segunda-feira, 27 de julho de 2015

Opinião: O Lago dos Sonhos (Blackthorn & Grim, #1)

Título original: Dreamer's Pool (2013)
Autor: Juliet Marillier
Tradução: Catarina F. Almeida
ISBN: 9789896576288
Editora: Planeta (2015)

Sinopse:

Um livro intenso que tem como pano de fundo a Irlanda medieval. Voltando ao registo dos seus primeiros livros, a autora constrói uma trama intricada, sempre acompanhada dos mistérios celtas, que não deixará os leitores indiferentes.
Em troca de ajuda para escapar a um longo e injusto encarceramento, a amarga curandeira mágica Blackthorn... terá de cumprir, durante sete anos, a promessa que fez ao seu libertador: aceder a todos os pedidos de socorro que lhe forem dirigidos.

Opinião:

Juliet Marillier é uma autora que eu faço questão de acompanhar e fico feliz por os seus livros estarem a ser publicados com regularidade em Portugal.O mais recente a chegar às nossas livrarias é O Lago dos Sonhos, o primeiro volume de uma nova série, que marca o regresso da contadora de histórias a temas mais adultos.

Esta trama é narrada segundo três pontos de vista diferentes. O primeiro que nos é dado a conhecer é o de Blackthorn. Ao contrário de grande parte das protagonistas da autora, esta é uma mulher madura,  sábia, com um temperamento difícil, resultado de um passado de dor e perda, e que tem muita vontade de ver a justiça a ser feita. Gostei bastante dela pela sua diferença e por parecer ser alguém real. Juliet Marillier arriscou com esta personagem e fê-lo muito bem! Nota-se que ela se inspirou nos seus conhecimentos druídicos para a criar assim como na experiência pessoal de outros.

Depois, existe Grim, um homem que também é muito diferente e inesperado. Nota-se queexiste nele um grande coração, mas também algo muito negro que o atormenta. Ao longo de toda a obra queremos perceber o que lhe aconteceu para se tornar o que é. A terceira visão da obra é dada por Oran, um príncipe jovem, idealista e romântico. Ele é o típico galã com que todas as jovens desejam casar, e penso que, desta forma, a autora quis mostrar que o sonho pode existir, ainda que possa ser improvável. Afinal, Juliet já disse por mais do que uma vez que gosta de contar histórias que transmitam esperança apesar dos muitos obstáculos que possam ter.

O desenrolar da narrativa está muito bem conseguido, apesar dos acontecimentos que são revelados na sinopse apenas surgirem na segunda metade do livro. O início é chocante e justifica a personalidade de Blachthorn e Grim. Ao mesmo tempo, cria no leitor a necessidade de que os vilões sejam castigados, uma revolta que se mantém ao longo de toda a leitura. Os elementos mágicos são muito semelhantes aos que surgem noutras obras da autora, uma vez que parecem não ter limites com o que é natural. Podem surgir dúvidas sobre como a história de Blachthorn e Grim se vai intercalar com a de Oran, uma vez que tal demora a acontecer.~

Nesta trama, penso que não existe um grande vilão a ser derrotado, mas sim várias forças que representam a corrupção da humanidade. De todas as formas, a mentira e o engano está sempre subjacente, sendo ainda que na maioria das ocasiões existe o uso da força e do poder para subjugar aqueles que são mais fracos. Acredito que a autora queria mostrar que estas maldades e atrocidades também existem nos nossos dias e, assim, sensibilizar os leitores a serem mais atentos com o que os rodeia.

Relativamente ao mistério que envolve esta trama, está bem conseguido, apesar de Juliet Marillier fornecer muitas pistas sobre o que poderá estar verdadeiramente acontecer. Sendo assim, não é difícil adivinhar qual será a resolução, mas quando tal acontece parece algo saído de um verdadeiro conto de fadas.

O Lago dos Sonhos revela ser um ponto de viragem no trabalho de Juliet Marillier. A trama adquiriu um teor mais adulto e interventivo mas sem nunca perder a ideia de sonho e esperança tão características da autora. Eu fiquei muito bem impressionada e estou ansiosa pela chegada do próximo volume desta série, que tem tudo para estar entre as melhores desta verdadeira contadora de histórias.

