segunda-feira, 20 de julho de 2015

Opinião: Letras Escarlates (Os Outros #1)

Título original: Written in Red (2013)
Autor: Anne Bishop
Tradução: Luís Santos
ISBN: 9789896377397
Editora: Edições Saída de Emergência (2015)

Sinopse:

Meg é uma profetisa de sangue. Sempre que a sua pele é cortada, ela tem uma visão do futuro – um dom que mais lhe parece uma maldição. O Controlador de Meg mantém-na aprisionada de forma a ter acesso total às suas visões. Quando finalmente ela consegue escapar, o único sítio seguro para se esconder é no Pátio de Lakeside – uma zona controlada pelos Outros.
O metamorfo Simon Wolfgard sente alguma relutância em contratar a estranha que lhe pede trabalho. Sente que ela esconde algo e, para além disso, ela não lhe cheira a uma presa humana. Algo no seu íntimo leva-o a contratá-la, mas ao descobrir quem a jovem realmente é e que o governo a procura, ele terá de tomar uma decisão. Será que proteger Meg é mais importante do que evitar o confronto que se avizinha entre humanos e Outros?

Opinião:

Depois de tanta espera, finalmente chegou mais um livro de Anne Bishop. E porquê este meu entusiasmo? Porque gosto muito da autora e pelo seu site já tinha percebido que Letras Escarlates seria um livro que se afasta de todos os outros que já publicou. Assim sendo e dentro do género da fantasia urbana, desta vez Anne Bishop  apresenta um mundo muito semelhante a este em que vivemos, mas, ao mesmo tempo, com muitas diferenças.

A sociedade de Letras Escarlates pode ser dividida em dois grupos. Por um lado temos os humanos, cujas características necessitam de pouca apresentação. O que mais me saltou à vista é que a autora explora os valores morais da humanidade, havendo, desta forma, personagens dotadas de compaixão, compreensão e benevolentes, enquanto outras não aceitam a diferença, exploram ao máximo o que podem e acreditam serem donos da razão. Isto faz com que a discriminação e o não respeito pelo outro sejam temas muito importantes deste livro.

O outro grupo da sociedade é composto pelos Outros. Estes são seres sobrenaturais, inspirados em criaturas como vampiros, lobisomens e metamorfos mas, ao mesmo tempo, com características novas e muito apelativas. Os Outros estão ligados á natureza e, desta forma, parecem procurar explorar o lado instintivo que, apesar de menos saliente, também nos pertence. É através deste grupo que a autora faz pensar sobre o respeito pelo mundo, a ecologia, a prevenção de todas as espécies e para a importância da união como forma de combater as ameaças extrenas.

E no meio destes dois grupos surge Meg, a protagonista desta obra. Ela é uma fugitiva que acaba por não pertencer inteiramente a humanos ou a Outros. Afinal, ela tem capacidades divinatórias, que sempre foram exploradas pos interesses financeiros. É fácil sentir empatia por esta mulher tão ingénua que se encontra pela primeira vez sozinha no mundo. E, para além disso, percebe-se que esta é uma personagem de Anne Bishop: é doce mas ao mesmo tempo luta pelo que acredita, é inocente mas procura aprender compreender tudo o que a rodeia, tem medo mas está disposta a dar a mão e a acreditar nos outros, é uma estranha mas capta a atenção de todos e acaba por ser muito amada.  Ela é o símbolo da luta das mulheres pela liberdade, independência e igualdade.

Os mistérios ligados a Meg são desvendados aos poucos, mas ainda existe muito para entender sobre a sua condição. Admito que gostaria que ela fosse mais propensa ao erro, mas ainda assim tornou-se numa figura que se destaca. O que também é interessante é a relação dela com as outras personagens. Afinal, neste tipo de livros já se espera que tudo ande à volta de um grande romance e que até exista um triângulo amoroso, mas, felizmente, tal não acontece aqui. Até há momentos onde a autora brinca com este cliché! Fica a ideia de que algo deste género poderá ainda vir a acontecer num próximo volume da série, mas agora tudo foi direcionado para a construção de amizades e para a aceitação da diferença.

