sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Livros de Anne Rice vão voltar ao cinema


Os livros de Anne Rice são apreciados e tidos como referência por todo o mundo e alguns títulos chegaram mesmo a ser adaptados ao cinema. Contudo, apenas “Entrevista com o Vampiro”, de 1994, teve sucesso e foi aplaudido pela crítica.

Confiante de que as histórias de Anne Rice podem voltar a fazer sucesso no cinema, a Universal Pictures quer voltar a colocar os vampiros de Anne Rice na grande tela. O acordo incluí a adaptação dos livros Lestat, História do Ladrão do Corpo e Cristo, O Senhor - A Fuga do Egipto, sendo que este último será o primeiro a ir para produção.

A notícia já foi confirmada pela autora, que deixou a seguinte mensagem no Facebook:

“Yet another story on my Hollywood News as the word spreads. And yes, Christ the Lord, Out of Egypt will indeed go into production in September, filming in Rome. Thanks, everybody, for your many enthusiastic posts and comments. Much appreciated.”


quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Opinião. Anjos Rebeldes (Gemma Doyle #2)

Título original: Rebel Angels (2005)
Autor: Libba Bray
Tradução: Susana Serrão
ISBN: 9789892327624
Editora: Asa (2014)

Sinopse:

Ah, o Natal! Gemma Doyle está desejosa das férias fora da Academia Spence, de passar o tempo com as amigas na cidade, de ir a bailes elegantes e, numa nota sombria, de cuidar do pai doente. Quando se prepara para entrar no Ano Novo de 1896, um jovem bonito, Lorde Denby, parece estar interessado em conquistar Gemma. No entanto, no meio das distrações de Londres, as visões de Gemma intensificam-se - visões de três raparigas vestidas de branco, a quem algo terrível aconteceu, algo que só os reinos podem explicar...
A atração é forte, e em pouco tempo, Gemma, Felicity e Ann estão a transformar flores em borboletas no mundo encantado dos reinos a que só Gemma pode levá-las. Para grande alegria delas, a sua querida Pippa também está lá, ansiosa por completar o círculo de amizade.
Mas nem tudo está bem nos reinos - ou fora dele. O misterioso Kartik reapareceu, dizendo a Gemma que ela deve encontrar o Templo e vincular a magia, ou algo terrível irá acontecer-lhe. Gemma está disposta a fazer-lhe a vontade, apesar dos perigos que isso acarreta, pois isso significa que irá encontrar-se com a maior amiga da sua mãe - e agora sua inimiga, Circe. Até Circe ser destruída, Gemma não pode viver o seu destino. Mas encontrar Circe revela-se uma tarefa muito perigosa.

Opinião:

Fiquei muito feliz por saber que a colecção 1001 Mundos não tinha desistido da trilogia "Gemma Doyle", de Libba Bray. Depois de Uma Grandiosa e Terrível Beleza, que foi publicado em Portugal em 2011, heis que finalmente surge o segundo volume desta história, Anjos Rebeldes. Queria muito saber como esta história iria desenvolver, afinal, apesar de ter encontrado alguns pontos mais fracos no primeiro livro, também percebi que havia muito por onde explorar. Felizmente estava certa e este volume mostrou-se muito superior e mais envolvente.

Se no primeiro volume podia ter ficado a ideia de que se estava perante uma história simples, que explorava as relações entre raparigadas e que misturava a sociedade do Reino Unido do século XIX com magia e fantasia, agora percebe-se que esta trilogia é muito mais do que isso. Anjos Rebeldes apresenta tarefas duras, faz duvidar de personagens que até então foram tomadas como certas, explora as convenções de uma sociedade cheia de regras, mostra que as pessoas são resultados das suas experiências, leva a perceber que todos têm os seus segredos e ainda revela as consequências de nos apegarmos a algo que deveria ser largado.

Estou impressionada com a evolução de Gemma. Esta é uma protagonista em evolução que deixou de ser uma menina mimada para ser uma jovem com uma personalidade interessante e que já aceita as suas diferenças. Gostei do facto de a relação de Gemma com a sua família ter sido mais explorada. O amor que ela tem pelo pai e a dor que sente por o ver em situações mais degradantes é fácil de identificar e de louvar. A relação com o irmão está bem conseguida na medida em que equilibra o companheirismo com os conflitos que habitualmente se encontram nestas ligações.