Outras opiniões a livros de Juliet Marillier:
A Filha da Floresta (Sevenwaters #1)
O Filho das Sombras (Sevenwaters #2) 
A Filha da Profecia (Sevenwaters #3)
A Vidente de Sevenwaters (Sevenwaters #5)
A Chama de Sevenwaters (Sevenwaters #6)
Sangue-do-Coração
Shadowfell (Shadowfell #1)
O Voo do Corvo (Shadowfell #2)
A Voz (Shadowfell #3)

quarta-feira, 22 de julho de 2015

Opinião: Shiver - Um Amor Impossível (Lobos de Mercy Falls #1)

Título original: Shiver (2009)
Autor: Maggie Stiefvater
Tradução: Maria do Carmo Figueira
ISBN: 9789720044273
Editora: Editorial Presença (2011)

Sinopse:

Sam e Grace são dois adolescentes que vivem um amor sublime e aparentemente impossível. Todos os anos, quando chega a Primavera, Sam, abandona a sua vida de lobisomem e recupera a forma humana, aproximando-se de Grace, mas sempre que regressa o Inverno, vê-se obrigado a voltar à floresta e a viver com a sua alcateia. Quando olha pela janela de sua casa, na orla da floresta, Grace repara sempre num lobo que a fita com os seus misteriosos olhos amarelos e sabe que é ele, Sam, o seu salvador. E Sam observa a sua amada de longe, ansiando pelo retorno da Primavera. Conseguirá o seu amor, cada vez mais intenso, vencer os muitos obstáculos que ameaçam separá-los para sempre? Uma história cheia de aventuras e descobertas, mágica, original, que desafia a mente e enternece o coração.

Opinião:

Desde que Shiver - Um Amor Impossível saiu no mercado português que eu estava muito curiosa e com muita vontade de o ler. Afinal, trata-se de um livro dentro do género fantástico e sobre o qual já tinha lido boas opiniões. A oportunidade para o fazer aconteceu recentemente, e eu esperava deparar-me com uma história pouco complexa mas bonita e amorosa. Infelizmente este livro revelou-se uma grande desilusão.

Durante a leitura, não consegui deixar de constatar que Maggie Stiefvater parece fã de Stephanie Meyer. Perdoem-me, mas não consigo deixar de constatar as muitas semelhanças que existem entre este livro e Crepúsculo. Os vampiros foram substituídos por lobisomens, o que não pode ser considerada uma grande novidade ou inovação.

Grace, a protagonista, parece ter a mesma personalidade aborrecida de Bella. Também ela é, supostamente, muito madura para a idade, também ela toma conta dos pais que, por uma razão muito pouco credível, são disparatados e ausentes, também ela desenvolve uma verdadeira obsessão por um rapaz estranho, também ela é muito melodramática e sim... também ela não se sente incomodada por ser observada enquanto dorme. Não consegui sentir qualquer empatia com Grace.

Não consigo mesmo perceber o encanto à volta de Sam. Ele é um rapaz atormentado que representa o lado sobrenatural da obra, o que também o torna misterioso, mas, tirando isso, tem poucos atrativos. A autora tenta mostrar que os lobisomens são seres que, com o tempo, acabam por se entregar ao lado instintivo, mas Sam combate isso devido ao seu "amor" por Grace. Esta ideia pode parecer muito romântica, mas não foi bem desenvolvida. Não se percebe como este amor surgiu, pois o momento do "clique" foi muito estranho (sério... se ela estava a ser atacada, porque não ficou com marcas?) e porque parece ir contra algo que seria mais natural. Além disso, ele não deixa de parecer um perseguidor e até mesmo as suas músicas conseguem ser constrangedoras de tão lamechas que são.

As restantes personagens são muito fracas e superficiais. Os motivos da "rival" de Grace são demasiado forçados, o que fazem com que não seja temível. O mentor de Sam é insípido e, apesar de no início parecer ser uma figura paterna, acaba por se revelar um homem que poderia ser mais complexo do que o que realmente é.  Os pais de Grace são completamente descabidos, o que me leva a pensar que têm aquela personalidade só mesmo para a filha poder andar livremente a fazer o que quer e para ter um rapaz escondido no quarto.

