domingo, 30 de abril de 2017

Opinião: Uma Magia Mais Escura (Shades of Magic #1)

Título Original: A Darker Shade of Magic (2015)
Autor: V. E. Schwab
Tradução: José Loja
ISBN: 9789899978577
Editora: Minotauro (2017)

Sinopse:

Kell é um dos últimos viajantes, magos com a capacidade rara e muito desejada de viajar entre universos paralelos, ligados através de uma cidade mágica. Existe a Londres Cinzenta, suja e aborrecida, desprovida de qualquer magia e regida por um rei louco: George III. Existe a Londres Vermelha, onde a vida e a magia são veneradas e onde Kell cresceu com Rhy Maresh, o herdeiro irreverente de um império próspero. Existe a Londres Branca, um lugar onde as pessoas lutam para controlar a magia e a magia contra-ataca, consumindo a cidade até aos ossos. Outrora, existiu a Londres Negra. Mas já ninguém fala dela. Kell é oficialmente o viajante da Londres Vermelha, embaixador do império Maresh, guardião da correspondência mensal entre as realezas de cada Londres. Não oficialmente, é um contrabandista, servindo as pessoas dispostas a pagar pelo mais pequeno vislumbre de um mundo que nunca verão. É um passatempo difícil, cujas consequências perigosas Kell sofrerá em primeira mão. Fugitivo na Londres Cinzenta, conhece Delilah Bard, uma fora da lei com aspirações grandiosas. Primeiro, rouba-o, depois, salva-o de um inimigo mortífero e, por fim, obriga-o a levá-la para outro mundo à procura de uma verdadeira aventura. Mas uma magia perigosa cresce e a traição está em todas as esquinas. Para salvar todos os mundos, têm, antes de mais, de sobreviver.

Opinião:

Estou rendida a esta aventura de V. E. Schwab. A sinopse já me tinha deixado a sensação de que Uma Magia Mais Escura tinha todos os ingredientes que me cativavam na literatura fantástica, mas ler este livro deu-me essa certeza. Gostei tanto desta leitura que acabei por me demorar mais tempo entre páginas, só para ter a possibilidade de permanecer entre Londres ao lado de Kell e de Lila durante mais tempo. Tarefa nada fácil, já que o desejo de descobrir toda esta aventura era grande.

Kell é um protagonista que captou logo a minha atenção. O livro começa com a descrição do seu casaco tão peculiar, o que me deixou logo com um sorriso no rosto. Com o passar das páginas, senti empatia por este jovem poderoso que acaba por assumir diversas facetas da sua personalidade mediante o lugar em que está e as pessoas com que interage. Fiquei rendida à mistura entre o seu lado negro e misterioso com o seu bom coração e sentido de humor distinto. A autora conseguiu manter um bom equilíbrio entre as peripécias de Kell, o desvendar do seu poder e as suas introspecções relacionadas com as suas origens e objectivos. Com esta figura, nenhum momento é cansativo.

A certo momento surge Lila, uma personagem de grande relevância, mas que, ao contrário de Kell, não me conquistou imediatamente. Senti-me intrigada por ela ao início, mas só a compreendi e estabeleci uma ligação com ela mais à frente na leitura. Talvez por isso, ela acabe por parecer mais humana e real do que Kell. O seu lado mais duro é fruto da experiência de vida, mas é ao perceber as suas fraquezas que dou mais valor à sua independência e coragem. A sua função é muito relevante para o desenrolar dos acontecimentos, além de que ajuda a dar uma nova visão sobre estas realidades paralelas. A certo momento, fica a sensação que, numa próxima aventura, esta figura terá um papel com um peso ainda maior e que grandes revelações estão para chegar.

As personagens secundárias estavam bem construídas, o que ajudou a dar mais força a esta história. Holland foi uma figura que despertou sentimentos contraditórios, percebendo-se que esta era a intenção da autora devido à forma como ele acabou por ser desvendado. Rhy, o príncipe da Londres Vermelha, é alguém com quem é fácil simpatizar, um grande companheiro de Kell que, apesar de tudo, esconde o receio de não ser quem todos esperam. Fica a ideia de que estas duas personagens ainda podem dar que falar na continuação da trilogia.

A sobreposição das quatro Londres, as semelhanças e diferenças entre as quatro cidades e a forma como cada uma acabou por evoluir é algo muito atraente. Estas quatro cidades são apresentadas com uma aura de mistério, sendo curioso que a autora consegue transmitir muito bem ao leitor os diferentes ambientes de cada uma. Na Cinzenta recordei uma outra época da nossa História, mas adorei a sensação de esperança de que algo de especial existe, mesmo que seja tido como impossível. A Vermelha representa uma realidade idílica, de grande beleza, prosperidade e esplendor que me fazia sentir vontade de explorar. A Branca choca pela crueldade, transmitido frieza e terror. A Negra é um verdadeiro mistério que tanto gera repúdio como curiosidade. Penso que as quatro acabam por transmitir as diferentes capacidades do ser humano e as suas consequências.

O desenrolar da narrativa está equilibrado. Se é verdade que existem momentos mais intensos, não senti aborrecimento em qualquer fase da leitura. A apresentação das diferentes realidades é cativante, não havendo descrições excessivas. São muitos os momentos de acção, repletos de adrenalina, descobertas e também da sensação de perigo. Existe uma ideia latente de romance, mas felizmente foi apresentada como algo muito secundário, não sendo precipitado ou roubando espaço ao que era realmente importante. Fiquei surpreendida com algumas revelações e até com algumas reviravoltas. O final, contudo acabou por ser algo esperado, ainda que a autora deixado algumas pistas inesperadas que dão a entender que o próximo volume desta trilogia apresentará grandes surpresas.

Apesar de este ser o primeiro volume de uma trilogia, a autora preocupou-se em fechar uma fase da história neste volume. Assim sendo, quem quiser arriscar a leitura, o que e recomendo fortemente, não ficará com a sensação de que ficou a meio de uma história. Fiquei muito bem impressionada com Uma Magia Mais Escura e com imensa vontade de começar a ler o segundo volume desta trilogia. Se gostam de grandes aventuras e de fantasia, então não percam este livro.

domingo, 23 de abril de 2017

Feliz Dia Mundial do Livro!


