quarta-feira, 8 de abril de 2015

Novidade da TopBooks para Maio

A Espia do Oriente, de Nuno Nepomuceno

Sinopse: Dubai, Emirados Árabes Unidos.

De férias na região, um investigador norte-americano é raptado do hotel onde se encontrava instalado. Uma nova pista sobre um antigo projecto de manipulação genética é descoberta e a Dark Star, uma organização terrorista internacional, está decidida a utilizar os conhecimentos deste cientista para ganhar vantagem.

Contudo, de regresso à Europa, uma das suas operacionais resolve trair o sindicato do crime e oferece-se para trabalhar como agente dupla ao serviço da inteligência britânica. O mistério adensa-se quando esta mulher, de nome de código China Girl, impõe como única condição colaborar com André Marques-Smith, o director do Gabinete de Informação e Imprensa do Ministério dos Negócios Estrangeiros português e espião ocasional.

Obrigados a trabalhar juntos para evitarem um atentado a uma importante líder europeia, uma atmosfera tensa, de suspeição e desconfiança, instala-se de imediato entre os dois. Mas que segredos esconderá esta mulher, cujo próprio nome é uma incógnita? Serão as suas intenções autênticas? Será o espião português capaz de resistir à sua invulgar e exótica beleza?

Por entre os cenários reais de Budapeste, Berlim, Londres, Courchevel, Dubai e Lisboa, o autor transporta-nos para um mundo de mentiras, complexas relações interpessoais, e reviravoltas imprevisíveis. Uma reflexão profunda sobre os valores tradicionais portugueses, contraposta com a sua já habitual narrativa intimista e sofisticada, e que vai muito além do tradicional romance de espionagem.

O segundo volume de uma trilogia do autor revelação Nuno Nepomuceno vai estar disponível a partir de 6 de Maio


Opinião ao conto "Crónicas Obscuras: Dança do Corvo"

Autor: Vítor Frazão

Opinião:

Vitor Frazão volta a explorar o universo que apresentou em A Vingança do Lobo com mais um conto. Desta vez, a narrativa é centrada em Eleanora, uma personagem feminina que esconde uma enorme força debaixo da sua aparência bela e frágil.

Este conto começa num momento de grande acção. Está a acontecer um combate que sugere ser desigual. Existem tantos movimentos, ataques e contra-ataques que é preciso ler com calma para se perceber bem o que se está a passar. Porém, a confusão não é gerada pelos movimentos, pois estes estão bem descritos, mas sim pela utilização de termos e conceitos japoneses com os quais não estou bem familiarizada.

Logo nas primeiras linhas, dá para perceber que o autor é fã da cultura japonesa. Confesso que ao ler as descrições deste primeiro momento do conto criei imagens na minha mente que muito se aproximavam de séries de anime que assisti, onde os combates são desenfreados mas o herói mantém a expressão tranquila e confiante.

Passado este momento de grande acção, entra-se num outro que é parado e marcado pela reflexão e pelo diálogo. Uma grande mudança de ritmo, mas que faz sentido. É aqui que se percebe o que foi afinal aquele combate e é também aqui que fica a sensação de que esta leitura não é um conto mas sim um capítulo de um livro. Afinal, sente-se que antes aconteceu algo e que a seguir existirão muitos outros desenvolvimentos. Fica a vontade de os acompanhar.

Este é um conto que se lê rapidamente. As descrições de Vitor Frazão fazem-nos imaginar os momentos com facilidade, apesar de, no final, ficar uma ligeira dúvida sobre a intenção deste conto, já que parece carecer de algo maior e de desenvolvimento.


Download gratuito no Smashwords e na Fantasy & Co.

Novidade da Editorial Presença para Abril

Erebos, de Ursula Poznanski
Sinopse: Numa escola de Londres um misterioso e viciante jogo de computador circula entre os estudantes, mas ninguém fala disso abertamente. As regras do jogo são extremamente rígidas. Cada jogador tem apenas uma oportunidade e se perder nunca mais pode entrar no jogo; deve estar sempre sozinho e não pode falar a ninguém sobre o seu jogo. Quem violar estas instruções é também eliminado. O jogo é inteligente e interage com o jogador como se o vigiasse constantemente. As missões atribuídas devem ser concretizadas no mundo real. Quando Nick Dunmore começa a jogar, sente-se de imediato absorvido, aprende as regras e avança rapidamente; contudo, vê-se forçado a questionar as implicações deste jogo perigoso. Qual o verdadeiro objetivo? E que segredo esconde? Um livro que os apreciadores de fantasia, jogos de computador, lendas urbanas, distopias, não devem perder.