A autora até tinha algumas ideias interessantes, mas mesmo quando estas foram desenvolvidas, tal aconteceu de uma forma muito fraca. A sociedade lobisomen até poderia fazer sentido, mas não há grandes motivos para tudo ser tão voltado para Sam. Um suposto alfa não é alguém a quem a liderança é imposta. Os desaparecimentos poderiam ter feito o leitor levantar suspeitas e imaginar diferentes hipóses, mas nem isso foi bem aproveitado.

Shiver - Um Amor Impossível é um livro que se lê sem grande entusiasmo e que depressa se torna aborrecido. Pode ter alguns momentos mais interessantes, mas estes depressa são quebrados pelos dramas e amores de adolescentes. No final da leitura, apenas fiquei feliz por não ter arriscado em comprar os dois volumes que se seguem. Não tenho qualquer intenção de concluir esta trilogia.

segunda-feira, 20 de julho de 2015

Opinião: Letras Escarlates (Os Outros #1)

Título original: Written in Red (2013)
Autor: Anne Bishop
Tradução: Luís Santos
ISBN: 9789896377397
Editora: Edições Saída de Emergência (2015)

Sinopse:

Meg é uma profetisa de sangue. Sempre que a sua pele é cortada, ela tem uma visão do futuro – um dom que mais lhe parece uma maldição. O Controlador de Meg mantém-na aprisionada de forma a ter acesso total às suas visões. Quando finalmente ela consegue escapar, o único sítio seguro para se esconder é no Pátio de Lakeside – uma zona controlada pelos Outros.
O metamorfo Simon Wolfgard sente alguma relutância em contratar a estranha que lhe pede trabalho. Sente que ela esconde algo e, para além disso, ela não lhe cheira a uma presa humana. Algo no seu íntimo leva-o a contratá-la, mas ao descobrir quem a jovem realmente é e que o governo a procura, ele terá de tomar uma decisão. Será que proteger Meg é mais importante do que evitar o confronto que se avizinha entre humanos e Outros?

Opinião:

Depois de tanta espera, finalmente chegou mais um livro de Anne Bishop. E porquê este meu entusiasmo? Porque gosto muito da autora e pelo seu site já tinha percebido que Letras Escarlates seria um livro que se afasta de todos os outros que já publicou. Assim sendo e dentro do género da fantasia urbana, desta vez Anne Bishop  apresenta um mundo muito semelhante a este em que vivemos, mas, ao mesmo tempo, com muitas diferenças.

A sociedade de Letras Escarlates pode ser dividida em dois grupos. Por um lado temos os humanos, cujas características necessitam de pouca apresentação. O que mais me saltou à vista é que a autora explora os valores morais da humanidade, havendo, desta forma, personagens dotadas de compaixão, compreensão e benevolentes, enquanto outras não aceitam a diferença, exploram ao máximo o que podem e acreditam serem donos da razão. Isto faz com que a discriminação e o não respeito pelo outro sejam temas muito importantes deste livro.

O outro grupo da sociedade é composto pelos Outros. Estes são seres sobrenaturais, inspirados em criaturas como vampiros, lobisomens e metamorfos mas, ao mesmo tempo, com características novas e muito apelativas. Os Outros estão ligados á natureza e, desta forma, parecem procurar explorar o lado instintivo que, apesar de menos saliente, também nos pertence. É através deste grupo que a autora faz pensar sobre o respeito pelo mundo, a ecologia, a prevenção de todas as espécies e para a importância da união como forma de combater as ameaças extrenas.

E no meio destes dois grupos surge Meg, a protagonista desta obra. Ela é uma fugitiva que acaba por não pertencer inteiramente a humanos ou a Outros. Afinal, ela tem capacidades divinatórias, que sempre foram exploradas pos interesses financeiros. É fácil sentir empatia por esta mulher tão ingénua que se encontra pela primeira vez sozinha no mundo. E, para além disso, percebe-se que esta é uma personagem de Anne Bishop: é doce mas ao mesmo tempo luta pelo que acredita, é inocente mas procura aprender compreender tudo o que a rodeia, tem medo mas está disposta a dar a mão e a acreditar nos outros, é uma estranha mas capta a atenção de todos e acaba por ser muito amada.  Ela é o símbolo da luta das mulheres pela liberdade, independência e igualdade.

