domingo, 30 de novembro de 2014

Resultado do passatempo "Gata Branca"

Aqui está o resultado do passatempo realizado numa parceria com o blogue e a Editorial Presença do livro Gata Branca de Holly Black.


Este sorteio conta com 197 participações, sendo o vencedor escolhido através do random.org. Assim, o vencedor corresponde ao número...


..142! Que equivale à participação de:

José (...) Abreu, de Funchal

Muitos parabéns ao vencedor! Já foi enviado um e-mail para confirmar os dados de envio deste prémio.

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Opinião: Separação (O Jardim Químico #3)

Título original: Sever (2013)
Autor: Lauren DeStefano
Tradutor: Natália Fortunato
ISBN: 9789896575427
Editora: Planeta (2014)

Sinopse: 

Após ter suportado o que há de pior em Vaughn, Rhine encontra um improvável aliado no seu irmão, um inventor excêntrico chamado Reed. Obtém refúgio na sua casa em ruínas, apesar de as pessoas que deixou para trás se recusarem a permanecer no passado. Enquanto Gabriel assombra as memórias de Rhine, Cecily está determinada a continuar ao lado de Rhine, embora os sentimentos de Linden estejam ainda divididos entre ambas.
Entretanto, o crescente envolvimento de Rowan na resistência clandestina obriga Rhine a procurá-lo antes que faça algo de irremediável. Mas o que descobre pelo caminho tem implicações alarmantes no seu futuro e no passado que os pais nunca tiveram oportunidade de lhe explicar.

Opinião:


Separação encerra a trilogia “O Jardim Químico”, de Lauren DeStefano. Neste volume, a autora revela o destino das suas personagens, mas aquilo que mais me fez ficar agarrada ao livro foi mesmo o desvendar deste mundo sem esperança. Finalmente são dadas algumas respostas cruciais, mas talvez não todas as que desejei. Foi com interesse que verifiquei que mistérios do passado podem condicionar o futuro, e que o verdadeiro inimigo nem sempre é que o aparenta ser.
 
Rhine mantém as características que já tinha apresentado nos dois livros anteriores, o que quer dizer que permanece uma personagem que não impressiona e é previsível. Para além disso, também senti que não tinha objectivos concretos, afinal, no início sugere uma posição que será mais tarde alterada. Não me pareceu coerente e sim demasiado instável. 

Curiosamente, as figuras que mais gostei de acompanhar neste livro foram duas personagens que me desagradaram nos anteriores: Cecily e Vaughn. Cecily, a irmã-esposa de Rhine, evolui de uma criança mimada para uma jovem mulher dona de uma personalidade cativante. O sofrimento dela é tocante, e a forma como mesmo assim enfrenta os obstáculos que lhe são colocados à frente é impressionante devido à grande energia e força de vontade que transmite. O seu desfecho é dos que mais me agradaram. 

Depois existe Vaughnn, que desde o ínicio é visto como o “vilão” desta narrativa. Ele representa a ideia de que “os fins justificam os meios”. Os seus métodos são chocantes mas, por diversas vezes ao longo da leitura, deu por mim a pensar se ele seria realmente um monstro ou se lá no fundo não haveria um coração. Gostei que alguns aspectos da sua história fossem revelados, e ainda mais de o ver como um ser humano. 

Quanto ao triângulo amoroso que existe desde o início entre Rhine, Linden e Gabriel, neste volume existe apenas uma sombra desta relação. É visível que a protagonista nutre sentimentos pelos dois rapazes, mas estes são diferentes apesar de às vezes a confundirem. Não é um triângulo que me tenha cativado, pois não senti a química entre estas figuras. Para além disso, Linden voltou a provar que é facilmente manipulado, quer seja pelo pai quer pelas suas esposas, e Gabriel tem uma aparição fugaz e que pouco acrescenta.


Achei a narrativa mais emocionante do que a dos dois livros anteriores. Isto acontece devido aos acontecimentos, que surgem uns a seguir aos outros de uma forma mais rápida. Também o facto de começarem a aparecer diversas revelações fez com que continuasse a ler na esperança de perceber cada vez melhor este mundo. Devo dizer que, num plano geral, gostei da ideia das consequências das alterações genéticas feitas em humanos na busca da “geração perfeita”. E aqui refiro-me ao que isso fez à esperança média de vida da população como à forma como a sociedade ficou alterada de uma forma decadente. Também apreciei bastante a ideia de que quando algo de mau acontece, é necessário encontra um bode expiatória a quem direccionar toda a angústia e dor.