"Um leitor vive mil vidas antes de morrer, o homem que nunca lê vive apenas uma."
George R. R. Martin

sexta-feira, 21 de abril de 2017

Opinião: Sinto a Tua Falta

Título Original: MissYou (2015)
Autor: Kate Eberlen
Tradução: Inês Castro
ISBN: 9789896578756
Editora: Planeta (2017)

Sinopse:

O amor chega quando estamos preparados... Tesso sonha em ir para a universidade. Gus mal pode esperar para fugir do controlo da família e descobrir o que de facto deseja ser. Por um dia, nas férias, os caminhos destes jovens de dezoito anos cruzam-se antes de voltarem a casa e verificarem que a vida nem sempre decorre como planeado. Nos dezasseis anos seguintes, com rumos de vida bastante diferentes, cada um descobrirá os prazeres da juventude, enfrentará problemas familiares e encarará as dificuldades da vida adulta. Separados pela distância e pelo destino, tudo leva a crer que será impossível que um dia se conheçam verdadeiramente... "Sinto a Tua Falta" conta duas trajectórias que se entrelaçam sem se tocarem, numa narrativa que emociona.

Opinião:

Sinto a Tua Falta é um livro muito romântico que nos mostra que, apesar dos muitos obstáculos que a vida apresenta, a felicidade e o amor podem ser encontrados. Tudo no seu tempo certo. Kate Eberlen, a autora, mostra que muito dificilmente conseguimos seguir fielmente o plano que traçamos e que nem sempre nos tornamos nos adultos que imaginamos durante a adolescência. Contudo, tal não significa que não seja possível alcançar os nossos sonhos, mesmo que para tal tenhamos de seguir caminhos inesperados.

Tesse e Gus são os protagonistas deste romance. As suas histórias são relatadas em capítulos intercalados e na primeira pessoa. Acompanhamos as suas vidas desde o fim da adolescência até à idade adulta e percebemos de que forma o seu percurso os moldou e como tal foi necessário para que algo de especial acontecesse. Logo no início, fica patente que os dois têm origens sociais e personalidades distintas. É então normal que exista maior empatia por uma personagem do que pela outra.

A história e Tess acabou por aguçar mais a minha curiosidade, mas não tanto por ela. As situações em que se encontrava e as personagens que a rodeavam faziam-me ansiar pelos seus capítulos. Senti compaixão pela sua situação inicial, admirei-a por não abandonar a irmã, mas não concordei com algumas das decisões que tomou. O seu percurso sensibiliza para a Síndrome de Asperger, as vítimas de cancro e o alcoolismo.

 Gus, talvez por inicialmente ser mais introspectivo e não se rodear tanto de outras personagens, acabou por não chamar tanto a atenção. Mas conforme a sua narrativa vai desenrolando, vai também ficando mais apelativa. Com ele pensamos nas expectativas familiares, isto em diferentes papéis. Sente-se que ele esconde-se atrás de uma máscara criada para corresponder às expectativas dos outros, mas isso só o coloca em negação e magoa quem se deixa enganar por essa imagem.

Existe um acontecimento que tinha a certeza que iria ocorrer e pelo qual ansiava, contudo, a forma como este se deu ficou aquém das expectativas. Faltou veracidade ao momento, ao mesmo tempo que tudo pareceu dar-se demasiado depressa. Depois disto, o fim chega com muitas questões em aberto e sem se perceber ao certo o que irá acontecer aos protagonistas. Afinal, a vida volta a pregar uma partida e a conclusão acaba por tanto dar esperança como deixar a dúvida no ar. Como tal, a leitura, apesar de ter sido agradável, não chegou ao fim com a sensação de conclusão e de que tudo tinha sido explicado e encontrado o seu lugar.

O título da obra gera algumas dúvidas, mas fica a ideia de que pode ter um duplo significado. Por um lado existe entre os protagonistas a ideia de que sentem falta de alguém que ainda não conheceram, alguém por quem nutram amor e que os corresponda. Esta falta é, assim, o desejo de encontrar um companheiro para a vida. Por outro lado, Tess e Gus sofreram perdas e estão a lidar com essas faltas. O curioso aqui é que o luto é feito de formas diferentes, até porque a relação que tinham com as figuras que partiram era bastante diferente. Apesar de tudo, essas mortes tiveram profundas marcas nas suas vidas.

Apesar de ser um livro com mais de 400 páginas, Sinto a Tua Falta é lido com vontade. Como tal, fiquei impressionada quando cheguei ao fim com tanta rapidez. Os dramas descritos no livro são bastante reais e ensinam que os problemas não significam derrotas. A autora mostra que existem alternativas para se conquistar o que se deseja. Uma história bonita e que tem ensinamentos.

quinta-feira, 20 de abril de 2017

Opinião: A Tua Segunda Vida Começa Quando Percebes Que Não Terás Outra

Título Original: Ta deuxième vie commence quand tu comprends que tu n'en as qu'une (2015)
Autor: Raphaëlle Giordano
Tradução: Patrícia Xavier
ISBN: 9789896652210
Editora: Suma de Letras (2017)

Sinopse:

Camille tem tudo e parece estar feliz. Então, por que sente a felicidade escorregar-lhe por entre os dedos? Quando Claude, rotinólogo, se oferece para a ajudar, ela não hesita. Através de experiências surpreendentes e incríveis, Camille vai, passo a passo, transformando sua vida e começa a conquistar seus sonhos. Um romance enternecedor e autêntico sobre a capacidade de nos reinventarmos

Opinião:

Raphaëlle Giordano, coach de desenvolvimento e criatividade, inspirou-se claramente na própria profissão para escrever este seu primeiro romance. Em  A Tua Segunda Vida Começa Quando Percebes Que Não Terás Outra encontramos uma mulher comum que passa por desafios e obstáculos semelhantes a muitas outras pessoas. Ao apresentar esta personagem e a jornada que fez para alcançar os seus sonhos, a autora procura entreter o leitor e transmitir conselhos e estratégias que podem ser levados para a vida.