O grupo de amigas de Gemma apresentou uma evolução natural mas que, em certos momentos, me fez ficar reticente. Felicity continua a ser uma jovem ambiciosa e ousada, mas muitas vezes fiquei com a sensação de que a sua relação com Gemma existia mais por interesse, o que não me permitiu confiar plenamente nela. Gostei da explicação para as suas atitudes e confesso que nem sempre sei o que pensar sobre ela. Ann pode parecer uma rapariga aborrecida, pessimista e resignada, mas fiquei com a ideia de que também é invejosa, egoísta e demasiado lamurienta. Apresentar estas características negativas não tem a intenção de criticar as personagens mas sim de admitir que fiquei surpreendida por ambas parecerem tão humanas e reais. Fico grata por não serem perfeitas e por me fazerem ter tantas dúvidas quanto a elas e por tornarem o livro mais complexo. Estou curiosa para saber o que vai ser de Felicity e Ann no livro final.

Já sabem que não sou grande fã de triângulos amorosos, mas isso acontece por ver que a maior parte cai em lugares comuns, tem pouca consistência e são previsíveis. Em Anjos Rebeldes surge um triângulo amoroso que, felizmente, não foi o ponto central da narrativa, e revelou-se bastante interessante. Já se sabia que Gemma tinha sentimentos pouco definidos por Kartik, mas agora também surge Simon. E felizmente nada disto parece forçado. Afinal, Gemma é uma jovem e os seus interesses surgem com naturalidade. É fácil perceber Kartik a cativa pela afinidade e cumplicidade, enquanto Simon parece corresponder a todos os desejos de uma jovem da época e é símbolo de estabilidade. A forma como a história desenvolve leva a escolher lados, e, no final, fica a sensação de que se tomaram as melhores opções.

O encadeamento dos acontecimentos está bem conseguido na medida em que flui com naturalidade. Tudo é explicado ou inserido num contexto plausível, o que faz com que surja a sensação de que algo foi forçado. Apreciei o facto de a maior parte da acção ser passada em Londres, o que em oposição ao espaço do colégio de Spence fornece mais possibilidades. O mundo mágico é mais explorado. Gostei de conhecer novos seres, de ver mitologia e lendas envolvidas mas fiquei com a sensação de que existe muito mais por onde ir.

Fiquei rendida a Anjos Rebeldes. Sempre que conseguia pegava neste livro para descobrir o que ia acontecer a Gemma e que mais mistérios iam ser desvendados. Quando cheguei à última página, senti que um ciclo desta trama tinha terminado, mas que, ao mesmo tempo, estava a ser preparado um desafio muito maior que irá ser apresentado no derradeiro livro desta trilogia. Por isso, fica a sensação de que o objectivo deste livro foi cumprido e fica também a vontade de que a conclusão da trilogia não demore muito a chegar.

Outras opiniões de livros de Libba Bray:
Uma Grandiosa e Terrível Beleza (Gemma Doyle #1)
Os Adivinhos (Os Adivinhos #1)

terça-feira, 5 de agosto de 2014

Opinião: Divina (Chamamento da Deusa #4)

Título Original: Goddess of the Rose (2006)
Autor: P. C. Cast
Tradução: Eugénia Antunes
ISBN: 9789892327921
Editora: Asa (2014)

Sinopse:

Não é um talento para a jardinagem que faz as rosas da família Empousai desabrocharem há séculos, mas sim as gotas de sangue que as mulheres derramam em segredo pelos seus jardins. Mikki, porém, prefere esquecer essa peculiaridade e levar uma vida normal. Até ao dia em que, sem querer, realiza um ritual e acaba num reino estranhamente familiar: o Reino das Rosas. De acordo com Hécate, a deusa desse reino, Mikki tem nas veias o sangue de uma suma sacerdotisa, e o Reino das Rosas já esperava por ela. Num acesso de raiva que Hécate teve muito antes, ela amaldiçoou o seu guardião com um sono do qual ele poderá despertar apenas por intermédio de uma das suas sacerdotisas. E a deusa conta com Mikki para colocar as coisas em ordem. A princípio, o guardião-fera deixa Mikki apavorada; porém, em breve a fascina mais do que qualquer outro homem já conseguiu. A única forma de ele e do reino serem salvos, contudo, é se Mikki sacrificar o seu sangue e a sua vida.