Contudo, houve alguns aspectos que não me convenceram. Em primeiro lugar, não ficou explicado o motivo para que toda a série tenha o nome de “O Jardim Químico”. Este conceito é explicado, sim, mas de uma forma muito breve e que em pouco ou nada condiciona a trama. Também o desfecho de Linden pareceu-me descabido, devido à forma forçada que a autora o decidiu fazer. Para além disso, as acções do irmão de Rhine não foram bem justificadas, sendo ainda que ele mais pareceu uma marionete do que um rapaz revoltado e idealista.


Separação é um livro que acaba por corresponder ao que Raptada e Delírio já tinham apresentado. O mundo é apelativo, mas poderia ter sido muito melhor explorado se as personagens tivessem características mais realistas. O facto de esta história ter sido toda narrada pelo ponto de vista de Rhine fez com que no final ficassem pontas soltas. Mas não deixa de ser curioso verificar como Lauren DeStefano trouxe esperança a esta história que parecia não ter solução.

Outras opiniões a livros de Lauren DeStefano:
Raptada (O Jardim Químico #1)
Delírio (O Jardim Químico #2)

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Novidade da Marcador para Dezembro

O Cavalheiro Inglês, de Carla M. Soares
Sinopse: PORTUGAL. 1892. Na sequência do Ultimato inglês e da crise económica na Europa e em Portugal, os governos sucedem-se, os grupos republicanos e anarquistas crescem em número e importância e em Portugal já se vislumbra a decadência da nobreza e o fim da monarquia.
Os ingleses que permanecem em Portugal não são amados.
O visconde Silva Andrade está falido, em resultado de maus investimentos em África e no Brasil, e necessita com urgência de casar a sua filha, para garantir o investimento na sua fábrica.
Uma história empolgante que nos transporta para Portugal na transição do século XIX para o século XX numa descrição recheada de momentos históricos e encadeada com as emoções e a vida de uma família orgulhosamente portuguesa.


segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Novidade da Casa das Letras para Janeiro

O Rei, de J. R. Ward
Sinopse - Durante séculos, Wrath esteve de costas voltadas para as obrigações do trono. Mas agora, com a ajuda da sua amada companheira, resolve finalmente assumir o manto e o trono do pai. No entanto, o peso da coroa sobre a sua cabeça é brutal. Enquanto a guerra com a Sociedade dos Minguantes prossegue sem dar tréguas e a ameaça do Bando de Bastardos parece finalmente ter atingido o alvo, Wrath é forçado a fazer uma escolha que coloca tudo – e todos – em risco. Beth Randall julgou que estava consciente dos problemas que poderiam surgir quando acasalou com o último vampiro puro-sangue do planeta: nunca seria uma tarefa fácil! Mas quando decide que quer ter um filho, percebe que não estava preparada para a reação de Wrath – ou para a distância que essa decisão criaria entre eles.


domingo, 23 de novembro de 2014

Opinião: Gata Branca (The Curse Workers #1)

Título Original: White Cat - The Curse Workers (2011)
Autor: Holly Black
Tradução: Marta Mendonça
ISBN: 9789722354158
Editora: Editorial Presença (2014)

Sinopse:

Cassel Sharpe é um jovem de dezassete anos que deseja ter uma vida normal. Mas quando se nasce numa família com uma forte tradição em manipulação de maldições a normalidade não é algo fácil de alcançar. Cassel vive ensombrado pela ameaça de, a qualquer momento, os poderes maléficos que correm na sua família se manifestarem também em si. Por diversas vezes, a sua vida é posta em risco quando, em sucessivos episódios de sonambulismo, passeia pelos telhados do colégio interno que frequenta. De volta a casa, torna-se cada vez mais claro para Cassel que um tenebroso segredo familiar ameaça destruí-lo. Desejoso de perceber quem realmente é, o jovem inicia uma cruzada de autodescoberta que o leva a enfrentar perigos cada vez maiores.
Holly Black traz-nos uma narrativa fascinante que abre um novo capítulo neste género literário, o thriller noire.

Opinião:

Repleto de intriga, mistério, maldições e muitas emoções, Gata Branca é um livro destinado a um público jovem mas que também faz as delícias dos leitores mais adultos. Uma leitura que ao início pode causar alguma estranheza, mas que aos poucos e poucos vai tornando a leitura viciante. As personagens cativam, a acção é rápida, as relações surpreendem e o conceito de manipuladores vai-se entranhando.