Conhecemos Camille numa situação caricata e depois somos apresentados à sua realidade pessoal, familiar e profissional. Quando Claude aparece, não sabemos bem o que esperar desta personagem, que parece demasiado altruísta para ser verdade. Entre os dois acaba por se estabelecer uma ligação de mestre e aprendiz que proporciona ao leitor uma nova visão sobre as dificuldades da vida.

A narrativa começa de forma interessante, mas acaba por agarrar como era esperado. Tal pode ter acontecido devido à construção das personagens. Afinal, as figuras apresentadas representam estereótipos e acabam por não ter uma profundidade capaz de gerar empatia. Além disso, o desenrolar da trama é feito através de uma sequência de ensinamentos, sendo que a aprendizagem acontece com rapidez e deixando a impressão de que tudo é fácil.

A história em si acaba por não ser marcante, mas as técnicas de coaching acabam por serem assimiladas e, quem sabe, utilizadas no futuro. Este é mesmo o ponto mais interessante da obra, uma vez que, de uma forma descontraída, dá a conhecer técnicas que podem ser implementadas na vida do leitor, nos mais diferentes campos.

Nas páginas finais do livro, existe um pequeno índice que recordam e explicam alguns dos conceitos que foram apresentados ao longo da leitura. Desta é reforçada a ideia de que este livro tem o objectivo de dar a conhecer métodos e estratégias que podem levar ao desenvolvimento humano e, desta forma, à felicidade.

A Tua Segunda Vida Começa Quando Percebes Que Não Terás Outra é um livro que se lê com facilidade e rapidez. Acredito que esta é uma leitura pertinente para quem sente que a sua vida chegou a uma fase de estagnação e comodismo e deseja fazer uma análise da situação actual para, de seguida, encontrar novos caminhos que conduzam à realização pessoal.

segunda-feira, 17 de abril de 2017

Opinião: Imperador dos Espinhos (Trilogia dos Espinhos #3)

Título Original: Emperor of Thorns (2013)
Autor: Mark Lawrence
Tradução: Renato Carreira
ISBN: 9789898855046
Editora: TopSeller (2017)

Sinopse:

Um rei em busca da vingança.
Com apenas vinte anos de idade, o príncipe tornou-se o Rei Jorg Ancrath, rei de sete nações, conhecido em todo o Império. Mas os planos de vingança que tem para o seu pai ainda não estão completos. Jorg tem de conseguir o impossível: tornar-se imperador.
Um império sem imperador há cem anos.
Esta é uma batalha desconhecida para o jovem rei, habituado a conquistar tudo pela espada. De quatro em quatro anos, os governantes dos cem reinos fragmentados do Império Arruinado reúnem-se na capital, Vyene, para o Congresso, um período de tréguas durante o qual elegem um novo imperador. Mas há cem anos, desde a morte do último regente, que nenhum candidato consegue assegurar a maioria necessária.
Um adversário temível e desconhecido.
Pelo caminho, o Rei Jorg vai enfrentar um adversário diferente de todos os outros, um necromante como o Império nunca viu, uma figura ainda mais odiada e temida do que ele: o Rei dos Mortos.

Opinião:

Este é o último livro da Trilogia dos Espinhos. Em Imperador dos Espinhos, ficamos a conhecer de que forma Jorg vai lutar para alcançar os seus maiores objectivos: vingar-se do pai e tornar-se no imperador, só para provar a todos de que é capaz de fazer o que bem entender. Se nos livros anteriores fiquei impressionada com a construção e desenvolvimento desta figura, posso desde já desvendar que a evolução de Jorg continua e que Mark Lawrence guardou muitas cartas na manga para terminar em grande esta aventura.

A narrativa principal é contada no ponto de vista de Jorg. Desta forma o autor mostra como trabalha a mente deste protagonista de índole tão duvidosa. É curioso constatar o seu egoísmo, mesmo quando parece estar a fazer algo pelos outros, mais o mais atraente é perceber como as suas estratégias são delineadas. Graças aos livros anteriores, já esperamos que sejam usados métodos pouco convencionais ou dignos para que Jorg consiga obter aquilo que quer, mas não deixa de ser intrigante ver que novos esquemas ele vai colocar em prática.

Após um certo acontecimento, é possível perceber uma certa mudança em Jorg, que acaba por criar maior empatia e por levá-lo num caminho que sugere redenção. Digo apenas sugere, pois tal acabará por ficar ao critério de cada leitor. Ainda assim, é curioso ver o caminho que ele percorre e a forma como teme tornar-se na pessoa que mais odeia. Desta forma, as fragilidades do protagonista ficam latentes.

Existem ainda capítulos referentes a acção que decorre no passado, o que acabam por fornecer informações relevantes para entender o que está a acontecer no presente. Aqui, o que mais me chamou a atenção foi o facto de o autor voltar a dar a ideia de que esta é uma trama que se passa no futuro, havendo por isso a presença de tecnologia avançada. Curiosamente, estes conhecimentos técnicos acabam por parecerem misturados com magia. Existe ainda uma série de capítulos que mostram o ponto de vista de outra personagem e, desta forma, um outro lado da trama e um perigo que se aproxima.

Conforme a leitura vai decorrendo, é possível perceber que se está a aproximar um momento marcante. Apesar de todas estas pistas, nada me levou a adivinhar as reviravoltas que o autor tinha preparado para o desfecho desta grande aventura. A conclusão foi verdadeiramente inesperada. O destino dado a Jorg, os motivos para tal e o confronto final fizeram todo o sentido e fazem com que esta personagem dificilmente desapareça da memória.

Imperador dos Espinhos encerra esta trilogia com chave de ouro. Mark Lawrence manteve-se fiel ao tom da obra e às características do protagonista que criou e ainda conseguiu surpreender com um desfecho inesperado. Acredito que os leitores que ficaram cativados com os primeiros livros vão apoiar as decisões do autor. Esta trilogia foi encerrada com um livro forte.