Gostei muito de Simon. Ele é o macho alfa, que impõe a sua autoridade apesar de o fazer com justiça. Esperava-se que ele amolecesse, mas ele nunca perde o temperamento explosivo ou deixa de ser a figura masculina que quer impor a sua posição a todos. Contudo, é interessante verificar que ele não o faz por interesse próprio, mas pela comunidade. O grande vilão da trama acaba por não surgi, mas os seus feitos são uma ameça constante. A figura que acaba por representar o mal de forma mais direta é Asia, uma mulher de más intenções que consegue ser envolvente. É curioso ver que Asia também é ingénua, mas isso fá-la colocar-se numa situação condenável. Porém, o ridículo da personagem também proporciona momentos engraçados.

O desenrolar da trama não possui reviravoltas inesperadas, mas a leitura diverte e é marcante. O mundo é diferente, as temáticas abordadas são facilmente transpostas para a realidade, as personagens cativam e a escrita é característica de Anne Bishop. As situações caricatas e a mensagem que se tenta passar fazem recordar outras obras da autora e fazem sentido neste novo mundo que vou querer continuar a acompanhar. Claro que recomendo!

Outras opiniões a livros de Anne Bishop:
A Voz
Os Pilares do Mundo (Trilogia dos Pilares do Mundo #1)
Luz e Sombras (Trilogia dos Pilares do Mundo #2)
A Casa de Gaian (Trilogia dos Pilares do Mundo #3)
Ponte de Sonhos (Efémera #3)




sábado, 18 de julho de 2015

Comprar o livro pela capa 81: Cidades de Papel

Livro publicado pela Editorial Presença, Cidades de Papel, de John Green, já apresentou três capas diferentes. Ora vejam:

Surgiu em Portugal em 2013 com esta capa. A imagem sugere uma cidade vista durante a noite, e os edifícios parecem pertencer a uma maqueta. É possível observar duas figuras humanas e o amarelo sobressai nos tons escuros.

Em 2014 surge uma nova capa. Desta vez, a imagem principal sugere ser um mapa que está parcialmente desfocado. O elemento que sobressai é um pionés vermelho que marca um local, referência a uma situação da obra.


Com a adaptação cinematográfica a surgir em 2015, o livro ganha uma nova imagem. O cartaz, que possui os dois actores que interpretam figuras importantes na obra, é a base para esta capa.

Apresentadas as três capas, peço que votem na vossa preferida.



Qual a melhor capa?

A primeira, de 2013
A segunda, de 2014
A terceira, de 2015
Quiz Maker

sexta-feira, 17 de julho de 2015

Passatempo: "O Mar Infinito"

Em parceria com a Editorial Presença, o blogue Uma Biblioteca em Construção está a sortear um exemplar de O Mar Infinito, de Rick Yancey.



Para se habilitarem a ganhar este livro, apenas precisam de:

- Responder a todas as questões colocadas no formulário (podem encontrar as respostas aqui);
- Seguir o blogue e/ou fazer gosto na página de Facebook do blogue, aqui;
- Só participar uma vez (caso tal não se confirme a participação será anulada);
 - O passatempo terminada no dia 26 de Julho às 23h59. Não serão aceites participações após essa data.

Agora é só participar!

PASSATEMPO TERMINADO

Notas:
- Este passatempo é realizado em parceria com a Editorial Presença;
- O vencedor será escolhido aleatoriamente entre as participações válidas através do site random.org;
- Como participação válida entende-se: existir apenas uma por participante com todos os dados do questionário respondidos correctamente;
- O vencedor será contactado por e-mail e anunciado no blogue;
- Este passatempo é válido para Portugal continental e ilhas;
- O blogue não se responsabiliza pelo possível extravio do livro nos correios.

quarta-feira, 15 de julho de 2015

Opinião: Segredos Obscuros

Título original: Det Fördolda (2010)
Autor: Hjorth & Rosenfeldt
Tradução: Jorge Pereirinha Pires
ISBN: 9789898775535
Editora: Suma de Letras (2015)

Sinopse:

Sebastian Bergman é um homem à deriva. Psicólogo de formação, trabalhava como profiler para a polícia e era um dos grandes especialistas do país em serial killers. Perdeu tudo quando o tsunami no continente indiano lhe levou a mulher e a filha. Tudo muda com uma chamada para a polícia. Um rapaz de dezasseis anos, Roger Eriksson, desapareceu na cidade de Västerås. Organiza-se uma busca e um grupo de jovens escuteiros faz uma descoberta macabra no meio de um pântano: Roger está morto e falta-lhe o coração. É o momento de Sebastian se confrontar com um mundo que conhece demasiado bem. O Departamento de Investigação Criminal pede ajuda a Sebastian. Os modos bruscos e revoltados de Sebastian não impedem a investigação de avançar. E as descobertas sobre a escola que Roger frequentava são aterradoras.