Cassel Sharpe é o protagonista desta história criada por Holly Black. Ao início, ele não me pareceu uma figura fácil de entender. Mais tarde percebi que isso se deve ao facto de ser uma personagem bem estruturada e dotada de diferentes dimensões. Nas primeiras páginas, é fácil perceber que ele é um rapaz dotado de sentido de humor, que não confia facilmente nos outros, que é adepto da mentira e da manipulação. Só ao conhecer a sua história percebemos as razões de ele assim ser e surge então empatia por esta figura. Com o decorrer da narrativa, vemos que ele possui valores nobres, o que o tornam num trapaceiro de quem é fácil gostar. Os seus desejos, angústias e necessidade de pertencer a um grupo tornam esta personagem em alguém que acreditamos ser real.

A família de Cassel está longe de ter um modelo convencional. Faz lembras as famílias que servem grandes senhores da máfia, uma vez que existe um estranho sentido de lealdade e devoção que leva os seus membros a praticar crimes hediondos. A mãe de Cassel surge poucas vezes, mas confesso que me não me provoca qualquer simpatia. Sugere ser alguém egoísta e que não entende os filhos, o que acaba por justificar muito do que acontece nestas páginas. Os irmãos de Cassel, são muito relevantes para a narrativa. É curioso ver como os sentimentos do protagonista relativamente aos dois irmãos vão sendo alterados conforme a história avança, ficando presente que o amadurecimento nos leva a ver certas atitudes de forma diferente. Já o avô de Cassel foi o membro de quem mais gostei. Um senhor com um humor retorcido, muito rezingão mas também perspicaz.

A gata que dá o título ao livro é um dos elementos mais enigmáticos da narrativa. Está sempre presente, e ao início não é fácil entender qual é a sua finalidade. Contudo, a um certo momento, conseguimos perceber sozinhos o papel desta figura, muito antes do protagonista. A partir daí, queremos ver o mistério exposto, queremos conhecer melhor esta personagem que se torna num ponto central de toda a história.

A trama em si parece estar dividida em duas partes distintas. Na primeira, é feita a apresentação. Nesta fase, tudo parece surgir de uma forma lenta e não é fácil entender o caminho que a autora pretende seguir. Cassel não cativa de imediato pois parece estar limitado pelo espaço onde se encontra. Contudo, existem alguns mistérios que intrigam e impelem a continuar. A segunda fase surge quando Cassel começa uma investigação intensa e que lhe dá resultados inesperados. É verdade que a partir do momento em que recebemos certas informações conseguimos depressa perceber o que vai acontecer, mas existem um entusiasmo crescente em acompanhar o protagonista, pois é aqui que ele começa a cativar e a marcar a diferença. O ritmo da leitura acelera e torna-se difícil largar o livro.

Este volume é muito focado no acompanhar de Cassel por situações reveladoras e de grande perigo, contudo, a autora, de forma subtil, acaba por apresentar um mundo muito cativante que gostaria de ter visto mais desenvolvido. É fácil perceber a divisão que existe na sociedade, o medo dos manipuladores, as propostas políticas de controlo, os grupos que não aceitam a diferença e aquelas que acreditam na coexistência pacifica. Deste modo, Black tenta dar a entender que pensou bem no cenário desta trama, e que existem factores externos a Cassel que ainda poderão atravessar-se no seu caminho.

Relativamente ao conceito de manipuladores, achei curioso o facto de estes estarem associados a maldições. Isto faz com que, inevitavelmente, eles sejam vistos com uma conexão negativa, afinal, as maldições usam o outro em benefício próprio, causando dor e sofrimento. Ao longo da leitura, pensei se estes "dons mágicos" estão associados a maldições devido à própria natureza humana. O poder faz com que seja usado para se conseguir algo que se deseja, sem medir as consequências. Caso a natureza humana for altruísta e bondosa, serão as maldições vistas como dons úteis para todos? Penso que este é um tema que a autora tentou, neste livro, expor de uma forma bastante subtil e que será desenvolvido no próximo. Uma ideia muito curiosa, que dá que pensar e que torna este livro mais profundo do que pode aparentar.

Gata Branca fez-me sentir estar dentro de uma história passada no seio da máfia mas repleta de elementos mágicos. Apresenta uma história cheia de mistérios e acontecimentos interessantes, mas também explora um protagonista complexo que dificilmente será esquecido. Aconselho a leitura deste livro e espero, sinceramente, continuar a acompanhar esta coleção de manipuladores de maldições criada por Holly Black.

Para mais informações sobre o livro Gata Branca, clique aqui.

Está em sorteio um exemplar deste livro aqui. Participem!