Tendo como base um atentado a um Jardim Zoológico, vemos como em pouco mais de três horas uma pessoa pode colocar de parte todos os seus dogmas e valores para lutar pela sobrevivência... própria e de quem mais se ama.
Joan é a protagonista desta história. Trata-se de uma jovem mulher que surge, numa primeira fase, no papel de mãe. Joan consegue criar empatia imediata graças à forma como apresenta Lincoln, o filho, e como tenta entender e entrar no seu mundo. É enternecedor perceber as dinâmicas desta relação, que tem tantas peculiaridades próprias das ligações mais profundas entre dois seres que partilha um quotidiano. Joan conhece tão bem o seu filho que é capaz, através de truques, travar uma simples birra e até mesmo distraí-lo de um perigo mortal. Tudo para que o seu menino continue saudável, forte e feliz.
A história vai crescendo em intensidade, mas é curioso verificar que se sente uma certa tensão logo nas primeiras páginas. Gin Phillips consegue, através das descrições do ambiente, deixar perceber que algo não está bem. Quando finalmente Joan percebe que há pelo menos um homem a matar os visitantes do parque, o ritmo da narrativa começa a acelerar de tal forma que, as derradeiras páginas são lidas num ápice, quase como se também nós estivéssemos a correr e a lutar pela nossa vida.
Mas não é apenas a percepção de Joan que nos é fornecida. A autora optou por criar alguns capítulos com o ponto de vista de outras personagens: duas mulheres que também fogem dos assassinos e um dos criminosos. Estas adições foram um risco, pois acabam por quebrar com a história principal e a alterar um pouco o ritmo da própria acção. Contudo, acho que foi uma aposta ganha. Gostei muito que o lado do assassino fosse explorado, de forma a percebermos o que o levou ali, o que o motivou. Quando às outras mulheres, acabaram por ser uma lufada de ar fresco, levando-nos a pensar sobre as diferentes formas de lidar com situações limite e no facto de só descobrirmos as nossas reacções quando estamos a vivê-las.
Afinal, para além de uma história intensa, este livro leva-nos a pensar sobre o que faz de nós humanos. É curioso que isto aconteça num Jardim Zoológico, onde tantos animais selvagens e perigosos podem ser vistos. A autora faz deste espaço palco para situações que não são moralmente próprias dos humanos. Não estou apenas a falar das acções dos assassinos, que despoletam tudo isto, mas também das pessoas que lutam pela sobrevivência. A própria Joan vê-se em situações que a levam a tomar atitudes inesperadas para aumentar as hipóteses de sobrevivência do filho. Várias personagens fazem relatos de situações passadas que nos levam a questionar se a compaixão pelo outros e pelo mundo é realmente algo que está intrínseco ao ser humano.
No meio de tudo este terror, felizmente existe sacrifício e amor. Só isto nos faz acreditar que há esperança na bondade. Reino das Feras é uma obra intensa, muito intensa mesmo, que é muito mais do que uma simples aventura. Um livro que aplaude a maternidade nas suas mais variadas vertentes e que faz reflectir sobre moralidade e instinto animal. Gin Phillips dá-nos uma boa dose de adrenalina através de uma história que dificilmente será esquecida.
segunda-feira, 8 de janeiro de 2018
Passatempo: "O Livro do Pó"
Em parceria com a Editorial Presença, o blogue Uma Biblioteca em Construção apresenta um novo passatempo! Em sorteio está um exemplar de O Livro do Pó, de Philip Pullman.
Para se habilitarem a ganhar este livro, apenas precisam de:
- Responder a todas as questões colocadas no formulário (podem encontrar as respostas aqui);
- Seguir o blogue e/ou fazer gosto na página de Facebook do blogue, aqui;
- Só participar uma vez (caso tal não se confirme a participação será anulada);
- O passatempo termina no dia 14 de Janeiro às 23h59. Não serão aceites participações após essa data.
Agora é só participar!
Notas:
- Este passatempo é realizado em parceria com a Editorial Presença;
- O vencedor será escolhido aleatoriamente entre as participações válidas através do site random.org;
- Como participação válida entende-se: existir apenas uma por participante com todos os dados do questionário respondidos correctamente;
- O vencedor será contactado por e-mail e anunciado no blogue;
- Este passatempo é válido para Portugal continental e ilhas;
- O blogue não se responsabiliza pelo possível extravio do livro nos correios.