Outras opiniões a livros de Mark Lawrence:
Príncipe dos Espinhos (Trilogia dos Espinhos #1)
Rei dos Espinhos (Trilogia dos Espinhos #2)

Novidade da Nuvem de Tinta para Abril

Se Eu Fosse Tua, de Meredith Russo
Sinopse: Só porque tens um passado, não quer dizer que não possas ter um futuro. Mudar de escola no último ano e ser a miúda nova do liceu nunca é fácil para ninguém. Amanda Hardy não é excepção: se quiser fazer amigos e sentir-se aceite, terá de baixar as defesas e deixar que os outros se aproximem. Mas como, quando guarda um segredo tão grande? Quando tenta a todo o custo esconder o seu passado e começar uma vida nova? Para piorar as coisas, apaixona-se perdidamente pelo rapaz mais popular do liceu e tudo o que mais quer é contar-lhe a verdade. Será que ele é tão especial quanto parece? Poderá confiar nele? Uma história inspiradora e comovente que nos enche o coração e nos ensina que o amor mais verdadeiro e profundo nasce da coragem de sermos nós mesmos.

Já disponível!

domingo, 16 de abril de 2017

Opinião: Poder e Vingança (Império das Tormentas #1)

Título Original: Hope and Red (2016)
Autor: Jon Skovron
Tradução: Jorge Candeias
ISBN: 9789897730344
Editora: Edições Saída de Emergência (2017)

Sinopse:

Um procura poder. O outro vingança.

Num império fraturado espalhado por mares selvagens, dois jovens de culturas diferentes encontram um objetivo em comum. Uma rapariga sem nome é a única sobrevivente quando a sua aldeia é massacrada por biomantes, servos místicos do imperador. Após receber o nome da sua aldeia devastada, Esperança Negra é treinada pelo mestre Vinchen como uma guerreira e instrumento de vingança.

Nas ruas da cidade de Nova Laven, um rapaz torna-se órfão e é adotado por uma das criminosas mais afamadas do submundo. Recebe o nome de Ruivo e é treinado como ladrão e vigarista. Quando um acordo é feito entre criminosos e os biomantes para governar as ruelas de Nova Laden, os mundos de Esperança e Ruivo acabam por chocar e eles são forçados a uma aliança inevitável…

Opinião:

Diverti-me muito a ler Poder e Vingança, o primeiro livro da trilogia "Império das Tormentas". Jon Skovron apresenta-nos um mundo novo, no qual o mundo conhecido é composto por um conjunto de ilhas. A cação é rápida, tornando-se cada vez mais intensa, o que faz com que a história agarre. As personagens principais têm passados que justificam aquilo em que se tornaram, sendo que as secundárias são um espelho desta nova sociedade.

A trama tem dois protagonistas, cujo ponto de vista surge em capítulos intercalados. Esperança e Ruivo são as figuras que nos transportam para esta aventura. Senti-me mais atraída por Esperança do que por Ruivo devido à história pessoal de cada um. A dela acaba por chocar mais e é também através dela que conhecemos os terrores causados pelos biomantes e ainda a Ordem de Vinchen Contudo, colocando as emoções de parte, vejo que Ruivo tem uma construção mais interessante, devido à forma como se adapta às circunstâncias, mas mantendo um fundo bom.

Desde o principio que sabemos que vai existir um encontro entre os dois, mas a espera revelou-se mais longa do que imaginava. Percebo o motivo para tal ter acontecido, já que foi preciso que os dois construíssem as suas personalidades e criassem as suas próprias histórias antes de se encontrarem, mas ainda assim senti que a trama precisava que Esperança e Ruivo se conhecessem durante mais tempo. É que o tempo que é gasto na criação de laços acaba por ser muito menor e, por isso, fica a sensação de que era preciso mais para fortalecer a ligação entre ambos.

A narrativa é apelativa, tendo sempre algum acontecimento de destaque. A sequência de acontecimentos faz sentido e justifica os motivos de cada personagem. Existem muitos momentos de acção, sendo que a descrição destes é directa e sem espaço para confusões. As relações entre personagens geram interesse, uma vez que tanto mostram laços mais profundos assim como ligações superficiais e de interesse. Os biomantes e os Vinchen acabam por ser inovadores, mas também familiares, já que uns se inspiram nos magos que povoam muito género fantástico enquanto os outros fazem recordar grupos que vivem para o aperfeiçoamento de artes marciais.

O autor criou uma gíria para o povo de Nova Laven, o que foi muito divertido de descobrir. Ao início estava constantemente a ir às páginas finais do livro para perceber o que cada expressão ou palavra queria dizer, mas com o decorrer da leitura já estava a entender tudo. Tanto que, a certo ponto, já dava por mim a pensar com alguns destes novos termos. As classes mais altas também têm particularidades na linguagem, as do povo comum acabaram por ser as mais interessantes. Este pormenor deu uma nova graça à leitura e ajudou a torná-la ainda mais distinta.

Gostei muito desta leitura e fiquei ansiosa para pegar no próximo volume, mas reconheço que existem aspectos a serem melhorados. A história, apesar de me ter conseguido prender à leitura, era previsível. O facto de, em momento algum temer pela vida das personagens de que mais gostei é sinal de que conseguia adivinhar o rumo dos eventos e ainda perceber que os riscos não iriam trazer tragédia real. Os obstáculos poderiam ter maior dificuldade ou serem ultrapassados com maior dificuldade e sacrifício.

Através desta trama fantástica, o autor faz-nos pensar sobre questões da nossa sociedade. A separação entre ricos e pobres . Contudo, o que mais me chamou a atenção foi o papel da mulher. Se em situações comuns, entre as camadas menos privilegiadas, as mulheres parecem ter um estatuto semelhante ao dos homens, entre os mais poderosos tal não acontece. É curioso que o medo de ver figuras femininas em altos cargos de liderança é disfarçado com a ideia da fragilidade e inferioridade da mulher. Esperança e outras figuras conseguem provar que esta discriminação não faz qualquer sentido.