Os mistérios ligados a Meg são desvendados aos poucos, mas ainda existe muito para entender sobre a sua condição. Admito que gostaria que ela fosse mais propensa ao erro, mas ainda assim tornou-se numa figura que se destaca. O que também é interessante é a relação dela com as outras personagens. Afinal, neste tipo de livros já se espera que tudo ande à volta de um grande romance e que até exista um triângulo amoroso, mas, felizmente, tal não acontece aqui. Até há momentos onde a autora brinca com este cliché! Fica a ideia de que algo deste género poderá ainda vir a acontecer num próximo volume da série, mas agora tudo foi direcionado para a construção de amizades e para a aceitação da diferença.

Gostei muito de Simon. Ele é o macho alfa, que impõe a sua autoridade apesar de o fazer com justiça. Esperava-se que ele amolecesse, mas ele nunca perde o temperamento explosivo ou deixa de ser a figura masculina que quer impor a sua posição a todos. Contudo, é interessante verificar que ele não o faz por interesse próprio, mas pela comunidade. O grande vilão da trama acaba por não surgi, mas os seus feitos são uma ameça constante. A figura que acaba por representar o mal de forma mais direta é Asia, uma mulher de más intenções que consegue ser envolvente. É curioso ver que Asia também é ingénua, mas isso fá-la colocar-se numa situação condenável. Porém, o ridículo da personagem também proporciona momentos engraçados.

O desenrolar da trama não possui reviravoltas inesperadas, mas a leitura diverte e é marcante. O mundo é diferente, as temáticas abordadas são facilmente transpostas para a realidade, as personagens cativam e a escrita é característica de Anne Bishop. As situações caricatas e a mensagem que se tenta passar fazem recordar outras obras da autora e fazem sentido neste novo mundo que vou querer continuar a acompanhar. Claro que recomendo!

Outras opiniões a livros de Anne Bishop:
A Voz
Os Pilares do Mundo (Trilogia dos Pilares do Mundo #1)
Luz e Sombras (Trilogia dos Pilares do Mundo #2)
A Casa de Gaian (Trilogia dos Pilares do Mundo #3)
Ponte de Sonhos (Efémera #3)




sábado, 18 de julho de 2015

Comprar o livro pela capa 81: Cidades de Papel

Livro publicado pela Editorial Presença, Cidades de Papel, de John Green, já apresentou três capas diferentes. Ora vejam:

Surgiu em Portugal em 2013 com esta capa. A imagem sugere uma cidade vista durante a noite, e os edifícios parecem pertencer a uma maqueta. É possível observar duas figuras humanas e o amarelo sobressai nos tons escuros.

Em 2014 surge uma nova capa. Desta vez, a imagem principal sugere ser um mapa que está parcialmente desfocado. O elemento que sobressai é um pionés vermelho que marca um local, referência a uma situação da obra.


Com a adaptação cinematográfica a surgir em 2015, o livro ganha uma nova imagem. O cartaz, que possui os dois actores que interpretam figuras importantes na obra, é a base para esta capa.

Apresentadas as três capas, peço que votem na vossa preferida.



Qual a melhor capa?

A primeira, de 2013
A segunda, de 2014
A terceira, de 2015
Quiz Maker

sexta-feira, 17 de julho de 2015

Passatempo: "O Mar Infinito"

Em parceria com a Editorial Presença, o blogue Uma Biblioteca em Construção está a sortear um exemplar de O Mar Infinito, de Rick Yancey.



Para se habilitarem a ganhar este livro, apenas precisam de:

- Responder a todas as questões colocadas no formulário (podem encontrar as respostas aqui);
- Seguir o blogue e/ou fazer gosto na página de Facebook do blogue, aqui;
- Só participar uma vez (caso tal não se confirme a participação será anulada);
 - O passatempo terminada no dia 26 de Julho às 23h59. Não serão aceites participações após essa data.

Agora é só participar!

PASSATEMPO TERMINADO

Notas:
- Este passatempo é realizado em parceria com a Editorial Presença;
- O vencedor será escolhido aleatoriamente entre as participações válidas através do site random.org;
- Como participação válida entende-se: existir apenas uma por participante com todos os dados do questionário respondidos correctamente;
- O vencedor será contactado por e-mail e anunciado no blogue;
- Este passatempo é válido para Portugal continental e ilhas;
- O blogue não se responsabiliza pelo possível extravio do livro nos correios.