Para se habilitarem a ganhar este livro, apenas precisam de:
- Responder a todas as questões colocadas no formulário (podem encontrar as respostas aqui);
- Seguir o blogue e/ou fazer gosto na página de Facebook do blogue, aqui;
- Só participar uma vez (caso tal não se confirme a participação será anulada);
- O passatempo termina no dia 14 de Janeiro às 23h59. Não serão aceites participações após essa data.
Agora é só participar!
Notas:
- Este passatempo é realizado em parceria com a Editorial Presença;
- O vencedor será escolhido aleatoriamente entre as participações válidas através do site random.org;
- Como participação válida entende-se: existir apenas uma por participante com todos os dados do questionário respondidos correctamente;
- O vencedor será contactado por e-mail e anunciado no blogue;
- Este passatempo é válido para Portugal continental e ilhas;
- O blogue não se responsabiliza pelo possível extravio do livro nos correios.
sábado, 6 de janeiro de 2018
terça-feira, 2 de janeiro de 2018
Novidade da Cultura Editora para Janeiro
Pecados Santos, de Nuno Nepomuceno
Sinopse: Nas comunidades judaicas de Londres e Lisboa, ocorre uma série de homicídios, todos eles recriando episódios bíblicos. Atos bárbaros de antissemitismo ou de pura vingança? Um rabino é encontrado morto numa das mais famosas sinagogas de Londres. O corpo, disposto como num quadro renascentista, representa o sacrifício do filho de Abraão, patriarca do povo judeu. O caso parece ficar encerrado quando um jovem professor universitário a lecionar numa das faculdades da cidade é acusado do homicídio. Descendente de portugueses, existem provas irrefutáveis contra si e nada poderá salvá-lo da vida na prisão.
Mas é então que ocorrem outros crimes, recriando episódios bíblicos em circunstâncias cada vez mais macabras. E as dúvidas instalam-se. Estarão ou não estes acontecimentos relacionados? Poderá o docente vir a ser injustamente condenado? Porque insistirá a sua família em pedir ajuda a um antigo professor, ele próprio ainda em conflito com os seus próprios pecados? As autoridades contratam uma jovem profiler criminal para as ajudar a descobrir a verdade. Mas conseguirá esta mente brilhante ultrapassar o facto de também ela ter sido uma vítima no passado? Abordando temas fraturantes da sociedade contemporânea como o antissemitismo e o conflito israelo-árabe, e inspirando-se nos Dez Mandamentos e noutros episódios marcantes do Antigo Testamento, Pecados Santos guia-nos através das ruas históricas de Londres, Lisboa e Jerusalém, numa viagem intimista e chocante sobre o que de mais negro e vil tem a condição humana.
Disponível a partir de dia 19.
Sinopse: Nas comunidades judaicas de Londres e Lisboa, ocorre uma série de homicídios, todos eles recriando episódios bíblicos. Atos bárbaros de antissemitismo ou de pura vingança? Um rabino é encontrado morto numa das mais famosas sinagogas de Londres. O corpo, disposto como num quadro renascentista, representa o sacrifício do filho de Abraão, patriarca do povo judeu. O caso parece ficar encerrado quando um jovem professor universitário a lecionar numa das faculdades da cidade é acusado do homicídio. Descendente de portugueses, existem provas irrefutáveis contra si e nada poderá salvá-lo da vida na prisão.
Mas é então que ocorrem outros crimes, recriando episódios bíblicos em circunstâncias cada vez mais macabras. E as dúvidas instalam-se. Estarão ou não estes acontecimentos relacionados? Poderá o docente vir a ser injustamente condenado? Porque insistirá a sua família em pedir ajuda a um antigo professor, ele próprio ainda em conflito com os seus próprios pecados? As autoridades contratam uma jovem profiler criminal para as ajudar a descobrir a verdade. Mas conseguirá esta mente brilhante ultrapassar o facto de também ela ter sido uma vítima no passado? Abordando temas fraturantes da sociedade contemporânea como o antissemitismo e o conflito israelo-árabe, e inspirando-se nos Dez Mandamentos e noutros episódios marcantes do Antigo Testamento, Pecados Santos guia-nos através das ruas históricas de Londres, Lisboa e Jerusalém, numa viagem intimista e chocante sobre o que de mais negro e vil tem a condição humana.
Disponível a partir de dia 19.
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