Poder e Vingança é um livro que merece atenção e cuja continuação promete continuar a agarrar. Estou verdadeiramente curiosa para saber que novas aventuras Jon Skovron vai criar para Esperança e Ruivo. Afinal, a conclusão deste livro sugere uma grande mudança e faz acreditar que as prioridades de cada um estão prestes a serem alteradas. Quero muito ler a continuação desta história, que espero que seja publicada com brevidade. Recomendo.

Boa Páscoa!


quinta-feira, 13 de abril de 2017

Novidade da Saída de Emergência para Maio

O Assassino do Bobo, Robin Hobb
Sinopse: Tomé Texugo tem levado uma vida pacífica há anos, retirado no campo na companhia da sua amada Moli, numa vasta propriedade que lhe foi agraciada por serviços leais à coroa. Mas por detrás da sua respeitável fachada de homem de meia-idade, esconde-se um passado turbulento e de violência. Na verdade, ele é FitzCavalaria Visionário, um bastardo real, utilizador de estranhas magias e assassino. Um homem que tudo arriscou pelo seu rei, com grandes perdas pessoais. Até que, numa noite fatídica, um mensageiro chega com uma mensagem que irá transformar o seu mundo. O passado arranja sempre forma de se intrometer no presente, e os acontecimentos prodigiosos de que foi protagonista na companhia do seu grande amigo, o Bobo, vão voltar a enredá-lo. Se conseguirem, nada na sua vida ficará igual…

Disponível a partir de dia 19.

quinta-feira, 6 de abril de 2017

Opinião: Filhos do Vento e do Mar (Crónicas da Terra e do Mar #2)

Autor: Sandra Carvalho
ISBN: 9789722359924
Editora: Editorial Presença (2017)

Sinopse:

Forçadas a fugir de Águas Santas para escapar à fúria de Tomás Rebelo, Leonor e Guida chegam ao porto de Lisboa e confrontam-se com Corvo, o famoso pirata sobre o qual se contam tantas lendas. Horrorizada com a descoberta de que é filha de Diogo, o Açor, Leonor decide disfarçar-se de rapaz quando Corvo a obriga a embarcar no seu navio, protegendo-se assim dos impulsos masculinos. Inconformada com o seu destino, Leonor resolve fazer tudo para escapar aos piratas. Porém, com o passar do tempo, sente a herança do Açor a despertar dentro dela. O segredo que ensombra o passado de Corvo começa a inflamar a curiosidade, enquanto estabelece amizade com os homens que tanto temia. Conseguirá ela regressar a Águas Santas e desmascarar a perversidade de Tomás Rebelo, ou o apelo da liberdade e aventura, conjugado com a vontade de conhecer o verdadeiro pai, tornar-se-á irresistível

Opinião:

Já disse noutras opiniões, mas repito: Sandra Carvalho é uma verdadeira contadora de histórias. Depois de um longo período de espera, finalmente chegou a continuação de O Olhar do Açor (opinião aqui). Filhos do Vento e do Mar começa no momento em que o primeiro volume terminou, e é curioso que, apesar de ter esperado mais de dois anos por este livro, consegui recordar bem a história e as suas personagens.

Assim que comecei esta leitura, recordei por que motivo gosto tanto de ler livros desta autora. Existe uma sensação de familiaridade e conforto. Não sei se é por o estilo de escrita me fazer recordar contos de fadas ou pela forte presença da história e cultura portuguesa, mas a verdade é que esta sensação está presente em cada página. Isto já é algo que marca pela diferença.

Leonor, a protagonista que no livro anterior tanto me tinha cativado, surge de forma um pouco diferente neste volume. Ao início, consegui perceber o motivo de algumas das suas decisões, mas não as aceitei bem. Isso aconteceu devido à forma como ela agiu perante as novas circunstâncias que encontrou. Contudo, tudo faz sentido no enquadramento da história. Só que, como eu sabia o que estava do outro lado, custou-me um pouco mais vê-la a ir por certos caminhos.

A figura de maior destaque desta obra acaba por ser Corvo. Adorei a construção deste homem do mar que aparenta uma imagem para depois se desvendar alguém com bom fundo. A forma como ele equilibrava a sua força de chefe com o carinho que nutre pelos que ama fazem com que seja difícil adivinhar a forma como ele vai reagir a cada momento. O grupo que ele comanda consegue ser diversificado e divertido. Já Guida, a grande companheira de Leonor, acaba por ficar um pouco aquém do que lhe era esperado, o que faz pensar sobre até onde pode ir a amizade.

Conhecer mais do que uma percepção acabou por ser tanto importante como até frustrante. Mas atenção, não digo isto em sentido depreciativo, pois esta sensação é gerada pela vontade de que segredos sejam descobertos e mal-entendidos sejam desfeitos. Desta forma, dei por mim a querer sempre saber o que acontecia a seguir e a deliciar-me com certas ocasiões em que quase tudo era colocado em causa.

A narrativa avança a um bom ritmo e é sempre apelativa. Li o livro com rapidez e vontade. A direcção da trama faz sentido, proporciona conhecimento sobre eventos passados e que são relevantes, e ainda revela um novo vilão que promete dar que falar. Não senti aborrecimento em nenhum momento e foi difícil largar o livro.

A maior parte da acção acontece a bordo de um navio. Confesso que, quando isto acontece, costumo sentir-me um pouco intimidada, pois sei que vou encontrar com uma série de conceitos que não domino. Contudo, a autora preocupou-se não só com a pesquisa sobre esta área como também em explicar cada termo de uma forma directa e fácil de ser entendida. Assim sendo, a meio da leitura dei por mim a entender tudo o que estava a ser descrito.

Terminada a leitura, fica a vontade de que o verão chegue depressa. Afinal, a autora já revelou que o último volume desta história poderá ser publicado em Junho. Eu continuo bem impressionada com esta saga e estou muito curiosa para conhecer o seu desfecho. Se gostam de livros que fazem sonhar e de aventuras que misturam magia com história, então não vão querer perder este.

