domingo, 15 de março de 2015

Opinião: A Quimera de Praga (Trilogia Entre Mundos #1)

Título original: Daughter of Smoke and Bone (2011)
Autor: Laini Taylor
Tradução: Elsa T. S. Vieira
ISBN: 9789720044273
Editora: Porto Editora (2015)

Sinopse:

Pelos quatro cantos do mundo, marcas de mãos negras começam a aparecer nas portas, gravadas a fogo por estranhos seres alados, saídos de uma fenda no céu.
Numa loja escura e empoeirada, o abastecimento de dentes humanos de um demónio começa a ficar perigosamente reduzido. E nas ruelas labirínticas de Praga, uma jovem está prestes a embarcar numa jornada sem retorno.
O seu nome é Karou. Karou não sabe quem é, nem porque vive dividida entre o mundo humano e a sua família de demónios, mas crê que as respostas podem estar para lá de uma porta nos recantos sombrios de uma loja, ou no confronto com um completo desconhecido, de olhar abrasador e aparência divina - o anjo que queimou as entradas para o seu mundo, deixando-a só.

Opinião:

Existem livros que revelam ser especiais logo nas primeiras páginas. A Quimera de Praga é um deles. Assim que comecei a ler percebi que esta era uma história que me iria agarrar. Felizmente tal aconteceu e, até à última página, estive sempre em suspense, preparada para ser surpreendida, para descobrir mais sobre este mundo, para conhecer melhor estas personagens deliciosas, para me deixar levar por toda a fantasia e mitologia envolvente.

A escrita de Laini Taylor cativou-me de imediato. A autora consegue transmitir mistério, encantamento, beleza, solidão e até nostalgia de uma forma bastante própria e cativante. Isto tornava o desenrolar da narrativa mais rico e fazia-me sentir que estava lá, a assistir de perto a todos os acontecimentos. As descrições também estão muito bem conseguidas e fizeram ficar com uma enorme vontade de visitar Praga (ah, mas aí seria uma maldita turista...dilemas, dilemas).

Adorei a protagonista. Karou é uma rapariga maravilhosa! As diferenças físicas que apresenta nem se comparam às suas peculiaridades da sua personalidade. Ao início parece ser alguém que recusa aproximar-se dos outros, mas depois percebe-se que ela, ciente de que é diferente, apenas procura aceitação e um lugar onde se sinta completa. Os seus desejos, as revoltas ingénuas e até  as pequenas vinganças associadas a todas as inseguranças e ao amor incondicional que nutre por certas personagens tornam-na mais real aos meus olhos, interessante e complexa.

O contraste entre os dois mundos entre os quais Karou se divide é delicioso. Fiquei fã das quimeras, seres tão invulgares e até grotescos que acabam por ser também belos. A sensação permanente de que há muitos segredos entre estes seres, as muitas dúvidas sobre os seus objectivos e o verdadeiro motivo para a ligação destes com Karou foram questões que nunca me abandonaram. Felizmente, estas suas respondidas.

Podemos dividir este livro em duas partes: a primeira onde desejei descobrir o que estava por trás de todos os segredos, e a segunda, quando finalmente chegam as explicações. Confesso que tinha algumas ideias sobre o que poderia estar a ser escondido, mas nunca imaginei até onde a autora me estava a levar. Conhecer o outro lado da trama foi simplesmente mágico, forte e muito bonito.

E se é verdade que adorei esta leitura, também é verdade que houve alguns aspectos que não foram tão bons quanto poderiam ter sido. Apesar da trama estar muito bem construída e de a autora conseguir manter sempre a sensação de mistério, acontece que também existem alguns clichés que se tivessem sido desenvolvidos de uma outra forma teriam engrandecido o valor desta trama. Mas tudo o resto é tão bom que até isso é perdoado.

Estou rendida a este livro. A história é maravilhosa mas os sentimentos que transmite também têm bastante valor. No final, claro, ficou a vontade de pegar logo no volume que se segue. Fica então o desejo para que a Porto Editora não demore a publicar os próximos dois volumes desta trilogia. Até lá vou desesperar. Ainda têm dúvidas de que recomendo? É que recomendo!

terça-feira, 10 de março de 2015

Novidade das Edições Saída de Emergência para Abril

O Complexo dos Assassinos, de Lindsay Cummings
Sinopse: Sinopse: Meadow Woodson, uma rapariga de 15 anos que foi treinada pelo seu pai para lutar, matar e sobreviver em qualquer situação, reside com a sua família num barco na Florida. O Estado é controlado pelo Complexo Assassino, uma organização que segue e determina a localização de cada cidadão com precisão, provocando o medo e opressão em absoluto.
Mas tudo se complica quando Meadow conhece Zephyr James, que é – embora ele não saiba – um dos assassinos programados do Complexo. Será o seu encontro uma coincidência ou parte de uma apavorante estratégia? E conseguirá Zephyr impedir que Meadow descubra a perigosa verdade sobre a sua família?