Opinião:

O conto "A Bela e o Monstro", cuja primeira versão é atribuída a Gabrielle-Suzanne Barbot de Villeneuve, é uma das minhas histórias de encantar preferidas. Por isso mesmo, quando soube que o livro Divina, de P. C. Cast, era inspirado nesta história, senti uma enorme vontade de pegar neste livro. Apesar de ser o quarto volume da série "Chamamento da Deusa", este é um volume que pode ser lido sozinho uma vez que não é necessário recorrer aos anteriores para perceber a trama e também porque não terá continuação.

Mikki, ou Mikado, é uma mulher do mundo moderno que não consegue ser feliz ao amor. Ao início, fica a sensação de que se trata de uma protagonista com pouca autoestima, sensível, desconfiada e fiel às suas convicções. Estas características tornam Mikki humana e alguém com quem é fácil criar empatia. Contudo, após uma grande mudança, Mikki descobre que é uma sacerdotisa de Hécate e é levada para uma realidade diferente. Aí, Mikki deixa de parecer a mesma personagem, o que pode causar alguma estranheza. Ela passa a ter sentido de humor e vai torna-se mais confiante e carismática. Gostaria de ter visto esta alteração a acontecer de forma gradual, apesar de entender que havia pouco espaço para tal.

Após a nossa "Bela" ter sido apresentada, heis que surge o esperado monstro. Esse papel é atribuído ao Guardião, um personagem que me conquistou e que é um dos pontos fortes desta leitura. O Guardião é um ser atormentado por razões válidas e muito misterioso. Gostei muito da sua personalidade fechada, humilde e fiel à função que lhe é entregue. A união entre características humanas e animais é subtil mas convincente e a forma como ele, aos poucos e poucos, se vai revelando agarra a leitura. Apesar de ter apreciado o passado que lhe foi concedido, gostaria de ter assistido a mais revelações.

A relação ente Mikki e o Guardião é a esperada. Contudo, achei muito carinhosa a forma como os dois se foram aproximando e descobrindo. Não se trata de uma grande história de amor, é verdade, mas é um relacionamento doce e sincero, daqueles que nos faz desejar que tudo lhes corra bem e nos deixa com um sorriso na cara. É curioso ver que o aproximar destas duas personagens nos permite desvendar o Reino das Rosas, um espaço que me encantou e que encerra ideias muito interessantes, nomeadamente no que toca aos sonhos.

O desenrolar da ação não possui grandes surpresas e chega mesmo a apresentar algumas falhas. A sequência de acontecimentos é a esperada, o que faz com que o final se torne pouco memorável. Alguns dos momentos são demasiado convenientes e mesmo quando surge perigo percebe-se que tal só acontece por necessidade de o apresentar, uma vez que a autora não conseguiu transmitir a ideia de medo pelo futuro das personagens, apesar de existência de uma profecia dramática.

A autora mistura mitologia grega com crenças provenientes da cultura celta e ainda com contos tradicionais. Esta junção é interessante apesar de ficar a ideia de que poderia ter sido melhor explorado. A introdução de alguns elementos pode parecer algo forçada e apenas o lado conveniente à trama é exposto. O resultado é uma história agradável, romântica, pouco exigente e que é lida com rapidez. É uma versão de "A Bela e o Monstro" muito diferente das que até agora conheci e teve muitos aspectos que me agradaram.

Divina é um livro que dá a conhecer um romance bonito e apresenta um reino encantador repleto de magia. Uma história que revisita os contos de fadas, faz recordar seres mitológicos, possui momentos sensuais, mostra a força feminina, apela ao poder dos elementos e faz acreditar que o amor é capaz de tudo. Uma trama simples e pouco exigente que proporciona momentos de leitura agradáveis.