Outras opiniões a livros de Sandra Carvalho:
A Última Feiticeira (A Saga das Pedras Mágicas #1)
O Guerreiro e o Lobo (A Saga das Pedras Mágicas #2)
Lágrimas do Sol e da Lua (A Saga das Pedras Mágicas #3)
O Círculo do Medo (A Saga das Pedras Mágicas #4)
Os Três Reinos (A Saga das Pedras Mágicas #5)
A Sacerdotisa dos Penhascos (A Saga das Pedras Mágicas #6)
O Filho do Dragão (A Saga das Pedras Mágicas #7)
Sombras da Noite Branca (A Saga das Pedras Mágicas #8)
O Olhar do Açor (Crónicas da Terra e do Mar #1)

Novidade da Minotauro para Abril

Uma Magia mais Escura, de V. E. Schwab
Sinopse: Kell é um dos últimos viajantes, magos com a capacidade rara e muito desejada de viajar entre universos paralelos, ligados através de uma cidade mágica. Existe a Londres Cinzenta, suja e aborrecida, desprovida de qualquer magia e regida por um rei louco: George III. Existe a Londres Vermelha, onde a vida e a magia são veneradas e onde Kell cresceu com Rhy Maresh, o herdeiro irreverente de um império próspero. Existe a Londres Branca, um lugar onde as pessoas lutam para controlar a magia e a magia contra-ataca, consumindo a cidade até aos ossos. Outrora, existiu a Londres Negra. Mas já ninguém fala dela. Kell é oficialmente o viajante da Londres Vermelha, embaixador do império Maresh, guardião da correspondência mensal entre as realezas de cada Londres. Não oficialmente, é um contrabandista, servindo as pessoas dispostas a pagar pelo mais pequeno vislumbre de um mundo que nunca verão. É um passatempo difícil, cujas consequências perigosas Kell sofrerá em primeira mão. Fugitivo na Londres Cinzenta, conhece Delilah Bard, uma fora da lei com aspirações grandiosas. Primeiro, rouba-o, depois, salva-o de um inimigo mortífero e, por fim, obriga-o a levá-la para outro mundo à procura de uma verdadeira aventura. Mas uma magia perigosa cresce e a traição está em todas as esquinas. Para salvar todos os mundos, têm, antes de mais, de sobreviver.

quarta-feira, 5 de abril de 2017

Opinião: Os Imperfeitos (#1)

Título Original: Flawed (2016)
Autor: Cecelia Ahern
Tradução: Maria João Freire de Andrade
ISBN: 9789722359658
Editora: Editorial Presença (2017)

Sinopse:

A vida de Celestine North é perfeita. Filha e irmã modelo, é muito popular junto dos colegas e professores e namora com Art Crevan, um dos rapazes mais encantadores da escola.
Mas Celestine vê-se confrontada com uma situação à qual reage por instinto, levada pela bondade. Quebradas as regras, terá de lidar com as consequências. Pode ser presa. Pode ser marcada a ferro quente. Podem obrigá-la a juntar-se às fileiras dos Imperfeitos.
Os Imperfeitos é um romance estonteante em que a autora bestseller Cecelia Ahern retrata uma sociedade em que a perfeição é essencial e em que a imperfeição é punida de forma exemplar, abordando temas atuais e complexos como o racismo, o bullying, a justiça, a verdade e a solidariedade.

Opinião:

Conhecia Cecelia Ahern, autora de livros como  P.S. - Eu Amo-te e Para Sempre, Talvez, de história românticas, foi por isso com surpresa que vi que a autora tinha publicado uma distopia destinada ao público jovem-adulto. Contudo, estes rótulos são sempre ingratos, pois muitas vezes não refletem a verdadeira dimensão de um livro. Garanto-vos que Os Imperfeitos é uma leitura destinada a todos, com uma mensagem forte e que, infelizmente, hoje parece estar a ser esquecida.

Logo no início, somos apresentados a uma sociedade que parece ter muitos pontos em comum com a nossa, mas também com fortes disparidades. É sugerido que a cação decorre num futuro não muito distante, numa fase que sucede uma forte crise. Nesta sociedade, existe o entendimento de que a paz, harmonia e prosperidade apenas poderá existir se as pessoas forem moldadas segundo padrões de perfeição. É curioso que, tal ideia, pode não parecer dramática, afinal, todos queremos ser o melhor que conseguimos, mas a verdade é que conforme a vamos explorando acabamos por perceber as suas fraquezas. Perante tal premissa, o leitor é levado, então, a pensar no que torna o ser humano perfeito ou não, ou se até mesmo tal conceito existe.

Perante isto, uma livro que, inicialmente, poderia sugerir a ideia de mais uma aventura distópica onde o amor adolescente tem papel central, acaba por se tornar numa obra forte que aborda temas como o preconceito, racismo, solidariedade, compaixão e bullying. Tudo isto é-nos apresentado através da experência da protagonista, Celestine, uma jovem que acreditava encaixar-se nos padrões exigidos, mas que acaba por perceber que existem fortes falhas na exigência de perfeição e na discriminação do outro.

Confesso que não simpatizei imediatamente com Celestine. Contudo, também penso que não era isso que a autora pretendia. Afinal, ela, numa fase inicial, representa os jovens que se encaixam num padrão que é bem visto pelos outros e que acaba por agir conforme aquilo que sabe que lhe é esperado. Mas um determinado evento leva-a a fugir das normas, e isso acaba por desencadear uma série de eventos cuja gravidade cresce como uma bola de neve. Perante isto, e sobretudo perante a descoberta do sentido crítico da protagonista e das suas demonstrações de coragem, esta figura torna-se cativante. Gostei do contraste que existia entre ela e a irmã e ainda da forma como elas evoluíram ao longo da narrativa.

Li o livro com rapidez, impressionada com as provações de Celestine e curiosa para saber como ela iria agir conforme novos obstáculos foram surgindo. Os momentos de prisão e as reações que existiram na escola foram aquelas que mais me marcaram. Também existe uma componente romântica, mas esta não toma o foco da narrativa, o que é um bom equilíbrio.