Opinião:

Foi com grandes expetativas que iniciei a leitura de Segredos Obscuros, da dupla Hjorth e Rosenfeldt. A campanha da Suma de Letras que, entre outras ações, enviou cartas enigmáticas, tal como partilhei com vocês na página de Facebook do blogue, despertou a curiosidade e a sinopse ainda aguçou mais este desejo. Felizmente senti que a trama corresponde ao que estava à espera: é intensa, misteriosa, tem muitas reviravoltas e personagens complexas, dotadas de qualidades e defeitos.

Quando estou a ler um policial ou qualquer outro mistério, gosto sempre de tentar ligar os vários pontos que são apresentados para adivinhar o desfecho. Como tal, foi isso mesmo que tentei fazer com este livro. Os autores dão pistas através de diferentes pontos de vista, o que nos permite ter uma visão mais ampla do que poderá ter acontecido, mas a verdade é que também o fazem de forma a levar-nos a pensar em várias hipóteses. Por isso mesmo, tal como acontece com a equipa de investigação, também nós temos uma ideia de quem será o criminoso e de quais serão as suas motivações, mas a certeza só chega mesmo no fim. Tudo isto torna a leitura muito emocionante.

O crime em si foi feito de uma forma inesperada. Percebe-se que os autores queriam transmitir a ideia de que nem tudo o que parece é. Assim sendo, e tal como na vida real, todas as personagens que surgem transmitem uma postura e personalidade quando, na verdade, se revelam pessoas completamente diferentes. Desta forma, Hjorth e Rosenfeldt procuram mostrar também que podemos ser muito próximos de alguém sem nunca o conhecermos realmente. E como se tal não bastasse, fica também a noção de que todo o ser humano é capaz de grandes atrocidades e de arranjar justificações para tal.

As personagens apresentadas não são convencionais. Sebastian Bergman, o homem que dá o nome à série que foi iniciada com este livro, é um psicológo que possui comportamentos controversos. Não é fácil gostar da sua personalidade logo ao início, afinal, enquanto mulher, achei-o desrespeitador. Mas com o decorrer da leitura tive que admitir que ele consegue ser bastante cativante, quer seja pela sua inteligência e perspicácia, quer seja pelo sentido de humor peculiar.

Foi bom ir descobrindo a figura de Roger, o jovem assassino, ao longo da leitura. Desta forma, ele deixou de ser um corpo para ser uma figura com esperanças, sonhos, frustrações e medos. É a patir do momento em que se passa a considerar esta personagem não presente que a intriga a avança e passamos a receber uma visão mais realista do que poderá ter acontecido. Além disso, foi uma ideia arriscada e muito bem conseguida colocar uns poucos capítulos onde a visão do assassino é explorada. Percebem-se algumas caraterísticas desta figura, mas nunca a sua identidade.

Quando à equipa de especialista que estão encarregues do caso, confesso que preferi Vanja, pelo seu empenho e empatia, e Haraldson, um homem pateta que proporciona momentos muito divertidos devido à sua vida familiar e à forma como bloqueia a investigação. enfim, É alguém a quem nada corre bem. Vorkel, por seu lado, transmitia uma sabedoria conquistada pela experiência, o que fazia dele um verdadeiro líder.

A narrativa tem um encadeamento bem conseguido, com muitas reviravoltas, e a leitura é estimulante. Contudo, achei que alguns capítulos eram demasiado extensos. Segredos Obscuros revelou-se um livro muito bom e o início de uma série que ainda promete grandes emoções, pois muitas questões foram levantadas e há ainda situações a resolver. Recomendo.

Novidade da Editorial Presença para Julho

O Mar Infinito, de Rick Yancey

Sinopse: Segundo volume da trilogia A 5.ª Vaga. Com a espécie humana quase extinta e com a quinta vaga em marcha, Cassie Sullivan e os seus companheiros têm de tomar uma decisão crucial: enfrentar o duro inverno e ficar à espera que Evan Walter, que nem tão-pouco sabem se ainda está vivo, regresse ou partir à procura de mais sobreviventes, porque o próximo ataque de os Outros é mais do que possível, é inevitável…