Disponível a partir de dia 15.


segunda-feira, 9 de março de 2015

Opinião: Tormenta (Série Tempest #1)

Título original: Tempest (2011)
Autor: Julie Cross
Tradução: Alda Mondas
ISBN: 9789892330426
Editora: Asa - Coleção 1001 Mundos (2015)

Sinopse:

Em 2009, o jovem Jackson Meyer é um rapaz normal de 19 anos: estuda, tem uma namorada… e consegue viajar no tempo. Mas não é como no cinema - durante os seus «saltos» para o passado, nada muda no presente – tudo não passa de uma diversão inofensiva.
Isto é, até Jackson e a sua namorada, Holly, serem atacados por desconhecidos e Holly morrer com um tiro. Em pânico, Jackson recua acidentalmente no tempo dois anos, mas aquele não é como os seus saltos temporais anteriores. Jackson descobre que ficou preso no passado e não consegue voltar ao futuro.
Desesperado por voltar e salvar Holly, mas incapaz de regressar ao ano certo, Jackson resolve continuar a sua vida em 2007, tentar descobrir o que puder sobre as suas capacidades e conhece Holly… de novo. Em breve descobre que nada na sua vida é o que parece ser, incluindo o seu próprio pai.
Não muito tempo depois, as pessoas que dispararam sobre Holly, membros de um grupo apelidado pela CIA de «Inimigos do Tempo», vêm a sua procura para recrutá-lo… ou matá-lo.
Com tudo aquilo a acontecer e ainda a tentar encontrar pistas sobre as origens da sua família para descobrir mais sobre as suas capacidades, Jackson tem de decidir até onde está disposto a ir para salvar Holly… e possivelmente o mundo.

Opinião:

Adoro a ideia de viajar no tempo, por isso, quando li a sinopse de Tormenta, fiquei imediatamente interessada em pegar neste livro. Julie Cross explora esta ideia que já foi utilizada tantas vezes e dá-lhe novos atributos que servem de base para a história de um jovem apaixonado.

Confesso que não foi fácil entrar nesta leitura. As primeiras páginas são dedicadas a um conjunto de situações que acontecem muito depressa e não é compreender tudo o que está a acontecer. Para além disso, as personagens são logo mencionadas como nós já as conhecessemos. Percebo a intenção de cativar pelo ritmo rápido, mas gostaria que tivesse existido uma breve apresentação primeiro.

Ao início não me senti muito cativada por Jackson. Isso aconteceu por eu não entender a sua personalidade. Contudo, com o avançar da trama, comecei a sentir-me cada vez mais ligada a ele. Isto aconteceu devido aos obstáculos que se atravessavam no caminho deste protagonista, pela forma como ele tinha de lidar com os problemas, pelo seu foco naqueles que mais ama e pela determinação em perceber quem ele é, de onde veio e o que pode fazer para o bem maior. Posto isto, se ao início não entendi, nas últimas páginas senti voltade de continuar a acompanhar a sua história.

Holly é o grande amor de Jackson e é por ela que ele luta. Afinal, um momento trágico fá-lo sentir-se culpado e, a partir daí, faz de tudo para corrigir o erro. Holly aparenta ser uma rapariga comum, mas gostei que a autora, a certo momento, mostrasse que ela pode ser mais profunda do que aparenta. Adam é o típico companheiro fiel, amigo e inseparável, cujas teorias são curiosas mas que acaba por ser pouco explorado. Gostei bastante do desenvolvimento do pai de Jackson, que parece ter assumido tantos papéis diferentes ao longo das páginas deste livro.

Tal como já referi, o início é demasiado rápido. Contudo, a partir de um certo momento, o encadeamento de acontecimentos torna-se mais fluído e, a partir daí, a leitura ganha um ritmo rápido. Existem muitas revelações e momentos emocionantes que me fizeram não conseguir colocar o livro de lado.

Pode-se dividir o livro em duas partes: a parte em que tudo parece um romance entre dois adolescentes onde um, por acaso, viaja no tempo e a parte onde um viajante do tempo se divide entre agências secretas cuja acção pode mudar o futuro da humanidade por completo. Confesso que gostei mais da segunda, mas a primeira, apesar de ser mais dominante do que eu desejava, também faz sentido para justificar algumas atitudes e decisões.