A história de Celestine faz-nos pensar nas vezes em que nos deparámos com injustiças mas que achámos melhor não interferir.  Afinal, esta tendência para ignorar o que de incorrecto encontramos pode estar a ajudar no crescimento de algo que condenamos. Faz-nos pensar no quantas vezes erramos por não agirmos. Esta mensagem, nos tempos que correm, é de grande relevância.

Os Imperfeitos apresentou-me uma história mais forte e cativante do que estava à espera. Apreciei bastante esta leitura, tanto pela componente de entretenimento como pela mensagem que passou. A forma como a obra termina deixa vontade para que o próximo volume chegue rapidamente. Aconselho a leitura.

Outras opiniões a livros de Cecelia Ahern:
Para Sempre, Talvez

terça-feira, 4 de abril de 2017

Opinião: A Rapariga de Antes

Título Original: The Girl Before (2017)
Autor: J.P. Delaney
Tradução: Ester Cortegano
ISBN: 9789896652029
Editora: Suma de Letras (2017)

Sinopse:

«Por favor, faça uma lista de todos os bens que considera essenciais na sua vida.»

O pedido parece estranho, até intrusivo. É a primeira pergunta de um questionário de candidatura a uma casa perfeita, a casa dos sonhos de qualquer um, acessível a muito poucos.
Para as duas mulheres que respondem ao questionário, as consequências são devastadoras.

Emma: A tentar recuperar do final traumático de um relacionamento, Emma procura um novo lugar para viver. Mas nenhum dos apartamentos que vê é acessível ou suficientemente seguro. Até que conhece a casa que fica no n.º 1 de Folgate Street. É uma obra-prima da arquitectura: desenho minimalista, pedra clara, muita luz e tectos altos. Mas existem regras. O arquitecto que projectou a casa mantém o controlo total sobre os inquilinos: não são permitidos livros, almofadas, fotografias ou objectos pessoais de qualquer tipo. O espaço está destinado a transformar o seu ocupante, e é precisamente o que faz…

Jane: Depois de uma tragédia pessoal, Jane precisa de um novo começo. Quando encontra o n.º 1 de Folgate Street, é instantaneamente atraída para o espaço — e para o seu sedutor, mas distante e enigmático, criador. É uma casa espectacular. Elegante, minimalista. Tudo nela é bom gosto e serenidade. Exactamente o lugar que Jane procurava para começar do zero e ser feliz. Depois de se mudar, Jane sabe da morte inesperada do inquilino anterior, uma mulher semelhante a Jane em idade e aparência. Enquanto tenta descobrir o que realmente aconteceu, Jane repete involuntariamente os mesmos padrões, faz as mesmas escolhas e experimenta o mesmo terror que a rapariga de antes.

O que aconteceu à rapariga de antes?

Opinião:

A Rapariga de Antes apresenta um mistério que nos é relatado através de duas mulheres. É um livro que possui uma premissa diferente e que cativa pela originalidade. A ideia de uma casa que é alugada mediante uma série de regras pode causar estranheza, mas, ainda assim, gera curiosidade e acaba por ser a base para uma leitura cativante.

Ao início, Emma e Jane parecem ter muitos pontos em comum, mas conforme a leitura vai avançando, descobrimos que, afinal, elas são bastante diferentes. Os capítulos destas duas personagens surgem intercalados e, apesar de ambos estarem escritos na primeira pessoa, apresentam estilos distintos, quase como forma de nos mostrar que se tratam de figuras diferentes que têm formas de pensar e agir que em pouco se assemelham.

A construção de Emma está muito bem conseguida. Ela não é uma mulher que gostaria de ter como amiga, mas é alguém que tem profundidade e que gera interesse. Gostei de ir descobrindo a sua verdade e de perceber as suas diferentes facetas. Conforme mais pistas nos são dadas sobre esta figura, mais próximos da verdade ficamos. Já Jane, apesar de também ter uma história base forte, acaba por prender mais devido ao facto de ser através dela que encontramos os dados necessários para desvendar Emma e Edward Monkford, o arquiteto da casa onde ambas as protagonistas acabam por ir viver, em tempos separados.

A casa que fica no n.º1 de Folgate Street é o espaço principal da ação. É curioso que o papel importante desta casa faz com que ela também se pareça uma personagem. A sua descrição leva-nos a imaginar um espaço amplo, de linhas direitas, sem grandes adornos e onde o branco impera. Mas se tal imagem pode, à primeira vista, sugerir a ideia de paz e despojamento, a verdade é que a casa acaba por se revelar um lugar sufocante, opressor, limitador e onde a mente e a alma parece ficar presa.

Uma morte no casa do n.º1 de Folgate Street  é o motor da ação. Senti-me curiosa com a intriga e isso levou-me a ler com rapidez. Perante um thriller, existe sempre a noção de que todos os pormenores contam e de que existem poucas coincidências, o que me levou a analisar tudo o que era apresentado e a formular diversas hipóteses. Tal como é normal neste género, existe uma tentativa de desviar atenções para outras personagens de modo a manter o mistério por algum tempo, acabando por ser divertido ver como isso foi feito. Contudo, a certo ponto, é possível perceber o que realmente aconteceu, e penso que teria sido mais interessante se o autor tivesse conseguido manter o suspense por mais algum tempo. Mesmo assim, as últimas páginas são lidas num instante.

J.P. Delaney não só proporciona bons momentos com esta obra como ainda nos faz pensar sobre relações abusivas, a mentira entre casal, a dor da perda e o afastamento da sociedade.  Se gostam de livros que possuem um mistério e puxam pela capacidade de ler nas entrelinhas, então vão apreciar a leitura de A Rapariga de Antes. 

segunda-feira, 3 de abril de 2017

Opinião: Empurrado para o Pecado (#2)

Título Original: Wicked Dix (2016)
Autor: Monica James
Tradução: Inês Castro
ISBN: 9789896579050
Editora: Planeta (2017)

Sinopse: 

O livro começa onde o anterior nos deixou, com Dixon a tentar fugir das garras de Juliet, e a manter o relacionamento crescente com a inocente Maddy. Mas o que não esperava era ter de percorrer um caminho tortuoso para afastar a vil Juliet da sua vida. Um homen entre duas mulheres opostas.