Novidade da Porto Editora para Abril

Dias de Sangue e Glória, de Laini Taylor

Sinopse:  Karou, antiga estudante de Arte, quimera revenante e aprendiz de ressurrecionista, tem finalmente as respostas que sempre procurou.
Sabe quem é − e o que é. Porém, com este conhecimento vem outra verdade que ela daria tudo para desfazer: amou o inimigo e foi traída, e um mundo inteiro sofreu por isso.
Agora, sacerdotisa de um castelo de areia numa terra de poeira e estrelas, profundamente só, Karou tenta recriar o universo do seu passado, contribuindo, com a sua dor e a sua mágoa, para a volta gloriosa das quimeras.
Porém, sem Akiva, e sem o seu sonho de amor partilhado, o caminho da esperança afigura-se impossível de trilhar.
Repleto de desgosto e beleza, segredos e escolhas impossíveis, Dias de Sangue e Glória encontra Karou e Akiva em lados opostos de uma guerra tão antiga como o tempo.


terça-feira, 7 de abril de 2015

Opinião: A Segunda Vinda de Cristo à Terra

Autor: João Cerqueira
ISBN: 9789898781260
Editora: Estação Imaginária (2015)

Sinopse:

Após regressar à Terra e conhecer a activista Madalena que luta por um mundo melhor, Jesus ver-se-á envolvido em três situações de conflito.
Encontra um grupo ecologista radical, que pretende destruir uma plantação de milho que supõe geneticamente modificada. Assiste à revolta dos habitantes de uma vila contra um empreendimento turístico que vai ser construído numa reserva florestal. Por fim, testemunha um conflito armado entre negros e ciganos.
Neste périplo irá conhecer vários personagens: os referidos ecologistas, um padre que o obriga a confessar-se, um autarca corrupto, empreiteiros sem escrúpulos, um Comandante da GNR obrigado a fazer de Pilatos, os habitantes de um bairro degradado, um bruxo, e um negro e uma cigana apaixonados.
Porém, conquanto se limite a acompanhar Madalena, tentando apenas pacificar os desavindos, nem assim Cristo volta a escapar à fúria dos homens.
E apenas um farsante o irá reconhecer.
Mediante a ironia e o sarcasmo A Segunda Vinda de Cristo à Terra aborda fenómenos de conflitualidade social e política que ocorreram no nosso país.
Mas no fim é Portugal quem acaba posto na cruz.

Opinião:

João Cerqueira inspirou-se no Cristianismo, uma das religiões com maior presença em Portugal. para escrever A Segunda Vinda de Cristo à Terra. Logo na capa é possível confirmar que este livro tem um carácter satírico e que pretende chocar o leitor. Contudo, também é objectivo do autor levar-nos a pensar sobre a sociedade onde estamos integrados através do seu humor tão peculiar. Esta não é uma obra que deve ser levada com seriedade, pois a ironia é constante ao longo da leitura.

Acredito que podemos dividir este livro em três fases. Em ambas, a personagem de Jesus surge em situações rotineiras que encontram paralelo com acontecimentos da Bíblia. No primeiro, podemos ver um grupo de activistas ambientais que partilham os nomes com alguns dos seguidores do Messias mais conhecidos. No segundo, deparamos com uma forma óbvia de corrupção. No terceiro  vemos Cristo a entrar num bairro degradado pelos problemas sociais e rivalidades entre gangues.

Nas três situações, salta à vista as piores características do ser humano. O egoísmo, interesse, ganância, necessidade de poder, uso do outro em benefício próprio e o desrespeito pelos que o rodeiam e pelo ambiente são alguns dos temas que ganham maior destaque. Uma forma de fazer o leitor pensar sobre se é esta sociedade a que quer pertencer e o que pode fazer para a mudar. Muitas das situações parecem mesmo ridículas, mas é esse mesmo o objectivo: fazer-nos rir de nós próprios e levar-nos a questionar o nosso papel no meio em que vivemos.

Sendo assim, se o livro foi lido com espírito aberto, proporcionará uma leitura divertida e rápida. Contudo, também ficam patentes algumas carências. Penso que a existência de apenas três fases é insuficiente, pois gostaria que o autor tivesse abordado mais algumas situações de modo a tornar esta obra mais completa e rica. No final, fica a sensação de que este livro poderia ser mais forte, se contemplasse mais momentos de sátira. Também fica a ideia de que Jesus é apenas uma figura que está sempre presente mas que pouco ou nada intervém, quando o esperado seria vê-lo a fazer a diferença.

João Cerqueira mostra que possuí uma grande imaginação e um sentido e de humor longe de ser inocente, uma vez que esta não é uma obra com o objectivo único de entreter, mas sim de ridicularizar temas actuais para que o leitor reflicta sobre estes, nomeadamente os contrastes a nível político e a natureza humana.

É uma obra muito interessante por conseguir levar o leitor a meditar durante um momento de lazer divertido. Aconselhável a todos os que apreciam uma boa sátira e que não são susceptíveis a questões  religiosas, sociais ou políticas.