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Opinião: Invisível

Título Original: Invisible (2014)
Autor: James Patterson com David Ellis
Tradução: Rui Azeredo
ISBN: 9789898626462
Editora: TopSeller (2014)

Sinopse:

Sem deixar rasto. Sem qualquer motivo. Um serial killer imparável. Uma revelação desconcertante. Emma está obcecada com a investigação de uma série de incêndios que provocou a morte de pessoas e que à primeira vista parecem não ter qualquer ligação entre si. Todos dizem que foram acidentais, mas Emma insiste que foram provocados por um único serial killer. Mas há algo mais, e muito pessoal, que move Emma: uma das vítimas era sua irmã. Irmã gémea. Nem mesmo o seu ex-namorado, um antigo agente do FBI, consegue acreditar que dezenas de incêndios, raptos, mutilações e assassínios estejam todos relacionados. Mas Emma vai encontrar uma peça-chave que os ligará a todos.Novos crimes surgem a cada dia e todos parecem inexplicáveis. Sem motivos, sem armas do crime e sem suspeitos. E Emma não vai descansar enquanto não encontrar o assassino. Ou irá o assassino encontrá-la a ela primeiro? Pode realmente uma única pessoa ser responsável por estes crimes impensáveis?

Opinião:

Estava muito curiosa quanto a Invisível. Livro policial escrito por James Patterson e David Ellis, surgiu evolvido por uma certa euforia, o que me fez desejar pegar nele o mais rápido possível de forma a perceber a razão de tanto entusiasmo. E ainda bem que assim o fiz! Depressa dei por mim envolvida nesta história emocionante que me fez sentir fazer parte da investigação em curso.

Emmy Dockery, a protagonista, é uma personagem feminina bem construída e que deixa transmitir diferentes ideias. Ao início, esta investigadora do FBI surge magoada pela perda mas muito convicta das suas crenças, o que me levou a admirá-la. Com o desenrolar da trama, cheguei a vê-la como alguém completamente focado num objectivo, ao ponto de a achar obsessiva, o que me pareceu exagerado apesar de fazer sentido. Gostei da forma como ela tentava sobrepor a razão aos sentimentos e fiquei impressionada com a sua força.

O grupo que acompanha Emmy na investigação de um perigoso assassino em série que esteve perto de fazer o crime perfeito é interessante, apesar de ter gostado de ter visto alguns elementos mais explorados. De todos, destaco Harrison Bookman, mais conhecido por Books, devido à ligação que tem à protagonista mas também por causa da integridade, humanidade e profissionalismo que revela em cada momento. Por outro lado, Julius Dickinson é uma figura odiosa, mas é de louvar o facto de esse sentimento ter conseguido passar com tanta facilidade.

O grande vilão é o ponto mais forte desta narrativa. Digo isto não só devido à personalidade que lhe foi concedida e ao seu desenvolvimento, mas também devido aos crimes. A construção deste assassino e dos respectivos homicídios  é o que faz mover a trama. Gostei da personalidade dada e da forma como ela evoluiu, e fiquei muito impressionada com os assassinatos. Estas eram mortes medonhas e que realmente fazem pensar no crime perfeito. As explicações dadas fazem acreditar na veracidade dos relatos, o que chega a ser assustador.

Adorei a forma como esta história foi contada. Tudo acontece a um ritmo rápido e existem sempre novidades a aparecerem o que, aliado a capítulos curtos, faz com que a leitura seja frenética. A ação principal é relatada na primeira pessoa pela protagonista, o que me levou entender as suas motivações, frustrações e desejos. Contudo, também existem capítulos que deixam descobrir o lado do assassino, o que faz crescer o interesse pela história sem desvendar demasiado. O intercalar destas duas visões agarrou-me e proporcionou-me uma leitura cativante e mais rápida do que esperava.

O estilo de escrita é agradável e direcionada para a narração de acontecimentos. As descrições focam-se apenas no que é necessário para o desenrolar da ação, não havendo espaço para grandes paragens. Os diálogos são naturais, o que faz acreditar na sua realidade. Gostei especialmente da forma como as Sessões Graham foram escritas, uma vez que se tratam de discurso oral. Confesso ainda que fiquei muito orgulhosa por ter conseguido descobrir uma das maiores reviravoltas da trama.

Invisível é um policial que os fãs do género não vão querer perder e que faz perceber porque razão de James Patterson é o escritor mais vendido no mundo. Emocionante, imparável, cativante e dotado de reviravoltas coerentes e interessantes, este é um livro que eu gostei muito de ler e que recomendo.

Outras opiniões a livros de James Patterson:
Maximum Ride - O Resgate de Angel (Maximum Ride #1)
Maximum Ride - Adeus à Escola (Maximum Ride #2) 
Maximum Ride - Salvar o Mundo (Maximum Ride #3) 
Confissões de Uma Suspeita de Assassínio (Confissões #1)