Opinião:

Diverti-me muito a ler Viciado no Pecado, primeiro livro das aventuras de Dixon. Assim sendo, quando Empurrado para o Pecado me chegou às mãos, foi com entusiasmo que comecei a leitura. Não só era bom reencontrar as personagens como saber que, com este livro, ia ficar conhecer a conclusão das aventuras de Dixon.

A narrativa começa no ponto em que o primeiro livro terminou. Desta forma, não demoramos muito tempo a descobrir a nova atitude do protagonista perante o grande obstáculo que foi revelado no final do volume anterior. Confesso que gostaria que Dixon seguisse um outro caminho, mas percebo que, se tal acontecesse, não haveria motivos para esta trama. Apesar de tudo, fica a mensagem que a verdade acaba sempre por aparecer e que, numa relação, esta é uma grande base que nunca pode faltar.

As diferenças existentes o Dixon que inicialmente nos foi apresentado e o Dixon deste volume são perceptíveis. Contudo, penso que, por estar tão agarrado a uma falsidade, acabou por ficar menos atraente. Madison parece representar uma princesa que precisa ser resgatada, apesar de, no final, haver uma pequena reviravolta. Juliet acaba por ser mais intrigante e gostei da forma como ela acabou por ser desconstruída.

Esta é uma leitura que tem uma carga erótica, mas a história é mais forte do que isso. As cenas mais quentes acontecem quando há motivo para isso, o que faz com que sejam uma parte da história e não  uma presença constante na narrativa. O que mais me atraiu neste livro foi mesmo a perspectiva masculina, que é fresca e divertida, e ainda o enredo, que apresenta um jogo de mentiras que queremos ver cair.

Mas se em Viciado no Pecado fiquei surpreendida pelo factor novidade, desta vez senti-me sempre na expectativa de que algo original acontecesse. O desenrolar dos acontecimentos acaba por ser o esperado, o que faz com que no final exista uma sensação de que tudo encontrou o seu rumo, mas também de que poderia ter existido algo mais impressionante.

Empurrado no Pecado encerra uma história que me proporcionou momentos agradáveis. A mudança que se sente em Dixon vai de encontro ao desejo de reparar o que parece não ter solução, algo que, normalmente, atrai o género feminino. O sentido de humor e as situações inusitadas fazem com que a leitura avance a um bom ritmo. Uma bom livro para quem quer divertir-se com uma história de amor um pouco diferente.

Outras opiniões a livros de Monica James:
Viciado no Pecado (#1)

domingo, 2 de abril de 2017

Novidades da TopSeller para Abril

As Assistentes, de Camille Perri
Sinopse: Tina Fontana, 30 anos, licenciada. Vive em Nova Iorque e trabalha numa grande multinacional. Todos acham que tem um emprego invejável: é assistente de um dos homens mais poderosos do país. Mas após seis anos a cumprir todas as regras e a satisfazer os mais bizarros pedidos do chefe, ela continua a ser uma mera assistente.
Endividada até à ponta dos cabelos, Tina mal consegue sobreviver. Por isso, quando tem a oportunidade de fazer algum dinheiro da empresa cair acidentalmente na sua conta, ela é incapaz de se conter.
Quando a fraude é descoberta, Tina só tem uma solução: continuar a desviar dinheiro para comprar o silêncio da sua (nada discreta) chantagista. Mas as coisas rapidamente fogem de controlo. Muitas das suas colegas fartas das condições de trabalho — e falidas — pedem-lhe ajuda.
Tina torna-se, sem querer, uma espécie de Robin Hood dos tempos modernos. E se antes sentia que estava a quebrar as regras, agora é uma questão de justiça. Mas todas as ações têm consequências e Tina Fontana não está preparada para o que lhe irá acontecer.


O Segredo Mais Sombrio, de J. Kenner
Sinopse: Memórias de um passado secreto afastaram-nos, mas uma atração incontrolável voltou a uni-los.
O Rei do Sexo. Era assim que Dallas Sykes gostava de ser conhecido, e fazia de tudo para manter a reputação de que na cama ninguém era melhor do que ele — uma reputação que levou anos a construir e que servia para ocultar um grande segredo.
Jane Sykes, sua irmã de criação, com quem não partilhava qualquer laço de sangue, conhecia Dallas demasiado bem para saber que a vida luxuriosa que este levava não passava de um subterfúgio.
Jane e Dallas apaixonaram-se na adolescência e juntos foram vítimas de um terrível sequestro, um crime que jamais esqueceriam. Pensaram que conseguiriam seguir em frente se se afastassem, mas, 17 anos depois, a atração que sentem um pelo outro ainda é demasiado forte.
Ambos tentam desesperadamente manter o controlo, mas conseguirão evitar ceder ao incontrolável desejo que arde entre os dois?


sábado, 1 de abril de 2017

Qual é o livro? #89


"Quando o Sr. B**** B****** (...) anunciou que celebraria em breve o seu 111.º aniversário com festa de grande magnificência, falou-se muito e houve muita excitação..."

Regras da rubrica aqui.

Novidade da Marcador para Abril

O Ano da Dançarina, de Carla M. Soares
Sinopse: No ano de 1918, o jovem médico tenente Nicolau Lopes Moreira regressa da Frente francesa, ferido e traumatizado, para o seio de uma família burguesa de posses e para um país marcado pelo esforço de guerra, pela eleição de Sidónio Pais e pela pobreza e agitação social e política.
No regresso, Nicolau vê-se confrontado com uma antiga relação com Rosalinda, dançarina e amante de senhores endinheirados, e com as peculiaridades de uma família progressista.
Enquanto a Guerra se precipita para o fim e, em Lisboa, se vive a aflição da epidemia e da difícil situação política, a família experimenta o medo e perda, e Nicolau conhece um amor inesperado enquanto trava as suas próprias batalhas contra a doença e os próprios fantasmas.
Este é um romance de grande fôlego, histórico, empolgante e profundo, sobre a superação pessoal e uma saga familiar num tempo de grande mudança e turbulência em Portugal.