Tormenta tem uma premissa muito interessante, mas que não é totalmente explorada neste livro. É uma leitura agradável mas que apenas mostra todo o potencial que poderia vir a alcançar nas últimas páginas. Fica a ideia de que os próximos livros da trilogia têm os ingredientes certos para serem bem cativantes. Fico à espera de os ver publicados em Portugal.

sábado, 7 de março de 2015

Opinião: O Rei (Série Irmandade da Adaga Negra #12)

Título original: The King (2014)
Autor: J. R. Ward
Tradução: Luís Santos
ISBN: 9789724622828
Editora: Casa das Letras (2015)

Sinopse:

Durante séculos, Wrath esteve de costas voltadas para as obrigações do trono. Mas agora, com a ajuda da sua amada companheira, resolve finalmente assumir o manto e o trono do pai. No entanto, o peso da coroa sobre a sua cabeça é brutal. Enquanto a guerra com a Sociedade dos Minguantes prossegue sem dar tréguas e a ameaça do Bando de Bastardos parece finalmente ter atingido o alvo, Wrath é forçado a fazer uma escolha que coloca tudo – e todos – em risco. Beth Randall julgou que estava consciente dos problemas que poderiam surgir quando acasalou com o último vampiro puro-sangue do planeta: nunca seria uma tarefa fácil! Mas quando decide que quer ter um filho, percebe que não estava preparada para a reação de Wrath – ou para a distância que essa decisão criaria entre eles.

Opinião:

Estava muito entusiasmada com a leitura de O Rei. J. R. Ward habitou-nos a dedicar a um livro a um elemento diferente do universo da Irmandade da Adaga Negra, mas este volume volta a ter Wrath como figura central. As leituras anteriores já deixavam antever que o rei dos vampiros estava a ser ameaçado e ficou a ideia de que seria neste volume que iria haver uma grande batalha pelo poder. Era isso que eu esperava e que me deixa com tantas expectativas. Mas infelizmente foi isso que falhou.

O casal Wrath e Beth voltam a ocupar a maior parte da narrativa. É curioso acompanhá-los de perto novamente e tanto tempo depois. Nota-se que a relação de ambos não mudou muito, mas agora eles atravessam um conflito de interesses. Percebe-se a razão de tal acontecer, mas, infelizmente, esse acaba por ser o tema central da história deles. Parece ser ainda mais importante do que o ataque ao poder, e isso já me custou um pouco a aceitar.

Achei o ataque da glymera interessante e adorei os flashbacks do passado que reforçaram a ideia de que a história tende a repetir-se. Sentia-se a tensão no planeamento dos esquemas políticos e percebia-se que estes seriam precedidos de um confronto físico. Contudo, a resposta da Irmandade não foi satisfatória e a forma como contornaram algo maior acabou por parecer insípido. Isto fez com que aquilo que mais se ansiava encontrar neste livro não acontecesse, deixando a sensação de decepção.

Preferia que a autora se tivesse centrado na questão do poder em vez de ter apostado na relação de Wrath e Beth. Percebo que os livros de J. R. Ward têm de dar um grande foco a uma história de amor, mas desta vez não havia necessidade para isso quando havia assuntos muito mais interessantes a explorar. Como tal, este livro que tanto prometia ficou áquem das expectativas, tal como os últimos da saga. Fica a ideia de que a autora está a arrastar a exposição de uma ideia que teve, e tenho a impressão de que quando for apresentada não vai ter o impacto que poderia ter se tivesse surgido mais cedo.

E como se tal não bastasse, mais uma vez J. R. Ward tenta apresentar diversas histórias ao mesmo tempo sem que chegue a conclusões em nenhuma. Isto reforça a ideia de que a autora está a arrastar os livros para além de que faz com que o foco se volte para assuntos mais aborrecidos quando poderia ir para temas mais intensos que envolvessem o funcionamento desta sociedade secreta que tanto me encantou nos primeiros volumes.

O ambiente continua a ser bastante negro e mais personagens secundárias surgem. A linguagem é aquela a que já fomos habituados em volumes anteriores. Devo, contudo admitir que, mais para o fim, detestei um certo diálogo por este conter tantas vogais de modo a exprimir alegria. Isto dá-me sempre a sensação de estar a ler um texto escrito por uma adolescente e isso não me agrada. Nada.

Esperava muito mais deste livro. Infelizmente a autora acabou por escolher o caminho mais fácil e isso fez com que esta obra, que tinha tudo para ser uma das mais marcantes da saga, acabasse por ser mais um volume numa saga que já viu melhores dias. Continua a ter momentos que me agradam, sim, mas não tantos poderia. É pena.